segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A ESPIRITUAIS COMO ESPIRITUAIS, A CARNAIS COMO CARNAIS

I Co. 3: 1 a 3 - "E eu, irmãos não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Leite vos dei por alimento, e não comida sólida, porque não a podíeis suportar; nem ainda agora podeis; porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens?"
Há nos círculos religiosos o uso recorrente de clichês para supervalorizar as crenças dos homens. Reduzem a fé a uma mera questão conceitual. Resolvem, sem o menor exame das Escrituras e de consciência, que alguém é espiritual apenas porque o tal pertence a um determinado credo religioso. Dão como espiritual alguém com base tão somente em atos e atitudes de cunho comportamental. Desta forma, se alguém é batizado, é membro de uma determinada igreja, participa de alguns dos trabalhos religiosos, contribui financeiramente, dá testemunho de honestidade social e familiar, este tal é uma pessoa espiritual. Por outro lado, se alguém teve ou tem manchas morais em sua trajetória de vida é, imediatamente, classificado como do mundano, carnal, incrédulo, perdido e condenado ao inferno. Neste último caso, alguns, com ar de falsa piedade afirmam: "você precisa se converter" para não ir para o inferno. O mais trágico é um condenado condenar o outro, segundo Jesus, o Cristo em Lc. 6:39 - "E propôs-lhes também uma parábola: pode porventura um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?" Em outro contexto, o Mestre afirmou que meretrizes e publicanos entrariam diante dos religiosos no reino dos céus.
No trato com a sã doutrina, não se pode reduzi-la a uma questão gramatical ou semântica, pois este tratamento é de caráter puramente humanista. A primeira e principal característica da sã doutrina é que ela não pertence ao homem, mas a Deus conforme Jo. 7:16 e 17 - "Respondeu-lhes Jesus: a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo." A maioria dos religiosos toma por verdadeira a doutrina da sua igreja, do seu líder ou da sua denominação religiosa. Neste caso corre-se o perigo de dar crédito à doutrina de homens e não de Deus. Grande parte dos religiosos promove o homem a santo e piedoso apenas por seus atos, mas não pelo seu estado de relação e posição perante Deus. As Escrituras afirmam, peremptoriamente, que se deve dar a cada um o que lhe é devido conforme Rm. 13:7 - "Dai a cada um o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra." Isto mostra que nas relações horizontais no trato social deve-se adotar o princípio da reciprocidade. Isto nada tem a ver, necessariamente, com espiritualidade!
O texto de abertura ensina que não se pode falar a todos de igual modo doutrinariamente. Isto seria como levar um cego para o topo de uma montanha e dizer-lhe: veja como é linda a paisagem deste ponto. O apóstolo Paulo está tratando com os irmãos de Corinto. Todos ouviram a mesma pregação para justificação, porém nem todos a recebeu da mesma forma e com a mesma ênfase. A fé é um dom de Deus, por assim ser, é repartida segundo a medida d'Ele conforme Rm. 12:3 - "Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus, repartiu a cada um." O ensino claro desta questão dos que ouvem, mas não recebem fé acha-se em Hb. 4:2 - "Porque também a nós foram pregadas as boas novas, assim como a eles; mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não chegou a ser unida com a fé, naqueles que a ouviram."
Espiritual é o homem que, segundo a graça de Deus, recebeu fé para crer na sua inclusão na morte de Cristo, como também, na ressurreição juntamente com ele dentre os mortos. A isto as Escrituras denominam de "nascer do alto" ou "regeneração". Muitos religiosos tentam, ingloriamente, mensurar o grau de regeneração ou conversão dos outros pelos seus atos. Não há atitude mais incrédula e humanista que esta. Um ateu pode levar uma vida mais correta moralmente que um crente. Algumas pessoas que praticam determinados cultos chamados de diabólicos ou pagãos dão melhor testemunho moral que muitos ditos crentes. Assim, não é pelas obras que se determina a fé, como também não é pela expressão de fé que se determina as obras de justiça. Ambas devem ser paralelas e consequentes da vida de Cristo no nascido do alto, visto que, na essência, tanto uma como a outra é d'Ele. Espiritualidade é um termo que, biblicamente, só se aplica ao pecador que teve a sua velha natureza adâmica destruída na cruz. O homem espiritual é aquele em quem Deus operou o novo nascimento retirando-lhe o coração petrificado pela natureza pecaminosa. Também é o pecador no qual Deus colocou um novo espírito reconciliado com ele por meio da morte e da ressurreição juntamente com Cristo conforme Ez. 36:26 - "Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne." Este processo é monérgico, ou seja, é operado e operacionalizado apenas por Deus. O pecador não pode "se converter" e, muito menos, "se arrepender" por conta própria. A justificação é por graça e não pelas obras de justiça própria. Não é uma questão meritória, mas de misericórdia e de graça soberana. Misericórdia é Deus não nos dando o que, de fato, merecemos: o inferno. Graça é Deus favorecendo a quem não possui merecimento algum. É exatamente isto que ressalta a sublimidade do amor de Deus não agindo em função do que o homem é ou faz, mas em função de sua própria compaixão. Caso a graça e a misericórdia de Deus estivessem condicionadas ao comportamento do homem, onde estaria o glória d'Ele?
O homem que não experimentou o "nascimento do alto" ou a "regeneração" não é espiritual, ainda que seja religioso ou que tenha ouvido o evangelho da graça. Uma coisa é ouvir o evangelho, porém outra coisa é o evangelho lhe ter vivificado pela graça mediante a fé conforme I Co. 2:4 e 5 - "A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus."
Desta forma, enquanto o homem que ouviu o evangelho da verdade não for guiado pelo Espírito, permanecerá carnal e não espiritual. Este fato se aplica a qualquer homem, incluindo-se os que praticam religião e seus ritos exteriores. Após nascer de novo e ter as escamas dos olhos retiradas e os ouvidos desobstruídos, o homem vai abandonando a vida na carne e seguindo a vida no espírito. Este é o processo da formação da semelhança de Cristo nos regenerados.
Sola Gratia!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

AS GUERRAS INVISÍVEIS E A SOBERANIA DE DEUS

Dn. 10: 1 a 15 - "No ano terceiro de Ciro, rei da Pérsia, foi revelada uma palavra a Daniel, cujo nome se chama Beltessazar, uma palavra verdadeira concernente a um grande conflito; e ele entendeu esta palavra, e teve entendimento da visão. Naqueles dias eu, Daniel, estava pranteando por três semanas inteiras. Nenhuma coisa desejável comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com unguento, até que se cumpriram as três semanas completas. No dia vinte e quatro do primeiro mês, estava eu à borda do grande rio, o Tigre; levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho e os seus lombos cingidos com ouro fino de Ufaz; o seu corpo era como o berilo, e o seu rosto como um relâmpago; os seus olhos eram como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés como o brilho de bronze polido; e a voz das suas palavras como a voz duma multidão. Ora, só eu, Daniel, vi aquela visão; pois os homens que estavam comigo não a viram: não obstante, caiu sobre eles um grande temor, e fugiram para se esconder. Fiquei pois eu só a contemplar a grande visão, e não ficou força em mim; desfigurou-se a feição do meu rosto, e não retive força alguma. Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo o som das suas palavras, eu caí num profundo sono, com o rosto em terra. E eis que uma mão me tocou, e fez com que me levantasse, tremendo, sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos. E me disse: Daniel, homem muito amado, entende as palavras que te vou dizer, e levanta-te sobre os teus pés; pois agora te sou enviado. Ao falar ele comigo esta palavra, pus-me em pé tremendo. Então me disse: não temas, Daniel; porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras, e por causa das tuas palavras eu vim. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu o deixei ali com os reis da Pérsia. Agora vim, para fazer-te entender o que há de suceder ao teu povo nos derradeiros dias; pois a visão se refere a dias ainda distantes. Ao falar ele comigo estas palavras, abaixei o rosto para a terra e emudeci."
Profeta como indicado nos textos bíblicos é a pessoa a qual fala ou profere palavras em nome de Deus. Não é alguém que se coloca na perspectiva de interlocutor entre o homem e Deus, mas aquele a quem Deus ordena proclamar o que ele diz. No velho testamento era considerado falso profeta aquele que errasse uma única predição. Era apedrejado segundo a lei de Moisés, ainda que em mil predições acertasse novecentos e noventa e nove. Nos cultos pagãos, profeta era a pessoa que fazia previsões, proferia acontecimentos futuros ou se apresentava como intérprete dos 'deuses'. Neste caso, a profecia, tinha caráter adivinhatório e não como ensinado nas Escrituras. Hoje se vê muitos destes profetas que se fazem profetas por conta própria mentindo e engando.
O profeta Daniel viveu entre os séculos V e VI a. C. Ele estava entre os judeus levados cativos á Babilônia quando o rei Nabucodonosor invadiu Israel. Devido ao seu caráter, sua juventude e origem nobre, Daniel foi selecionado pelo rei para servir no palácio real, juntamente com outros três jovens hebreus. O nome Daniel provém do hebraico 'דָּנִיּאֵל' que significa 'Deus é meu juiz.' A ele foi dado um nome babilônico, o qual era Beltessazar. A profecia de Daniel narra os acontecimentos ligados às nações e o desenvolvimento dos fatos históricos até o fim dos tempos. Daniel foi uma das poucas pessoas elogiadas por Deus e morreu aos 72 anos. Atuou, segundo os propósitos de Deus, com sabedoria e diligência durante toda a vida.
O texto de abertura mostra Daniel no cativeiro babilônico no reinado de Ciro. Estava muito abatido pela demora na libertação do seu povo. Daniel se dirigiu às margens do rio Tigre para orar e confessar o seu pecado e o pecado do seu povo. Com ele estavam outros homens, porém não suportaram a revelação e fugiram. Daniel jejuou por três semanas e buscou entendimento de Deus sobre os acontecimentos. Após a sua oração olhou para o céu e viu um anjo ou mensageiro celeste vestido de roupas de linho cingido por ouro puro. O anjo foi descrito como tendo corpo como o berilo, o rosto resplandecia como um relâmpago, os braços e pés reluziam como bronze polido, os olhos como tochas de fogo e a voz como o som de uma multidão. Diante desta visão celestial, Daniel perdeu todas as suas forças físicas e caiu em sono profundo ao ouvir o som das suas palavras. Prostrado em terra desfalecido, ouviu a ordem do anjo para que se levantasse e ouvisse a mensagem de Deus. Trêmulo Daniel ouviu que era um homem mui amado e que suas orações haviam sido ouvidas por Deus desde o momento em que se colocou a orar e confessar.
A despeito do poder do mensageiro divino e da sublimidade da visão de Daniel foi relatada uma batalha invisível no espaço: "Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias..." Ora, sempre que uma mensagem faz referência à Satanás e seus demônios usa-se uma tipificação com algum dominador tirano terrestre. Desta forma, a referência ao 'príncipe do reino da Pérsia' não é uma referência ao rei Ciro, mas a um poder espiritual satânico que detinha o controle da Pérsia. Tal força espiritual do mal resistiu entre o mensageiro enviado e o profeta Daniel. Por causa desta interferência no mundo espiritual, um dos anjos mais poderosos na hierarquia celeste veio para ajudar. Muitos intérpretes afirmam que o anjo Gabriel é o responsável pela proteção e condução do povo judeu ou de Israel como nação. 
Assim, Daniel recebeu a revelação sobre os acontecimentos futuros acerca do povo judeu. Não era uma visão para aqueles dias e para atender aos desejos dos judeus de retornar à Jerusalém, mas para os últimos dias da história da Terra. O fato é que, embora o homem carnal não possa ver há movimento constante no mundo espiritual. Portanto, não devemos andar ansiosos ou amedrontados conforme ensinado em Mt. 28:20 "...e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
Soli Deo Gloria!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

A GUERRA NO CÉU E AS REALIDADES ESPIRITUAIS INVISÍVEIS

Ap. 12: 7 a 9 - "Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele."
As Escrituras não possuem muitos registros sobre Satanás, mas o pouco que falam é o suficiente para entendermos a origem e o caráter deste arcanjo da ordem dos querubins. Querubim provém do hebraico 'כרובים' ou 'keruvim' uma ordem de anjos, ocupando o segundo nível hierárquico abaixo de Deus e dos serafins. Cada ordem de anjos possui funções específicas no universo. Os querubins eram comandados por um arcanjo com funções de organizar a adoração, a guarda e a comunicação das ordens divinas entre os demais anjos.
O profeta Ezequiel fez menção ao arcanjo querubim comandante das forças angelicais. É um texto por meio de uma metáfora usando a figura de um rei terrestre. Deste texto retiram-se as seguintes palavras Ez. 28: 12 a 15 - "Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estiveste no Éden, jardim de Deus; cobrias-te de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Eu te coloquei com o querubim da guarda; estiveste sobre o monte santo de Deus; andaste no meio das pedras afogueadas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade." Então, o arcanjo da ordem dos querubins era perfeito, sábio, belo. Achava-se no Éden Celestial, andava coberto de pedras preciosas e de ouro. A ele foi dado o comando da música para louvor de Deus. Ele era o guarda na capital do universo e andava em meio ao esplendor das pedras preciosas. Entretanto, um dia surgiu a iniquidade em seu coração, provando que o pecado não é uma questão de prosperidade, mas de incredulidade. 
O profeta Isaías revela o tipo de iniquidade que surgiu no coração do arcanjo chefe da guarda conforme Is. 14: 12 a 14 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações! E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." Por ser um ser espiritual criado livre para pensar e agir, o arcanjo querubim protetor desejou para si mesmo um trono acima das estrelas, assemelhando-se a Deus em poder e glória. Desta forma o anjo querubim não desejava mais adorar a Deus espontaneamente, mas queria adoração a si mesmo. Muitos, ingenuamente, pensam que Deus foi surpreendido por tal atitude. Ora, Deus tudo sabe conforme Is. 29:15 - "Ai dos que escondem profundamente o seu propósito do Senhor, e fazem as suas obras às escuras, e dizem: quem nos vê? e quem nos conhece?" Este foi o primeiro engano do querubim cobridor. Não creu na onisciência de Deus!
O arcanjo querubim violou os princípios imutáveis das leis de Deus conforme Sl. 111: 7 e 8 - "As obras das suas mãos são verdade e justiça; fiéis são todos os seus preceitos; firmados estão para todo o sempre; são feitos em verdade e retidão." Assim, não há nas obras de Deus quaisquer possibilidades de mentiras e injustiças. Os princípios são firmados eternamente e não oscilam em função das vontades dos seres criados. Estes princípios estão contidos nos dez mandamentos quando analisados como lei divina. 
Outra questão que se divulga erroneamente sobre este arcanjo querubim é o seu nome. Muitos afirmam com base em tradições religiosas que ele se chama Lúcifer. Primeiramente isto decorre de um erro de tradução de São Jerônimo do texto hebraico para o latim da Septuaginta. O profeta Isaías diz: "... ó estrela da manhã ...", entretanto este não é um nome próprio, mas apenas uma forma figurada de se referir ao arcanjo querubim. No hebraico tal expressão figurada é 'הילל בן שחר', ou seja, 'heilel ben shachar'. Jerônimo traduziu para o grego como 'heosphoros' e para o latim foi traduzido como 'lucem ferre'. Estas expressões significam apenas 'portador da luz', sendo portanto, um adjetivo e não um nome próprio. Trata-se, portanto, de uma função e não de um nome. O arcanjo querubim era o portador do conhecimento a ser disseminado entre os demais anjos sob seu comando. Luz em termos bíblicos indica sempre conhecimento e não apenas o fenômeno óptico. Os tradutores tomaram a expressão latina 'lucem ferre' e passaram ao português como o nome próprio Lúcifer. Posteriormente, o identificaram à Estrela D'Alva que é, de fato, o planeta Vênus. Nada tem a ver com o arcanjo da ordem dos querubins.
Na verdade o texto de Ap. 12 mostra os atuais nomes do arcanjo querubim caído: "E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás..." Diabo significa caluniador e acusador, enquanto Satanás provém do hebraico 'shai'tan' que significa adversário ou inimigo. Desta forma o antigo arcanjo chefe da guarda no céu passou a ser o dragão, antiga serpente, Diabo e Satanás. O nome original anterior a sua queda, não foi dito em nenhum texto das Escrituras.
Muitos pensam que Deus simplesmente poderia ter destruído Satanás para servir de exemplo. Todavia, Deus optou por deixar as coisas fluírem a fim de o caráter de Satanás pudesse ser revelado. A simples eliminação de Satanás poderia gerar uma adoração dos demais anjos apenas por medo e não por amor espontâneo. No ensino de Jesus, o Cristo isto fica explicado conforme Mt. 13:30 - "Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro." O joio é tão semelhante ao trigo que, se o agricultor retirá-lo da plantação danificará toda a safra. Assim, espera-se o amadurecimento, porque então, é revelado o que é trigo e o que é joio.
Sola Gratia!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O EVANGELHO ANUNCIADO, AS ESCRITURAS CONFIRMADAS, E A TRAGÉDIA DO ENGANO

I Co. 15: 1 a 19 - "Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e depois aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram; depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos; e por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a um abortivo. Pois eu sou o menor dos apóstolos, que nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo. Então, ou seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim crestes. Ora, se prega que Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, como dizem alguns entre vós que não há ressurreição de mortos? Mas se não há ressurreição de mortos, também Cristo não foi ressuscitado. E, se Cristo não foi ressuscitado, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não são ressuscitados. Porque, se os mortos não são ressuscitados, também Cristo não foi ressuscitado. E, se Cristo não foi ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda estais nos vossos pecados. Logo, também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se é só para esta vida que esperamos em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de lástima."
O anúncio do evangelho foi uma ordem dada aos discípulos pelo Mestre Jesus, o Cristo. Não é um imperativo, mas uma ação contínua e participativa da natureza dos nascidos de Deus. É como está doutrinado em II Co. 4:13 - "Ora, temos o mesmo espírito de fé, conforme está escrito: cri, por isso falei; também nós cremos, por isso também falamos..." Àquele que crê, não é dada a opção de silenciar sobre a verdade.
Em língua portuguesa o texto que trata deste tema foi traduzido com o verbo no imperativo 'ide', porque a tradução é arminiana. De fato o texto original utiliza o verbo no particípio. Portanto, o que as Escrituras afirmam em Mc. 16: 15 e 16 é "E disse-lhes: indo por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." A raiz do verbo usado por Cristo provém de 'poreía' que é o substantivo para caminho, jornada, caravana. A forma verbal utilizada no texto é 'poreythentes', significando que, ao longo do caminho ou da jornada da vida, os discípulos de Cristo anunciam o evangelho. O mesmo verbo é utilizado em Mt. 28:19 e em outros contextos correlatos. A forma verbal utilizada no grego koinê está no modo particípio circunstancial e não no imperativo. O sentido mais simplificado do 'poreythentes' é 'indo' ou 'enquanto vão'. É óbvio que o verbo indica mobilidade geográfica, mas não é um imperativo como querem os defensores de missões. É uma ação contínua nos caminhos do dia a dia de cada um dos eleitos e regenerados por todo o mundo. Há oportunidades para quem se prepara é chamado e recebe a incumbência de pregar em qualquer parte do muando, como para quem prega em sua vizinhança e em seu bairro. Uma coisa não anula a outra, mas o fato é que se trata de uma ação contínua dada a todos e não a uma casta de pessoas especiais designadas para uma obra misteriosa. Tal urgência missionária alegada por muitas igrejas se justifica pelo poder de arrebatar almas do inferno. Entretanto, as Escrituras ensinam que as almas predestinadas e eleitas  têm os  seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro antes da fundação do mundo. O 'indo' é destinado apenas a despertar os predestinados e eleitos conforme Rm. 8:29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou." Deus não trabalha 'a posteriori', mas 'a priori'.
No texto de abertura, Paulo traz à memória dos discípulos em Corinto que o evangelho da verdade já lhes havia sido anunciado. Relembra-lhes que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. O apóstolo Paulo não elabora um evangelho alternativo, mas entrega o mesmo evangelho recebido diretamente do Cristo. A essência do evangelho verdadeiro é que Cristo morreu para aniquilar os pecados dos eleitos, foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. O evangelho não é uma fórmula mágica elaborada para impressionar os pecadores como se vê hoje. O método para a redenção do pecador foi decidido por Deus antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..." Paulo ainda apela ao testemunho e autenticidade da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo por grande número de pessoas que presenciaram todos os eventos.
Na igreja de Corinto estavam "crentes" que receberam o mesmo evangelho, da mesma fonte e com a mesma autenticidade. Todavia, os que não puderam crer à verdade criaram para si verdades alternativas. Naquela igreja havia os que afirmavam que não há ressurreição dos mortos. Estes "cristãos" não nascidos do alto, tentavam mesclar o judaísmo ao ensino do evangelho puro. Tal situação de incredulidade determina na mente contaminada pela natureza pecaminosa grande necessidade de um evangelho adaptativo às exigências da alma não regenerada. Ora, se não há ressurreição dentre os mortos, Jesus, o Cristo não ressuscitou. Sua morte se torna absurda e absolutamente desqualificada em sua finalidade última. A morte de Cristo foi para matar a morte do pecador eleito, a saber, aniquilar  o pecado que tornou o homem morto para Deus. A ressurreição de Cristo é o coroamento e a prova que ele venceu a morte, o inferno e o poder do pecado conforme Ef. 4:  8 a 10  - "Por isso foi dito: subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. Ora, isto, ele subiu que é, senão que também desceu às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu muito acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas."
A tragédia do engano religioso é pior que a tragédia do ateísmo, pois, neste caso o homem tem consciência da sua rejeição da verdade. No caso do religioso que crê no engano, o torna um praticante de ritos e preceitos, mantendo a natureza pecaminosa que os condena perante Deus. Falar das Escrituras, de Cristo, de Deus e realidades espirituais, nem sempre é anunciar o evangelho.
Sola Gratia!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A CRUZ, A CRUCIFICAÇÃO E OS CRUCIFICADOS

Mt. 26: 1 e 2 - "E havendo Jesus concluído todas estas palavras, disse aos seus discípulos: sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado."
Conquanto haja diferentes tipos de cruzes, a cruz mais simples é uma figura geométrica em duas peças que se cruzam horizontal e verticalmente, formando ângulos de noventa graus. A cruz nunca fez parte do judaísmo, mas era utilizada como símbolo religioso por diversas crenças antigas na Ásia. O Império Romano adotou a cruz como instrumento de execução bem antes da condenação de Jesus, o Cristo. A palavra cruz provém do latim 'cruces' e do grego 'stauros' indicando um objeto concreto. Até o final do primeiro século da Era Cristã, raramente, os cristãos usavam a cruz como símbolo por medo dos judeus. Usavam para simbolizar e identificar sua fé um peixe com a inscrição 'Ichthys' que é um acróstico das palavras gregas "Iesus Christos Theos Yios Soter" - significando: "Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador". Há muita discussão sobre o formato da cruz que Jesus carregou pelas vielas de Jerusalém até os arredores desta cidade, onde foi crucificado. Entretanto, é possível que ele tenha carregado apenas a parte menor que seria, no ato da crucificação, encaixada à parte vertical. Há textos extrabíblicos os quais descrevem o método romano de crucificar desta maneira.
Há cerca de 2.000 anos o cristianismo nominal debate diversos aspectos dos evangelhos. Entretanto, se apegam ao que é histórico e periférico, deixando de considerar o que é profundo e central. No tocante à crucificação, por exemplo, debate-se muito sobre de quem foi a responsabilidade pelo processo da crucificação de Jesus, o Cristo. Entretanto, discutem apenas a moralidade superficial do fato e não a sua profundidade espiritual. Alguns culpam os judeus, outros os romanos e, outros ainda, culpam Satanás. Ora, a crucificação de Jesus, o Cristo seria o ato final da derrota de Satanás conforme Gn. 3:15. Portanto, contrariamente, o maior desejo de Satanás era que Cristo não fosse crucificado. Ele usou diversas pessoas para tentar dissuadir o Cristo do seu destino conforme Mc. 8:31 e 32 - "Começou então a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muitas coisas, que fosse rejeitado pelos anciãos e principais sacerdotes e pelos escribas, que fosse morto, e que depois de três dias ressurgisse. E isso dizia abertamente. Ao que Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo." A reação de Pedro era tão somente humana e emocional, pois ainda não havia sido convertido espiritualmente. Por isso a resposta de Cristo a Pedro foi a seguinte: "Mas ele, virando-se olhando para seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens." Jesus, não estava dizendo que Pedro era Satanás, mas que Satanás o estava usando. Muitos que passavam pelo local da crucificação diziam: "... se és Filho de Deus, desce da cruz." Um dos malfeitores também crucificado afirmou: "Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós." A não aceitação da morte de Jesus, o Cristo é típica da incredulidade dos que não experimentaram o novo nascimento. Por não terem recebido a graça da revelação sobre a obra e natureza do Cristo, analisam os fatos à luz apenas de uma lógica humana ou forense. Veem a cruz apenas como um símbolo religioso e não como um caminho interior a ser seguido como o apóstolo Paulo em Gl. 2: 20.
De fato a decisão de redimir o homem da sua natureza pecaminosa é anterior à própria existência do mundo e do homem. É afirmado em Apocalipse que o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo conforme Ap. 13:8 - "... esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." A forma de justificar o pecador foi decidida por Deus antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1: 9 e 10 - "... mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho..." Os pecadores predestinados e eleitos foram incluídos na morte de Jesus, o Cristo antes que o mundo existisse e eles mesmos tivessem cometido qualquer pecado conforme Ef. 1: 4 e 5 - "... como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade ..." 
Desta forma ficam claros alguns fatos: a) Deus quem determinou a morte de Jesus, o Cristo; b) Deus sabia que o homem haveria de pecar e providenciou o meio da redenção; c) Deus escreveu os nomes dos predestinados e eleitos no livro da vida do seu filho, antes dos tempos eternos; d) Deus resolveu redimir apenas alguns para adotá-los como filhos e não a todos os homens. Judeus e romanos foram apenas instrumentos no processo por força das suas naturezas pecaminosas e maléficas. Não foram eles que decidiram matar Jesus, pois nada pode acontecer no Universo sem que Deus autorize conforme palavras do próprio Jesus ao governador romano em Jo. 19:10 e 11 - "Disse-lhe, então, Pilatos: não me respondes? não sabes que tenho autoridade para te soltar, e autoridade para te crucificar? Respondeu-lhe Jesus: nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fora dado..." Uma coisa é a autoridade espiritual de Deus, outra é a autoridade moral humana condicionada ao pecado.
A crucificação de Jesus, o Cristo foi profetizada séculos antes do seu nascimento conforme Sl. 22: 16 - "... traspassaram-me as mãos e os pés." O método romano de castigar era a crucificação, onde os pés e mãos eram pregados no madeiro da cruz com pregos compridos. O peso do corpo e a desidratação levavam o crucificado à morte em algumas horas. Todo o salmo vinte e dois é uma profecia que dá detalhes da morte de Jesus, o Cristo.
No local da crucificação foram levadas três pessoas: Jesus, o Cristo e dois malfeitores. Jesus, como se sabe, foi crucificado para expiar a culpa pecaminosa dos predestinados e eleitos, pois ele mesmo não  havia cometido qualquer delito moral ou espiritual. Também, ali estavam dois homens apanhados em seus crimes e condenados. Estes representam a humanidade, pois todos são pecadores conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Isto é confirmado em inúmeros textos escriturísticos, destacando-se Rm. 5: 12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Esta é a chamada natureza adâmica ou natureza pecaminosa herdada de Adão. Por isso, Jesus é o último Adão, pois n'Ele a raça de Adão é terminada na cruz. O malfeitor que blasfemava e desafiava Jesus a descer da cruz salvar-se a si mesmo e a ele é o lado da humanidade que, além de possuir a natureza decaída e depravada, não se reconhece pecador e culpado. O outro malfeitor, ao contrário, ainda que também fosse portador da mesma natureza pecaminosa, reconheceu-a e suplicou o perdão, além de confessar Jesus, como Deus. Assim, fica evidente que, quem matou Jesus, foi o próprio Deus para oferecê-lo em expiação pelo pecado de muitos. Estes muitos são os que se reconhecem pecadores e confessam o seu estado pecaminoso. Recebem a graça para crer e, por isso, são feitos filhos de Deus por inclusão na morte de Jesus, o Cristo conforme Jo. 12:32 e 33.
Sola Scriptura!

sábado, 10 de janeiro de 2015

A ORDO SALUTIS E O EVANGELHO PROCLAMÁVEL

Rm. 8: 29 e 35 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?"
'Ordo salutis' é um conceito cristão, mas não se acha grafado na Bíblia desta forma. Entretanto, existe uma ordem da salvação amplamente caracterizada nas Escrituras. Tal ordem, não é um imperativo, mas uma sequência dos eventos que determinam a salvação de pecadores. Trata-se apenas de uma expressão técnica para demonstração de como Deus amou alguns pecadores de antemão, os predestinou, e os elegeu para a redenção, criando todos os meios para que tal ação ocorresse conforme a sua vontade soberana. Tais elementos envolvem sua vontade, sua graça, sua misericórdia, o justificador, a fé, o momento histórico e o espaço geográfico. É o que se chama de 'kairós' de Deus!
O evangelho é a proclamação de boas novas para a salvação de pecadores, portanto é o resultado do poder soberano de Deus para redimir aos que amou em sua presciência, predestinou, elegeu, chamou, justificou e glorificou por meio de Jesus, o Cristo. Por esta razão está doutrinado em Rm. 1: 16 e 17 - "Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé." Vê-se que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. E quem é aquele que crê? Aquele a quem é dado crer, pois a fé não é uma virtude do homem decaído, mas um dom de Deus. Os todos a que se referem alguns textos bíblicos, não são todos os homens, mas todos aqueles aos quais é dada a graça para crer e receber. São homens de todas as nações, tribos e línguas, os quais foram preordenados para crer. O judeu e o grego são termos puramente tipológicos: o judeu é o tipo dos que receberam a lei, as profecias e as promessas do Salvador; o grego é o tipo daqueles que seriam chamados dentre as outras nações. São homens de todas as etnias e não todos os homens. 
O ensino escriturístico da predestinação e eleição causa reações bastante adversas, especialmente entre religiosos "igrejificados", ou seja, confinados, conformados e subordinados a um sistema religioso o qual herdou por tradição ou foi estimulado a pertencer por forças circunstanciais. Estas pessoas estão conformadas aos padrões a elas  ensinados, porque foram persuadidas a acreditar que, se um sistema  afirma ser cristão, cita as Escrituras, fala sobre Deus, sobre Jesus e fala sobre o amor, a caridade e os bons costumes, logo, é a verdade. Ora, muitas seitas satânicas citam todas estas coisas. Neste sentido há demônios mais crentes que muitos religiosos, pois além de crer, eles estremecem diante da realidade de que há um só Deus conforme Tg. 2:18 - "Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem." Entretanto, e apesar das tentativas de arranjar textos para negar a doutrina da eleição e predestinação tal como está nas Escrituras, o apóstolo Paulo diz que é Deus quem justifica os seus eleitos. Portanto, ainda que intentem acusações, que os condenem e levantem dúvidas sobre questões morais, nada mudará esta verdade. Por terem escamas nos olhos e cera nos ouvidos, não veem e não ouvem que é Deus quem os justificou. Tal justificação não dependeu de méritos ou justiças próprias, mas de Cristo os ter incluído em sua morte de cruz e também na sua gloriosa ressurreição dentre os mortos. A morte de Cristo foi para habilitar os eleitos, matando as suas naturezas pecaminosa. Na sua ressurreição ao terceiro dia mostrou a sua vitória sobre a morte e o inferno. Portanto, sendo a obra da regeneração atribuída apenas a Cristo e não ao pecador, nada o separará do seu amor.
As religiões não conseguem a unidade da fé, porque seguem uma base de crenças humanistas. Tais crenças são apenas adaptações feitas por teólogos para a gratificação das suas almas decaídas e satisfação dos seus anseios. Por tal razão é que há inumeráveis crendices, igrejas e seitas. No Catolicismo Romano, por exemplo, dizem que a ordem da salvação é: 'batismo, confirmação, eucaristia, penitência e extrema unção'. É, na verdade, apenas um conjunto de dogmas sacramentais, alguns das quais sequer estão nas Escrituras como ensino. No Luteranismo, um dos ramos da reforma protestante, a ordem é: 'chamada, iluminação, arrependimento, regeneração, justificação, união mística, santificação e conservação'. No Arminianismo a ordem é: 'presciência, predestinação, eleição, graça preveniente, chamada externa, arrependimento e fé, regeneração, justificação, santificação e glorificação'. No Calvinismo tal ordem é: 'predestinação, eleição, chamada, regeneração, fé, arrependimento, justificação, santificação, perseverança e glorificação'. Observa-se que não há unanimidade sobre algo que está perfeitamente doutrinado nas Escrituras.
Ora, esta necessidade de ordenar os elementos constitutivos da ação monergística de Deus é puramente humana. Na verdade, muitos destas etapas são sucessivas ou mesmo simultâneas. Não necessariamente, numa ordem lógica conforme o entendimento humano. Estas etapas são operadas e operacionalizadas objetivamente por Deus e recebidas subjetivamente pelo homem. Tudo se dá pela graça mediante a fé e, ambas são dom de Deus conforme Ef. 2:8 a 10 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Assim, o elemento iniciador e desencadeador do processo é a graça. Por graça entende-se que é Deus realizando no pecador uma obra impossível ao homem. Portanto, é Deus fazendo tudo por quem nada merece. Para tanto, ele executa a exigência da lei contra o pecado em si mesmo, na pessoa do seu filho unigênito na cruz. Ao morrer na cruz, todos os pecadores eleitos estavam incluídos nele para aniquilação da culpa do pecado. Ao ressuscitar, trouxe todos os eleitos e regenerados de volta à vida e à comunhão com Deus. Em Cristo na cruz a raça do primeiro Adão foi encerrada e dado o início de uma nova raça em Cristo, o último Adão. É neste sentido que Adão era um tipo de Cristo, pois um deu origem a uma linhagem de pecadores, o outro deu origem a uma ração de novas criaturas justificadas e imortais. 
Portanto, o evangelho proclamável é o que mostra com simplicidade o modus operandi de Deus para remissão do pecado conforme Rm. 15: 3 e 4 - "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras."
Muitos homens inchados em sua arrogância pecaminosa se sentem ofendidos quando confrontados com estas verdades. Entretanto, aos nascidos de Deus é dada a seguinte ordem sobre o evangelho proclamável: "portanto indo, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." Esta ordenança foi dada aos eleitos e regenerados, que são homens comuns e sujeitos a erros. Não são perfeitos como querem alguns cegos espiritualmente, porque exigem dos eleitos aquilo que eles mesmos não são. A obra do Diabo é exatamente esta: fazer o pecador rejeitar a mensagem por causa do mensageiro. Ora, basta ler as Escrituras e verificar-se-á que os homens mais usados por Deus eram de péssima qualidade moral. Todavia, foram eles regenerados e as obras deles falam ainda hoje. Eles foram conhecidos de antemão, predestinados, chamados, justificados e glorificados.
Sola Gratia!

A PORTA ESTREITA, OS FALSOS PROFETAS E AS ÁRVORES FRUTÍFERAS

Mt. 7:13 a 23 - "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram. Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade."
A condição existencial humana está intimamente atrelada à relação moral do certo e do errado. Entretanto, não é o erro ou o acerto moral que determina a relação espiritual do homem, mas a sua posição e relação  espiritual que são determinantes dos resultados morais. Comumente, uma pessoa é tida e recebida como correta e aprovada conforme os valores ético-morais que a faz notória perante a sociedade. Por esta razão, quando alguém tido e recebido como correto e aprovado cai em algum falha grave é altamente repudiado. Quando mais necessita  da compaixão e da graça é rejeitado, exatamente porque está sendo guiado pela lei do esforço próprio e não pelo Espírito.
A espiritualidade é algo determinado pela vontade soberana e monérgica de Deus. Não  é obtida como prêmio ou recompensa por quaisquer práticas de justiça própria. O ensino bíblico diz: "assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer." A maioria dos homens, especialmente os religiosos, imagina, erroneamente, que espiritualidade é a consequência de prática ou exercício exterior do que é moralmente correto. Este é um dos mais terríveis enganos pregado, sustentado, aceito e praticado pelas religiões humanas. 
O espírito do homem foi nele inoculado por Deus, portanto, veio d'Ele e a ele retorna após a morte física conforme Ec. 12:7b - " ... e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu." Então, o que sobra entre o corpo físico que retorna ao pó e o espírito que retorna ao criador é a alma. A alma é a sede das emoções, volições e decisões que opera após a queda do homem. Como o espírito ficou desligado ou "morto" para Deus, a alma assume o controle dos atos e atitudes humanas por meio da sensorialidade. A soma da alma e do corpo forma o que as Escrituras chamam de carne ou carnalidade. Tal carnalidade é o conjunto dos desejos e inclinações da alma contaminada pela natureza pecaminosa. Não há em toda extensão das Escrituras qualquer menção à salvação do espírito, mas sempre se refere à alma. Portanto, a maior parte dos feitos interpretados como atos de espiritualidade, no homem são de fato atos almáticos. Só podem ser tidos como espiritualidade, os atos e atitudes guiados pelo Espírito de Deus que é o único que se comunica com o espírito humano regenerado pela justificação na morte de Cristo. O espírito do homem só se comunica com o Espírito de Deus e vice-versa e aquele  necessita ter sido reconciliado a Deus novamente pela justificação em Cristo. É este o sentido de "pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus."
O texto de abertura é o ensino puro e direto de Jesus, o Cristo. É uma forma metafórica de ensinar a trajetória dos homens ao longo da vida. Tal caminho passa por uma porta que poderá ser larga ou estreita. A porta larga conduz a um caminho largo, fácil e prazeroso de ser percorrido. Por isto, o texto afirma que muitos andarão por ele. Entretanto, a porta estreita, o caminho apertado e difícil, poucos o encontram. A porta estreita e o caminho apertado são exatamente que conduzem à vida. Vida no texto original se refere à vida 'zoé', ou seja, a vida eterna e abundante prometida por Cristo.
O texto previne os eleitos e regenerados sobre a existência de falsos profetas. Tais profetas são falsos, não pela aparência exterior, mas pelo que são e ensinam por suas naturezas pecaminosas. O que contamina o homem é o que procede do coração e não a sua aparência exterior. A forma de conhecer e discernir entre o falso e o verdadeiro são os frutos. Ninguém consegue plantar uma videira e dela colher figos mais tarde. Ou ela produz uvas, ou não é uma videira. É neste ponto que surge a confusão religiosa entre causa e  efeito e vice-versa. Ora, a videira produz uvas invariavelmente, porque é da sua natureza genética produzi-las e não porque alguém deseja que produza outro fruto. Por semelhante modo, a ovelha produz lã, porque é da sua natureza. O lobo jamais produzirá lã, ainda que produza pelos. Deus já preordenou as árvores e os seus fruto antes dos tempos eternos, quando nem o mundo ainda houvera sido criado conforme II Tm. 1:9 - "...que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..." O que define a árvore e os seus frutos é a graça concedida em Cristo antes dos tempos eternos. A santa vocação é o chamamento da parte de Deus para a separação da natureza pecaminosa. A salvação e o chamamento ocorreram pela vontade soberana de Deus e não pelas obras de justiça que alguém praticara. Deus tem os seus propósitos que não podem ser alterados e refutados por quem quer que seja.
Finalmente, o texto mostra que muitas pessoas chamam Cristo de 'senhor' repetidamente, no entanto, ele não lhes é por Senhor. O que determina o senhorio de Cristo sobre uma pessoa é a eleição antes da fundação do mundo conforme Ef. 1:4 - "... como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade..." Assim, os regenerados foram eleitos nele, ou seja, por inclusão em sua morte de cruz e ressurreição. Muitos imaginam que o "ser santo e irrepreensível diante dele" é uma questão de exercício comportamental. Não o é! De fato, o texto diz que tal condição é em amor, ou seja, a santidade e a irrepreensibilidade diante de Deus é por meio do amor de Cristo. Isto se dá pela operação e a operacionalização da graça de Deus antes que os eleitos houvessem nascido ou praticado o bem ou o mal. É um processo segundo "o beneplácito da sua vontade." Os eleitos não foram escolhidos com base no que haveriam de fazer ou deixariam de fazer, esta seria uma eleição falaciosa. No caso, Deus escolheria alguém pelo prévio conhecimento do que tal pessoa o escolheria também. Logo, isto não é eleição e, muito menos, predestinação, visto que coloca a escolha no homem decaído. Este erro doutrinário  é ensinado pelos lobos vestidos de cordeiros para encobrir as suas naturezas devoradoras. É a oferta da porta larga e do caminho espaçoso, porque coloca a centralidade no homem e sua suposta bondade.
Observa-se que o texto ensina que muitos dirão: senhor, senhor, nós profetizamos, expulsamos demônios e realizamos muitos milagres em teu nome. Todavia, Jesus lhes afirma: "então lhes direi claramente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." A expressão: "nunca vos conheci" no texto grego original é 'homologueso', ou seja, 'eu não homologo ou confirmo' a autoridade de vocês. Homologar é confirmar que um documento ou objeto é autêntico e verdadeiro. Neste caso, Jesus, o Cristo está afirmando que não havia compatibilidade entre ele e os que o chamavam de Senhor. Jesus lhes diz para apartarem-se dele, pois praticavam a iniquidade. Ora, como pode ser pregar  o evangelho, expulsar demônios e fazer milagres a iniquidade? Simplesmente porque foram praticados por homens cujos espíritos não foram reconciliados com Deus por meio da inclusão na morte de Cristo e também na sua ressurreição. Eles não praticaram atos de espiritualidade, mas apenas atos almáticos contaminados pela natureza pecaminosa residente e persistente neles.
Sola Scriptura!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O MANÁ NO DESERTO, O PÃO QUE DESCEU DO CÉU E AS RIQUEZAS INJUSTAS

Ec. 11: 1 e 2 - "Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Reparte com sete, e ainda até com oito; porque não sabes que mal haverá sobre a terra."
As Escrituras são formadas pelo Velho Testamento e pelo Novo Testamento. Um testamento, tanto em termos jurídicos, como em termos espirituais, é um registro documental que dá instruções sobre herança. Sabe-se que um herdeiro legítimo é sempre o filho e não um estranho, salvo se o testador desejar incluir alguém fora da sua linhagem. O conteúdo do Velho Testamento é descrito por sinais, profecias e revelações sobre a vinda do filho unigênito de Deus ao mundo. Falava-se por enigmas como propõe o apóstolo Paulo em I Co. 13:12 - "Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido." No Novo Testamento o filho de Deus é revelado por meio do homem histórico Jesus conforme Jo. 1:14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." Nas epístolas dos apóstolos os ensinos de Jesus, o Cristo é para edificação da Igreja que é o seu "Corpo Místico" formado por cada um dos eleitos e regenerados no tempo e no espaço.
A linguagem escriturística ocorre de duas formas: literal e figurada. A linguagem literal não exige e não necessita qualquer interpretação, o texto fala por si só. Na linguagem figurada é necessário discerni-la e aplicá-la de modo correto para obter a revelação correta. 
Em linguagem figurada são utilizados tipos e símbolos. Um tipo é uma representação, sendo interpretado com base nas características similares entre o tipo e o seu antítipo. Um tipo se imprime ou se aplica apenas uma vez e não pode ser totalmente compreendido enquanto o seu antítipo não se revela. Adão foi um tipo de Cristo, todavia só se pôde entender em que aspectos Adão era semelhante a Cristo após a vinda deste ao mundo. Eva, igualmente, foi um tipo da Igreja como a noiva de Cristo e agora se entende como sendo a esposa do Cordeiro. As sete igrejas do Apocalipse são tipos, porque prefiguram as igrejas que surgiriam ao longo da história. Um símbolo, por outro lado, possui significado determinado sem qualquer  referência a similaridades. Um símbolo pode ocorrer diversas vezes ou apenas uma única vez. Os símbolos podem ser entendidos antes do seu cumprimento, porém o seu sentido deve ser indicado no texto. O fermento é o símbolo do ensino enganoso e diabólico. A boa semente da parábola simboliza os filhos de Deus. Na linguagem simbólica a ação é sempre literal, apenas o sujeito da ação que é simbólico. Assim, deve-se encontrar o significado do símbolo, e então, aplicar a ação literalmente.
Jo. 6: 41, 50, 51 e 58 - "Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: eu sou o pão que desceu do céu; Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre." Os líderes religiosos judeus estavam se opondo a Jesus, por não reconhecê-lo como o Messias prometido no Velho Testamento. Quando Jesus, o Cristo se identificou como o Filho de Deus os religiosos o confrontaram, tentando reduzi-lo a um simples homem sem origem e sem autoridade. Ainda hoje este fato se repete aos que anunciam o evangelho. Para atacar o ensino da verdade o pecador ataca o mensageiro, porque o julga pela aparência e segundo a sua lógica humana decaída na natureza pecaminosa. Jesus, o Cristo disse que ele mesmo era o pão  que desceu do céu, utilizando um símbolo que é alimento. O Cristo ainda demonstra que ele era fonte de alimento para saciar total e eternamente a fome do pecador. Ele afirma que é a fonte da vida eterna e que, quem dele se alimentar, jamais morrerá. Obviamente, ele não estava falando da morte física, mas da morte espiritual ou eterna. Jesus, também demonstra que o símbolo do maná dado ao povo hebreu no deserto era apenas um símbolo do verdadeiro pão vivo que desceria do céu. No texto de Eclesiastes, a expressão: "lança o teu pão sobre as águas" é uma alusão, tanto à pregação do evangelho, como a obra da caridade a quem necessita. O pão é o símbolo do Cristo, enquanto as águas são o símbolo das Escrituras. Desta forma, lançar o pão sobre as águas é anunciar o evangelho de Cristo por meio da pregação da sua morte e ressurreição. Isto porque, a fé vem pelo ouvir e o ouvir da Palavra de Deus.
Lc. 16:9 - "E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos." Todo religioso é legalista consciente ou inconscientemente. Muitos vivem se regulando e regulando a vida dos outros pelo que fazem ou deixam de fazer, presumindo contribuir para a sua espiritualidade. Alguns estimam que são mais abençoados, porque ganham a vida com o fruto do trabalho honesto. Outros não jogam em loterias, porque estimam que é pecado. Todavia, Jesus, o Cristo está ensinando no texto acima que toda riqueza é de origem injusta. Isto porque o plano eterno de Deus é que o homem viva absoluta e totalmente na dependência da sua graça. Cristo mostra que, mesmo sendo as riquezas de origem injusta devem ser aplicadas no anúncio e proclamação da verdade, porque este é o sentido de "fazer amigos" no texto. Demonstra que ao investir a sua riqueza de origem injusta na verdade estará granjeando amigos para a eternidade. Ao granjear amigos, isto é, irmãos espirituais, ainda que, com riquezas injustas estes lhes serão eternos, quando as riquezas injustas não mais existirem. Tais riquezas, não significam apenas dinheiro ganhado de maneira considerada honesta ou desonesta, mas também a doação de si mesmo. Muitos julgam que ao dar coisas estão ganhando pontos com Deus para uma suposta evolução. Outros ainda, supõem que estarão ganhando mais bênçãos materiais como recompensa. Ainda outros julgam que ganharão a própria salvação ao dar coisas. As vezes um pecador necessita apenas do pão que alimenta para a vida eterna. Nada mais!!!
Sola Gratia!

domingo, 28 de dezembro de 2014

FÉ AUTÊNTICA x CRENDICE RELIGIOSA

Rm. 12: 1 a 3 - "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus, repartiu a cada um."
Fé é uma minúscula palavra em língua portuguesa que provém do grego koinê neotestamentário. No grego bíblico fé é 'pistis' e no latim eclesial é 'fides'. Na língua original do novo testamento fé é algo intangível e invisível. Portanto, não é algo sensoreável ou seja, que se pode sentir. Havendo sentimentos ou sensações naturais já não é fé, mas apenas ciência. O sentido bíblico de fé é a absoluta confiança na justificação do pecador na morte com Cristo. É também a dependência plena do poder, da bondade e da sabedoria de Jesus, o Cristo como salvador do pecador. A fé só vem após a metanoia, a saber, o arrependimento concedido por Deus por graça e misericórdia e não por mérito humano. Após o arrependimento que é o reconhecimento da própria natureza pecaminosa e morta para Deus, o homem recebe o dom da fé para descansar n'Ele. A fé como citada acima é ensinada em Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem." Portanto, fé é uma base firme, porém invisível e a absoluta certeza daquilo que não está materialmente diante do homem.
No sentido de mero assentimento intelectual ou crenças religiosas a fé não pode salvar ou regenerar o pecador. Esta categoria de fé é comum aos homens decaídos e aos demônios conforme Tg. 2:19 - "Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem." Vê-se que, no quesito de fé puramente racional e emocional, os demônios são mais eficientes que muitos homens, pois não apenas creem, mas também estremecem diante de Deus. Esta natureza de fé nada mais é que a soma das doutrinas, dogmas, preceitos de sistemas religiosos, crenças e conteúdos objetivos do cristianismo teórico ou nominal. É uma espécie de fé na fé, recaindo em um tipo de saber humano e não no dom de Deus. 
No texto bíblico de abertura o apóstolo Paulo apela aos cristãos em Roma que apresentassem seus membros como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Isto implica, não em justiça própria ou mérito para agradar a Deus, mas em viver com a mente renovada e inclinada para ele. Não se trata de votos de abstinências ou de auto-flagelo, mas de uma devoção por fé. Tal oferta não é o fator determinante para agradar a Deus, mas a consequência da própria ação monergística d'Ele após a regeneração do pecador. A oferta dos membros em sacrifício vivo é um contraste aos sacrifícios de animais que, agora, não têm mais sentido, visto que o sacrifício de Jesus, o Cristo foi feito na cruz. A oferta morta de bodes, touros, cordeiros e aves eram apenas indicação do sacrifício final de Jesus, o Cristo na cruz. Após o arrependimento dado por Deus e o recebimento da fé como dom d'Ele, o regenerado tem prazer em oferecer suas habilidades, separando-se da mentalidade mundana e volta-se com alegria para oferecer-se como instrumento para a honra e a glória de Cristo. O regenerado não se transforma em um super homem perfeito, mas em alguém no qual a fé de Cristo age para glorificar a Deus.
O ensino do texto é que o verdadeiro culto é racional no sentido espiritual e não da simples racionalidade intelectiva. A palavra utilizada no texto para 'racional' é 'lógico' [λογικoς]. O sentido do termo 'racional' no contexto é metafórico e não literal conforme I Pd. 2:2 - "...desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, a fim de por ele crescerdes para a salvação..." O termo 'puro' neste texto é grafado com a mesma palavra 'racional' do texto de Rm. 12:1. Assim, o sentido de "culto racional" é buscar agradar a Deus de modo puro, ou seja, não misturado às crenças, dogmas, preceitos e doutrinas religiosas ou resultantes apenas dos sentimentos da alma humana não regenerada. O texto não ensina que a fé é o resultado de um exercício intelectual ou da racionalização lógica  do homem. Alguém afirmou em uma entrevista no programa do Jô Soares que a fé é racional, porque do contrário ela seria apenas fideísmo. Ora, ele foi bem em 99% da entrevista sobre assuntos de cunho histórico. Porém, quando adentrou no campo da verdade espiritual escorregou feio. A questão é que, ao afirmar por confrontação entre fé e fideísmo ele lançou mão de um axioma de caráter lógico no sentido puramente intelectual. Apelou apenas para a semântica do assunto, mas não atentou para o sentido espiritual do mesmo. Fideísmo é por definição uma doutrina teológica que, desprezando a razão, afirma a existência de verdades absolutas fundamentadas na revelação e na fé. Ora, é exatamente isto que é fé no ensino de Jesus, o Cristo, como também dos apóstolos e discípulos. Portanto, fé não pode ser racionalizada e produzida pela mente ou a inteligência do homem. Talvez ele devesse afirmar que não é correto ter fé na fé, mas não  dizer que a fé é o subproduto da razão humana decaída e absolutamente corrompida diante de Deus.
Quando uma pessoa, por mais bem intencionada que seja, coloca a fé nos termos racionalistas está caindo exatamente naquilo que o apóstolo Paulo previne para que os cristãos não façam: "porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus, repartiu a cada um." Quando o homem possui de si mesmo tão alto conceito acima do que é ensinado nas Escrituras, elimina o sentido verdadeiro e genuíno da fé. O foco estará centrado no homem e não em Cristo. Isto se explica pelo fato que a fé é um dom de Deus e não uma virtude humana. Portanto, a fé que há no cristão não é da sua própria autoria, mas é a fé de Cristo nele para que possa se aproximar de Deus por meio dela. Por esta razão o correto não é dizer que se tem fé em Deus, mas dizer que tem a fé de Deus.
A expressão "... vosso culto racional" é uma forma de confrontar a fé formal praticada pela religião humana e a fé salvífica dada por graça e misericórdia ao pecador para que ele viva e ofereça seus membros a Deus.
Sola Scriptura!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A VERDADE É UNA E UMA SÓ

Ef. 4: 4 a 7 - "Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos. Mas a cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo."
Verdade é um substantivo feminino que significa: 'propriedade de estar conforme com os fatos e a realidade'. Portanto, a verdade  requer perfeita conformidade e fidelidade genuínas. Não pode ser um símile ou uma imitação da realidade. Por mais que a mentira e o engano se assemelhem à verdade, estes não podem substitui-la.
No tocante a esfera espiritual a verdade não é um conceito ou uma concepção filosófica. É, antes, uma pessoa, a saber, Jesus, o Cristo conforme sua própria autodefinição em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Esta é a única verdade que reconcilia o homem decaído a Deus pela justificação na morte de Cristo. Deus, o pai conduz o homem decaído até a cruz para ser incluído na morte de Jesus, o Cristo, ali o pecado original ou a 'morte' é aniquilado. Ao ressuscitar juntamente com Cristo, a nova criatura é reconciliada  a Deus por meio de Cristo, fechando um círculo completo de 360°. Este era o segredo oculto nos séculos conforme Rm. 16:25b - "...conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos..."
O universalismo é uma doutrina filosófica a qual presume ensinar ao homem, em sua sabedoria contaminada pela natureza pecaminosa, que há inumeráveis formas e caminhos de superar a questão do pecado, do mal moral e da morte espiritual. Também presume que a redenção é para todos e por diversos meios. Alguns clichês populares indicam esta linha de pensamento, como por exemplo: "Deus é um só, mas há diversos caminhos para se chegar a ele." Entretanto, o ensino puro das Escrituras anula todas as presunções do universalismo, ainda que pareçam lógicos e atraentes ao homem. As Escrituras não fazem concessões à natureza pecaminosa no homem e não estimula a busca da alma decaída por gratificação. A verdade dá ao homem decaído a exata dimensão da sua condenação e indica o único caminho possível à redenção.
O fato é que, se há uma única verdade, algo está muito errado, pois há grande diversidade de crenças e práticas. Todos afirmam estar com a verdade, fazendo-a uma espécie de propriedade particular. Todos se arvoram como senhores da verdade, porém, tal concepção, por si só aniquila todas estas verdades humanas, reduzindo-as à mentira e ao engano religioso de cunho gnóstico.
O texto que abre este estudo mostra que há uma única igreja identificada como o corpo, há um só Espírito Santo, uma só esperança na eleição e predestinação ou vocação. Há um só Senhor, um só batismo, e um só Deus. Neste caso, justificam-se as tantas e diferentes igrejas e seitas? Por que o Espírito Santo ensinaria diferentes verdades? Por que haveria tantas e diferentes vocações entre os homens? Por que Deus estabeleceria tantos senhores neste mundo? Por que os diferentes modos de batismos? Por que Deus, sendo único e soberano seria crido e caracterizado de modos os mais diversos?
Segundo o texto, o único dom que é dado a cada um conforme a medida de Deus é a graça. Por graça entende-se a ação monérgica de Deus, concedendo salvação e seus consequentes benefícios a quem não merece absolutamente nada. 
Não há diversas e diferentes verdades, porque ela é uma só conforme Sl. 119:160 - "A soma da tua palavra é a verdade, e cada uma das tuas justas ordenanças dura para sempre." Muitas são as formas de ensino procedentes palavra de Deus, mas a verdade é una e uma só. Tal verdade é a mesma do começo ao fim e dura eternamente. Todavia, as verdades do homem duram enquanto satisfazem os seus desejos da carnalidade.
I Co. 8: 5 a 7 - "Pois, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também. Entretanto, nem em todos há esse conhecimento." Desta forma  Paulo ensina que há os que se auto-proclamam "deuses", tanto no mundo espiritual, como no mundo material. Entretanto, aos eleitos e preordenados antes dos tempos eternos há um só Deus, o Pai, e um só Senhor, Jesus, o Cristo. Todas as coisas foram feitas por ele e para ele. A questão é que, nem todos os homens recebem o dom da graça para ver e entrar no  reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Sem nascer do alto, o homem não vê e não entra. Por esta razão há tantos deuses, tantas verdades e modos diferentes de operacionalizar tais religiões. 
Por não poder ver e entrar mediante o caminho único, o homem recria novos fundamentos apoiados em sua mente contaminada pela natureza pecaminosa. Isto lhe proporciona gratificação na alma que, contaminada, tenta reencontrar o caminho de volta para o Paraíso com base em si mesma. Tal situação  acaba por produzir a cada dia novas exigências cerimoniais, sacrificiais, rituais e carnais. Por esta razão religiosos são tão legalistas e críticos em relação a todos e a tudo que lhes parece fora do controle.
Sola Scriptura!