sábado, 10 de janeiro de 2015

A ORDO SALUTIS E O EVANGELHO PROCLAMÁVEL

Rm. 8: 29 e 35 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?"
'Ordo salutis' é um conceito cristão, mas não se acha grafado na Bíblia desta forma. Entretanto, existe uma ordem da salvação amplamente caracterizada nas Escrituras. Tal ordem, não é um imperativo, mas uma sequência dos eventos que determinam a salvação de pecadores. Trata-se apenas de uma expressão técnica para demonstração de como Deus amou alguns pecadores de antemão, os predestinou, e os elegeu para a redenção, criando todos os meios para que tal ação ocorresse conforme a sua vontade soberana. Tais elementos envolvem sua vontade, sua graça, sua misericórdia, o justificador, a fé, o momento histórico e o espaço geográfico. É o que se chama de 'kairós' de Deus!
O evangelho é a proclamação de boas novas para a salvação de pecadores, portanto é o resultado do poder soberano de Deus para redimir aos que amou em sua presciência, predestinou, elegeu, chamou, justificou e glorificou por meio de Jesus, o Cristo. Por esta razão está doutrinado em Rm. 1: 16 e 17 - "Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé." Vê-se que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. E quem é aquele que crê? Aquele a quem é dado crer, pois a fé não é uma virtude do homem decaído, mas um dom de Deus. Os todos a que se referem alguns textos bíblicos, não são todos os homens, mas todos aqueles aos quais é dada a graça para crer e receber. São homens de todas as nações, tribos e línguas, os quais foram preordenados para crer. O judeu e o grego são termos puramente tipológicos: o judeu é o tipo dos que receberam a lei, as profecias e as promessas do Salvador; o grego é o tipo daqueles que seriam chamados dentre as outras nações. São homens de todas as etnias e não todos os homens. 
O ensino escriturístico da predestinação e eleição causa reações bastante adversas, especialmente entre religiosos "igrejificados", ou seja, confinados, conformados e subordinados a um sistema religioso o qual herdou por tradição ou foi estimulado a pertencer por forças circunstanciais. Estas pessoas estão conformadas aos padrões a elas  ensinados, porque foram persuadidas a acreditar que, se um sistema  afirma ser cristão, cita as Escrituras, fala sobre Deus, sobre Jesus e fala sobre o amor, a caridade e os bons costumes, logo, é a verdade. Ora, muitas seitas satânicas citam todas estas coisas. Neste sentido há demônios mais crentes que muitos religiosos, pois além de crer, eles estremecem diante da realidade de que há um só Deus conforme Tg. 2:18 - "Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem." Entretanto, e apesar das tentativas de arranjar textos para negar a doutrina da eleição e predestinação tal como está nas Escrituras, o apóstolo Paulo diz que é Deus quem justifica os seus eleitos. Portanto, ainda que intentem acusações, que os condenem e levantem dúvidas sobre questões morais, nada mudará esta verdade. Por terem escamas nos olhos e cera nos ouvidos, não veem e não ouvem que é Deus quem os justificou. Tal justificação não dependeu de méritos ou justiças próprias, mas de Cristo os ter incluído em sua morte de cruz e também na sua gloriosa ressurreição dentre os mortos. A morte de Cristo foi para habilitar os eleitos, matando as suas naturezas pecaminosa. Na sua ressurreição ao terceiro dia mostrou a sua vitória sobre a morte e o inferno. Portanto, sendo a obra da regeneração atribuída apenas a Cristo e não ao pecador, nada o separará do seu amor.
As religiões não conseguem a unidade da fé, porque seguem uma base de crenças humanistas. Tais crenças são apenas adaptações feitas por teólogos para a gratificação das suas almas decaídas e satisfação dos seus anseios. Por tal razão é que há inumeráveis crendices, igrejas e seitas. No Catolicismo Romano, por exemplo, dizem que a ordem da salvação é: 'batismo, confirmação, eucaristia, penitência e extrema unção'. É, na verdade, apenas um conjunto de dogmas sacramentais, alguns das quais sequer estão nas Escrituras como ensino. No Luteranismo, um dos ramos da reforma protestante, a ordem é: 'chamada, iluminação, arrependimento, regeneração, justificação, união mística, santificação e conservação'. No Arminianismo a ordem é: 'presciência, predestinação, eleição, graça preveniente, chamada externa, arrependimento e fé, regeneração, justificação, santificação e glorificação'. No Calvinismo tal ordem é: 'predestinação, eleição, chamada, regeneração, fé, arrependimento, justificação, santificação, perseverança e glorificação'. Observa-se que não há unanimidade sobre algo que está perfeitamente doutrinado nas Escrituras.
Ora, esta necessidade de ordenar os elementos constitutivos da ação monergística de Deus é puramente humana. Na verdade, muitos destas etapas são sucessivas ou mesmo simultâneas. Não necessariamente, numa ordem lógica conforme o entendimento humano. Estas etapas são operadas e operacionalizadas objetivamente por Deus e recebidas subjetivamente pelo homem. Tudo se dá pela graça mediante a fé e, ambas são dom de Deus conforme Ef. 2:8 a 10 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Assim, o elemento iniciador e desencadeador do processo é a graça. Por graça entende-se que é Deus realizando no pecador uma obra impossível ao homem. Portanto, é Deus fazendo tudo por quem nada merece. Para tanto, ele executa a exigência da lei contra o pecado em si mesmo, na pessoa do seu filho unigênito na cruz. Ao morrer na cruz, todos os pecadores eleitos estavam incluídos nele para aniquilação da culpa do pecado. Ao ressuscitar, trouxe todos os eleitos e regenerados de volta à vida e à comunhão com Deus. Em Cristo na cruz a raça do primeiro Adão foi encerrada e dado o início de uma nova raça em Cristo, o último Adão. É neste sentido que Adão era um tipo de Cristo, pois um deu origem a uma linhagem de pecadores, o outro deu origem a uma ração de novas criaturas justificadas e imortais. 
Portanto, o evangelho proclamável é o que mostra com simplicidade o modus operandi de Deus para remissão do pecado conforme Rm. 15: 3 e 4 - "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras."
Muitos homens inchados em sua arrogância pecaminosa se sentem ofendidos quando confrontados com estas verdades. Entretanto, aos nascidos de Deus é dada a seguinte ordem sobre o evangelho proclamável: "portanto indo, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." Esta ordenança foi dada aos eleitos e regenerados, que são homens comuns e sujeitos a erros. Não são perfeitos como querem alguns cegos espiritualmente, porque exigem dos eleitos aquilo que eles mesmos não são. A obra do Diabo é exatamente esta: fazer o pecador rejeitar a mensagem por causa do mensageiro. Ora, basta ler as Escrituras e verificar-se-á que os homens mais usados por Deus eram de péssima qualidade moral. Todavia, foram eles regenerados e as obras deles falam ainda hoje. Eles foram conhecidos de antemão, predestinados, chamados, justificados e glorificados.
Sola Gratia!

A PORTA ESTREITA, OS FALSOS PROFETAS E AS ÁRVORES FRUTÍFERAS

Mt. 7:13 a 23 - "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram. Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade."
A condição humana está intimamente atrelada à relação moral do certo e do errado. Entretanto, não é o erro ou o acerto que determina a condição espiritual do homem, mas a condição  espiritual que é determinante dos resultados. Comumente, uma pessoa é tida e recebida como correta e aprovada pelos valores sociais que a faz notória perante a sociedade. Por esta razão, quando alguém tido e recebido como correto e aprovado cai em algum falha grave é altamente repudiado. Justamente quando mais necessita  da compaixão e da graça é rejeitado.
A espiritualidade é algo determinado pela vontade soberana e monérgica de Deus. Não  é obtida como um prêmio ou recompensa por quaisquer práticas de justiça própria. O ensino bíblico diz: "assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer." A maioria dos homens, especialmente os religiosos, imagina erroneamente que espiritualidade é uma questão de prática ou exercício exterior do que é correto. Este é um dos mais terríveis enganos pregado, sustentado, aceito e praticado pelas religiões humanas. Primeiramente, porque o espírito do homem foi nele inoculado por Deus, portanto, veio d'ele e a ele retorna após a morte conforme Ec. 12:7b - " ... e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu." Então, o que sobra entre o corpo físico que retorna ao pó e o espírito que retorna ao criador é a alma. A alma é a sede das emoções, volições e decisões após a queda do homem. Como o espírito ficou desligado ou "morto" para Deus, a alma assumiu o controle dos atos e atitudes humanas. A soma da alma e do corpo forma o que as Escrituras chamam de carne ou carnalidade. Tal carnalidade é o conjunto dos desejos e inclinações da alma contaminada pela natureza pecaminosa. Não há em toda extensão das Escrituras qualquer menção à salvação do espírito, mas sempre se refere à alma. Portanto, a maior parte dos feitos interpretados como atos de espiritualidade, no homem são de fato atos almáticos. Só podem ser tidos como espiritualidade, os atos e atitudes guiados pelo Espírito de Deus que é o único que se comunica com o espírito humano regenerado pela justificação na morte de Cristo. O espírito do homem só se comunica com o Espírito de Deus e vice-versa e aquele  necessita ter sido reconciliado a Deus novamente pela justificação em Cristo. É este o sentido de "pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus."
O texto de abertura é o ensino puro e direto de Jesus, o Cristo. É uma forma metafórica de ensinar a trajetória dos homens ao longo da vida. Tal caminho passa por uma porta que poderá ser larga ou estreita. A porta larga conduz a um caminho largo, fácil e prazeroso de ser percorrido. Por isto, o texto afirma que muitos andarão por ele. Entretanto, a porta estreita, o caminho apertado e difícil, poucos o encontram. A porta estreita e o caminho apertado são exatamente que conduzem à vida. Vida no texto original se refere à vida 'zoé', ou seja, a vida eterna e abundante prometida por Cristo.
O texto previne os eleitos e regenerados sobre a existência de falsos profetas. Tais profetas são falsos, não pela aparência exterior, mas pelo que são e ensinam por suas naturezas pecaminosas. O que contamina o homem é o que procede do coração e não a sua aparência exterior. A forma de conhecer e discernir entre o falso e o verdadeiro são os frutos. Ninguém consegue plantar uma videira e dela colher figos mais tarde. Ou ela produz uvas, ou não é uma videira. É neste ponto que surge a confusão religiosa entre causa e  efeito e vice-versa. Ora, a videira produz uvas invariavelmente, porque é da sua natureza genética produzi-las e não porque alguém deseja que produza outro fruto. Por semelhante modo, a ovelha produz lã, porque é da sua natureza. O lobo jamais produzirá lã, ainda que produza pelos. Deus já preordenou as árvores e os seus fruto antes dos tempos eternos, quando nem o mundo ainda houvera sido criado conforme II Tm. 1:9 - "...que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..." O que define a árvore e os seus frutos é a graça concedida em Cristo antes dos tempos eternos. A santa vocação é o chamamento da parte de Deus para a separação da natureza pecaminosa. A salvação e o chamamento ocorreram pela vontade soberana de Deus e não pelas obras de justiça que alguém praticara. Deus tem os seus propósitos que não podem ser alterados e refutados por quem quer que seja.
Finalmente, o texto mostra que muitas pessoas chamam Cristo de 'senhor' repetidamente, no entanto, ele não lhes é por Senhor. O que determina o senhorio de Cristo sobre uma pessoa é a eleição antes da fundação do mundo conforme Ef. 1:4 - "... como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade..." Assim, os regenerados foram eleitos nele, ou seja, por inclusão em sua morte de cruz e ressurreição. Muitos imaginam que o "ser santo e irrepreensível diante dele" é uma questão de exercício comportamental. Não o é! De fato, o texto diz que tal condição é em amor, ou seja, a santidade e a irrepreensibilidade diante de Deus é por meio do amor de Cristo. Isto se dá pela operação e a operacionalização da graça de Deus antes que os eleitos houvessem nascido ou praticado o bem ou o mal. É um processo segundo "o beneplácito da sua vontade." Os eleitos não foram escolhidos com base no que haveriam de fazer ou deixariam de fazer, esta seria uma eleição falaciosa. No caso, Deus escolheria alguém pelo prévio conhecimento do que tal pessoa o escolheria também. Logo, isto não é eleição e, muito menos, predestinação, visto que coloca a escolha no homem decaído. Este erro doutrinário  é ensinado pelos lobos vestidos de cordeiros para encobrir as suas naturezas devoradoras. É a oferta da porta larga e do caminho espaçoso, porque coloca a centralidade no homem e sua suposta bondade.
Observa-se que o texto ensina que muitos dirão: senhor, senhor, nós profetizamos, expulsamos demônios e realizamos muitos milagres em teu nome. Todavia, Jesus lhes afirma: "então lhes direi claramente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." A expressão: "nunca vos conheci" no texto grego original é 'homologueso', ou seja, 'eu não homologo ou confirmo' a autoridade de vocês. Homologar é confirmar que um documento ou objeto é autêntico e verdadeiro. Neste caso, Jesus, o Cristo está afirmando que não havia compatibilidade entre ele e os que o chamavam de Senhor. Jesus lhes diz para apartarem-se dele, pois praticavam a iniquidade. Ora, como pode ser pregar  o evangelho, expulsar demônios e fazer milagres a iniquidade? Simplesmente porque foram praticados por homens cujos espíritos não foram reconciliados com Deus por meio da inclusão na morte de Cristo e também na sua ressurreição. Eles não praticaram atos de espiritualidade, mas apenas atos almáticos contaminados pela natureza pecaminosa residente e persistente neles.
Sola Scriptura!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O MANÁ NO DESERTO, O PÃO QUE DESCEU DO CÉU E AS RIQUEZAS INJUSTAS

Ec. 11: 1 e 2 - "Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Reparte com sete, e ainda até com oito; porque não sabes que mal haverá sobre a terra."
As Escrituras são formadas pelo Velho Testamento e pelo Novo Testamento. Um testamento, tanto em termos jurídicos, como em termos espirituais, é um registro documental que dá instruções sobre herança. Sabe-se que um herdeiro legítimo é sempre o filho e não um estranho, salvo se o testador desejar incluir alguém fora da sua linhagem. O conteúdo do Velho Testamento é descrito por sinais, profecias e revelações sobre a vinda do filho unigênito de Deus ao mundo. Falava-se por enigmas como propõe o apóstolo Paulo em I Co. 13:12 - "Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido." No Novo Testamento o filho de Deus é revelado por meio do homem histórico Jesus conforme Jo. 1:14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." Nas epístolas dos apóstolos os ensinos de Jesus, o Cristo é para edificação da Igreja que é o seu "Corpo Místico" formado por cada um dos eleitos e regenerados no tempo e no espaço.
A linguagem escriturística ocorre de duas formas: literal e figurada. A linguagem literal não exige e não necessita qualquer interpretação, o texto fala por si só. Na linguagem figurada é necessário discerni-la e aplicá-la de modo correto para obter a revelação correta. 
Em linguagem figurada são utilizados tipos e símbolos. Um tipo é uma representação, sendo interpretado com base nas características similares entre o tipo e o seu antítipo. Um tipo se imprime ou se aplica apenas uma vez e não pode ser totalmente compreendido enquanto o seu antítipo não se revela. Adão foi um tipo de Cristo, todavia só se pôde entender em que aspectos Adão era semelhante a Cristo após a vinda deste ao mundo. Eva, igualmente, foi um tipo da Igreja como a noiva de Cristo e agora se entende como sendo a esposa do Cordeiro. As sete igrejas do Apocalipse são tipos, porque prefiguram as igrejas que surgiriam ao longo da história. Um símbolo, por outro lado, possui significado determinado sem qualquer  referência a similaridades. Um símbolo pode ocorrer diversas vezes ou apenas uma única vez. Os símbolos podem ser entendidos antes do seu cumprimento, porém o seu sentido deve ser indicado no texto. O fermento é o símbolo do ensino enganoso e diabólico. A boa semente da parábola simboliza os filhos de Deus. Na linguagem simbólica a ação é sempre literal, apenas o sujeito da ação que é simbólico. Assim, deve-se encontrar o significado do símbolo, e então, aplicar a ação literalmente.
Jo. 6: 41, 50, 51 e 58 - "Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: eu sou o pão que desceu do céu; Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre." Os líderes religiosos judeus estavam se opondo a Jesus, por não reconhecê-lo como o Messias prometido no Velho Testamento. Quando Jesus, o Cristo se identificou como o Filho de Deus os religiosos o confrontaram, tentando reduzi-lo a um simples homem sem origem e sem autoridade. Ainda hoje este fato se repete aos que anunciam o evangelho. Para atacar o ensino da verdade o pecador ataca o mensageiro, porque o julga pela aparência e segundo a sua lógica humana decaída na natureza pecaminosa. Jesus, o Cristo disse que ele mesmo era o pão  que desceu do céu, utilizando um símbolo que é alimento. O Cristo ainda demonstra que ele era fonte de alimento para saciar total e eternamente a fome do pecador. Ele afirma que é a fonte da vida eterna e que, quem dele se alimentar, jamais morrerá. Obviamente, ele não estava falando da morte física, mas da morte espiritual ou eterna. Jesus, também demonstra que o símbolo do maná que foi dado ao povo hebreu no deserto era apenas um símbolo do verdadeiro pão vivo que desceria do céu. No texto de Eclesiastes, a expressão: "lança o teu pão sobre as águas" é uma alusão, tanto à pregação do evangelho, como a obra de fazer a caridade a quem necessita. O pão é o símbolo do Cristo, enquanto as águas são o símbolo das Escrituras. Desta forma, lançar o pão sobre as águas é anunciar o evangelho de Cristo por meio da pregação. Isto porque, a fé vem pelo ouvir e o ouvir da Palavra de Deus.
Lc. 16:9 - "E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos." Todo religioso é legalista consciente ou inconscientemente. Muitos vivem se regulando e regulando a vida dos outros pelo que fazem ou deixam de fazer, presumindo contribuir para a sua espiritualidade. Alguns estimam que são mais abençoados, porque ganham a vida com o fruto do trabalho honesto. Outros não jogam em loterias, porque estimam que é pecado. Todavia, Jesus, o Cristo está ensinando no texto acima que toda riqueza é de origem injusta. Isto porque o plano eterno de Deus é que o homem viva absoluta e totalmente na dependência da sua graça. Cristo mostra que, mesmo sendo as riquezas de origem injusta devem ser aplicadas no anúncio e proclamação da verdade, porque este é o sentido de "fazer amigos" no texto. Demonstra que ao investir a sua riqueza de origem injusta na verdade estará granjeando amigos para a eternidade. Ao granjear amigos, isto é, irmãos espirituais, ainda que, com riquezas injustas estes lhes serão eternos, quando as riquezas injustas não mais existirem. Tais riquezas, não significam apenas dinheiro ganhado de maneira considerada honesta ou desonesta, mas também a doação de si mesmo. Muitos julgam que ao dar coisas estão ganhando pontos com Deus para uma suposta evolução. Outros ainda, supõem que estarão ganhando mais bênçãos materiais como recompensa. Ainda outros julgam que ganharão a própria salvação ao dar coisas. As vezes um pecador necessita apenas do pão que alimenta para a vida eterna. Nada mais!!!
Sola Gratia!

domingo, 28 de dezembro de 2014

FÉ AUTÊNTICA x CRENDICE RELIGIOSA

Rm. 12: 1 a 3 - "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus, repartiu a cada um."
Fé é uma minúscula palavra em língua portuguesa que provém do grego koinê neotestamentário. No grego bíblico fé é 'pistis' e no latim eclesial é 'fides'. Na língua original do novo testamento fé é algo intangível e invisível. Portanto, não é algo sensoreável ou seja, que se pode sentir. Havendo sentimentos ou sensações naturais já não é fé, mas apenas ciência. O sentido bíblico de fé é a absoluta confiança na justificação do pecador na morte com Cristo. É também a dependência plena do poder, da bondade e da sabedoria de Jesus, o Cristo como salvador do pecador. A fé só vem após a metanoia, a saber, o arrependimento concedido por Deus por graça e misericórdia e não por mérito humano. Após o arrependimento que é o reconhecimento da própria natureza pecaminosa e morta para Deus, o homem recebe o dom da fé para descansar n'Ele. A fé como citada acima é ensinada em Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem." Portanto, fé é uma base firme, porém invisível e a absoluta certeza daquilo que não está materialmente diante do homem.
No sentido de mero assentimento intelectual ou crenças religiosas a fé não pode salvar ou regenerar o pecador. Esta categoria de fé é comum aos homens decaídos e aos demônios conforme Tg. 2:19 - "Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem." Vê-se que, no quesito de fé puramente racional e emocional, os demônios são mais eficientes que muitos homens, pois não apenas creem, mas também estremecem diante de Deus. Esta natureza de fé nada mais é que a soma das doutrinas, dogmas, preceitos de sistemas religiosos, crenças e conteúdos objetivos do cristianismo teórico ou nominal. É uma espécie de fé na fé, recaindo em um tipo de saber humano e não no dom de Deus. 
No texto bíblico de abertura o apóstolo Paulo apela aos cristãos em Roma que apresentassem seus membros como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Isto implica, não em justiça própria ou mérito para agradar a Deus, mas em viver com a mente renovada e inclinada para ele. Não se trata de votos de abstinências ou de auto-flagelo, mas de uma devoção por fé. Tal oferta não é o fator determinante para agradar a Deus, mas a consequência da própria ação monergística d'Ele após a regeneração do pecador. A oferta dos membros em sacrifício vivo é um contraste aos sacrifícios de animais que, agora, não têm mais sentido, visto que o sacrifício de Jesus, o Cristo foi feito na cruz. A oferta morta de bodes, touros, cordeiros e aves eram apenas indicação do sacrifício final de Jesus, o Cristo na cruz. Após o arrependimento dado por Deus e o recebimento da fé como dom d'Ele, o regenerado tem prazer em oferecer suas habilidades, separando-se da mentalidade mundana e volta-se com alegria para oferecer-se como instrumento para a honra e a glória de Cristo. O regenerado não se transforma em um super homem perfeito, mas em alguém no qual a fé de Cristo age para glorificar a Deus.
O ensino do texto é que o verdadeiro culto é racional no sentido espiritual e não da simples racionalidade intelectiva. A palavra utilizada no texto para 'racional' é 'lógico' [λογικoς]. O sentido do termo 'racional' no contexto é metafórico e não literal conforme I Pd. 2:2 - "...desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, a fim de por ele crescerdes para a salvação..." O termo 'puro' neste texto é grafado com a mesma palavra 'racional' do texto de Rm. 12:1. Assim, o sentido de "culto racional" é buscar agradar a Deus de modo puro, ou seja, não misturado às crenças, dogmas, preceitos e doutrinas religiosas ou resultantes apenas dos sentimentos da alma humana não regenerada. O texto não ensina que a fé é o resultado de um exercício intelectual ou da racionalização lógica  do homem. Alguém afirmou em uma entrevista no programa do Jô Soares que a fé é racional, porque do contrário ela seria apenas fideísmo. Ora, ele foi bem em 99% da entrevista sobre assuntos de cunho histórico. Porém, quando adentrou no campo da verdade espiritual escorregou feio. A questão é que, ao afirmar por confrontação entre fé e fideísmo ele lançou mão de um axioma de caráter lógico no sentido puramente intelectual. Apelou apenas para a semântica do assunto, mas não atentou para o sentido espiritual do mesmo. Fideísmo é por definição uma doutrina teológica que, desprezando a razão, afirma a existência de verdades absolutas fundamentadas na revelação e na fé. Ora, é exatamente isto que é fé no ensino de Jesus, o Cristo, como também dos apóstolos e discípulos. Portanto, fé não pode ser racionalizada e produzida pela mente ou a inteligência do homem. Talvez ele devesse afirmar que não é correto ter fé na fé, mas não  dizer que a fé é o subproduto da razão humana decaída e absolutamente corrompida diante de Deus.
Quando uma pessoa, por mais bem intencionada que seja, coloca a fé nos termos racionalistas está caindo exatamente naquilo que o apóstolo Paulo previne para que os cristãos não façam: "porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus, repartiu a cada um." Quando o homem possui de si mesmo tão alto conceito acima do que é ensinado nas Escrituras, elimina o sentido verdadeiro e genuíno da fé. O foco estará centrado no homem e não em Cristo. Isto se explica pelo fato que a fé é um dom de Deus e não uma virtude humana. Portanto, a fé que há no cristão não é da sua própria autoria, mas é a fé de Cristo nele para que possa se aproximar de Deus por meio dela. Por esta razão o correto não é dizer que se tem fé em Deus, mas dizer que tem a fé de Deus.
A expressão "... vosso culto racional" é uma forma de confrontar a fé formal praticada pela religião humana e a fé salvífica dada por graça e misericórdia ao pecador para que ele viva e ofereça seus membros a Deus.
Sola Scriptura!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A VERDADE É UNA E UMA SÓ

Ef. 4: 4 a 7 - "Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos. Mas a cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo."
Verdade é um substantivo feminino que significa: 'propriedade de estar conforme com os fatos e a realidade'. Portanto, a verdade  requer perfeita conformidade e fidelidade genuínas. Não pode ser um símile ou uma imitação da realidade. Por mais que a mentira e o engano se assemelhem à verdade, estes não podem substitui-la.
No tocante a esfera espiritual a verdade não é um conceito ou uma concepção filosófica. É, antes, uma pessoa, a saber, Jesus, o Cristo conforme sua própria autodefinição em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Esta é a única verdade que reconcilia o homem decaído a Deus pela justificação na morte de Cristo. Deus, o pai conduz o homem decaído até a cruz para ser incluído na morte de Jesus, o Cristo, ali o pecado original ou a 'morte' é aniquilado. Ao ressuscitar juntamente com Cristo, a nova criatura é reconciliada  a Deus por meio de Cristo, fechando um círculo completo de 360°. Este era o segredo oculto nos séculos conforme Rm. 16:25b - "...conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos..."
O universalismo é uma doutrina filosófica a qual presume ensinar ao homem, em sua sabedoria contaminada pela natureza pecaminosa, que há inumeráveis formas e caminhos de superar a questão do pecado, do mal moral e da morte espiritual. Também presume que a redenção é para todos e por diversos meios. Alguns clichês populares indicam esta linha de pensamento, como por exemplo: "Deus é um só, mas há diversos caminhos para se chegar a ele." Entretanto, o ensino puro das Escrituras anula todas as presunções do universalismo, ainda que pareçam lógicos e atraentes ao homem. As Escrituras não fazem concessões à natureza pecaminosa no homem e não estimula a busca da alma decaída por gratificação. A verdade dá ao homem decaído a exata dimensão da sua condenação e indica o único caminho possível à redenção.
O fato é que, se há uma única verdade, algo está muito errado, pois há grande diversidade de crenças e práticas. Todos afirmam estar com a verdade, fazendo-a uma espécie de propriedade particular. Todos se arvoram como senhores da verdade, porém, tal concepção, por si só aniquila todas estas verdades humanas, reduzindo-as à mentira e ao engano religioso de cunho gnóstico.
O texto que abre este estudo mostra que há uma única igreja identificada como o corpo, há um só Espírito Santo, uma só esperança na eleição e predestinação ou vocação. Há um só Senhor, um só batismo, e um só Deus. Neste caso, justificam-se as tantas e diferentes igrejas e seitas? Por que o Espírito Santo ensinaria diferentes verdades? Por que haveria tantas e diferentes vocações entre os homens? Por que Deus estabeleceria tantos senhores neste mundo? Por que os diferentes modos de batismos? Por que Deus, sendo único e soberano seria crido e caracterizado de modos os mais diversos?
Segundo o texto, o único dom que é dado a cada um conforme a medida de Deus é a graça. Por graça entende-se a ação monérgica de Deus, concedendo salvação e seus consequentes benefícios a quem não merece absolutamente nada. 
Não há diversas e diferentes verdades, porque ela é uma só conforme Sl. 119:160 - "A soma da tua palavra é a verdade, e cada uma das tuas justas ordenanças dura para sempre." Muitas são as formas de ensino procedentes palavra de Deus, mas a verdade é una e uma só. Tal verdade é a mesma do começo ao fim e dura eternamente. Todavia, as verdades do homem duram enquanto satisfazem os seus desejos da carnalidade.
I Co. 8: 5 a 7 - "Pois, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também. Entretanto, nem em todos há esse conhecimento." Desta forma  Paulo ensina que há os que se auto-proclamam "deuses", tanto no mundo espiritual, como no mundo material. Entretanto, aos eleitos e preordenados antes dos tempos eternos há um só Deus, o Pai, e um só Senhor, Jesus, o Cristo. Todas as coisas foram feitas por ele e para ele. A questão é que, nem todos os homens recebem o dom da graça para ver e entrar no  reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Sem nascer do alto, o homem não vê e não entra. Por esta razão há tantos deuses, tantas verdades e modos diferentes de operacionalizar tais religiões. 
Por não poder ver e entrar mediante o caminho único, o homem recria novos fundamentos apoiados em sua mente contaminada pela natureza pecaminosa. Isto lhe proporciona gratificação na alma que, contaminada, tenta reencontrar o caminho de volta para o Paraíso com base em si mesma. Tal situação  acaba por produzir a cada dia novas exigências cerimoniais, sacrificiais, rituais e carnais. Por esta razão religiosos são tão legalistas e críticos em relação a todos e a tudo que lhes parece fora do controle.
Sola Scriptura!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

COMO SATANÁS USA A RELIGIÃO PARA PREGAR O ENGANO

Lc. 21: 12 e 19 - "Mas antes de todas essas coisas vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso vos acontecerá para que deis testemunho. Proponde, pois, em vossos corações não premeditar como haveis de fazer a vossa defesa; porque eu vos darei boca e sabedoria, a que nenhum dos vossos adversário poderá resistir nem contradizer. E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós; e sereis odiados de todos por causa do meu nome. Mas não se perderá um único cabelo da vossa cabeça. Pela vossa perseverança ganhareis as vossas almas."
Alguém alhures afirmou que o melhor engano é aquele que mais se assemelha à verdade. Faz todo sentido, pois se o engano se apresentar como engano, ninguém o crerá. Em espionagem o agente usa diversos disfarces para não parecer ser quem realmente é. Por isto é chamado de agente secreto, pois deverá cumprir a sua missão e não ser descoberto. A descoberta do disfarce coloca o agente em exposição e ao risco de morte.
No cristianismo nominal, histórico e apenas institucional se vê uma grande efervescência e movimentação com base apenas no engano. Muitos tomam tais sinais como evidência da aprovação de Deus. Outros tomam tais manifestações da religião exterior como um novo avivamento que evangelizará o mundo. Ledo engano, pois tais movimentações são de cunho puramente emocional. Têm mais a ver com ativismo e evangelicalismo do que com a verdade evangélica.  São apenas disfarces do engano e não a verdadeira face da verdade. Deus nunca trabalha com as maiorias e, muito menos, com os que se acham sábios e poderosos neste mundo. Ele sempre usou e usa os menos prováveis e os menos óbvios, justamente para que não seja dada a glória ao ensino de homens. Tudo o que estiver fora da centralidade de Cristo na cruz é mero disfarce diabólico, ainda que bem intencionado. Não é pelo fato que alguém dentro de uma igreja pronuncia o nome de Cristo, canta hinos, cumpre rituais e ordenanças que está com a verdade.
Milan Kundera, autor do livro "A Insustentável Leveza do Ser" afirmou: "percebi com espanto que as coisas concebidas pelo engano são tão reais quanto as coisas concebidas pela razão e pela necessidade." Guardadas as devidas distâncias entre a posição puramente filosófica e a verdade de Deus, ele tem toda razão em sua percepção. Muitos tolos imaginam que o engano é algo subjetivo e jamais produz algum resultado. Ao contrário, o engano vem justamente para gratificar a alma do homem decaído. Portanto, ele sempre é mais eficiente em satisfazer os desejos do coração humano. A verdade, entretanto, é sempre muito dura e desconcertante aos desejos almáticos.
Observam-se hoje pessoas que se auto-intitulam cristãs bastante motivadas e cheias de boas intenções, porém praticando o engano. Elas não aceitam este fato quando confrontadas pelo evangelho da verdade, porque a primeira evidência do engano é a  vaidade religiosa. Ninguém, por mais religioso e enganado que seja, admite esta posição por conta própria. Tais pessoas já chegaram a um limite de programação neuroreligiosa que é muito difícil reconhecer-se enganadas e retroceder desta posição. Esta é uma obra realizada apenas pela ação monérgica do Espírito Santo através das Escrituras. Entretanto, o dificultador é o fato de a mensagem ser apresentada por outra pessoa susceptível a falhas e portadora de defeitos. Assim, o religioso olha, não para a mensagem anunciada, mas para o mensageiro que a anuncia e, ao encontrar falhas nele, rejeita a mensagem por causa do mensageiro. É tudo o que o Diabo quer fazer nesse mundo para afastar o homem da cruz!
Determinados líderes religiosos que se metem a pregar o que não conhecem acabam por gerar uma doutrina mística e, por vezes, mítica. O limite entre o que é verdade e o que é engano é muito tênue. Por esta razão os seguidores destes falsos mestres não percebem e saem reproduzindo o erro.  Um desses líderes afirmou: "a obra que Deus quer fazer em você o libertará de toda opressão, paixões e demais sofrimentos. O Senhor não está endossando ou propagando religião alguma, e sim levando quem acredita em sua Palavra a experimentar o melhor d'Ele nesta vida e, depois, na eternidade. Porque não pesquisar, orar e pedir ao Altíssimo que lhe mostre a verdade? O fanatismo faz as pessoas se fecharem e não observarem as escrituras. Ora, por trás de todo fanatismo há uma fé mental ou maligna. Jesus disse que todos deveriam examinar as Escrituras, pois nelas há a vida eterna  e são elas que testificam d'Ele (Jo. 5:39) e de nós também." 
Primeiramente, Jesus, o Cristo é o único libertador do homem e Deus, o Pai, quem leva o pecador até a Cruz para ser libertado conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer..." Cristo liberta do pecado, a saber, do que o homem é e não apenas do que faz. Este é o primeiro engano, pois o religioso está preocupado com a libertação de circunstâncias, tais como, opressão, paixões e sofrimentos. Este tipo de ensino é enganoso, porque ainda que uma pessoa sinta-se aliviada após um culto em um certo credo, não significa que foi libertada da sua natureza pecaminosa. Ela continuará portadora da causa determinante dos atos pecaminosos e os erros retornarão cada vez mais fortes. É como tentar cortar uma erva daninha em uma plantação, aparando apenas os galhos e as folhas desta praga. Pela raiz, a praga crescerá cada vez mais resistente e forte. Muitos filhos de Deus nascidos de novo permanecem com graves problemas psicológicos, físicos e comportamentais até o último dia de vida. Não há nenhuma garantia de livramento instantâneo de problemas na vida de um nascido de Deus. Há total garantia da aniquilação da sua natureza pecaminosa e do tratamento constante da sua alma em suas fraquezas e falhas ao longo da vida. Quando o tal pregador afirma que o Senhor não está endossando ou propagando religião é uma verdade, porém ele mesmo serve, se serve e propaga uma religião. Desta forma prega-se o que não vive e vive o que não prega. Deus não leva uma pessoa a acreditar em sua Palavra, ele convence o homem do pecado, da justiça e do juízo por meio das Escrituras. É outro processo, pois uma pessoa que apenas acredita na Palavra de Deus pode não ter a fé salvadora. Acreditar por acreditar até os demônios acreditam conforme Tg. 2:19 - "Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem.
Secundariamente, falar de fanatismo é algo muito relativo também, pois na visão de um incrédulo qualquer pregação da cruz é vista como fanatismo. Também é fato que os fanáticos acreditam veementemente que estão servindo a Deus. Portanto, é necessário que se defina exatamente o que é e o que  não é fanatismo. Jesus não afirmou que a vida eterna está nas Escrituras. Ele afirmou que os religiosos judeus buscavam a vida eterna nas Escrituras. São afirmações absolutamente diferentes. Tanto é que, na sequência, Cristo lhes disse que a vida eterna era ele mesmo, porém os tais não podiam recebê-lo conforme Jo. 5:40 - "... mas não quereis vir a mim para terdes vida!" Desta forma a vida eterna é Cristo e não as Escrituras. As Escrituras apenas relatam o ensino verdadeiro. Portanto, é muito fácil enganar milhões de pessoas usando a própria Bíblia. Estes pregadores do anátema não sabem nada a respeito da verdade. Eles buscam apenas a glória dos homens, por isso, não conseguem ver e entrar no reino de Deus nos termos de Jo. 3: 3 e 5.
Ao contrário do que é ensinado nas igrejas institucionais e na religião comum, o mundo não se curva à simpatia dos que pregam a verdade. O texto de abertura, que é escatológico, demonstra com clareza que, ao contrário, o mundo aumentará gradativamente o ódio à verdade e àqueles que a anunciam. Isto é o mais óbvio, pois há uma permanente inimizade entre o mundo e os que foram libertados dele pela cruz. Não se sabe de onde tais pregadores da mentira retiram este 'evangelho água com açúcar', no qual os crentes são amados por todos os que amam o mundo. O que Cristo afirma sobre as relações entre os nascidos do alto e o mundo são as seguintes: "... e até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós; e sereis odiados de todos por causa do meu nome." Os inimigos dos santos serão os da sua própria casa em primeiro lugar e depois os amigos. Porque são estes os que convivem mais de perto e, portanto, sentirão primeiramente o ódio pelos filhos de Deus. Depois os amigos serão inimigos e os eleitos sofrerão todo o dano para que o testemunho da verdade seja dado ao mundo. Isto não quer dizer que o mundo se curva ao evangelho, mas que o evangelho seja pregado a toda criatura. O ódio é por causa do nome de Jesus, o Cristo e não se os eleitos são corretos ou aprovados.
At. 2:47 - "E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos." Os cristãos primitivos caíam na graça do povo por seus exemplos, acima de tudo, Deus acrescentava os eleitos à Igreja para serem salvos. A ação era, é e sempre será unicamente de Deus. As pessoas percebiam a graça de Deus nas vidas dos seus eleitos e regenerados.
Sola Fide!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

AS ESCAMAS IMPEDITIVAS DA RELIGIÃO

Rm. 9: 6 a 16 e 22 a 24 - "Não que a palavra de Deus haja falhado. Porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus; mas os filhos da promessa são contados como descendência. Porque a palavra da promessa é esta: por este tempo virei, e Sara terá um filho. E não somente isso, mas também a Rebeca, que havia concebido de um, de Isaque, nosso pai (pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito: o maior servirá o menor. Como está escrito: amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia. E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?"
Religião é uma proposta que pretende, por meio de obras de justiça e de esforço, convencer Deus a ser favorável ao homem. Ou ainda, religião é uma invenção humana para tentar conseguir a salvação por conta própria. Simplificadamente, religião significa a tentativa humana de religar o que foi desligado por causa do pecado original. Desta forma, o religioso cria diversos e diferentes sistemas de crenças para atingir tal objetivo. Entretanto, as Escrituras ensinam que o homem não pode religar-se a Deus nem por sua vontade, nem por linhagens étnicas, nem por escolha moral conforme Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." É a vontade de Deus que leva o pecador receber a Cristo. Estes são os que passam a crer no seu nome, porque a estes foi dado o poder de serem feitos filhos de Deus. Eles não conquistaram nada por eles mesmos, antes foram conquistados pela graça da vontade de Deus. A transferência do homem do reino das trevas para o reino do amor de Deus não é operada pelo nascimento biológico, pela descendência étnica, nem pela vontade da mente ou da inteligência. O novo nascimento ou nascimento do alto é operado pela vontade de Deus. Tanto Jó, como Paulo eram corretos religiosos, nem por isso, estavam purificados da natureza pecaminosa que os separava de Deus. Foi necessário um duro processo de regeneração neles por meio da cruz. 
A religião serve para cegar mais o pecador, porque este introjecta normas, regras, ritos e preceitos que obscurecem e substituem a verdade. Tais sistemas em geral, usam a Bíblia, porém, interpretadas e aplicadas pelo senso de crença do homem em sua natureza pecaminosa. O pecado, não aniquilado na cruz, determina no homem natural uma tendência à adaptação do texto bíblico ao que agrada a sua alma.  O religioso, via de regra, se apega aos valores comportamentais e aos dogmas da religião, fechando os filtros à revelação das Escrituras. Superdimensiona os valores morais no lugar da pessoa de Cristo que é, de fato, quem produz a santidade nos eleitos e regenerados. O excesso de regras comportamentais e rituais da religião exterior funcionam como uma densa cortina que impede a visão da simplicidade do evangelho. Uma das mais eficazes estratégias do Diabo é manter os religiosos todo o tempo ocupados com coisas relacionadas a Deus, a Cristo, a Bíblia e a Igreja, mas estes não veem a verdade. O inimigo substitui a verdade por diversas verdades relativas e por coisas ou práticas da religião. No século XIX, Watchman Nee disse: "... tenho inveja das lavadeiras da minha aldeia, porque, enquanto eu tenho a Palavra de Deus nas mãos, elas têm o Deus da Palavra." Ele foi um filho do Altíssimo que passou a maior parte da vida em prisões na China Comunista, por causa do evangelho. Acontece, que, após este homem ter recebido o ensino verdadeiro por meio de Jesse-Pen Lewis veio a conhecer a verdade que verdadeiramente liberta, a saber, Cristo e este crucificado.
No texto que abre esta instância, o apóstolo Paulo vem falando da sua grande tristeza por não ter sido separado por Deus para anunciar o evangelho aos judeus e aos seus parentes. Demonstra que, apesar de os judeus serem israelitas e terem a lei, os pactos, a doação do Cristo, o culto e as promessas, nem todos seriam salvos. Afirma ainda que, não é pelo fato de que nem todos os judeus receberam a verdade, Deus houvera falhado. Mostra que nem todos os descendentes da promessa feita a Abraão foram eleitos para a salvação. Por esta razão João afirma sobre Jesus: "veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam." Isto equivale dizer que o salvador veio, primeiramente, ao povo de Israel, mas a maioria não o reconheceu como o salvador deles. Então, a questão não é de o pecador ter um sistema religioso, praticar ritos e se submeter a um conjuntos de preceito e regras morais. A questão é de Deus ter escrito os nomes dos pecadores eleitos no livro da vida do Cordeiro.
A eleição e a predestinação são doutrinas bíblicas e não invencionices de quem quer que seja. Na verdade são doutrinas extremamente duras para o senso de justiça humana. Especialmente o religioso cheio de justiça própria abre logo o seu baú de justificativas para inocentar Deus desta doutrina. Eles alegam que Deus é amor e que jamais rejeitaria alguém que é correto e que aceita Jesus. Todavia, desconhecem que o homem decaído não pode aceitar Jesus, o Cristo. É ele quem os aceita na cruz para aniquilação das suas naturezas pecaminosas. Entretanto, correto até o anjo querubim que veio a ser Satanás era até o dia em que foi achada nele a iniquidade. Correto, Jó era, sendo, inclusive, elogiado por Deus diante de Satanás. Correto, também era Paulo e zeloso dos pactos do judaísmo. 
Paulo mostra no texto que Jacó e Esaú sequer haviam nascido, mas Deus já havia escolhido a Jacó. Os gêmeos sequer haviam feito o bem ou o mal, mas Deus já havia feito a escolha por Jacó. Então, não é uma questão de fazer o bem ou o mal, pois estas realidades fazem parte da natureza humana. Além do que, o bem e o mal é, primeiramente, uma questão de conceito ou ponto de vista antes de se tornar uma prática. O que é tido como o mal em uma circunstância pode ser tido como o bem em outra. Deus determinou que Esaú seria servo de Jacó e assim aconteceu historicamente, porque seus descendentes foram agrupados na tribo de Judá. Isto não implica em que Esaú tenha sido amaldiçoado e que teve uma vida cheia de sofrimentos, miséria e pobreza. A escolha ou eleição é uma questão  espiritual e não material.
Os advogados de Deus logo questionam que o ensino da doutrina da eleição faz Deus se tornar injusto. Paulo mesmo responde a isto no texto: "Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum." A explicação abrange a soberania de Deus: "... terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia." Ele é soberano para fazer o que lhe aprouver.
O texto mostra claramente que foi Deus quem preparou os vasos para ira e perdição e os vasos de misericórdia para a sua glória. Ambos foram feitos por Deus e não um pelo Diabo e o outro por Deus como se ensina, comumente, nas religiões institucionais e humanistas. Mostra que é Deus quem usa de misericórdia e de justiça com quem quer. A eleição não depende de quem pratica esta ou aquela religião. Não depende de quem corre atrás de boas obras ou de bom comportamento. Estas realidades são operadas por Deus que realiza o querer e o efetuar nas vontades dos que são d'Ele. Isto é soberania e não injustiça, pois ele poderia deixar todos na condenação do pecado.
No texto original diz que Deus amou a Jacó e odiou a Esaú. Algumas traduções humanistas mudaram a palavra "odiei" para "amou menos" ou mesmo "aborreci". Todavia, o texto original em grego koinê diz que Deus odiou a Esaú e não que amou menos ou aborreceu. Em outro texto é dito que, mesmo depois de Esaú ter chorado e desejado retomar a bênção, Deus não reconsiderou conforme Hb. 12:27 - "Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado; porque não achou lugar de arrependimento, ainda que o buscou diligentemente com lágrimas.Esaú buscou arrependimento com lágrimas, porém não o encontrou. Desta forma os religiosos incrédulos às Escrituras deveriam agendar uma audiência com Deus para questioná-lo sobre a sua soberania em amar a um e rejeitar ao outro.
Sola Scriptura! 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A UNS É DADO CONHECER, MAS A OUTROS NÃO É DADO

Lc. 8:10 - " Respondeu ele: a vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; mas aos outros se fala por parábolas; para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam."
Um dos mais evidentes sinais de uma pessoa que possui apenas religião é a impossibilidade de receber o ensino bíblico como sendo verdadeiro. O homem natural, o qual não pode discernir as coisas do espírito, ajunta para si um amontoado de valores morais, normas, regras e preceitos religiosos. Adota determinados comportamentos apenas exteriores supostamente apoiados na Bíblia e chama a tudo isto de verdade. Entretanto, tal verdade é puramente humana e não a verdade como o próprio Cristo conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." A verdade, a vida e o caminho não são metodologias, doutrinas ou preceitos. É, antes, uma pessoa, a saber, o próprio Cristo. A verdade não é uma concepção filosófica, mas uma pessoa que doou a própria vida. Como propõe o texto, ninguém pode chegar ao Pai se não for por meio de Cristo que é a verdade. Deus não tem coisas para dar ao homem, ele tem uma única dádiva, a saber, Cristo. Quem tem Cristo tem tudo, porque ele é o tudo de Deus conforme Cl. 3:11c - "... mas Cristo é tudo em todos." Deus fez todas as coisas  convergirem para Cristo e não para coisas conforme Cl. 1:16 e 17 - "... porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as coisas."
Outro sinal claro que a pessoa é apenas religiosa é o legalismo. Por legalismo entende-se a exigência de perfeição e bom comportamento moral como evidência da verdade. Ora, muitos ateus possuem comportamento mais íntegro e reto que muitos religiosos. O próprio Cristo ensinou que os homens naturais são mais prudentes ou espertos que os filhos da luz conforme Lc. 16:8b - ... porque os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz." Isto se deve ao fato que os filhos deste mundo têm os seus corações inclinados para o mundo e seu sistema, enquanto os filhos da luz seguem a luz que é Cristo assentado nos lugares celestiais. O legalismo é o resultado das exigências das igrejas institucionais que, não tendo o ensino da verdade, se apegam a promover apenas reforma moral nas pessoas. Tomam o bom comportamento misturam a alguns preceitos bíblicos e apontam isto como evidência de salvação. Invertem a ordem dos fatos e do ensino da verdade para satisfazer e gratificar suas almas, pela lei do sacrifício de si mesmos. Oferecem apenas religião exterior, a saber, obras de justiça própria e méritos. Muitos vivem a vida toda de modo reto, íntegro, temente e desviando-se do que lhes parece mal. Entretanto, não foram convertidos, porque preferiram trocar a conversão monérgica, pelas ações humanas sinérgicas. Substituem o dom de Deus pelos seus próprios sacrifícios de tolos. Agem como Caim que teve a sua oferta rejeitada, enquanto Abel foi aceito, porque se aproximou de Deus através do substituto. Caim quis agradar a Deus pelo seu esforço, enquanto Abel agradou a Deus por se incluir no cordeiro que representava Cristo crucificado. 
Por fim, um religioso, quando confrontado, monta um perímetro em torno de si mesmo com base em defensivas legalistas. Muitas das suas defesas giram em torno de opiniões de seus líderes, de textos bíblicos adaptados segundo as suas capacidades almáticas ou mesmo de dogmas e preceitos denominacionais. Como não têm discernimento espiritual, desqualificam a mensagem da verdade, acusando ou levantando suspeitas morais sobre o mensageiro. Ora, a  obra de Deus é realizada no mundo pelas pessoas menos prováveis. Muitos dos homens e mulheres que foram usados por Deus desde os tempos mais remotos, não seriam aceitos em muitas igrejas de hoje. Na própria genealogia de Jesus há uma prostituta, Raabe, uma pagã, Rute e Salomão filho da mulher de Urias, o qual Davi expôs para ser morto. Deus não age no Universo com base na retidão, integridade e obras de justiça dos  homens. Fosse assim, Jó não teria de passar por aquele penoso processo de conversão verdadeira. Davi jamais alcançaria um coração segundo Deus, pois foi adúltero, assassino sanguinário e rebelde. Abraão era filho de idólatras e levou muitos anos para receber a imputação da justiça de Cristo. Paulo consentiu na morte de Estevão, perseguiu a Igreja e prendeu cristãos antes de ganhar a graça para a redenção. O fato é que a retidão, a integridade e a justiça dos eleitos e regenerados pertencem a Cristo e não a eles mesmos. Do contrário, Cristo seria absolutamente desnecessário à salvação.
No texto de abertura Jesus, o Cristo mostra aos discípulos que a Palavra de Deus é semeada em diversos e diferentes tipos de terrenos. Em cada terreno ela surte um determinado efeito, mas apenas em um ela germina, frutifica e permanece. Os discípulos não compreenderam muito bem o ensino, porque o raciocínio deles estava viciado na lógica da religião. Por isso, esperavam um ensino que fosse compatível com seus dogmas. Jesus lhes mostra que o ensino por parábolas era exatamente, porque a verdade não é dada a todos de igual modo. A uns é dado conhecer os mistérios de Deus, mas a outros não. Jesus, o Cristo ainda explica mais pormenorizadamente que ensinava por curvas, justamente pra que alguns não vissem, não ouvissem e não entendessem. Cristo foi mais enfático no registro de Mc. 4: 11 e 12 - "E ele lhes disse: a vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas; para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam e sejam perdoados." Vê-se que o objetivo de não ensinar a todos do mesmo modo era para que aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida, não vissem, não percebessem, não ouvissem, não entendessem, não se convertessem e não fossem perdoados. 
O religioso legalista quando se depara com este ensino reage como se o tal ensino não fosse de Cristo, mas de quem o está anunciando. Ele se põe  na defesa da justiça de Deus, como se ele necessitasse de algum advogado. O religioso prefere alegar insanidade e  inverdade de quem anuncia a mensagem, que abrir os filtros para receber como revelação de Deus. Neste ponto ele se põe na mesma condição dos que ouviam apenas a parábola como uma historieta, mas não como revelação dos mistérios do reino de Deus. 
Ora, se Deus tivesse decidido salvar a todos os homens, ele certamente os salvariam a todos. Nada e ninguém pode deter os desígnios de Deus, porque, agindo ele, quem o impedirá? Porém, é  perceptível que nem todos os homens recebem graça para crer, logo, a salvação não é para todos. O excepcional é Deus ter resolvido salvar pela Graça a alguns, pois o normal seria ele deixar que todos se perdessem em seus delitos e pecados. Esta questão não é decidida por pregadores, líderes religiosos ou mesmo pela Teologia. É o que as Escrituras ensinam e que se percebe claramente na realidade concreta. 
Quando, pois, a Graça atinge um pecador cujo nome está escrito no livro da vida do Cordeiro, a sua reação é a mesma de Jó: "Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza." Jó possuía retidão, integridade, desvia-se do mal e temia a Deus, porém isto era apenas religião. Ele era portador de uma religião de segunda mão, porque apenas reproduzia o que ouvia falar sobre a verdade, mas não conhecia a própria verdade. Ele tinha uma espécie de fé na fé. Finalmente, Deus concedeu a Jó ver com os olhos do espírito e não apenas sentir com as impressões da alma. O resultado da visão de Cristo levantado da Terra foi abominar-se a si mesmo no pó e na cinza. Jó passou pelo processo da metanoia e não por conversão religiosa. Ao contrário, Jó foi convertido da religião para a verdade que verdadeiramente liberta.
Sola Gratia!

domingo, 23 de novembro de 2014

ESCOLHEDOR, ESCOLHAS E ESCOLHIDOS

Jo. 15: 16 a 19 - "Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vô-lo conceda. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia."
Uma das maiores dificuldades na compreensão da doutrina da eleição e predestinação é a questão das escolhas. Tal limitação se dá, porque o homem em seu estado pecaminoso não consegue abstrair-se de si mesmo e ver  pelas lentes de Cristo. O pecador consegue, no máximo, ver pela ótica da religião que atrela tudo ao esforço e ao mérito. Entende-se por religião todo e qualquer culto cuja origem e centralidade está no homem e na tentativa de religar-se a Deus. A prática religiosa é, em geral, cercada por rituais, dogmas, regras e preceitos os quais seus líderes consagram como verdades. A religião busca a gratificação da alma e não a sua redenção pela cruz e na cruz. Na religião não buscam, porque não podem, o exame das Escrituras como revelação. Buscam nelas tão somente o embasamento teórico para, supostamente, dar suporte a um conjunto de crenças. Chamam, comumente, tais crenças de fé e atribuem-na a Deus ou a uma força sobrenatural. Todavia, Deus não está nisto!
Escolher é um verbo que pode ser transitivo direto ou indireto e bitransitivo, portanto, não traz significação sem um complemento que lhe dê mais exatidão. Como transitivo direto significa 'manifestar preferência por algo ou alguém'. Como transitivo indireto significa 'fazer opção entre duas ou mais coisas ou pessoas'. Desta forma é um verbo que permite a seres inteligentes selecionar, separar, aproveitar, marcar e assinalar situações, aspectos, coisas e pessoas. Vê-se que se trata de atitudes determinadas por desejos da mente. Portanto, não há em termos de escolhas naturais qualquer possibilidade de "livre arbítrio". Para que uma escolha seja absolutamente livre ela não poderá ser determinada nem mesmo pela vontade e o desejo do homem. Portanto, se nem as escolhas naturais são livres, imagine as escolhas espirituais a um ser decaído?
O homem em seu estado natural não sabe discernir entre escolhas naturais e escolhas espirituais. I Co. 2: 14 e 15 - "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido." Por esta razão é que a falsa doutrina do "livre arbítrio" foi entronizada nas igrejas como sendo uma explicação para o homem "aceitar" ou "rejeitar" o evangelho. Esta tem sido uma das mais eficientes mentiras diabólicas proveniente do Gnosticismo. É lamentável ver pessoas que não sabem sequer quem é Jesus, o Cristo e se atrevem a fazer afirmações de ensinos de homens e demônios conforme I Tm. 4:1 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios...
A questão se torna mais grave, porque quase todo religioso pertencente a uma determinada denominação dita cristão, não se vê como um religioso ou como homem natural. O religioso é iludido por doutrinas humanas e de demônios, confundindo fé com sentimentos. Fé se define por ser um dom de Deus e algo invisível e intocável. Os sentimentos são manifestações almáticas e emocionais, portanto, tudo o que é sentido não procede da fé. O religioso é movido pelo que sente e não pelo que crê pela fé como dom de Deus e não como virtude humana. Por esta razão há tanta mentira, dor e sofrimento dentro das igrejas institucionais. Há entre religiosos disputas, ciúmes, contendas, falsidades e enganos.
O texto de abertura demonstra que foi Jesus, o Cristo quem escolheu os seus discípulos e não o contrário. Este é um princípio extensivo a todos os discípulos no tempo e no espaço. Cristo não só escolheu, como também designou o que cada um deles irá fazer durante a vida. A ordem é que os discípulos devem ir pela vida e dar muitos frutos. Os frutos a que alude o texto são, de fato, o fruto do Espírito concedido a cada um dos regenerados e não um amontoado de boas obras humanas. As obras humanas devem ser consequências do dom de Deus e não a razão para obtê-lo. As boas obras foram feitas de antemão para que os discípulos andassem nelas e não o contrário como se supõe nos círculos religiosos.
A confirmação da escolha de Cristo é que o fruto permanece, o amor é real e as petições são respondidas por Deus. Isto não implica em uma espécie de barganha, na qual Deus se obriga a conceder pedidos egolátricos e para o deleite do homem. Ele responde segundo a sua vontade e não segundo a vontade do homem. A primeira evidência que alguém está no centro da vontade de Deus é o ódio do mundo. Isto ocorre, porque são realidades absolutamente opostas: o mundo odeia o que não lhe gratifica e o Espírito de Cristo odeia a natureza pecaminosa do mundo. Não há ponto de conciliação entre o pecado e a vida de Cristo. Por pecado subentende-se a natureza pecaminosa que é a incredulidade. Não se refere aos atos falhos, erros e deslizes cometidos pelos nascidos de Deus ao longo do processo do revestimento de Cristo. O que Cristo veio destruir, aniquilar e retirar do mundo foi o pecado, a saber, a incredulidade conforme Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Quanto aos atos pecaminosos persistentes por causa da carne serão tratados ao longo da experiência do novo nascido. Eles são tratados por Deus no processo de construção da semelhança de Cristo nos eleitos. Porém, da ótica de Deus, tanto o pecado, como os atos pecaminosos já foram anulados na cruz.
O ódio do mundo pode variar desde o ódio velado ou oculto até o mais ostensivo que tem dizimado milhares de cristãos. À medida em que o tempo se escoa para o retorno do Grande Rei, a tendência é o aumento do ódio velado ou ostensivo. Não se iluda, pois Deus não moverá um dedo para evitar que as Escrituras se cumpram exatamente como o previsto. O mundo odeia a verdade e a verdade odeia o  que é originado no mundo. O diferencial são apenas os escolhidos de Deus e a sua escolha se deu antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
O maior engano na vida do homem é supor que é filho de Deus sem ter passado pelo novo nascimento. Para nascer de novo é necessário que tenha sido incluído na morte de Cristo, bem como na sua consequente ressurreição conforme Gl. 2: 20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim."
Sola Fide!!!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

OS SOBERBOS x OS MANSOS

At. 18: 24 a 26 - "Ora, chegou a Éfeso certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão as coisas concernentes a Jesus, conhecendo entretanto somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga: mas quando Priscila e Áquila o ouviram, levaram-no consigo e lhe expuseram com mais precisão o caminho de Deus."
Soberba é um substantivo feminino proveniente do latim 'superbia' ou 'superbiae'. O vocábulo traz as seguintes significações: altivez, orgulho, arrogância, presunção. Indica uma atitude em que o indivíduo se coloca a si mesmo em posição mais elevada à que de fato tem. Tal presunção faz que o soberbo não abra o filtro para averiguar e avaliar seus próprios princípios. Quando confrontado, geralmente, se fecha, ficando no ataque, ou na defesa. O soberbo lança mão dos argumentos que assimilou, geralmente de terceiros, os quais considera como única verdade plausível. 
Os mansos são aquelas pessoas, as quais consideram seus princípios, ideais, crenças e valores, porém, sem desconsiderar que podem apreender mais. São capazes de reconhecer erros e são dispostos a mudar para alcançar o que há de melhor. Manso é um adjetivo que caracteriza uma pessoa afável, sossegada, dócil, tranquila, serena. O termo provém do latim 'mansus' e de 'mansuetudinis' que é mansidão, brandura, bondade. 
Mt. 5:5 - "Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra." No sermão da montanha Jesus, o Cristo afirma que os mansos herdarão a Terra. Mas, quanto aos soberbos é dito em Tg. 4:6 - "Todavia, dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes." Desta forma é revelado que é Deus mesmo quem resiste aos soberbos. Tremenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo. No 'magnificat' de Maria, a mãe de Jesus é dito que "...Deus dissipa os soberbos nos pensamentos dos seus corações." Tal processo começa, dando-lhes a oportunidade de ouvir a verdade. O modo como reagirão à verdade é que determinará o que está em seus corações: soberba ou mansidão.
O texto de abertura revela com clareza e sem qualquer interpretação, que, Apolo, natural da cidade de Alexandria era um homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Isto quer dizer apenas que ele falava com desenvoltura e boa oratória e, que conhecia os textos sagrados. Nem mais, nem menos que isto! Também este judeu Apolo era instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso no espírito falava e ensinava com precisão as coisas concernentes ao Senhor Jesus, o Cristo. Desta forma se pode apreender que Apolo havia recebido alguma instrução sobre os ensinamentos de Cristo e que era muito entusiasmado. Utilizava sua capacidade de comunicação para ensinar com precisão coisas que diziam respeito à pessoa de Jesus. É notório que muitos ateus podem fazer o mesmo ou melhor que Apolo. Tal capacidade é apenas didática, ou seja, a pessoa lê, estuda e entende um assunto e é capaz de reproduzi-lo aos outros.  Isto não implica, absolutamente, que houve qualquer experiência espiritual.
É demonstrado que Apolo recebeu ensino instrutivo e reprodutivo e apenas o batismo nas águas. Tal batismo era praticado por João, o batista nas águas do rio Jordão. Era uma prática comum no judaísmo como parte da lei cerimonial como oblação em água para purificação de pecados. Entretanto, o batismo de João era apenas um símbolo da morte e ressurreição de Cristo. Ao imergir em águas indica a morte e o sepultamento do pecador na morte de Cristo. Ao emergir das águas indica a ressurreição do regenerado com Cristo. Portanto, o batismo de João era apenas uma simbologia da morte e da ressurreição. Com base apenas nestas realidades Apolo tomou da palavra e falava ousadamente na Sinagoga dos judeus na cidade de Éfeso. Hoje se vê, por muito menos, pessoas se auto-intitulando de doutores em divindades, apóstolos e outros títulos a mais.
Todavia, Priscila e Áquila, membros da Igreja em Éfeso, o ouviu e percebeu, pelo espírito, que lhe faltava mais exatidão. Tomaram a Apolo,  e, conduzindo-o, possivelmente, à sua casa o instruíram com mais precisão, o caminho de Deus. Verifica-se que, em nenhum contexto das Escrituras se registra qualquer resistência de Apolo. Ele simplesmente recebeu com mansidão a orientação mais exata do caminho de Deus. Vê-se que Priscila e Áquila não lhe expôs os caminhos da religião, mas o caminho de Deus. Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Deus não tem diversos caminhos, como propõem os espiritistas e universalistas. O caminho de Deus não é um conjunto de preceitos, regras, normas ou leis. É uma pessoa, a saber, o seu próprio Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos. Caminho significa método, portanto, Jesus, o Cristo é o método de Deus para reconduzir o pecador eleito à comunhão eterna.
Apolo poderia ter se aferrado aos seus conhecimentos adquiridos de terceiros. Eram conhecimentos apenas descritivos ou narrativos acerca do caminho de Deus. Apolo não conhecia o próprio caminho de Deus, mas apenas coisas concernentes a ele. Este é o dilema da maioria dos religiosos dos tempos atuais: conhecem muito sobre a bíblia, sobre pregadores, sobre autores de livros, sobre músicas soberbamente chamadas de 'gospel'. De evangelho mesmo, a maior parte das tais músicas nada possui. Muitos religiosos possuem apenas conhecimento intelectivo sobre as Escrituras, sobre Cristo, sobre Deus, sobre igrejas. Usam os textos bíblicos apenas como uma espécie de auto-afirmação para manter suas posições conseguidas de homens. Tais religiosos são soberbos e inchados em seus conhecimentos. A primeira evidência desta pobreza de espírito é a forma em que reagem aos que os procuram para lhes fornecer algo a mais. Respondem com uma gama de textos bíblicos desconexos, com agressões e ofensas. Levantam dúvidas sobre o interlocutor para refutar sua mensagem. Este é um processo diabólico: desqualificar o pregador, imaginando com isto, desqualificará a mensagem. Ora, o pregador pode ser, absolutamente, desqualificado, atacado, xingado e ofendido, mas a mensagem jamais. Enquanto o pregador é homem sujeito a falhas, a mensagem é eterna e de origem divina. Portanto, é perda de tempo desqualificar o mensageiro imaginando que desqualificará a mensagem.
É natural que uma pessoa sem experiência de nascimento do alto reaja ao que lhe é estranho e diferente, pois não recebeu revelação. Uma coisa é conhecer as Escrituras apenas como 'logos', outra é conhecê-las como 'rhema'. Jó esclarece este dilema quando diz: "... com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza." Os mansos, ainda que possuam grande conhecimento, recebem a verdade com simplicidade e singeleza de coração. Depois que são ensinados pelo Espírito Santo, eles se abominam e se reconhecem necessitados, incompetentes e carentes da glória de Deus. Os soberbos, ao contrário, se aferram aos seus méritos, conhecimentos humanos e doutrinas de homens.
Sola Scriptura!