quarta-feira, 26 de março de 2014

O HOMEM INTERIOR x O HOMEM EXTERIOR

Rm. 7: 22 e 23 - "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros."
Personalidade provém de pessoa do latim 'persona' ou 'personae'. Outro termo correlato é 'personagem', ou seja, uma figura fictícia representada por um ator ou objeto de arte. Pois bem, destas realidades semânticas surge a ideia que cada ser humano é uma pessoa, a saber, é um ser dotado de personalidade, além de assumir atos e atitudes de pessoalidade. No teatro grego, a personagem e a sua personalidade eram representadas, na maior parte das vezes, por um único ator. O ator atuava em cada ato paramentado com suas indumentárias, sendo essencial o uso de uma máscara. Assim, para cada ato o ator trocava suas vestes e colocava uma máscara diferente, caracterizando as personagens. O homem, em sua realidade circunstanciada pela natureza pecaminosa, nada mais é que um ator, representando uma personagem que se utiliza de diversas e diferentes máscaras no cenário da existência. Por exemplo, a maioria das pessoas não se comporta do mesmo modo em um velório e um baile de carnaval. Dependendo dos lugares a que são conduzidas, as pessoas se vestem de maneiras diferentes, como também se revestem de discursos e narrativas diferentes. Por esta razão é tão difícil conviver, pois nunca se sabe quando e quem uma pessoa decaída está representando.
O homem é, segundo as Escrituras, um ser tripartite conforme Hb. 4:12 - "... e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração..." O texto no seu contexto refere-se ao poder da Palavra de Deus quando penetra no coração do homem. Vê-se claramente que o homem, objeto da mensagem da cruz é um ser dotado de corpo, alma e espírito. Em toda extensão das Escrituras não se fala em salvação ou purificação do espírito do homem, mas na redenção da sua alma. Isto porque é a alma que está impregnada pela natureza pecaminosa a qual produz, como resultado, os atos pecaminosos. Geralmente, religiosos tomam o efeito pela causa ao imaginar que é pecador apenas aquele que comete atos falhos e contrários à moral convencionada. Ora, o homem é pecador, porque possui uma natureza pecaminosa que, por sua vez, gera os atos pecaminosos e não o contrário. 
O apóstolo Paulo trata no texto de abertura acerca da dualidade entre o homem interior e o homem exterior. O homem interior é o espírito que foi assoprado por Deus. Este espírito está apenas desligado do Espírito Santo d'Ele por causa da natureza pecaminosa. Quando o homem se liberta da carne e da alma, o seu espírito retorna a Deus. Os que são reconciliados pela graça mediante a fé têm os seus espíritos vivificados novamente mesmo antes de morrer fisicamente. No primeiro caso lê-se em Ec. 12:7 - "... e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu." E, no segundo caso, lê-se em Ez. 36: 26 -"... e porei dentro de vós um espírito novo." Desta forma o homem interior é o espírito oriundo de Deus e inoculado no homem e o homem exterior é a alma e o corpo físico, que, juntos são denominados no novo testamento de carne ou carnalidade. Isto se explica pelo fato de a alma ser a sede dos desejos, vontades e emoções, enquanto o corpo apenas expressa tais realidades almáticas. Como o espírito só se comunica com espírito, estando o homem ainda sem regeneração ele fica morto. Não se comunica com o Espírito de Deus e nem com a alma e o corpo. Estando o homem regenerado o seu espírito está novamente reconciliado com o Espírito Santo por meio da geração de um novo homem em Cristo conforme Ef. 2:10 - "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas."
O homem exterior é guiado, essencialmente, pela alma e suas paixões conforme Rm. 7:5 - "Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte." O homem exterior é uma conjunção dos anseios da alma e as necessidades fisiológicas. Entretanto, na experiência de regeneração ou de novo nascimento ocorre uma nova disposição operada e operacionalizada por Deus conforme Gl. 5: 24 e 25 - "E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito." Muitos meditam sobre si mesmos e dizem: "eu não sinto que estou vivendo no Espírito, porque ainda retenho muitas destas paixões carnais." De fato, não é mesmo para sentir, pois sensorialidade é algo especificamente almático. O que crê na sua inclusão na morte de Cristo, como também em sua ressurreição, apenas creem. A fé autêntica se norteia pelo que a palavra de Deus diz e não por sentimentos e circunstâncias.
O objetivo da regeneração, a saber, de uma nova geração do pecador redimido em Cristo,  é exatamente a formação da santidade d'Ele no novo nascido. Muitos cristãos sinceros sofrem anos a fio, porque insistem na ideia que eles mesmos são os provedores e gerentes das suas santidades. A santidade descrita no evangelho verdadeiro, nada tem a ver com a conotação religiosa de santidade. Santo significa separado, ou seja, aquele que não se mistura com o que é mal e pecaminoso. Santidade é a obtenção da purificação e separação daquilo que é mal e pecaminoso pela ação monérgica de Cristo. É Cristo quem opera o querer e o efetuar, ficando isto muito claro em Ef. 3:16 - "... para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais robustecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior." Então, quem concede por misericórdia e graça o robustecimento do homem interior é Cristo e não os supostos méritos e justiças próprias de quem quer que seja.
Enquanto os cristãos continuarem crendo e depositando em si mesmos e na religião a solução para os seus conflitos entre o homem interior e o homem exterior, continuarão passando por intensas dores. Permanecerão mais tempo no deserto onde tudo é inóspito e solitário para a alma sequiosa por fama, prestígio, reconhecimento, poder e controle. 
Sola Gratia!

sexta-feira, 21 de março de 2014

ANDAR COM DEUS E NÃO SER MAIS ACHADO

Gn. 5: 22 a 24 - "Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos; Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou."
Em hebraico o vocábulo andar ou caminhar ocorre sob duas semânticas: como verbo que expressa a ideia de caminhar, seguir um itinerário, dar passos em uma direção, mas também por extensão de sentido significa estar em comum acordo, estar, sentir-se ou viver em determinada condição ou estado. A outra função gramatical é como substantivo masculino, o qual traz a ideia de ato ou maneira de andar. No texto acima o qual relata a experiência de Enoque, o sétimo homem depois de Adão, utilizou-se da função verbal. No verso vinte e quatro afirma-se: '£yihÈlé'Ah-te' ªônáx ªEGlahütÇCyÂw'. Esta frase significa literalmente: '... e caminhou o Enoch com Deus...' Isto implica que Enoque esteve com Deus em conformidade com sua santidade e justiça.
O texto demonstra que antes de gerar o seu filho Matusalém, Enoch não andava com Deus. Após a geração deste filho, Enoque andou com Deus por trezentos anos. Desta forma, após ser pai, Enoch foi convertido e passou a ter uma natureza concordante com Deus. Tal concordância entre um homem decaído e o Deus soberano e santo só é possível após uma real reconciliação. A reconciliação ou redenção do pecador perante Deus sempre foi por meio de Cristo, tanto antes, como depois da sua manifestação histórica em Jesus. Antes da concretização histórica na pessoa de Jesus, a redenção foi pela fé que o redentor viria. Depois da referida manifestação concreta, pela fé que ele já veio. Todos os eleitos e predestinados creram e crerão no salvador único, Jesus, o Cristo.
Neste texto, Enoque é um tipo de Jesus, o Cristo que viria para reconciliar os pecadores eleitos. Quando Cristo foi levado à cruz, o foi por causa dos eleitos para que fossem reconciliados com Deus. É este o sentido da dupla referência profética neste texto: "Andou Enoque com Deus, depois que gerou Matusalém... e gerou filhos e filhas." Tanto se refere à experiência de conversão de Enoque e da geração da sua descendência, como da morte de Cristo e dos regenerados por Ele na cruz.
I Ts. 4:1 - "Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como aprendestes de nós de que maneira deveis andar e agradar a Deus, assim como estais fazendo, nisso mesmo abundeis cada vez mais." Paulo doutrina a Igreja em Tessalônica como é o andar em Cristo. Sabe-se que é impossível agradar a Deus sem a fé conforme Hb. 11:6 - "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus." Sabe-se ainda que a fé é dom obtido pela misericórdia e pela graça alcançadas em Cristo. A fé não é um exercício de religião exterior. Também são características do que anda com Deus em Cristo aquelas apontadas em Cl. 1:10 - "... para que possais andar de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus..."
A experiência de Enoque é uma prefigura do arrebatamento da Igreja no fim dos tempos conforme Hb. 11:5 - "Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; e não foi achado, porque Deus o trasladara; pois antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus." Desta forma o autor da epístola aos hebreus confirma o que está no texto de abertura que diz: "Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou." Esta é, portanto, a experiência da Igreja formada por todos os eleitos e regenerados cujos nomes foram escritos no livro da vida do Cordeiro. Ao tempo em que ganham a experiência de novo nascimento, passam a andar com Deus por meio da vida de Cristo. Esta experiência é um deserto, no qual, cada um é testado em suas fraquezas e aperfeiçoado na vida de Cristo. 
Andar com Deus é, portanto, uma experiência resultante da ação monérgica do próprio Deus. Este processo é iniciado após a regeneração para tornar os eleitos apresentáveis diante d'Ele conforme Cl. 1: 21 e 22 - "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis." Desta forma a reconciliação dos eleitos e regenerados não se dá por seus atos de bondade ou de justiça própria, mas porque foram reconciliados por meio da inclusão no corpo de Cristo em sua morte de cruz. Enquanto as religiões humanistas prosseguem no falso evangelho, não experimentarão a verdade que liberta total e absolutamente.
Sola Scriptura!

quinta-feira, 6 de março de 2014

CRISTO: ESSÊNCIA E CONVERGÊNCIA

Rm. 11: 33 a 36 - "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém."
Watchaman Nee em sua obra "Cristo, A Essência De Tudo O Que É Espiritual" afirma que não há nada fora de Cristo. É importante ressaltar que este verdadeiro cristão teve uma profunda experiência espiritual, além de ter passado boa parte da vida nas prisões da China Comunista. Tal reclusão não era por outras questões, senão por defender o evangelho verdadeiro. Ele demonstra na obra retromencionada que a única realidade que Deus tem para o homem é Cristo e não coisas. Mostra claramente que, quem tem Cristo, tem tudo, porque Ele é o tudo de Deus. 
Muitos religiosos, no afã de satisfazer apenas seus desejos humanos substituem o doador, que é Cristo, pelas doações ou bênçãos materiais. Tendo o doador, têm-se todas as doações, mas nem sempre quando se têm as doações se pode ter o doador. Tais pessoas cultuam um cristianismo triunfalista e de recompensas, desenvolvendo, para tanto, uma teologia singular: afirmam que prosperidade, saúde, fama e prestígio são sinais da aprovação de Deus na vida de uma pessoa. Ora, ainda que Deus possa conceder bênçãos a qualquer pessoa, nada do que é material pode conquistar o reino espiritual. O que é corruptível não pode herdar o reino eterno, pois a natureza deste reino é incorruptível, logo, tais coisas não se sustentariam nele. É como afirma Jesus, o Cristo: "... o que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?"
Outros religiosos não conseguem distinguir entre quem é o Cristo pré-existente ao próprio mundo e o homem histórico Jesus nascido de mulher. Obviamente, não são duas pessoas distintas, mas uma única pessoa dotada de duas naturezas: a divina e a humana. Assim, Jesus, o Cristo é o único ser em todo o universo que é cem por cento homem e cem por cento Deus. A fusão destas duas naturezas se descreve em Jo. 1: 14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." O verbo a que alude o texto é a tradução portuguesa para "Logos", que, em última análise, significa a palavra ou o princípio ativo e criativo de Deus. Os mundos, a saber, a soma de todas as coisas foram criadas pelo poder da palavra conforme Hb. 11:3 - "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê."
No capítulo um do evangelho de João leem-se as seguintes revelações: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez." Mostra que o verbo, a saber, o Logos é Cristo e que Ele é Deus, portanto, anterior ao homem histórico Jesus. Ele é o gerador de todas as coisas que há, antes que qualquer delas houvesse. Isto porque as Escrituras no-lo informam que Ele é antes de todas as coisas conforme Cl. 1: 17 - "Ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as coisas." Desta forma é Cristo, de fato, a essência de todas as realidades e todas elas subsistem n'Ele.  Não há dicotomia ou tricotomia alguma. Estas ideias moduladas de ver o  mundo é consequência da natureza pecaminosa e do ensino desvirtuado da verdade nas religiões. Milhões de pessoas buscam religião, mas o mundo e a natureza pecaminosa continuam residentes e latentes em suas mentes e corações. Enquanto, não experimentarem o nascimento do alto, permanecerão em suas religiões e crendices horizontalizadas e desesperadas.
O texto de abertura dá uma visão simplificada da essência e da profundidade das realidades espirituais. Portanto, tais esplendentes realidades só poderão ser conhecidas pelo espírito. Isto porque o ensino mostra que "Deus é espírito e as coisas espirituais só podem ser discernidas espiritualmente." Esta é a razão de tanta miséria, divisão, soberba e orgulho religioso dentro das igrejas. Elas querem alcançar o espiritual pelo almático e material, buscam as armas verdadeiras, valendo-se das armas errôneas. Neste sentido acabam por desenvolver os poderes latentes da alma, julgando serem poderes originados de Deus. Ledo engano! São antes poderes puramente humanos controlados e manipulados pelo Diabo. 
Também é mister dizer que tudo converge para Cristo. Em Cl. 1: 16c  diz: "... tudo foi criado por ele e para ele." Ele, Cristo, não só criou todas as coisas, como todas elas convergem para ele na restauração final. Por esta razão é que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é o Senhor Soberano e Absoluto conforme Rm. 14: 11 - "Porque está escrito: por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus." Até mesmo os que forem julgados e condenados eternamente reconhecerão Cristo como Senhor. A lei veterotestamentária convergiu e terminou em Cristo conforme Rm. 14:4 - "Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê." Desta forma, Cristo é o fim, tanto como ato final e definitivo como finalidade da existência da lei, quer seja cerimonial, quer seja moral antes da sua manifestação concreta e histórica em Jesus.
Sola Gratia!

domingo, 2 de março de 2014

VIVER PARA QUEM E PARA QUE?

Rm. 14: 7 a 14 - "Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor. Porque foi para isto mesmo que Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus. Porque está escrito: por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Portanto não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo."
Uma das maiores dificuldades do homem regenerado é manter-se em posição e relação absolutamente dependente da graça de Deus. Há enorme dualidade, porque de um lado o nascido de Deus foi libertado da culpa do  pecado, mas de outro lado ainda vive em um mundo sob a influência do pecado. A libertação que Cristo veio realizar, e realizou, abrange a aniquilação da culpa do pecado. Isto implica dizer que a morte que separava o homem decaído foi aniquilada na morte d'Ele conforme Hb. 9:26 - "... mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Foi um único  ato com efeito abrangente e eterno. Quanto a libertação da influência do pecado é um processo permanente ao longo da vida nesta esfera da existência conforme Pv. 4:18 - "Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." O justo a que alude o texto não é justo segundo a sua própria justiça, mas aquele que foi justificado em Cristo. O que conta é a justiça de Cristo no regenerado e não seus atos de justiça própria.
O texto de abertura ensina sobre a razão de ser da vida dos eleitos e regenerados. Mostra que, uma vez redimido, o eleito não se pertence mais, pois quer viva, quer morra, vive e morre para o Senhor de suas vidas. A maioria dos religiosos vive uma dicotomia: em suas palavras declaram viver para Cristo, em seus atos insistem em dirigir suas vidas para si mesmos. Querem apenas usufruir das bênçãos oferecidas nas Escrituras. Recebem a doadão, mas não ao doador. Buscam desenvolver uma espécie de santidade própria à revelia daquele que é o Santo. Isto ocorre, porque suas doutrinas são ensinos de homens e não das Escrituras. Não sabem pelo espírito que Deus não aceito o que é mal e também o que é o bem produzidos pela vontade do homem. Tudo  deve ser desconstruído para Cristo ser formado na nova criatura nos moldes de II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Para que tudo seja, de fato, novo a condição é "estar em Cristo." Um homem só está em Cristo quando recebe graça para crer que foi incluído em sua morte, como também na sua ressurreição. Tolo é o religioso que acredita que Jesus, o Cristo estava sozinho na cruz. O ensino é substitutivo, mas também inclusivo conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus, foi levantado da Terra três vezes: na cruz, na ressurreição e na ascensão. Neste texto fica claro que é na crucificação, pois especifica e tipifica a morte e não a ressurreição e a ascensão.
Muitas igrejas e seitas transformam o reino de Deus em questões puramente comportamentais. Definem como essencial o que a pessoa come, como se veste e o que faz ou deixa de fazer. Abandonam e desprezam o próprio Senhor Jesus e põem a ênfase em questões morais. O que adianta a um portador da natureza pecaminosa  abandonar atos e atitudes de imoralidade se não estiver em Cristo. As suas boas ações lhes servirão apenas para viver exteriormente bem, mas jamais poderão redimi-lo da maldição interior do pecado. Ao nascido do alto, entretanto, os seus atos  e atitudes corretos ou incorretos serão todos  passados pelo crivo da vida de Cristo que nele passa a habitar. Para os regenerados em Cristo,  o que conta é o que Cristo é neles e não o que eles fazem ou deixam de fazer por si mesmos. Nos redimidos, é a vida de Cristo que põe em marcha o processo da produção  da santidade d'Ele. O ensino  paulino não deixa margem às dúvidas conforme Gl. 2: 19 e 20 - "Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Morrer para a lei é morrer para os valores humanistas consagrados como solução para ganhar a vida eterna. Ao morrer para os preceitos da lei, a vida de Cristo ocupa o lugar e dá início à vida d'Ele como centralidade. Paulo mostra que, mesmo a vida sob influência do pecado que há no mundo, está sendo conduzida por Cristo pela fé. Este texto mostra claramente a morte inclusiva e substitutiva: "... já estou crucificado com Cristo" e "... e se entregou a si mesmo por mim."
Então, viver para Cristo é viver à disposição d'Ele e não por meio de atos e atitudes próprios, ainda que éticos e morais. Quanto a conduta correta ao longo da vida é consequência da vida de Cristo e não a causa dela. Por estas razões é que há muitas brigas, disputas e rachaduras nas igrejas institucionais. Os religiosos disputam entre si  quem  é mais santo, mais justo e mais merecedor da graça de Deus. Ascendem a fogueira das vaidades, tornando o que deveria ser exemplo da vida de Cristo em escândalos e soberba religiosa. Neste sentido, ofendem ao Senhor Jesus, o Cristo e afastam-se cada vez mais da sã doutrina das Escrituras.
Sola Gratia!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO X

Tt. 1: 9 a 16 - "... retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes. Porque há muitos insubordinados, faladores vãos, e enganadores, especialmente os da circuncisão, aos quais é preciso tapar a boca; porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. Um dentre eles, seu próprio profeta, disse: os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, glutões preguiçosos. Este testemunho é verdadeiro. Portanto repreende-os severamente, para que sejam são na fé, não dando ouvidos a fábulas judaicas, nem a mandamentos de homens que se desviam da verdade. Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas. Afirmam que conhecem a Deus, mas pelas suas obras o negam, sendo abomináveis, e desobedientes, e réprobos para toda boa obra."
A existência de uma categoria de cristianismo anômalo é perfeitamente visível na atualidade. Entretanto, não é por questões comportamentais que se percebe isto, mas pela proclamação de um falso evangelho. Em geral, as pessoas acusam esta ou aquela religião de não ser verdadeiramente cristã por razões ligadas à baixa moralidade dos seu seguidores. Porém, o comportamento ético-moral de um cristão é pautado pela vida de Cristo e isto só é possível quando se ganha a vida d'Ele como um princípio interior. De nada aproveita uma pessoa se conter para não cometer delitos, erros, atos pecaminosos, sendo portador da natureza pecaminosa em seu coração. Tal natureza é residente e persistente em todos os homens conforme Rm. 5: 12 e 18 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida." Então, o pecado tornou todos os homens injustos, a saber, desajustados em relação à natureza de Deus. Todavia, a justificação em Cristo torna todos os eleitos e regenerados novamente justificados perante Ele. Ao processo de restauração do espírito corrompido no homem, dá-se o nome de "novo nascimento" ou regeneração. A regeneração, isto é, nova geração em Cristo não é um exercício de religião exterior.
Segundo o texto de abertura, é a palavra fiel, ou seja, a pregação de acordo com as Escrituras que é conforme a doutrina e não a doutrina conforme a palavra do pregador. Isto implica dizer que a pregação é fiel quando anuncia o ensino das Escrituras. É esta postura que torna o pregador dotado da autoridade do alto e não os seus preceitos, regras, normas comportamentais, rituais e liturgias. Os pecadores poderão até atacar o pregador, mas jamais poderão contra a verdade conforme II Co. 13:8 - "Porque nada podemos contra a verdade, porém, a favor da verdade." É a doutrina sadia, pura e exata que silencia os contradizentes e não doutrinas de homens cujas mentes são contaminadas pela corrupção do pecado original.
As fábulas judaicas mencionados por Tito é uma referência ao emaranhado dos preceitos da religião legalista. Os insubordinados e falaciosos misturam sempre algo a mais à pureza do evangelho. Verifica-se muito nestes dias o renascimento da tendência à diluição da graça com a lei. À adoção por diversas igrejas do "cristianismo sem Cristo" se dá pelos valores e ensinos do judaísmo, originando as doutrinas judaizantes. Decoram as igrejas com réplicas da arca da aliança, instituem ministradores da música como levitas, tocam o 'shofar' que era usado apenas para as convocações à oração e assembleias dos anciãos. Há grupos que constroem seus templos como réplicas do templo de Salomão.
No tocante aos mandamentos de homens referidos por Paulo é uma alusão aos ensinamentos gnósticos introduzidos nas igrejas por influência da filosofia helênica naquele tempo. Hoje, o gnosticismo se prolifera abertamente na adoção de diversas práticas místicas cujo objetivo é colocar toda a centralidade no homem  e nos seus feitos para alcançar espiritualidade. Ora, como se pode alcançar espiritualidade se o espírito do homem está "morto" para Deus? Por esta razão é que o apóstolo afirma: "antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas." Enquanto o pecador decaído e corrompido não é reconciliado pela justificação em Cristo, nada nele é espiritual. O "cristianismo sem Cristo" sobrevive de alimentar  a alma contaminada pela natureza pecaminosa, confundindo suas reações sensoriais como coisas espirituais. Por isto Jesus, o Cristo ensina em Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Então, sem novo nascimento, não vê e não entra!
Solo Christus!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO IX

II Co. 11: 3 e 4 - "Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo. Porque, se alguém vem e vos prega outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de boa mente o suportais!"
Muitas pessoas e até mesmo alguns que se dizem cristãos afirmam que os relatos bíblicos são apenas mitos ou lendas. Colocam as narrativas nestes termos para lhes retirar ou reduzir a credibilidade. Desenvolvem teorias e teologias para desconstruir a verdade, porque as suas naturezas são incompatíveis com ela. Após a queda, a natureza humana passou a ser controlada por Satanás e todas as inclinações do coração do homem ficaram a ele submetidas conforme Gn. 6:5 - "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na Terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente." Tais pessoas agem assim por força das suas naturezas corrompidas e pecaminosas. É um ato consciente quanto à carnalidade, mas inconsciente quanto a espiritualidade. Obviamente que, a serpente era um animal natural e não um espírito maligno. A serpente foi o instrumento material para o espírito do anjo caído se apoderar e agir contra Deus. 
Intelectuais de segunda mão afirmam que tais relatos sobre a criação, a queda e o julgamento final do homem constam em diversos escritos antigos. Eles imaginam que isto desqualifica a mensagem cristã. Todavia, desconhecem que todas estas informações tiveram a mesma origem, visto que, naqueles tempos as narrativas eram passadas e repassadas oralmente pelos ancestrais. A humanidade se resumia em um número muito pequeno e todas as informações eram conhecidas por todos os grupos, linhagens e clãs. Contrariamente, tais registros acerca dos mesmos temas, apenas confirmam a veracidade dos mesmos. Também é importante acrescentar que uma lenda ou mito não retira a veracidade do assunto. São apenas formas diferentes de narrar os fatos verdadeiros.
O "cristianismo sem Cristo" tem por objetivo reforçar a descrença humana na verdade do evangelho e aumentar a crença no próprio homem. Embora pareça contraditório, mas a melhor maneira de desconstruir uma verdade é se infiltrando nela e se apoderando de modo sutil das suas bases e modificando-as lenta e gradativamente. Foi o mesmo método de Satanás no Éden quando enganou a Eva conforme Gn. 3:1 a 5 - "Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: é assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Satanás começa a sua dissimulação fazendo uma afirmação generalizada, contendo meia verdade. A mulher por sua vez não tinha a informação correta também e acrescenta palavras às palavras de Deus. Finalmente, Satanás afirma uma palavra contradizente com aquela dita por Deus a Adão. Afirmou que, mesmo comendo do fruto não permitido, não aconteceria nada demais. Instigou o desejo na mulher de ser como Deus, conhecedora do bem e do mal. Isto significa a capacidade de julgamento próprio sem a orientação direta de Deus. A isto denomina-se queda, corrupção e pecado original.
O texto de abertura mostra a preocupação do apóstolo Paulo com a igreja em Corinto. Naquele tempo uma igreja era formada por um reduzido número de pessoas que se reunia para ler as Escrituras, cantar e compartilhar das maravilhas de Cristo. Nem mais, nem menos que isto! Não haviam templos suntuosos e cheios de estruturas e, muito menos, teologias esdrúxulas. Verifica-se que a preocupação não era sobre questões comportamentais ou morais em primeiro grau, mas com a possibilidade de corrupção do conhecimento. A consequência seguinte à corrupção da verdade é a perda da simplicidade do evangelho de Cristo. Estes fatos se repetem a milhares de anos da mesma forma e com o mesmo conteúdo. 
Qualquer um que levanta e anuncia alguma novidade interessante aos desejos da natureza decaída e corrompida do homem, logo é aceito como grande virtuose de Deus na Terra. É desta maneira  que surge o "cristianismo sem Cristo". É pelo anúncio de uma religião de barganhas, de falsos milagres, de triunfalismo mentiroso que os sentidos e o entendimento são corrompidos. A pessoa fica cheia de verdades próprias, mas não do Cristo mostrado nas Escrituras. As igrejas se enchem de arrogantes e tolos, servindo a Satanás por meio dos poderes latentes da alma. Tais pessoas são mais úteis ao Maligno dentro das igrejas, que fora delas. São os pregadores de outro Jesus, outro evangelho e outro Espírito Santo. A estes o homem portador da natureza pecaminosa ouve, prestigia e dá crédito.
Sola Scriptura!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO VIII

I Co. 3: 11 a 20 - "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se permanecer a obra que alguém sobre ele edificou, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo. Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós. Ninguém se engane a si mesmo; se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e outra vez: o Senhor conhece as cogitações dos sábios, que são vãs."
Muitos imaginam que o falso cristianismo é aquele formado por igrejas ou seitas cujos líderes são gananciosos e roubadores. Outros imaginam que o falso cristianismo é toda religião que não seja a sua. Outros ainda acreditam que o falso cristianismo é uma questão comportamental, ou seja, pessoas cujos valores são reprováveis ou escandalosos. Assim, a maioria dos que se opõem ao cristianismo julga erroneamente. Seus juízos não são providos de fundamentos espirituais. Por esta razão Jesus, o Cristo disse: "... cegos, guiando cegos." Considerando o ensino puro de Cristo, nem os que julgam, nem os que são objeto de julgamentos passariam pela prova da fé conforme II Co. 13: 5 a 8 - "Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. Mas espero que entendereis que nós não somos reprovados. Ora, rogamos a Deus que não façais mal algum, não para que nós pareçamos aprovados, mas que vós façais o bem, embora nós sejamos como reprovados. Porque nada podemos contra a verdade, porém, a favor da verdade." Vê-se que o único teste exigido nas Escrituras é que o cristão tenha a vida de Cristo. Entretanto, isto só é possível por meio do novo nascimento, e, este, não é subproduto da vontade humana ou de exercício de religião. Verifica-se, no texto acima, que, não se deve fazer o bem para ser aprovado pelos homens. Porque, aos olhos do mundo, o cristão verdadeiro sempre será considerando reprovado. Os religiosos não conhecem os termos estabelecidos nas Escrituras, pois elas afirmam que há uma inimizade natural entre a luz e as trevas conforme Tg. 4:4 - "Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." A verdade subjacente é que não há como amar a dois senhores ao mesmo tempo, porque é uma questão de princípio e não de circunstâncias. 
Uma das características do falso cristão é a busca pela aprovação dos homens. Neste caso, a vaidade consiste na busca da glória dos homens e não da vida de Cristo. Nenhum cristão, com experiência real de novo nascimento, se reconforta na expectativa de ser bem visto e amado pelo mundo, pois o ensino diz: "e sereis odiados de todos por causa do meu nome, mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo." Cristo afirma em outra instância que, quem cogita das coisas do homens é Satanás.
O texto de abertura mostra com clareza que não se pode lançar outro fundamento sobro o já lançado. O fundamento é Cristo e este crucificado, morto e ressurrecto. Há diversas possibilidades de construir sobre o fundamento já colocado, mas jamais é permitido colocar um novo fundamento. Muitos constroem sobre a Rocha Eterna, a saber, Cristo, edificações de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha. Na restauração final é que se mostrará qual é a obra permanente e qual a que se queimou. Esta é a razão pela qual não se avalia o verdadeiro cristianismo apenas com base nos feitos ou malfeitos dos cristãos. É com base no que é permanente, ou seja, a vida de Cristo que será provado. Pela mesma razão foi dito por Paulo que o vaso é de barro e o seu conteúdo é de ouro. 
O erro mais grosseiro que se vê no "cristianismo sem Cristo" é cultuar um Deus que está distante no céu, um Cristo simbólico e enigmático e um Espírito Santo de conveniências. O nascido de Deus é o santuário d'Ele por meio do Espírito Santo que o conduz e o ensina toda a verdade conforme Jo. 16:13 - "Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras." Este mesmo Consolador já foi enviado e tem como única meta glorificar a Cristo, convencendo o homem do pecado, da justiça e do juízo. 
Quando o cristão substitui a vida de Cristo por conhecimento teológico, rituais e misticismo religioso, práticas de auto-justificação e busca de méritos, violou tudo o que as Escrituras ensinam. Neste ponto se constituiu como mais um no grupo dos que estão no cristianismo, no qual, Cristo não tem parte.
Sola Scriptura!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO VII

Gl. 3: 1 a 6 - "Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado? Só isto quero saber de vós: Foi por obras da lei que recebestes o Espírito, ou pelo ouvir com fé? Sois vós tão insensatos? tendo começado pelo Espírito, é pela carne que agora acabareis? Será que padecestes tantas coisas em vão? Se é que isso foi em vão. Aquele pois que vos dá o Espírito, e que opera milagres entre vós, acaso o faz pelas obras da lei, ou pelo ouvir com fé? Assim como Abraão creu a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça."
Em um fundamento têm-se duas partes: a essencial e a assessória. A essencial é a tese, a afirmação, a sentença ou a razão. A parte assessória é circunstancial ou satélite, sendo, portanto, um desdobramento das implicações decorrentes da essência. Assim, jamais o que é assessório arrasta o que é essencial e fundamental. Seria como colocar o carro arrastando o motor ou a Terra orbitando a Lua.
No que tange ao Cristianismo bíblico existe o que é fundamentalmente essencial e o que é apenas assessório e decorrente. O cristão com experiência de novo nascimento depende do que é essencial e não do que é assessório. Por exemplo, não matar, não roubar, não mentir, não adulterar, etc são aspectos assessórios da vida de alguém que experimentou o novo nascimento. Não é por apresentar tais comportamentos morais que o cristão é cristão. É porque Cristo é a razão da sua vida que ele é um cristão conforme Cl. 3: 3 e 4 - "... porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória." Igualmente se dá no sentido em que os atos pecaminosos são consequentes e assessórios, mas o pecado como natureza e princípio é essencial e fundamental. Assim, um homem é pecador, não apenas porque comete atos pecaminosos, mas porque possui a natureza pecaminosa. É a natureza pecaminosa que arrasta-o a cometer os atos pecaminosos e não o contrário como se supõe na religião. Há doutores em divindades que não recebem a graça do discernimento sobre estas verdades esplendentes.
Um sistema de crenças pode falar acerca de Deus, de Cristo, de fé, de Igreja, de Bíblia, sem, necessariamente, conhecer tais realidades como essenciais. Elas são apenas assessórias para gerar aceitação e a suposta legitimidade da religião exterior. É neste sentido que existe e triunfa no mundo moderno o "Cristianismo sem Cristo". Tais religiões e seitas enfatizam o comportamento moral, o ser bem sucedido e o prestígio social como evidências de autenticidade cristã. Ora, o próprio Cristo foi reprovado pelos religiosos do seu tempo porque seus atos violavam tais preceitos. Foi reputado como alguém que cometia atos contrários aos princípios e valores consagrados pelo judaísmo. Jesus, o Cristo foi acusado de curar no sábado, comer e beber com publicanos e pecadores, andar com prostitutas. Isto porque, para os religiosos, os atos são essenciais, enquanto a natureza regenerada é assessória.
O que determina a existência do "Cristianismo sem Cristo" é o abandono do que é essencial e a adoção e a valoração do que é assessório. Desta forma, o desejo de ouvir uma pregação agradável, ajuntar para si mestres e doutores segundo os próprios desejos, desviar os ouvidos da sã doutrina, dar ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios se constituem na produção de um cristianismo anômalo, sem Cristo e diabólico. Esta categoria de cristianismo se caracteriza por seus líderes e, consequentemente, seus seguidores voltarem-se às fábulas. Uma fábula é uma narrativa de caráter moral e alegórico. O objetivo final da fábula é transmitir ensinamento e sabedoria moral ao homem. Desta maneira é algo cuja centralidade está no homem e não em Cristo. A fábula é, por excelência, uma narrativa inverossímil com fundo didático. Também a fábula simples se constitui de conceder aos animais e seres inanimados a capacidade da fala e da expressão de costumes e fatos para explicar a lição moral que se pretende. Ora, há uma cantora de uma famosa e popular banda gospel que se apresenta andando e grunhindo de quatro no palco, afirmando que se trata da "unção do leão". Há por aí diversas "unções" que nada mais são que fábulas.  
O texto que abre este estudo mostra que os cristãos da Galácia estavam abandonando a graça e voltando à lei. Estavam abandonando a fé e retornando às obras. Estavam abandonando o Espírito de Cristo e voltando à carnalidade. Uma das formas mais comuns de criar e alimentar o "cristianismo sem Cristo" nos tempos atuais é o abandono da sã doutrina para voltar aos rudimentos fabulosos de práticas da religião exterior. Há grande busca por auto-sacrifícios por meio de jejuns prolongados, orações sistematizadas, curas interiores, louvores extravagantes, vigílias no monte, campanhas programáticas. Uso de textos bíblicos que oferecem promessas de vitória e poder é um engodo para atrair pessoas com problemas pessoais. Apegam-se ao que é assessório nas Escrituras e abandonam Cristo "a essência de tudo o que é espiritual" nos dizeres de Watchman Nee. Tais "cristãos" trocam o doador pela doação, o dom pelas doações e a fé pela sensorialidade. É este cristianismo que domina e predomina nos dias que transcorrem. É um Cristianismo humanista e triunfalista, no qual, não se vê a centralidade de Cristo e da cruz.
Solo Christus!

sábado, 18 de janeiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO VI

II Tm. 4: 3 e 4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas."
Considerando o tema, "cristianismo sem Cristo" como ponto de questionamento a qualquer religioso sobre a sua religião, crença e convicções dirá que é membro de uma igreja a qual possui doutrina verdadeiramente bíblica. Isto ocorre, porque estas pessoas são convencidas pela repetitividade dos dogmas, preceitos, regras e normas ditas pelos seus líderes. Elas sofrem um intenso processo de aliciamento e internalização de tais ideias as quais julgam ser procedentes, porque são ditas por alguém credenciado em teologia ou que afirma ter recebido um dom especial de Deus. Tais ideias assessórias são anunciadas e enunciadas repetidamente até que as pessoas se achem plenamente convencidas de que são verdades. O fato de alguém ter títulos, formação em seminários, alegar por si e  para si mesmo dons espirituais, citar textos bíblicos, não o torna portador da verdade cristã. Não por estas razões apenas!
Por não ter passado pela experiência de novo nascimento, muitos religiosos desistem de procurar a verdade, porque não têm inclinação espiritual para as coisas espirituais. Tais pessoas têm inclinações apenas religiosas ou para um sistema de crenças que lhes dê alguma esperança neste e para este mundo. Confundem convencimento intelectivo com a fé doada e dada pelo Espírito Santo. Por cegueira, preferem crer apenas no que ouvem sem buscar a confirmação nas Escrituras, sofrendo por isto, os danos decorrentes.
Os cristãos sem Cristo consideram, em primeiro grau, os anos de existência da denominação religiosa a que pertencem; contabilizam o conjunto das normas, preceitos e regras estabelecidos ao longo da história eclesiástica; analisam as lutas e conflitos sofridos ao longo da história da sua igreja e tudo o que os antigos membros sofreram para manter as suas crenças; elas também comparam o número de pessoas que creem como elas naquela determinada denominação; imaginam que, dentre os membros daquela igreja ou seita há pessoas ilustres e muito esclarecidas intelectualmente, portanto, tudo deve estar certo. Confiam nas pessoas dotadas de grande sabedoria evangélica, porque já leram a Bíblia diversas vezes; evocam como grande validade os tantos líderes que são teólogos, autores de livros e pessoas distintas e queridas pela sociedade como retas, integras, tementes a Deus e que se desviam do mal. Tudo isto funciona como uma espécie de conforto e legitimação, fazendo-as imaginar que estão igualmente certas e que não há com o que se preocupar.
Ao colocar na balança todas as suas ponderações concluem que estão em uma igreja verdadeira e que sua crença é a única genuinamente cristã. Elas buscam textos, evidências, experiências de outros  e próprias par legitimar as bases do seu sistema de crença para validá-lo e confirmá-lo como autêntico. Também, coletam textos bíblicos citados nos documentos, declarações de fé, confissões e credos antigos para amparar a sua firme convicção religiosa.
Ora, o inusitado é que todos fazem as mesmas aferições para justificar suas crenças, portanto, todos alegam estarem com a verdade em seu favor.
Entretanto, a verdade não é uma concepção religiosa, um conceito, uma definição, um conjunto de práticas exteriores. A verdade é uma pessoa, a saber, o Cristo conforme Ele mesmo se define em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Estas pessoas, ainda que bem intencionadas, buscam subsidiar sua crença e religião, mas deixam de considerar o essencial. O que conta, de fato, é se tais ponderações, julgamentos e considerações são a sã doutrina ou doutrinas de demônios reveladas por espírito enganadores. Elas não observam se as antigas confissões de fé e os antigos credos dos cristãos primitivos continuam sendo levados em conta ou se são apenas um amontoado de escritos puramente históricos. Elas argumentam que o mundo e a sociedade evoluíram e, portanto, o sistema de crença também deve acompanhar tais evoluções. Elas conservam costumes e modificam as doutrinas bíblicas, enganando-se e enganando a outros.
O texto de abertura informa solenemente que haverá um tempo que os religiosos não suportarão a sã doutrina. Mas, o que é suportar? O verbo suportar tem diversas acepções, das quais separam-se as seguintes: 'ter contra si algo ou alguém e não ceder, aguentar, resistir; ser capaz de segurar, transportar; ser firme diante de algo penoso.' E o que é sã doutrina? É o ensino puro, sem adulterações e de acordo apenas com as Escrituras. Não o que alguém pensa ou afirma sobre as Escrituras, mas o que elas mesmas afirmam acerca de Deus, Jesus, o Cristo, o Espírito Santo e a Igreja. II Co. 2: 17 - "Porque nós não somos falsificadores da palavra de Deus, como tantos outros; mas é com sinceridade, é da parte de Deus e na presença do próprio Deus que, em Cristo, falamos." Não falsificar, é falar realmente segundo o que foi  dito por Deus, com sinceridade, na presença de Deus e de Cristo. Nestes termos não há como haver riscos de a doutrina ser doentia e contaminada por espíritos enganadores e demônios. Entretanto, este tipo de ensino é desagradável aos que perecem, porque eles querem um ensino suave, encorajador, estimulante, multiplicador, exaltador e trunfante sobre os dilemas da vida. Oferecem uma doutrina segundo os seus próprios desejos e seus desejos próprios. Tais religiosos alegam em favor de algo sempre renovado e revolucionário, porque a sociedade é dinâmica. Neste sentido, eles mudam suas crenças conforme a mudança dos costumes. Assim, o cristianismo delas é de cunho puramente cultural e não espiritual. Dão ouvidos apenas a quem tenha credenciais que conferem e conformam aos seus desejos de serem consultados, admirados, considerados e prestigiados. Isto confirma o que Cristo diz em Jo. 12:43 - "...porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus." A amar a glória de Deus implica em desnudar-se do próprio "eu", render-se diante da graça e reconhecer-se incompetente para promover a própria redenção e santificação. Não amar a glória dos homens é colocar-se como menos que nada, reconhecendo que, se Cristo é tudo em todos, logo, os  todos nada são. Não há como Cristo ser tudo e os seus seguidores serem tudo também.
Amar a glória de Deus é abdicar-se dos desejos próprios e receber como verdade absoluta e incontestável a autoridade de Cristo e a culpa do pecado que destituiu o homem da glória de Deus. Esta glória só pode ser restituída na morte de cruz e na ressurreição juntamente com Cristo.
Amar a glória de Deus é negar-se a si mesmo, abandonar pai, mãe, filhos, bens, fama, prestígio, honra e glória própria. Estas realidades não são agradáveis e o homem natural não é capaz de executá-las. Ele as odeia e rejeita por mais que isto seja velado e oculto a si mesmo. 
Assim, se cumpre o texto de abertura que diz: "... e não só se desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas." O que se vê hoje em muitos círculos da religião sem Cristo é exatamente isto. São inumeráveis unções; são ordenanças fora das Escrituras; ensinos de curas interiores e exteriores; exaltação do esforço e da justiça própria como base meritória para ganhar a vida eterna; são buscas por escrituras apócrifas como uma reengenharia da Palavra de Deus, produzindo com isto diversas e diferentes teologias. Voltam-se mais ao humanismo que à essência do Cristianismo autêntico. Esforçam-se em conciliar a verdade cristã com as verdades filosóficas, gnósticas, políticas e científicas, imaginando que isto dá autenticidade e aceitação do Cristianismo. Ledo engano!
Sola Fides!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO V

I Jo. 2: 22 e 23 - "Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é o anticristo, esse que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem também o Pai."
Já foi dito alhures que é possível haver cristianismo sem Cristo. Em termos de instituição, denominação e religião exterior qualquer um, individual ou coletivamente, pode identificar-se como cristão. Nada o impede e até há grandes encorajamentos, pois o homem natural busca desesperadamente aceitação social. Todavia é impossível ser cristão verdadeiro fora de Cristo por definição, posição, relação e natureza. O que define um cristão não é a nominalidade por atribuição humana, mas a marca de Cristo em suas narrativas doutrinárias parametrizadas na centralidade d'Ele, da cruz e das Escrituras. Embora a maioria dos religiosos toma por  parâmetro apenas a questão comportamental, esta, neste caso, é secundária. Pode ser que um autêntico cristão tenha uma vida moral e ética sem muita expressividade ou um passado condenável, enquanto um falso cristão seja uma pessoa de vida inatacável. Assim, a verdade é que, no primeiro, a primazia é Cristo e não as obras de justiça própria, enquanto, no segundo, o seu 'eu' é quem promove a auto-santificação. O fato é que, sem Cristo nenhum comportamento moral produz a santidade e a vida d'Ele no homem. Entretanto, com Cristo, a produção da sua semelhança é um processo contínuo e operacionalizado por Deus até a restauração final. 
O que caracteriza o cristianismo sem Cristo é a apostasia, a saber, o afastamento da centralidade de Cristo, da cruz como um princípio interior e das Escrituras como verdade absoluta. Desta forma quando o apóstolo Paulo afirma: "mas o Espírito expressamente diz ...", isto significa que o Espírito Santo diz por meio de palavras precisas, claras e explícitas e não por religião exterior. É uma afirmação com finalidade definida, com um único objetivo ou de modo especial e sem chances de contestações. Na sequência do texto de I Tm. 4:1 é dito que nos últimos tempos alguns se apostatarão da fé. A fé neste sentido pode ser a doutrina cristã autêntica como um todo, como também, a fé como a expressão do dom de Deus dado aos cristãos. A fé humana é uma fé em si e de si mesmo! Muitos têm fé na fé e não a fé de Deus.
A razão dada para a apostasia é exteriorizada como um forte apelo ao que não provém de Cristo e das Escrituras. Tal erro é prevenido pelo apóstolo Paulo em I Co. 4:6 - "... aprendais a não ir além do que está escrito..." Esta é a causa fundamental de religiosos bem intencionados ou não darem ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios. Quando alguém dentro de uma igreja ouve estas palavras imagina, imediatamente, em seitas e crenças que pregam oferendas a orixás, invocam espíritos, sacrificam animais ou adotem rituais místicos e estranhos. Todavia, os espíritos enganadores e as doutrinas de demônios estão exatamente dentro de muitas igrejas que não praticam nada disto. O religioso que não tem experiência de novo nascimento, logo imagina que um anticristo é alguém que abre a boca dizendo coisas fortes contra o nome e a pessoa de Jesus, o Cristo. Ledo engano, pois um anticristo não é apenas alguém ou um sistema que se opõe a Cristo. É antes alguém ou um sistema que intenta ocupar o lugar de Cristo por semelhança e não por oposição. O espírito do anticristo se impõe por tentar ocupar o lugar de Cristo por um processo de substituição e a oferta de uma compreensão mais aproximada do homem. São geralmente pessoas as quais pregam a paz, o amor, a justiça e o bem-estar do homem. Jamais um cristão verá o anticristo exaltando a Satanás e diminuindo a Cristo. Ao contrário, ele falará em nome de Jesus, o Cristo, mas não o que este, de fato,  é e disse. Eles sobrepõem uma doutrina que sempre vai além do que está nas Escrituras.
Necessário é que se receba o Espírito Santo como o guardião da Igreja, como o único ensinador ou consolador dos eleitos e predestinados e como aquele que sela os cristãos nascidos de Deus para guardá-los  como penhorados para a vida eterna. É sempre oportuno reportar-se ao que as Escrituras ensinam e não às opiniões dos homens. II Co. 11:14 e 15 - "E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras." Assim fica evidente que, o próprio Satanás se passa por anjo de luz e os seus enviados se passam por ministradores da justiça. Logo, não é por meio de cultos e religiões estranhas e sujas que o Diabo engana, mas por meio daquilo que as pessoas julgam ser procedente de Deus. Por isto as Escrituras ensinam que se deve provar os espíritos conforme I Jo. 4: 1 a 3 - "Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus; mas é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo." Espíritos neste texto são pessoas e não a manifestações e incorporações ou de possessões de entes invisíveis. Quando alguém recebe a graça como mensageiro do evangelho é o Espírito Santo quem fala por ele e não ele mesmo. O dialeto, o sotaque e o conteúdo da mensagem só pode ter uma centralidade, a saber, Cristo e este crucificado. O que passa disto é anátema e reflete o espírito do anticristo. O pregador ou mensageiro que não confessa a Jesus, o Cristo como Filho de Deus, e, portanto, também Deus, falha em sua mensagem. Todo aquele que confessa que Jesus, o Cristo foi nascido de mulher, crucificado para incluir os eleitos em sua morte, bem como, na sua ressurreição ao terceiro dia, este tem o Espírito de Deus. Veja, confessar é absolutamente diferente de declarar. Os espíritos enganadores e que anunciam doutrinas de demônios nunca confessam, apenas declaram. Confessar é dizer por fé e não por evidências, sinais, prodígios e convicções fundamentadas no conhecimento intelectivo. Confessar nada tem de sensorial e almático, pois é o resultado da ação do Espírito Santo sobre o espírito no homem.
Por todas estas razões é que Paulo ensina em II Co. 11: 3 e 4 - "Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo. Porque, se alguém vem e vos prega outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de boa mente o suportais!"
Solo Christus!

Post Scriptum: gramaticalmente, os dizeres do adorno deste estudo deveriam estar escritos assim: "a bíblia é a única arma que atira no morto e o faz viver." Isto porque o homem natural já nasce morto espiritualmente. Apenas por meio da Palavra de Deus que é vivificado para a vida eterna.