sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A CEIA DO SENHOR III

I Co. 11: 23 a 30 - "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem"
A Ceia é uma ordenança dada por Cristo aos seus discípulos e seguida por cristãos verdadeiros e falsos ao longo dos últimos 2.000 anos. Ela não confere nenhum poder sobrenatural aos participantes. É apenas um ato em memória da morte de Cristo conforme: "porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha." A Ceia não regenera e não salva ninguém, mas os eleitos e regenerados têm prazer em celebrá-la como memorial do ato que garantiu o seu nascimento do alto.
No texto que abre este estudo, o apóstolo Paulo celebrou a ceia com os cristãos de Corinto. Antes de celebrá-la, deu diversos esclarecimentos acerca do comportamento adequado aos regenerados. Instrui-lhes como participar da ceia ordeira e piedosamente. Mostrou-lhes as consequências de uma convivência cega e egoísta na participação do corpo de Cristo. 
Segundo reza a erudição bíblica, a epístola aos corintios foi escrita antes dos evangelhos. É o primeiro registro da celebração da Ceia após a morte e ascensão de Cristo. A Ceia contrasta a tristeza da celebração da Páscoa por Cristo antes da sua morte com a alegria da celebração da Ceia pela Igreja após a sua morte e ressurreição. Paulo inicia a celebração anunciando que, aquilo que havia recebido do Senhor Jesus, o Cristo, isto mesmo estava entregando. Portanto, não se trata de ensino novo ou invencionice humana. Na celebração pascal, Jesus tomou do pão e, partindo-o agradeceu e deu aos seus discípulos, afirmando: "isto é o meu corpo, que é dado por vós..." Embora seja utilizado o verbo ser no presente do indicativo, o texto não é uma expressão literal, pois como ele em vida poderia oferecer o seu corpo para ser ingerido ou o seu sangue para ser bebido? Basta fazer o paralelismo em outros textos de mesmo sentido de Jo. 8:12 - "Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." Luz, no texto quer dizer conhecimento da verdade. Portanto, não significa que do corpo de Jesus saíam raios de luz. Também em Jo. 10:7 - "Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas." Jesus, não é uma porta, mas aquilo que uma porta representa, ou seja, uma via de acesso à redenção. Desta forma, não se pode tomar os elementos da ceia como sendo literalmente o próprio corpo e o próprio sangue de Jesus, o Cristo. Trata-se de uma simbologia e não de uma literalidade.
No texto de abertura a expressão: "... que é dado por vós..." vê-se claramente a morte vicária, ou seja, substitutiva de Jesus, o Cristo. O vocábulo vicário significa: aquele que faz as vezes de outro. Portanto, é o ensino da substituição do pecador na cruz por Jesus, o Cristo. Igualmente, quando Jesus disse: "... este cálice é a nova aliança no meu sangue..." Vê-se com clareza a substituição e a inclusão do pecador na morte de Cristo com a Nova Aliança. Denomina-se Nova Aliança o período em que prevalece a Graça, por meio de Cristo, e não mais a Lei moral e cerimonial. Jesus, o Cristo ofereceu o seu sangue para restabelecer a vida verdadeira aos que se achavam mortos para Deus, porque a vida está no sangue. A morte em qualquer dos seus sentidos, sempre indica separação. O pecado causou a morte, a saber, a separação entre Deus e o homem conforme Ef. 2: 5 e 6 - "... estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele..."
Quem comer do pão e beber do cálice indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Réu é aquele que é intimado em juízo para responder por delitos e crimes, ou seja, é aquele que foi acusado de culpa. O que separa o homem de Deus é, exatamente, a culpa do pecado. Jesus, o Cristo veio justamente para reconciliar o homem pecador com Deus por meio do seu sacrifício substitutivo e inclusivo. Deus transferiu todos os pecados dos eleitos e predestinados para Jesus, o Cristo a fim de aniquilá-los conforme Hb. 9:26b - "... mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Desta forma, a inclusão do pecador na morte de Cristo, aniquilou eternamente a culpa do pecado que separava o homem de Deus. Esta verdade é ensinada claramente em Cl. 1:22 - "... agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis..." Desta forma, comer o pão e beber do cálice indignamente é participar de um ato memorial sem conhecimento de causa. Quem não fizer distinção entre o corpo ou a Igreja do Senhor e a consciência pecaminosa trará juízo sobre si mesmo conforme I Co. 5:5 - "... seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus." Trata-se daqueles que, mesmo conhecendo a verdade permanece cultivando atos pecaminosos. Comer o pão e tomar do cálice indignamente é o mesmo que não apresentar a natureza reconciliada e vivificada na morte com Cristo. É não ter reverência à Igreja, o corpo de Cristo. O mesmo é retratado por Paulo em I Tm. 1: 19 e 20 - "... conservando a fé, e uma boa consciência, a qual alguns havendo rejeitado, naufragando no tocante à fé; e entre esses Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar."
Paulo aponta a necessidade de o homem examinar-se a si mesmo para ter discernimento do corpo e do sangue de Cristo. A palavra no grego koinê para 'examinar' é 'dokimazetõ' [dokimazetw], ou seja, testar-se a si mesmo como se testa o metal. Paulo propõe um rigoroso auto-exame para saber se o cristão pode confessar sua morte com Cristo. Visa um exame confessional da sua inclusão na morte de Cristo e, portanto, ser participante do corpo e do sangue d'Ele. Participar da ceia indignamente é celebrar a morte e a ressurreição de Cristo sem saber quem ele é.
Paulo termina o seu ensino doutrinário, dizendo que a razão porque muitos da Igreja em Corinto estavam fracos e doentes espiritualmente relacionava-se ao não discernirem do corpo de Cristo, a saber, não referenciavam a Igreja como parte integrante d'Ele. Disse ainda que muitos dormiam, ou seja, estavam mortos fisicamente. O verbo dormir no texto está flexionado como "dormem" é [κοιμῶνται] 'koimontai', indica, por analogia, a morte dos regenerados. A morte do incrédulo é eterna, mas dos eleitos e regenerados é momentânea como a um sono. Quando o texto se refere à morte de incrédulos usa outra palavra para o verbo dormir. As pessoas que agem sem discernir o corpo de Cristo não perdem a salvação, mas perdem o privilégio de servir a Cristo na Terra.
Sola Gratia!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A CEIA DO SENHOR II

I Co. 11: 23 a 30 - "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem"
A ceia é apenas um memorial e uma das poucas ordenanças deixadas por Cristo consoante as seguintes expressões: "fazei isto em memória de mim" e "fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim." A primeira ordem se refere ao pão e a segunda ao vinho. No texto de Mateus capítulo 26, versos 20 a 29, Jesus, o Cristo celebra a Páscoa com os discípulos um pouco antes de ser preso, julgado e condenado. Há uma total relação entre a Páscoa e a Ceia. A Páscoa foi prescrita por Deus, e ordenada a Moisés para preparar o povo para a libertação do cativeiro no Egito; Enquanto a Ceia é a celebração pela iminente concretização daquilo que a Páscoa indicava por símbolos. O cordeiro imolado, sem mancha e sem defeito na Páscoa, no Egito, predicava a morte do "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo." A Ceia, por seu turno, confirma a morte do "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo." O pão ressequido e partido representa o corpo de Jesus, o Cristo sacrificado na cruz; O vinho representa o sangue de Jesus, o Cristo vertido na cruz. A Páscoa foi a imagem das coisas futuras, a Ceia é a real concretização do "supremo propósito" do Pai.
Jesus, o Cristo afirma aos judeus o seguinte conforme Jo. 6: 53 a 56 - "... se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." Obviamente, Jesus, o Cristo não está falando em sentido literal, pois não se trata de antropofagia. É uma questão de fé, pois a fé permite tornar o invisível, visível conforme Rm. 4:17 - "... perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem."
Na religião católica chamam a ceia de 'eucaristia' [εὐχαριστία], passando a ideia de "reconhecimento", ou "ação de graças." Pregam que os elementos, pão e vinho, se tornam o próprio Jesus, o Cristo na liturgia conduzida pelo padre. Adotam uma terminologia popular que diz que a ceia é a comunhão sacrificial, porque acreditam que toda vez que a celebram, ocorre um novo sacrifício do Filho de Deus. Isto pode induzir à ideia de repetidas mortes sacrificiais de Jesus, o Cristo contrariando o que afirma Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Na igreja católica ortodoxa, os elementos da ceia não são considerados o próprio corpo e o sangue de Cristo. Não há teologia específica sobre esta questão, porque esta parcela do catolicismo surgiu de um cisma, ou seja, de uma divisão da igreja de Roma antes do dogma da eucaristia. Os católicos ortodoxos, usam o pão fermentado e o vinho puro é servido a todos na celebração da ceia. Para os ortodoxos, os elementos são apenas símbolos e o que acontece a eles, na ceia, é considerado mistério.
As igrejas luterana e anglicana consideram a ceia como a presença real de Cristo no pão e no vinho. Produziram a doutrina da real presença ou união sacramental. Para as igrejas de origem reformada, a ceia é uma ordenança, mas não tem valor sacramental. Para os reformados, a ceia possui dois modos de celebração: os que se baseiam no ensino de Zuínglio afirmam que a ceia é apenas um memorial. Enquanto, o ensino de João Calvino, afirma que, na celebração da ceia, Jesus, o Cristo está presente, não nos elementos - pão e vinho - mas, espiritualmente. Em outras denominações religiosas, a ceia possui, igualmente, valor puramente ritualístico.
É fundamental atentar para o fato que, ao celebrar a ceia antes da sua crucificação, Jesus, o Cristo dá a ela um sentido simbólico, pois sequer havia ele morrido para estar presente no pão e no vinho. Como, Cristo não estabeleceu qualquer doutrina sobre como a ceia deveria ser celebrada após a sua morte, ela permanece como um memorial e não como um sacramento.
Sola Scriptura!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A CEIA DO SENHOR I

I Co. 11: 23 a 30 - "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem."
Ceia é um substantivo feminino proveniente do verbo cear, e designa a última refeição do dia, portanto, ocorre durante a noite. A ceia, enquanto mera refeição, visa restabelecer as energias perdidas durante o labor do dia. Durante a noite, as forças se refazem absorvendo os nutrientes para a continuidade do dia seguinte. Por isto, Jesus, o Cristo valeu-se deste fato para simbolizar a sua morte e a sua ressurreição. Também para indicar aos seus eleitos e regenerados a renovação da fé e da esperança na ressurreição eterna. 
Jesus, o Cristo conduziu e realizou a primeira ceia na Nova Aliança conforme Mt. 26:20 a 29. A ceia celebrada por Cristo possui duplo sentido: a comunhão com os discípulos, pela última vez, antes da sua morte de cruz e, também, como memorial a ser lembrado até que ele retorne para a grande Ceia do Cordeiro conforme Ap. 19:9
Na primeira ceia realizada por Cristo ocorreu um fato que, geralmente, passa desapercebido aos que não têm revelação. A todos os discípulos Jesus deu o pedaço de pão seco primeiro e depois de comê-lo deu-lhes o vinho em separado. O pão seco e partido simboliza o seu corpo perfurado e esvaído do sangue. O vinho puro indica o sangue portador da vida conforme Dt. 12:23. Entretanto, a Judas Iscariotes foi dado o bocado de pão embebido no vinho. Isto mostra que Judas não teria parte na vida eterna, pois foi alimentado com a vida do sangue no corpo. O pão seco e partido indica que houve morte, enquanto o pão embebido no vinho indica o corpo que permanece com a vida separada de Deus, porque não foi incluído na morte com Cristo na cruz. Esta é a clara doutrina da inclusão do pecador na morte com Cristo. Tal inclusão em Cristo, implica na consequente e imediata ressurreição, juntamente com Ele conforme Ef. 2: 5 e 6 - "... estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus..."
Há nas diversas e diferentes denominações religiosas calorosas discussões acerca da celebração da ceia. Uns dizem que ela deve ser hiper restrita, ou seja, apenas os membros batizados daquela igreja específica devem participar da ceia, além da obrigação de estarem em perfeita comunhão com a igreja. A comunhão com Cristo não é exigida, mas com a igreja, com a denominação, com o pastor, com os dogmas, com os preceitos. Outras religiões dizem que a ceia deve ser apenas restrita, a saber, apenas os que pertencem àquela determinada denominação podem participar. Ainda há os que dizem que a ceia deve ser irrestrita, ou seja, deve ser celebrada por qualquer pessoa que seja cristã, independentemente da igreja e da denominação a que pertença. O interessante é que as Escrituras silenciam sobre todas estas esdrúxulas questões. Obviamente que, todos têm seus argumentos afiados para defendê-las.
Para algumas denominações religiosas, a celebração da ceia deixa de ser apenas um memorial pleno de alegria e esperança para se tornar um instrumento do medo. Criam tantas expectativas e exigências que, a pessoa se sente duplamente ameaçada: ou participa para mostrar que está bem, ou não participa por medo de ser rejeitada por Deus. É uma espécie de espada de dois gumes. Tal situação gera um drama de consciência, levando o religioso a se torturar antes e depois de participar da ceia. Ensaia orações e demonstração pública de arrependimento. Dá testemunhos que, muitas vezes, estão mais para tristemunhos. 
Os religiosos católicos, em todas as suas matizes, interpretam que o pão é o corpo de Cristo e o vinho é o sangue de Cristo, literalmente. Acreditava-se no passado que o simples ato de morder a hóstia poderia ferir o corpo de Jesus, o Cristo. A este dogma dão o nome de transubstanciação, ou seja, o próprio Cristo está fisicamente no pão e no vinho após a liturgia oficiada pelo sacerdote. Entretanto, ao distribuir os elementos da ceia o celebrante entrega apenas a hóstia, mas o vinho. Ele apenas toma do pão e do vinho isoladamente. Em certa ocasião, em certo lugar alguém descobriu que as hóstias restantes da ceia e guardadas haviam se deteriorado, formando bolor. Isto abriu a mente do descobridor para a fantasia, pois caso fossem, de fato, o corpo de Cristo jamais teriam apodrecido. Tais crendices decorrem de uma exegese literal naquilo que é figurado e vice-versa.
Os religiosos do ramo, erroneamente chamado protestante, se apoiam no dogma que o pão e o vinho são apenas simbólicos e representativos do corpo e do sangue de Cristo. Portanto, defendem a consubstanciação, ou seja, os elementos da ceia são um memorial do corpo e do sangue de Cristo. Todavia, e apesar desta visão mais próxima das Escrituras, creditam à ceia, em certos casos, poderes mágicos e sobrenaturais, os quais ela tem.
Sola Scriptura!

sábado, 30 de janeiro de 2016

DURO É O DISCURSO, QUEM O OUVIRÁ?

Jo. 6: 53 a 60 - "Disse-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre. Estas coisas falou Jesus quando ensinava na sinagoga em Cafarnaum. Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: duro é este discurso; quem o pode ouvir?"
Antropofagia é a prática em que seres humanos se alimentam de carne humana. Há inumeráveis relatos deste tipo de ritual entre povos primitivos, na era dos grandes descobrimentos, por parte dos cronistas. Segundo tais relatos, os guerreiros vencedores acreditavam que, ao alimentar-se do inimigo vencido, tomariam suas forças e seus poderes para si. Não é este o caso doutrinado por Jesus, o Cristo no contexto do texto de abertura.
Neste discurso Jesus, o Cristo utilizou-se do método da linguagem figurada, objetivando evidenciar ensino espiritual. Esta é a razão pela qual os religiosos que o ouviam não o entendiam, pois tomavam por mera lógica aquilo que, de fato, é tipológico. Por isto questionavam entre si o seguinte: v. 52 - "Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: como pode este dar-nos a sua carne a comer?
No capítulo seis do evangelho de João vê-se um ferrenho debate entre religiosos judeus e Jesus, o Cristo. Os judeus não recebiam a verdade que Jesus, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus. Negavam-lhe a origem celestial, vendo apenas o homem histórico - Jesus - no qual o Cristo eterno havia se encarnado conforme Jo. 1:14. Sem a fé é impossível receber Jesus, o Cristo como Deus. A fé se manifesta pela palavra de Deus a qual penetra, não apenas, no aparelho auditivo físico, mas também no ouvido da alma e do espírito mortos para Deus. Ainda que Jesus, o Cristo, lhes assegurasse que, para crer n'Ele como o Filho Unigênito de Deus era necessário receber revelação do próprio Deus, continuavam apoiados apenas na lógica analítica. Desta forma travou-se um embate, de um de um lado, lógico e, do outro lado, espiritual com base nas Escrituras. Tais realidades não são convergentes e, muito menos, concordantes, visto que, ao crer em um exclui-se o outro. 
Jesus demonstrou-lhes que o maná enviado por Deus, aos hebreus no deserto, durante a travessia do Egito à Canaã, era incompetente para saciar a fome daquelas pessoas para sempre conforme Jo. 6:49. Entretanto, Cristo se apresenta como o pão verdadeiro que desceu do céu, eficiente e suficiente para sanar a fome e a sede de todo aquele que n'Ele crê. Todavia, a figura do pão que satisfaz a fome e do sangue que dessedenta é a metáfora do alimento que atende a fome e a sede espirituais. Isto porque, Jesus, o Cristo é a vítima sacrificial que, tendo o corpo crucificado e o sangue vertido na cruz, ofereceu a própria vida plena em substituição e inclusão dos pecadores eleitos. Quem não crê na sua inclusão na morte com Cristo e, consequentemente, na sua ressurreição juntamente com ele, não vê e não entra no reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5.
Assim, ao se identificar como o pão e o sangue oferecidos na cruz para redenção do pecador, Jesus, o Cristo lançou mão da comunicação recursal para que, apenas os eleitos pudessem crer. Os incrédulos se escandalizam e ridiculariza tal discurso por não poder crê-lo. Ainda hoje o processo é o mesmo: o mundo incrédulo, religioso ou não, ridiculariza a fé verdadeira por meio de análises apenas racionais. A razão humana contaminada pela natureza decaída e pecaminosa jamais poderá crer na essência do evangelho. Tal verdade não se atinge por lógica, mas por revelação espiritual dada por Deus por meio do Espírito Santo. É uma ação absolutamente monergística e não sinergística.
Então, comer a carne crucificada e beber o sangue derramado na cruz é um ato totalmente assumido pela fé. Carne e sangue representam a plena humanidade do Filho de Deus, na pessoa augusta de Jesus, o Cristo conforme I Jo. 4: 2 e 3 - "Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus; mas é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo."
Nos sacrifícios oferecidos no Santo dos Santos do Templo em Jerusalém, o sangue era espargido sobre o Propiciatória, justamente, porque pertence a Deus, uma vez que é no sangue que está a vida conforme Dt. 12:23 - "Tão-somente guarda-te de comeres o sangue; pois o sangue é a vida; pelo que não comerás a vida com a carne." Esta é a razão pela qual todo o sangue de Jesus, o Cristo foi esvaído na cruz. Foi a oferta da vida pelos pecados de muitos conforme Hb. 9:28 - "... assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." Os religiosos de hoje tomam os textos e os transformam em uma espécie de pantomima teatral. Falam sobre curas e libertações pelo sangue de Jesus, mas não sabem o que isto, de fato, significa porque não lhes foi revelado pelo Espírito Santo. Usam tais artifícios como uma espécie de magia branca para atrair pessoas às suas igrejas. Presumem possuir um poder que não lhes pertence e jamais pertencerá.
Diante destas realidades profundas e esplendentes, os que ouviam a Jesus, o Cristo disseram v. 60 - "Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: duro é este discurso; quem o pode ouvir?" A afirmação é concluída com uma pergunta: "... quem o pode ouvir?" A resposta é simples e sem interpretação alguma. Podem ouvi-lo e compreendê-lo aqueles aos quais Deus conheceu de antemão, os elegeu, os predestinou, os chamou, os justificou e os glorificou em Cristo antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
O discurso da verdade, que é Cristo, sempre será duro e repugnante aos que se dirigem para a perdição eterna. A verdade para os que perecem é apenas um conceito!
Sola Gratia!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

DEUS AMOU O MUNDO III

Jo. 3: 16 a 19 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E o julgamento é este: a luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más."
As Escrituras tratam de uma única pessoa do início ao fim, seja por tipologia, seja por simbologia. A pessoa referenciada no texto sagrado é Cristo e somente ele. Por meio de figuras e revelações, os profetas do velho testamento predicavam o advento de Cristo para a redenção do mundo decaído. Por esta razão o velho testamento é chamado de "Velha Aliança" ou "Antigo Pacto" e o novo testamento é chamado de "Nova Aliança" ou "Novo Pacto." Na "Velha Aliança" apontava-se para o Messias, Salvador ou Redentor, enquanto na "Nova Aliança", o Cristo concretiza o plano de Deus. No "Velho Pacto", a Lei e os Profetas da "Velha Aliança" eram como o ponteiro da bússola, apontando sempre para o norte magnético, a saber, para Cristo. No "Novo Pacto", o Cristo está presente e mostra a Graça e a Misericórdia de Deus.
Uma das figuras mais reveladoras que a salvação é restrita a um número específico de pessoas, e não universal, é a arca de Noé. Quando Deus resolveu purificar a Terra e destruir os homens por meio da água, ordenou a Noé que construísse uma arca e nela colocasse, de cada espécie, um casal de animais. Fora ordenado a Noé que pregasse o juízo, por meio do dilúvio, aos homens por um espaço de 120 anos. Ao final, quando a arca ficou pronta, foi autorizado que apenas Noé e mais sete pessoas, filhos, genros e noras, entrassem na arca e selassem as portas. Então veio o dilúvio e destruiu a todos os demais homens, animais e plantas. Os habitantes da Terra, debocharam de Noé, porque este anunciava algo desconhecido por eles, a saber, a chuva. Até aquele tempo ainda não havia chovido sobre a Terra. O que acontecia era apenas um vapor que subia durante o dia e caía durante a noite em forma de orvalho. Então, por não conhecerem a chuva, não deram crédito à pregação de Noé, até que começou a chover e matou a todos. Assim é o homem decaído ainda hoje: não crê naquilo que não se pode ver e tocar. A arca é a figura do corpo de Cristo, no qual os pecadores eleitos e predestinados foram incluídos antes da fundação do mundo conforme Ef. 1:4 - "... como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor." As oito almas que entraram na arca representavam o mundo redimido, ou seja, o grupo de pessoas pelas quais Cristo morreu. Os animais representavam as demais coisas a serem redimidas. Vê-se, portanto, que, tudo quanto possui alma é redimido pelo sangue de Cristo. Não há outros caminhos para a redenção eterna! A mentira dos diversos caminhos é mantida por Satanás para enganar os cegos e alimentar seus pecados de incredulidade em Cristo. O homem decaído substitui a fé de Cristo pela fé em si mesmo.
Tudo o que não é regenerado e salvo pela inclusão no corpo de Cristo na cruz, o será pela purificação pelo fogo. Hb. 9:22 - "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão." Desta forma, é pelo sangue de Jesus, o Cristo vertido na cruz que ocorre a purificação do mundo contaminado pelo pecado. O que não for purificado pelo sangue d'Ele, o será pelo fogo conforme Zc. 13:9 - "E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro.
Deus também amou o mundo no sentido do planeta Terra e tudo o que nela há. O modo de tal purificação é indicada em Nm. 31:22 e 23 - "... o ouro, a prata, o bronze, o ferro, o estanho, o chumbo, tudo o que pode resistir ao fogo, fá-lo-eis passar pelo fogo, e ficará limpo; todavia será purificado com a água de purificação; e tudo o que não pode resistir ao fogo, fá-lo-eis passar pela água." O fogo, em termos bíblicos, sempre representa juízo de Deus para purificação das coisas. Na ignorância e cegueira espiritual muitos religiosos clamam pelo fogo de Deus em suas crendices místicas. Não sabem que estão clamando por juízos e não por poder espiritual. A água, em termos bíblicos, sempre representa a palavra de Deus. É pela pregação das Escrituras que o homem é despertado para a fé verdadeira conforme Jo. 15:3 - "Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado." Por isto, é doutrinado pelo apóstolo Paulo que a fé vem pelo ouvir conforme Rm. 10:17 - "Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo."
A redenção executada por Deus, por meio de Cristo, envolve a criação como um todo, porque o mundo inteiro caiu sob o domínio do Diabo, por causa do pecado conforme I Jo. 5:19 - "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Por isto, todos os seres que possuem alma são redimidos pela inclusão na morte de Cristo e na sua consequente ressurreição. As coisas inanimadas são igualmente redimidas pela morte de Cristo, porém, se purificarão pelo fogo na restauração final. Ao final, Deus entregará ao seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos todo o Universo. Até mesmo os condenados eternamente estarão sob o seu governo, ainda que sofrerão a pena eterna no lago de fogo e enxofre conforme Ap. 20: 9 a 15 - "E subiram sobre a largura da Terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade querida; mas desceu fogo do céu, e os devorou; e o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos. E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a Terra e o céu; e não foi achado lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o além entregaram os mortos que neles havia; e foram julgados, cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo."
Ora, então, Maranata!

domingo, 17 de janeiro de 2016

DEUS AMOU O MUNDO II

Jo. 3: 16 a 19 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E o julgamento é este: a luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más."
O substantivo masculino "mundo" tem inumeráveis significações, dependendo do sentido e do contexto em que aparece. No texto que abre esta instância possui significação relativa à raça humana. A humanidade está alienada de Deus e hostil à verdade do evangelho de Cristo. Não se pode confundir evangelho de Cristo com dogmas, ritos e preceitos ensinados e praticados por seitas e religiões
Não há qualquer forma de universalismo da salvação no ensino das Escrituras. É ensinado apenas que Deus amou o mundo e, portanto, resolveu prover um meio de salvação para redimir uma parcela da raça humana. A evidência desta verdade é que o texto diz: "... para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Então, "... todo aquele que nele crê..." não é qualquer um, e não são todos os homens. É um grupo específico de pessoas, onde cada um deste grupo crê em Cristo e recebe a luz. Observa-se que o verbo crer, do texto, está no presente contínuo e não no infinitivo. É apenas aquela pessoa que crê e continua crendo indefinidamente. Tal fato pode ser demonstrado com clareza por uma conclusão simples: se a salvação fosse para todos, logo, todos seriam salvos, pois Deus não pode ser contraditado pela vontade do homem. Seus desígnios não podem ser frustrados pelo homem, ou por qualquer outra coisa.
O leitor que não tem revelação espiritual se confunde com o jogo de palavras e, como consequência disto, cria uma teologia esdrúxula. O texto diz: "Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele." O ensino é que Cristo não veio a primeira vez para estabelecer juízos contra o mundo, mas para salvá-lo. Neste ponto, alguns imaginam que não julgar o mundo e salvá-lo significaria que todos fossem salvos. No entanto, a sequência do texto entra em outro nível de especificidade: "quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado." Assim, o que não é julgado é a parcela do mundo que crê e não o mundo todo. Portanto, tal grupo é denominado de mundo redimido. De fato, Cristo não veio para julgar o mundo, porque tal julgamento já havia sido feito antes dos tempos eternos. O julgamento foi estabelecido por causa da incredulidade, a saber, o pecado original conforme o próprio texto esclarece: "... porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus." Sabe-se que todo homem é incrédulo por natureza, antes que por atitudes e atos morais. Os atos morais seguem a natureza do homem e não o contrário. O julgamento do mundo fica estabelecido no texto pelas seguintes assertivas: "E o julgamento é este: a luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más." A luz a que alude o texto é Cristo encarnado na pessoa histórica de Jesus. Os homens amaram primeiramente as trevas e não a luz de Cristo, a saber, o conhecimento da verdade. A razão do amor dos homens às trevas é que suas naturezas são más, consequentemente, seus atos também o são. Os efeitos são aquilo que a fonte é!
Portanto, a doutrina diabólica do universalismo ganha espaço apenas em religiões desenvolvidas pelos próprios homens que não podem crer. Estas religiões são subterfúgios para aliviar a dor da alma perdida. O mundo a que Cristo veio redimir é um grande grupo conforme Jo. 12:19 - "De sorte que os fariseus disseram entre si: vedes que nada aproveitais? eis que o mundo inteiro vai após ele." Os fariseus, uma espécie de partido político-religioso identificou como "o mundo inteiro", todos aqueles que buscavam Jesus, o Cristo e criam nele. Isto incluía, tanto judeus, como estrangeiros conforme a sequência do texto citado acima. Portanto, traz sentido de um grande número de pessoas e não o mundo como totalidade de pessoas.
Um dos maiores empecilhos para alguns ter as escamas dos olhos retiradas é o aliciamento por parte das religiões. É recorrente o fato de algumas pessoas reagirem contra o ensino da verdade, quando confrontadas. Isto ocorre porque nos cursilhos e catecismos de suas crendices lhes é imposto que, qualquer ensino que fuja ao que sua religião os ensinam é mera interpretação de quem nada sabe. O inusitado, nesse caso, é que os tais religiosos seguem, exatamente, interpretações impostas por seus superiores. Neste sentido repetem os mesmos erros de milhares de anos, a saber, só seus líderes detêm o monopólio da verdade. Os "fiéis" seguem as interpretações do líderes, cegamente, sem lhes confrontar nas Escrituras. Neste caso, cumpre-se o que Jesus, o Cristo ensina: "cegos, guiando cegos."
Sola Scriptura!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

DEUS AMOU O MUNDO I

Jo. 3:16 a 19 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E o julgamento é este: a luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más."
O universalismo é uma doutrina teológica a qual apregoa, em alto e bom tom, que a salvação de Deus por meio de Cristo é para todos os homens. Tal doutrina era, até o século XVI, restrita apenas aos círculos não cristãos representados por espiritistas, místicos e gnósticos. Após esta época penetrou e se alastrou gradualmente nos círculos do cristianismo nominal e histórico. Entretanto, jamais achou guarida no seio da igreja verdadeira. Por igreja verdadeira entende-se o conjunto dos eleitos e regenerados no tempo e no espaço, não necessariamente, ligados a religiões, seitas ou doutrinas de igrejas denominacionais. Esta parcela do corpo de Cristo, não se conforma aos moldes do sistema dominante. Vive à margem do processo, ainda que inserida no mundo que jaz no maligno conforme I Jo. 5:19 - "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Isto é ensinado pelo Senhor em Jo. 17:11, 14 a 16 - "Eu não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Eu lhes dei a tua palavra; e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo." Esta é, portanto, a marca dos eleitos e regenerados: estão no mundo, mas não são do mundo. A saber, estão histórica e fisicamente no mundo, mas suas naturezas regeneradas e reconciliadas com Deus não pertencem ao mundo. Não dependem do sistema mundano, mas tão somente da Graça.
O Diabo utiliza diversos expedientes para ludibriar e encantar o homem. O principal artifício utilizado pelo maligno é incutir na mente decaída, aquilo que ela mais deseja e busca. A natureza decaída e separada da glória de Deus deseja e busca, invariavelmente, a gratificação para a alma. Tal busca é uma luta incansável para se livrar da culpa do pecado. Por culpa do pecado se entende o vazio espiritual deixado pela separação de Deus gerado pelo pecado. Tal pecado não foi um ato ou uma atitude moral, mas uma atitude de incredulidade. Jesus, o Cristo ensina que a natureza do pecado é a incredulidade em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." De fato, o pecado adâmico que separou o homem de Deus foi a incredulidade na sentença divina: "... porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás."
A religião é um desses expedientes criados pelo Diabo e recebido pelo homem como uma espécie de paliativo contra a culpa do pecado. Por meio dela, o homem decaído procura oferecer sacrifícios de justiça própria para tentar aplacar a perda da glória que o unia a Deus. Esta glória dava ao homem uma incomensurável capacidade de percepção das coisas e do próprio Deus. O pecado, ou seja, a natureza de incredulidade, quebrou este ele conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." A razão da universalidade da natureza pecaminosa é explicada pelo apóstolo Paulo em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." O pecado entrou pela incredulidade de Adão, e passou a todos os seus descendentes, que, ficaram mortos para Deus. Esta morte não é apenas a morte física, mas, primeiramente, a morte espiritual, ou seja, a separação da glória de Deus. O profeta Isaías transmite este ensino oriundo da própria revelação de Deus em Is. 59: 1 e 2 - "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça." Aqueles que ainda não experimentaram o novo nascimento imaginam em seus corações separados de Deus que tal pecado corresponde a atos e atitudes morais. Todavia, o pecado que decretou a morte espiritual do homem foi a incredulidade em sua palavra. Os atos pecaminosos, a saber, atos falhos, fraquezas, erros, maldades, imundícies, etc são apenas consequências da natureza pecaminosa.
Em língua portuguesa é necessário ter grande atenção aos significantes, e, mais ainda, aos significados. Uma única palavra poderá ter um ou inúmeros significados, dependendo do contexto, do sentido conotativo ou denotativo que carrega em sua significação. Também, é fundamental atentar particularmente para as palavras, enquanto generalizações e particularizações. Isto dá a elas uma noção ampla ou restrita no texto escriturístico. Quando alguém diz que está no "topo do mundo", não significa que está no topo do Monte Everest, no Himalia. Significa apenas que chegou ao ponto máximo de suas aspirações humanas. Também quando alguém diz: "você vive em seu próprio mundinho", não traz sentido de dimensões do planeta ou de um espaço geográfico dado. Significa que a pessoa possui uma visão reducionista sobre algum fato ou alguma verdade. 
Jo. 1:10 - "Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu." O primeiro termo no texto grego é [κόσμῳ] 'kósmô', ou seja, a Terra e tudo o que nela há. O segundo termo no texto grego é [Κοσμος] 'kósmos', a saber, o universo ou a soma das coisas criadas. E, o terceiro termo, também é 'kósmos', porém traz o sentido do mundo habitado, ou dos habitantes da Terra, da raça humana. Desta forma veem-se três sentidos para o vocábulo mundo, cada um traz sentido específico. O texto está doutrinando que Jesus, o Cristo estava no planeta Terra criado por meio dele, também que ele é o Senhor do universo e tudo o que nele há e, por último, que os povos, tribos e nações não o puderam conhecer. Obviamente, aquela gente que se aglomerava pelas cidades onde Jesus pregava e realizava seus milagres sabia quem ele era como homem histórico, mas não o conheceram espiritualmente. Aquela turba que o aplaudiu em sua entrada em Jerusalém, foi a mesma que gritou por sua crucificação logo depois. Eles preferiram a Barrabás que era ladrão e salteador. Portanto, não conheceram a Jesus como o Messias e Salvador prometido desde os tempos eternos. É neste sentido que ter muita religião e nenhuma revelação, em nada contribui para a redenção do pecador.
Sola Gratia!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O NATAL É APENAS UMA EFEMÉRIDE RELIGIOSA SINCRÉTICA

Mt. 2: 1 a 6 - "Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram do oriente a Jerusalém uns magos que perguntavam: onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo. O rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e com ele toda a Jerusalém; e, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo. Responderam-lhe eles: em Belém da Judeia; pois assim está escrito pelo profeta: e tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel." Há grande controvérsia entre analistas dos escritos sobre o nascimento de Jesus, o Cristo. Alguns afirmam que o seu nascimento foi entre os anos 6 e 4 a.C. Embora pareça anacrônico colocar a data do nascimento antes do nascituro, o fato é que, neste caso, considera-se o ano 1 da Era Cristã apenas como referência. Desta forma, o real ano de nascimento de Jesus teria, na verdade, ocorrido antes do ano considerado como o primeiro da Era Cristã no calendário gregoriano.
É sabido que, em nenhum dos únicos relatos nos evangelhos de Mateus e de Lucas foi registrado o dia e o mês em que Jesus, o Cristo nasceu. Há estimativas aproximadas em função de alguns elementos descritivos dos eventos relativos ao seu nascimento. Por exemplo, o fato de os pastores estarem vigiando os seus rebanhos indica que era inverno no hemisfério norte. Nesta estação do ano os pastores guardavam seus rebanhos em estrebarias por causa do frio. Considerando que Maria deu à luz a Jesus, em uma estrabaria nos arredores de Belém, e que os pastores foram ver o menino, julga-se que tenha sido no inverno. Isto situa o nascimento do Mestre entre dezembro e março, quando é inverno no hemisfério norte.
Herodes, o Grande viveu de 73 a. C. até 4 a. C., tendo morrido em Jericó neste último ano. Isto situa o nascimento de Jesus, o Cristo, no máximo, até o ano 4 a. C. Herodes era um edomita judeu que governou a Judeia de 37 a. C. até 4 a. C. Informado pelos magos sobre o nascimento de um menino que seria o rei dos judeus, Herodes se enfureceu e ordenou a execução de todas os meninos de dois anos para baixo. Este fato foi, inclusive, profetizado conforme Mt. 2: 18 - "Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem."
O Natal é a comemoração do nascimento de Jesus, o Cristo, entretanto, ninguém sabe a data do seu nascimento. Portanto, inventaram datas com base em certos eventos incorporados do sincretismo pagão. Pelo calendário gregoriano foi em 25 de dezembro e, pelo calendário juliano, em 7 de janeiro. O dia 25 dezembro é o início do solstício de inverno no hemisfério norte, segundo a cultura romana. Tal evento era denominado "natalis invicti solis", ou seja, "nascimento do sol vitorioso." Significava a adoração a um deus-sol poderoso e jamais vencido na cultura pagã persa dedicada ao deus Mitra. Sabe-se também que a comemoração do Natal é pré-cristã entre diversos povos ditos pagãos. Eram elementos das comemorações do natal entre povos pagãos: os madeiros ou árvores enfeitadas e a troca de presentes no "Festival da Saturnália." Na idade Media, o Natal passou a ter apenas caráter carnavalesco. Tornou-se uma festa familiar no século XIX. Foi proibido, diversas vezes, pelos cristãos reformados por ser considerado não cristão. 
Com a expansão do Cristianismo, a Igreja Católica deu uma ressignificação ao Natal pagão, tornando-o cristão no século III d. C. Segundo o que se sabe tal atitude visava estimular a conversão de pagãos. Deste modo, 25 de dezembro passou a ser a data da comemoração do nascimento de Jesus, o Cristo. Portanto, o Natal como praticado hoje é o resultado de uma intervenção da Igreja Católica sem qualquer fundamento bíblico ou registro cronológico comprovado. Apropriou-se de uma efeméride tipicamente pagã, para criar mais um acontecimento puramente humano e religioso sem paralelo nas Escrituras.
O Natal cresceu muito de importância aos comerciantes a partir da ascensão da burguesia mercantil. É uma data de grande movimentação financeira devido as compras e trocas de presentes. Portanto, possui também caráter eminentemente mercantilista. "Papai Noel" é uma figura retirada do folclore popular e não possui significação espiritual. Foi, inicialmente, inspirado na figura de um bispo da Ásia Menor chamado São Nicolau sobre o qual há muitas divergências sobre seu comportamento. Depois, na Alemanha, a figura do "bom velhinho" foi alterada para um velho gordo, barbudo, com roupas vermelhas e um saco de presentes nas costas. Tal como apresentado hoje trata-se, inclusive, de uma figura fundamentada na mentira e no engano, pois é dito às crianças que "Papai Noel" é um 'bom velhinho' que dá presentes a todos. Todavia, nem todas as crianças recebem os tais presentes. Por isso, criaram uma segundo mentira, a qual diz que só quem foi obediente e bom menino ao longo do ano receberá presentes. 
A árvore de natal é outro elemento de origem pagã e não cristã. Tal como utilizada hoje, tem a sua origem na cultura germânica. São Bonifácio substituiu o "Carvalho Sagrado de Odin" pela árvore de natal. Odin era um deus germano relacionado a guerra. Segundo a lenda germânica, Odin sacrificou o seu cavalo Sleipnir na "Árvore do Mundo". Como os líderes religiosos não conseguiam acabar com estas crenças, transformou o "Carvalho Sagrado de Odin" ou "Árvore do Mundo", na árvore de Natal, na qual eram colocados presentes para as crianças pegar. 
Hoje se vê um Natal puramente comercial e desumano, pois, enquanto uns comem exageradamente, muitos não tem o que comer. Enquanto, alguns compram diversos itens desnecessários, outros padecem de roupas e sapatos. Enquanto prefeituras gastam milhões em decorações natalinas, os hospitais estão absolutamente abandonados. Enquanto as igrejas se enfeitam com luzes piscando e símbolos que nada significam, pessoas passam frio, fome e sede. Enquanto compõem canções melosas e falsas, milhões não conhecem a verdadeira história do nascimento de Jesus, o Cristo por negligência das igrejas e seus pregadores que desprezam as Escrituras.
O sincretismo religioso é uma das mais fortes armas utilizadas pelo Diabo para dissuadir os homens da verdade. Ele permite miscigenar ideias, valores e princípios eternos em meras concepções humanistas aceitáveis. O homem em seu estado decaído não suporta nada que seja principiológico, eterno e soberano. Sempre diluem a verdade com a mentira, transformando-a em meias verdades.
Sola Scriptura!

domingo, 20 de dezembro de 2015

A FÉ É O FIRME FUNDAMENTO E A CERTEZA NO INVISÍVEL V

Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem."
A fé como doutrinada no texto acima significa a plena confiança, a garantia ou a "escritura" nas promessas de Deus. Desta forma, a fé é a certeza, no espírito, que a Palavra de Deus é fiel, independentemente, do homem e seus pressupostos. A expressão traduzida por "firme fundamento" no grego koinê é [υποστασις] 'hipostasis', ou seja, substância. Tal expressão aparece também traduzida como 'certeza', indicando que a fé bíblica é  que produz absoluta certeza, confiança e garantia no espírito dos eleitos e regenerados. Não é uma mera esperança ou expectativa, mas algo como uma "escritura" lavrada por Deus para testemunho da sua graça e misericórdia para com os eleitos. Assim como a escritura de um imóvel é a garantia de propriedade do dono, também a fé é a garantia da fidelidade de Deus para com a sua própria promessa redentora. Não é por causa do homem, mas por causa d'Ele mesmo.
O texto de abertura na língua original do Novo Testamento é grafado da seguinte forma: "εστιν δε πιστις ελπιζομενων υποστασις πραγματων ελεγχος ου βλεπομενων." 'Estin' é o verbo ser no presente do indicativo da 3ª pessoa do singular. 'De' é uma partícula primária com função de conjunção, significando "além do mais." 'Pistis' é o substantivo feminino fé. 'Elpizomenõn' é o verbo esperar na 1ª pessoa do plural, no genitivo passivo. 'Hipostasis' é um substantivo normativo feminino, significando: certeza, substância, garantia, fundamento, essência, persuasão. 'Pragmatõn' é substantivo neutro genitivo plural, indicando a ideia de 'das coisas' no sentido pragmático. 'Elegssos' significa prova, certeza, convicção e evidência. Possui a ideia de uma sentença com provas irrefutáveis ao espírito do homem e não em evidências exteriores. 'Ou' é um advérbio de negação, significando 'não'. E, finalmente, 'blepomenôn' que é verbo particípio passivo, neutro plural genitivo. Significa 'vemos' e se refere a visão física e não metafórica. Portanto, uma tradução livre deste verso seria: "Fé é o alicerce firme sobre o qual repousam todas as promessas de Deus apenas por sua palavra." A ênfase do versículo é que a fé está conectada a dois substantivos: 'substancia' e 'convicção'. Assim, FÉ = CERTEZA + CONVICÇÃO, porém tudo é invisível e intangível, porque se trata de um dom e não de uma virtude humana.
A fé não é uma luta mental travada por alguém para forçar algum acontecimento desejado. O alimento ou combustível que Deus utiliza para gerar a fé nos seus eleitos e regenerados são os obstáculos. Isto se dá, porque a natureza humana tende a insistir em padrões estabelecidos pela alma contaminada por atos pecaminosos. Neste sentido, a alma tem a tendência de buscar gratificação, satisfação e prazer em si mesma. Leva o homem a uma espécie de êxtase prazeroso como evidência de alguma manifestação sobrenatural. A maioria dos religiosos experimenta apenas poderes latentes da alma, na suposição que são experiências espirituais. Desta forma, são enganados e enganam-se mutuamente sendo presa fácil aos interesses do Diabo.
George Mueller escreveu: "muitas pessoas estão prontas a crer nas coisas que lhes parecem prováveis." Neste caso a fé destas pessoas está repousada em probabilidades e não em certezas. Ora, há fatos e acontecimentos altamente prováveis, mas nada têm a ver com fé, visto que esta repousa exatamente no improvável pelo homem. A fé bíblica começa, exatamente, onde o reino das probabilidades humanas termina. Quando os sentidos naturais do homem fracassam, aí começa o domínio da fé. Por esta razão o apóstolo Paulo afirma em II Co. 5: 6 e 7 - "Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos presentes no corpo, estamos ausentes do Senhor porque andamos por fé, e não por vista." Isto mostra que não são as sensações ou experiências emocionais e sensoreáveis que nos põem no domínio da fé. Não é pelo que se vê, mas pela certeza absoluta no que Deus diz em sua palavra.
Gl. 2:20b - "... e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus..." Não é o "eu" que vive, mas Cristo vive nos nascidos de Deus. A vida natural é vivida na fé do filho de Deus e não mais nas possibilidades, probabilidades, impressões e sensações almáticas. Desta forma, fica claro o porquê de a grande maioria dos homens não alcançarem a verdade espiritual. Por isto criam alternativas na religião e na crendice para ocupar o imenso vazio de Deus em seus corações. Outros, preferem negar e abnegar de qualquer coisa relacionada a fé. De fato, o apóstolo Paulo tem toda razão quando afirma que "... a fé não é de todos." Entretanto, aqueles que são possuídos pela fé verdadeira não são perfeitos e melhores que os demais. Apenas receberam a graça para crer e depender de Deus. 
Cl. 2:6 e 7 - "Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim também nele andai, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças." Veja que os eleitos e regenerados não aceitaram a Cristo, mas apenas o receberam. O ensino é que os eleitos andem em Cristo e não ao lado d'Ele. É a ideia de andar na plena dependência da vida de Cristo que neles habita. A partir desta condição espiritual é que a fé é confirmada nos corações dos nascidos do alto. A fé é a consequência natural do nascido de Deus que, por esta razão, está sempre abundando em ações de graças.
Sola Fide!
Sola Gratia!
Solo Christus!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A FÉ É O FIRME FUNDAMENTO E A CERTEZA NO INVISÍVEL IV

Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem."
Já foi dito que a fé é um dom e não uma virtude humana. Também foi dito que a fé não é sensoreável. Agora pode-se acrescentar que a fé situa-se no âmbito das impossibilidades humanas. Entretanto, a fé é perfeita e absolutamente possível a Deus. O homem, em sua condição decaída diante de Deus, não pode gerar a fé por conta própria. Por esta razão os discípulos responderam ao Mestre Jesus, o Cristo o seguinte conforme Lc. 17: 3 a 6 - "Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: arrependo-me; tu lhe perdoarás. Disseram então os apóstolos ao Senhor: aumenta-nos a fé. Respondeu o Senhor: se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: desarraiga-te, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria." De fato, perdoar alguém uma vez é algo difícil, imagine sete vezes ao dia; e mover uma montanha de um lugar para o outro pela fé é algo inalcançável pelo homem natural. Apenas pela graça e misericórdia de Deus alguém pode chegar ao nível de fé verdadeira. Pelo visto, tal fé está desaparecida do mundo, porque não se vê muitos perdoando outros tantos, e, tão pouco, amoreiras se transportando de um lado para o outro. Possivelmente, por esta razão, Cristo faz a seguinte indagação em Lc. 18:8b "Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na Terra?"
A dimensão da verdadeira fé está devidamente doutrinada em Rm. 4:17 - "... como está escrito: por pai de muitas nações te constituí perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem." Esta foi a fé concedida a Abraão para que ele fosse justificado pela fé e não por obras de justiça própria. Ele creu que Deus pode vivificar os mortos e chamar à existências as coisas que não existem. Portanto, esta fé que apenas faz declarações por sentenças elaboradas para tentar chantagear Deus, nada tem a ver com a fé estritamente bíblica. Trata-se, outrossim, de uma expectativa emocional ou sensorial e almática. A fé bíblica se resume em crer como Deus crê, a saber, ele diz o que quer e os efeitos se fazem presentes. A fé, portanto, não se expressa por atos e atitudes exteriores.
Jesus deu um exemplo muito singelo do padrão de fé que procede de Deus em Mc. 4:35 - "Naquele dia, quando já era tarde, disse-lhes: passemos para o outro lado." Neste evento, ocorreu que, quando estavam atravessando o Mar de Tiberíades, assoprou um forte vento e veio sobre eles uma grande tempestade. Jesus, o Cristo dormia profundamente, quando os discípulos o acordaram aos gritos: "Mestre, não se te dá que morramos, como podes assim dormir?" Ao que o Mestre disse: "... por que sois assim tímidos? Ainda não tendes fé?" A timidez do homem consiste em formar juízo de derrota antes de se dirigir a Deus para peticionar. Pede, porém duvida que Deus o responderá, porque pede com base nas suas possibilidades e não nas suas impossibilidades. Quando pedimos a Deus com plena consciência de que somos indignos e incompetentes, confessamos que a ele cabe todo o poder, a graça e a misericórdia. A fé vinda do alto dá ao menor e mais indouto dos homens a intrepidez da certeza absoluta na ação de Deus. Ora, quando entraram no barco, Jesus, o Cristo disse: "passemos para a outra banda". Os discípulos olharam apenas para a impetuosidade do vento e para a fúria da tempestade. Não confessaram a afirmação de Jesus como verdade dita e afirmada por Deus. Os discípulos teriam de confiar na palavra de Cristo, e não nas possibilidades do barco, dos seus braços para remar, da firmeza das mãos do timoneiro. Eles não creram na palavra de Jesus, o Cristo. Todavia, não creram porque não podiam e não porque não queriam. Ter ou não ter fé, não é uma questão de escolha, mas de ter recebido a graça para crer conforme as Escrituras. 
Hb. 11: 3 - "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê." Este texto demonstra o mesmo padrão de fé bíblica dos textos já mencionados. É pela fé na palavra de Deus que os nascidos de Deus creem que os mundos foram criados. Todavia, a maioria absoluta prefere crer que foi por evolução ao acaso. Outros tentam ingloriamente conciliar teorias científicas com a fé bíblica, produzindo um misto de mitologia e ciência. Acabam por transformar a fé em misticismo e a ciência em uma nova religião. O que é visível foi feito apenas pelo poder da palavra que saiu da boca de Deus. Entretanto, sem experimentar o nascimento do alto, tal fé é impossível ao homem. 
Sola Fide!