terça-feira, 1 de novembro de 2011

ESCATOLOGIA XXII

II Pd. 1: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
O capítulo um do livro profético de apocalipse é um retrato da pessoa de Cristo. As características descritas nele se repetirão nos demais capítulos, indicando quem realmente é Ele. É necessário entender que Jesus, o Cristo é um ser 100% homem, e 100% Deus. O Cristo é o filho de Deus, preexistente e eterno. Jesus é o homem histórico, no qual, o Cristo encarnou para cumprir os desígnios de Deus no tocante à redenção. Entretanto, não se pode distingui-los, pois isto recairia numa heresia antiga chamada arianismo. Assim, Cristo e Jesus, não são duas pessoas distintas, mas uma única pessoa com duas naturezas: a divina e a humana.
Ap. 1: 1 e 2 - "Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João; o qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, de tudo quanto viu." A palavra revelação ou apocalipse significa "tirar o véu", ou seja, desvendar uma mensagem, ou uma pessoa. A expressão "de Jesus Cristo" está no genitivo subjetivo, mostrando que é a pessoa d'Ele que está sendo revelada por meio das mensagens simbólicas. O verbo 'notificou' no texto grego original é 'semainõ', ou seja, indicar, ou ensinar por símbolos, portanto, a chave do livro é o ensino por meio de símbolos. Assim, o apocalipse é a revelação de Jesus, o Cristo em sua 'parousia', ou seja, em sua manifestação visível ao mundo. Não é um livro de revelações em si, pois ensina por meio de linguagem simbólica. Portanto, o livro versa sobre a revelação de Jesus, o Cristo.
Ap. 1:3 - "Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo." Há esta promessa aos que leem, aos que ouvem, e aos que guardam as profecias do apocalipse. A proximidade do tempo é uma questão de desenrolar dos acontecimentos a partir do momento em que houve a revelação dos mesmo à João, na Ilha de Patmos. Desde este tempo os eventos previstos começaram a acontecer.
Ap. 1:4 - "João, às sete igrejas que estão na Ásia: graça a vós e paz da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono." O apóstolo João envia o relato recebido do anjo que foi enviado por Jesus, o qual recebeu a revelação de parte do Pai. Estas sete Igrejas eram reais e existentes no tempo de João, e também, eram Igrejas-Tipo das que surgiriam e existiram ao longo da história. As missivas mostram os três tempos da redenção de Jesus, o Cristo - que era, que é, e que há de vir - e também a totalidade da onisciência de Deus por meio dos sete espíritos. O número sete é sinônimo de totalidade e não de perfeição como alguns ensinam. Sempre que o processo de redenção é revelado se pode perceber que é um fato originado no passado, real no presente e esperado o seu desfecho no futuro.
Ap. 1:5 a 8 - "...e da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos. Amém. Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém. Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso." Jesus, o Cristo é identificado neste texto como: a fiel testemunha, ou seja, aquele que de fato foi mártir para retirar o pecado do mundo, pois testemunha significa mártir. Também afirma que Ele é o primogênito dos mortos, isto é, o primeiro a voltar ressurreto dos mortos. Jesus é apresentado como o Príncipe dos reis da Terra, porque Ele é Absoluto, Rei dos reis, e Senhor de todas as coisas. O texto mostra que é Jesus, o Cristo que nos ama, que nos libertou dos pecados pelo derramamento do Seu sangue. Ele transforma os seus eleitos e regenerados em um reino de sacerdotes para Deus, o Pai. Neste texto é anunciado que Jesus, o Cristo voltará com as nuvens e todos o verão, mesmo os que estiveram no dia da sua crucificação, pois todos os mortos ressuscitarão neste dia do retorno do Grande Rei. Ele é o alfa e o ômega, ou seja, o início e o fim de todas as coisas, pois por Ele e para Ele elas foram criadas.
Ap. 1:9 e 10 - "Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta..." Visto que nenhum homem carnal pode estar na presença de Deus, João foi arrebatado em espírito, ou seja, o seu espírito saiu do seu corpo e foi elevado até a presença de Deus e, de lá, contemplou o dia do Senhor. Este "dia do Senhor" não é um dia da semana, ou o domingo como se supõe. É o dia do Juízo conforme Joel 2:31 - "O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor." Isto se explica pelo fato de João estar arrebatado na presença de Deus, vendo os acontecimentos do fim.
Ap. 1: 11 - "...que dizia: o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia." A voz de Deus que João ouviu ordenou que ele escrevesse tudo quanto estava vendo e que enviasse este relatório às Igrejas existentes e que representavam simbolicamente todas as demais Igrejas ao longo dos tempos. Alguns afirmam, com base em características, que atualmente é o período da Igreja de Laodicéia.
Ap. 1: 12 a 16 - "E voltei-me para ver quem falava comigo. E, ao voltar-me, vi sete candeeiros de ouro, e no meio dos candeeiros um semelhante a filho de homem, vestido de uma roupa talar, e cingido à altura do peito com um cinto de ouro; e a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve; e os seus olhos como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente que fora refinado numa fornalha; e a sua voz como a voz de muitas águas. Tinha ele na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois gumes; e o seu rosto era como o sol, quando resplandece na sua força." João, finalmente, vê ao Senhor Jesus, e o descreve a sua visão. Jesus, o Cristo aparece em meio a sete candeeiros de ouro, vestido como sacerdote, com um cinto de ouro, indicando a justiça. Os cabelos brancos como a lã e como a neve, indicando a santidade, reverência e a deidade de Cristo. Isto se aplica ao que Daniel 7:9 descreve: "Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; o seu vestido era branco como a neve, e o cabelo da sua cabeça como lã puríssima; o seu trono era de chamas de fogo, e as rodas dele eram fogo ardente." A descrição dos pés como latão reluzente refinado em fornalha foi a forma possível a João, para descrever a pureza de Cristo. Jesus, o Cristo foi refinado na dor e no sofrimento, por isto, é perfeitamente apto para julgar e discernir os pensamentos e intenções do coração humano. Voz como de muitas águas indica a autoridade de Deus, o que também foi visto por Ezequiel: "E eis que a glória do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandecia com a glória dele." Cristo detém nas mãos a totalidade dos mensageiros de todas as Igrejas, pois Ele segura as sete estrelas que são símbolos de mensageiros. Da sua boca saía uma afiada espada de dois cortes, indicando que apenas Cristo tem a palavra de juízo que pode discernir completamente a mente e as intenções ocultas do coração do homem. O rosto brilhante como o Sol é a indicação da perfeita luz que tudo prescruta e vê.
Ap. 1: 17 a 20 - "Quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo: não temas; eu sou o primeiro e o último. Eu sou o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre! e tenho as chaves da morte e do inferno. Escreve, pois, as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de suceder. Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete candeeiros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas." A visão de Cristo glorificado é tão chocante, que, mesmo João estando em espírito sentiu-se totalmente atônito. Ele é o primeiro e o último, indicando que é eterno, que encarnou em Jesus, foi morto, mas ressuscitou e vive eternamente. Ele tem as chaves que abrem, tanto a morte do pecador para vida, como para a condenação eterna.
Jesus, o Cristo termina esta instância ordenando que João escreva todas as coisas que presenciou nos três tempos: passado, presente e futuro. Cristo explica o significado das sete estrelas e dos sete candeeiros de ouro, a saber os pastores ou mensageiros e as Igrejas-Símbolos.
Gloria in excelsis Deo!

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