sábado, 23 de agosto de 2014

DO MESMO MODO

Jo. 3: 14 a 16 - "Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. "
O pecado é a incredulidade no que Deus afirma em sua Palavra. Isto é confirmado pelos acontecimentos no Éden, quando o homem deu crédito ao que o Diabo disse, incorporado na serpente, e não no que Deus dissera primeiro. Para muitos esta é apenas uma lenda humana. Para outros é um mecanismo de controle por meio das religiões. Entretanto, aos que creem é a Palavra de Deus registrada por homens, porém inspirada por Ele. Ao primeiro Adão fora dito: "... de toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Satanás, por instrumentação material da serpente, lhe pregou uma segunda opção: "disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." A árvore cujo fruto foi proibido ao homem era a do conhecimento do bem e do mal. Isto implica em que, por este fruto, o homem obteria autonomia, dispensando a dependência de Deus. Tal autonomia conferiria ao homem o conhecimento do certo e do errado, do bem e do mal, do bom e do ruim. Isto implicaria em uma falsa capacidade de agir e julgar por conta própria sem a comunhão com Deus. Satanás apresentou aos ancestrais da humanidade uma outra proposta, pela qual os homens se assemelhariam a Deus, tendo plena liberdade de conhecimento, discernimento e poder de escolha. Entretanto, Satanás não informou aos ancestrais, as consequências desta proposta, a saber, a morte em todos os seus sentidos. Ao comparar as duas palavras, não há dúvidas que a proposta do Diabo é mais atraente. Ele desmente Deus, afirmando que não haveria morte.  Ele desqualifica a palavra de Deus e o coloca como egoísta e mentiroso, porque estaria ocultando ao homem determinadas vantagens. O homem caiu neste engodo e desacreditou na sentença afirmativa de Deus: "... certamente morrerás." Acontece que o supremo propósito de Deus era levar o homem, não apenas a ser a imagem, mas também a semelhança de Cristo por meio da árvore da vida. Este propósito não se alterou com o pecado, pois a redenção já havia sido preordenada antes dos tempos eternos. A queda do homem não foi surpresa e a provisão para a sua redenção sempre esteve providenciada.
Gn. 3:15 - "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o seu descendente; este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Verifica-se neste texto uma estrutura gramatical muito significativa, pois, "entre ti e a mulher" indica uma inimizade entre Satanás personificado na serpente e a Igreja personificada na mulher. Ainda a expressão: "... e entre a tua descendência e o seu descendente" indica a humanidade maculada pelo pecado e Cristo nascido de mulher, redimindo os pecadores. Finalmente as expressões: "...este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" demonstra o Diabo sendo derrotado na execução da justiça de Deus contra o pecado na cruz. Esta foi a segunda profecia sobre a redenção de pecadores pela morte substitutiva e inclusiva em Cristo.
Desta forma todos os descendentes de Adão, o cabeça federal da raça, traz o veneno da serpente em seu DNA. Isto é confirmado pelo apóstolo Paulo em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." O pecado não é uma questão de escolha ou de mau comportamento moral, mas de herança da natureza pecaminosa. Os atos pecaminosos são consequências desta natureza e não a sua causa. De maneira que o pecado é não crer na Palavra de Deus. Isto é confirmado por Cristo em Jo. 16:9 - "... do pecado porque não creem em mim." Não crer em Cristo não é apenas negar a sua existência. É antes negar as Escrituras que o previram como o Unigênito Filho de Deus que viria para redimir os pecadores. É não crer que ele mesmo é Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo. É incredulidade na Palavra de Deus.
Nm. 21: 4 a 9 - "Então partiram do monte Hor, pelo caminho que vai ao Mar Vermelho, para rodearem a terra de Edom; e a alma do povo impacientou-se por causa do caminho. E o povo falou contra Deus e contra Moisés: por que nos fizestes subir do Egito, para morrermos no deserto? pois aqui não há pão e não há água: e a nossa alma tem fastio deste miserável pão. Então o Senhor mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que o mordiam; e morreu muita gente em Israel. Pelo que o povo veio a Moisés, e disse: pecamos, porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor para que tire de nós estas serpentes. Moisés, pois, orou pelo povo. Então disse o Senhor a Moisés: faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e será que todo mordido que olhar para ela viverá. Fez, pois, Moisés uma serpente de bronze, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, tendo uma serpente mordido a alguém, quando esse olhava para a serpente de bronze, vivia." Como foi dito, o pecado é uma condição herdada e inata ao homem após a queda. Portanto, todo homem é uma serpente portadora da peçonha do pecado, mesmo quando não manifesta qualquer erro moral. A redenção do pecador é um ato monergístico, ou seja, operado e operacionalizado apenas por Deus em Cristo. O pecado do povo hebreu na travessia do Egito para Canaã foi incredulidade na promessa que seriam levados à terra prometida. Toda vez que a situação se tornava difícil ou desfavorável, o povo murmurava contra Deus. Por esta razão suas naturezas pecaminosas de serpente se externavam em atos e atitudes de pecados. O tratamento de Deus em relação à natureza pecaminosa é sempre por homeopatia, ou seja, administrar uma dose de remédio que desperta no homem a consciência do seu próprio pecado. É necessário ao homem reconhecer-se pecador e confessar-se pecador. É necessário conhecer e saber o que é o pecado e não apenas declarar seus atos pecaminosos. A simples declaração de seus erros, não cura a natureza pecaminosa. Passada a dificuldade, a natureza pecaminosa produz mais atos pecaminosos. Jesus, o Cristo, demonstra isto a Nicodemos em Jo. 3:6 - "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." As consequências são o que a causa é, ou seja, a natureza pecaminosa determina os atos pecaminosos. 
Após as murmurações dos hebreus diante das dificuldades, Deus enviou-lhes serpentes abrasadoras do deserto que lhes feriam. Morreram milhares de pessoas pelo veneno das serpentes. Isto demonstra que o pecado gera a morte e o único remédio é o homem olhar para si mesmo como uma serpente portadora do veneno pecaminoso. Deus ordenou que Moisés fizesse uma serpente de bronze e que a colocasse sobre um mastro e o pusesse no arraial. Todo aquele que olhasse para a serpente após ter sido picado, seria curado e não morreria. O ato de apenas olhar para um mero objeto de metal para ser curado de um veneno que implica em morte certa e imediata, exige apenas fé. Aquela serpente pendurada na haste para a qual o homem deveria olhar era um dos símbolos de Jesus, o Cristo pendurado na cruz para o aniquilamento do pecado conforme confirmado em Hb. 9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Quase todos os homens quando se defrontam com o ensino verdadeiro das Escrituras sobre a natureza pecaminosa se esquivam e negam que sejam portadores de tal natureza. Isto porque todos imaginam, erroneamente, que não se enquadram, visto que não fazem o mal aos seus semelhantes. Ou porque praticam alguma religião ou são caridosos.  Entretanto, todos sem exceção alguma são pecadores por natureza e não apenas por atos. Esta atitude de não se ver como pecador é o mesmo que não olhar para a serpente de bronze levantada na haste no deserto. É negar olhar para Cristo na cruz sem pecado e assumindo o pecado de todos os eleitos para aniquilação da culpa diante de Deus. Ele foi, desse modo, a propiciação do pecado. Todos os eleitos foram incluídos em sua morte, para matar a morte que o pecado trouxe. Não a morte física, mas a separação entre Deus e o homem decaído. Jesus, o Cristo ensina que, se alguém não tiver esta experiência de novo nascimento e vivificação, não vê e não entra no reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Nascer de novo no texto original é nascer do alto, portanto, uma ação monérgica. Nascer da água e do Espírito é crer nas Escrituras sem reservas. É ter sido alcançado pela pregação representada pela água que jorra para a eternidade e pelo convencimento do Espírito de Deus acerca da própria natureza pecaminosa. Os que não olham para Cristo e se veem incluídos em sua morte para remissão da sua natureza pecaminosa são como serpentes que não se reconhecem serpentes.
Sola Scriptura!

domingo, 17 de agosto de 2014

O PECADO É SEMPRE CONTRA DEUS

Sl. 51: 4 a 7 - "Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares. Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concedeu minha mãe. Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma. Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve."
A doutrina bíblica acerca do pecado é denominada de Hamartiologia. Por sua vez este termo provém do grego koinê 'hamartia', que, em última análise significa errar o alvo. O alvo é a fé no que Deus diz, a saber, em sua palavra. Isto demonstra que o pecado é uma questão de incredulidade, e, consequentemente, de natureza inclinada para o erro. Por isto, o apóstolo Paulo afirma que a iniquidade é pecado. Visto que iniquidade é a falta de equilíbrio ou de equidade, logo, ela inclina o homem aos atos pecaminosos, ou seja, atos falhos, erros morais, fraquezas e tudo o que é mau. O pecado como definido neste estudo é anterior ao homem. Ele foi cometido por um dos anjos mais importantes e que assistia diretamente na presença de Deus. Tal anjo, cujo nome não se sabe era da ordem dos querubins. Acerca dele é dito em Ez. 28:15 - "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade." Então, o querubim cobridor era perfeito, pois Deus não cria nada imperfeito. Entretanto, em um determinado dia foi achada a iniquidade nele. Como já foi dito, iniquidade se resume em um tipo de desequilíbrio espiritual contrário ao que é reto, puro, santo e justo. Ora, os anjos foram feitos por Deus com a capacidade de fazer escolhas livres. Portanto, o querubim que se tornou Satanás escolheu não crer no supremo propósito de Deus conforme fora preordenado antes dos tempos eternos. Ele decidiu fundar um reino para si mesmo e se tornar um "deus" também. Isto está registrado nas seguintes palavras de Is. 14: 13 e 14 - "E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." O desejo de ser "deus" e fundar um reino para si foi a consequência de não crer no que Deus havia preordenado para o mundo.
Acontece que o projeto original de Deus é que o seu filho Unigênito, o Cristo, seja o herdeiro e senhor de todas as coisas. Tal projeto estabelecia que Cristo viria no tempo predeterminado para resgatar os pecadores eleitos e restaurar a ordem no universo. O anjo querubim desejou tomar este lugar para si e agiu neste sentido, levando a terça parte dos anjos com ele. Foram expulso da presença de Deus e lançados para o espaço sideral, especialmente para a Terra. Logo, depois Deus resolveu criar o homem para povoar a Terra e honrá-lo. Porém, Satanás veio para induzi-lo ao mesmo pecado que cometera antes da queda de Adão e Eva. 
No salmo 51, que abre este estudo, o rei Davi faz uma profunda reflexão sobre sua condição de portador da natureza pecaminosa. Ele confessa o seu estado pecaminoso contra Deus desde a sua geração. Demonstra que o pecado, enquanto natureza de incredulidade é contra Deus somente. De fato, todos os atos pecaminosos que atingem a humanidade e a própria criação são consequências da natureza pecaminosa no homem. Jesus, o Cristo define claramente que o pecado é a incredulidade em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Então, o pecado é não crer na Palavra de Deus, visto que ela previa a vinda de Cristo ao mundo antes da fundação do próprio mundo. Realmente foi o que aconteceu no Éden com Adão, pois Deus afirmara que "... no dia em que dele comeres certamente morrerás." O Diabo, no entanto, disse: "... é certo que não morrereis." O home deu crédito à palavra de Satanás, porque esta lhe pareceu mais atraente e mais lógica. Ainda hoje ocorre o mesmo, os homens são traídos por suas naturezas decaídas e absolutamente depravadas. Seguem sempre o caminho mais lógico, mais agradável, mais plausível e mais atraente. É uma questão de natureza e não apenas de atos e atitudes.
Davi, não só confessou a sua natureza pecaminosa por herança adâmica, mas também que o seu pecado era, tão somente, contra Deus. Também confessou o direito legítimo de Deus em falar e em julgar o pecado. Davi suplicou pela purificação definitiva da sua natureza pecaminosa. Tais confissões indicam o início do processo de regeneração do pecador, sendo este, apenas por iniciativa da graça de Deus. O reconhecimento de que é pecador evidencia que o homem é eleito, pois a inclinação decaída é sempre contrária à tal reconhecimento. O reconhecimento não se refere apenas aos atos falhos, fraquezas ou defeitos, pois mesmo não praticando muitos destes desvios, não anula o fato que possui a natureza pecaminosa para praticá-lo. O homem é pecador porque possui a natureza pecaminosa e não apenas porque comete atos pecaminosos.
Sola Gratia!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O RICO, O MENDIGO E A VIDA ETERNA

Lc. 16: 19 a 31 - "Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. Disse ele então: rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos."
Os néscios, incrédulos e místicos veem nos textos das Escrituras apenas lendas e mitos. Como não alcançam revelação espiritual, preferem reduzir a Palavra de Deus a uma mera fábula inventada por homens para oprimir os pobres e desfavorecidos. Estas ideias foram disseminadas pelo marxismo cultural e correntes dele derivadas. O materialismo dialético, bem como a natureza pecaminosa levam o homem natural a substituir o que é da esfera espiritual pelo que é da esfera humana. Assim, servem ao propósito de Satanás que lhes incutiu a ideia de serem como Deus, portadores do autonomia plena, conforme o registro de Gn. 3:5 - "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Tais ideias são disseminadas hoje por meio de uma falsa doutrina denominada de "livre arbítrio". Todavia, o homem, nem é livre, nem possui poder de arbitrar nada.
O texto que abre esta instância é um dos mais profundos ensinamentos de Jesus, o Cristo. Por meio do recurso didático de parábola, o Mestre ensina que há sim, o céu, o inferno e a impossibilidade de movimento entre os mortos e os vivos. Todavia, na contramão dos ensinos de Cristo estão as doutrinas espiritistas, as quais postulam que não há condenação, pecado, Satanás e inferno. É exatamente esta ideia que o Diabo quer que se divulgue, pois isto mantém o homem engajado em seus sistemas religiosos e humanistas que não produzem a regeneração. Em muitos casos tais crenças e religiões produzem gente arrogante, perversa, enganada e enganadora. Isto porque, os tais presumem ser algo que não o são.
As figuras do rico e do mendigo não se propõem a condenar um por suas posses e a exaltar o outro por sua pobreza. A questão tratada no texto não se circunscreve nas esferas do bem e do mal. O rico é uma tipificação de pessoas que confiam apenas em si mesmas e no que possuem. o mendigo é o tipo dos que, desprovidos de bens e prestígio, se põem humilhados e dependentes do que lhes sobra. O rico é o tipo dos que se julgam autossuficientes, enquanto o mendigo é o tipo dos que dependem plenamente da graça e da misericórdia. Verifica-se que, tanto a riqueza do rico, como a pobreza do pobre foram recebidas por eles e não como fruto do esforço ou do ócio de ambos.
Verifica-se ainda que, tanto o mendigo como o rico morreram indicando o fim comum a todos os homens. Todavia, a destinação final de ambos é que foi diferente. O seio de Abraão simboliza a bem aventurança eterna ou aqueles que foram redimidos pela graça mediante a fé. Visto que Abraão creu e isto lhe foi imputado por justiça, semelhantemente os que vivem da fé são chamados de filhos de Abraão. O inferno para onde foi o rico, não porque era rico, mas porque se julgava autossuficiente é na verdade o mundo dos mortos denominado no texto grego de Hades ou Tártaro. É um lugar de trevas e de tristeza e angústia daqueles que aguardam o juízo final. O inferno como lugar de tormento eterno ainda está sendo preparado para Satanás e seus seguidores conforme o texto apocalíptico.
O texto, em seu contexto, ensina claramente que não há qualquer chance de os mortos se comunicarem com os vivos e vivos se comunicarem com os mortos. É dito que existe um grande abismo entre o mundo dos mortos e o mundo dos regenerados no céu, como também do mundo dos vivos. O rico ao ver a felicidade do mendigo no céu pediu que se permitisse a algum dentre os mortos ir à casa dos seus familiares para lhes anunciar a verdade. Entretanto, é dito ao rico, agora atormentando, que isto não produz os efeitos que se esperam. É exigido que os vivos busquem a verdade simbolizada por Moisés e pelos profetas. Moisés, neste caso, representa a lei moral estipulada por Deus aos homens. Os profetas representam os ensinos sobre a vinda do Redentor Filho de Deus e Salvador. Todas as profecias apontavam para Jesus, o Cristo, portanto é ele a centralidade do texto bíblico e não o homem. O ensino central é que a justificação do pecador é pela fé e não por sinais e evidências de seres do mundo dos mortos.
Ainda sobre o apelo do rico para que fosse enviado alguém dos mortos a fim de pregar a verdade aos seus parentes observa-se a negação irrevogável. Foi-lhe dito que este método não funcionaria, pois quem não ouve e não crê nas Escrituras, tão pouco crerá ainda que alguém dentre os mortos ressurgisse para lhes anunciar qualquer ensino ou mensagem. Desta forma fica evidente, pela Escrituras, que quaisquer ensino que põe em contato vivos e mortos não procede da verdade do Deus Altíssimo.
Sola Gratia!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

BATER OU FALAR À ROCHA? UMA SUTIL DIFERENÇA

Ex. 17: 1 a 7 e Nm. 20: 1 a 13 - "Partiu toda a congregação dos filhos de Israel do deserto de Sim, pelas suas jornadas, segundo o mandamento do Senhor, e acamparam em Refidim; e não havia ali água para o povo beber. Então o povo contendeu com Moisés, dizendo: dá-nos água para beber. Respondeu-lhes Moisés: por que contendeis comigo? Por que tentais ao Senhor? Mas o povo, tendo sede ali, murmurou contra Moisés, dizendo: por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado? Pelo que Moisés, clamando ao Senhor, disse: que hei de fazer a este povo? Daqui a pouco me apedrejará. Então disse o Senhor a Moisés: passa adiante do povo, e leva contigo alguns dos anciãos de Israel; toma na mão a tua vara, com que feriste o rio, e vai-te. Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe; ferirás a rocha, e dela sairá água para que o povo possa beber. Assim, pois fez Moisés à vista dos anciãos de Israel. E deu ao lugar o nome de Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao Senhor, dizendo: está o Senhor no meio de nós, ou não? Os filhos de Israel, a congregação toda, chegaram ao deserto de Zim no primeiro mês, e o povo ficou em Cades. Ali morreu Miriã, e ali foi sepultada. Ora, não havia água para a congregação; pelo que se ajuntaram contra Moisés e Arão. E o povo contendeu com Moisés, dizendo: oxalá tivéssemos perecido quando pereceram nossos irmãos perante o Senhor! Por que trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para que morramos aqui, nós e os nossos animais? E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar? lugar onde não há semente, nem figos, nem vides, nem romãs, nem mesmo água para beber. Então Moisés e Arão se foram da presença da assembléia até a porta da tenda da revelação, e se lançaram com o rosto em terra; e a glória do Senhor lhes apareceu. E o Senhor disse a Moisés: toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha perante os seus olhos, que ela dê as suas águas. Assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. Moisés, pois, tomou a vara de diante do senhor, como este lhe ordenou. Moisés e Arão reuniram a assembléia diante da rocha, e Moisés disse-lhes: ouvi agora, rebeldes! Porventura tiraremos água desta rocha para vós? Então Moisés levantou a mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu água copiosamente, e a congregação bebeu, e os seus animais. Pelo que o Senhor disse a Moisés e a Arão: porquanto não me crestes a mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes dei. Estas são as águas de Meribá, porque ali os filhos de Israel contenderam com o Senhor, que neles se santificou."
Os dois textos acima registram o mesmo fato, em momentos diferentes, durante a jornada do povo hebreu quando saiu do Egito, onde foi escravo, para Canaã, a "terra prometida". Moisés, o líder, auxiliado por seus irmãos e por um conselho de anciãos das doze tribos de Israel foi escolhido por Deus. Foi colocado à frente do povo, demonstrando que é a sua soberana vontade prevalecente e não a vontade decaída do homem. 
Era costume da época colocar nomes nos lugares onde ocorriam fatos relevantes. Portanto, Massá significa provocação ou contenda, enquanto Meribá significa altercação ou  discussão. Os eventos nestes dois lugares mostram que o homem natural sempre está em estado de conflito com Deus, consciente ou inconscientemente. Não sabem esperar e confiar na providência e no tempo de Deus. Por isto há tantos desajustes psicológicos e doenças no mundo.
Observa-se, ainda, a permanente disposição do homem à murmuração e aos conflitos por questões circunstanciais e materiais. A natureza decaída, invariavelmente, busca a gratificação em coisas. Não há no homem natural qualquer inclinação para o que é espiritual ou divino. Confundem espiritualidade com relações puramente religiosas, místicas e ritualísticas. Também é perceptível o quanto um líder, ainda que escolhido por Deus, é suscetível às falhas e aos erros comuns ao homem. Por esta razão, pode-se afirmar que as Escrituras são absolutamente honestas em mostrar que os homens mais usados por Deus eram completamente normais, cometendo erros e falhas. Nos círculos religiosos espera-se sempre um comportamento perfeccionista dos líderes. Ledo engano, pois falham e falham muito!
A pedagogia de Deus tem por objeto a revelação de Cristo e não as questões humanas. A prioridade de Deus é revelar o seu Filho e estabelecer o seu reino eterno. As religiões comuns e humanas sempre colocam a centralidade das Escrituras no homem. Isto se percebe, tanto na questão da salvação, como das bênçãos. Entretanto, para o mais falho estudioso da Bíblia, logo se vê que a centralidade é Cristo e não o  homem ou as coisas criadas. Estas coisas Deus pode destruir e fazer novas, mas o seu Filho é eterno, unigênito e primogênito dentre os mortos. Isto não muda no tempo e no espaço.
Observa-se na primeira parte do texto de abertura que, mediante as murmurações do povo no deserto de Sim, Deus ordenara a Moisés que ferisse a rocha com o cajado para dela obter água e atender aos reclames do povo. Moisés, então foi e fez segundo a instrução do Altíssimo. Este acontecimento ocorreu em Horebe, no lugar chamado Refidim. Veja que Deus chama Moisés e diz a ele que estaria adiante dele e sobre a rocha. Moisés foi e fez como instruíra o Senhor e a rocha brotou água potável e saciou a sede do povo e dos animais. 
Ora, a rocha é um símbolo de Cristo e a água um símbolo do evangelho. Em Is. 26:4 diz: "confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna." É um símbolo apenas, pois Cristo é uma pessoa e não uma rocha, mas para que o homem entenda o sentido do ensino, Deus se utiliza destes processos metafóricos. Em Ez. 47: 2 a 8 diz: "...e eis que corriam umas águas pelo lado meridional. Saindo o homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir, mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos artelhos. De novo mediu mil, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos lombos. Ainda mediu mais mil, e era um rio, que eu não podia atravessar; pois as águas tinham crescido, águas para nelas nadar, um rio pelo qual não se podia passar a vau. E me perguntou: viste, filho do homem? Então me levou, e me fez voltar à margem do rio. Tendo eu voltado, eis que à margem do rio havia árvores em grande número, de uma e de outra banda. Então me disse: estas águas saem para a região oriental e, descendo pela Arabá, entrarão no Mar Morto, e ao entrarem nas águas salgadas, estas se tornarão saudáveis." Esta é a visão profética de Ezequiel sobre a restauração final. As águas representam o aprofundamento dos eleitos e regenerados na experiência com Cristo. Primeiramente o conhecimento raso e frágil, as águas lavando apenas os artelhos; depois as águas até os joelhos, uma experiência mais ampla; depois as águas até os lombos, uma maior imersão no conhecimento de Cristo; e, finalmente as águas profundas e fecundas que curam e purificam aquilo que está morto. 
O Novo Testamento joga mais luz sobre estas esplendentes verdades, por exemplo, em Rm. 9:33 - "... como está escrito: eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço; e uma rocha de escândalo; e quem nela crer não será confundido." Sião é uma indicação da cidade de Jerusalém onde Cristo iria manifestar a sua missão final como o redentor. Quem crer em Cristo como a Rocha Eterna é porque ganhou a graça para tal, quem não crê já está condenado. Cristo tem sido motivo de redenção e de condenação para todos os homens em todos os tempos e lugares. Ainda em Mt. 7: 24 e 25 - "Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
Jesus, o Cristo esclarece sobre as águas como símbolo do evangelho da verdade em Jo. 4: 13 e 14 - "Replicou-lhe Jesus: todo o que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna." No encontro com a mulher samaritana à beira do poço, o Mestre revelou este profundo ensino: a água que dessedenta eternamente é a fé no evangelho da verdade. Isto nada tem a ver com evangelicalismo religioso e humanista.
No segundo texto de abertura, Moisés é importunado novamente pelo povo que reclamava diversas coisas e pressionava-o por água. Moisés, já sem paciência ficou irado e desconsiderou a instrução de Deus para falar à rocha. Na primeira vez foi-lhe dito para ferir a rocha, mas na segunda foi-lhe instruído que falasse à rocha para dar água. Moisés, então desferiu golpes de cajado na rocha e ela jorrou água. Os dois textos mostram que Cristo viria primeiro para ser ferido e morto para dar aos pecadores o ensino da verdade e que depois disto o evangelho simbolizado pela água fluindo da rocha pela pregação e não pelo esforço das obras da lei.
Entretanto, por Moisés não ter crido no que Deus dissera foi-lhe vedado entrar na "terra prometida". Isto demonstra que até mesmo os escolhidos de Deus podem cometer erros e serem por isso disciplinados. Ao contrário do que a maioria dos religiosos imaginam, Deus é mais exigente e rígido com aqueles a quem tornou por filhos através de Cristo.
Sola Scriptura!

sábado, 21 de junho de 2014

PRECIOSA É A MORTE DOS SANTIFICADOS

Sl. 116:15 - "Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos."
Em termos puramente etimológicos, a palavra morte tem diversificados significados. Em língua portuguesa este substantivo provém do latim 'mors' ou 'mortis', dependendo da declinação no discurso. Em sentido biológico significa o cessamento ou o fim da vida de um organismo vivo. Por derivação de sentido é o desaparecimento gradual de qualquer coisa que tenha surgido e se desenvolvido em um período de tempo. Ainda por derivação de sentido é a separação, fim ou término da relação entre o efeito e a causa. 
Biblicamente, a morte possui sentidos igualmente diferenciados. Portanto, há no grego neotestamentário duas palavras para o vocábulo morte. Uma delas é 'νεκρός' ou 'nekrós', a qual é mais genérica, pois significa tanto a degenerescência da matéria, como também a impossibilidade da alma ser reconciliada com Deus por conta própria. A outra palavra grega é 'θάνατος' ou 'thánatos', possuindo significação mais específica, pois implica em uma ruptura eterna entre o homem pecador e Deus, tanto antes como após a sua morte física. Assim, 'nekros' se aplica ao homem vivo, que, gradualmente caminha para a degradação física destituída da vida de Deus conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." O homem decaído está absolutamente destituído da natureza de Deus, portanto, morto para Deus. Jesus, o Cristo demonstra este aspecto da morte dos homens, ainda que vivos, em Lc. 8:59 e 60 - "E a outro disse: segue-me. Ao que este respondeu: permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe Jesus: deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus." Literalmente este texto afirma: "deixa os que estão indiferentes à salvação que lhes é oferecida no evangelho sepultar os corpos de seus próprios defuntos." Ou seja, homens vivos biologicamente, porém mortos para Deus, enterrando os cadáveres dos seus parentes falecidos. 'Nekros' significa literalmente aquilo que é ou está morto, separado, apartado.
 'Thánatos' significa morte, ou seja, a separação da alma em relação ao corpo, fazendo cessar a vida na Terra. Também significa a miséria do homem que, mesmo vivo, não possui ligação com Deus. É além da degenerescência em vida, também a separação eterna de Deus, mesmo após a morte física. É o resultado atual e eterno da natureza pecaminosa do homem após a queda. Ninguém se vê desta forma, porque a natureza pecaminosa cria no homem a falsa noção de mérito e justiça própria. Esta perspectiva é alterada apenas quando o pecador eleito é tocado pela palavra vivificante 'rhema' por meio da palavra de Deus 'logos'.
Gn. 2:17 - "... mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." A expressão: '... certamente morrerás' no texto hebraico é 'tûmAGt tôm' ou 'môt tamut', ou seja, 'morrer, morrendo.' Neste caso, também está implícita a ideia de morte física como processo gradual e morte espiritual como separação de Deus. É o vivo biologicamente, porém morto espiritualmente que, por fim, morrerá biologicamente separado de Deus. Então, conclui-se que o homem natural passa por três tipos de mortes: a morte para Deus, a morte biológica e a morte para si mesmo. Este último tipo é a que alude o texto de abertura deste artigo. Por isto é preciosa aos olhos de Deus!
A morte para si mesmo se dá quando o homem natural é despertado por Deus para crer. Neste ponto, o pecador tem a sua morte para Deus aniquilada na morte de Cristo. Assim, o morto morre na morte do salvador substituto, porque não poderia promover a sua própria morte. Ainda que alguém promova a sua própria morte como sacrifício em troca da redenção, de nada adianta, pois está contaminado pela natureza morta para Deus. Tal procedimento não passará de sacrifício de tolo, auto-justificação ou justiça própria. Desta maneira, muitos religiosos praticam todos os dias sacrifícios de tolos, imaginando que podem purificar-se a si mesmos por meio de ritos de religião exterior, caridade, abstinência de hábitos e costumes. Tais sacrifícios possuem apenas valor social, mas jamais poderão justificar o pecador perante Deus. Fora da morte, na morte de Cristo, para aniquilamento da morte do pecado, não há solução. Por esta razão é doutrinado em Hb. 9:24 a 28 - "Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." Desta forma Cristo é o único que pode solucionar a questão da morte, a saber, do pecado. Ele atraiu o homem em sua morte de cruz, para, nela, matar a morte espiritual dos eleitos. Isto fica evidente em Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Entretanto, ninguém vai para a cruz por vontade própria. É Deus que os conduz até a cruz, por fé, para, nela, serem incluídos e redimidos. Isto está doutrinado em Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia."
Por esta razão o salmista em espírito de profecia afirma que é preciosa a morte dos santos à vista de Deus. É uma alusão, tanto à morte da morte do pecador, na morte de Cristo, como também ao passamento dos eleitos e justificados para a vida eterna.
A Ele, pois, a Glória, a Honra e a Majestade Eternamente!

quarta-feira, 26 de março de 2014

O HOMEM INTERIOR x O HOMEM EXTERIOR

Rm. 7: 22 e 23 - "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros."
Personalidade provém de pessoa do latim 'persona' ou 'personae'. Outro termo correlato é 'personagem', ou seja, uma figura fictícia representada por um ator ou objeto de arte. Pois bem, destas realidades semânticas surge a ideia que cada ser humano é uma pessoa, a saber, é um ser dotado de personalidade, além de assumir atos e atitudes de pessoalidade. No teatro grego, a personagem e a sua personalidade eram representadas, na maior parte das vezes, por um único ator. O ator atuava em cada ato paramentado com suas indumentárias, sendo essencial o uso de uma máscara. Assim, para cada ato o ator trocava suas vestes e colocava uma máscara diferente, caracterizando as personagens. O homem, em sua realidade circunstanciada pela natureza pecaminosa, nada mais é que um ator, representando uma personagem que se utiliza de diversas e diferentes máscaras no cenário da existência. Por exemplo, a maioria das pessoas não se comporta do mesmo modo em um velório e em um baile de carnaval. Dependendo dos lugares a que são conduzidas ou se conduzem, as pessoas se vestem de maneiras diferentes, como também assumem discursos e narrativas diferentes. Por esta razão é tão difícil conviver, pois nunca se sabe quando e quem uma pessoa decaída está representando.
O homem é, segundo as Escrituras, um ser tripartite conforme Hb. 4:12 - "... e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração..." O texto no seu contexto refere-se ao poder da Palavra de Deus quando penetra no coração do homem. Vê-se claramente que o homem, objeto da mensagem da cruz é um ser dotado de corpo, alma e espírito. Em toda extensão das Escrituras não se fala em salvação ou purificação do espírito do homem, mas na redenção da sua alma. Isto porque é a alma que está impregnada pela natureza pecaminosa a qual produz, como resultado, os atos pecaminosos. Geralmente, religiosos tomam o efeito pela causa ao imaginar que é pecador apenas aquele que comete atos falhos e contrários à moral convencionada. Ora, o homem é pecador, porque possui uma natureza pecaminosa que, por sua vez, gera os atos pecaminosos e não o contrário. 
O apóstolo Paulo trata no texto de abertura acerca da dualidade entre o homem interior e o homem exterior. O homem interior é o espírito que foi assoprado por Deus. O espírito inoculado no homem está apenas desligado do Espírito de Deus por causa da natureza pecaminosa. Quando o homem se liberta da carne e da alma, o seu espírito retorna a Deus. Os que são reconciliados pela graça mediante a fé têm os seus espíritos vivificados novamente mesmo antes de morrer fisicamente. No primeiro caso lê-se em Ec. 12:7 - "... e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu." E, no segundo caso, lê-se em Ez. 36: 26 -"... e porei dentro de vós um espírito novo." Desta forma o homem interior é o espírito oriundo de Deus e inoculado no homem e o homem exterior é a alma e o corpo físico, que, juntos são denominados no novo testamento de carne ou carnalidade. Isto se explica pelo fato de a alma ser a sede dos desejos, vontades e emoções, enquanto o corpo apenas expressa tais realidades almáticas. Como o espírito só se comunica com espírito, estando o homem ainda sem regeneração ele fica morto. Não se comunica com o Espírito de Deus e nem com a alma e o corpo. Estando o homem regenerado o seu espírito está novamente reconciliado com o Espírito Santo por meio da geração de um novo homem em Cristo conforme Ef. 2:10 - "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas."
O homem exterior é guiado, essencialmente, pela alma e suas paixões conforme Rm. 7:5 - "Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte." O homem exterior é uma conjunção dos anseios da alma e as necessidades fisiológicas. Entretanto, na experiência de regeneração ou de novo nascimento ocorre uma nova disposição operada e operacionalizada por Deus conforme Gl. 5: 24 e 25 - "E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito." Muitos meditam sobre si mesmos e dizem: "eu não sinto que estou vivendo no Espírito, porque ainda retenho muitas destas paixões carnais." De fato, não é mesmo para sentir, pois sensorialidade é algo especificamente almático. O que crê na sua inclusão na morte de Cristo, como também em sua ressurreição, apenas creem. A fé autêntica se norteia pelo que a palavra de Deus diz e não por sentimentos e circunstâncias.
O objetivo da regeneração, a saber, de uma nova geração do pecador redimido em Cristo,  é exatamente a formação da santidade d'Ele no novo nascido. Muitos cristãos sinceros sofrem anos a fio, porque insistem na ideia que eles mesmos são os provedores e gerentes das suas santidades. A santidade descrita no evangelho verdadeiro, nada tem a ver com a conotação religiosa de santidade. Santo significa separado, ou seja, aquele que não se mistura com o que é mal e pecaminoso. Santidade é a obtenção da purificação e separação daquilo que é mal e pecaminoso pela ação monérgica de Cristo. É Cristo quem opera o querer e o efetuar, ficando isto muito claro em Ef. 3:16 - "... para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais robustecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior." Então, quem concede por misericórdia e graça o robustecimento do homem interior é Cristo e não os supostos méritos e justiças próprias de quem quer que seja.
Enquanto os cristãos continuarem crendo e depositando em si mesmos e na religião a solução para os seus conflitos entre o homem interior e o homem exterior, continuarão passando por intensas dores. Permanecerão mais tempo no deserto onde tudo é inóspito e solitário para a alma sequiosa por fama, prestígio, reconhecimento, poder e controle. 
Sola Gratia!

sexta-feira, 21 de março de 2014

ANDAR COM DEUS E NÃO SER MAIS ACHADO

Gn. 5: 22 a 24 - "Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos; Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou."
Em hebraico o vocábulo andar ou caminhar ocorre sob duas semânticas: como verbo que expressa a ideia de caminhar, seguir um itinerário, dar passos em uma direção, mas também por extensão de sentido significa estar em comum acordo, estar, sentir-se ou viver em determinada condição ou estado. A outra função gramatical é como substantivo masculino, o qual traz a ideia de ato ou maneira de andar. No texto acima o qual relata a experiência de Enoque, o sétimo homem depois de Adão, utilizou-se da função verbal. No verso vinte e quatro afirma-se: '£yihÈlé'Ah-te' ªônáx ªEGlahütÇCyÂw'. Esta frase significa literalmente: '... e caminhou Enoch com o Deus...' Isto implica que Enoque esteve com Deus em conformidade com sua santidade e justiça, por fé e não apenas por atos. Isto porque as Escrituras afirmam que só se pode agradar a Deus pela fé.
O texto demonstra que antes de gerar o seu filho Matusalém, Enoch não andava com Deus. Após a geração deste filho, Enoque andou com Deus por trezentos anos. Desta forma, após ser pai, Enoch foi convertido e passou a ter uma natureza concordante com Deus. Tal concordância entre um homem decaído e o Deus soberano e santo só é possível após uma real reconciliação. A reconciliação ou redenção do pecador perante Deus sempre foi por meio de Cristo, tanto antes, como depois da sua manifestação histórica em Jesus. Antes da concretização histórica de Jesus, o Cristo, a redenção foi pela fé que o redentor viria. Depois da referida manifestação concreta, é pela fé que ele já veio. Todos os eleitos e predestinados creram e crerão no salvador único, Jesus, o Cristo.
Neste texto, Enoque é um tipo de Jesus, o Cristo que viria para reconciliar os pecadores eleitos. Quando Cristo foi levado à cruz, o foi por causa dos eleitos para que fossem reconciliados com Deus. É este o sentido da dupla referência profética neste texto: "Andou Enoque com Deus, depois que gerou Matusalém... e gerou filhos e filhas." Tanto se refere à experiência de conversão de Enoque e da geração da sua descendência, como da morte de Cristo e dos regenerados por Ele na cruz.
I Ts. 4:1 - "Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como aprendestes de nós de que maneira deveis andar e agradar a Deus, assim como estais fazendo, nisso mesmo abundeis cada vez mais." Paulo doutrina a Igreja em Tessalônica como é o andar em Cristo. Sabe-se que é impossível agradar a Deus sem a fé conforme Hb. 11:6 - "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus." Sabe-se ainda que a fé é dom obtido pela misericórdia e pela graça alcançadas em Cristo. A fé não é um exercício de religião exterior. Também são características do que anda com Deus em Cristo aquelas apontadas em Cl. 1:10 - "... para que possais andar de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus..."
A experiência de Enoque é uma prefigura do arrebatamento da Igreja no fim dos tempos conforme Hb. 11:5 - "Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; e não foi achado, porque Deus o trasladara; pois antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus." Desta forma o autor da epístola aos hebreus confirma o que está no texto de abertura que diz: "Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou." Esta é, portanto, a experiência da Igreja formada por todos os eleitos e regenerados cujos nomes foram escritos no livro da vida do Cordeiro. Ao tempo em que ganham a experiência de novo nascimento, passam a andar com Deus por meio da vida de Cristo. Esta experiência é um deserto, no qual, cada um é testado em suas fraquezas e aperfeiçoado na vida de Cristo. 
Andar com Deus é, portanto, uma experiência resultante da ação monérgica do próprio Deus. Este processo é iniciado após a regeneração para tornar os eleitos apresentáveis diante d'Ele conforme Cl. 1: 21 e 22 - "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis." Desta forma a reconciliação dos eleitos e regenerados não se dá por seus atos de bondade ou de justiça própria, mas porque foram reconciliados por meio da inclusão no corpo de Cristo em sua morte de cruz. Enquanto as religiões humanistas prosseguem no falso evangelho, não experimentarão a verdade que liberta total e absolutamente.
Sola Scriptura!

quinta-feira, 6 de março de 2014

CRISTO: ESSÊNCIA E CONVERGÊNCIA

Rm. 11: 33 a 36 - "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém."
Watchaman Nee em sua obra "Cristo, A Essência De Tudo O Que É Espiritual" afirma que não há nada fora de Cristo. É importante ressaltar que este verdadeiro cristão teve uma profunda experiência espiritual, além de ter passado boa parte da vida nas prisões da China Comunista. Tal reclusão não era por outras questões, senão por defender o evangelho verdadeiro. Ele demonstra na obra retromencionada que a única realidade que Deus tem para o homem é Cristo e não coisas. Mostra claramente que, quem tem Cristo, tem tudo, porque Ele é o tudo de Deus. 
Muitos religiosos, no afã de satisfazer apenas seus desejos humanos substituem o doador, que é Cristo, pelas doações ou bênçãos materiais. Tendo o doador, têm-se todas as doações, mas nem sempre quando se têm as doações se pode ter o doador. Tais pessoas cultuam um cristianismo triunfalista e de recompensas, desenvolvendo, para tanto, uma teologia singular: afirmam que prosperidade, saúde, fama e prestígio são sinais da aprovação de Deus na vida de uma pessoa. Ora, ainda que Deus possa conceder bênçãos a qualquer pessoa, nada do que é material pode conquistar o reino espiritual. O que é corruptível não pode herdar o reino eterno, pois a natureza deste reino é incorruptível, logo, tais coisas não se sustentariam nele. É como afirma Jesus, o Cristo: "... o que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?"
Outros religiosos não conseguem distinguir entre quem é o Cristo pré-existente ao próprio mundo e o homem histórico Jesus nascido de mulher. Obviamente, não são duas pessoas distintas, mas uma única pessoa dotada de duas naturezas: a divina e a humana. Assim, Jesus, o Cristo é o único ser em todo o universo que é cem por cento homem e cem por cento Deus. A fusão destas duas naturezas se descreve em Jo. 1: 14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." O verbo a que alude o texto é a tradução portuguesa para "Logos", que, em última análise, significa a palavra ou o princípio ativo e criativo de Deus. Os mundos, a saber, a soma de todas as coisas foram criadas pelo poder da palavra conforme Hb. 11:3 - "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê."
No capítulo um do evangelho de João leem-se as seguintes revelações: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez." Mostra que o verbo, a saber, o Logos é Cristo e que Ele é Deus, portanto, anterior ao homem histórico Jesus. Ele é o gerador de todas as coisas que há, antes que qualquer delas houvesse. Isto porque as Escrituras no-lo informam que Ele é antes de todas as coisas conforme Cl. 1: 17 - "Ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as coisas." Desta forma é Cristo, de fato, a essência de todas as realidades e todas elas subsistem n'Ele.  Não há dicotomia ou tricotomia alguma. Estas ideias moduladas de ver o  mundo é consequência da natureza pecaminosa e do ensino desvirtuado da verdade nas religiões. Milhões de pessoas buscam religião, mas o mundo e a natureza pecaminosa continuam residentes e latentes em suas mentes e corações. Enquanto, não experimentarem o nascimento do alto, permanecerão em suas religiões e crendices horizontalizadas e desesperadas.
O texto de abertura dá uma visão simplificada da essência e da profundidade das realidades espirituais. Portanto, tais esplendentes realidades só poderão ser conhecidas pelo espírito. Isto porque o ensino mostra que "Deus é espírito e as coisas espirituais só podem ser discernidas espiritualmente." Esta é a razão de tanta miséria, divisão, soberba e orgulho religioso dentro das igrejas. Elas querem alcançar o espiritual pelo almático e material, buscam as armas verdadeiras, valendo-se das armas errôneas. Neste sentido acabam por desenvolver os poderes latentes da alma, julgando serem poderes originados de Deus. Ledo engano! São antes poderes puramente humanos controlados e manipulados pelo Diabo. 
Também é mister dizer que tudo converge para Cristo. Em Cl. 1: 16c  diz: "... tudo foi criado por ele e para ele." Ele, Cristo, não só criou todas as coisas, como todas elas convergem para ele na restauração final. Por esta razão é que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é o Senhor Soberano e Absoluto conforme Rm. 14: 11 - "Porque está escrito: por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus." Até mesmo os que forem julgados e condenados eternamente reconhecerão Cristo como Senhor. A lei veterotestamentária convergiu e terminou em Cristo conforme Rm. 14:4 - "Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê." Desta forma, Cristo é o fim, tanto como ato final e definitivo como finalidade da existência da lei, quer seja cerimonial, quer seja moral antes da sua manifestação concreta e histórica em Jesus.
Sola Gratia!

domingo, 2 de março de 2014

VIVER PARA QUEM E PARA QUE?

Rm. 14: 7 a 14 - "Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor. Porque foi para isto mesmo que Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus. Porque está escrito: por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Portanto não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo."
Uma das maiores dificuldades do homem regenerado é manter-se em posição e em relação absoluta de dependência da graça de Deus. Há enorme dualidade, porque, de um lado, o nascido de Deus foi libertado da culpa do pecado, mas, de outro lado, ainda vive em um mundo sob a influência do pecado. A libertação que Cristo veio realizar, e realizou, abrange a aniquilação da culpa do pecado. Isto implica dizer que a morte espiritual que separava o homem decaído foi aniquilada na morte d'Ele conforme Hb. 9:26 - "... mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Foi um único  ato com efeito abrangente e eterno. Quanto a libertação da influência do pecado é um processo permanente ao longo da vida nesta esfera da existência conforme Pv. 4:18 - "Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." O justo a que alude o texto não é justo segundo a sua própria justiça, mas aquele que foi justificado em Cristo. O que conta é a justiça de Cristo no regenerado e não seus atos de justiça própria.
O texto de abertura ensina sobre a razão de ser da vida dos eleitos e regenerados. Mostra que, uma vez redimido, o eleito não se pertence mais, pois quer viva, quer morra, vive e morre para o Senhor de suas vidas. A maioria dos religiosos vive uma dicotomia: em suas palavras declaram viver para Cristo, em seus atos insistem em dirigir suas vidas para si mesmos. Querem apenas usufruir das bênçãos oferecidas nas Escrituras. Recebem a doação, mas não ao doador. Buscam desenvolver uma espécie de santidade própria à revelia daquele que é o Santo. Isto ocorre, porque suas doutrinas são ensinos de homens e não das Escrituras. Não sabem, pelo espírito, que Deus não aceita o que é mal, mas também o que é o bem produzidos pela vontade do homem. Tudo  deve ser desconstruído para Cristo ser formado na nova criatura como diz II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Para que tudo seja, de fato, novo a condição é "estar em Cristo." Um homem só está em Cristo quando recebe graça para crer que foi incluído em sua morte, como também na sua ressurreição. Tolo é o religioso que acredita que Jesus, o Cristo estava sozinho na cruz. O ensino é substitutivo, mas também inclusivo conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus, foi levantado da Terra três vezes: na crucificação, na ressurreição e na ascensão. Neste texto fica claro que é na crucificação, pois especifica e tipifica a morte e não a ressurreição e a ascensão.
Muitas igrejas e seitas transformam o reino de Deus em questões puramente comportamentais. Definem como essencial o que a pessoa come, como se veste e o que faz ou deixa de fazer. Abandonam e desprezam o próprio Senhor Jesus e põem a ênfase em questões morais. O que adianta a um portador da natureza pecaminosa  abandonar atos e atitudes de imoralidade se não estiver em Cristo. As suas boas ações lhes servirão apenas para viver exteriormente bem, mas jamais poderão redimi-lo da maldição interior do pecado. Ao nascido do alto, entretanto, os seus atos  e atitudes corretos ou incorretos serão todos  passados pelo crivo da vida de Cristo que nele passa a habitar. Para os regenerados em Cristo,  o que conta é o que Cristo é neles e não o que eles fazem ou deixam de fazer por si mesmos. Nos redimidos, é a vida de Cristo que põe em marcha o processo da produção  da santidade d'Ele. O ensino  paulino não deixa margem às dúvidas conforme Gl. 2: 19 e 20 - "Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Morrer para a lei é morrer para os valores humanistas consagrados como solução para ganhar a vida eterna. Ao morrer para os preceitos da lei, a vida de Cristo ocupa o lugar e dá início à vida d'Ele como centralidade. Paulo mostra que, mesmo a vida sob influência do pecado que há no mundo, está sendo conduzida por Cristo pela fé. Este texto mostra claramente a morte inclusiva e substitutiva: "... já estou crucificado com Cristo" e "... e se entregou a si mesmo por mim."
Então, viver para Cristo é viver à disposição d'Ele e não por meio de atos e atitudes próprios, ainda que éticos e morais. Quanto a conduta correta ao longo da vida é consequência da vida de Cristo e não a causa dela. Por estas razões é que há muitas brigas, disputas e rachaduras nas igrejas institucionais. Os religiosos disputam entre si  quem  é mais santo, mais justo e mais merecedor da graça de Deus. Ascendem a fogueira das vaidades, tornando o que deveria ser exemplo da vida de Cristo em escândalos e soberba religiosa. Neste sentido, ofendem ao Senhor Jesus, o Cristo e afastam-se cada vez mais da sã doutrina das Escrituras.
Sola Gratia!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO X

Tt. 1: 9 a 16 - "... retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes. Porque há muitos insubordinados, faladores vãos, e enganadores, especialmente os da circuncisão, aos quais é preciso tapar a boca; porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. Um dentre eles, seu próprio profeta, disse: os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, glutões preguiçosos. Este testemunho é verdadeiro. Portanto repreende-os severamente, para que sejam são na fé, não dando ouvidos a fábulas judaicas, nem a mandamentos de homens que se desviam da verdade. Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas. Afirmam que conhecem a Deus, mas pelas suas obras o negam, sendo abomináveis, e desobedientes, e réprobos para toda boa obra."
A existência de uma categoria de cristianismo anômalo é perfeitamente visível na atualidade. Entretanto, não é por questões comportamentais que se percebe isto, mas pela proclamação de um falso evangelho. Em geral, as pessoas acusam esta ou aquela religião de não ser verdadeiramente cristã por razões ligadas à baixa moralidade dos seu seguidores. Porém, o comportamento ético-moral de um cristão é pautado pela vida de Cristo e isto só é possível quando se ganha a vida d'Ele como um princípio interior. De nada aproveita uma pessoa se conter para não cometer delitos, erros, atos pecaminosos, sendo portador da natureza pecaminosa em seu coração. Tal natureza é residente e persistente em todos os homens conforme Rm. 5: 12 e 18 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida." Então, o pecado tornou todos os homens injustos, a saber, desajustados em relação à natureza de Deus. Todavia, a justificação em Cristo torna todos os eleitos e regenerados novamente justificados perante Ele. Ao processo de restauração do espírito corrompido no homem, dá-se o nome de "novo nascimento" ou regeneração. A regeneração, isto é, nova geração em Cristo não é um exercício de religião exterior.
Segundo o texto de abertura, é a palavra fiel, ou seja, a pregação de acordo com as Escrituras que é conforme a doutrina e não a doutrina conforme a palavra do pregador. Isto implica dizer que a pregação é fiel quando anuncia o ensino das Escrituras. É esta postura que torna o pregador dotado da autoridade do alto e não os seus preceitos, regras, normas comportamentais, rituais e liturgias. Os pecadores poderão até atacar o pregador, mas jamais poderão contra a verdade conforme II Co. 13:8 - "Porque nada podemos contra a verdade, porém, a favor da verdade." É a doutrina sadia, pura e exata que silencia os contradizentes e não doutrinas de homens cujas mentes são contaminadas pela corrupção do pecado original.
As fábulas judaicas mencionados por Tito é uma referência ao emaranhado dos preceitos da religião legalista. Os insubordinados e falaciosos misturam sempre algo a mais à pureza do evangelho. Verifica-se muito nestes dias o renascimento da tendência à diluição da graça com a lei. À adoção por diversas igrejas do "cristianismo sem Cristo" se dá pelos valores e ensinos do judaísmo, originando as doutrinas judaizantes. Decoram as igrejas com réplicas da arca da aliança, instituem ministradores da música como levitas, tocam o 'shofar' que era usado apenas para as convocações à oração e assembleias dos anciãos. Há grupos que constroem seus templos como réplicas do templo de Salomão.
No tocante aos mandamentos de homens referidos por Paulo é uma alusão aos ensinamentos gnósticos introduzidos nas igrejas por influência da filosofia helênica naquele tempo. Hoje, o gnosticismo se prolifera abertamente na adoção de diversas práticas místicas cujo objetivo é colocar toda a centralidade no homem  e nos seus feitos para alcançar espiritualidade. Ora, como se pode alcançar espiritualidade se o espírito do homem está "morto" para Deus? Por esta razão é que o apóstolo afirma: "antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas." Enquanto o pecador decaído e corrompido não é reconciliado pela justificação em Cristo, nada nele é espiritual. O "cristianismo sem Cristo" sobrevive de alimentar  a alma contaminada pela natureza pecaminosa, confundindo suas reações sensoriais como coisas espirituais. Por isto Jesus, o Cristo ensina em Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Então, sem novo nascimento, não vê e não entra!
Solo Christus!