terça-feira, 1 de março de 2016

LIVRE ARBÍTRIO x SERVO ARBÍTRIO II

Jo. 8: 31 a 36 - "Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: sereis livres? Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
No estudo anterior foram levantadas, ainda que superficialmente, algumas questões sobre as origens e a natureza da doutrina do "livre arbítrio." Isto se faz necessário, porque muitas pessoas recebem os ensinos sem questioná-los e, principalmente, sem criticá-los à luz do juízo das Escrituras. Ora, pela própria proposta contida nesta doutrina, vê-se que a tal não se sustenta por suas próprias premissas básicas. Como pode algo ou alguém ser absolutamente livre se possui inumeráveis dependências psíquicas, fisiológicas, genéticas, financeiras, parentais? Para que algo ou alguém seja livre, o tal deve bastar-se a si mesmo, ou seja, não pode ter absolutamente nenhuma causa determinante e necessária atuando sobre si. Terá de ser sem início e sem fim. Não poderá ser refém do tempo e do espaço. Não pode ser detido ou limitado por nada e ninguém. Portanto, não há nada e ninguém livre nos termos propostos por este ensino. Não sendo total e absolutamente livre, também não pode arbitrar sobre nada com isenção e perfeito juízo. 
Muitos religiosos de diferentes crenças acreditam que são livres para fazer escolhas. Acreditam ainda que tais escolhas determinam sua vida diária e o seu futuro, inclusive, o espiritual. Confundem, os tais religiosos, escolhas naturais e mecânicas, as quais foram programadas para que possam existir relativamente ao mundo e as coisas. Portanto, escolher comer, beber, defecar, fazer sexo, vestir esta ou aquela roupa, ir a este ou aquele lugar são escolhas naturais impostas pelas circunstâncias existenciais. Não são escolhas livres, pois são determinadas pelas necessidades e algo que é necessário está determinado e não é livre. Escolhas morais, por exemplo, são determinadas por fatores culturais, religiosos, legais e recaem no campo dos usos e costumes. Algo que era altamente condenável na Idade Média, hoje  não o é mais e vice-versa. O homem é um ser moral, porém o que deixam de considerar é que até mesmo a moralidade está circunvalada por diversas necessidades determinadas pelas circunstâncias dominantes em dado momento histórico, psicológico e legal.
Outro aspecto relevante na questão das escolhas é que elas estão subordinadas a uma natureza dada no homem. Tal natureza está absolutamente contaminada pela natureza pecaminosa, portanto, não é livre e qualquer juízo advindo dela está igualmente contaminado pelo relativismo procedente da corrupção.
O texto de abertura é parte de um diálogo maior entre Jesus, o Cristo e a liderança religiosa de Israel daquele tempo. Jesus sentencia aos judeus que, se permanecessem em sua palavra, a saber, no seu ensino, doutrina ou evangelho seriam seus discípulos e seriam livres. A reação dos interlocutores que, exteriormente haviam declarado crer no Cristo, foi avassaladora e contraditória. De fato, não criam em Jesus, o Cristo, porque responderam à sua assertiva com a alegação de que nunca foram escravos e que tinham uma linhagem étnica pura da casa do patriarca Abraão. A natureza pecaminosa é tão determinante do estado de dependência e relativização que, os judeus apelaram para origem étnica e negaram sua própria história pregressa. Ora, foram escravos no Egito por 400 anos, na Babilônia por 70 anos, na Assíria por mais 40 anos e, finalmente, sofreram a última grande diáspora do ano 70 d.C. até o ano de 1948. Portanto, a cegueira espiritual deturpa a cegueira moral, levando o homem a não ver-se a si mesmo como dependente de circunstâncias. À época do referido diálogo, os judeus se achavam dominados pelo Império Romano em uma forma mais branda de escravidão. Logo, não eram livres, nem politica, nem espiritualmente.
Bem, Jesus, o Cristo diante da reação dos judeus religiosos não teve alternativa, a não ser conduzi-los à uma dimensão maior: a escravidão espiritual.  O Cristo os relembrou que, qualquer que comete pecado é escravo do pecado. Portanto, não é livre como sua presunção e arrogância supõe. O pecado a que alude o Cristo é a naturezas pecaminosa, além, obviamente, dos atos pecaminosos cometidos por atos e intenções. Muitos religiosos não têm revelação para discernir tais diferenças. Esta é uma falha do sistema religioso que, não conhecendo a verdade vende meias verdades nos púlpitos das igrejas. O pecado que separa e escraviza o homem ao domínio das trevas é a incredulidade, estando isto definido por Jesus, o Cristo em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Foi exatamente isto que determinou o pecado original aos pais ancestrais no Éden: descreram na Palavra de Deus e deram crédito à palavra de Satanás. Esta foi a razão da queda e decadência cujas consequências se estenderam a toda humanidade conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
A libertação plena e absoluta é aquela obtida na cruz por fé que o pecador foi incluído na morte de Cristo, bem como na sua consequente ressurreição. Por este método determinado por Deus antes dos tempos eternos é que se dá a perfeita liberdade. Jesus, o Cristo é o método divino concretizado e executado conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Portanto, não há outro caminho fora de Cristo. A própria palavra caminho significa método. Jesus, o Cristo é o método de Deus para libertar totalmente o homem da sua escravidão espiritual. 
Desta forma, nem o homem é livre, e, muito menos, pode arbitrar sendo escravo de sua própria natureza decaída. 
Sola Gratia!

domingo, 28 de fevereiro de 2016

LIVRE ARBÍTRIO x SERVO ARBÍTRIO I

Jo. 8: 31 a 36 - "Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: sereis livres? Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
"Livre arbítrio" ou "livre alvedrio' é um conceito originado na doutrina gnóstica. É um dos fundamentos do humanismo o qual ganhou força com o advento da Renascença. Por "livre arbítrio" se entende a capacidade do homem de decidir pela própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante. Na verdade, o ensino do "livre arbítrio" é muito convincente e tentador, porque dá ao homem a falsa capacidade de agir à revelia de Deus. Esta inclinação foi produzida pela natureza decaída no pecado original. Isto foi inoculado da seguinte forma Gn. 3:5 - "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Ora, a sugestão de Satanás é que, uma vez desobedecendo e praticando aquilo que lhe havia sido vedado, passaria a ser semelhante a Deus, discernindo o que é o bem e o que é o mal por conta própria. Obrigatoriamente, implica em que o homem abandonaria a dependência do juízo de Deus para estabelecer o seu próprio juízo. Introduziu-se a ideia de uma falsa autonomia ao homem. Falsa, porque, ninguém é auto-suficiente para escolher sem uma causa ou fator determinante da escolha. O único ser em todo o Universo capaz de agir sem qualquer causa determinante é Deus.
As doutrinas espiritistas e gnósticas adotaram o "livre arbítrio" como o principal ensino, porque necessitam dela para justificar as demais doutrinas. Sem a liberdade de escolhas morais, a reencarnação e a evolução não se sustentariam. Igualmente, sem o "livre arbítrio", o Gnosticismo não se afirmaria como uma doutrina místico-filosófico-religiosa. A crença na gnose, ou seja, no conhecimento próprio e inerente ao homem deu origem à capacidade de decidir, escolher e desejar sem a necessidade de Deus ou qualquer outro condicionante externo ao homem. Com o advento do Cristianismo, o Gnosticismo se aproximou e se misturou ao ensino cristão como um movimento sincrético e esotérico. Tentou dar ao Cristianismo nascente um viés filosófico e humanista. Penetrou nos círculos cristãos como um movimento místico e transcendente acerca das verdades divinas, no tocante à condição espiritual do homem. Muitos foram os cristãos que se enveredaram por este caminho, dando origem a diversas heresias as quais trouxeram grandes prejuízos ao mundo cristão dos primeiros séculos. Algumas serão retratadas em outro estudo mais adiante.
Gnosticismo provém do grego 'gnostikismós' [Γνωστικισμóς] que, por sua vez, provém de 'gnosis' [Γνωσις] que significa conhecimento. Na Conferência de Messina, na Itália, em 1966, o Gnosticismo foi considerado: "... um determinado grupo de sistemas do segundo século depois de Cristo." Enquanto o termo Gnose foi definido como: "... o conhecimento dos mistérios divinos para uma elite." Desta forma, decidiu-se ali que Gnosticismo é algo diferente de Gnose. Aquele seria apenas de caráter místico-religioso, enquanto esta seria de caráter universal pertencente ao sistema de conhecimento privilegiado de um grupo intelectual. Por este argumento, o Gnosticismo foi declarado uma categoria potencialmente falha. Portanto, não se sustenta nem mesmo na ciência.
O Gnosticismo moderno, a saber, do século XXI desenvolveu-se a partir do Ocultismo da Cabala Judaica, por meio de Eliphas Levy. No século XIX, destacaram-se William Blake, Arthur Schopenheuer, Albert Pike e Madame Blavatsky. Esta última fundou a Sociedade Teosófica em 1875, sendo que um dos seus alunos traduziu os textos gnósticos e herméticos. Isto tornou o Gnosticismo acessível às massas, passando de um conhecimento esotérico a um conhecimento exotérico. Também, a descoberta e a tradução da biblioteca Hag Hammadi teve forte impacto na disseminação do Gnosticismo nos séculos XX e XXI. 
O que ocorreu nestes últimos tempos foi que, o Cristianismo histórico e nominal enfraquecido por seus líderes sem experiência de novo nascimento e por argumentos gnósticos e pela competição da ciência. Desta forma acabou por incorporar a ideia de "livre arbítrio". Isto apenas demonstra o enfraquecimento da revelação das Escrituras e o acolhimento do conhecimento humanista na igreja como forma de sobrevivência. Desta maneira vão se cumprindo as profecias sobre o avanço do mal sobre a fé legítima e verdadeira para trazer o juízo de Cristo sobre o mundo. Tal avanço não é surpresa aos nascidos de Deus, pois ele é necessário para que se cumpram as Escrituras. O tolo religioso imagina que pode defender a honra de Deus, lutando contra o mal. Ora, Deus mesmo permite que certas coisas progridam para que a sua palavra se cumpra total e cabalmente. O que importa é o triunfo final do Grande Rei - Jesus, o Cristo - preordenado antes dos tempos eternos.
Ap. 2:24 - "Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei." Esta é uma advertência clara sobre a promiscuidade entre a Igreja Primitiva e o Gnosticismo nos primeiros séculos. Esta doutrina a que alude o texto são os ensinos introduzidos na Igreja pelos gnósticos. Segundo tal ensino era possível ao homem ascender espiritualmente sem a justificação por meio de Cristo. Na essência mostrava um falso caminho para o homem desenvolver o seu mundo espiritual interior sem a cruz e sem a regeneração por inclusão na morte de Cristo. Ou seja, voltava-se ao que Satanás inoculou em Adão no Éden: "... como Deus sereis..." Por esta razão é que o texto de Apocalipse se refere a este ensino gnóstico como sendo "profundezas de Satanás."
Sola Scriptura!

sábado, 20 de fevereiro de 2016

NOVO MANDAMENTO

Jo. 13: 34 e 35 - "Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros."
O verbete 'mandamento' traz diversas acepções. Nesta instância se deseja apenas o sentido geral e o sentido religioso. Em sentido amplo, mandamento é substantivo masculino que se define como a ação ou o efeito de mandar. É uma ordem dada por um agente com o múnus de comando. Em religião, mandamento é um preceito, ou um conjunto de preceitos, como por exemplo, os dez mandamentos dados a Moisés e ordenados ao povo hebreu desde a peregrinação no deserto e dali até hoje. 
O Cristianismo histórico e nominal vive uma dicotomia: cumprir os mandamentos e viver pela graça mediante a fé. O apóstolo Paulo afirma o seguinte, conforme Rm. 10: 1 a 10 - "Irmãos, o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus por Israel é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus. Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê. Porque Moisés escreve que o homem que pratica a justiça que vem da lei viverá por ela. Mas a justiça que vem da fé diz assim: não digas em teu coração: quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo;) ou: quem descerá ao abismo? (isto é, a fazer subir a Cristo dentre os mortos). Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que pregamos. Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação." Ora, a percepção espiritual de Paulo o fez ver que, embora os judeus tivessem recebido a lei e os oráculos, não conseguiram perceber que a justiça que provém da lei não lhes deu entendimento e justificação. O cumprimento de preceitos sobre preceitos têm serventia apenas para a vida prática em sociedade. Os praticantes do judaísmo não se aperceberam que Jesus veio para finalizar a lei moral e cerimonial. Os judeus pretendiam obter justificação apenas com base no cumprimento da lei moral e cerimonial. Paulo os leva a ver que é pela fé que Cristo desceu do céu e que subiu do abismo para derrotar o pecado e a morte e trazer a justiça eterna. É a fé nesta esplendente verdade revelada nas Escrituras que salva e não o cumprimento de preceitos. É pela fé na Palavra de Deus que se crê com o coração e que se confessa com a boca para justificação do pecado. Os preceitos legais serviam para evitar os atos pecaminosos e para trazer paz social e prosperidade econômica ao povo. Não se destinavam a anular a força do pecado que separa o homem de Deus, a saber, a incredulidade. A força que aniquila a natureza pecaminosa está na fé que Jesus, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus e que tem autoridade sobre o pecado e a morte.
Há profunda diferença entre declarar as Escrituras e confessá-la com os lábios a partir do que está internalizado no espírito pela regeneração. Declarar em palavras que crê até os demônios o fazem conforme Tg. 2:19 - "Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem." Neste sentido, os demônios são mais crentes que muitos religiosos. Eles creem e estremessem ao saber que a justiça de Deus virá contra eles ao fim de tudo. Declarar é apenas emitir um conjunto de sons articulados por meio do aparelho da fala. Confessar exige dizer a partir da fé e não do intelecto, das tradições, ou das repetições aprendidas no sistema religioso. Dizem o que todos dizem para serem aceitos e admirados. Confessar poderá ser desagradável e provocar reações inusitadas, pois a fé não é de todos.
Desta forma, quando Jesus afirma aos discípulos: "novo mandamento vos dou", não é o acréscimo de mais um mandamento. Muitos pensam que Cristo estaria aumentando os mandamentos da Velha Aliança. Todavia, o texto grego original diz 'kainen' [καινὴν], ou seja, é novo em qualidade, não em quantidade. É algo jamais experimentado, total e absolutamente novo. Tal natureza da novidade do mandamento é que seria uma experiência diferente dos preceitos cumpridos mecanicamente. Jesus fala de novo mandamento, a saber, de uma nova disposição espiritual e não na repetição caduca da lei. Todos os preceitos da Lei Moral agora estavam resumidos no novo mandamento conforme Rm. 9: 9 e 10 - "Com efeito: não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei." O que Jesus ensinou aos seus discípulos, e por consequência, a todos os regenerados no tempo e no espaço é que o amor espiritual deve habitar os cristãos a fim de manifestar a vida de Cristo neles. Cristo mesmo é o amor, sendo este amor eterno conforme I Co. 13:13 - "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor." Ele não tem porções mágicas de amor para distribuir aos seus discípulos. Ele mesmo é o amor, portanto, quem tem a vida de Cristo é portador d'Ele mesmo. Tudo passará, exceto o amor espiritual e eterno de Cristo.
Há no grego do novo testamento quatro palavras para o vocábulo amor: a) charis, ou seja, o amor caritativo; b) phileo, ou seja, o amor fraterno entre seres humanos; c) eros, a saber, o amor erótico ou atração sexual; d) agape, ou seja, o amor espiritual, perfeito, eterno e justo. Ora, tal amor não se confunde com o amor cortês praticado em sociedade. Nada tem a ver com atração hormonal e, muito menos com fazer o bem ao próximo. É algo muito acima de tudo isto. É o amor com justiça e justeza!
Jesus deixa clara a natureza do amor a que se referia: "... assim como eu vos amei..." Como Jesus amou? Entregando-se a si mesmo para o resgate dos pecadores conforme Jo. 15:13 - "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos." O amor é o próprio Cristo, na medida em que, ele se doou a si mesmo. Ele é a doação e o doador ao mesmo tempo. Cristo doou a própria vida pelos eleitos e a retomou ressurgindo dentre os mortos ao terceiro dia conforme Jo. 10: 17 e 18 - "Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai." Portanto, não se trata de concepções sobre o amor, mas do próprio amor personificado em Cristo. 
Solo Christus!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

BATISMO BÍBLICO x BATISMO RELIGIOSO III

Rm. 6: 3 a 7 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado."
O batismo não salva, porém é apropriado aos salvos, porque é uma ordenança de Cristo. O próprio Jesus, o Cristo se submeteu ao batismo para demonstrar o cumprimento da justiça de Deus contra o pecado conforme Mt. 3: 13 a 15 - "Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João o impedia, dizendo: eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Jesus, porém, lhe respondeu: consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu." O batismo não aniquila a natureza pecaminosa, mas é uma identidade daqueles que tiveram-na aniquilada pela inclusão na morte com Cristo, como também em sua ressurreição.
Há grandes disputas entre os religiosos sobre o modo de se batizar. Uns batizam por aspersão de água sobre a cabeça. Outros batizam por imersão em águas. Alguns acrescentam mais um elemento além da água, qual seja, o sal. Desta forma as religiões vão deturpando as Escrituras e criando teologia paralela à verdade. Também há divergência sobre se deve batizar crianças ou esperar que elas tenham discernimento para escolher uma religião para se ingressar. Finalmente, há aqueles que, ao mudar de uma religião para outra se batizam novamente por julgar que o batismo anterior não é válido. Desta forma vê-se que não há unidade sobre um ensino extremamente simples. O cerne de tais divergências e controvérsias é uma alma inconversa e possuidora de justiça própria.
Os rituais de abluções do Velho Testamento eram um sinal indicativo da morte e ressurreição de Jesus, o Cristo. O batismo de João, o batista era uma prévia do batismo no Espírito Santo e com fogo. João convocava o povo a que se arrependesse confessasse os seus pecados e se preparasse para a revelação do redentor Jesus, o Cristo. Após a morte e ressurreição de Jesus, o batismo passou a ser apenas um símbolo da identificação do regenerado na morte e na ressurreição d'Ele. Todos os textos neotestamentários mostram claramente que o batismo, enquanto ordenança, é por imersão em águas. A imersão em águas representa a morte e a emersão das águas representa a ressurreição. Como, pois, o batismo teria esta significação se é pelo pingar de umas gotinhas na cabeça do batizando? Não há qualquer registro nas Escrituras de batismo de crianças. Sendo o batismo uma identificação na morte e da ressurreição em Cristo, como poderia uma criança, que ainda não tem consciência do pecado, do arrependimento e da graça redentora se identificar com Ele em sua morte e ressurreição?
O texto de abertura desta instância mostra claramente o batismo genuinamente espiritual. Não é o batismo profético da Velha Aliança, muito menos o batismo simbólico da Nova Aliança. É o batismo que concretiza a fé na inclusão do pecador na morte de Cristo, como também a sua ressurreição juntamente com ele para a vida. O apóstolo Paulo afirma que "... todos quanto fomos batizados, fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte." Primeiramente, ressalta-se que o pecador regenerado foi batizado em Cristo Jesus e não em águas. A preposição 'em'  indica a inclusão do pecador na morte de Cristo. Trata-se de um ato de fé, porque o ato concreto foi realizado com valor pretérito e futuro. É para todo aquele que crê! Paulo aprofunda ainda mais o significado do batismo no Espírito Santo, quando afirma: "... sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida." Da mesma forma, a preposição 'com' indica a inclusão na morte de Cristo, como também o ressurgir em novidade de vida indica o ganho da vida de Cristo. Quando o pecador crê que foi incluído - sepultado - em Cristo na morte e com ele ressuscitou para a vida eterna, crê que passou da morte para a vida. O velho homem a que alude o texto é a velha natureza adâmica contaminada pela natureza pecaminosa. A crucificação da natureza adâmica se dá exatamente no último Adão que é Cristo conforme I Co. 15: 45 e 46 - "Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o animal; depois o espiritual." O primeiro Adão decaiu da Graça e ficou morto ou separado de Deus; o último Adão, morreu para destruir o pecado, incluindo os pecadores eleitos cujos nomes foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro antes dos tempos eternos. Por esta razão é que Jesus, o Cristo é o último Adão e também espírito vivificante. Nele, a saber, em Cristo a raça adâmica é destruída e por meio da sua ressurreição o regenerado ganha um novo espírito reconciliado com Deus por meio de Cristo. É este, pois, o sentido e o ensino do verdadeiro batismo nas Escrituras. Cada um consulte os textos e forme convicção e não crendices e religiões baratas.
Muitos religiosos falam em 'novo nascimento' em suas pregações, porém negam ou desconhecem a inclusão do pecador na morte de Cristo. Ora, como pode, pois, alguém nascer de novo se não morreu? Para eles, o novo nascimento é apenas uma mera reforma moral nos pecadores. Por meio da reforma moral nenhum homem alcança a salvação.
Sola Escritura!
Sola Gratia!
Sola Fides!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

BATISMO BÍBLICO x BATISMO RELIGIOSO II


Mc. 1: 2 a 8 - "Conforme está escrito no profeta Isaías: eis que envio ante a tua face o meu mensageiro, que há de preparar o teu caminho; voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; assim apareceu João, o batista, no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. E saíam a ter com ele toda a terra da Judeia, e todos os moradores de Jerusalém; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. E pregava, dizendo: após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de, inclinando-me, desatar a correia das alparcas. Eu vos batizei em água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo."
O batismo em águas era uma prática comum entre os judeus, na vigência do Velho Testamento, em função da Lei Cerimonial. Era um ritual de purificação que, por figura, indicava o futuro batismo espiritual em Cristo na Nova Aliança. Portanto, João, o batista apareceu batizando no rio Jordão como um pregoeiro do advento de Jesus, o Cristo como aquele que purificaria o pecador definitivamente. Sabe-se que a imersão em águas simboliza a morte com Cristo, enquanto a emersão das águas simboliza a ressurreição em Cristo. Tudo o que era praticado na Velha Aliança eram apenas sinais indicativos daquilo que se concretizaria na pessoa de Jesus, o Cristo na Nova Aliança. A palavra ablução foi translitera do hebraico para o grego do Novo Testamento como sendo 'katharismós'. Após a morte e a ressurreição de Jesus, o Cristo, passou a ser 'baptimós' com uma significação mais específica. O verbo batizar 'baptizô' em sua forma original traz o sentido de uma esponja imersa em água. Possui as seguintes acepções: lavar, purificar, imergir, banhar, tingir e cobrir. Obviamente, é necessário levar em conta o contexto em que tal verbo aparece para lhe conferir a significação adequada. Entretanto, sempre traz o sentido da morte e da ressurreição em Cristo. 
Na Velha Aliança, o batismo era com água, óleo, sangue e com o Espírito Santo. Os levitas eram purificados, para o exercício de suas funções no Templo, por meio de abluções com água. O óleo era utilizado apenas na consagração dos profetas e na unção de escolha de um novo rei de Israel. O sangue era usado na purificação de pecados, indicando a aliança entre o pecador regenerado e Deus por meio do sacrifício de animais. O batismo no Espírito Santo foi anunciado como promessa daquilo que seria realizado por Cristo quando este se manifestasse na Terra. Isto é comprovado em Ez. 36: 25 a 27 - "Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis." Este mesmo ensino veterotestamentário é achado em Isaías capítulo quarenta e quatro.
Na Nova Aliança, o batismo é possível com água, sangue, no Espírito Santo e com Fogo. Com água possui apenas valor simbólico, tendo sido ordenado por Cristo que, submeteu-se a ele conforme Mt. 3: 13 a 15 - "Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João o impedia, dizendo: eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Jesus, porém, lhe respondeu: consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu." Com sangue é indicado pelo próprio Jesus, o Cristo em Mc. 10: 38 e 39 - "Mas Jesus lhes disse: não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu bebo, e ser batizados no batismo em que eu sou batizado? E lhe responderam: podemos. Mas Jesus lhes disse: o cálice que eu bebo, haveis de bebê-lo, e no batismo em que eu sou batizado, haveis de ser batizados." Foi uma clara referência à sua morte e à inclusão do pecador nela. No Espírito Santo se cumpriu no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi enviado aos discípulos. Desta forma, aquilo que era simbolizado pelo óleo no Velho Testamento, era agora concretizado no envio do Espírito de Deus aos nascidos do alto. Finalmente, com o fogo é uma advertência sobre o juízo de Deus sobre todos aqueles que não estão inscritos no Livro da Vida do Cordeiro. Portanto, o ensino do batismo com fogo é para aqueles cujas obras são de palha e se queimarão em fogo eterno. Este batismo torna concreto o batismo com cinzas do Antigo Testamento. O fogo, em termos bíblicos, sempre está associado à destruição e juízo eterno. Muitos religiosos fazem apologia ao fogo como sendo manifestação do poder de Deus como bênção, mas estão totalmente equivocados.
No Novo Testamento, o batismo recebe diversos paralelismos em sua significação e aplicação. Com a circuncisão em Cl. 2: 11 e 12 - "... no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos." Também há um paralelo com a Arca de Noé conforme I Pd. 3: 20 e 21 - "... os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água, que também agora, por uma verdadeira figura-o batismo, vos salva, o qual não é o despojamento da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo..." Ainda outro paralelo se faz com a nuvem e o mar da travessia dos hebreus do Egito à Canaã conforme I Co. 10: 1 e 2 - "Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés..." Vê-se, neste caso, que Moisés era um tipo de Cristo e o batismo uma figura de bens futuros.
Há grande celeuma entre os diferentes cultos que se auto-intitulam cristãos sobre a forma e a eficácia do batismo. Todavia, poucos se aprofundam no texto bíblico para, nele, encontrar revelação espiritual. O resultado dessa superficialidade é a multiplicação de dogmas, preceitos, regra sobre regra que de nada adiantam ao pecador.
Sola Gratia!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

BATISMO BÍBLICO x BATISMO RELIGIOSO I

Mt. 3: 5 a 17 - "Então iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judeia, e de toda a circunvizinhança do Jordão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não queirais dizer dentro de vós mesmos: temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. E já está posto o machado á raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. Eu, na verdade, vos batizo em água, na base do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo. A sua pá ele tem na mão, e limpará bem a sua eira; recolherá o seu trigo ao celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível. Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João o impedia, dizendo: eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Jesus, porém, lhe respondeu: consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu. Batizado que foi Jesus, saiu logo da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito Santo de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele; e eis que uma voz dos céus dizia: este é o meu Filho amado, em quem me comprazo."
Batismo é, em princípio, um ritual de passagem em diversas culturas, podendo ter ou não conotação religiosa. Por exemplo, quando um aprendiz de capoeira atinge um determinado nível, o mesmo é batizado como forma de ascensão a níveis mais elevados. 
O substantivo batismo provém do grego neotestamentário 'baptismós' [βαπτισμός] que, por sua vez, provém do verbo 'baptizô' [βαπτίζω]. Este verbo possui os seguintes significados: batizar, imergir, banhar, lavar, derramar, tingir ou cobrir. A prática do batismo no novo testamento foi transferida da tradição judaica proveniente do ritual de abluções, uma espécie de purificação por água usada na lei cerimonial do judaísmo conforme Hb. 6:2 - "... e o ensino sobre batismos e imposição de mãos, e sobre ressurreição de mortos e juízo eterno." Também o mesmo sentido é visto em Hb. 9:10 - "... sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma." A palavra no grego neotestamentário para 'ablução' é 'katharismós' [καθαρισμός]. É neste sentido que foi igualmente utilizada em Jo. 3: 25 e 26 - "Surgiu então uma contenda entre os discípulos de João e um judeu acerca da purificação. E foram ter com João e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, eis que está batizando, e todos vão ter com ele." Desta forma o batismo cristão deriva das abluções judaicas que eram rituais de purificação por água. A água, no sentido bíblico, quase sempre possui é a simbologia da Palavra de Deus. 
O batismo praticado por João, o batista era apenas para simbolizar arrependimento e preparação para o verdadeiro batismo que viria com Cristo. Isto fica evidente nas suas próprias palavras conforme Mt. 3:11 - "Eu, na verdade, vos batizo em água, na base do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo."
Quanto à natureza, o batismo pode ser de duas categorias: a) ordenança simbólica da morte e ressurreição com Cristo e, b) experiência espiritual de nascimento do alto. No primeiro caso, o batismo por imersão em água significa a morte e a ressurreição do pecador, na morte e ressurreição com Cristo. Quanto o oficiente toma o batizando e o imerge nas águas simboliza a sua morte com Cristo; quando o traz de volta para fora das águas significa a sua ressurreição em Cristo. Desta forma quando o pecador é imerso é ele em Cristo, quando emerge é Cristo nele. No segundo caso, o batismo possui dimensão espiritual e não mais simbólica. É este o ensino que João, o batista fala no texto de Mateus, capítulo três, verseto onze: "...ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo." Agora o batismo significa uma imersão na nova natureza regenerada e assistida pelo Espírito Santo. O fogo, neste caso, é o juízo de Deus sobre o que é palha, ou seja, as obras da carne. 
Algumas religiões dogmatizam o batismo como um sacramento, ou seja, um juramento do batizando, o qual promete se unir àquela determinada religião. Para algumas destas religiões que apresentam o batismo como sacramento, o mesmo é, inclusive, essencial à salvação. Todavia, não há qualquer fundamento bíblico para tal apologética. Cita-se, inclusive, o caso de um dos malfeitores crucificado ao lado de Jesus, o Cristo que se arrependeu e recebeu fé para crer, porém não foi batizado. Jesus, o Cristo disse ao malfeitor: "ainda hoje estarás comigo no paraíso." Não se lhe exigiu qualquer ritual, muito menos, o do batismo. Entretanto, quando o religioso quer justificar seus dogmas ele sempre acha uma forma, mesmo torcendo, retorcendo e contorcendo toda Escritura. Um determinado grupo religioso moderno afirma que, sendo Jesus o testador, poderia alterar o testamento em vida. Portanto, justificam com argumento forense, o dogma do batismo como sendo essencial à salvação. Consequentemente, atribuem uma decisão judicial de Jesus, com base no direito romano, para salvar aquele malfeitor convertido sem o batismo. Isto não passa de malabarismo humano para justificar o injustificável.
Sola Scriptura!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A CEIA DO SENHOR III

I Co. 11: 23 a 30 - "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem"
A Ceia é uma ordenança dada por Cristo aos seus discípulos e seguida por cristãos verdadeiros e falsos ao longo dos últimos 2.000 anos. Ela não confere nenhum poder sobrenatural aos participantes. É apenas um ato em memória da morte de Cristo conforme: "porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha." A Ceia não regenera e não salva ninguém, mas os eleitos e regenerados têm prazer em celebrá-la como memorial do ato que garantiu o seu nascimento do alto.
No texto que abre este estudo, o apóstolo Paulo celebrou a ceia com os cristãos de Corinto. Antes de celebrá-la, deu diversos esclarecimentos acerca do comportamento adequado aos regenerados. Instrui-lhes como participar da ceia ordeira e piedosamente. Mostrou-lhes as consequências de uma convivência cega e egoísta na participação do corpo de Cristo. 
Segundo reza a erudição bíblica, a epístola aos corintios foi escrita antes dos evangelhos. É o primeiro registro da celebração da Ceia após a morte e ascensão de Cristo. A Ceia contrasta a tristeza da celebração da Páscoa por Cristo antes da sua morte com a alegria da celebração da Ceia pela Igreja após a sua morte e ressurreição. Paulo inicia a celebração anunciando que, aquilo que havia recebido do Senhor Jesus, o Cristo, isto mesmo estava entregando. Portanto, não se trata de ensino novo ou invencionice humana. Na celebração pascal, Jesus tomou do pão e, partindo-o agradeceu e deu aos seus discípulos, afirmando: "isto é o meu corpo, que é dado por vós..." Embora seja utilizado o verbo ser no presente do indicativo, o texto não é uma expressão literal, pois como ele em vida poderia oferecer o seu corpo para ser ingerido ou o seu sangue para ser bebido? Basta fazer o paralelismo em outros textos de mesmo sentido de Jo. 8:12 - "Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." Luz, no texto quer dizer conhecimento da verdade. Portanto, não significa que do corpo de Jesus saíam raios de luz. Também em Jo. 10:7 - "Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas." Jesus, não é uma porta, mas aquilo que uma porta representa, ou seja, uma via de acesso entre dois lados. Desta forma, não se pode tomar os elementos da ceia como sendo o próprio corpo e o sangue de Jesus, o Cristo. Trata-se de uma simbologia e não de uma literalidade.
No texto de abertura a expressão: "... que é dado por vós..." vê-se claramente a morte vicária, ou seja, substitutiva de Jesus, o Cristo. O vocábulo vicário significa: aquele que faz as vezes de outro. Portanto, é o ensino da substituição do pecador na cruz por Jesus, o Cristo. Igualmente, quando Jesus disse: "... este cálice é a nova aliança no meu sangue..." Vê-se com clareza a substituição e a inclusão do pecador na morte de Cristo com a Nova Aliança. Denomina-se Nova Aliança o período em que prevalece a Graça, por meio de Cristo, e não mais a Lei moral e cerimonial. Jesus, o Cristo ofereceu o seu sangue para restabelecer a vida verdadeira aos que se achavam mortos para Deus, porque a vida está no sangue. A morte em qualquer dos seus sentidos, sempre indica separação. O pecado causou a morte, a saber, a separação entre Deus e o homem conforme Ef. 2: 5 e 6 - "... estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele..."
Quem comer do pão e beber do cálice indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Réu é aquele que é intimado em juízo para responder por delitos e crimes, ou seja, é aquele que foi acusado de culpa. O que separa o homem de Deus é, exatamente, a culpa do pecado. Jesus, o Cristo veio justamente para reconciliar o homem pecador com Deus por meio do seu sacrifício substitutivo e inclusivo. Deus transferiu todos os pecados dos eleitos e predestinados para Jesus, o Cristo a fim de aniquilá-los conforme Hb. 9:26b - "... mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Desta forma, a inclusão do pecador na morte de Cristo, aniquilou eternamente a culpa do pecado que separava o homem de Deus. Esta verdade é ensinada claramente em Cl. 1:22 - "... agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis..." Desta forma, comer o pão e beber do cálice indignamente é participar de um ato memorial sem conhecimento de causa. Quem não fizer distinção entre o corpo ou a Igreja do Senhor e a consciência pecaminosa trará juízo sobre si mesmo conforme I Co. 5:5 - "... seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus." Trata-se daqueles que, mesmo conhecendo a verdade permanece cultivando atos pecaminosos. Comer o pão e tomar do cálice indignamente é o mesmo que não apresentar a natureza reconciliada e vivificada na morte com Cristo. É não ter reverência à Igreja, o corpo de Cristo. O mesmo é retratado por Paulo em I Tm. 1: 19 e 20 - "... conservando a fé, e uma boa consciência, a qual alguns havendo rejeitado, naufragando no tocante à fé; e entre esses Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar."
Paulo aponta a necessidade de o homem examinar-se a si mesmo para ter discernimento do corpo e do sangue de Cristo. A palavra no grego koinê para 'examinar' é 'dokimazetõ' [dokimazetw], ou seja, testar-se a si mesmo como se testa o metal. Paulo propõe um rigoroso auto-exame para saber se o cristão pode confessar sua morte com Cristo. Visa um exame confessional da sua inclusão na morte de Cristo e, portanto, ser participante do corpo e do sangue d'Ele. Participar da ceia indignamente é celebrar a morte e a ressurreição de Cristo sem saber quem ele é.
Paulo termina o seu ensino doutrinário, dizendo que a razão porque muitos da Igreja em Corinto estavam fracos e doentes espiritualmente relacionava-se ao não discernimento do corpo de Cristo, a saber, não referenciavam a Igreja como parte integrante d'Ele. Disse ainda que muitos dormiam, ou seja, estavam mortos fisicamente. O verbo dormir no texto está flexionado como "dormem" , concordando gramaticalmente em número com "muitos". No infinitivo tal verbo é 'koimao', mas no texto, é [κοιμῶνται] 'koimontai', indica, por analogia, a morte dos regenerados. A morte do incrédulo é eterna, mas a dos eleitos e regenerados é momentânea como a um sono. Quando o texto se refere à morte de incrédulos usa outra palavra para o verbo dormir. As pessoas que agem sem discernir o corpo de Cristo não perdem a salvação, mas perdem o privilégio de servir a Cristo na Terra.
Sola Gratia!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A CEIA DO SENHOR II

I Co. 11: 23 a 30 - "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem"
A ceia é apenas um memorial e uma das poucas ordenanças deixadas por Cristo consoante as seguintes expressões: "fazei isto em memória de mim" e "fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim." A primeira ordem se refere ao pão e a segunda ao vinho. No texto de Mateus capítulo 26, versos 20 a 29, Jesus, o Cristo celebra a Páscoa com os discípulos um pouco antes de ser preso, julgado e condenado. Há uma total relação entre a Páscoa e a Ceia. A Páscoa foi prescrita por Deus, e ordenada a Moisés para preparar o povo para a libertação do cativeiro no Egito; Enquanto a Ceia é a celebração pela iminente concretização daquilo que a Páscoa indicava por símbolos. O cordeiro imolado, sem mancha e sem defeito na Páscoa, no Egito, predicava a morte do "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo." A Ceia, por seu turno, confirma a morte do "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo." O pão ressequido e partido representa o corpo de Jesus, o Cristo sacrificado na cruz; O vinho representa o sangue de Jesus, o Cristo vertido na cruz. A Páscoa foi a imagem das coisas futuras, a Ceia é a real concretização do "supremo propósito" do Pai.
Jesus, o Cristo afirma aos judeus o seguinte conforme Jo. 6: 53 a 56 - "... se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." Obviamente, Jesus, o Cristo não está falando em sentido literal, pois não se trata de antropofagia. É uma questão de fé, pois a fé permite tornar o invisível, visível conforme Rm. 4:17 - "... perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem."
Na religião católica chamam a ceia de 'eucaristia' [εὐχαριστία], passando a ideia de "reconhecimento", ou "ação de graças." Pregam que os elementos, pão e vinho, se tornam o próprio Jesus, o Cristo na liturgia conduzida pelo padre. Adotam uma terminologia popular que diz que a ceia é a comunhão sacrificial, porque acreditam que toda vez que a celebram, ocorre um novo sacrifício do Filho de Deus. Isto pode induzir à ideia de repetidas mortes sacrificiais de Jesus, o Cristo contrariando o que afirma Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Na igreja católica ortodoxa, os elementos da ceia não são considerados o próprio corpo e o sangue de Cristo. Não há teologia específica sobre esta questão, porque esta parcela do catolicismo surgiu de um cisma, ou seja, de uma divisão da igreja de Roma antes do dogma da eucaristia. Os católicos ortodoxos, usam o pão fermentado e o vinho puro é servido a todos na celebração da ceia. Para os ortodoxos, os elementos são apenas símbolos e o que acontece a eles, na ceia, é considerado mistério.
As igrejas luterana e anglicana consideram a ceia como a presença real de Cristo no pão e no vinho. Produziram a doutrina da real presença ou união sacramental. Para as igrejas de origem reformada, a ceia é uma ordenança, mas não tem valor sacramental. Para os reformados, a ceia possui dois modos de celebração: os que se baseiam no ensino de Zuínglio afirmam que a ceia é apenas um memorial. Enquanto, o ensino de João Calvino, afirma que, na celebração da ceia, Jesus, o Cristo está presente, não nos elementos - pão e vinho - mas, espiritualmente. Em outras denominações religiosas, especialmente pentecostais e neopentecostais, a ceia possui valor puramente ritualístico e, por vezes, místico.
É fundamental atentar para o fato que, ao celebrar a ceia antes da sua crucificação, Jesus, o Cristo dá a ela um sentido simbólico, pois sequer havia ele morrido para estar presente no pão e no vinho. Como, Cristo não estabeleceu qualquer doutrina sobre como a ceia deveria ser celebrada após a sua morte, ela permanece como um memorial e não como um sacramento.
Sola Scriptura!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A CEIA DO SENHOR I

I Co. 11: 23 a 30 - "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem."
Ceia é um substantivo feminino proveniente do verbo cear, e designa a última refeição do dia, portanto, ocorre durante a noite. A ceia, enquanto mera refeição, visa restabelecer as energias perdidas durante o labor do dia. Durante a noite, as forças se refazem absorvendo os nutrientes para a continuidade do dia seguinte. Por isto, Jesus, o Cristo valeu-se deste fato para simbolizar a sua morte e a sua ressurreição. Também para indicar aos seus eleitos e regenerados a renovação da fé e da esperança na ressurreição eterna. 
Jesus, o Cristo conduziu e realizou a primeira ceia na Nova Aliança conforme Mt. 26:20 a 29. A ceia celebrada por Cristo possui duplo sentido: a comunhão com os discípulos, pela última vez, antes da sua morte de cruz e, também, como memorial a ser lembrado até que ele retorne para a grande Ceia do Cordeiro conforme Ap. 19:9
Na primeira ceia realizada por Cristo ocorreu um fato que, geralmente, passa desapercebido aos que não têm revelação. A todos os discípulos Jesus deu o pedaço de pão seco primeiro e depois de comê-lo deu-lhes o vinho em separado. O pão seco e partido simboliza o seu corpo perfurado e esvaído do sangue. O vinho puro indica o sangue portador da vida conforme Dt. 12:23. Entretanto, a Judas Iscariotes foi dado o bocado de pão embebido no vinho. Isto mostra que Judas não teria parte na vida eterna, pois foi alimentado com a vida do sangue no corpo. O pão seco e partido indica que houve morte, enquanto o pão embebido no vinho indica o corpo que permanece com a vida separada de Deus, porque não foi incluído na morte com Cristo na cruz. Esta é a clara doutrina da inclusão do pecador na morte com Cristo. Tal inclusão em Cristo, implica na consequente e imediata ressurreição, juntamente com Ele conforme Ef. 2: 5 e 6 - "... estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus..."
Há nas diversas e diferentes denominações religiosas calorosas discussões acerca da celebração da ceia. Uns dizem que ela deve ser hiper restrita, ou seja, apenas os membros batizados daquela igreja específica devem participar da ceia, além da obrigação de estarem em perfeita comunhão com a igreja. A comunhão com Cristo não é exigida, mas com a igreja, com a denominação, com o pastor, com os dogmas, com os preceitos. Outras religiões dizem que a ceia deve ser apenas restrita, a saber, apenas os que pertencem àquela determinada denominação podem participar. Ainda há os que dizem que a ceia deve ser irrestrita, ou seja, deve ser celebrada por qualquer pessoa que seja cristã, independentemente da igreja e da denominação a que pertença. O interessante é que as Escrituras silenciam sobre todas estas esdrúxulas questões. Obviamente que, todos têm seus argumentos afiados para defendê-las.
Para algumas denominações religiosas, a celebração da ceia deixa de ser apenas um memorial pleno de alegria e esperança para se tornar um instrumento do medo. Criam tantas expectativas e exigências que, a pessoa se sente duplamente ameaçada: ou participa para mostrar que está bem, ou não participa por medo de ser rejeitada por Deus. É uma espécie de espada de dois gumes. Tal situação gera um drama de consciência, levando o religioso a se torturar antes e depois de participar da ceia. Ensaia orações e demonstração pública de arrependimento. Dá testemunhos que, muitas vezes, estão mais para tristemunhos. Logo, depois volta aos mesmos desvios e fraquezas que lhes são por natureza não regenerada.
Os religiosos católicos, em todas as suas matizes, interpretam que o pão é o corpo de Cristo e o vinho é o sangue de Cristo, após o ato litúrgico oficiado pelo padre. Acreditava-se no passado que, o simples ato de morder a hóstia poderia ferir o corpo de Jesus, o Cristo. A este dogma dão o nome de transubstanciação, ou seja, o próprio Cristo está fisicamente presente no pão e no vinho após a liturgia oficiada pelo sacerdote. Entretanto, ao distribuir os elementos da ceia o celebrante entrega apenas a hóstia, mas o vinho apenas ele toma. Em certa ocasião, em certo lugar alguém descobriu que as hóstias restantes da ceia e guardadas no hostiário haviam se deteriorado, formando bolor. Isto abriu a mente do descobridor para a fantasia, pois caso fossem, de fato, o corpo de Cristo jamais teriam apodrecido. Tais crendices decorrem de uma exegese literal naquilo que é figurado e vice-versa.
Os religiosos do ramo, erroneamente chamados protestantes, se apoiam no dogma que o pão e o vinho são apenas simbólicos e representativos do corpo e do sangue de Cristo. Portanto, defendem a consubstanciação, ou seja, os elementos da ceia são um memorial do corpo e do sangue de Cristo. Todavia, e apesar desta visão mais próxima das Escrituras, muitos creditam à ceia, em certos casos, poderes mágicos e sobrenaturais, os quais ela não tem.
Sola Scriptura!

sábado, 30 de janeiro de 2016

DURO É O DISCURSO, QUEM O OUVIRÁ?

Jo. 6: 53 a 60 - "Disse-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre. Estas coisas falou Jesus quando ensinava na sinagoga em Cafarnaum. Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: duro é este discurso; quem o pode ouvir?"
Antropofagia é a prática em que seres humanos se alimentam de carne humana. Há inumeráveis relatos deste tipo de ritual entre povos primitivos, na era dos grandes descobrimentos, por parte dos cronistas. Segundo tais relatos, os guerreiros vencedores acreditavam que, ao alimentar-se do inimigo vencido, tomariam suas forças e seus poderes para si. Não é este o caso doutrinado por Jesus, o Cristo no contexto do texto de abertura.
Neste discurso Jesus, o Cristo utilizou-se do método da linguagem figurada, objetivando evidenciar ensino espiritual. Esta é a razão pela qual os religiosos que o ouviam não o entendiam, pois tomavam por mera lógica aquilo que, de fato, é tipológico. Por isto questionavam entre si o seguinte: v. 52 - "Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: como pode este dar-nos a sua carne a comer?
No capítulo seis do evangelho de João vê-se um ferrenho debate entre religiosos judeus e Jesus, o Cristo. Os judeus não recebiam a verdade que Jesus, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus. Negavam-lhe a origem celestial, vendo apenas o homem histórico - Jesus - no qual o Cristo eterno havia se encarnado conforme Jo. 1:14. Sem a fé é impossível receber Jesus, o Cristo como Deus. A fé se manifesta pela palavra de Deus a qual penetra, não apenas, no aparelho auditivo físico, mas também no ouvido da alma e do espírito mortos para Deus. Ainda que Jesus, o Cristo, lhes assegurasse que, para crer n'Ele como o Filho Unigênito de Deus era necessário receber revelação do próprio Deus, continuavam apoiados apenas na lógica analítica. Desta forma travou-se um embate, de um de um lado, lógico e, do outro lado, espiritual com base nas Escrituras. Tais realidades não são convergentes e, muito menos, concordantes, visto que, ao crer em um exclui-se o outro. 
Jesus demonstrou-lhes que o maná enviado por Deus, aos hebreus no deserto, durante a travessia do Egito à Canaã, era incompetente para saciar a fome daquelas pessoas para sempre conforme Jo. 6:49. Entretanto, Cristo se apresenta como o pão verdadeiro que desceu do céu, eficiente e suficiente para sanar a fome e a sede de todo aquele que n'Ele crê. Todavia, a figura do pão que satisfaz a fome e do sangue que dessedenta é a metáfora do alimento que atende a fome e a sede espirituais. Isto porque, Jesus, o Cristo é a vítima sacrificial que, tendo o corpo crucificado e o sangue vertido na cruz, ofereceu a própria vida plena em substituição e inclusão dos pecadores eleitos. Quem não crê na sua inclusão na morte com Cristo e, consequentemente, na sua ressurreição juntamente com ele, não vê e não entra no reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5.
Assim, ao se identificar como o pão e o sangue oferecidos na cruz para redenção do pecador, Jesus, o Cristo lançou mão da comunicação recursal para que, apenas os eleitos pudessem crer. Os incrédulos se escandalizam e ridiculariza tal discurso por não poder crê-lo. Ainda hoje o processo é o mesmo: o mundo incrédulo, religioso ou não, ridiculariza a fé verdadeira por meio de análises apenas racionais. A razão humana contaminada pela natureza decaída e pecaminosa jamais poderá crer na essência do evangelho. Tal verdade não se atinge por lógica, mas por revelação espiritual dada por Deus por meio do Espírito Santo. É uma ação absolutamente monergística e não sinergística.
Então, comer a carne crucificada e beber o sangue derramado na cruz é um ato totalmente assumido pela fé. Carne e sangue representam a plena humanidade do Filho de Deus, na pessoa augusta de Jesus, o Cristo conforme I Jo. 4: 2 e 3 - "Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus; mas é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo."
Nos sacrifícios oferecidos no Santo dos Santos do Templo em Jerusalém, o sangue era espargido sobre o Propiciatória, justamente, porque pertence a Deus, uma vez que é no sangue que está a vida conforme Dt. 12:23 - "Tão-somente guarda-te de comeres o sangue; pois o sangue é a vida; pelo que não comerás a vida com a carne." Esta é a razão pela qual todo o sangue de Jesus, o Cristo foi esvaído na cruz. Foi a oferta da vida pelos pecados de muitos conforme Hb. 9:28 - "... assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." Os religiosos de hoje tomam os textos e os transformam em uma espécie de pantomima teatral. Falam sobre curas e libertações pelo sangue de Jesus, mas não sabem o que isto, de fato, significa porque não lhes foi revelado pelo Espírito Santo. Usam tais artifícios como uma espécie de magia branca para atrair pessoas às suas igrejas. Presumem possuir um poder que não lhes pertence e jamais pertencerá.
Diante destas realidades profundas e esplendentes, os que ouviam a Jesus, o Cristo disseram v. 60 - "Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: duro é este discurso; quem o pode ouvir?" A afirmação é concluída com uma pergunta: "... quem o pode ouvir?" A resposta é simples e sem interpretação alguma. Podem ouvi-lo e compreendê-lo aqueles aos quais Deus conheceu de antemão, os elegeu, os predestinou, os chamou, os justificou e os glorificou em Cristo antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
O discurso da verdade, que é Cristo, sempre será duro e repugnante aos que se dirigem para a perdição eterna. A verdade para os que perecem é apenas um conceito!
Sola Gratia!