quinta-feira, 27 de novembro de 2014

AS ESCAMAS IMPEDITIVAS DA RELIGIÃO

Rm. 9: 6 a 16 e 22 a 24 - "Não que a palavra de Deus haja falhado. Porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus; mas os filhos da promessa são contados como descendência. Porque a palavra da promessa é esta: por este tempo virei, e Sara terá um filho. E não somente isso, mas também a Rebeca, que havia concebido de um, de Isaque, nosso pai (pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito: o maior servirá o menor. Como está escrito: amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia. E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?"
Religião é uma proposta que pretende, por meio de obras de justiça e de esforço, convencer Deus a ser favorável ao homem. Simplificadamente, religião significa a tentativa de religar o que foi desligado por causa do pecado. Desta forma, o religioso cria diversos e diferentes sistemas de crenças para atingir este objetivo. Entretanto, as Escrituras ensinam que o homem não pode religar-se a Deus nem por sua vontade, nem por descendência, nem por escolha moral conforme Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." Os que recebem a Cristo são os que creem no seu nome, porque a estes foi dado o poder de serem feitos filhos de Deus. Eles não conquistaram nada, mas foram conquistados pela graça. A transferência do reino das trevas para o reino do amor de Deus não foi operada pelo nascimento biológico, pela descendência étnica, nem pela vontade da mente ou da inteligência. O novo nascimento ou nascimento do alto foi operado pela vontade de Deus. Tanto Jó, como Paulo eram perfeitos religiosos, nem por isso, estavam purificados da natureza pecaminosa que os separava de Deus. Foi necessário um duro processo de regeneração neles por meio da cruz. 
Na maioria dos casos a religião serve para endurecer e cegar mais o pecador, uma vez que este internaliza normas, regras e preceitos que obscurecem e substituem a verdade. Tais sistemas estão, geralmente, baseados na Bíblia, porém, interpretadas e aplicadas pelo senso de justiça própria do homem em sua natureza pecaminosa. O pecado que não foi aniquilado determina no homem natural uma adaptação do texto bíblico ao que agrada a sua alma.  O religioso se apega aos valores comportamentais e aos dogmas da religião, fechando os filtros à revelação das Escrituras. Supervaloriza os valores morais no lugar da pessoa de Cristo que produz a santidade nos eleitos e regenerados. O excesso de regras comportamentais e rituais de religião exterior funcionam como uma densa cortina que impede a visão da simplicidade do evangelho. Uma das mais eficazes estratégias do Diabo é manter os religiosos ocupados o tempo todo com coisas relacionadas a Deus, a Cristo, a Bíblia e a Igreja, mas eles não conseguem ver a verdade. No século XIX, Watchman Nee disse: "... tenho inveja das lavadeiras da minha aldeia, porque, enquanto eu tenho a Palavra de Deus nas mãos, elas têm o Deus da Palavra." Ele foi um filho do Altíssimo que passou a maior parte da vida em prisões na China Comunista, por causa do evangelho. Acontece, que, após este homem ter recebido o ensino verdadeiro por meio de Jesse-Pen Lewis veio a conhecer a verdade que verdadeiramente liberta, a saber, Cristo e este crucificado.
No texto que abre esta instância, o apóstolo Paulo vem falando da sua grande tristeza por não ter sido separado por Deus para anunciar o evangelho aos judeus e aos seus parentes. Demonstra que, apesar de os judeus serem israelitas e terem a lei, os pactos, a doação do Cristo, o culto e as promessas, nem todos seriam salvos. Afirma ainda que, pelo fato de que nem todos os judeus receberam a verdade, Deus houvera falhado. Mostra que nem todos os descendentes da promessa feita a Abraão foram eleitos para a salvação. Por esta razão João afirma sobre Jesus: "veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam." Isto equivale dizer que o salvador veio, primeiramente, ao povo de Israel, mas a maioria não o reconheceu como o salvador deles. Então, a questão não é de o pecador ter um sistema religioso, praticar ritos e se submeter a um conjuntos de preceito e regras morais. A questão é de Deus ter escrito os nomes dos pecadores eleitos no livro da vida do Cordeiro.
A eleição e a predestinação são doutrinas bíblicas e não invencionices de quem quer que seja. Na verdade são doutrinas extremamente duras para o senso de justiça humano. Especialmente o religioso cheio de justiça própria abre logo o seu baú de justificativas para inocentar Deus desta doutrina. Eles alegam que Deus é amor e que jamais rejeitaria alguém que é correto e que aceita Jesus. Entretanto, correto até o anjo querubim que veio a ser Satanás era até o dia em que foi achada nele a iniquidade. Correto, Jó era, sendo, inclusive, elogiado por Deus diante de Satanás. Correto, também era Paulo e zeloso dos pactos do judaísmo. 
Paulo mostra no texto que Jacó e Esaú sequer haviam nascido, mas Deus já havia escolhido a Jacó. Os gêmeos sequer havia cometido o bem ou o mal, mas Deus já havia feito a escolha para Jacó. Então, não é uma questão de fazer o bem ou o mal, pois estas realidades estão naturalmente dentro do homem. Além do que, o bem e o mal é, primeiramente, uma questão de conceito antes de se tornar uma questão de prática. O que é tido como o mal em uma cultura é tido como o bem em outra cultura. Deus determinou que Esaú seria servo de Jacó e assim aconteceu historicamente. 
Os advogados de Deus logo questionam que o ensino da doutrina da eleição faz Deus se tornar injusto. Paulo mesmo responde a isto no texto: "Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum." A explicação abrange a soberania de Deus: "... terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia." Ele é soberano para fazer o que lhe aprouver.
O texto mostra claramente que foi Deus quem preparou os vasos para ira e perdição e os vasos de misericórdia para a sua glória. Ambos foram feitos por Deus e não um pelo Diabo e o outro por Deus como se ensina, comumente, nas religiões institucionais e humanistas. Mostra que é Deus quem usa de misericórdia e de justiça com quem quer. A eleição não depende de quem pratica esta ou aquela religião. Não depende de quem corre atrás de boas obras ou de bom comportamento. Estas realidades são operadas por Deus que realiza o querer e o efetuar nas vontades dos que são d'Ele. Isto é soberania e não injustiça, pois ele poderia deixar todos na condenação do pecado.
O texto diz, no original grego, que Deus amou a Jacó e odiou a Esaú. Algumas traduções humanistas mudaram a palavra "odiei" para "amou menos" ou mesmo "aborreci". Todavia, o original em grego koinê diz que Deus odiou a Esaú. É dito que, mesmo depois dele ter chorado e desejado retomar a bênção, Deus não reconsiderou conforme Hb. 12:27 - "Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado; porque não achou lugar de arrependimento, ainda que o buscou diligentemente com lágrimas.Esaú buscou arrependimento com lágrimas, porém não o encontrou. Desta forma os religiosos incrédulos às Escrituras deveriam agendar uma audiência com Deus para questioná-lo sobre a sua soberania em amar a um e rejeitar ao outro.
Sola Scriptura! 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A UNS É DADO CONHECER, MAS A OUTROS NÃO É DADO

Lc. 8:10 - " Respondeu ele: a vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; mas aos outros se fala por parábolas; para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam."
Um dos mais evidentes sinais de uma pessoa que possui apenas religião é a impossibilidade de receber o ensino bíblico como sendo verdadeiro. O homem natural, o qual não pode discernir as coisas do espírito, ajunta para si um amontoado de valores morais, normas, regras e preceitos religiosos. Adota determinados comportamentos apenas exteriores supostamente apoiados na Bíblia e chama a tudo isto de verdade. Entretanto, tal verdade é puramente humana e não a verdade como o próprio Cristo conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." A verdade, a vida e o caminho não são metodologias, doutrinas ou preceitos. É, antes, uma pessoa, a saber, o próprio Cristo. A verdade não é uma concepção filosófica, mas uma pessoa que doou a própria vida. Como propõe o texto, ninguém pode chegar ao Pai se não for por meio de Cristo que é a verdade. Deus não tem coisas para dar ao homem, ele tem uma única dádiva, a saber, Cristo. Quem tem Cristo tem tudo, porque ele é o tudo de Deus conforme Cl. 3:11c - "... mas Cristo é tudo em todos." Deus fez todas as coisas  convergirem para Cristo e não para coisas conforme Cl. 1:16 e 17 - "... porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as coisas."
Outro sinal claro que a pessoa é apenas religiosa é o legalismo. Por legalismo entende-se a exigência de perfeição e bom comportamento moral como evidência da verdade. Ora, muitos ateus possuem comportamento mais íntegro e reto que muitos religiosos. O próprio Cristo ensinou que os homens naturais são mais prudentes ou espertos que os filhos da luz conforme Lc. 16:8b - ... porque os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz." Isto se deve ao fato que os filhos deste mundo têm os seus corações inclinados para o mundo e seu sistema, enquanto os filhos da luz seguem a luz que é Cristo assentado nos lugares celestiais. O legalismo é o resultado das exigências das igrejas institucionais que, não tendo o ensino da verdade, se apegam a promover apenas reforma moral nas pessoas. Tomam o bom comportamento misturam a alguns preceitos bíblicos e apontam isto como evidência de salvação. Invertem a ordem dos fatos e do ensino da verdade para satisfazer e gratificar suas almas, pela lei do sacrifício de si mesmos. Oferecem apenas religião exterior, a saber, obras de justiça própria e méritos. Muitos vivem a vida toda de modo reto, íntegro, temente e desviando-se do que lhes parece mal. Entretanto, não foram convertidos, porque preferiram trocar a conversão monérgica, pelas ações humanas sinérgicas. Substituem o dom de Deus pelos seus próprios sacrifícios de tolos. Agem como Caim que teve a sua oferta rejeitada, enquanto Abel foi aceito, porque se aproximou de Deus através do substituto. Caim quis agradar a Deus pelo seu esforço, enquanto Abel agradou a Deus por se incluir no cordeiro que representava Cristo crucificado. 
Por fim, um religioso, quando confrontado, monta um perímetro em torno de si mesmo com base em defensivas legalistas. Muitas das suas defesas giram em torno de opiniões de seus líderes, de textos bíblicos adaptados segundo as suas capacidades almáticas ou mesmo de dogmas e preceitos denominacionais. Como não têm discernimento espiritual, desqualificam a mensagem da verdade, acusando ou levantando suspeitas morais sobre o mensageiro. Ora, a  obra de Deus é realizada no mundo pelas pessoas menos prováveis. Muitos dos homens e mulheres que foram usados por Deus desde os tempos mais remotos, não seriam aceitos em muitas igrejas de hoje. Na própria genealogia de Jesus há uma prostituta, Raabe, uma pagã, Rute e Salomão filho da mulher de Urias, o qual Davi expôs para ser morto. Deus não age no Universo com base na retidão, integridade e obras de justiça dos  homens. Fosse assim, Jó não teria de passar por aquele penoso processo de conversão verdadeira. Davi jamais alcançaria um coração segundo Deus, pois foi adúltero, assassino sanguinário e rebelde. Abraão era filho de idólatras e levou muitos anos para receber a imputação da justiça de Cristo. Paulo consentiu na morte de Estevão, perseguiu a Igreja e prendeu cristãos antes de ganhar a graça para a redenção. O fato é que a retidão, a integridade e a justiça dos eleitos e regenerados pertencem a Cristo e não a eles mesmos. Do contrário, Cristo seria absolutamente desnecessário à salvação.
No texto de abertura Jesus, o Cristo mostra aos discípulos que a Palavra de Deus é semeada em diversos e diferentes tipos de terrenos. Em cada terreno ela surte um determinado efeito, mas apenas em um ela germina, frutifica e permanece. Os discípulos não compreenderam muito bem o ensino, porque o raciocínio deles estava viciado na lógica da religião. Por isso, esperavam um ensino que fosse compatível com seus dogmas. Jesus lhes mostra que o ensino por parábolas era exatamente, porque a verdade não é dada a todos de igual modo. A uns é dado conhecer os mistérios de Deus, mas a outros não. Jesus, o Cristo ainda explica mais pormenorizadamente que ensinava por curvas, justamente pra que alguns não vissem, não ouvissem e não entendessem. Cristo foi mais enfático no registro de Mc. 4: 11 e 12 - "E ele lhes disse: a vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas; para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam e sejam perdoados." Vê-se que o objetivo de não ensinar a todos do mesmo modo era para que aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida, não vissem, não percebessem, não ouvissem, não entendessem, não se convertessem e não fossem perdoados. 
O religioso legalista quando se depara com este ensino reage como se o tal ensino não fosse de Cristo, mas de quem o está anunciando. Ele se põe  na defesa da justiça de Deus, como se ele necessitasse de algum advogado. O religioso prefere alegar insanidade e  inverdade de quem anuncia a mensagem, que abrir os filtros para receber como revelação de Deus. Neste ponto ele se põe na mesma condição dos que ouviam apenas a parábola como uma historieta, mas não como revelação dos mistérios do reino de Deus. 
Ora, se Deus tivesse decidido salvar a todos os homens, ele certamente os salvariam a todos. Nada e ninguém pode deter os desígnios de Deus, porque, agindo ele, quem o impedirá? Porém, é  perceptível que nem todos os homens recebem graça para crer, logo, a salvação não é para todos. O excepcional é Deus ter resolvido salvar pela Graça a alguns, pois o normal seria ele deixar que todos se perdessem em seus delitos e pecados. Esta questão não é decidida por pregadores, líderes religiosos ou mesmo pela Teologia. É o que as Escrituras ensinam e que se percebe claramente na realidade concreta. 
Quando, pois, a Graça atinge um pecador cujo nome está escrito no livro da vida do Cordeiro, a sua reação é a mesma de Jó: "Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza." Jó possuía retidão, integridade, desvia-se do mal e temia a Deus, porém isto era apenas religião. Ele era portador de uma religião de segunda mão, porque apenas reproduzia o que ouvia falar sobre a verdade, mas não conhecia a própria verdade. Ele tinha uma espécie de fé na fé. Finalmente, Deus concedeu a Jó ver com os olhos do espírito e não apenas sentir com as impressões da alma. O resultado da visão de Cristo levantado da Terra foi abominar-se a si mesmo no pó e na cinza. Jó passou pelo processo da metanoia e não por conversão religiosa. Ao contrário, Jó foi convertido da religião para a verdade que verdadeiramente liberta.
Sola Gratia!

domingo, 23 de novembro de 2014

ESCOLHEDOR, ESCOLHAS E ESCOLHIDOS

Jo. 15: 16 a 19 - "Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vô-lo conceda. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia."
Uma das maiores dificuldades na compreensão da doutrina da eleição e predestinação é a questão das escolhas. Tal limitação se dá, porque o homem em seu estado pecaminoso não consegue abstrair-se de si mesmo e ver  pelas lentes de Cristo. O pecador consegue, no máximo, ver pela ótica da religião. Entende-se por religião todo e qualquer culto cuja origem e centralidade está no homem. A prática religiosa é, em geral, cercada por rituais, dogmas, regras e preceitos os quais seus líderes consagram como verdades. A religião busca a gratificação da alma e não a sua redenção. Na religião não buscam, porque não podem, o exame das Escrituras como revelação. Buscam tão somente o embasamento teórico para, supostamente, dar suporte a um conjunto de crenças. Chamam, comumente, tais crenças de fé e atribuem-na a Deus ou a uma força sobrenatural. Todavia, Deus não está nisto!
Escolher é um verbo que pode ser transitivo direto ou indireto e bitransitivo, portanto, não traz significação sem um complemento que lhe dê mais exatidão. Como transitivo direto significa 'manifestar preferência por algo ou alguém'. Como transitivo indireto significa 'fazer opção entre duas ou mais coisas ou pessoas'. Desta forma é um verbo que permite a seres inteligentes selecionar, separar, aproveitar, marcar e assinalar situações, aspectos, coisas e pessoas. Vê-se que se trata de atitudes determinadas por desejos da mente. Portanto, não há em termos de escolhas naturais qualquer possibilidade de "livre arbítrio". Para que uma escolha seja absolutamente livre ela não poderá ser determinada nem mesmo pela vontade e o desejo do homem. Portanto, se nem as escolhas naturais são livres, imagine as escolhas espirituais a um ser decaído?
O homem em seu estado natural não sabe discernir entre escolhas naturais e escolhas espirituais. I Co. 2: 14 e 15 - "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido." Por esta razão é que a falsa doutrina do "livre arbítrio" foi entronizada nas igrejas como sendo uma explicação para o homem "aceitar" ou "rejeitar" o evangelho. Esta tem sido uma das mais eficientes mentiras diabólicas proveniente do Gnosticismo. É lamentável ver pessoas que não sabem sequer quem é Jesus, o Cristo e se atrevem a fazer afirmações de ensinos de homens e demônios conforme I Tm. 4:1 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios...
A questão se torna mais grave, porque quase todo religioso pertencente a uma determinada denominação dita cristão, não se vê como um religioso ou como homem natural. O religioso é iludido por doutrinas humanas e de demônios, confundindo fé com sentimentos. Fé se define por ser um dom de Deus e algo invisível e intocável. Os sentimentos são manifestações almáticas e emocionais, portanto, tudo o que é sentido não procede da fé. O religioso é movido pelo que sente e não pelo que crê pela fé como dom de Deus e não como virtude humana. Por esta razão há tanta mentira, dor e sofrimento dentro das igrejas institucionais. Há entre religiosos disputas, ciúmes, contendas, falsidades e enganos.
O texto de abertura demonstra que foi Jesus, o Cristo quem escolheu os seus discípulos e não o contrário. Este é um princípio extensivo a todos os discípulos no tempo e no espaço. Cristo não só escolheu, como também designou o que cada um deles irá fazer durante a vida. A ordem é que os discípulos devem ir pela vida e dar muitos frutos. Os frutos a que alude o texto são, de fato, o fruto do Espírito concedido a cada um dos regenerados e não um amontoado de boas obras humanas. As obras humanas devem ser consequências do dom de Deus e não a razão para obtê-lo. As boas obras foram feitas de antemão para que os discípulos andassem nelas e não o contrário como se supõe nos círculos religiosos.
A confirmação da escolha de Cristo é que o fruto permanece, o amor é real e as petições são respondidas por Deus. Isto não implica em uma espécie de barganha, na qual Deus se obriga a conceder pedidos egolátricos e para o deleite do homem. Ele responde segundo a sua vontade e não segundo a vontade do homem. A primeira evidência que alguém está no centro da vontade de Deus é o ódio do mundo. Isto ocorre, porque são realidades absolutamente opostas: o mundo odeia o que não lhe gratifica e o Espírito de Cristo odeia a natureza pecaminosa do mundo. Não há ponto de conciliação entre o pecado e a vida de Cristo. Por pecado subentende-se a natureza pecaminosa que é a incredulidade. Não se refere aos atos falhos, erros e deslizes cometidos pelos nascidos de Deus ao longo do processo do revestimento de Cristo. O que Cristo veio destruir, aniquilar e retirar do mundo foi o pecado, a saber, a incredulidade conforme Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Quanto aos atos pecaminosos persistentes por causa da carne serão tratados ao longo da experiência do novo nascido. Eles são tratados por Deus no processo de construção da semelhança de Cristo nos eleitos. Porém, da ótica de Deus, tanto o pecado, como os atos pecaminosos já foram anulados na cruz.
O ódio do mundo pode variar desde o ódio velado ou oculto até o mais ostensivo que tem dizimado milhares de cristãos. À medida em que o tempo se escoa para o retorno do Grande Rei, a tendência é o aumento do ódio velado ou ostensivo. Não se iluda, pois Deus não moverá um dedo para evitar que as Escrituras se cumpram exatamente como o previsto. O mundo odeia a verdade e a verdade odeia o  que é originado no mundo. O diferencial são apenas os escolhidos de Deus e a sua escolha se deu antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
O maior engano na vida do homem é supor que é filho de Deus sem ter passado pelo novo nascimento. Para nascer de novo é necessário que tenha sido incluído na morte de Cristo, bem como na sua consequente ressurreição conforme Gl. 2: 20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim."
Sola Fide!!!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

OS SOBERBOS x OS MANSOS

At. 18: 24 a 26 - "Ora, chegou a Éfeso certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão as coisas concernentes a Jesus, conhecendo entretanto somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga: mas quando Priscila e Áquila o ouviram, levaram-no consigo e lhe expuseram com mais precisão o caminho de Deus."
Soberba é um substantivo feminino proveniente do latim 'superbia' ou 'superbiae'. O vocábulo traz as seguintes significações: altivez, orgulho, arrogância, presunção. Indica uma atitude em que o indivíduo se coloca a si mesmo em posição mais elevada à que de fato tem. Tal presunção faz que o soberbo não abra o filtro para averiguar e avaliar seus próprios princípios. Quando confrontado, geralmente, se fecha, ficando no ataque, ou na defesa. O soberbo lança mão dos argumentos que assimilou, geralmente de terceiros, os quais considera como única verdade plausível. 
Os mansos são aquelas pessoas, as quais consideram seus princípios, ideais, crenças e valores, porém, sem desconsiderar que podem apreender mais. São capazes de reconhecer erros e são dispostos a mudar para alcançar o que há de melhor. Manso é um adjetivo que caracteriza uma pessoa afável, sossegada, dócil, tranquila, serena. O termo provém do latim 'mansus' e de 'mansuetudinis' que é mansidão, brandura, bondade. 
Mt. 5:5 - "Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra." No sermão da montanha Jesus, o Cristo afirma que os mansos herdarão a Terra. Mas, quanto aos soberbos é dito em Tg. 4:6 - "Todavia, dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes." Desta forma é revelado que é Deus mesmo quem resiste aos soberbos. Tremenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo. No 'magnificat' de Maria, a mãe de Jesus é dito que "...Deus dissipa os soberbos nos pensamentos dos seus corações." Tal processo começa, dando-lhes a oportunidade de ouvir a verdade. O modo como reagirão à verdade é que determinará o que está em seus corações: soberba ou mansidão.
O texto de abertura revela com clareza e sem qualquer interpretação, que, Apolo, natural da cidade de Alexandria era um homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Isto quer dizer apenas que ele falava com desenvoltura e boa oratória e, que conhecia os textos sagrados. Nem mais, nem menos que isto! Também este judeu Apolo era instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso no espírito falava e ensinava com precisão as coisas concernentes ao Senhor Jesus, o Cristo. Desta forma se pode apreender que Apolo havia recebido alguma instrução sobre os ensinamentos de Cristo e que era muito entusiasmado. Utilizava sua capacidade de comunicação para ensinar com precisão coisas que diziam respeito à pessoa de Jesus. É notório que muitos ateus podem fazer o mesmo ou melhor que Apolo. Tal capacidade é apenas didática, ou seja, a pessoa lê, estuda e entende um assunto e é capaz de reproduzi-lo aos outros.  Isto não implica, absolutamente, que houve qualquer experiência espiritual.
É demonstrado que Apolo recebeu ensino instrutivo e reprodutivo e apenas o batismo nas águas. Tal batismo era praticado por João, o batista nas águas do rio Jordão. Era uma prática comum no judaísmo como parte da lei cerimonial como oblação em água para purificação de pecados. Entretanto, o batismo de João era apenas um símbolo da morte e ressurreição de Cristo. Ao imergir em águas indica a morte e o sepultamento do pecador na morte de Cristo. Ao emergir das águas indica a ressurreição do regenerado com Cristo. Portanto, o batismo de João era apenas uma simbologia da morte e da ressurreição. Com base apenas nestas realidades Apolo tomou da palavra e falava ousadamente na Sinagoga dos judeus na cidade de Éfeso. Hoje se vê, por muito menos, pessoas se auto-intitulando de doutores em divindades, apóstolos e outros títulos a mais.
Todavia, Priscila e Áquila, membros da Igreja em Éfeso, o ouviu e percebeu, pelo espírito, que lhe faltava mais exatidão. Tomaram a Apolo,  e, conduzindo-o, possivelmente, à sua casa o instruíram com mais precisão, o caminho de Deus. Verifica-se que, em nenhum contexto das Escrituras se registra qualquer resistência de Apolo. Ele simplesmente recebeu com mansidão a orientação mais exata do caminho de Deus. Vê-se que Priscila e Áquila não lhe expôs os caminhos da religião, mas o caminho de Deus. Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Deus não tem diversos caminhos, como propõem os espiritistas e universalistas. O caminho de Deus não é um conjunto de preceitos, regras, normas ou leis. É uma pessoa, a saber, o seu próprio Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos. Caminho significa método, portanto, Jesus, o Cristo é o método de Deus para reconduzir o pecador eleito à comunhão eterna.
Apolo poderia ter se aferrado aos seus conhecimentos adquiridos de terceiros. Eram conhecimentos apenas descritivos ou narrativos acerca do caminho de Deus. Apolo não conhecia o próprio caminho de Deus, mas apenas coisas concernentes a ele. Este é o dilema da maioria dos religiosos dos tempos atuais: conhecem muito sobre a bíblia, sobre pregadores, sobre autores de livros, sobre músicas soberbamente chamadas de 'gospel'. De evangelho mesmo, a maior parte das tais músicas nada possui. Muitos religiosos possuem apenas conhecimento intelectivo sobre as Escrituras, sobre Cristo, sobre Deus, sobre igrejas. Usam os textos bíblicos apenas como uma espécie de auto-afirmação para manter suas posições conseguidas de homens. Tais religiosos são soberbos e inchados em seus conhecimentos. A primeira evidência desta pobreza de espírito é a forma em que reagem aos que os procuram para lhes fornecer algo a mais. Respondem com uma gama de textos bíblicos desconexos, com agressões e ofensas. Levantam dúvidas sobre o interlocutor para refutar sua mensagem. Este é um processo diabólico: desqualificar o pregador, imaginando com isto, desqualificará a mensagem. Ora, o pregador pode ser, absolutamente, desqualificado, atacado, xingado e ofendido, mas a mensagem jamais. Enquanto o pregador é homem sujeito a falhas, a mensagem é eterna e de origem divina. Portanto, é perda de tempo desqualificar o mensageiro imaginando que desqualificará a mensagem.
É natural que uma pessoa sem experiência de nascimento do alto reaja ao que lhe é estranho e diferente, pois não recebeu revelação. Uma coisa é conhecer as Escrituras apenas como 'logos', outra é conhecê-las como 'rhema'. Jó esclarece este dilema quando diz: "... com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza." Os mansos, ainda que possuam grande conhecimento, recebem a verdade com simplicidade e singeleza de coração. Depois que são ensinados pelo Espírito Santo, eles se abominam e se reconhecem necessitados, incompetentes e carentes da glória de Deus. Os soberbos, ao contrário, se aferram aos seus méritos, conhecimentos humanos e doutrinas de homens.
Sola Scriptura!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

OS DOIS "CABEÇAS FEDERAIS DE RAÇAS"

Rm. 5: 14 a 21 - "No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou para com muitos. Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos. Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor."
Há diversas expressões utilizadas pelos expositores as quais não constam das Escrituras. Isto não as invalidam doutrinariamente. Tais expressões surgem da necessidade de expor o inteiro teor da revelação de modo mais claro ao entendimento obscurecido do homem. A expressão 'Cabeça Federal de Raça', hoje em desuso, já foi bastante utilizada na exposição de uma importante doutrina bíblica, a justificação do pecador. Tal expressão é parte do processo de abordagem do texto sagrado a fim de demonstrar o princípio escriturístico da representação ou tipificação. Antes da manifestação visível de Cristo, as referências a ele se davam por tipos e símbolos. A expressão, 'Cabeça Federal de Raça', não está verbalmente no texto das Escrituras, entretanto, é perfeitamente perceptível em diversos contextos delas. 
Os 'Cabeças Federais de Raças' foram apenas dois - Adão e Cristo - precisamente, porque com eles foram estabelecidas alianças da parte de Deus, o Pai. Enquanto Adão detinha o primado natural da humanidade, Cristo detém o primado espiritual. Portanto, ambos representam um grupo de pessoas aos olhos de Deus. O apóstolo Paulo faz referência doutrinária a ambos em I Co. 15: 45 a 49 - "Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o animal; depois o espiritual. O primeiro homem, sendo da Terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial." Vê-se que há o primeiro Adão e o último Adão. O texto não fala em primeiro e segundo Adão, porque em Cristo a raça adâmica foi terminada. Isto implica em que a natureza pecaminosa transmitida pelo primeiro Adão é aniquilada no último Adão, a saber, em Cristo. O primeiro Adão era apenas alma vivente, pois o seu espírito se tornou morto para Deus por causa do pecado que o corrompeu. O último Adão é espírito vivificante, porque reconcilia os eleitos e regenerados à comunhão com Deus. Seus espíritos são novamente vivificados na ressurreição com Cristo, por isto o último Adão é espírito vivificante. O primeiro Adão era animal, ou seja, portador de autonomia apenas almática, porque a palavra animal provém do latim 'anima' que quer dizer alma. O último Adão, Jesus, o Cristo, estava em plena comunhão com o Pai, portanto, o seu espírito estava no controle e não a sua alma, logo, é espiritual e não animal. O primeiro homem era apenas subproduto da Terra, enquanto o segundo homem foi produto da obra divina, porque Jesus foi resultante de uma geração sobrenatural e não natural.
Ainda é revelado no texto de Romanos  5 que, todos os descendentes do primeiro 'Cabeça Federal de Raça' são iguais a ele, enquanto os que foram gerados de novo em Cristo, o outro 'Cabeça Federal de Raça' serão semelhantes a ele na restauração final. 
Cristo veio para aniquilar o pecado dos eleitos e predestinados, sendo este chamado de velha natureza adâmica e pecaminosa. Ele os libertou da culpa do pecado, igualmente os está libertando da influência do pecado e os libertará da presença do pecado na restauração final.
O texto de abertura demonstra com profunda luz que os descendentes do primeiro 'Cabeça Federal de Raça' herdaram dele a natureza pecaminosa. Alguém poderia interpelar: 'mas se apenas Adão pecou antes de gerar descendentes, porque todos os descendentes receberam a culpa'?  Exatamente porque ele representava toda a humanidade. Todos os homens estavam em Adão antes dele pecar, e depois do pecado, todos continuaram nele. Mais uma vez o apóstolo Paulo doutrina acerca disto com clareza meridiana em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." O primeiro Adão não só transmitiu ao DNA de todos os seus descendentes o pecado, mas também transmitiu a morte. A morte nos termos que vem de ser tratada no texto significa, não apenas o processo de degenerescência física, mas também a separação eterna de Deus. 
Finalmente vê-se no texto de abertura que, da mesma forma como o primeiro Adão foi o transmissor do pecado e da morte a muitos, o último Adão foi o responsável pela justificação  e redenção de muitos. Em nenhum contexto a bíblia fala em salvação de todos os homens. O que é ensinado é que há salvação para homens de todas as tribos, raças e nações. Este é o real sentido do termo 'todos' nas Escrituras relativamente à salvação. 
Sola Scriptura!

sábado, 23 de agosto de 2014

DO MESMO MODO

Jo. 3: 14 a 16 - "Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. "
O pecado é a incredulidade no que Deus afirma em sua Palavra. Isto é confirmado pelos acontecimentos ainda no Éden, quando o homem deu crédito ao que o Diabo disse, incorporado na serpente, e não ao que Deus dissera primeiro. Para muitos esta é apenas uma lenda. Para outros é um mecanismo de controle por meio de crenças. Entretanto, aos que creem é a Palavra de Deus registrada por homens e para os homens, porém inspirada por Ele. Ao primeiro Adão fora dito: "... de toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Satanás, por instrumentação material da serpente, lhe mostrou uma segunda opção: "disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." A árvore cujo fruto foi restringido ao homem era a do conhecimento do bem e do mal. Isto implica em que, pelo acesso a este fruto, o homem obteria autonomia, dispensando a dependência de Deus. Tal autonomia conferiria ao homem o conhecimento do certo e do errado, do bem e do mal, do bom e do ruim. Isto o dotaria de uma capacidade de agir e julgar, porém por conta própria sem a comunhão com Deus. Satanás apresentou aos ancestrais da humanidade uma outra proposta, pela qual os homens se assemelhariam a Deus, tendo plena liberdade de conhecimento, discernimento e poder de escolha livre. Entretanto, Satanás não informou aos ancestrais, as consequências desta proposta, a saber, a morte em todos os seus sentidos. Ao comparar as duas falas, não há dúvidas que a proposta do Diabo é mais atraente: desmente e desautoriza Deus, afirmando que não haveria morte;  desqualifica a palavra de Deus, colocando-o como egoísta e mentiroso, porque estaria ocultando ao homem determinadas vantagens. O homem caiu neste engodo e desacreditou da sentença afirmativa de Deus: "... certamente morrerás." Acontece que o supremo propósito de Deus era levar o homem, não apenas a ser a imagem, mas também a semelhança de Cristo por meio da árvore da vida. Este propósito não se alterou com o pecado, pois a redenção já havia sido preordenada antes dos tempos eternos. A queda do homem não foi surpresa e a provisão para a sua redenção sempre esteve providenciada. Ela se cumpriu nos eventos concretos e históricos de Jesus, o Cristo crucificado. Ele expiou a culpa do pecado e redimiu os eleitos em sua morte e ressurreição.
Gn. 3:15 - "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o seu descendente; este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Verifica-se neste texto uma estrutura gramatical muito significativa, pois, "entre ti e a mulher" indica uma inimizade entre Satanás personificado na serpente e a Igreja personificada na mulher. Ainda a expressão: "... e entre a tua descendência e o seu descendente" indica, respectivamente, a humanidade maculada pela natureza pecaminosa e Cristo nascido de mulher para redimir os pecadores. Finalmente as expressões: "...este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" demonstra o Diabo sendo derrotado na execução da justiça de Deus contra o pecado na cruz. Esta foi a segunda profecia sobre a redenção de pecadores pela morte substitutiva e inclusiva em Cristo.
Desta forma todos os descendentes de Adão, o cabeça federal da raça, traz o veneno da serpente em seu DNA. Isto é confirmado pelo apóstolo Paulo em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." O pecado não é uma questão de escolha ou de mau comportamento moral, mas de herança da natureza pecaminosa. Os atos pecaminosos são consequências desta natureza e não a sua causa. De maneira que o pecado é não crer na Palavra de Deus. Isto é confirmado por Cristo em Jo. 16:9 - "... do pecado porque não creem em mim." Não crer em Cristo não é apenas negar a sua existência. É antes negar as Escrituras que o previram como o Unigênito Filho de Deus que viria para redimir os pecadores. É não crer que ele mesmo é Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo. É incredulidade na Palavra de Deus.
Nm. 21: 4 a 9 - "Então partiram do monte Hor, pelo caminho que vai ao Mar Vermelho, para rodearem a terra de Edom; e a alma do povo impacientou-se por causa do caminho. E o povo falou contra Deus e contra Moisés: por que nos fizestes subir do Egito, para morrermos no deserto? pois aqui não há pão e não há água: e a nossa alma tem fastio deste miserável pão. Então o Senhor mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que o mordiam; e morreu muita gente em Israel. Pelo que o povo veio a Moisés, e disse: pecamos, porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor para que tire de nós estas serpentes. Moisés, pois, orou pelo povo. Então disse o Senhor a Moisés: faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e será que todo mordido que olhar para ela viverá. Fez, pois, Moisés uma serpente de bronze, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, tendo uma serpente mordido a alguém, quando esse olhava para a serpente de bronze, vivia." Como foi dito, o pecado é uma condição herdada e inata ao homem após a queda. Portanto, todo homem é uma serpente portadora da peçonha do pecado, mesmo quando não manifesta qualquer erro moral. A redenção do pecador é um ato monergístico, ou seja, operado e operacionalizado apenas por Deus em Cristo. O pecado do povo hebreu na travessia do Egito para Canaã foi incredulidade na promessa que seriam levados à terra prometida. Toda vez que a situação se tornava difícil ou desfavorável, o povo murmurava contra Deus. Por esta razão suas naturezas pecaminosas de serpente se externavam em atos e atitudes de pecados. O tratamento de Deus em relação à natureza pecaminosa é sempre por homeopatia, ou seja, administrar uma dose de remédio que desperta no homem a consciência do seu próprio pecado. É necessário ao homem reconhecer-se pecador e confessar-se pecador. É necessário conhecer e saber o que é o pecado e não apenas declarar seus atos pecaminosos. A simples declaração de seus erros, não cura a natureza pecaminosa. Passada a dificuldade, a natureza pecaminosa produz mais atos pecaminosos. Jesus, o Cristo, demonstra isto a Nicodemos em Jo. 3:6 - "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." As consequências são o que a causa é, ou seja, a natureza pecaminosa determina os atos pecaminosos. 
Após as murmurações dos hebreus diante das dificuldades, Deus enviou-lhes serpentes abrasadoras do deserto que lhes feriam. Morreram milhares de pessoas pelo veneno das serpentes. Isto demonstra que o pecado gera a morte e o único remédio é o homem olhar para si mesmo como uma serpente portadora do veneno pecaminoso. Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze e a colocasse sobre um mastro e o pusesse no arraial. Todo aquele que olhasse para a serpente após ter sido picado, seria curado e não morreria. O ato de apenas olhar para um mero objeto de metal para ser curado de um veneno que implica em morte certa e imediata, exige apenas fé. Aquela serpente pendurada na haste para a qual o homem deveria olhar era um dos símbolos de Jesus, o Cristo pendurado na cruz para o aniquilamento do pecado conforme confirmado em Hb. 9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Quase todos os homens quando se defrontam com o ensino verdadeiro das Escrituras sobre a natureza pecaminosa se esquivam e negam que sejam portadores de tal natureza. Isto porque todos imaginam, erroneamente, que não se enquadram, visto que não fazem o mal aos seus semelhantes. Ou porque praticam alguma religião ou são caridosos.  Entretanto, todos sem exceção alguma são pecadores por natureza e não apenas por atos. Esta atitude de não se ver como pecador é o mesmo que não olhar para a serpente de bronze levantada na haste no deserto. É negar olhar para Cristo na cruz sem pecado e assumindo o pecado de todos os eleitos para aniquilação da culpa diante de Deus. Ele foi, desse modo, a propiciação do pecado. Todos os eleitos foram incluídos em sua morte, para matar a morte que o pecado trouxe. Não a morte física, mas a separação entre Deus e o homem decaído. Jesus, o Cristo ensina que, se alguém não tiver esta experiência de novo nascimento e vivificação, não vê e não entra no reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Nascer de novo no texto original é nascer do alto, portanto, uma ação monérgica. Nascer da água simboliza ganhar a fé pela Palavra de Deus; e nascer do Espírito é ser vivificado e reconciliado a Deus. A pregação é representada pela água que jorra para a eternidade e pelo convencimento do Espírito de Deus acerca da própria natureza pecaminosa, realizando arrependimento autêntico. Os que não olham para Cristo e se veem incluídos em sua morte para remissão da sua natureza pecaminosa são como serpentes que não se reconhecem serpentes.
Sola Scriptura!

domingo, 17 de agosto de 2014

O PECADO É SEMPRE CONTRA DEUS

Sl. 51: 4 a 7 - "Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares. Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concedeu minha mãe. Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma. Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve."
A doutrina bíblica acerca do pecado é denominada de Hamartiologia. Por sua vez este termo provém do grego koinê 'hamartia', que, em última análise significa errar o alvo. O alvo é a fé no que Deus diz, a saber, em sua palavra. Isto demonstra que o pecado é uma questão de incredulidade, e, consequentemente, de natureza inclinada para o erro. Por isto, o apóstolo Paulo afirma que a iniquidade é pecado. Visto que iniquidade é a falta de equilíbrio ou de equidade, logo, ela inclina o homem aos atos pecaminosos, ou seja, atos falhos, erros morais, fraquezas e tudo o que é mau. O pecado como definido neste estudo é anterior ao homem. Ele foi cometido por um dos anjos mais importantes e que assistia diretamente na presença de Deus. Tal anjo, cujo nome não se sabe era da ordem dos querubins. Acerca dele é dito em Ez. 28:15 - "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade." Então, o querubim cobridor era perfeito, pois Deus não cria nada imperfeito. Entretanto, em um determinado dia foi achada a iniquidade nele. Como já foi dito, iniquidade se resume em um tipo de desequilíbrio espiritual contrário ao que é reto, puro, santo e justo. Ora, os anjos foram feitos por Deus com a capacidade de fazer escolhas livres. Portanto, o querubim que se tornou Satanás escolheu não crer no supremo propósito de Deus conforme fora preordenado antes dos tempos eternos. Ele decidiu fundar um reino para si mesmo e se tornar um "deus" também. Isto está registrado nas seguintes palavras de Is. 14: 13 e 14 - "E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." O desejo de ser "deus" e fundar um reino para si foi a consequência de não crer no que Deus havia preordenado para o mundo.
Acontece que o projeto original de Deus é que o seu filho Unigênito, o Cristo, seja o herdeiro e senhor de todas as coisas. Tal projeto estabelecia que Cristo viria no tempo predeterminado para resgatar os pecadores eleitos e restaurar a ordem no universo. O anjo querubim desejou tomar este lugar para si e agiu neste sentido, levando a terça parte dos anjos com ele. Foram expulso da presença de Deus e lançados para o espaço sideral, especialmente para a Terra. Logo, depois Deus resolveu criar o homem para povoar a Terra e honrá-lo. Porém, Satanás veio para induzi-lo ao mesmo pecado que cometera antes da queda de Adão e Eva. 
No salmo 51, que abre este estudo, o rei Davi faz uma profunda reflexão sobre sua condição de portador da natureza pecaminosa. Ele confessa o seu estado pecaminoso contra Deus desde a sua geração. Demonstra que o pecado, enquanto natureza de incredulidade é contra Deus somente. De fato, todos os atos pecaminosos que atingem a humanidade e a própria criação são consequências da natureza pecaminosa no homem. Jesus, o Cristo define claramente que o pecado é a incredulidade em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Então, o pecado é não crer na Palavra de Deus, visto que ela previa a vinda de Cristo ao mundo antes da fundação do próprio mundo. Realmente foi o que aconteceu no Éden com Adão, pois Deus afirmara que "... no dia em que dele comeres certamente morrerás." O Diabo, no entanto, disse: "... é certo que não morrereis." O home deu crédito à palavra de Satanás, porque esta lhe pareceu mais atraente e mais lógica. Ainda hoje ocorre o mesmo, os homens são traídos por suas naturezas decaídas e absolutamente depravadas. Seguem sempre o caminho mais lógico, mais agradável, mais plausível e mais atraente. É uma questão de natureza e não apenas de atos e atitudes.
Davi, não só confessou a sua natureza pecaminosa por herança adâmica, mas também que o seu pecado era, tão somente, contra Deus. Também confessou o direito legítimo de Deus em falar e em julgar o pecado. Davi suplicou pela purificação definitiva da sua natureza pecaminosa. Tais confissões indicam o início do processo de regeneração do pecador, sendo este, apenas por iniciativa da graça de Deus. O reconhecimento de que é pecador evidencia que o homem é eleito, pois a inclinação decaída é sempre contrária à tal reconhecimento. O reconhecimento não se refere apenas aos atos falhos, fraquezas ou defeitos, pois mesmo não praticando muitos destes desvios, não anula o fato que possui a natureza pecaminosa para praticá-lo. O homem é pecador porque possui a natureza pecaminosa e não apenas porque comete atos pecaminosos.
Sola Gratia!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O RICO, O MENDIGO E A VIDA ETERNA

Lc. 16: 19 a 31 - "Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. Disse ele então: rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos."
Os néscios, incrédulos e místicos veem nos textos das Escrituras apenas lendas e mitos. Como não alcançam revelação espiritual, preferem reduzir a Palavra de Deus a uma mera fábula inventada por homens para oprimir os pobres e desfavorecidos. Estas ideias foram disseminadas pelo marxismo cultural e correntes dele derivadas. O materialismo dialético, bem como a natureza pecaminosa levam o homem natural a substituir o que é da esfera espiritual pelo que é da esfera humana. Assim, servem ao propósito de Satanás que lhes incutiu a ideia de serem como Deus, portadores de autonomia plena, conforme o registro de Gn. 3:5 - "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Tais ideias são disseminadas hoje por meio de uma falsa doutrina denominada de "livre arbítrio". Todavia, o homem, nem é livre, nem possui poder de arbitrar nada.
O texto que abre esta instância é um dos mais profundos ensinamentos de Jesus, o Cristo. Por meio do recurso didático de parábola, o Mestre ensina que há sim, o céu, o inferno e a impossibilidade de movimento entre os mortos e os vivos. Todavia, na contramão dos ensinos de Cristo estão as doutrinas espiritistas, as quais postulam que não há condenação, pecado, Satanás e inferno. É exatamente esta ideia que o Diabo quer que se divulgue, pois isto mantém o homem engajado em seus sistemas religiosos e humanistas que não produzem a regeneração. Em muitos casos tais crenças e religiões produzem gente arrogante, perversa, enganada e enganadora. Isto porque, os tais presumem ser algo que não o são.
As figuras do rico e do mendigo não se propõem a condenar um por suas posses e a exaltar o outro por sua pobreza. A questão tratada no texto não se circunscreve nas esferas do bem e do mal. O rico é uma tipificação de pessoas que confiam apenas em si mesmas e no que possuem. o mendigo é o tipo dos que, desprovidos de bens e prestígio, se põem humilhados e dependentes do que lhes sobra. O rico é o tipo dos que se julgam autossuficientes, enquanto o mendigo é o tipo dos que dependem plenamente da graça e da misericórdia. Verifica-se que, tanto a riqueza do rico, como a pobreza do pobre foram recebidas por eles e não como fruto do esforço ou do ócio de ambos.
Verifica-se ainda que, tanto o mendigo como o rico morreram indicando o fim comum a todos os homens. Todavia, a destinação final de ambos é que foi diferente. O seio de Abraão simboliza a bem aventurança eterna ou aqueles que foram redimidos pela graça mediante a fé. Visto que Abraão creu e isto lhe foi imputado por justiça, semelhantemente os que vivem da fé são chamados de filhos de Abraão. O inferno para onde foi o rico, não porque era rico, mas porque se julgava autossuficiente é na verdade o mundo dos mortos denominado no texto grego de Hades ou Tártaro. É um lugar de trevas e de tristeza e angústia daqueles que aguardam o juízo final. O inferno como lugar de tormento eterno ainda está sendo preparado para Satanás e seus seguidores conforme o texto apocalíptico.
O texto, em seu contexto, ensina claramente que não há qualquer chance de os mortos se comunicarem com os vivos e vivos se comunicarem com os mortos. É dito que existe um grande abismo entre o mundo dos mortos e o mundo dos regenerados no céu, como também do mundo dos vivos. O rico ao ver a felicidade do mendigo no céu pediu que se permitisse a algum dentre os mortos ir à casa dos seus familiares para lhes anunciar a verdade. Entretanto, é dito ao rico, agora atormentando, que isto não produz os efeitos que se esperam. É exigido que os vivos busquem a verdade simbolizada por Moisés e pelos profetas. Moisés, neste caso, representa a lei moral estipulada por Deus aos homens. Os profetas representam os ensinos sobre a vinda do Redentor Filho de Deus e Salvador. Todas as profecias apontavam para Jesus, o Cristo, portanto é ele a centralidade do texto bíblico e não o homem. O ensino central é que a justificação do pecador é pela fé e não por sinais e evidências de seres do mundo dos mortos.
Ainda sobre o apelo do rico para que fosse enviado alguém dos mortos a fim de pregar a verdade aos seus parentes observa-se a negação irrevogável. Foi-lhe dito que este método não funcionaria, pois quem não ouve e não crê nas Escrituras, tão pouco crerá ainda que alguém dentre os mortos ressurgisse para lhes anunciar qualquer ensino ou mensagem. Desta forma fica evidente, pela Escrituras, que quaisquer ensino que põe em contato vivos e mortos não procede da verdade do Deus Altíssimo.
Sola Gratia!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

BATER OU FALAR À ROCHA? UMA SUTIL DIFERENÇA

Ex. 17: 1 a 7 e Nm. 20: 1 a 13 - "Partiu toda a congregação dos filhos de Israel do deserto de Sim, pelas suas jornadas, segundo o mandamento do Senhor, e acamparam em Refidim; e não havia ali água para o povo beber. Então o povo contendeu com Moisés, dizendo: dá-nos água para beber. Respondeu-lhes Moisés: por que contendeis comigo? Por que tentais ao Senhor? Mas o povo, tendo sede ali, murmurou contra Moisés, dizendo: por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado? Pelo que Moisés, clamando ao Senhor, disse: que hei de fazer a este povo? Daqui a pouco me apedrejará. Então disse o Senhor a Moisés: passa adiante do povo, e leva contigo alguns dos anciãos de Israel; toma na mão a tua vara, com que feriste o rio, e vai-te. Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe; ferirás a rocha, e dela sairá água para que o povo possa beber. Assim, pois fez Moisés à vista dos anciãos de Israel. E deu ao lugar o nome de Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao Senhor, dizendo: está o Senhor no meio de nós, ou não? Os filhos de Israel, a congregação toda, chegaram ao deserto de Zim no primeiro mês, e o povo ficou em Cades. Ali morreu Miriã, e ali foi sepultada. Ora, não havia água para a congregação; pelo que se ajuntaram contra Moisés e Arão. E o povo contendeu com Moisés, dizendo: oxalá tivéssemos perecido quando pereceram nossos irmãos perante o Senhor! Por que trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para que morramos aqui, nós e os nossos animais? E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar? lugar onde não há semente, nem figos, nem vides, nem romãs, nem mesmo água para beber. Então Moisés e Arão se foram da presença da assembléia até a porta da tenda da revelação, e se lançaram com o rosto em terra; e a glória do Senhor lhes apareceu. E o Senhor disse a Moisés: toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha perante os seus olhos, que ela dê as suas águas. Assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. Moisés, pois, tomou a vara de diante do senhor, como este lhe ordenou. Moisés e Arão reuniram a assembléia diante da rocha, e Moisés disse-lhes: ouvi agora, rebeldes! Porventura tiraremos água desta rocha para vós? Então Moisés levantou a mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu água copiosamente, e a congregação bebeu, e os seus animais. Pelo que o Senhor disse a Moisés e a Arão: porquanto não me crestes a mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes dei. Estas são as águas de Meribá, porque ali os filhos de Israel contenderam com o Senhor, que neles se santificou."
Os dois textos acima registram o mesmo fato, em momentos diferentes, durante a jornada do povo hebreu quando saiu do Egito, onde foi escravo, para Canaã, a "terra prometida". Moisés, o líder, auxiliado por seus irmãos e por um conselho de anciãos das doze tribos de Israel foi escolhido por Deus. Foi colocado à frente do povo, demonstrando que é a sua soberana vontade prevalecente e não a vontade decaída do homem. 
Era costume da época colocar nomes nos lugares onde ocorriam fatos relevantes. Portanto, Massá significa provocação ou contenda, enquanto Meribá significa altercação ou  discussão. Os eventos nestes dois lugares mostram que o homem natural sempre está em estado de conflito com Deus, consciente ou inconscientemente. Não sabem esperar e confiar na providência e no tempo de Deus. Por isto há tantos desajustes psicológicos e doenças no mundo.
Observa-se, ainda, a permanente disposição do homem à murmuração e aos conflitos por questões circunstanciais e materiais. A natureza decaída, invariavelmente, busca a gratificação em coisas. Não há no homem natural qualquer inclinação para o que é espiritual ou divino. Confundem espiritualidade com relações puramente religiosas, místicas e ritualísticas. Também é perceptível o quanto um líder, ainda que escolhido por Deus, é suscetível às falhas e aos erros comuns ao homem. Por esta razão, pode-se afirmar que as Escrituras são absolutamente honestas em mostrar que os homens mais usados por Deus eram completamente normais, cometendo erros e falhas. Nos círculos religiosos espera-se sempre um comportamento perfeccionista dos líderes. Ledo engano, pois falham e falham muito!
A pedagogia de Deus tem por objeto a revelação de Cristo e não as questões humanas. A prioridade de Deus é revelar o seu Filho e estabelecer o seu reino eterno. As religiões comuns e humanas sempre colocam a centralidade das Escrituras no homem. Isto se percebe, tanto na questão da salvação, como das bênçãos. Entretanto, para o mais falho estudioso da Bíblia, logo se vê que a centralidade é Cristo e não o  homem ou as coisas criadas. Estas coisas Deus pode destruir e fazer novas, mas o seu Filho é eterno, unigênito e primogênito dentre os mortos. Isto não muda no tempo e no espaço.
Observa-se na primeira parte do texto de abertura que, mediante as murmurações do povo no deserto de Sim, Deus ordenara a Moisés que ferisse a rocha com o cajado para dela obter água e atender aos reclames do povo. Moisés, então foi e fez segundo a instrução do Altíssimo. Este acontecimento ocorreu em Horebe, no lugar chamado Refidim. Veja que Deus chama Moisés e diz a ele que estaria adiante dele e sobre a rocha. Moisés foi e fez como instruíra o Senhor e a rocha brotou água potável e saciou a sede do povo e dos animais. 
Ora, a rocha é um símbolo de Cristo e a água um símbolo do evangelho. Em Is. 26:4 diz: "confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna." É um símbolo apenas, pois Cristo é uma pessoa e não uma rocha, mas para que o homem entenda o sentido do ensino, Deus se utiliza destes processos metafóricos. Em Ez. 47: 2 a 8 diz: "...e eis que corriam umas águas pelo lado meridional. Saindo o homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir, mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos artelhos. De novo mediu mil, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos lombos. Ainda mediu mais mil, e era um rio, que eu não podia atravessar; pois as águas tinham crescido, águas para nelas nadar, um rio pelo qual não se podia passar a vau. E me perguntou: viste, filho do homem? Então me levou, e me fez voltar à margem do rio. Tendo eu voltado, eis que à margem do rio havia árvores em grande número, de uma e de outra banda. Então me disse: estas águas saem para a região oriental e, descendo pela Arabá, entrarão no Mar Morto, e ao entrarem nas águas salgadas, estas se tornarão saudáveis." Esta é a visão profética de Ezequiel sobre a restauração final. As águas representam o aprofundamento dos eleitos e regenerados na experiência com Cristo. Primeiramente o conhecimento raso e frágil, as águas lavando apenas os artelhos; depois as águas até os joelhos, uma experiência mais ampla; depois as águas até os lombos, uma maior imersão no conhecimento de Cristo; e, finalmente as águas profundas e fecundas que curam e purificam aquilo que está morto. 
O Novo Testamento joga mais luz sobre estas esplendentes verdades, por exemplo, em Rm. 9:33 - "... como está escrito: eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço; e uma rocha de escândalo; e quem nela crer não será confundido." Sião é uma indicação da cidade de Jerusalém onde Cristo iria manifestar a sua missão final como o redentor. Quem crer em Cristo como a Rocha Eterna é porque ganhou a graça para tal, quem não crê já está condenado. Cristo tem sido motivo de redenção e de condenação para todos os homens em todos os tempos e lugares. Ainda em Mt. 7: 24 e 25 - "Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
Jesus, o Cristo esclarece sobre as águas como símbolo do evangelho da verdade em Jo. 4: 13 e 14 - "Replicou-lhe Jesus: todo o que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna." No encontro com a mulher samaritana à beira do poço, o Mestre revelou este profundo ensino: a água que dessedenta eternamente é a fé no evangelho da verdade. Isto nada tem a ver com evangelicalismo religioso e humanista.
No segundo texto de abertura, Moisés é importunado novamente pelo povo que reclamava diversas coisas e pressionava-o por água. Moisés, já sem paciência ficou irado e desconsiderou a instrução de Deus para falar à rocha. Na primeira vez foi-lhe dito para ferir a rocha, mas na segunda foi-lhe instruído que falasse à rocha para dar água. Moisés, então desferiu golpes de cajado na rocha e ela jorrou água. Os dois textos mostram que Cristo viria primeiro para ser ferido e morto para dar aos pecadores o ensino da verdade e que depois disto o evangelho simbolizado pela água fluindo da rocha pela pregação e não pelo esforço das obras da lei.
Entretanto, por Moisés não ter crido no que Deus dissera foi-lhe vedado entrar na "terra prometida". Isto demonstra que até mesmo os escolhidos de Deus podem cometer erros e serem por isso disciplinados. Ao contrário do que a maioria dos religiosos imaginam, Deus é mais exigente e rígido com aqueles a quem tornou por filhos através de Cristo.
Sola Scriptura!

sábado, 21 de junho de 2014

PRECIOSA É A MORTE DOS SANTIFICADOS

Sl. 116:15 - "Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos."
Em termos puramente etimológicos, a palavra morte tem diversificados significados. Em língua portuguesa este substantivo provém do latim 'mors' ou 'mortis', dependendo da declinação no discurso. Em sentido biológico significa o cessamento ou o fim da vida de um organismo vivo. Por derivação de sentido é o desaparecimento gradual de qualquer coisa que tenha surgido e se desenvolvido em um período de tempo. Ainda por derivação de sentido é a separação, fim ou término da relação entre o efeito e a causa. 
Biblicamente, a morte possui sentidos igualmente diferenciados. Portanto, há no grego neotestamentário duas palavras para o vocábulo morte. Uma delas é 'νεκρός' ou 'nekrós', a qual é mais genérica, pois significa tanto a degenerescência da matéria, como também a impossibilidade da alma ser reconciliada com Deus por conta própria. A outra palavra grega é 'θάνατος' ou 'thánatos', possuindo significação mais específica, pois implica em uma ruptura eterna entre o homem pecador e Deus, tanto antes como após a sua morte física. Assim, 'nekros' se aplica ao homem vivo, que, gradualmente caminha para a degradação física destituída da vida de Deus conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." O homem decaído está absolutamente destituído da natureza de Deus, portanto, morto para Deus. Jesus, o Cristo demonstra este aspecto da morte dos homens, ainda que vivos, em Lc. 8:59 e 60 - "E a outro disse: segue-me. Ao que este respondeu: permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe Jesus: deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus." Literalmente este texto afirma: "deixa os que estão indiferentes à salvação que lhes é oferecida no evangelho sepultar os corpos de seus próprios defuntos." Ou seja, homens vivos biologicamente, porém mortos para Deus, enterrando os cadáveres dos seus parentes falecidos. 'Nekros' significa literalmente aquilo que é ou está morto, separado, apartado.
 'Thánatos' significa morte, ou seja, a separação da alma em relação ao corpo, fazendo cessar a vida na Terra. Também significa a miséria do homem que, mesmo vivo, não possui ligação com Deus. É além da degenerescência em vida, também a separação eterna de Deus, mesmo após a morte física. É o resultado atual e eterno da natureza pecaminosa do homem após a queda. Ninguém se vê desta forma, porque a natureza pecaminosa cria no homem a falsa noção de mérito e justiça própria. Esta perspectiva é alterada apenas quando o pecador eleito é tocado pela palavra vivificante 'rhema' por meio da palavra de Deus 'logos'.
Gn. 2:17 - "... mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." A expressão: '... certamente morrerás' no texto hebraico é 'tûmAGt tôm' ou 'môt tamut', ou seja, 'morrer, morrendo.' Neste caso, também está implícita a ideia de morte física como processo gradual e morte espiritual como separação de Deus. É o vivo biologicamente, porém morto espiritualmente que, por fim, morrerá biologicamente separado de Deus. Então, conclui-se que o homem natural passa por três tipos de mortes: a morte para Deus, a morte biológica e a morte para si mesmo. Este último tipo é a que alude o texto de abertura deste artigo. Por isto é preciosa aos olhos de Deus!
A morte para si mesmo se dá quando o homem natural é despertado por Deus para crer. Neste ponto, o pecador tem a sua morte para Deus aniquilada na morte de Cristo. Assim, o morto morre na morte do salvador substituto, porque não poderia promover a sua própria morte. Ainda que alguém promova a sua própria morte como sacrifício em troca da redenção, de nada adianta, pois está contaminado pela natureza morta para Deus. Tal procedimento não passará de sacrifício de tolo, auto-justificação ou justiça própria. Desta maneira, muitos religiosos praticam todos os dias sacrifícios de tolos, imaginando que podem purificar-se a si mesmos por meio de ritos de religião exterior, caridade, abstinência de hábitos e costumes. Tais sacrifícios possuem apenas valor social, mas jamais poderão justificar o pecador perante Deus. Fora da morte, na morte de Cristo, para aniquilamento da morte do pecado, não há solução. Por esta razão é doutrinado em Hb. 9:24 a 28 - "Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." Desta forma Cristo é o único que pode solucionar a questão da morte, a saber, do pecado. Ele atraiu o homem em sua morte de cruz, para, nela, matar a morte espiritual dos eleitos. Isto fica evidente em Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Entretanto, ninguém vai para a cruz por vontade própria. É Deus que os conduz até a cruz, por fé, para, nela, serem incluídos e redimidos. Isto está doutrinado em Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia."
Por esta razão o salmista em espírito de profecia afirma que é preciosa a morte dos santos à vista de Deus. É uma alusão, tanto à morte da morte do pecador, na morte de Cristo, como também ao passamento dos eleitos e justificados para a vida eterna.
A Ele, pois, a Glória, a Honra e a Majestade Eternamente!