quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

QUEM É O DIABO III

Ez. 28: 12 a 15 - "Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.  Estiveste no Éden, jardim de Deus; cobrias-te de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Eu te coloquei com o querubim da guarda; estiveste sobre o monte santo de Deus; andaste no meio das pedras afogueadas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade."
O contexto do qual esta porção foi retirada é daqueles com dupla referência, ou seja, se referia inicialmente a Itobaal rei de Tiro, porque tal rei experimentou grande progresso material e militar. Porém, exigia tributos pesados dos povos dominados e se apoiava em um comércio intenso no Mar Mediterrâneo. Era um reinado cujos governantes e homens prósperos não tinham escrúpulos e praticavam culto pagão ao deus Baal com sacrifícios humanos, além da baixa moralidade social. Diversos profetas do velho testamento vaticinaram sobre a ruína deste reino, o que, de fato, aconteceu primeiro com a invasão de Nabucodonosor rei de Babilônia e, depois, com a total destruição por Alexandre Magno do Império Greco-Macedônio em 332 a. C.
O texto se refere ao governante da cidade de Tiro do verso 1 ao verso 11, sendo que, no verso 2 ele é identificado como príncipe de Tiro. O rei Ethbaal ou Itobal foi um sacerdote que assassinou o rei anterior de Tiro - Pheletes - e usurpou o poder, tendo governado por 32 anos. A partir do verso 12 a descrição já não é mais sobre um príncipe humano em um cenário terrestre. As referências passam a ser no reino de Deus, descrevendo o Diabo como era antes da queda. A partir do verso 15 passa-se a descrever o que iria acontecer ao Diabo após a queda. Este artifício linguístico ocorre em diversas outras passagens, das quais focar-se-á em Mc. 8:33 - "Mas ele, virando-se olhando para seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens." Antão, percebe-se que Pedro é um homem, discípulo de Jesus que tenta convencê-lo a não morrer. Entretanto, a repreensão de Jesus é a Satanás que inspirava a Pedro neste ardil contrário ao que estava preordenado por Deus. Este texto também esclarece que, quem cuida das coisas humanas ou terrenas é Satanás. Não era Pedro Satanás, mas estava sendo instrumento dele na sua argumentação contra a morte de Jesus, o Cristo.
Neste estudo o foco é a identidade do Diabo na descrição do profeta Ezequiel. O texto descreve o Éden como jardim de Deus diferente do Éden terrestre que foi um jardim para o homem. Sabe-se que o Éden terrestre era um domínio vegetal, enquanto o Éden descrito no texto ezequeliano era um domínio mineral. É dito que o Diabo era um anjo querubim chefe da guarda, ungido e estabelecido no monte santo de Deus, vivendo sob o brilho das pedras preciosas. A palavra querubim provém do hebraico [כרוב] "qeruv" e no texto de Ezequiel aparece no plural [כרובים] ou "queruvim". Os querubins eram seres sobrenaturais, ora representados como animais, ora como anjos no culto mosaico. Diversas figuras de querubins foram esculpidas nas paredes e portas do primeiro templo de Jerusalém. O texto afirma que este querubim era perfeito em formosura e que, para ele foram preparados instrumentos musicais no dia em que foi criado: pífaros e tambores. Também é dito que era perfeito em seus caminhos até o dia em que, nele, foi achada a iniquidade. A iniquidade a que se refere o texto é a soberba e a arrogância de querer ser deus conforme Ez. 28:2 - "Assim diz o Senhor Deus: Visto como se elevou o teu coração, e disseste: eu sou um deus, na cadeira dos deuses me assento, no meio dos mares; todavia tu és homem, e não deus, embora consideres o teu coração como se fora o coração de um deus." Lembre-se que, neste contexto inicial é uma descrição da arrogância, tanto do rei de Tiro, como da soberba do anjo querubim que quis ser deus.
A iniquidade é uma prática contrária à equidade, ou seja, ao que é justo segundo o padrão de justiça de Deus. Ocorre a iniquidade quando o pecado chega ao coração do homem e o faz perder a noção dos valores morais e espirituais. A iniquidade faz a mente do homem se corromper a ponto de não mais discernir entre o certo e o errado, o justo e o injusto. 
Portanto a identidade do Diabo é o que dele se declara nas Escrituras. O que passa disso é apenas crendice resultante do ideário popular manipulado pela religião. Outro texto que dá a noção exata do pecado do anjo querubim que veio a ser o Diabo está em Is. 14: 12 a 14 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações! E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." Esta descrição também segue a técnica da dupla referência, pois descreve tanto a arrogância, quanto a queda do rei da Babilônia e também os desejos e ambições do querubim chefe da guarda no Reino de Deus. Subir acima das estrelas, ou seja, dos anjos celestes, acima das nuvens, a saber, no domínio celestial, e ser semelhante ao Altíssimo é um desejo soberbo que arruinou o anjo perfeito, formoso e chefe dos demais anjos. Por isso este anjo querubim foi lançado fora da presença de Deus. O própria Jesus, o Cristo atesta esta verdade conforme Lc. 10:18 - "Respondeu-lhes ele: Eu via Satanás, como raio, cair do céu."
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

QUEM É O DIABO II

II Co. 2: 10c e 11 - "... para que Satanás não leve vantagem sobre nós; porque não ignoramos as suas maquinações."
Viu-se no primeiro estudo que o arqui-inimigo de Cristo é um ser real. O fato de ser espírito não lhe retira a realidade e a capacidade para agir por meio dos seus demônios e de pessoas não regeneradas. Na cultura popular ele recebe diversas alcunhas de acordo com a visão mitológica e lendária que a religião faz dele. A Bíblia, porém, o chama de Satanás, Diabo, Antiga Serpente, Belzebu, Dragão e Espírito Imundo. Em nenhum texto escriturístico é chamado de Lúcifer, senão nas traduções originadas da Vulgata de S. Jerônimo, o qual traduziu uma locução adjetiva como se fosse um substantivo. Isto acabou por conferir na crendice religiosa um título que, realmente, pertence a Jesus, o Cristo e não a Satanás.
A iniciativa de escrever sobre tal criatura sombria deve-se à necessidade de fazê-lo conhecido pelo que é e não pelo ideário popular e religioso. Ignorá-lo é tudo o que ele quer, pois assim poderá prosseguir com seu ódio e assédio à Igreja. A melhor forma de resistir ao inimigo é conhecendo-lhes as forças e artimanhas e não fugindo. 
Em 1991 foi criada a Aliança Ateísta, a qual se propõe a doutrinar o público sobre ateísmo e secularismo. Começou nos EUA, tendo sido formada por quatro grupos ateus. Entretanto, dez anos depois já possuía diversos grupos espalhados pelo mundo. Por isso, tornou-se a Aliança Ateísta Internacional em 2001. Em 2010 e 2011, desmembrou-se em Aliança Ateísta Americana e Aliança Ateísta Internacional. O lema da AAI é: "Por um Mundo Secular." A negação de Deus é uma condição natural do homem e não uma escolha. Todo homem nasce ateu e, mesmo depois de ter consciência plena ou pertencer a algum tipo de credo, continua ateu. Ateus negam, tanto a existência de Deus, quanto a realidade do Diabo. Isto é tudo o que o Diabo quer!
Conhecer Deus é operado e operacionalizado pelo próprio Deus soberanamente. A isto dá-se o nome técnico de monergismo. Ter uma religião e professar uma determinada crença, na maioria dos casos, não retira o homem do ateísmo. Todos aqueles que professam o ateísmo imaginam que o fazem por escolha livre. Entretanto, não o é. É por força da natureza decaída e corrompida pelo pecado da incredulidade conforme Jo. 16:9 - "...do pecado, porque não creem em mim..." Muitos homens sobrevivem de uma espécie de crença de segunda mão, porque reproduzem ideias e comportamentos herdados da família, da sociedade e da cultura em que vive. A maioria dos religiosos imagina que o pecado é o que a pessoa faz de errado ou de ruim. Ora, o pecado é o que o homem é, a saber, incrédulo. Por isto, se tornou morto para Deus. Morte, neste sentido, nada tem a ver com a degradação da vida biológica, mas com a perda da ligação espiritual com Deus por causa da natureza pecaminosa inoculada por Satanás. Portanto, o pecado que separa o homem de Deus é a incredulidade. Os atos pecaminosos, a saber, erros, deslizes, fraquezas e maldades são consequências do pecado e não a causa. 
O texto que melhor caracteriza o ateísmo natural no homem é o de Rm. 1: 20 e 25 - "Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém." A obscuridade do coração, ou seja, da alma e do espírito do homem o faz ateu. Passaram a cultuar-se a si mesmos e entregam-se aos desejos da alma para encontrar algum prazer e gratificação.
Os que não podem crer são separados da vida de Deus conforme Ef. 4:18 - "... entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração..."
Este é o campo fértil onde atua Satanás com suas artimanhas, levando vantagem sobre a Igreja em manter os homens decaídos longe da mensagem da cruz. Ele não pode vencer os eleitos e regenerados espiritualmente, mas pode levar vantagens sobre eles em não deixar o evangelho verdadeiro progredir.
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fide!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

QUEM É O DIABO I

I Pd. 5: 8 e 9 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão-se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo."
Alguém poderia questionar: por que escrever sobre quem é o Diabo, sendo mais honroso escrever sobre quem é Cristo. Perfeitamente! Acontece, no entanto, que, quanto menos se falar e reafirmar quem é o Diabo, mais ele se fortalece. É exatamente o que ele e seus seguidores visíveis e invisíveis querem que aconteça. Isto lhe dá a vantagem da dúvida e do esquecimento, portanto, dá mais espaço a ele para continuar seu projeto nefasto contra Cristo e a sua Igreja. Então, ao escrever acerca do Diabo, não se pretende louvá-lo ou exaltá-lo de qualquer glória, pois ele não a tem.
Diabo provém do latim eclesial [diabolus] que, por sua vez, foi transliterado para o grego eclesial como [διάβολος] que dá o vocábulo "diabolos". A palavra diabo, tanto no latim, quanto no grego significa "caluniador" ou "acusador". Desta forma tal adjetivo, quando utilizado como nome próprio só se aplica ao Diabo espiritualmente. 
O Diabo é chamado na cultura judaica de Satanás que provém do hebraico [שָטָן] que, transliterado é "satan". Este substantivo é originário de um adjetivo, o qual significa "opositor" ou "adversário". Na cultura judaica e árabe, Satan ou Sheitan pode ser referência geral a qualquer inimigo, opositor ou adversário, além de, também, ter sentido de inimigo sobrenatural.
Outra forma de se referir ao Diabo é Lúcifer. Tal referência tem a ver com a tradução de São Jerônimo, o qual traduziu a palavra hebraica [הֵילֵל] "hêlêl" erroneamente para o latim como "lux feros", ou seja"lúcifer." Entretanto, não é o nome próprio do Diabo, mas uma expressão metafórica para se referir ao rei da Babilônia e sua queda prevista pelo profeta. O texto que se refere a esta expressão é Is. 14:12 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações!" Assim como o planeta Vênus, a "Estrela da Manhã" é ofuscada pelo aparecimento do Sol, semelhantemente, o rei da Babilônia seria derrotado pelo Messias que viria trazer a glória à Israel. Portanto, a tradução errada da expressão "estrela da manhã" como lúcifer foi incorporada como sendo um dos nomes de Satanás. Não se trata, portanto, de um nome próprio, mas de uma locução adjetiva em forma de metáfora.
Este mal entendido na tradução da Vulgata - a bíblia em latim - por S. Jerônimo deturpou as coisas a tal ponto que se atribuiu a Satanás um título que é de Jesus, o Cristo. Isto porque, lúcifer provém do hebraico "heylel" que quer dizer "estrela da manha", "estrela d'alva", "luz da manhã" e "aurora." Metaforicamente se refere ao rei da Babilônia, ao Sumo Sacerdote Simão, filho de Onias (Eclesiástico 1:6), à Glória de Deus, ou a Jesus, o Cristo conforme Ap. 22:16 - "Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã."
O texto de abertura procede da carta do apóstolo Pedro aos judeus cristãos do primeiro século. Em muitas igrejas, de hoje, tal texto é utilizado para amedrontar os religiosos, como se dependesse deles a possibilidade de o Diabo os derrotar ou não. Todavia, o texto é muito claro ao afirmar que "O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar..." Na verdade, o texto afirma que ele anda ao derredor, procurando a quem possa tragar como se fosse um leão. Acontece que o título de "Leão de Judá" pertence a Jesus, o Cristo e não ao Diabo. Até nisto o adversário tenta ofuscar a glória de Cristo.
Aqueles a quem o Diabo pode tragar ou derrotar são aqueles que não têm experiência de novo nascimento. Isto é mostrado claramente em I Jo. 5:18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." Os eleitos e regenerados não têm mais prazer na natureza pecaminosa, porque ela foi aniquilada e seus atos pecaminosos foram lavados no sangue do Cordeiro que tira o pecado do mundo. Desta forma, os nascidos de Deus não estão submissos ao reino das trevas e que Aquele que nasceu de Deus, a saber, Jesus, o Cristo, os guarda e o Diabo sequer pode lhes tocar. O fato de acontecer coisas ruins ou desagradáveis aos filhos de Deus, não quer dizer que foi o Diabo quem os derrotou. Muita coisa sucede aos filhos de Deus para o seu aperfeiçoamento na justiça de Cristo. O texto de abertura mostra isto claramente, ou seja, que muitos irmãos sofrem as pressões do mundo, mas não diz que são derrotados pelo Diabo.
Sola Scriptura!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

BATIZADOS EM CRISTO

Gl. 3: 27 - "Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo."
Há diversos ritos nas diferentes sociedades humanas. Muitos são ritos de passagem, outros são ritos religiosos. O batismo conforme o evangelho é uma ordenança de Jesus, o Cristo, geralmente, confundido e praticado apenas como mero ritual na maior parte das religiões ditas cristãs. Entretanto, é necessário distinguir as categorias de batismos descritos no evangelho, porque, de fato, há um só batismo conforme Ef. 4: 5 - "...um só Senhor, uma só fé, um só batismo." Portanto, o único batismo é representado de duas formas: simbolicamente, quando em águas, e espiritualmente, quando na morte em Cristo, sendo este o mesmo sentido do batismo no Espírito Santo, pois este é consequência imediata daquele.
Batismo é um substantivo masculino que deriva do verbo batizar. Batizar, por seu turno, provém do grego koinê neotestamentário [βαπτισω] que, transliterado é 'baptizô', o qual significa imergir, mergulhar, introduzir. A ideia dominante é a de que alguém é imergido, mergulhado, incluído, introduzido em algo. No caso do batismo em águas é apenas uma simbologia: quando o batizando é imergido nas águas, simboliza a sua inclusão na morte com Cristo; quando o batizando é emergido das águas, simboliza a sua ressurreição com Cristo. 
Uma outra concepção sobre batismo é o tão propalado batismo no Espírito Santo praticado como um dogma nos círculos pentecostais, carismáticos e neopentecostais. Apoiam-se, portanto, no texto de At. 11: 15 e 16 - "Logo que eu comecei a falar, desceu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós no princípio. Lembrei-me então da palavra do Senhor, como disse: João, na verdade, batizou com água; mas vós sereis batizados no Espírito Santo." Vê-se que o batismo no Espírito Santo não é uma segunda bênção como pretendem alguns. É um ato instantâneo ao momento em que o eleito crê pelo ouvir da Palavra do evangelho. No texto acima fica claro, inclusive, que o batismo simbólico era praticado antes mesmo do Cristianismo por João, o batista. Portanto, com o novo nascimento ocorre o batismo no Espírito Santo. Isto significa dizer que, o Espírito de Deus vivifica o espírito morto, a saber, separado d'Ele. Vê-se, ainda que o batismo é "...no Espírito Santo" e não "...com o Espírito Santo." Faz grande diferença, porque "no" é "em" + "o", ou seja, n'Ele. Já, "com" tem o sentido de batizar-se junto com o Espírito Santo, como se também o Espírito de Deus estivesse sendo batizado. Isto é, no mínimo, ridículo. É como, no senso comum, as pessoas dizem: fulano de tal está namorando com sicrana de tal. Ou seja, duas pessoas estão namorando no mesmo momento e lugar, porém com parceiros diferentes. 
Finalmente, o outro sentido mais profundo e espiritual do batismo é a inclusão real, porém, pela fé, na morte de Cristo. Isto fica meridianamente claro em Rm. 6: 3 a 5 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição..." Vê-se primeiramente que, os eleitos foram batizados na morte de Cristo, ou seja, foram incluídos em sua morte; secundariamente vê-se que, os eleitos foram sepultados com Cristo, ou seja, morreram com Ele; e, finalmente vê-se que, todos os eleitos foram ressuscitados juntamente com Cristo, a saber, ganharam a sua vida. Desta forma o texto confirma que os eleitos andam em novidade de vida, não para alcançar a vida eterna, mas porque foram alcançados por ela.  Foram todos unidos a Cristo em sua morte de cruz, semelhantemente, ressuscitaram juntamente com ele conforme Ef. 2: 6 - "... e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus..." Além de tudo, dá a garantia de que, onde Cristo está reinando, também os seus eleitos e regenerados também reinam.
Todas as vezes que se ensina esta doutrina bíblica surgem, por parte dos que ainda não tiveram suas escamas retiradas dos olhos, os seguintes questionamentos: a) como pode ser assim, se a morte de Cristo foi há quase dois mil anos atrás? b) este ensino é herético, porque está isolando texto do contexto; c) Cristo não morreu, porque ele é eterno e não morre. Pois muito bem, vejamos o seguinte: a) tanto os que creram na promessa da vinda do Messias e Salvador antes da sua manifestação na pessoa de Jesus, foi por fé. Semelhantemente, todos quantos creem após a sua morte, também é por fé; b) o ensino é bíblico, portanto, o conceito de heresia é de quem recusa-se a receber as Escrituras como Palavra de Deus. Os textos são isolados por uma questão de espaço, porém todos os seus contextos tratam do mesmo assunto. Basta ler todo o contexto para tirar as dúvidas; c) as Escrituras afirmam, pelas próprias palavras de Jesus, o Cristo que ele morreu de fato e retomou a sua vida conforme Jo. 10: 15, 17 e 18 - "assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai." O que a maioria desconhece é que morte no sentido bíblico não é destruição, mas apenas separação. Neste sentido, Jesus, o Cristo ficou separado de Deus na cruz por causa da atração de todo os pecadores eleitos em sua morte. É desta verdade esplendente que surge a garantia da vivificação para a vida eterna a todos aqueles cujos nomes foram escritos no livro da vida do Cordeiro antes dos temos eternos.
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fide!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

FALSOS MESTRES SEMPRE EXISTIRAM E CONTINUARÃO EXISTINDO

II Pd. 2: 1 a 3 - "Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita."
Atualmente se veem quase todos os dias acusações, críticas e, por vezes, juízos de valor sobre as vidas de alguns pregadores. São eles acusados de serem falsos profetas e falsos mestres, além de doutrinariamente heréticos e gananciosos. A maior parte dos críticos são religiosos que se apoiam em seus sistemas de crenças, ou em valores morais para julgá-los. A internet está cheia de posts, vídeos e textos críticos sobre diversos líderes, pastores, igrejas e movimentos. Raramente se vê alguém utilizando o espaço virtual para anunciar o evangelho da graça e da misericórdia de Deus em Cristo. Se tais pregadores estão errados ou são mesmo falsos mestres, o ideal é espalhar o verdadeiro evangelho para, pelo menos, anular uma parte dos efeitos deletérios deles sobre o povo. Isto porque eles continuarão existindo até o retorno do Grande Rei. Por mais estranho que pareça é até necessário que hajam tais falsos mestres e heresias para que fique evidente os que são verdadeiros e fieis conforme I Co. 11:19 - "E até importa que haja entre vós heresias, para que os aprovados se tornem manifestos entre vós."
Um mestre se define, enquanto substantivo, como o indivíduo que ensina, porque atingiu elevado nível de saber e conhecimento. Enquanto adjetivo, o mestre é aquele que se destaca como o mais importante, fundamental ou principal em uma ordem ou sistema de conhecimento e prática. Em sentido bíblico, o mestre é aquele que, por ter sido regenerado e provado na fé que recebeu por graça, pode transmitir a verdade vivenciada a outros. Neste caso, tanto transmite o evangelho da cruz aos que ainda não nasceram de novo, como ensina o caminho da cruz aos regenerados para crescimento mútuo. 
 At. 13: 1 a 11 - "Ora, na igreja em Antioquia havia profetas e mestres, a saber: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes o tetrarca, e Saulo. Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, os despediram. Estes, pois, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. Chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus, e tinham a João como auxiliar. Havendo atravessado a ilha toda até Pafos, acharam um certo mago, falso profeta, judeu, chamado Bar-Jesus, que estava com o procônsul Sérgio Paulo, homem sensato. Este chamou a Barnabé e Saulo e mostrou desejo de ouvir a palavra de Deus. Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando desviar a fé do procônsul. Todavia Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos nele, disse: ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perverter os caminhos retos do Senhor? Agora eis a mão do Senhor sobre ti, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. Imediatamente caiu sobre ele uma névoa e trevas e, andando à roda, procurava quem o guiasse pela mão." Então, na Igreja de Antioquia haviam profetas e mestres. Estes ministravam perante o Senhor e jejuavam e oravam. Foram enviados pelo Espírito Santo a anunciar o evangelho. Deus colocou diante deles um homem desejoso de ouvir a verdade, mas o Diabo também colocou um mago e encantador para desvirtuá-lo. Elimas, o encantador, procurava desviar a fé do procônsul romano. Paulo, então, usando da autoridade a ele conferida, o olhou fixamente e lhe disse que era filho do Diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça. Paulo lhe decretou a sentença: ficarás cego, sem ver o Sol por algum tempo. Imediatamente o incrédulo ficou cego.  Hoje, ao contrário, há milhares que defendem e até chegam às raias da agressão para proteger estes encantadores de bodes.
I Tm. 6: 3 a 5 - "Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas, disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro." Uma das características mais evidentes dos falsos mestres é o ensino contrário ao das Escrituras. A não conformidade com as sãs palavras de Cristo é a exteriorização da natureza pecaminosa não regenerada. A doutrina que procede do evangelho de Jesus, o Cristo é sempre e invariavelmente segundo a piedade. A piedade se define como uma virtude recebida pela regeneração, a qual leva o novo nascido a glorificar apenas a Cristo, se inclinar para as boas obras por Deus preparadas de antemão para que os eleitos andassem nelas. Todas estas práticas não são nativas do homem, mas resultam da ação da Graça de Deus em seus eleitos e regenerados.
Jd. 8 a 11 - "Contudo, semelhantemente também estes falsos mestres, sonhando, contaminam a sua carne, rejeitam toda autoridade e blasfemam das dignidades. Mas quando o arcanjo Miguel, discutindo com o Diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda. Estes, porém, blasfemam de tudo o que não entendem; e, naquilo que compreendem de modo natural, como os seres irracionais, mesmo nisso se corrompem. Ai deles! porque foram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro se atiraram ao erro de Balaão, e pereceram na rebelião de Coré." Outro aspecto dos falsos mestres dentro da Igreja é que são apenas sonhadores. O sentido de sonhador no texto bíblico é aquela pessoa que transforma os seus desejos como se fossem ordenamentos divinos. Transferem seus desejos e taras como se fossem de Deus para que os seguidores os aprovem como grandes virtuoses na Terra. Entretanto, quando são colocados debaixo da autoridade rejeitam veementemente e começam o programa da difamação, disputa, acusação e julgamentos sobre os verdadeiros mestres. O apóstolo Judas está comparando tais falsos mestres aos anjos caídos por semelhança dos seus atos. Mostra ainda que, o arcanjo Miguel, estando debaixo da autoridade de Deus, não ousou pronunciar qualquer juízo contra Satanás. O falso sempre se rebela quando é colocado em cheque. O verdadeiro sempre reconhece que a autoridade é de Deus. Os falsos mestres têm apenas compreensão natural da verdade, a  saber, entendem apenas intelectualmente. Não possuem revelação que do alto vem. Por isso, agem irracionalmente quando confrontados com a verdade espiritual. Abraçam o erro de Balaão que, impedido por Deus aconselhou Balaque a fazer o mal a Israel por amor ao dinheiro. Trilham o caminho de Caim que matou seu irmão por ter sido rejeitado por Deus. E, finalmente, perecem na rebelião de Coré, ou seja, recebem o justo juízo de Deus.
Sola Gratia!

sábado, 24 de dezembro de 2016

REVESTIR-SE DE CRISTO

Gl. 3: 24 a 27 - "De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo."
Há nos círculos religiosos, notadamente, entre os que se dizem cristãos uma forte tendência à mitificação e à mistificação da realidade bíblica. Tomam as verdades espirituais e as transformam em crendices humanas para adaptá-las às suas realidades decaídas e corrompidas pela natureza pecaminosa não regenerada. Parece estranho afirmar tal coisa, porque no ideário dominante imaginam que a redenção está na igreja, na prática de ritos e rituais, no estilo de vida reprimido por serem obrigados a fazer ou deixar de fazer determinadas coisas. Entretanto, é bom saber que as Escrituras não se alteram em função das necessidades adaptativas dos homens, por mais bem intencionadas que sejam. Deus não muda conforme Ml. 3:6 - "Pois eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos." Estes fatos se verificam pelo comportamento e, por vezes, enfrentamentos entre pessoas de práticas religiosas diferentes. Cada um cultiva uma série de preceitos, regras e normas, julgando serem as tais a única verdade. Por isso, não aceitam as práticas uns dos outros, o que anula qualquer possibilidade de verdade. Há profundos conflitos, mesmo entre membros de uma mesma igreja.
I Pd. 3: 3 a 6 - "O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranqüilo, que és, para que permaneçam as coisas Porque assim se adornavam antigamente também as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam submissas a seus maridos; como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, se fazeis o bem e não temeis nenhum espanto." Contrariamente ao que ensinam as Escrituras, muitos religiosos se apegam exatamente aos comportamentos exteriores como evidência de verdade e fé. Transformam usos e costumes em doutrina. O interior, a saber, a alma e o espírito estão absolutamente entregues a sentimentos anti-cristãos, quando não, pagãos. A proposta do ensino petrino é que os eleitos e regenerados se revistam de um traje de espírito manso e tranquilo. Tal espírito é obrigatoriamente aquele que foi reconciliado com Deus por meio do novo nascimento. O novo nascimento só acontece por eleição antes dos tempos eternos e se concretiza historicamente pelo recebimento da Graça de Deus em Jesus, o Cristo. Este fato é realizado concretamente na fé que o pecador eleito foi incluído na morte com Cristo, e, consequentemente, em sua ressurreição. O apóstolo Pedro está ensinando neste texto, não que a mulher seja uma nulidade, mas que sejam guiadas pelo espírito regenerado. Não é uma questão dos trajes exteriores, mas do espírito vivificado.
Rm. 13: 13 e 14 - "Andemos honestamente, como de dia: não em glutonarias e bebedeiras, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências." Vê-se que o andar dos eleitos e regenerados deve ser às claras e pautado por uma auto-disciplina natural e consequente de um pleno revestimento de Cristo. Ora, quantas brigas, dissoluções e divisões se veem em muitas igrejas por disputar cargos, opiniões, controle. Tudo por causa da natureza pecaminosa não regenerada, mas apenas encoberta por palavras e religião exterior. O revestimento de Cristo não é uma decisão moral e cerimonial, mas uma mudança de mente nos termos da metanoia ensinada por Paulo em II Tm. 2:25 - "...na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade..." Revestir-se, pois, do Senhor Jesus, o Cristo não é apenas uma mudança de comportamentos exteriores. Os comportamentos morais e exteriores mudam como consequência de uma mente renovada, não como causa de tal renovação. Mudam as práticas, porque o espírito foi vivificado. Mudam os comportamentos, porque a alma está sendo purificada dos atos pecaminosos herança da velha natureza pecaminosa. Não são as práticas religiosas exteriores que mudam o velho homem adâmico, mas a experiência de novo nascimento que mudam as velhas práticas e comportamentos.
Cl. 3: 12 a 14 - "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição." A primeira evidência exterior de uma mente renovada pelo novo nascimento é a capacidade de suportar e perdoar aos outros. Os eleitos e regenerados são pecadores cuja natureza pecaminosa foi aniquilada na cruz conforme Hb. 9:26 - "...mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Veja que, a manifestação de Cristo na pessoa histórica de Jesus, foi de ".. uma vez por todas..." Não é uma manifestação esporádica ao saber dos humores e desejos dos corações corrompidos dos homens. Foi apenas uma vez, sendo esta suficiente e eficiente para sempre. Muitos religiosos sofrem da "síndrome da pipoca", a saber, sobem e descem ao sabor da efervescência e dos acontecimentos. Quando as coisas estão favoráveis e satisfazendo seus anseios e desejos são os mais "espirituais". Quando os eventos e fatos são desfavoráveis são os mais frios e incrédulos. Ora, só se pode falar em espiritualidade aqueles cujos espíritos foram vivificados em Cristo conforme I Co. 15:45 - "Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante." Veja, Adão, era apenas alma vivente, mas Cristo, o último Adão, espírito vivificante. Jesus, o Cristo tipificou o último da raça decaída descendente do primeiro Adão. O seu espírito tornou-se morto para Deus, por isso, Cristo se manifestou em Jesus para matar a raça decaída de Adão e reconciliá-lo novamente. Apenas o revestimento da justiça de Cristo pode reconduzir o espírito, antes corrompido e decaído do homem, novamente a Deus pela inclusão na morte e na ressurreição. Este é o sentido de revestir-se de Cristo. O revestimento de Cristo não é um conjunto de comportamentos morais e rituais, ainda que seja bons.
Sola Scriptura!

domingo, 18 de dezembro de 2016

A JUSTIFICAÇÃO É PELA FÉ APENAS

Fl. 3: 1 a 10 - "Quanto ao mais, irmãos meus, regozijai-vos no Senhor. Não me é penoso a mim escrever-vos as mesmas coisas, e a vós vos dá segurança. Acautelai-vos dos cães; acautelai-vos dos maus obreiros; acautelai-vos da falsa circuncisão. Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne. Se bem que eu poderia até confiar na carne. Se algum outro julga poder confiar na carne, ainda mais eu: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei fui fariseu; quanto ao zelo, persegui a igreja; quanto à justiça que há na lei, fui irrepreensível. Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo; sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo como minha justiça a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me a ele na sua morte, para ver se de algum modo posso chegar à ressurreição dentre os mortos."
Justificação é substantivo que deriva do verbo justificar. Justificação é o ato de ter sido justificado. Entretanto, no sentido bíblico, não se trata de auto-justificação, mas de ter recebido a justiça divina contra o pecado que torna qualquer homem injusto perante Deus. Desta forma a justificação é o ato ou efeito da graça de Deus que toma o homem injusto e torna justo, reconciliando-o novamente ao estado anterior à queda.
Rm. 3: 4 e 5 - "Pois quê? Se alguns foram infiéis, porventura a sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus? De modo nenhum; antes seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso; como está escrito: para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado. E, se a nossa injustiça prova a justiça de Deus, que diremos? Acaso Deus, que castiga com ira, é injusto? (Falo como homem.) De modo nenhum; do contrário, como julgará Deus o mundo?" Neste texto, o apóstolo Paulo está doutrinando os nascidos de Deus em Roma. Paulo parte da premissa que Deus é verdadeiro e o homem mentiroso, a saber, Deus é justo, independentemente, daquilo que alega o homem em sua defesa. A mentira a que alude o texto é uma forma de demonstrar que há no homem natural um estado permanente de pecaminosidade que o torna morto e injusto perante Deus pela culpa do pecado. Na mente corrompida do homem, especialmente, dos religiosos só é injusto aquele homem que comete muitos erros, pecados e delitos previstos em lei. Todavia, é bom saber que, no sentido bíblico, injusto é todo homem que já nasce com a natureza pecaminosa. Por esta razão é que apenas Deus pôde justificá-lo, executando a perfeita justiça em Cristo na cruz. E todos os pecadores eleitos estavam incluídos n'Ele para receber a perfeita justiça substitutivamente.
Do contexto acima depreende que é pela injustiça do homem que se vê a justiça de Deus, visto que a justiça própria não é aceita diante d'Ele. A infidelidade do homem não pode anular a graça de Deus. Muitos homens religiosos sofrem a vida inteira por querer apresentar-se diante de Deus por sua própria justiça. Imaginam estes que é por impor-se a si mesmos um modelo ou padrão de comportamento que convencerá Deus a lhes ser favorável. Ora, se o homem não se reconhecer pecador e culpado, como poderá Deus perdoá-lo e justificá-lo? Poderá a justiça própria baseada em méritos anular a justiça de Deus? Caso esta afirmativa fosse correta, a morte substitutiva e inclusiva de Cristo na cruz teria sido em vão. Esta seria a anulação da graça pela lei.
Gl. 3: 1 a 5 - "Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado? Só isto quero saber de vós: foi por obras da lei que recebestes o Espírito, ou pelo ouvir com fé? Sois vós tão insensatos? tendo começado pelo Espírito, é pela carne que agora acabareis? Será que padecestes tantas coisas em vão? Se é que isso foi em vão. Aquele pois que vos dá o Espírito, e que opera milagres entre vós, acaso o faz pelas obras da lei, ou pelo ouvir com fé?" Mais uma vez o apóstolo Paulo apela aos cristãos da Galácia que reflitam sobre a questão da justificação. Eles haviam sido justificados pela fé, mas diante das pressões do sistema religioso do judaísmo estavam tentando conciliar fé e obras. Eles estavam negando a justificação pela fé na morte substitutiva e inclusiva de Jesus, o Cristo. Paulo demonstra que, foi pela fé que haviam experimentado o novo nascimento e recebido um novo espírito. Mostra ainda que, buscar a justificação pelas obras da lei é retornar à carnalidade, negando a espiritualidade. Finalmente, Paulo recorda aos gálatas que até mesmo a operação de milagres foi pela fé e não por cumprir preceitos, regras e normas cerimoniais.
Muitos que se auto-intitulam cristãos hoje agem exatamente como os da Galácia, pois colocam seus bons comportamentos morais e suas boas obras como garantia de justificação perante Deus. Quando se deparam com o verdadeiro ensino das Escrituras, os quais demonstram o contrário, reagem acusando o mensageiro de heresia. Eles olham para o mensageiro e não para a mensagem, porque é mais fácil refutar um homem. Dentro de todas as denominações religiosas ocorre o mesmo fato: se apegam a um conjunto de doutrinas por eles mesmos escolhidas e eleitas como suas verdades. Tudo o que estiver fora desse corpo doutrinário é heresia e deve ser combatido até o fim. Isto caracteriza exatamente a justificação por suas próprias obras da lei. É uma espécie de fé humana em doutrinas, mas não é uma fé que procede de Cristo, visto que a fé não é uma virtude humana, mas provém de Deus.
O texto de abertura inicia sua doutrinação apelando a que todos os eleitos e regenerados se acautelem dos erros doutrinários de obreiros e ensinos de justificação por méritos. Cães traz a noção de homem natural que age apenas pelo seu próprio instinto. Falsos obreiros são aqueles que levam os religiosos a desenvolver obras de justiça própria, sem lhes apresentar a inclusão na morte de Cristo. A falsa circuncisão é uma referência ao cumprimento de ritos religiosos a fim de alcançar a reconciliação com Deus, sem Cristo. Todavia, Paulo mostra que a circuncisão é a atitude daqueles que recebem, pela graça, a justificação pela fé e não em atos ritualísticos da lei moral e cerimonial conforme o ensino de Ef. 2: 8 a 10 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas."
O próprio apóstolo Paulo dá o testemunho que abriu mão de todos os ritos e práticas religiosas anteriores para ficar apenas com o conhecimento de Cristo. O verdadeiro evangelho consiste em conhecer a Cristo apenas pela fé. Tal conhecimento implica em ter sido reconciliado pela graça mediante a fé por meio da inclusão do pecador na morte de Cristo, como também em sua ressurreição. É este o sentido da expressão utilizada pelo apóstolo Paulo: "... e seja achado nele, não tendo como minha justiça a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé..." Ser achado em Cristo é uma realidade inclusiva e não um ato puramente contemplativo como na maioria das religiões humanistas.
Sola Scriptura!
Sola Fide!
Sola Gratia!

domingo, 16 de outubro de 2016

NÃO SE SEPARAR DA SIMPLICIDADE DE CRISTO

II Co. 11: 3 e 4 - "Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo. Porque, se alguém vem e vos prega outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de boa mente o suportais!"
Nestes quase dois mil anos da história do Cristianismo viram-se muitos movimentos balançando, ora em um sentido, ora em outro sentido. Foram ondas de progresso e de recuo em relação aos fundamentos do evangelho. Sabe-se que o evangelho não se limita a um conjunto de doutrinas aceitas e praticadas por algum grupo que se auto-intitula cristão. Tais movimentos tendem a ser mais ou menos fortes e duradouros conforme o seu fundamento. Quando o fundamento é Cristo eles são firmes, duradouros, eficientes e eficazes naquilo que, de fato, interessa ao "supremo propósito" de Deus. Quando são embalados por doutrinas de homens cuja centralidade não está em Cristo, são tumultuados, curtos e ineficientes em produzir a comunicação da verdade aos pecadores eleitos. Apenas enchem igrejas de religiosos incrédulos.
Um certo movimento religioso, pode, em determinados períodos até parecer absolutamente comprometido com o evangelho. Isto acontece porque, geralmente, a sua análise é feita pelo homem em função da efervescência, do triunfalismo e da dinamicidade que assume o tal movimento. Os homens, sobretudo, os religiosos são movidos a números, desempenho e resultados. Desta forma, se um movimento religioso está em espiral de crescimento, seus líderes aceitam que estão sendo aprovados por Deus. Nestes casos, não ocorre o evangelho segundo a simplicidade de Cristo, mas uma espécie evangelicalismo triunfante. Como a maioria dos liderados não se importa em averiguar a veracidade dos fatos, recebem sem questionar a onda frenética do grupo como verdade absoluta. 
Em toda a extensão das Escrituras não se vê Deus trabalhando com grandes massas  e grandes movimentos. Ao contrário, a ação de Deus é sempre com reduzidos grupos, envolvendo as pessoas menos prováveis do ponto de vista de dinâmica e eficiência. Isto ocorre para que fique claro que a ação é sempre monérgica, ou seja, parte apenas e exclusivamente do propósito de Deus. Foi Jesus, o Cristo quem esclareceu uma verdade há muito esquecida pelos religiosos que veneram prestígio, número e grandes resultados, conforme Mt. 7:13 - "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela." Pela própria natureza residente no homem, quando todos ou a maioria assume que tal caminho é o verdadeiro deve-se voltar às Escrituras para averiguar se assim é. O fato de uma religião conquistar a simpatia e a adesão de um grande número de seguidores, pode ser exatamente o sinal de que Deus não está nisto. A porta estreita a que alude o texto é Cristo, e este crucificado. A porta larga indica a proposta mais aceitável e em conformidade com as inclinações da natureza pecaminosa do homem. Isto inclui, não apenas, questões de comportamento ou de moral, mas especialmente o que está relacionado à verdade do evangelho. Uma boa moral serve apenas aos propósitos sociais e interpessoais, mas jamais salva o homem espiritualmente.
O texto que abre este estudo mostra claramente que o apóstolo Paulo estava preocupado, precisamente, com esta inclinação dos homens em desejar, buscar e cultivar sistemas de crenças baseados em quantidade e não em qualidade. A troca da qualidade pela quantidade se dá precisamente pelo engano. Paulo cita o ocorrido ao primeiro casal no Éden. Eva foi enganada por Satanás, porque não recebeu a instrução diretamente da palavra de Deus. Logo, ela não possuía segurança sobre como proceder em relação a oferta do inimigo. Entretanto, Adão não foi enganado, porque recebera a instrução diretamente da palavra de Deus. Desta forma, Eva foi apenas enganada, mas Adão pecou por incredulidade ao que Deus lhe havia instruído.
Corrupção é um termo que indica a ruptura da normalidade de algo ou alguém em relação à sua posição e estrutura original. Desta maneira é a ruptura em relação a simplicidade de Cristo que leva os religiosos ao engano, e, posteriormente, ao pecado por contaminarem a pureza do evangelho de Cristo. 
O que tem ocorrido, na maioria das religiões ditas cristãs, é que estão recebendo, além de outro evangelho, também, outro Cristo que não aquele anunciado desde o princípio nas Escrituras. A cada nova seita ou religião, reinventam um Jesus diferente e cada vez mais próximo do que o homem deseja. A consequência disto é o recebimento de doutrinas e espíritos de demônios conforme I Tm. 4:1 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios..."
Não se iluda, pois seus conceitos acerca de determinados textos são apenas o resultado de um longo processo de aliciamento e lavagem cerebral. Desta forma, quando você lê estas palavras, logo, imagina que tudo isto tem a ver com a religião dos outros. Jamais imaginam que Deus vem falando e repetindo tais verdades ao longo de dois mil anos. Ainda assim, homens estão indo aos milhões para a perdição com toda a sua religiosidade, bom comportamento, sucesso, prosperidade e prestígio. Tais coisas, não provam que estão na verdade, pois o caminho da perdição oferecido por Satanás propõe exatamente aquilo que alegra e satisfaz o coração incrédulo e religiosamente cego por doutrinas de homens.
Sola Scriptura!

sábado, 3 de setembro de 2016

INDO POR TODO O MUNDO

Mc. 16: 15 e 16 - "E disse-lhes: indo por todo o mundo,  pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado."
O texto acima tem gerado muitas controvérsias ao longo do tempo entre religiosos de diversos e diferentes matizes. Isto porque é mais fácil polemizar para atribuir maior verdade ao sistema de crenças ao qual defendem do que se aprofundar no conhecimento de Deus. Entretanto, buscar e confrontar-se com a verdade estritamente bíblica requer revelação do alto, a qual não se obtém por meio de religião. O Novo Testamento foi escrito em língua grega, mas não o grego erudito. Utilizou-se do grego koinê que a língua falada pelas massas populares. O objetivo de Deus ao conduzir e inspirar os hagiógrafos a esta ação foi para atingir a maior parte das massas perdidas em seus delitos e pecados. Usar uma língua em norma estritamente culta serviria apenas a um reduzido grupo de homens. Entretanto, ao utilizar a língua corrente serviria, tanto às massas, como aos eruditos.
O verbo ir do texto de abertura deste estudo grafa-se, em grego koinê, da seguinte forma: [πορευθεντες]. Quanto à forma, o modo e o tempo em que foi grafado, admitem-se três traduções: 
a) Particípio aoristo, isto é, indica uma ação já ocorrida, assumida e sacramentada, ou seja,  significa 'ido'; 
b) Gerúndio na língua portuguesa, ou seja, 'indo'; 
c) Imperativo como tradução livre ou forçada, a saber, 'ide'.
No texto que abre este estudo tem-se a seguinte estrutura: "... indo por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura..." Então, o sujeito da ação é todo e qualquer cristão, porém eleito e regenerado, pois do contrário, não teria o que anunciar. Um cristão, não regenerado é apenas um religioso e não possui o verdadeiro evangelho de Cristo. O verbo indica a ação no particípio grego ou no gerúndio em português, visto que nesta língua, não há o modo e o tempo aoristo do grego koinê. Portanto, considerando o particípio e o gerúndio, o sujeito que anuncia o evangelho já está devidamente consciente de suas ações, quanto ao anúncio do evangelho por toda parte, isto é, por onde for. E, finalmente, admitindo o verbo no imperativo, o sujeito é obrigado a ir pelo mundo e pregar a toda criatura. Não é o resultado da ação de Deus, mas do esforço humano com base no mérito e na justiça própria. Isto exclui a ação como monérgica e a coloca como sinérgica. Tal manipulação desqualifica a graça pela qual os pecadores são alcançados conforme Ef. 2: 8 a 10.
Ao apropriar-se do verbo no particípio aoristo tem-se que o sujeito já foi, a saber, já assumiu que anunciar o evangelho a toda criatura, por toda parte, por todo o tempo é consequencial e não imperativo. Assumindo que o verbo está no gerúndio, o sujeito está cônscio da responsabilidade permanente de anunciar o evangelho a toda criatura como consequência da sua nova natureza. Finalmente, assumindo, como a maioria assume, que o verbo é uma ordem imperativa, o sujeito é obrigado a ir aos campos designados para que pregue o evangelho. Aqueles que assumem esta última posição o fazem, alegando que o verbo no imperativo se torna mais harmônico com o contexto. Entretanto, nem forçando a gramática não se pode traduzir 'poreithentes' como imperativo. Logo, não há harmonia algum em traduzir um determinado verbo, em um modo e tempo em outro modo e tempo apenas para agradar a natureza decaída do homem. Eles alegam por duas razões: primeiro por falta de revelação e necessidade de agir segundo suas naturezas religiosas decaídas e não regeneradas. Segundo, porque isto satisfaz seus esforços baseados no mérito, como se o homem pudesse operar a salvação aos pecadores apenas pelos seus esforços. 
A melhor tradução para o verbo ir no texto objeto deste estudo seria 'ido', pois indica que o sujeito já foi. Porém, em língua portuguesa não é de uso comum ou perde o sentido. Entretanto indica, primeiramente, que o sujeito foi reconciliado com Deus, e, secundariamente que já assumiu sua missão de anunciar o evangelho. O pecador regenerado assume pela fé que é um enviado a anunciar o evangelho a toda criatura, em qualquer tempo, em qualquer lugar do mundo. 
Muitos dos que advogam a tradução do verbo no imperativo o faz por soberba religiosos e pelo desejo de prestar serviço humano a Deus. Esta atitude é a mera presunção de substituir as "boas obras" ou a "obra de Deus", pelas obras humanas. Isto é absolutamente diabólico. Também, porque tal postura determina que a liderança faça exigência constante de contribuições financeiras a fim de sustentar a obra de Deus. Todavia, quem é nascido do alto sabe que Deus executa a sua vontade, independentemente do homem e seus pressupostos. O mesmo Deus que salva o pecador pela graça o capacita e o sustenta a fim de que o evangelho cumpra o seu desideratum eterno. Fazer Deus se curvar à boa vontade do homem é tentar desconstruir a soberania d'Ele e subordiná-lo ao pecador. Ao contrário, Deus faz que qualquer homem execute a sua vontade, querendo ou não. Há inumeráveis exemplos desta verdade nas Escrituras, tais como, o caso de Jonas e sua pregação em Nínive; Paulo e sua conversão a caminho de Damasco. É Deus quem faz dos seus eleitos e regenerados pescadores de homens. Mas a religião quer fazer pecadores de pescadores de Deus. Nesse caso, dar-se-ia que o peixe pesca o pescador.
At. 1:8 - "Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra." Vê-se que os nascidos de Deus são por ele capacitados pela ação do Espírito Santo e não por seus projetos e planos humanos. Ser testemunha implica em ser mártir por causa do evangelho, porque a palavra 'testemunha' em grego neotestamentário é 'mártir.' Não é uma promessa par ser herói ou admirado neste mundo. Observa-se que a ordem dos fatos é gradativa, pois é primeiramente em Jerusalém, ou seja, o mais próximo do novo nascido. Depois na Judeia, ou seja, um pouco mais longe. Depois em uma região mais ampla, a Samaria. E, por último, em todo o mundo. 
Mt. 28:19 - "Portanto indo, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." Fazer discípulos de todas as nações significa, em última instância, dar aulas e ensinar pessoas acerca de algo ou algum conhecimento. Não significa fazer transculturação, ou seja, levar a cultura do país do religioso aos outros povos, mutilando-os e causando conflitos étnicos e antropológicos. Por conta destes erros grosseiros a serviço de dominação ideológica é que muitos países fecharam suas portas ao evangelho. Então, neste caso quem é o perseguidor é o religioso que viola seus costumes em nome de uma crença que nem mesmo ele vive por faltar-lhe mais exatidão.
Sola Scriptura!

sábado, 20 de agosto de 2016

PARA VIVER ETERNAMENTE É NECESSÁRIO MORRER PRIMEIRO

Jo. 12: 24 a 25 - "Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu servo; se alguém me servir, o Pai o honrará."
Morte é um substantivo feminino cuja significação é 'interrupção definitiva da vida de um organismo vivo.' Tal substantivo deriva do verbo morrer que, por sua vez, significa: 'perder a vida, finar-se, falecer, expirar,' enquanto verbo pronominal, intransitivo e predicativo. A morte é a única certeza que alguém passa a ter após atingir a consciência plena. Para a maioria a morte é uma certeza aterrorizante. Por esta razão muitos gastam tudo o que têm e até o que não têm em busca de adiar ou eliminar a morte. Há hoje diversos centros de pesquisas contratados para congelar pessoas portadoras de doenças, até agora, incuráveis. O medo da morte, em sua maior parte, se justifica pela incerteza quanto ao prosseguimento após cessar a existência terrena. Para alguns, a morte é o limite final da vida biológica e da existência do ser; para outros, a morte é um evento que define estágios na escala evolutiva do homem; para outros ainda, a morte é a certeza de uma vida eterna, redimida; finalmente, para uma grande parte de pessoas, a morte é a certeza apenas da condenação por seus atos falhos. 
As Escrituras ensinam que a destinação do homem após a morte é a seguinte: o corpo retorna ao pó de onde foi tomado e o espírito retorna a Deus que o assoprou nas narinas do primeiro Adão conforme Gn. 3:19 - "... porquanto és pó, e ao pó tornarás." Na cultura judaica veterotestamentária, a menção ao espírito é dupla, pois se refere à alma e ao espírito. Por esta razão boa parte dos teólogos modernos não aceita a tripartição do homem em corpo, alma e espírito. Isto é esclarecido em Gênesis, quando é afirmado o seguinte: "... e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente." A expressão hebraica traduzida, nas línguas ocidentais, para "fôlego da vida" é "nefesh lehayym", ou seja, o 'fôlego das vidas'. Muitos tradutores, por não terem revelação sobre o assunto, reduz tal expressão a uma série de explicações gramaticais mirabolantes. Todavia, o texto faz referência à alma e ao espírito. A alma não é uma entidade que incorpora no homem juntamente com o espírito, mas é uma dimensão sensorial que caracteriza cada pessoa. Desta forma, a expressão é uma referência à vida almática e à vida espiritual inoculadas no primeiro ancestral e passada à toda humanidade.
Desta forma, o corpo é a dimensão físico-biológica, a alma é a dimensão psíquica ou a consciência, e o espírito é a essência divina que retorna a Deus após a morte física. A alma é, portanto, aquilo que o homem é em sua consciência existencial, ou seja, emoções, volições, decisões. Desta forma, Adão recebeu o corpo formado dos elementos químicos do barro, a alma ou o corpo psíquico e o espírito eterno conforme I Co. 15:45 - "Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente." Assim, Adão, o ancestral comum comunicou aos seus descendentes esta estrutura corporal, almática e espiritual. O espírito só se comunica com o Espírito de Deus; a alma é a parte sensitiva ou sensorial que percebe a realidade; e o corpo sente, agindo e reagindo ao comando da alma. A alma é a dimensão vivente para a realidade terrena, enquanto o espírito é a dimensão viva em relação a Deus. Porém, o pecado original fez que o espírito se tornasse morto para Deus. Tal ruptura só se resolve com a reconciliação e o novo nascimento.
O texto que abre esta instância é uma parábola cujo ensino é sobre a necessidade da morte da natureza pecaminosa do homem e do seu novo nascimento. A explicação de Jesus, o Cristo é muito simples e se utiliza de elementos da natureza e comuns ao dia-a-dia daqueles que o ouviam. Ao semear um grão de trigo ele tem duas possibilidades: germinar e se desfazer para dar lugar a uma nova planta, a qual produzirá diversas espigas com novos grãos de trigo; permanecer ressequido na terra e não produzir nada de novo. 
O ensino é igualmente muito simples: para que o homem natural, representado pelo grão de trigo, seja semeado e experimente o nascimento do alto, terá de morrer em Cristo e ressuscitar juntamente com ele conforme Ef. 2:4 a 6 - "Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus..." Desta forma, o espírito do homem tornou-se morto para Deus, isto é, perdeu o elo com o Espírito Santo. Por isto, Jesus, o Cristo veio para morrer a nossa morte, incluindo-nos em sua morte de cruz conforme Rm. 6: 3 a 6 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado." Então, o pecado que fez o homem morrer para Deus foi destruído na cruz, em Cristo e este ganhou a vida eterna na ressurreição com ele. Tudo isto se apropria pela fé que é dada aos eleitos por graça e misericórdia d'Ele mesmo.
O resumo desta doutrina, a saber, da inclusão do pecador na morte de Cristo consiste na seguinte sequência:
a) Apenas Deus conduz os pecadores eleitos até Cristo para ganharem a vida eterna conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer..."
b) Jesus, o Cristo inclui o pecador eleito em sua morte conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer."
c) Cristo Jesus, nos traz a vida eterna na sua ressurreição conforme Gl. 2: 20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim."
Portanto, para ter certeza que há vida eterna e perfeita após a morte é necessário ganhar fé para confiar plenamente na graça que redime o homem da culpa do pecado. Tal redenção é pela fé, pois ninguém estava lá fisicamente no dia da morte e da ressurreição de Cristo. Desta maneira os eleitos são ensinados pelo Espírito de Deus que podem crer que foram incluídos na morte e na ressurreição de Cristo. É esta a fé que mostra a graça que salva e vivifica o homem seja ele quem for. 
Sola Gratia!
Sola Fide!
Sola Scriptura!