domingo, 29 de maio de 2016

IGREJA, CONGREGAÇÃO E CORPO DE CRISTO III

Ap. 3: 7 a 11 - "Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: conheço as tuas obras (eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar), que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo. Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra. Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa."
Em toda análise, especialmente, no tocante à fé e à verdade necessário se faz verificar as vertentes, pois há grande variedade de manifestações tidas como verdade. É muito fácil discernir onde está a verdade e com quem está a fé, para tanto,  basta consultar a única fonte autorizada da verdade. As Escrituras são esta fonte única e correta para dirimir quaisquer dúvidas. Isto porque se se depender apenas da livre análise para postulados dogmáticos, ninguém conseguirá chegar a bom termo. Todos os sistemas de crenças se apropriam de verdades particulares para se justificar e se impor perante as mentes humanas. 
É da apropriação correta da fé e da verdade que se pode chegar à compreensão da Igreja como a congregação dos justificados e corpo vivo de Cristo. Não são os anos de história, as lutas e os sofrimentos de um sistema de crença que o torna legítimo perante Deus e os homens. Muitas seitas heréticas e cultos pagãos também sofreram enormes perseguições e destruição ao longo da história. Nem por isso, os tais são autênticos e verdadeiros perante a face de Deus. 
Vê-se muito nestes tempos que se apresentam grande aceitação das práticas denominadas evangélicas. Tornou-se um clichê, ou mesmo, um estilo de vida dizer-se evangélico. Há espiritistas se auto-proclamando evangélicos; há católicos adotando estilos carismáticos evangélicos; há igrejas históricas, pentecostais e neo-pentecostais se auto-identificando como evangélicas. Qualquer que anuncia algum texto mínimo do evangelho, se coloca na perspectiva de evangélico. Ora, as maiores heresias nos últimos dois mil anos partiram do evangelho para estabelecer seus dogmas e confissões. Entretanto, tal evangelho é segundo suas próprias narrativas e não o texto evangélico por ele mesmo. Desta maneira, não basta usar o evangelho como referência para legitimar uma verdade como sendo cristã. Qualquer um, incluindo-se, ateus pode conhecer intelectualmente o evangelho e, nem por isso, o faz um cristão verdadeiro. Não é o homem que se torna cristão, mas é Cristo que o faz cristão.
A conexão entre o corpo, a Igreja, e a cabeça, Cristo, é demonstrada no ensino do apóstolo Paulo conforme Ef. 4:15 a 18 - "... antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual o corpo inteiro bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo em amor. Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na verdade da sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração..." Jesus, o Cristo é a cabeça da Igreja e, esta, o seu corpo. Tal corpo tem de estar ajustado à cabeça por inteiro e não em partes. Muitas igrejas são denominadas cristãs apenas por causa dos dizeres que as identificam. De fato, as partes que as compõem são absolutamente desajustadas e cada membro segue a vontade das suas mentes. Há brigas verbais, físicas e políticas por cargos e funções. Há disputas pela primazia dos destinos destas agregações, incluindo-se os bens sucessórios. 
Muitos evangélicos chamam as outras pessoas que não professam sua "fé" de mundanos, ímpios e pecadores, mas procedem em suas agregações da mesma forma que os tais aos quais condenam. Elas presumem que saíram do mundo, mas suas práticas cotidianas indicam que o mundo não as abandonou. Eles vão para as igrejas, mas continuam na verdade das suas mentes decaídas e depravadas. O que é pior, uma vez inseridas em um contexto evangélico ou religioso, estas pessoas somam as verdades das suas mentes aos seus dogmas religiosos, dando origem a uma espécie de culto abominável a Deus conforme se vê em Is. 1: 11 a 15 - "De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu de vós isto, que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação. As luas novas, os sábados, e a convocação de assembleias ... não posso suportar a iniquidade e o ajuntamento solene! As vossas luas novas, e as vossas festas fixas, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei; porque as vossas mãos estão cheias de sangue."
Uma das marcas mais evidentes de agregações religiosas é a leitura do texto bíblico com aplicação apenas para os que são estranhos ao seus sistemas de crenças. Eles jamais tomam os ensinos bíblicos para si, mas sempre acham que se aplicam apenas aos seus desafetos, aos incrédulos, aos mundanos, aos depravados aos pecadores. Mal sabem, que o texto sagrado fala primeiramente ao que o lê. Aliás, nenhum homem lê o texto sacro, mas é este que o lê e o esquadrinha para revelar Cristo.
A verdadeira Igreja é a reunião dos nascidos do alto, os quais foram atraídos à cruz para morrer na morte de Cristo e, juntamente com ele ressuscitar para a vida eterna. É na cruz que Cristo reconcilia o homem morto espiritualmente para Deus e o concede libertação plena e vida espiritual. Não é na proclamação de um evangelho pela metade que se forma uma Igreja Congregacional e Corpo de Cristo. É na morte da morte do pecado pela inclusão na morte de Cristo que a Igreja foi, é e sempre será forjada. O que passa disto tem procedência do maligno. Estes fatos são evidenciados em Ef. 2: 11 a 16 - "Portanto, lembrai-vos que outrora vós, gentios na carne, chamam circuncisão, feita pela mão dos homens, estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade..."
Sola Gratia!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

IGREJA, CONGREGAÇÃO E CORPO DE CRISTO II

Ez. 33: 30 a 33 - "Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto às paredes e nas portas das casas; e fala um com o outro, cada qual a seu irmão, dizendo: vinde, peço-vos, e ouvi qual seja a palavra que procede do Senhor. E eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois com a sua boca professam muito amor, mas o seu coração vai após o lucro. E eis que tu és para eles como uma canção de amores, canção de quem tem voz suave, e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra. Quando suceder isso (e há de suceder), saberão que houve no meio deles um profeta."
Como já comentado no estudo anterior, é perfeitamente possível haver uma agregação ou ajuntamento de pessoas em nome de uma determinada crença, ordem filosófica ou ideologia, mas isto pode não ter qualquer vínculo espiritual e congregacional. A Igreja bíblica é aquela instituída por Cristo conforme o registro de Mt. 16:18 e 19 - "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus." Pedro não é a rocha sobre a qual a verdadeira Igreja foi edificada, mas é apenas uma das pedrinhas com as quais tal Igreja foi e é edificada até que o Grande Rei retorne. O texto original grego deixa isto bem claro quando diz: "... tu és Pedro...", ou seja, você é 'petros', uma pedrinha. Na sequência o Cristo diz: "... e sobre esta pedra...", ou seja, sobre esta rocha edificarei a minha Igreja. No texto grego koinê Pedro é "petros", enquanto Cristo é "petra." A diferença é que "petros" é pedrinha ou fragmento de pedra e "petra" é rocha firme. Logo, Jesus, o Cristo não afirma que Pedro é a rocha sobre a qual a Igreja seria edificada, mas que Pedro era apenas uma pequena fração desta edificação. Também, o pronome demonstrativo "esta" indica que Jesus, o Cristo se referia a si mesmo e não a Pedro. Caso a referência fosse a Pedro teria utilizado o pronome "essa."
O próprio apóstolo Pedro nunca mencionou a si mesmo como a pedra sobre a qual a Igreja seria edificada. Ao contrário, apontou sempre que tal rocha é Cristo conforme I Pd. 2: 4 a 8 - "... e, chegando-vos para ele, pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas, para com Deus eleita e preciosa, vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso, na Escritura se diz: eis que ponho em Sião uma principal pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido. E assim para vós, os que credes, é a preciosidade; mas para os descrentes, a pedra que os edificadores rejeitaram, esta foi posta como a principal da esquina, e: como uma pedra de tropeço e rocha de escândalo; porque tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados." Veja, nesta epístola, o apóstolo diz claramente: "... e, chegando-vos para ele..." e não: "e, chegando-vos a mim..." Outra vez diz: "... pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas para Deus, eleita e preciosa..." Desta forma fica evidente que não é uma referência a um homem, mas ao Cristo. No texto de Mateus é utilizado o termo 'petra' como sendo rocha. No texto petrino é utilizado o termo 'lithon', significando a mesma coisa. No verso oito Pedro utiliza, tanto 'litos', como 'petra', indicando a rejeição do Messias encarnado no homem Jesus e a rejeição do Cristo como Deus e redentor.
Novamente Pedro demonstra que Jesus, o Cristo é a Rocha Eterna em At. 4: 8 a 12 - "Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: autoridades do povo e vós, anciãos, se nós hoje somos inquiridos acerca do benefício feito a um enfermo, e do modo como foi curado, seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos." Novamente, não se vê o apóstolo Pedro se auto-afirmando como sendo a Rocha Eterna, a qual é Cristo. Novamente foi utilizado o termo grego 'lithos' e não 'petros'.
O próprio Jesus, o Cristo se referiu à 'pedra angular' como sendo ele mesmo conforme Mt. 21:42 - "Disse-lhes Jesus: nunca lestes nas Escrituras: a pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó." Este povo a quem foi dada a graça para crer e receber a verdade é a Igreja verdadeira e não religiões humanas. No verso 43 Jesus mostra que os judeus perderiam a primazia da religião e dos oráculos. O fundamento da Igreja, a saber, a Congregação dos Justificados em Cristo pela inclusão na sua morte e ressurreição é formada pelos pecadores eleitos e regenerados. Não se trata de um ajuntamento de religiosos para buscar a salvação com base em preceitos, dogmas, méritos e esforços de justiça própria, como mostra no texto de abertura do estudo. Estes que assim se iludem, ajuntando-se ou agregando-se para ouvir uma mensagem como canção de amores, jamais verão a face do Grande Rei.
Solo Christus!

sábado, 14 de maio de 2016

IGREJA, CONGREGAÇÃO E CORPO DE CRISTO I

Hb. 10: 19 a 25 - "Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia."
Congregar é um verbo transitivo e pronominal, o qual traz os seguintes significados: "unir-se inteiramente, ficar junto ou juntar-se, reunir-se, convocar, ligar-se, misturar-se." Deste verbo provém o substantivo congregação, como sendo o ato ou efeito de congregar-se. Consequentemente, tal ato implica em diversos aspectos: "assembleia de fieis, reunião de pessoas em função de uma fé única, conclave, congresso et coetera."
Já o verbete agregação traz os seguintes significados: "conjunto de objetos, pessoas, reunião, aglomeração." Portanto, difere substancialmente um grupo de pessoas ajuntar-se em um determinado lugar, data e hora, sem necessariamente, haver uma fé una e única. Ajuntar-se para comemorar alguma efeméride não é congregar. Uma reunião de pessoas pode ocorrer até mesmo sem uma razão específica ou justificada. Aglomerar-se pode ser até mesmo para se agredir e se ofender mutuamente. Um conjunto de pessoas em um mesmo local não significa unidade de pensamento, objetivos e fé. Há muitas razões por que as pessoas se aglomeram, se ajuntam e formam grupos.
Por diversas vezes se ouve no contexto de igrejas institucionais a justificativa que alguém se afastou ou está desviado da congregação. Outros preferem usar do eufemismo que os tais estão frios na fé. Ainda outros preferem culpar Satanás pelo afastamento daqueles que não querem mais se aglomerar em uma determinada crença. Aqueles que se põem na perspectiva de muito espirituais chegam a dizer, citando a bíblia: "saíram dentre nós, porque não eram dos nossos." Tais santarrões isolam parte de um versículo sem percorrer toda a sua extensão, propositadamente. O verso completo de I Jo. 2:19 diz - "Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos." Primeiramente, os que saíram não eram definitivamente membros do corpo de Cristo. Quem não possui natureza recriada em Cristo não suporta muito tempo na congregação dos eleitos e regenerados. Tal congregação é pouco atraente, pois não exalta o homem e suas inclinações. O texto é muito claro quando diz: "saíram dentre nós". Isto é profundamente diferente de dizer: "saíram dos nossos." Quando o nascido de Deus é confrontado ele sempre é vencido pelo que diz as Escrituras em Jo. 6: 68 e 69 - "Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós já temos crido e bem sabemos que tu és o Santo de Deus." O que faz os nascidos do alto se congregar são as palavras da vida eterna. É a fé produzida pelo ouvir a Palavra de Deus e a firme convicção que Cristo é Deus.
Atualmente, muitas igrejas são meras agregações de pessoas em busca de alívio dos problemas financeiros, de saúde e de falta de afeto. Quando não ouvem o que desejam saem à cata de outra agregação que oferece mais resultados. Neste sentido, são meros barganhadores cuja fé é na própria fé e não no autor e consumador da fé. 
Na revista da CPAD "Cristianismo Hoje", edição 51, ano 9, página 31 publicou-se uma entrevista de um jovem que abandonou a igreja a qual pertencia. O entrevistado é economista, jornalista e consultor editorial. Na entrevista o referido moço aponta dez razões que o faria retornar à igreja. As mudanças exigidas por ele são as seguintes:
  1. Respeito às minorias.
  2. Respeito a outras crenças.
  3. Fim dos dogmas.
  4. Emancipação da mulher.
  5. Manifestação política.
  6. Ação social e defesa dos direitos humanos.
  7. Sermões inteligentes.
  8. Excelência artística.
  9. Fim do gueto.
  10. Laicidade.
O entrevistado afirma o seguinte em suas declarações: "cheguei a um ponto em que, simplesmente, cansei da cultura evangélica, das atitudes descriminatórias dos crentes e da hipocrisia generalizada." Olhando com mais acuidade as colocações do entrevistado se pode ver dois aspectos: a) ele não quer uma igreja, mas uma assembleia de ativistas políticos e de ações afirmativas; b) ele está profundamente decepcionado com a qualidade moral, cultural e espiritual dos membros da igreja. Conclui-se, assim, que, tanto ele, como a igreja em que frequentara estão fora da cruz e do Cristo crucificado e ressurreto. Em uma congregação puramente bíblica e fundada na fé de Cristo não seria necessário reivindicar qualquer destas queixas. Os nascidos de Deus têm a natureza de Cristo e cumpre todas estas coisas sem que ninguém os ensine ou diga para cumpri-las. Ocorrem por uma mudança na disposição espiritual e não por meio de práticas preceituais. Não é por meio de exercício de piedade imposto e orientado que faz um cristão autêntico. Não é a religião exterior que determina o nível ou caráter da fé. A fé é um dom e não uma virtude humana.

domingo, 8 de maio de 2016

LIVRE ARBÍTRIO x SERVO ARBÍTRIO III

Mt. 22: 1 a 14 - "Então Jesus tornou a falar-lhes por parábolas, dizendo: o reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho. Enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir. Depois enviou outros servos, ordenando: dizei aos convidados: eis que tenho o meu jantar preparado; os meus bois e cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas. Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio; e os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram. Mas o rei encolerizou-se; e enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade. Então disse aos seus servos: as bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, pelas encruzilhadas dos caminhos, e a quantos encontrardes, convidai-os para as bodas. E saíram aqueles servos pelos caminhos, e ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e encheu-se de convivas a sala nupcial. Mas, quando o rei entrou para ver os convivas, viu ali um homem que não trajava veste nupcial; e perguntou-lhe: amigo, como entraste aqui, sem teres veste nupcial? Ele, porém, emudeceu. Ordenou então o rei aos servos: amarrai-o de pés e mãos, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos."
O verbete livre arbítrio afirma o seguinte: "possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante." Por tal definição é induzida a ideia que o homem possui capacidade moral para decidir, escolher em função apenas da vontade própria, independentemente de qualquer fator determinante externo. Nota-se que esta afirmação é uma falácia, visto que ninguém é absolutamente livre no exercício da vontade. A própria vontade é determinada e não determinante em absoluto. Por exemplo, beber água, comer e defecar são vontades condicionadas e determinadas por fatores fisiológicos e não porque a pessoa decide executá-las a qualquer momento, sob qualquer pretexto e em qualquer lugar. Desta forma o que há é uma confusão entre escolhas mecânicas e naturais com livre vontade. Assim como, também há confusão entre escolhas morais, condicionadas pela cultura, e escolhas espirituais.
"Livre arbítrio" é uma expressão que quer dizer: juízo livre. Seria uma capacidade de julgamento livre absolutamente de qualquer evento ou fato determinante, bem como, de qualquer necessidade. Isto colocaria o homem na categoria de um "deus" auto-suficiente e não de criatura dependente. O homem seria bastante a si mesmo e perfeito em todos os seus atos. Portanto, é uma heresia introduzida pelo Gnosticismo a partir do século II d. C. no seio do Cristianismo. Atualmente ganhou corpo na filosofia, tanto popular, quanto na sistematizada.
A expressão "livre arbítrio" não se acha no texto bíblico, mas o que a torna inverosímel não é este fato. Na verdade, não é uma doutrina escriturística, mas apenas o fruto de deduções lógicas de teólogos, filósofos e estudiosos que conhecem a verdade. O "livre arbítrio" é incompatível com os ensinos de Jesus, o Cristo, visto que a total e absoluta liberdade de escolha do homem decaído dispensaria o plano redentor de Deus em Cristo e sua morte vicária. Caso a salvação resultasse do fruto das escolhas livres do homem pecador, não faria sentido Deus enviar o seu Filho Unigênito para pagar o preço do pecado e das escolhas erradas do homem. O próprio homem teria de ser redentor de si mesmo. É exatamente esta posição que desejam os gnósticos: o homem é senhor e "deus" de si mesmo. O homem presume traçar o próprio caminho no universo livre e independente de qualquer coisa ou de outro ser. Isto, por si só é ridículo, bastando imaginar que ninguém poderia sequer determinar onde iria nascer, a que família iria pertencer ou qual status social iria ter.
No texto que abre esta instância vê-se claramente que Jesus, o Cristo rechaça a possibilidade de o homem escolher por conta própria sem ter sido escolhido. O penetra que entrou na festa sem as vestes apropriadas e sem ser convidado foi posto para fora. O significado de tal parábola é que não é o homem quem determina o que escolhe espiritualmente. Ele é escolhido conforme a soberania de Deus e não segundo suas decisões contaminadas pela natureza pecaminosa residente e imanente. As vestes nupciais referenciadas no texto da parábola é o revestimento da justiça de Cristo e não a justiça própria ou os méritos do homem.
Charles Haddon Spurgeon escreveu o livro: "Livre Arbítrio: Um Escravo." Nesta obra Spurgeon utiliza o versículo de Jo. 5:40 - "Mas vós não quereis vir a mim para terdes vida." Ele demonstra que os arminianos, os quais defendem a necessidade da livre vontade do pecador para escolher ou rejeitar a salvação, usam tal texto para justificar seus ensinos errôneos. Os arminianos subdividem o texto da seguinte forma: a) o homem tem uma vontade; b) a vontade é inteiramente livre; c) o homem tem que querer por si mesmo. Spurgeon explica que não é porque ocorrem as palavras "querer" ou "não querer" que faz do homem um ser absolutamente livre. Primeiramente, o homem está morto espiritualmente, portanto não pode arbitrar ou julgar nada livremente. A sua morte é a separação espiritual de Deus e o coloca como um ser decaído e absolutamente depravado. Desta forma o suposto "livre arbítrio" do homem é um escravo do pecado, conforme ensina Jesus, o Cristo em Jo. 8:34 - "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." Portanto, ou é livre ou é escravo!
Secundariamente, o homem decaído está debaixo da lei da morte, portanto, como quem está julgado e condenado por uma lei irrevogável poderia ser juiz de si mesmo e dos outros? Rm. 8:2 - "Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte." O que dá ao homem a redenção e a plena liberdade, não são suas escolhas comprometidas pela morte espiritual, mas a plena graça em Cristo. A lei do pecado e da morte por causa da natureza decaída foi justificada pela lei do Espírito da Vida em Cristo, a saber, na inclusão do pecador na morte com Cristo para destruição da sua morte. Portanto, um morto em delitos e pecados não é livre para executar qualquer juízo, salvo, o da sua própria condenação. Por esta razão é que Cristo afirma: "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará... Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
Quando o texto de João capítulo oito diz que os líderes religiosos judeus não queriam ir a Cristo para ganhar a vida, não os imputa plena liberdade ou poder de escolha livre. Eles não queriam, porque suas naturezas pecaminosas não os permitiam ir. Seus espíritos mortos para Deus não os impeliam a ir a Cristo para recebê-lo como o redentor deles. Eles estavam nutridos com o engano que a religião deles os garantia a salvação. Isto os cegava e impedia de querer ir a Cristo para ganhar a vida eterna ou espiritual. Apenas a graça e a misericórdia de Deus pode levar o pecador cego e escravo da natureza pecaminosa à plena liberdade em Cristo conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia."
Sola Gratia"

terça-feira, 1 de março de 2016

LIVRE ARBÍTRIO x SERVO ARBÍTRIO II

Jo. 8: 31 a 36 - "Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: sereis livres? Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
No estudo anterior foram levantadas, ainda que superficialmente, algumas questões sobre as origens e a natureza da doutrina do "livre arbítrio." Isto se faz necessário, porque muitas pessoas recebem os ensinos sem questioná-los e, principalmente, sem criticá-los à luz do juízo das Escrituras. Ora, pela própria proposta contida nesta doutrina, vê-se que a tal não se sustenta por suas próprias premissas básicas. Como pode algo ou alguém ser absolutamente livre se possui inumeráveis dependências psíquicas, fisiológicas, genéticas, financeiras, parentais? Para que algo ou alguém seja livre, o tal deve bastar-se a si mesmo, ou seja, não pode ter absolutamente nenhuma causa determinante e necessária atuando sobre si. Terá de ser sem início e sem fim. Não poderá ser refém do tempo e do espaço. Não pode ser detido ou limitado por nada e ninguém. Portanto, não há nada e ninguém livre nos termos propostos por este ensino. Não sendo total e absolutamente livre, também não pode arbitrar sobre nada com isenção e perfeito juízo. 
Muitos religiosos de diferentes crenças acreditam que são livres para fazer escolhas. Acreditam ainda que tais escolhas determinam sua vida diária e o seu futuro, inclusive, o espiritual. Confundem, os tais religiosos, escolhas naturais e mecânicas, as quais foram programadas para que possam existir relativamente ao mundo e as coisas. Portanto, escolher comer, beber, defecar, fazer sexo, vestir esta ou aquela roupa, ir a este ou aquele lugar são escolhas naturais impostas pelas circunstâncias existenciais. Não são escolhas livres, pois são determinadas pelas necessidades e algo que é necessário está determinado e não é livre. Escolhas morais, por exemplo, são determinadas por fatores culturais, religiosos, legais e recaem no campo dos usos e costumes. Algo que era altamente condenável na Idade Média, hoje  não o é mais e vice-versa. O homem é um ser moral, porém o que deixam de considerar é que até mesmo a moralidade está circunvalada por diversas necessidades determinadas pelas circunstâncias dominantes em dado momento histórico, psicológico e legal.
Outro aspecto relevante na questão das escolhas é que elas estão subordinadas a uma natureza dada no homem. Tal natureza está absolutamente contaminada pela natureza pecaminosa, portanto, não é livre e qualquer juízo advindo dela está igualmente contaminado pelo relativismo procedente da corrupção.
O texto de abertura é parte de um diálogo maior entre Jesus, o Cristo e a liderança religiosa de Israel daquele tempo. Jesus sentencia aos judeus que, se permanecessem em sua palavra, a saber, no seu ensino, doutrina ou evangelho seriam seus discípulos e seriam livres. A reação dos interlocutores que, exteriormente haviam declarado crer no Cristo, foi avassaladora e contraditória. De fato, não criam em Jesus, o Cristo, porque responderam à sua assertiva com a alegação de que nunca foram escravos e que tinham uma linhagem étnica pura da casa do patriarca Abraão. A natureza pecaminosa é tão determinante do estado de dependência e relativização que, os judeus apelaram para origem étnica e negaram sua própria história pregressa. Ora, foram escravos no Egito por 400 anos, na Babilônia por 70 anos, na Assíria por mais 40 anos e, finalmente, sofreram a última grande diáspora do ano 70 d.C. até o ano de 1948. Portanto, a cegueira espiritual deturpa a cegueira moral, levando o homem a não ver-se a si mesmo como dependente de circunstâncias. À época do referido diálogo, os judeus se achavam dominados pelo Império Romano em uma forma mais branda de escravidão. Logo, não eram livres, nem politica, nem espiritualmente.
Bem, Jesus, o Cristo diante da reação dos judeus religiosos não teve alternativa, a não ser conduzi-los à uma dimensão maior: a escravidão espiritual.  O Cristo os relembrou que, qualquer que comete pecado é escravo do pecado. Portanto, não é livre como sua presunção e arrogância supõe. O pecado a que alude o Cristo é a naturezas pecaminosa, além, obviamente, dos atos pecaminosos cometidos por atos e intenções. Muitos religiosos não têm revelação para discernir tais diferenças. Esta é uma falha do sistema religioso que, não conhecendo a verdade vende meias verdades nos púlpitos das igrejas. O pecado que separa e escraviza o homem ao domínio das trevas é a incredulidade, estando isto definido por Jesus, o Cristo em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Foi exatamente isto que determinou o pecado original aos pais ancestrais no Éden: descreram na Palavra de Deus e deram crédito à palavra de Satanás. Esta foi a razão da queda e decadência cujas consequências se estenderam a toda humanidade conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
A libertação plena e absoluta é aquela obtida na cruz por fé que o pecador foi incluído na morte de Cristo, bem como na sua consequente ressurreição. Por este método determinado por Deus antes dos tempos eternos é que se dá a perfeita liberdade. Jesus, o Cristo é o método divino concretizado e executado conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Portanto, não há outro caminho fora de Cristo. A própria palavra caminho significa método. Jesus, o Cristo é o método de Deus para libertar totalmente o homem da sua escravidão espiritual. 
Desta forma, nem o homem é livre, e, muito menos, pode arbitrar sendo escravo de sua própria natureza decaída. 
Sola Gratia!

domingo, 28 de fevereiro de 2016

LIVRE ARBÍTRIO x SERVO ARBÍTRIO I

Jo. 8: 31 a 36 - "Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: sereis livres? Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
"Livre arbítrio" ou "livre alvedrio' é um conceito originado na doutrina gnóstica. É um dos fundamentos do humanismo o qual ganhou força com o advento da Renascença. Por "livre arbítrio" se entende a capacidade do homem de decidir pela própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante. Na verdade, o ensino do "livre arbítrio" é muito convincente e tentador, porque dá ao homem a falsa capacidade de agir à revelia de Deus. Esta inclinação foi produzida pela natureza decaída no pecado original. Isto foi inoculado da seguinte forma Gn. 3:5 - "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Ora, a sugestão de Satanás é que, uma vez desobedecendo e praticando aquilo que lhe havia sido vedado, passaria a ser semelhante a Deus, discernindo o que é o bem e o que é o mal por conta própria. Obrigatoriamente, implica em que o homem abandonaria a dependência do juízo de Deus para estabelecer o seu próprio juízo. Introduziu-se a ideia de uma falsa autonomia ao homem. Falsa, porque, ninguém é auto-suficiente para escolher sem uma causa ou fator determinante da escolha. O único ser em todo o Universo capaz de agir sem qualquer causa determinante é Deus.
As doutrinas espiritistas e gnósticas adotaram o "livre arbítrio" como o principal ensino, porque necessitam dela para justificar as demais doutrinas. Sem a liberdade de escolhas morais, a reencarnação e a evolução não se sustentariam. Igualmente, sem o "livre arbítrio", o Gnosticismo não se afirmaria como uma doutrina místico-filosófico-religiosa. A crença na gnose, ou seja, no conhecimento próprio e inerente ao homem deu origem à capacidade de decidir, escolher e desejar sem a necessidade de Deus ou qualquer outro condicionante externo ao homem. Com o advento do Cristianismo, o Gnosticismo se aproximou e se misturou ao ensino cristão como um movimento sincrético e esotérico. Tentou dar ao Cristianismo nascente um viés filosófico e humanista. Penetrou nos círculos cristãos como um movimento místico e transcendente acerca das verdades divinas, no tocante à condição espiritual do homem. Muitos foram os cristãos que se enveredaram por este caminho, dando origem a diversas heresias as quais trouxeram grandes prejuízos ao mundo cristão dos primeiros séculos. Algumas serão retratadas em outro estudo mais adiante.
Gnosticismo provém do grego 'gnostikismós' [Γνωστικισμóς] que, por sua vez, provém de 'gnosis' [Γνωσις] que significa conhecimento. Na Conferência de Messina, na Itália, em 1966, o Gnosticismo foi considerado: "... um determinado grupo de sistemas do segundo século depois de Cristo." Enquanto o termo Gnose foi definido como: "... o conhecimento dos mistérios divinos para uma elite." Desta forma, decidiu-se ali que Gnosticismo é algo diferente de Gnose. Aquele seria apenas de caráter místico-religioso, enquanto esta seria de caráter universal pertencente ao sistema de conhecimento privilegiado de um grupo intelectual. Por este argumento, o Gnosticismo foi declarado uma categoria potencialmente falha. Portanto, não se sustenta nem mesmo na ciência.
O Gnosticismo moderno, a saber, do século XXI desenvolveu-se a partir do Ocultismo da Cabala Judaica, por meio de Eliphas Levy. No século XIX, destacaram-se William Blake, Arthur Schopenheuer, Albert Pike e Madame Blavatsky. Esta última fundou a Sociedade Teosófica em 1875, sendo que um dos seus alunos traduziu os textos gnósticos e herméticos. Isto tornou o Gnosticismo acessível às massas, passando de um conhecimento esotérico a um conhecimento exotérico. Também, a descoberta e a tradução da biblioteca Hag Hammadi teve forte impacto na disseminação do Gnosticismo nos séculos XX e XXI. 
O que ocorreu nestes últimos tempos foi que, o Cristianismo histórico e nominal enfraquecido por seus líderes sem experiência de novo nascimento e por argumentos gnósticos e pela competição da ciência. Desta forma acabou por incorporar a ideia de "livre arbítrio". Isto apenas demonstra o enfraquecimento da revelação das Escrituras e o acolhimento do conhecimento humanista na igreja como forma de sobrevivência. Desta maneira vão se cumprindo as profecias sobre o avanço do mal sobre a fé legítima e verdadeira para trazer o juízo de Cristo sobre o mundo. Tal avanço não é surpresa aos nascidos de Deus, pois ele é necessário para que se cumpram as Escrituras. O tolo religioso imagina que pode defender a honra de Deus, lutando contra o mal. Ora, Deus mesmo permite que certas coisas progridam para que a sua palavra se cumpra total e cabalmente. O que importa é o triunfo final do Grande Rei - Jesus, o Cristo - preordenado antes dos tempos eternos.
Ap. 2:24 - "Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei." Esta é uma advertência clara sobre a promiscuidade entre a Igreja Primitiva e o Gnosticismo nos primeiros séculos. Esta doutrina a que alude o texto são os ensinos introduzidos na Igreja pelos gnósticos. Segundo tal ensino era possível ao homem ascender espiritualmente sem a justificação por meio de Cristo. Na essência mostrava um falso caminho para o homem desenvolver o seu mundo espiritual interior sem a cruz e sem a regeneração por inclusão na morte de Cristo. Ou seja, voltava-se ao que Satanás inoculou em Adão no Éden: "... como Deus sereis..." Por esta razão é que o texto de Apocalipse se refere a este ensino gnóstico como sendo "profundezas de Satanás."
Sola Scriptura!

sábado, 20 de fevereiro de 2016

NOVO MANDAMENTO

Jo. 13: 34 e 35 - "Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros."
O verbete 'mandamento' traz diversas acepções. Nesta instância se deseja apenas o sentido geral e o sentido religioso. Em sentido amplo, mandamento é substantivo masculino que se define como a ação ou o efeito de mandar. É uma ordem dada por um agente com o múnus de comando. Em religião, mandamento é um preceito, ou um conjunto de preceitos, como por exemplo, os dez mandamentos dados a Moisés e ordenados ao povo hebreu desde a peregrinação no deserto e dali até hoje. 
O Cristianismo histórico e nominal vive uma dicotomia: cumprir os mandamentos e viver pela graça mediante a fé. O apóstolo Paulo afirma o seguinte, conforme Rm. 10: 1 a 10 - "Irmãos, o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus por Israel é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus. Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê. Porque Moisés escreve que o homem que pratica a justiça que vem da lei viverá por ela. Mas a justiça que vem da fé diz assim: não digas em teu coração: quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo;) ou: quem descerá ao abismo? (isto é, a fazer subir a Cristo dentre os mortos). Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que pregamos. Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação." Ora, a percepção espiritual de Paulo o fez ver que, embora os judeus tivessem recebido a lei e os oráculos, não conseguiram perceber que a justiça que provém da lei não lhes deu entendimento e justificação. O cumprimento de preceitos sobre preceitos têm serventia apenas para a vida prática em sociedade. Os praticantes do judaísmo não se aperceberam que Jesus veio para finalizar a lei moral e cerimonial. Os judeus pretendiam obter justificação apenas com base no cumprimento da lei moral e cerimonial. Paulo os leva a ver que é pela fé que Cristo desceu do céu e que subiu do abismo para derrotar o pecado e a morte e trazer a justiça eterna. É a fé nesta esplendente verdade revelada nas Escrituras que salva e não o cumprimento de preceitos. É pela fé na Palavra de Deus que se crê com o coração e que se confessa com a boca para justificação do pecado. Os preceitos legais serviam para evitar os atos pecaminosos e para trazer paz social e prosperidade econômica ao povo. Não se destinavam a anular a força do pecado que separa o homem de Deus, a saber, a incredulidade. A força que aniquila a natureza pecaminosa está na fé que Jesus, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus e que tem autoridade sobre o pecado e a morte.
Há profunda diferença entre declarar as Escrituras e confessá-la com os lábios a partir do que está internalizado no espírito pela regeneração. Declarar em palavras que crê até os demônios o fazem conforme Tg. 2:19 - "Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem." Neste sentido, os demônios são mais crentes que muitos religiosos. Eles creem e estremessem ao saber que a justiça de Deus virá contra eles ao fim de tudo. Declarar é apenas emitir um conjunto de sons articulados por meio do aparelho da fala. Confessar exige dizer a partir da fé e não do intelecto, das tradições, ou das repetições aprendidas no sistema religioso. Dizem o que todos dizem para serem aceitos e admirados. Confessar poderá ser desagradável e provocar reações inusitadas, pois a fé não é de todos.
Desta forma, quando Jesus afirma aos discípulos: "novo mandamento vos dou", não é o acréscimo de mais um mandamento. Muitos pensam que Cristo estaria aumentando os mandamentos da Velha Aliança. Todavia, o texto grego original diz 'kainen' [καινὴν], ou seja, é novo em qualidade, não em quantidade. É algo jamais experimentado, total e absolutamente novo. Tal natureza da novidade do mandamento é que seria uma experiência diferente dos preceitos cumpridos mecanicamente. Jesus fala de novo mandamento, a saber, de uma nova disposição espiritual e não na repetição caduca da lei. Todos os preceitos da Lei Moral agora estavam resumidos no novo mandamento conforme Rm. 9: 9 e 10 - "Com efeito: não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei." O que Jesus ensinou aos seus discípulos, e por consequência, a todos os regenerados no tempo e no espaço é que o amor espiritual deve habitar os cristãos a fim de manifestar a vida de Cristo neles. Cristo mesmo é o amor, sendo este amor eterno conforme I Co. 13:13 - "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor." Ele não tem porções mágicas de amor para distribuir aos seus discípulos. Ele mesmo é o amor, portanto, quem tem a vida de Cristo é portador d'Ele mesmo. Tudo passará, exceto o amor espiritual e eterno de Cristo.
Há no grego do novo testamento quatro palavras para o vocábulo amor: a) charis, ou seja, o amor caritativo; b) phileo, ou seja, o amor fraterno entre seres humanos; c) eros, a saber, o amor erótico ou atração sexual; d) agape, ou seja, o amor espiritual, perfeito, eterno e justo. Ora, tal amor não se confunde com o amor cortês praticado em sociedade. Nada tem a ver com atração hormonal e, muito menos com fazer o bem ao próximo. É algo muito acima de tudo isto. É o amor com justiça e justeza!
Jesus deixa clara a natureza do amor a que se referia: "... assim como eu vos amei..." Como Jesus amou? Entregando-se a si mesmo para o resgate dos pecadores conforme Jo. 15:13 - "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos." O amor é o próprio Cristo, na medida em que, ele se doou a si mesmo. Ele é a doação e o doador ao mesmo tempo. Cristo doou a própria vida pelos eleitos e a retomou ressurgindo dentre os mortos ao terceiro dia conforme Jo. 10: 17 e 18 - "Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai." Portanto, não se trata de concepções sobre o amor, mas do próprio amor personificado em Cristo. 
Solo Christus!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

BATISMO BÍBLICO x BATISMO RELIGIOSO III

Rm. 6: 3 a 7 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado."
O batismo não salva, porém é apropriado aos salvos, porque é uma ordenança de Cristo. O próprio Jesus, o Cristo se submeteu ao batismo para demonstrar o cumprimento da justiça de Deus contra o pecado conforme Mt. 3: 13 a 15 - "Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João o impedia, dizendo: eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Jesus, porém, lhe respondeu: consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu." O batismo não aniquila a natureza pecaminosa, mas é uma identidade daqueles que tiveram-na aniquilada pela inclusão na morte com Cristo, como também em sua ressurreição.
Há grandes disputas entre os religiosos sobre o modo de se batizar. Uns batizam por aspersão de água sobre a cabeça. Outros batizam por imersão em águas. Alguns acrescentam mais um elemento além da água, qual seja, o sal. Desta forma as religiões vão deturpando as Escrituras e criando teologia paralela à verdade. Também há divergência sobre se deve batizar crianças ou esperar que elas tenham discernimento para escolher uma religião para se ingressar. Finalmente, há aqueles que, ao mudar de uma religião para outra se batizam novamente por julgar que o batismo anterior não é válido. Desta forma vê-se que não há unidade sobre um ensino extremamente simples. O cerne de tais divergências e controvérsias é uma alma inconversa e possuidora de justiça própria.
Os rituais de abluções do Velho Testamento eram um sinal indicativo da morte e ressurreição de Jesus, o Cristo. O batismo de João, o batista era uma prévia do batismo no Espírito Santo e com fogo. João convocava o povo a que se arrependesse confessasse os seus pecados e se preparasse para a revelação do redentor Jesus, o Cristo. Após a morte e ressurreição de Jesus, o batismo passou a ser apenas um símbolo da identificação do regenerado na morte e na ressurreição d'Ele. Todos os textos neotestamentários mostram claramente que o batismo, enquanto ordenança, é por imersão em águas. A imersão em águas representa a morte e a emersão das águas representa a ressurreição. Como, pois, o batismo teria esta significação se é pelo pingar de umas gotinhas na cabeça do batizando? Não há qualquer registro nas Escrituras de batismo de crianças. Sendo o batismo uma identificação na morte e da ressurreição em Cristo, como poderia uma criança, que ainda não tem consciência do pecado, do arrependimento e da graça redentora se identificar com Ele em sua morte e ressurreição?
O texto de abertura desta instância mostra claramente o batismo genuinamente espiritual. Não é o batismo profético da Velha Aliança, muito menos o batismo simbólico da Nova Aliança. É o batismo que concretiza a fé na inclusão do pecador na morte de Cristo, como também a sua ressurreição juntamente com ele para a vida. O apóstolo Paulo afirma que "... todos quanto fomos batizados, fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte." Primeiramente, ressalta-se que o pecador regenerado foi batizado em Cristo Jesus e não em águas. A preposição 'em'  indica a inclusão do pecador na morte de Cristo. Trata-se de um ato de fé, porque o ato concreto foi realizado com valor pretérito e futuro. É para todo aquele que crê! Paulo aprofunda ainda mais o significado do batismo no Espírito Santo, quando afirma: "... sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida." Da mesma forma, a preposição 'com' indica a inclusão na morte de Cristo, como também o ressurgir em novidade de vida indica o ganho da vida de Cristo. Quando o pecador crê que foi incluído - sepultado - em Cristo na morte e com ele ressuscitou para a vida eterna, crê que passou da morte para a vida. O velho homem a que alude o texto é a velha natureza adâmica contaminada pela natureza pecaminosa. A crucificação da natureza adâmica se dá exatamente no último Adão que é Cristo conforme I Co. 15: 45 e 46 - "Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o animal; depois o espiritual." O primeiro Adão decaiu da Graça e ficou morto ou separado de Deus; o último Adão, morreu para destruir o pecado, incluindo os pecadores eleitos cujos nomes foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro antes dos tempos eternos. Por esta razão é que Jesus, o Cristo é o último Adão e também espírito vivificante. Nele, a saber, em Cristo a raça adâmica é destruída e por meio da sua ressurreição o regenerado ganha um novo espírito reconciliado com Deus por meio de Cristo. É este, pois, o sentido e o ensino do verdadeiro batismo nas Escrituras. Cada um consulte os textos e forme convicção e não crendices e religiões baratas.
Muitos religiosos falam em 'novo nascimento' em suas pregações, porém negam ou desconhecem a inclusão do pecador na morte de Cristo. Ora, como pode, pois, alguém nascer de novo se não morreu? Para eles, o novo nascimento é apenas uma mera reforma moral nos pecadores. Por meio da reforma moral nenhum homem alcança a salvação.
Sola Escritura!
Sola Gratia!
Sola Fides!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

BATISMO BÍBLICO x BATISMO RELIGIOSO II


Mc. 1: 2 a 8 - "Conforme está escrito no profeta Isaías: eis que envio ante a tua face o meu mensageiro, que há de preparar o teu caminho; voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; assim apareceu João, o batista, no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. E saíam a ter com ele toda a terra da Judeia, e todos os moradores de Jerusalém; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. E pregava, dizendo: após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de, inclinando-me, desatar a correia das alparcas. Eu vos batizei em água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo."
O batismo em águas era uma prática comum entre os judeus, na vigência do Velho Testamento, em função da Lei Cerimonial. Era um ritual de purificação que, por figura, indicava o futuro batismo espiritual em Cristo na Nova Aliança. Portanto, João, o batista apareceu batizando no rio Jordão como um pregoeiro do advento de Jesus, o Cristo como aquele que purificaria o pecador definitivamente. Sabe-se que a imersão em águas simboliza a morte com Cristo, enquanto a emersão das águas simboliza a ressurreição em Cristo. Tudo o que era praticado na Velha Aliança eram apenas sinais indicativos daquilo que se concretizaria na pessoa de Jesus, o Cristo na Nova Aliança. A palavra ablução foi translitera do hebraico para o grego do Novo Testamento como sendo 'katharismós'. Após a morte e a ressurreição de Jesus, o Cristo, passou a ser 'baptimós' com uma significação mais específica. O verbo batizar 'baptizô' em sua forma original traz o sentido de uma esponja imersa em água. Possui as seguintes acepções: lavar, purificar, imergir, banhar, tingir e cobrir. Obviamente, é necessário levar em conta o contexto em que tal verbo aparece para lhe conferir a significação adequada. Entretanto, sempre traz o sentido da morte e da ressurreição em Cristo. 
Na Velha Aliança, o batismo era com água, óleo, sangue e com o Espírito Santo. Os levitas eram purificados, para o exercício de suas funções no Templo, por meio de abluções com água. O óleo era utilizado apenas na consagração dos profetas e na unção de escolha de um novo rei de Israel. O sangue era usado na purificação de pecados, indicando a aliança entre o pecador regenerado e Deus por meio do sacrifício de animais. O batismo no Espírito Santo foi anunciado como promessa daquilo que seria realizado por Cristo quando este se manifestasse na Terra. Isto é comprovado em Ez. 36: 25 a 27 - "Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis." Este mesmo ensino veterotestamentário é achado em Isaías capítulo quarenta e quatro.
Na Nova Aliança, o batismo é possível com água, sangue, no Espírito Santo e com Fogo. Com água possui apenas valor simbólico, tendo sido ordenado por Cristo que, submeteu-se a ele conforme Mt. 3: 13 a 15 - "Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João o impedia, dizendo: eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Jesus, porém, lhe respondeu: consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu." Com sangue é indicado pelo próprio Jesus, o Cristo em Mc. 10: 38 e 39 - "Mas Jesus lhes disse: não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu bebo, e ser batizados no batismo em que eu sou batizado? E lhe responderam: podemos. Mas Jesus lhes disse: o cálice que eu bebo, haveis de bebê-lo, e no batismo em que eu sou batizado, haveis de ser batizados." Foi uma clara referência à sua morte e à inclusão do pecador nela. No Espírito Santo se cumpriu no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi enviado aos discípulos. Desta forma, aquilo que era simbolizado pelo óleo no Velho Testamento, era agora concretizado no envio do Espírito de Deus aos nascidos do alto. Finalmente, com o fogo é uma advertência sobre o juízo de Deus sobre todos aqueles que não estão inscritos no Livro da Vida do Cordeiro. Portanto, o ensino do batismo com fogo é para aqueles cujas obras são de palha e se queimarão em fogo eterno. Este batismo torna concreto o batismo com cinzas do Antigo Testamento. O fogo, em termos bíblicos, sempre está associado à destruição e juízo eterno. Muitos religiosos fazem apologia ao fogo como sendo manifestação do poder de Deus como bênção, mas estão totalmente equivocados.
No Novo Testamento, o batismo recebe diversos paralelismos em sua significação e aplicação. Com a circuncisão em Cl. 2: 11 e 12 - "... no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos." Também há um paralelo com a Arca de Noé conforme I Pd. 3: 20 e 21 - "... os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água, que também agora, por uma verdadeira figura-o batismo, vos salva, o qual não é o despojamento da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo..." Ainda outro paralelo se faz com a nuvem e o mar da travessia dos hebreus do Egito à Canaã conforme I Co. 10: 1 e 2 - "Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés..." Vê-se, neste caso, que Moisés era um tipo de Cristo e o batismo uma figura de bens futuros.
Há grande celeuma entre os diferentes cultos que se auto-intitulam cristãos sobre a forma e a eficácia do batismo. Todavia, poucos se aprofundam no texto bíblico para, nele, encontrar revelação espiritual. O resultado dessa superficialidade é a multiplicação de dogmas, preceitos, regra sobre regra que de nada adiantam ao pecador.
Sola Gratia!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

BATISMO BÍBLICO x BATISMO RELIGIOSO I

Mt. 3: 5 a 17 - "Então iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judeia, e de toda a circunvizinhança do Jordão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não queirais dizer dentro de vós mesmos: temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. E já está posto o machado á raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. Eu, na verdade, vos batizo em água, na base do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo. A sua pá ele tem na mão, e limpará bem a sua eira; recolherá o seu trigo ao celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível. Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João o impedia, dizendo: eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Jesus, porém, lhe respondeu: consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu. Batizado que foi Jesus, saiu logo da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito Santo de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele; e eis que uma voz dos céus dizia: este é o meu Filho amado, em quem me comprazo."
Batismo é, em princípio, um ritual de passagem em diversas culturas, podendo ter ou não conotação religiosa. Por exemplo, quando um aprendiz de capoeira atinge um determinado nível, o mesmo é batizado como forma de ascensão a níveis mais elevados. 
O substantivo batismo provém do grego neotestamentário 'baptismós' [βαπτισμός] que, por sua vez, provém do verbo 'baptizô' [βαπτίζω]. Este verbo possui os seguintes significados: batizar, imergir, banhar, lavar, derramar, tingir ou cobrir. A prática do batismo no novo testamento foi transferida da tradição judaica proveniente do ritual de abluções, uma espécie de purificação por água usada na lei cerimonial do judaísmo conforme Hb. 6:2 - "... e o ensino sobre batismos e imposição de mãos, e sobre ressurreição de mortos e juízo eterno." Também o mesmo sentido é visto em Hb. 9:10 - "... sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma." A palavra no grego neotestamentário para 'ablução' é 'katharismós' [καθαρισμός]. É neste sentido que foi igualmente utilizada em Jo. 3: 25 e 26 - "Surgiu então uma contenda entre os discípulos de João e um judeu acerca da purificação. E foram ter com João e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, eis que está batizando, e todos vão ter com ele." Desta forma o batismo cristão deriva das abluções judaicas que eram rituais de purificação por água. A água, no sentido bíblico, quase sempre possui é a simbologia da Palavra de Deus. 
O batismo praticado por João, o batista era apenas para simbolizar arrependimento e preparação para o verdadeiro batismo que viria com Cristo. Isto fica evidente nas suas próprias palavras conforme Mt. 3:11 - "Eu, na verdade, vos batizo em água, na base do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo."
Quanto à natureza, o batismo pode ser de duas categorias: a) ordenança simbólica da morte e ressurreição com Cristo e, b) experiência espiritual de nascimento do alto. No primeiro caso, o batismo por imersão em água significa a morte e a ressurreição do pecador, na morte e ressurreição com Cristo. Quanto o oficiente toma o batizando e o imerge nas águas simboliza a sua morte com Cristo; quando o traz de volta para fora das águas significa a sua ressurreição em Cristo. Desta forma quando o pecador é imerso é ele em Cristo, quando emerge é Cristo nele. No segundo caso, o batismo possui dimensão espiritual e não mais simbólica. É este o ensino que João, o batista fala no texto de Mateus, capítulo três, verseto onze: "...ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo." Agora o batismo significa uma imersão na nova natureza regenerada e assistida pelo Espírito Santo. O fogo, neste caso, é o juízo de Deus sobre o que é palha, ou seja, as obras da carne. 
Algumas religiões dogmatizam o batismo como um sacramento, ou seja, um juramento do batizando, o qual promete se unir àquela determinada religião. Para algumas destas religiões que apresentam o batismo como sacramento, o mesmo é, inclusive, essencial à salvação. Todavia, não há qualquer fundamento bíblico para tal apologética. Cita-se, inclusive, o caso de um dos malfeitores crucificado ao lado de Jesus, o Cristo que se arrependeu e recebeu fé para crer, porém não foi batizado. Jesus, o Cristo disse ao malfeitor: "ainda hoje estarás comigo no paraíso." Não se lhe exigiu qualquer ritual, muito menos, o do batismo. Entretanto, quando o religioso quer justificar seus dogmas ele sempre acha uma forma, mesmo torcendo, retorcendo e contorcendo toda Escritura. Um determinado grupo religioso moderno afirma que, sendo Jesus o testador, poderia alterar o testamento em vida. Portanto, justificam com argumento forense, o dogma do batismo como sendo essencial à salvação. Consequentemente, atribuem uma decisão judicial de Jesus, com base no direito romano, para salvar aquele malfeitor convertido sem o batismo. Isto não passa de malabarismo humano para justificar o injustificável.
Sola Scriptura!