domingo, 30 de julho de 2017

COM O ROSTO DESCOBERTO

II Co. 3:18 - "E não somos como Moisés, que trazia um véu sobre o rosto, para que os filhos de Israel desvanecia; mas o entendimento lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido; sim, até o dia de hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles. Contudo, convertendo-se um deles ao Senhor, é-lhe tirado o véu. Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor."
Uma das questões mais graves no Cristianismo moderno e pós-moderno é a incapacidade de identificar a relevância da Graça como inauguradora da Nova Aliança. A maioria dos religiosos considera a Lei como o pré-requisito para se alcançar a Graça. Não compreendem, porque não creem, que a Graça cumpre e termina a Lei. É algo semelhante à teoria dos conjuntos: a ideia de continente e conteúdo. Ou seja, a Graça inclui e contém plenamente a Lei, pois Cristo veio exatamente para cumprir toda a Lei, a qual o homem decaído jamais poderia cumprir integralmente conforme Rm. 10:3 - "Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê.
Portanto, é fundamental entender que o termo "fim" no texto acima, não é apenas no sentido de finalidade. Traz em si, principalmente, o sentido de término ou fim. O vocábulo utilizado no grego neotestamentário é "telos" [τελος], ou seja, 'fim de um evento, último de uma série.' Desta forma a expressão grega achada no texto de Rm. 10:4 é "telos nomon Christós." Tal expressão pode ser traduzida, sem qualquer prejuízo, como: "Cristo terminou a Lei."
Desta forma, a resistência à significação de que Cristo cumpriu toda a Lei e a terminou reside no fato que o homem, não regenerado, necessita de um regulador comportamental para apaziguar a sua alma atormentada pela natureza pecaminosa. Tal natureza sempre cria um paradoxo no coração do homem religioso, pois ele lê as Escrituras e se apropria intelectualmente de uma verdade a qual tenta assumir, mas a sua natureza pecaminosa não resolvida na cruz entra em crise. É como o homem que, caindo numa latrina sai dali e toma um pão para comer, porém sem antes se lavar.
Jo. 12:47 - "E, se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo." Este texto joga luz sobre a questão aqui abordada, quando mostra claramente que Cristo não veio executar a Lei contra o pecador, mas veio, precisamente para livrá-lo da culpa do pecado. Quando alguém assume a culpa de outro e paga pelos seus pecados ocorreu uma expiação. Igualmente, o apóstolo Paulo esclarece que, "... Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que se cale toda boca e todo o mundo fique sujeito ao juízo de Deus; porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas..."
Rm. 5: 1 e 2 - "Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus." Ora, verbo justificar está conjugado em tempo e modo claramente cabal ou terminativo. Isto indica que, uma vez tornados justos pela fé, o resultado é a paz com Deus e não a sustentação de um comportamento dualista: guardar a lei para obter paz e fé, como tenta fazer a maioria dos religiosos. Esta duplicidade gera muito sofrimento e repressão da natureza pecaminosa residente no homem não regenerado. Esta situação acabará por explodir a qualquer tempo em forma de doenças, psicopatias e anomalias comportamentais. Tais coisas são a razão de muitos conflitos dentro das igrejas.
Desta forma o homem decaído ganha a Graça para crer e receber, a verdade, que Cristo cumpriu em si mesmo a Lei, a fim de que o pecador seja total e plenamente justificado em sua morte substitutiva e inclusiva na cruz. Entretanto, é necessário que isto seja recebido como verdade de Deus e não como mera letra. A aniquilação do pecado  por Cristo está doutrinada em Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Assim, a aniquilação a que se refere o texto acima implica em retirar total e absolutamente a natureza pecaminosa do homem, tornando-o justificado. Vê-se que o texto afirma que tal aniquilação foi "de uma vez para sempre" e não algo momentâneo.
Finalmente, tem-se que o homem justificado pela inclusão na morte de Cristo, bem como na sua consequente ressurreição, aparece perante o trono de Deus com o rosto descoberto. Tal homem pecador regenerado é apresentado perante Deus aceitável em Cristo e não em sua justiça própria.
Sola Gratia!

domingo, 22 de janeiro de 2017

QUEM É O DIABO V

II Co. 11: 14 e 15 - "E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras."
A imagem do Diabo como um ser dotado de rabo, chifres, peludo, mal cheiroso, vermelho, ou com cara e pés de bode é o resultado do ideário popular imposto pela cultura religiosa desde a Idade Média. Era um artifício da igreja dominante para manter o povo sujeito às suas determinações e dogmas com base no medo e não na verdade. Embora as Escrituras não revelam muito sobre detalhes da sua queda e condição anterior a queda, o pouco que revela é o suficiente para que não permitam enganos e fantasias religiosas.
Uma simples pesquisa virtual sobre as opiniões acerca dos textos de Ezequiel 28 e Isaías 14, verificar-se-ão grandes controvérsias sobre a interpretação correta dos conteúdos destes dois textos. Há os que tomam os tais textos em sua literalidade e os que toma-os em sua forma figurada. A maioria, porém, opta por afirmar que em Ezequiel é tão somente uma repreensão dirigida ao rei da cidade de Tiro, e, em Isaías é apenas uma profecia acerca do rei da Babilônia.  Isto restringe muito a extensão e a significação maior dos textos. 
Muito bem! A fim de demonstrar que tais profecias tratam da dupla referência profética de modo sarcástico, pode-se tomar como texto paralelo o de Dn. 10: 11 a 13 - "E me disse: Daniel, homem muito amado, entende as palavras que te vou dizer, e levanta-te sobre os teus pés; pois agora te sou enviado. Ao falar ele comigo esta palavra, pus-me em pé tremendo. Então me disse: não temas, Daniel; porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras, e por causa das tuas palavras eu vim. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu o deixei ali com os reis da Pérsia." Vê-se que o contexto é aquele em que Daniel se põe a orar pelo pecado do povo e confessar o seu próprio pecado. Deus ouviu a oração de Daniel desde o primeiro momento e decidiu enviar o anjo para confortá-lo e comunicar suas decisões. O mensageiro de Deus foi enviado, mas alguém se interpôs entre o anjo enviado e Daniel. Um príncipe do reino da Pérsia se pôs diante do anjo e Daniel por vinte e um dias. Deus então enviou o arcanjo Miguel para ajudar na batalha e o mensageiro celestial pode, então, ir até Daniel. Ora, é óbvio que, o tal príncipe da Pérsia e os reis mencionados não eram humanos, pois qual humano pode manter uma batalha no espaço celeste contra mensageiros espirituais? Por que o anjo Miguel se deslocaria da habitação celestial para batalhar contra um príncipe da Pérsia? Então, o tal príncipe era o Diabo identificado tipologicamente no príncipe do reino da Pérsia, porque nesse tempo a Pérsia controlava basicamente todo o Oriente e parte do Ocidente.
As Escrituras afirmam que Satanás e seus anjos seguidores vivem no espaço sideral próximo à Terra conforme Ef. 2: 1 e 2 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência..." O príncipe das potestades do ar é o Diabo, porque ele é o chefe dos anjos caídos. São denominados 'poderes do ar', sendo esta expressão no texto grego [αρχοντα της εξουσιας του αερος], que transliterado é: "arkonta tes exousías tou aeros". O vocábulo "aeros" no grego neotestamentário significa: 'o espaço acima da atmosfera terrestre'. Isto é confirmado no texto de Ef. 6:12 - "... pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes." Então, os anjos caídos e seu comandante, o Diabo, tem por habitação as regiões celestiais, as quais, denominam-se genericamente céus. 
O texto de abertura mostra com clareza meridiana que, o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Isto significa dizer que, aos olhos dos homens desprovidos da luz de Cristo, o Diabo apresenta-se como alguém do bem e vindo de Deus. Ele pode dizer coisas reconfortantes, porque a alma humana deseja a gratificação e a satisfação dos seus anseios. Desta forma, muitas pessoas se deixam enganar, apenas porque ouvem pregações que trazem conforto emocional, isto é, almático. Muitos seguem cultos e crenças religiosas, apenas porque se sentem bem naquele ambiente. Trata-se, portanto, de uma religião para produzir consolo e alívio das angústias geradas pela natureza pecaminosa.
Ora, a primeira regra da verdade bíblica é o evangelho, o qual mostra ao homem que ele é pecador e mau por natureza e não apenas por atos. Após a exposição desta verdade a alma humana tem duas opções: rejeitar e prosseguir na sua busca apenas religiosa, ou reconhecer-se portadora da natureza pecaminosa. Geralmente, os pecadores eleitos se curvam diante da dureza do evangelho e se rendem à cruz. Aquelas almas cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro, tendem a rejeitar, veementemente, a mensagem da cruz e do novo nascimento. Estas pessoas estão firmadas na justiça própria e na lei do esforço e dos méritos próprios para alcançar a redenção.
Ainda o texto de abertura alerta para o fato que os anjos caídos, seguidores de Satanás, se passam por ministradores da justiça. Ora, nunca a humanidade ansiou tanto por ver, concretamente, a justiça. É neste contexto que aparecem os espíritos enganadores oferecendo redenção fácil ou por meio de justiça própria. Por exemplo, há inumeráveis doutrinas esdrúxulas as quais pregam a purificação e a evolução dos espíritos por meio de sucessivas reencarnações. Espíritos de homens não evoluem, estão apenas separados de Deus ou reconciliados com Ele. Ora, o tal ensino evolucionista é diabólico, porque rejeita o pecado, a justiça de Deus, e a condenação eterna. Finalmente, tais ensinos pretendem estipular uma forma de justiça divina sem a cruz e sem a inclusão do pecador na morte com Cristo. É neste sentido que tais espíritos enganadores são ministradores de justiça conforme I Tm. 4: 1 e 2 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada..." É o Espírito Santo quem afirma que alguns dariam as costas à fé. Eles não apostatam da Igreja, mas apenas da fé. Os tais dão ouvidos a espíritos enganadores que são anjos caídos sob a liderança do Diabo, ou a homens subordinados a tais espíritos caídos. Qualquer doutrina que não seja estritamente bíblica e que não mostra que o homem é pecador por natureza e não apenas por atos, é doutrina de demônios.
Sola Scriptura!
Sola Fide!
Sola Gratia!

sábado, 21 de janeiro de 2017

QUEM É O DIABO IV

I Tm. 3: 6 e 7 - "... não neófito, para que não se ensoberbeça e venha a cair na condenação do Diabo. Também é necessário que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em opróbrio, e no laço do Diabo."
Muito se especula sobre qual tenha sido o pecado do anjo querubim que veio a ser o Diabo. Tal anjo foi criado por Deus em perfeição conforme já foi pontuado no texto de Ezequiel capítulo vinte e oito. 
Há em quase todas as crenças um dualismo ora brando, ora maniqueísta. Tal dicotomia entre o bem e o mal produziu a crença em deuses ou divindades do bem e do mal opostas entre si. Algumas dessas crenças afirmam que tal oposição é essencial ao equilíbrio do universo. O inusitado é que, as referidas crenças atribuem, tanto aos deuses do bem, como aos deuses do mal igual capacidade e merecimento de culto e adoração. Na fé cristã não é assim! O conceito de bem e mal nas Escrituras são distintos e não complementares, sendo Deus a fonte de todo o bem e o pecado a fonte de todo o mal moral conforme Tg. 1: 13 a 15 - "Ninguém, sendo tentado, diga: sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência; então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte." Entretanto, o conceito de bem e mal é bastante distorcido no ideário popular, pois consideram o que lhes agrada ou deseja como o bem, e tudo o que lhes é indesejável e desagradável como o mal. Atribuem o bem apenas a Deus e o mal apenas ao Diabo. Porém, deixam de considerar que há bem que é para o mal e há mal que é para o bem, pois quem conduz o universo e tudo que nele há é Deus. Portanto, não se pode confundir a visão humana de bem e mal com o controle soberano de Deus conforme as Escrituras.
Deus não criou um Diabo, um ser maléfico, mas um anjo da ordem dos querubins, perfeito, formoso, coberto de honra e de autoridade. A este anjo foi dado o encargo de conduzir a adoração e o louvor perfeito, porque a expressão "para proteger" [הַסּוֹכֵךְ] "hasokhechno hebraico de Ezequiel 28: 14 significa literalmente "quem conduz." Há, segundo as Escrituras, nove categorias de anjos, a saber: principados, potestades, virtudes, dominações, tronos, querubins, arcanjo, serafins e anjos simples. Os querubins, cuja ordem pertenceu o Diabo, são apresentados ora como crianças aladas, ora como animais conforme Ap. 4: 6 a 9 - "... também havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal; e ao redor do trono, um ao meio de cada lado, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás; e o primeiro ser era semelhante a um leão; o segundo ser, semelhante a um touro; tinha o terceiro ser o rosto como de homem; e o quarto ser era semelhante a uma águia voando. Os quatro seres viventes tinham, cada um, seis asas, e ao redor e por dentro estavam cheios de olhos; e não têm descanso nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, e que é, e que há de vir. E, sempre que os seres viventes davam glória e honra e ações de graças ao que estava assentado sobre o trono, ao que vive pelos séculos dos séculos ..." 
Desta forma o anjo querubim não foi tentado ao pecado, porque não havia nada e ninguém que o tentasse. Portanto, ele é auto-pecador, contrariamente ao homem que é heteropecador, visto que foi por ele tentado ao pecado. Foi por livre escolha que o anjo perfeito em seus caminhos optou pelo desejo de ser um deus e caiu. Após a sua queda passou a ser o Diabo, Satanás, Dragão e Antiga Serpente. Por esta razão é que o Diabo se materializou na serpente no Éden e, futuramente se corporizará no Anticristo como o dragão conforme diversas passagens do livro de Apocalipse. Foi tipificado no rei de Tiro e inspirador de Pedro de acordo com o evangelho de Mateus capítulo dezesseis, verso vinte e três.
O texto de abertura deste estudo mostra, por comparação, que a causa da condenação do anjo querubim foi a soberba. A concretização final de tal condenação foi a queda, ou seja, a sua perda das funções e expulsão do reino de Deus. O texto demonstra ainda que o anjo querubim caiu em seu próprio laço, a saber, optou pelo pecado e por ele se tornou Diabo e Satanás. O apóstolo Tiago mostra em sua epístola, capítulo um, a sequência que conduz à perdição: tentação, atração, engano, desejo, pecado e morte, ou seja, separação de Deus. Isto foi o que ocorreu com o anjo querubim e que o levou a morrer eternamente para Deus. Ele possui um grande número de demônios que foram anjos que aderiram à sua rebelião no céu e, por isso, caíram juntamente com ele conforme Ap. 12: 3 e 4 - "Viu-se também outro sinal no céu: eis um grande dragão vermelho que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas; a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra..." O dragão vermelho é o Diabo, as sete cabeças simbolizam o domínio pleno dos reinos terrestres, os dez chifres são governantes abertamente subordinados a Satanás. Os dez diademas representam poderes político-econômicos sob o comando do Diabo, declaradamente. Estrelas, no texto bíblico, sempre representam anjos. Tais anjos foram arrastados pelo Diabo em sua queda. Esta é a visão do apóstolo João, quando desterrado na Ilha de Patmos pelo imperador de Roma. 
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Soli Deo Gloria!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

QUEM É O DIABO III

Ez. 28: 12 a 15 - "Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.  Estiveste no Éden, jardim de Deus; cobrias-te de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Eu te coloquei com o querubim da guarda; estiveste sobre o monte santo de Deus; andaste no meio das pedras afogueadas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade."
O contexto do qual esta porção foi retirada é daqueles com dupla referência, ou seja, se refere, tanto a Itobaal rei de Tiro, como ao comportamento do anjo querubim que veio a ser o Diabo. O referido rei experimentou grande progresso mercantil, diplomático e militar. Exigia tributos pesados dos povos dominados e se apoiava em um comércio intenso no Mar Mediterrâneo. Era um reinado cujos governantes e homens prósperos não tinham escrúpulos e praticavam culto pagão ao deus Baal com sacrifícios humanos, além da baixa moralidade social. Diversos profetas do velho testamento vaticinaram sobre a ruína deste reino, o que, de fato, aconteceu primeiro com a invasão de Nabucodonosor rei de Babilônia e, depois, com a total destruição por Alexandre Magno do Império Greco-Macedônio em 332 a. C.
O texto se refere, mais enfaticamente, ao governante da cidade de Tiro do verso 1 ao verso 11, sendo que, no verso 2 ele é identificado como príncipe de Tiro. Este rei foi conhecido como Ethbaal ou Itobaal foi um sacerdote que assassinou o rei anterior de Tiro - Pheletes - e usurpou o poder, tendo governado por 32 anos. A partir do verso 12, a ênfase recai, predominantemente, a um ser no reino de Deus, descrevendo como era o anjo querubim antes da queda. A partir do verso 15 passa-se a descrever o que iria acontecer, tanto ao rei de Tiro, como ao que aconteceu ao Diabo após a queda. Este artifício linguístico ocorre em diversas outras passagens, das quais focar-se-á em Mc. 8:33 - "Mas ele, virando-se olhando para seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens." No contexto, Jesus está avisando aos discípulos que irá morrer. Entretanto, Pedro um dos discípulo de Jesus tenta convencê-lo a não morrer. Todavia Jesus o repreende, mas a repreensão é dirigida a Satanás que inspirava a Pedro neste ardil contrário ao que estava preordenado por Deus. O texto esclarece ainda que, quem cuida das coisas humanas ou terrenas é Satanás. Não era Pedro Satanás, mas estava sendo instrumento dele na sua argumentação contra a morte de Jesus, o Cristo. Tanto no hebraico, como no grego neotestamentário, estas duplas referências são, quase sempre, sarcásticas.
Neste estudo o foco é a identidade do Diabo na descrição do profeta Ezequiel. O texto descreve o Éden como jardim de Deus e diferente do Éden terrestre que foi um jardim para o homem. Sabe-se que o Éden terrestre era um domínio vegetal, enquanto o Éden descrito no texto ezequeliano era um domínio mineral. É dito que o Diabo era um anjo querubim chefe da guarda, ungido e estabelecido no monte santo de Deus, vivendo sob o brilho das pedras preciosas. A palavra querubim provém do hebraico [כרוב] "qeruv" e no texto de Ezequiel aparece no plural [כרובים] ou "queruvim". Os querubins são seres sobrenaturais, ora representados com aparência de animais, ora como anjos alados no culto mosaico. Diversas figuras de querubins foram esculpidas nas paredes e portas do primeiro templo de Jerusalém. O texto afirma que este querubim era perfeito em formosura e que, para ele foram preparados instrumentos musicais no dia em que foi criado: pífaros e tambores. Também é dito que era perfeito em seus caminhos até o dia em que, nele, foi achada a iniquidade. A iniquidade a que se refere o texto é a soberba e a arrogância de querer ser deus conforme Ez. 28:2 - "Assim diz o Senhor Deus: visto como se elevou o teu coração, e disseste: eu sou um deus, na cadeira dos deuses me assento, no meio dos mares; todavia tu és homem, e não deus, embora consideres o teu coração como se fora o coração de um deus." Lembre-se que, neste contexto inicial é uma descrição da arrogância, tanto do rei de Tiro, como da soberba do anjo querubim que quis ser deus. Trata-se de uma argumentação por símile.
A iniquidade é uma prática contrária à equidade, ou seja, ao que é justo segundo o padrão da justiça de Deus. Ocorre a iniquidade quando o pecado chega ao coração do homem e o faz perder a noção dos valores morais e espirituais. A iniquidade faz a mente do homem se corromper a ponto de não mais discernir entre o certo e o errado, o justo e o injusto. 
Portanto a identidade do Diabo é o que dele se declara nas Escrituras. O que passa disso é apenas crendice resultante do ideário popular manipulado pela religião. Outro texto que dá a noção exata do pecado do anjo querubim que veio a ser o Diabo está em Is. 14: 12 a 14 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações! E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." Esta descrição também segue a técnica da dupla referência, pois descreve tanto a arrogância, quanto a queda do rei da Babilônia e também os desejos e ambições do querubim chefe da guarda no Reino de Deus. Subir acima das estrelas, ou seja, dos anjos celestes, acima das nuvens, a saber, no domínio celestial, e ser semelhante ao Altíssimo é um desejo soberbo que arruinou o anjo perfeito, formoso e chefe dos demais anjos. Por isso este anjo querubim foi lançado fora da presença de Deus. O própria Jesus, o Cristo atesta esta verdade conforme Lc. 10:18 - "Respondeu-lhes ele: Eu via Satanás, como raio, cair do céu."
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

QUEM É O DIABO II

II Co. 2: 10c e 11 - "... para que Satanás não leve vantagem sobre nós; porque não ignoramos as suas maquinações."
Viu-se no primeiro estudo que o arqui-inimigo de Cristo é um ser real. O fato de ser espírito não lhe retira a realidade e a capacidade para agir por meio dos seus demônios e de pessoas não regeneradas. Na cultura popular ele recebe diversas alcunhas de acordo com a visão mitológica e lendária que a religião faz dele. A Bíblia, porém, o chama de Satanás, Diabo, Antiga Serpente, Belzebu, Dragão e Espírito Imundo. Em nenhum texto escriturístico é chamado de Lúcifer, senão nas traduções originadas da Vulgata de S. Jerônimo, o qual traduziu uma locução adjetiva como se fosse um substantivo. Isto acabou por conferir na crendice religiosa um título que, realmente, pertence a Jesus, o Cristo e não a Satanás.
A iniciativa de escrever sobre tal criatura sombria deve-se à necessidade de fazê-lo conhecido pelo que é e não pelo ideário popular e religioso. Ignorá-lo é tudo o que ele quer, pois assim poderá prosseguir com seu ódio e assédio à Igreja. A melhor forma de resistir ao inimigo é conhecendo-lhes as forças e artimanhas e não fugindo. 
Em 1991 foi criada a Aliança Ateísta, a qual se propõe a doutrinar o público sobre ateísmo e secularismo. Começou nos EUA, tendo sido formada por quatro grupos ateus. Entretanto, dez anos depois já possuía diversos grupos espalhados pelo mundo. Por isso, tornou-se a Aliança Ateísta Internacional em 2001. Em 2010 e 2011, desmembrou-se em Aliança Ateísta Americana e Aliança Ateísta Internacional. O lema da AAI é: "Por um Mundo Secular." A negação de Deus é uma condição natural do homem e não uma escolha. Todo homem nasce ateu e, mesmo depois de ter consciência plena ou pertencer a algum tipo de credo, continua ateu. Ateus negam, tanto a existência de Deus, quanto a realidade do Diabo. Isto é tudo o que o Diabo quer!
Conhecer Deus é operado e operacionalizado pelo próprio Deus soberanamente. A isto dá-se o nome técnico de monergismo. Ter uma religião e professar uma determinada crença, na maioria dos casos, não retira o homem do ateísmo. Todos aqueles que professam o ateísmo imaginam que o fazem por escolha livre. Entretanto, não o é. É por força da natureza decaída e corrompida pelo pecado da incredulidade conforme Jo. 16:9 - "...do pecado, porque não creem em mim..." Muitos homens sobrevivem de uma espécie de crença de segunda mão, porque reproduzem ideias e comportamentos herdados da família, da sociedade e da cultura em que vive. A maioria dos religiosos imagina que o pecado é o que a pessoa faz de errado ou de ruim. Ora, o pecado é o que o homem é, a saber, incrédulo. Por isto, se tornou morto para Deus. Morte, neste sentido, nada tem a ver com a degradação da vida biológica, mas com a perda da ligação espiritual com Deus por causa da natureza pecaminosa inoculada por Satanás. Portanto, o pecado que separa o homem de Deus é a incredulidade. Os atos pecaminosos, a saber, erros, deslizes, fraquezas e maldades são consequências do pecado e não a causa. 
O texto que melhor caracteriza o ateísmo natural no homem é o de Rm. 1: 20 e 25 - "Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém." A obscuridade do coração, ou seja, da alma e do espírito do homem o faz ateu. Passaram a cultuar-se a si mesmos e entregam-se aos desejos da alma para encontrar algum prazer e gratificação.
Os que não podem crer são separados da vida de Deus conforme Ef. 4:18 - "... entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração..."
Este é o campo fértil onde atua Satanás com suas artimanhas, levando vantagem sobre a Igreja em manter os homens decaídos longe da mensagem da cruz. Ele não pode vencer os eleitos e regenerados espiritualmente, mas pode levar vantagens sobre eles em não deixar o evangelho verdadeiro progredir.
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fide!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

QUEM É O DIABO I

I Pd. 5: 8 e 9 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo."
Alguém poderia questionar: por que escrever sobre quem é o Diabo, sendo mais honroso escrever sobre quem é Cristo. Perfeitamente! Acontece, no entanto, que, quanto menos se falar e reafirmar quem é o Diabo, mais ele se fortalece. É exatamente o que ele e seus seguidores visíveis e invisíveis querem que aconteça. Isto lhes dá a vantagem da dúvida e do esquecimento, concedendo-lhes mais espaço para continuar seu projeto nefasto contra Cristo e a sua Igreja. Então, ao escrever acerca do Diabo, não se pretende louvá-lo ou exaltá-lo de qualquer glória, pois ele não a tem.
Diabo provém do latim eclesial [diabolus] que, tendo sido transliterado para o grego eclesial como [διάβολος], o que resultou no vocábulo "diabolos". O vocábulo diabo, tanto no latim, quanto no grego significa "caluniador" ou "acusador". Desta forma tal adjetivo, quando utilizado como nome próprio só se aplica ao Diabo espiritualmente, porque ele é quem acusa os eleitos e regenerados de dia e de noite conforme Ap. 12:10 - "...porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite.
O Diabo é chamado, na cultura judaica, de Satanás proveniente do hebraico [שָטָן] que, transliterado é "satan". Este substantivo é originário de um adjetivo, o qual significa "opositor" ou "adversário". Nas culturas judaica e árabe, Satan ou Sheitan pode ser referência geral a qualquer tipo de inimigo, opositor ou adversário, além de, também, ter sentido de inimigo sobrenatural.
Outra forma de se referir ao Diabo na cultura ocidental é Lúcifer. Tal referência tem a ver com a tradução de São Jerônimo, o qual traduziu a palavra hebraica [הֵילֵל] "hêlêl" erroneamente para o latim como "lux feros", ou seja"lúcifer." Entretanto, este não é o nome próprio do Diabo, mas uma expressão metafórica para se referir ao rei da Babilônia e sua queda prevista pelo profeta Isaías. O texto que se refere a expressão é Is. 14:12 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações!" Trata-se de uma analogia ao planeta Vênus, a "Estrela da Manhã" que é ofuscado pelo aparecimento do Sol. Por semelhante modo, o rei da Babilônia - um astro menor - seria derrotado pelo Messias - o Sol da Justiça - que viria trazer a glória à Israel. Portanto, a tradução errada da expressão "estrela da manhã" como lúcifer ou portador da luz foi incorporada como sendo um dos nomes próprio de Satanás. Não se trata, portanto, de um nome próprio, mas de uma locução adjetiva em forma de metáfora, comparando a falsa glória de um rei terrestre com a real glória de Cristo.
Este mal entendido na tradução da Vulgata - a bíblia em latim - por S. Jerônimo deturpou as coisas a tal ponto que se atribuiu a Satanás um título que é, na verdade, de Jesus, o Cristo. Isto porque, lúcifer provém do hebraico "heylel" que quer dizer "estrela da manha", "estrela d'alva", "luz da manhã" e "aurora." Metaforicamente, em textos diferentes, se refere ao rei da Babilônia e ao Sumo Sacerdote Simão, filho de Onias citado no livro apócrifo Eclesiástico 1:6, à Glória de Deus, ou a Jesus, o Cristo conforme Ap. 22:16 - "Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã."
O texto de abertura procede da carta do apóstolo Pedro aos judeus cristãos do primeiro século. Em muitas igrejas, de hoje, tal texto é utilizado para amedrontar os religiosos, como se dependesse deles a possibilidade de o Diabo os derrotar ou não. Todavia, o texto é muito claro ao afirmar que "O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar..." Na verdade, o texto afirma que ele anda ao derredor, procurando a quem possa tragar como se fosse um leão. Acontece que o título de "Leão de Judá" pertence a Jesus, o Cristo e não ao Diabo. Até nisto o adversário tenta ofuscar a glória de Cristo. Acrescenta-se ainda, que o Diabo não pode tragar ou se apoderar e destruir os eleitos e regenerados.
Aqueles a quem o Diabo pode tragar ou derrotar são os que não têm experiência de novo nascimento. Isto é mostrado claramente em I Jo. 5:18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." Os eleitos e regenerados não têm mais prazer na natureza pecaminosa, porque ela foi aniquilada e seus atos pecaminosos foram lavados no sangue do Cordeiro que tira o pecado do mundo. Desta forma, os nascidos de Deus não estão submissos ao reino das trevas e que Aquele que nasceu de Deus, a saber, Jesus, o Cristo, os guarda e o Diabo sequer pode lhes tocar. O fato de acontecer coisas ruins ou desagradáveis aos filhos de Deus, não quer dizer que foi o Diabo quem os derrotou. Muita coisa sucede aos filhos de Deus para o seu aperfeiçoamento na justiça de Cristo. O texto de abertura mostra isto claramente, ou seja, que muitos irmãos sofrem as pressões do mundo, mas não diz que são derrotados pelo Diabo.
Sola Scriptura!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

BATIZADOS EM CRISTO

Gl. 3: 27 - "Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo."
Há diversos ritos nas diferentes sociedades humanas. Muitos são ritos de passagem, outros são ritos religiosos. O batismo conforme o evangelho é uma ordenança de Jesus, o Cristo, geralmente, confundido e praticado apenas como mero ritual na maior parte das religiões ditas cristãs. Entretanto, é necessário distinguir as categorias de batismos descritos no evangelho, porque, de fato, há um só batismo conforme Ef. 4: 5 - "...um só Senhor, uma só fé, um só batismo." Portanto, o único batismo é representado de duas formas: simbolicamente, quando em águas, e espiritualmente, quando na morte em Cristo, sendo este o mesmo sentido do batismo no Espírito Santo, pois este é consequência imediata daquele. Isto é doutrinado em Lc. 3:16 - "...respondeu João a todos, dizendo: eu, na verdade, vos batizo em água, mas vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de desatar a correia das alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo." É uma clara referência a Jesus, o Cristo e o seu batismo espiritual.
Batismo é um substantivo masculino que deriva do verbo batizar. Batizar, por seu turno, provém do grego koinê neotestamentário [βαπτισω] que, transliterado é 'baptizô', o qual significa imergir, mergulhar, introduzir. A ideia dominante é a de que alguém é imergido, mergulhado, incluído, introduzido em algo. No caso do batismo em águas é apenas uma simbologia: quando o batizando é imergido nas águas, simboliza a sua inclusão na morte com Cristo; quando o batizando é emergido das águas, simboliza a sua ressurreição com Cristo. 
Uma outra concepção sobre batismo é o tão propalado batismo no Espírito Santo praticado como um dogma nos círculos pentecostais, carismáticos e neopentecostais. Apoiam-se, portanto, no texto de At. 11: 15 e 16 - "Logo que eu comecei a falar, desceu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós no princípio. Lembrei-me então da palavra do Senhor, como disse: João, na verdade, batizou com água; mas vós sereis batizados no Espírito Santo." Vê-se que o batismo no Espírito Santo não é uma segunda bênção como pretendem alguns. É um ato instantâneo ao momento em que o eleito crê pelo ouvir da Palavra do evangelho. No texto acima fica claro, inclusive, que o batismo simbólico era praticado antes mesmo do Cristianismo por João, o batista. Portanto, com o novo nascimento ocorre o batismo no Espírito Santo. Isto significa dizer que, o Espírito de Deus vivifica o espírito morto, a saber, separado d'Ele. Vê-se, ainda que o batismo é "...no Espírito Santo" e não "...com o Espírito Santo." Faz grande diferença, porque "no" é "em" + "o", ou seja, n'Ele. Já, "com" tem o sentido de batizar-se junto com o Espírito Santo, como se também o Espírito de Deus estivesse sendo batizado. Isto é, no mínimo, ridículo. É como, no senso comum, as pessoas dizem: fulano de tal está namorando com sicrana de tal. Ou seja, duas pessoas estão namorando no mesmo momento e lugar, porém com parceiros diferentes. 
Finalmente, o outro sentido mais profundo e espiritual do batismo é a inclusão real, porém, pela fé, na morte de Cristo. Isto fica meridianamente claro em Rm. 6: 3 a 5 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição..." Vê-se primeiramente que, os eleitos foram batizados na morte de Cristo, ou seja, foram incluídos em sua morte; secundariamente vê-se que, os eleitos foram sepultados com Cristo, ou seja, morreram com Ele; e, finalmente vê-se que, todos os eleitos foram ressuscitados juntamente com Cristo, a saber, ganharam a sua vida. Desta forma o texto confirma que os eleitos andam em novidade de vida, não para alcançar a vida eterna, mas porque foram alcançados por ela.  Foram todos unidos a Cristo em sua morte de cruz, semelhantemente, ressuscitaram juntamente com ele conforme Ef. 2: 6 - "... e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus..." Além de tudo, dá a garantia de que, onde Cristo está reinando, também os seus eleitos e regenerados também reinam.
Todas as vezes que se ensina esta doutrina bíblica surgem, por parte dos que ainda não tiveram suas escamas retiradas dos olhos, os seguintes questionamentos: a) como pode ser assim, se a morte de Cristo foi há quase dois mil anos atrás? b) este ensino é herético, porque está isolando texto do contexto; c) Cristo não morreu, porque ele é eterno e não morre. Pois muito bem, vejamos o seguinte: a) tanto os que creram na promessa da vinda do Messias e Salvador antes da sua manifestação na pessoa de Jesus, foi por fé. Semelhantemente, todos quantos creem após a sua morte, também é por fé; b) o ensino é bíblico, portanto, o conceito de heresia é de quem recusa-se a receber as Escrituras como Palavra de Deus. Os textos são isolados por uma questão de espaço, porém todos os seus contextos tratam do mesmo assunto. Basta ler todo o contexto para tirar as dúvidas; c) as Escrituras afirmam, pelas próprias palavras de Jesus, o Cristo que ele morreu de fato e retomou a sua vida conforme Jo. 10: 15, 17 e 18 - "assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai." O que a maioria desconhece é que morte no sentido bíblico não é destruição, mas apenas separação. Neste sentido, Jesus, o Cristo ficou separado de Deus na cruz por causa da atração de todo os pecadores eleitos em sua morte. É desta verdade esplendente que surge a garantia da vivificação para a vida eterna a todos aqueles cujos nomes foram escritos no livro da vida do Cordeiro antes dos temos eternos.
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fide!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

FALSOS MESTRES SEMPRE EXISTIRAM E CONTINUARÃO EXISTINDO

II Pd. 2: 1 a 3 - "Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita."
Atualmente se veem quase todos os dias acusações, críticas e, por vezes, juízos de valor sobre as vidas de alguns pregadores. São eles acusados de serem falsos profetas e falsos mestres, além de doutrinariamente heréticos e gananciosos. A maior parte dos críticos são religiosos que se apoiam em seus sistemas de crenças, ou em valores morais para julgá-los. A internet está cheia de posts, vídeos e textos críticos sobre diversos líderes, pastores, igrejas e movimentos. Raramente se vê alguém utilizando o espaço virtual para anunciar o evangelho da graça e da misericórdia de Deus em Cristo. Se tais pregadores estão errados ou são mesmo falsos mestres, o ideal é espalhar o verdadeiro evangelho para, pelo menos, anular uma parte dos efeitos deletérios deles sobre o povo. Isto porque eles continuarão existindo até o retorno do Grande Rei. Por mais estranho que pareça é até necessário que hajam tais falsos mestres e heresias para que fique evidente os que são verdadeiros e fieis conforme I Co. 11:19 - "E até importa que haja entre vós heresias, para que os aprovados se tornem manifestos entre vós."
Um mestre se define, enquanto substantivo, como o indivíduo que ensina, porque atingiu elevado nível de saber e conhecimento. Enquanto adjetivo, o mestre é aquele que se destaca como o mais importante, fundamental ou principal em uma ordem ou sistema de conhecimento e prática. Em sentido bíblico, o mestre é aquele que, por ter sido regenerado e provado na fé que recebeu por graça, pode transmitir a verdade vivenciada a outros. Neste caso, tanto transmite o evangelho da cruz aos que ainda não nasceram de novo, como ensina o caminho da cruz aos regenerados para crescimento mútuo. 
 At. 13: 1 a 11 - "Ora, na igreja em Antioquia havia profetas e mestres, a saber: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes o tetrarca, e Saulo. Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, os despediram. Estes, pois, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. Chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus, e tinham a João como auxiliar. Havendo atravessado a ilha toda até Pafos, acharam um certo mago, falso profeta, judeu, chamado Bar-Jesus, que estava com o procônsul Sérgio Paulo, homem sensato. Este chamou a Barnabé e Saulo e mostrou desejo de ouvir a palavra de Deus. Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando desviar a fé do procônsul. Todavia Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos nele, disse: ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perverter os caminhos retos do Senhor? Agora eis a mão do Senhor sobre ti, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. Imediatamente caiu sobre ele uma névoa e trevas e, andando à roda, procurava quem o guiasse pela mão." Então, na Igreja de Antioquia haviam profetas e mestres. Estes ministravam perante o Senhor e jejuavam e oravam. Alguns foram enviados pelo Espírito Santo a anunciar o evangelho. Deus colocou diante deles um homem desejoso de ouvir a verdade, mas o Diabo também colocou um mago e encantador para desvirtuá-lo. Elimas, o encantador, procurava desviar a fé do procônsul romano. Paulo, então, usando da autoridade a ele conferida, o olhou fixamente e lhe disse que era filho do Diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça. Paulo lhe decretou a sentença: ficarás cego, sem ver o Sol por algum tempo. Imediatamente o incrédulo ficou cego.  Hoje, ao contrário, há milhares que defendem e até chegam às raias da agressão para proteger estes encantadores de bodes.
I Tm. 6: 3 a 5 - "Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas, disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro." Uma das características mais evidentes dos falsos mestres é o ensino contrário ao das Escrituras. A não conformidade com as sãs palavras de Cristo é a exteriorização da natureza pecaminosa não regenerada. A doutrina que procede do evangelho de Jesus, o Cristo é sempre e invariavelmente segundo a piedade. A piedade se define como uma virtude recebida pela regeneração, a qual leva o novo nascido a glorificar apenas a Cristo, se inclinar para as boas obras por Deus preparadas de antemão para que os eleitos andassem nelas. Todas estas práticas não são nativas do homem, mas resultam da ação da Graça de Deus em seus eleitos e regenerados.
Jd. 8 a 11 - "Contudo, semelhantemente também estes falsos mestres, sonhando, contaminam a sua carne, rejeitam toda autoridade e blasfemam das dignidades. Mas quando o arcanjo Miguel, discutindo com o Diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda. Estes, porém, blasfemam de tudo o que não entendem; e, naquilo que compreendem de modo natural, como os seres irracionais, mesmo nisso se corrompem. Ai deles! porque foram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro se atiraram ao erro de Balaão, e pereceram na rebelião de Coré." Outro aspecto dos falsos mestres dentro da Igreja é que são apenas sonhadores. O sentido de sonhador no texto bíblico é aquela pessoa que transforma os seus desejos como se fossem ordenamentos divinos. Transferem seus desejos e taras como se fossem de Deus para que os seguidores os aprovem como grandes virtuoses na Terra. Entretanto, quando são colocados debaixo da autoridade rejeitam veementemente e começam o programa da difamação, disputa, acusação e julgamentos sobre os verdadeiros mestres. O apóstolo Judas está comparando tais falsos mestres aos anjos caídos por semelhança dos seus atos. Mostra ainda que, o arcanjo Miguel, estando debaixo da autoridade de Deus, não ousou pronunciar qualquer juízo contra Satanás. O falso sempre se rebela quando é colocado em cheque. O verdadeiro sempre reconhece que a autoridade é de Deus. Os falsos mestres têm apenas compreensão natural da verdade, a  saber, entendem apenas intelectualmente. Não possuem revelação que do alto vem. Por isso, agem irracionalmente quando confrontados com a verdade espiritual. Abraçam o erro de Balaão que, impedido por Deus aconselhou Balaque a fazer o mal a Israel por amor ao dinheiro. Trilham o caminho de Caim que matou seu irmão por ter sido rejeitado por Deus. E, finalmente, perecem na rebelião de Coré, ou seja, recebem o justo juízo de Deus.
Sola Gratia!

sábado, 24 de dezembro de 2016

REVESTIR-SE DE CRISTO

Gl. 3: 24 a 27 - "De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo."
Há nos círculos religiosos, notadamente, entre os que se dizem cristãos uma forte tendência à mitificação e à mistificação da realidade bíblica. Tomam as verdades espirituais e as transformam em crendices humanas para adaptá-las às suas realidades decaídas e corrompidas pela natureza pecaminosa não regenerada. Parece estranho afirmar tal coisa, porque no ideário dominante imaginam que a redenção está na igreja, na prática de ritos e rituais, no estilo de vida reprimido por serem obrigados a fazer ou deixar de fazer determinadas coisas. Entretanto, é bom saber que as Escrituras não se alteram em função das necessidades adaptativas dos homens, por mais bem intencionadas que sejam. Deus não muda conforme Ml. 3:6 - "Pois eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos." Estes fatos se verificam pelo comportamento e, por vezes, enfrentamentos entre pessoas de práticas religiosas diferentes. Cada um cultiva uma série de preceitos, regras e normas, julgando serem as tais a única verdade. Por isso, não aceitam as práticas uns dos outros, o que anula qualquer possibilidade de verdade. Há profundos conflitos, mesmo entre membros de uma mesma igreja.
I Pd. 3: 3 a 6 - "O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranqüilo, que és, para que permaneçam as coisas Porque assim se adornavam antigamente também as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam submissas a seus maridos; como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, se fazeis o bem e não temeis nenhum espanto." Contrariamente ao que ensinam as Escrituras, muitos religiosos se apegam exatamente aos comportamentos exteriores como evidência de verdade e fé. Transformam usos e costumes em doutrina. O interior, a saber, a alma e o espírito estão absolutamente entregues a sentimentos anti-cristãos, quando não, pagãos. A proposta do ensino petrino é que os eleitos e regenerados se revistam de um traje de espírito manso e tranquilo. Tal espírito é obrigatoriamente aquele que foi reconciliado com Deus por meio do novo nascimento. O novo nascimento só acontece por eleição antes dos tempos eternos e se concretiza historicamente pelo recebimento da Graça de Deus em Jesus, o Cristo. Este fato é realizado concretamente na fé que o pecador eleito foi incluído na morte com Cristo, e, consequentemente, em sua ressurreição. O apóstolo Pedro está ensinando neste texto, não que a mulher seja uma nulidade, mas que sejam guiadas pelo espírito regenerado. Não é uma questão dos trajes exteriores, mas do espírito vivificado.
Rm. 13: 13 e 14 - "Andemos honestamente, como de dia: não em glutonarias e bebedeiras, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências." Vê-se que o andar dos eleitos e regenerados deve ser às claras e pautado por uma auto-disciplina natural e consequente de um pleno revestimento de Cristo. Ora, quantas brigas, dissoluções e divisões se veem em muitas igrejas por disputar cargos, opiniões, controle. Tudo por causa da natureza pecaminosa não regenerada, mas apenas encoberta por palavras e religião exterior. O revestimento de Cristo não é uma decisão moral e cerimonial, mas uma mudança de mente nos termos da metanoia ensinada por Paulo em II Tm. 2:25 - "...na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade..." Revestir-se, pois, do Senhor Jesus, o Cristo não é apenas uma mudança de comportamentos exteriores. Os comportamentos morais e exteriores mudam como consequência de uma mente renovada, não como causa de tal renovação. Mudam as práticas, porque o espírito foi vivificado. Mudam os comportamentos, porque a alma está sendo purificada dos atos pecaminosos herança da velha natureza pecaminosa. Não são as práticas religiosas exteriores que mudam o velho homem adâmico, mas a experiência de novo nascimento que mudam as velhas práticas e comportamentos.
Cl. 3: 12 a 14 - "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição." A primeira evidência exterior de uma mente renovada pelo novo nascimento é a capacidade de suportar e perdoar aos outros. Os eleitos e regenerados são pecadores cuja natureza pecaminosa foi aniquilada na cruz conforme Hb. 9:26 - "...mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Veja que, a manifestação de Cristo na pessoa histórica de Jesus, foi de ".. uma vez por todas..." Não é uma manifestação esporádica ao saber dos humores e desejos dos corações corrompidos dos homens. Foi apenas uma vez, sendo esta suficiente e eficiente para sempre. Muitos religiosos sofrem da "síndrome da pipoca", a saber, sobem e descem ao sabor da efervescência e dos acontecimentos. Quando as coisas estão favoráveis e satisfazendo seus anseios e desejos são os mais "espirituais". Quando os eventos e fatos são desfavoráveis são os mais frios e incrédulos. Ora, só se pode falar em espiritualidade aqueles cujos espíritos foram vivificados em Cristo conforme I Co. 15:45 - "Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante." Veja, Adão, era apenas alma vivente, mas Cristo, o último Adão, espírito vivificante. Jesus, o Cristo tipificou o último da raça decaída descendente do primeiro Adão. O seu espírito tornou-se morto para Deus, por isso, Cristo se manifestou em Jesus para matar a raça decaída de Adão e reconciliá-lo novamente. Apenas o revestimento da justiça de Cristo pode reconduzir o espírito, antes corrompido e decaído do homem, novamente a Deus pela inclusão na morte e na ressurreição. Este é o sentido de revestir-se de Cristo. O revestimento de Cristo não é um conjunto de comportamentos morais e rituais, ainda que sejam bons socialmente.
Sola Scriptura!

domingo, 18 de dezembro de 2016

A JUSTIFICAÇÃO É PELA GRAÇA MEDIANTE A FÉ

Fl. 3: 1 a 10 - "Quanto ao mais, irmãos meus, regozijai-vos no Senhor. Não me é penoso a mim escrever-vos as mesmas coisas, e a vós vos dá segurança. Acautelai-vos dos cães; acautelai-vos dos maus obreiros; acautelai-vos da falsa circuncisão. Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne. Se bem que eu poderia até confiar na carne. Se algum outro julga poder confiar na carne, ainda mais eu: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei fui fariseu; quanto ao zelo, persegui a igreja; quanto à justiça que há na lei, fui irrepreensível. Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo; sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo como minha justiça a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me a ele na sua morte, para ver se de algum modo posso chegar à ressurreição dentre os mortos."
Justificação é substantivo que deriva do verbo justificar. Justificação é o ato de ter sido justificado. Entretanto, no sentido bíblico, não se trata de auto-justificação, mas de ter recebido a justiça divina contra o pecado que torna qualquer homem injusto perante Deus. Desta forma a justificação é o ato ou efeito da graça de Deus que toma o homem injusto e torna justo, reconciliando-o novamente ao estado anterior à queda.
Rm. 3: 4 e 5 - "Pois quê? Se alguns foram infiéis, porventura a sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus? De modo nenhum; antes seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso; como está escrito: para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado. E, se a nossa injustiça prova a justiça de Deus, que diremos? Acaso Deus, que castiga com ira, é injusto? (Falo como homem.) De modo nenhum; do contrário, como julgará Deus o mundo?" Neste texto, o apóstolo Paulo está doutrinando os nascidos de Deus em Roma. Paulo parte da premissa que Deus é verdadeiro e o homem mentiroso, a saber, Deus é justo, independentemente, daquilo que alega o homem em sua defesa. A mentira a que alude o texto é uma forma de demonstrar que há no homem natural um estado permanente de pecaminosidade que o torna morto e injusto perante Deus pela culpa do pecado. Na mente corrompida do homem, especialmente, dos religiosos só é injusto aquele homem que comete muitos erros, pecados e delitos previstos em lei. Todavia, é bom saber que, no sentido bíblico, injusto é todo homem que já nasce com a natureza pecaminosa. Por esta razão é que apenas Deus pôde justificá-lo, executando a perfeita justiça em Cristo na cruz. E todos os pecadores eleitos estavam incluídos n'Ele para receber a perfeita justiça substitutivamente.
Do contexto acima depreende que é pela injustiça do homem que se vê a justiça de Deus, visto que a justiça própria não é aceita diante d'Ele. A infidelidade do homem não pode anular a graça de Deus. Muitos homens religiosos sofrem a vida inteira por querer apresentar-se diante de Deus por sua própria justiça. Imaginam estes que é por impor-se a si mesmos um modelo ou padrão de comportamento que convencerá Deus a lhes ser favorável. Ora, se o homem não se reconhecer pecador e culpado, como poderá Deus perdoá-lo e justificá-lo? Poderá a justiça própria baseada em méritos anular a justiça de Deus? Caso esta afirmativa fosse correta, a morte substitutiva e inclusiva de Cristo na cruz teria sido em vão. Esta seria a anulação da graça pela lei.
Gl. 3: 1 a 5 - "Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado? Só isto quero saber de vós: foi por obras da lei que recebestes o Espírito, ou pelo ouvir com fé? Sois vós tão insensatos? tendo começado pelo Espírito, é pela carne que agora acabareis? Será que padecestes tantas coisas em vão? Se é que isso foi em vão. Aquele pois que vos dá o Espírito, e que opera milagres entre vós, acaso o faz pelas obras da lei, ou pelo ouvir com fé?" Mais uma vez o apóstolo Paulo apela aos cristãos da Galácia que reflitam sobre a questão da justificação. Eles haviam sido justificados pela fé, mas diante das pressões do sistema religioso do judaísmo estavam tentando conciliar fé e obras. Eles estavam negando a justificação pela fé na morte substitutiva e inclusiva de Jesus, o Cristo. Paulo demonstra que, foi pela fé que haviam experimentado o novo nascimento e recebido um novo espírito. Mostra ainda que, buscar a justificação pelas obras da lei é retornar à carnalidade, negando a espiritualidade. Finalmente, Paulo recorda aos gálatas que até mesmo a operação de milagres foi pela fé e não por cumprir preceitos, regras e normas cerimoniais.
Muitos que se auto-intitulam cristãos hoje agem exatamente como os da Galácia, pois colocam seus bons comportamentos morais e suas boas obras como garantia de justificação perante Deus. Quando se deparam com o verdadeiro ensino das Escrituras, os quais demonstram o contrário, reagem acusando o mensageiro de heresia. Eles olham para o mensageiro e não para a mensagem, porque é mais fácil refutar um homem. Dentro de todas as denominações religiosas ocorre o mesmo fato: se apegam a um conjunto de doutrinas por eles mesmos escolhidas e eleitas como suas verdades. Tudo o que estiver fora desse corpo doutrinário é heresia e deve ser combatido até o fim. Isto caracteriza exatamente a justificação por suas próprias obras da lei. É uma espécie de fé humana em doutrinas, mas não é uma fé que procede de Cristo, visto que a fé não é uma virtude humana, mas provém de Deus.
O texto de abertura inicia sua doutrinação apelando a que todos os eleitos e regenerados se acautelem dos erros doutrinários de obreiros e ensinos de justificação por méritos. Cães traz a noção de homem natural que age apenas pelo seu próprio instinto. Falsos obreiros são aqueles que levam os religiosos a desenvolver obras de justiça própria, sem lhes apresentar a inclusão na morte de Cristo. A falsa circuncisão é uma referência ao cumprimento de ritos religiosos a fim de alcançar a reconciliação com Deus, sem Cristo. Todavia, Paulo mostra que a circuncisão é a atitude daqueles que recebem, pela graça, a justificação pela fé e não em atos ritualísticos da lei moral e cerimonial conforme o ensino de Ef. 2: 8 a 10 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas."
O próprio apóstolo Paulo dá o testemunho que abriu mão de todos os ritos e práticas religiosas anteriores para ficar apenas com o conhecimento de Cristo. O verdadeiro evangelho consiste em conhecer a Cristo apenas pela fé. Tal conhecimento implica em ter sido reconciliado pela graça mediante a fé por meio da inclusão do pecador na morte de Cristo, como também em sua ressurreição. É este o sentido da expressão utilizada pelo apóstolo Paulo: "... e seja achado nele, não tendo como minha justiça a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé..." Ser achado em Cristo é uma realidade inclusiva e não um ato puramente contemplativo como na maioria das religiões humanistas.
Sola Scriptura!
Sola Fide!
Sola Gratia!