quinta-feira, 2 de julho de 2015

OBSCURANTISMO E DESCONSTRUÇÃO DE DEUS IV

Rm. 1: 18 a 25 - "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, eles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém."
No primeiro estudo desta série tratou-se de questões gramaticais em mais de um parágrafo. O leitor poderia questionar a razão do referido tratamento. Porém, o objetivo é criar subsídio para outras instâncias do tema objeto dos estudos. Desta forma, a palavra Deus nada tem a ver com o nome d'Ele, pois não é um substantivo próprio. Trata-se um substantivo concreto masculino designativo de um ser divino. A língua portuguesa é a única do grupo neolatino que manteve o vocábulo 'Deus' em sua forma nominativa com terminação em "us". A origem do vocábulo "deus" é do tronco linguístico indo-europeu, tendo a sua raiz em 'deiwos' que significa "brilhante" ou "celeste". Portanto, para os povos oriundos desse tronco étnico-linguístico "deus" é qualquer ser real ou imaginário que fosse considerado imortal, celeste e iluminado. A principal divindade do panteão dos seres cultuados pelos indo-europeus era denominado 'Deyéus', tendo a sua raiz em 'deiwos'. 
Quando S. Jerônimo traduziu o texto hebraico do Velho Testamento tomou a palavra [אלהים], que transliterada é "elohim", como sendo Deus. Desta forma criou-se a visão errônea que Elohim é o nome próprio de Deus. Todavia, a palavra 'elohim" em hebraico é plural e significa 'divindades', 'deidades', 'deuses' e nada tem a ver com nome próprio. Era a forma de se referir a todos os seres espirituais e sobrenaturais ou deuses. O nome de Deus era pronunciado apenas uma vez por ano pelo Sumo Sacerdote, quando oferecia o sangue do cordeiro sobre o propiciatório no Santo dos Santos, no Templo de Jerusalém. Este cordeiro deveria ser macho, sem defeitos e sem manchas, simbolizando o Filho Unigênito de Deus que viria ao mundo para morrer na cruz para a remissão dos pecados dos eleitos e predestinados. Em hebraico moderno, não se escreve ou se pronuncia o verbo ser, porque suas letras coincidem com o anagrama do nome de Deus. Por estas razões, os judeus substituem o nome próprio de Deus por denominações exaltatórias da sua glória e majestade. Usam Adonai, El Shadai, Hashamayim, El, entre outros, e não são nomes próprios de Deus. Entre os praticantes do Judaísmo não se pronuncia o nome de Deus por respeito e temor ao que diz na Lei de Moisés: "... não tomarás o nome do teu Deus em vão." Eles cultuam este princípio por achar que o homem pecador não tem condições de aproximar-se de Deus. No Israel moderno os religiosos se referem a Deus como: o Nome, o Altíssimo, o Eterno, etc.
As discussões sobre chamar Deus de "deusa" ou do que quer que seja, em nada altera a sua soberana glória. Ele não é diminuído e nem aumentado pelo que os homens contaminados pela natureza pecaminosa decidem, por conta própria, sobre ele. Na verdade, esta é uma forma de desconstrução que pretende arrastar Deus para o nível humano por ideologia de gênero, já que não podem alcançá-lo.
Os processos de desconstrução ocorrem dentro das religiões muito mais que nos círculos ateístas ou cientificistas. Há tantas formas de teologias que acabam por entrar em conflito umas com as outras. Há, por exemplo, o Teísmo e o Deísmo. No Teísmo admite-se que há um Deus, pessoal, absoluto, transcendental, vivo e que sustenta o universo por sua providência divina. Afirmam que a existência de Deus pode ser provada pela razão e pelas experiências empíricas, independente da sua revelação. No Deísmo, porém, considera-se que a existência de Deus só é possível ser provada pela razão humana. Rejeita qualquer forma de religião organizada e de revelação espiritual ou sobrenatural. A partir destas duas correntes pode-se compreender as suas opostas e variantes, tais como, Agnosticismo, Teísmo Agnóstico, Teísmo Aberto.
O texto de abertura demonstra com clareza que, o desprezo a Deus por parte do homem decaído adore imagens de homens, de répteis, de quadrúpedes e de aves no lugar de Deus. Não o podendo alcançar e d'Ele obter a graça e a revelação, preferem reduzi-lo à sua realidade palpável e circunstancial. Assim, coisificam Deus e deificam coisas, amando mais a criatura que o criador conforme exalta o verso 25 - "... e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém." A consequência desta desconstrução é que Deus os entregou a si mesmos conforme o verso 26 de Rm. 1 - "Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si." Desta forma, o homem que é corrigido e disciplinado por Deus deve se sentir amado. Quando, porém, Deus entrega o homem à sua falsa autonomia e liberdade, este poderá ter certeza que está condenado. Isto porque, a tendência do homem sem a direção espiritual de Deus é a própria destruição e condenação.
Sola Gratia!

sábado, 27 de junho de 2015

OBSCURANTISMO E DESCONSTRUÇÃO DE DEUS III

Rm. 1: 18 a 25 - "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém."
Há uma constante tentativa de desconstrução de Deus por parte do homem. Incrivelmente, grande parte desse processo se dá no seio das religiões e crenças em geral. Nem sempre é um processo consciente, porque tal processo é inspirado por forças sobrenaturais. Não se trata da velha estratégia de transferir a culpa para Satanás, mas porque, de fato, é o papel dele fazer isso. Visto que ele é o arqui-inimigo de Deus e, porque, não pode crer resta-lhe desconstruir Deus para provar que sua tese é a verdadeira. Jesus, o Cristo concede luz sobre este ensino em Mt. 13: 24 a 26 - "Propôs-lhes outra parábola, dizendo: o reino dos céus é semelhante ao homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. Quando, porém, a erva cresceu e começou a espigar, então apareceu também o joio." O reino dos céus é o reino de Deus, implicando em pleno e total domínio sobre os céus e sobra a Terra e tudo que neles há. O homem que semeou a boa semente é Cristo, o Filho Unigênito de Deus que trouxe a mensagem da cruz como única solução para aniquilar o pecado. Entretanto, enquanto há uma verdade sendo disseminada e pregada, também há uma falsa mensagem sendo ensinada e divulgada em paralelo. As duas verdades crescem juntas, porém, ao final, elas se divergem e se diferenciam total e absolutamente. Uma conduz ao reino dos céus, isto é, ao domínio soberano que provém de Deus, a outra conduz à perdição eterna, a saber, a segunda morte.
Neste sentido, o que muita gente bem intencionada não sabe é fazer a distinção entre o joio e o trigo. Ambos são de uma mesma família de gramíneas e se assemelham em tudo, exceto na espiga. Vê-se que o que faz a diferença não é a planta em si, mas o que ela produz como resultado final. O grão de trigo é a matéria prima da qual se faz o pão que alimenta o homem. O grão do joio não presta para produzir nada que alimenta ou que dá a vida. Por analogia, não é o fato de uma religião, seita ou crendice apregoar a paz, o amor e a harmonia que ela procede de Deus. O joio cresce junto ao trigo sem lhe causar nenhum mal, em harmonia, portanto. O mal só se apresenta no momento final, quando serão apuradas as consequências. 
O texto de abertura mostra que a ira de Deus procede dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. O que realmente isso quer dizer? Quer dizer que Deus entrega o ímpio à sua própria sorte até a destruição. Isto é dito na sequência do texto de Rm. 1. Também, a ira de Deus é a sentença condenatória para o dia do juízo final. Impiedade é um substantivo feminino que significa falta de consideração ou desprezo por Deus. É uma palavra cuja função se aplica apenas a seres humanos. Muitos imaginam, em suas mentes obscurecidas pelo "deus" deste século, que ao pertencer a uma ou outra crença está isento de tal impiedade. Entretanto, há maior risco de alguém ser ímpio dentro de um sistema religioso que fora dele. Muitas vezes uma pessoa ateia fere menos a Deus que uma religiosa. Isto porque, pelo menos, o ateu é mais honesto em declarar sua posição e relação no tocante a Deus. Deter a verdade em injustiça é exatamente praticar e disseminar uma crença que não encontra respaldo na verdade. A verdade é uma só e é uma pessoa e não uma concepção filosófica, científica ou um dogma religioso. A verdade é o próprio Cristo conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Neste texto, Jesus se declara o conteúdo e o continente, tornando um com a verdade. Também se confessa como o único caminho possível à redenção do pecador. Igualmente mostra que é o único que concede a verdadeira vida, ou seja, a vida eterna.
A injustiça colocada no lugar da verdade ocorre quando o homem substitui a solução de Deus para o pecado, colocando seus méritos e justiça própria no lugar de Cristo, e este crucificado. A execução da justiça de Deus contra a injustiça do pecado se deu naquela cruz. É na cruz que o pecado do homem, o qual o separa de Deus e o torna morto espiritualmente é destruído conforme Hb. 9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Acontece que ao deter a verdade, que é Cristo, em injustiça, o pecado do homem não pode ser aniquilado. Neste caso, pratica-se uma religião de esforços e sacrifícios de tolos e a tal para nada aproveita espiritualmente. Morrerão todos em seus delitos e pecados conforme Jo. 8:24 - "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados." A expressão: "... eu sou" equivale à pessoalidade de Deus. Foi a mesma expressão dita a Moisés quando fora enviado a libertar o povo hebreu da escravidão no Egito. Portanto, substituir a verdade pela religião, crença ou práticas de justiça própria consiste em deter a verdade, que é Cristo, em injustiça. Isto consiste na impiedade aludida no texto que abre este estudo.
Sola Scriptura!

domingo, 21 de junho de 2015

OBSCURANTISMO E DESCONSTRUÇÃO DE DEUS II

Rm. 1: 18 a 25 - "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, a eles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém."
O obscurantismo acerca de Deus não consiste em ignorância intelectual sobre ele. Contrariamente, quanto mais o homem estuda e propõe tratados sobre Deus, menos o conhece. Isto porque, nenhuma criatura pode conhecer Deus se ele não se der a conhecer pela revelação da sua palavra e no espírito. Na língua grega koinê, o grego popular ou comum, para o qual foi traduzido o texto neotestamentário há duas palavras que, por vezes, se confundem na mente dos homens: uma é saber "eidete" e a outra é conhecer "guinosko". 'Saber' pode ser verbo ou substantivo, e, como substantivo significa: 'soma dos conhecimentos adquiridos, sabedoria, cultura e erudição'. Enquanto, verbo, saber possui diversos modos e tempos, indicando uma forma de conhecimento puramente intelectivo. Já, 'conhecer' é sempre verbo transitivo e significa 'apreender, conscientizar-se, entender, experimentar, familiarizar-se, identificar, informar-se, relacionar-se, ver, vivenciar, viver'. Dá sempre o sentido de internalizar ou imprimir na mente experimentalmente algo ou alguém.
A importância de atentar-se para as diferentes funções gramaticas visa a tomada de ciência da profundidade do texto bíblico. Deve-se evitar fazer exegese e hermenêutica errôneas e equivocadas. Sabe-se que exegese é a interpretação ou o esclarecimento de uma palavra, frase ou texto. Já a hermenêutica é a explicação dos sentidos das palavras nos textos e nos contextos em que figuram. Portanto, estes requisitos visam instrumentalizar o estudioso dos textos bíblicos para se conseguir melhor compreensão daquilo que Deus mostra em sua palavra. Entretanto, o conhecimento que muda a mente e traz a metanoia é a luz que salva o homem e se dá apenas por revelação espiritual.
A razão para tanta explicação gramatical e semântica é a necessidade de elucidar o objetivo do texto bíblico e não demonstrar pedantismo. Evita-se fazer juízos de valor de quem quer que seja, mas, tão somente, apresentar a quem se interessar pela verdade, seja esta suave ou dura. O que recebe a incumbência de anunciar o evangelho puro não pode se sentir limitado ou reprimido por imposições do politicamente correto. O seu compromisso é apenas com o texto e com a vontade de Deus. Obviamente que, agindo desta forma ganhará muitos adversários, porque tal posição gera ira e oposição. É natural que seja assim, porque a verdade destrona o homem sob a influência da natureza pecaminosa. Para fundamentar o que está dito neste parágrafo põe-se o seguinte texto, II Co. 4: 3 a 5 - "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Pois não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus.
Desta forma, o obscurantismo a que alude o título e o texto de abertura desta série de estudos é o resultado da ocultação do evangelho aos que se perdem. A razão da cegueira é o fato que o "deus" deste século, a saber, Satanás, lhes encobriu a verdade. Eles não veem e não creem, porque a natureza pecaminosa ou o pecado é a incredulidade conforme Jo. 16:8 e 9 - "E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim." Jesus afirma neste texto que o pecado é não crer n'Ele. Entretanto, não se pode confundir crer como mera formalidade da religião exterior. Neste caso, entra a diferença entre saber e conhecer, porque saber é apenas ter alguma informação, cultura, erudição e sabedoria intelectiva sobre Deus, Cristo, fé, verdade. Isto não significa o real conhecimento de Deus, Cristo, fé e verdade. Em muitos casos tais saberes são o resultado do acúmulo de informações obtidas por força do meio cultural em que a pessoa nasce, da família, dos costumes locais ou por busca pessoal de tais informações. É apenas religião e tradição adquiridas pelo meio em que a pessoa está inserida.
O conhecimento verdadeiro e experimental da verdade do evangelho é tratado no novo testamento como sendo luz. Neste caso, não se refere ao fenômeno físico da óptica, mas de ser iluminado pela verdade. A verdade não é uma concepção filosófica, mas uma pessoa, a saber, o próprio Cristo. Isto fica claro em suas próprias palavras em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."  Vê-se que Jesus, o Cristo não possui apenas alguma verdade a ser distribuída, ele mesmo é a verdade. Desta forma ele é a doação e o doador da verdade, ao mesmo tempo. Portanto, estar em Cristo é estar na verdade. Ter Cristo é ter a verdade. Conhecer Cristo é conhecer a própria verdade. Isto não implica em ser perfeito, não errar, ser superior a outras pessoas. Significa que o nascido do alto passa para uma nova disposição, na qual, estará sendo aprofundado no conhecimento de Deus. Todo o processo é monérgico, isto é, a ação parte sempre de Deus em relação aos eleitos.
Sobre a vã tentativa de desconstruir Deus por parte do homem, seja bem ou mal intencionado acaba sempre gerando uma única verdade: a condenação de si mesmo. Da parte d'Ele nada se altera, porque ele é imutável. Então, mesmo que todos os habitantes da Terra decidissem chamá-lo de "deusa", em nada alteraria a sua essência. Ainda que todos os homens decidam que Deus é uma pedra, uma escultura de madeira, de ferro, de gesso, um boi, um carneiro, uma águia, um jacaré, isto não o altera em sua sublime majestade e glória. Entretanto, também em nada altera o fato de o homem ser pecador por natureza e por atos, isto é o que o condena à perdição eterna. O erro do homem portador da natureza pecaminosa é achar que pode suprimir ou subjugar Deus por meio de sabedoria e artifícios humanos. Tal sabedoria humana é identificada em Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." Ela é da Terra, almática e diabólica, porque foi adquirida pelo próprio homem nesta vida por suas experiências sensoriais, por meio da alma e induzidos pelo Diabo que detém o controle das almas dos homens não regenerados. Traduziu-se 'psikê' por 'animal', mas, na verdade, significa almática ou relativo à alma. Até porque, animal provém do latim 'anima' que, por sua vez, significa alma. 
Sola Scriptura!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

OBSCURANTISMO E DESCONTRUÇÃO DE DEUS I

Rm. 1: 17 a 25 - "Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: mas o justo viverá da fé. Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, às concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém."
A Onomástica é uma ciência que se definiu no século XIX, dedicando-se ao estudo dos nomes. O termo Onomática provém do grego [ὀνομαστική] "onomastikê" e significa "nomear" ou "dar nomes". Como tal, esta ciência se subdivide em duas vertentes: a Toponímia e a Antroponímia. A Toponímia se destina a dar nomes aos lugares, tais como, cidades, rios, lagos, oceanos, montanhas, paisagens vegetais, localidades. Já a Antroponímia se destina a dar nomes próprios e sobrenomes às pessoas.
Tudo o que existe, animado ou inanimado, é ser e possui nome. A classe gramatical que nomeia ou denomina os seres é o substantivo. Substantivo é um conjunto de palavras variáveis que nomeiam objetos, pessoas e fenômenos, além de lugares, estados, sentimentos, qualidades e ações. Os substantivos são classificados em: a) próprios; b) comuns; c) concretos; d) abstratos; e) primitivos; e, f) derivados. Os substantivos próprios nomeiam seres, entidades, países, cidades, estados, continentes, planetas, oceanos, dentre outros. São escritos com a letra inicial maiúscula. Os substantivos comuns nomeiam um conjunto de seres da mesma espécie (animais, plantas, objetos), por exemplo, 'pessoa, gente, criança, cidade, país.' Entretanto, se se atribuir à pessoa, gente, criança, cidade, país uma particularidade deixa de ser substantivo comum e passa a ser substantivo próprio. Desta forma, se alguém disser: "o homem não entrou no avião, porque perdeu a passagem," trata-se de substantivo comum, pois o homem designa um ente de uma espécie ampla. Entretanto, se alguém disser: "Mário perdeu o voo, porque esqueceu o bilhete de embarque," trata-se de um substantivo próprio, porque foi dado um nome próprio ao homem. Os substantivos concretos designam seres reais e concretos com existência própria e que não dependem de outro para existir. Então, como exemplos, se pode dizer: "a aliança entre Estados Unidos e Grã-Bretanha permitiu a vitória sobre o Iraque," trata-se de substantivo concreto. Mas, se for dito: "a aliança da noiva é de ouro branco," trata-se de substantivo abstrato. Finalmente os substantivos primitivos são aqueles que não derivam de outro. Já os substantivos derivados são aqueles que derivam de outro substantivo. Assim, se alguém disser: "a árvore perdeu as folhas," nesse caso, 'folhas' é um substantivo primitivo. Todavia, se alguém disser: "a árvore perdeu a folhagem," neste caso, folhagem é substantivo derivado.
Morfossintaticamente, o substantivo exerce função direta com o verbo, atua como o núcleo do sujeito, do complemento verbal e do agente da passiva. Pode ainda funcionar como núcleo de outras estruturas sintáticas.
Portanto, o substantivo é uma palavra que, por si mesma, designa um ser real ou metafísico. É a palavra com a qual se nomeiam seres, atos e conceitos. O objetivo desta exposição mais ou menos gramatical é a questão de como os homens, em geral, e os religiosos em particular tratam substantivamente Deus. 
Desta forma o substantivo próprio Deus, não é o nome de Deus, mas tão somente a forma de designar este ser concebido como absoluto, supremo, invisível, onipotente, onipresente, onisciente e soberano. Vê-se enorme obscurantismo sobre a relação entre o homem e Deus. Tal entenebrecimento foi causado pela depravação total do homem após a sua queda espiritual. Esta condição gerou grande confusão, porque o homem foi destituído da glória de Deus conforme doutrina Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Todos são pecadores, não apenas porque cometem atos pecaminosos, mas porque herdaram a natureza pecaminosa do ancestral comum. Esta glória perdida era o revestimento do conhecimento de Deus que é chamado no texto escriturístico de luz. Ainda que, a mente obscura proteste sobre esta queda e depravação, o texto permanece firme e inabalável conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Então, o protesto de quem quer que seja, permanece ele só do outro lado, resistindo e confirmando a incredulidade que é o pecado original. 
As mentes obscurecidas substituem a verdade pela mentira, a justiça pela injustiça e, assim confirmam o estado de separação espiritual de Deus. Colocam no lugar de Deus crenças, ritos, leis, dogmas, religiões, preceitos, sabedoria humana. Nada substitui o próprio Deus! Como não conseguem alcançá-lo e ter a paz que excede a todo o entendimento, preferem desconstruir a sua imagem, semelhança e os seus atributos, como também o seu eterno poder. Adoram coisas, forças ocultas, animais, forças da natureza e homens. Atualmente se discute sobre designar Deus de 'deusa', porque imaginam que o substantivo masculino, Deus, é uma forma discriminatório de gênero. Entretanto, além de ser uma desconstrução espiritual, também é uma imensa ignorância intelectual, pois Deus, não é nome próprio, é apenas um substantivo concreto que o designa pela necessidade simples de nomeá-lo gramaticalmente. Surge, portanto, da necessidade de torná-lo sujeito no discurso. Nada tem a ver com questão de gênero ideologicamente. Também denominá-lo de "deusa" continuaria situando-o em um gênero.
Sola Gratia!

terça-feira, 16 de junho de 2015

TIÇÃO TIRADO DO FOGO

Zc. 3: 1 a 10 - "Ele me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor. Mas o anjo do Senhor disse a Satanás: que o Senhor te repreenda, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda! Não é este um tição tirado do fogo? Ora Josué, vestido de trajes sujos, estava em pé diante do anjo. Então falando este, ordenou aos que estavam diante dele, dizendo: tirai-lhe estes trajes sujos. E a Josué disse: eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniquidade, e te vestirei de trajes festivos. Também disse eu: ponham-lhe sobre a cabeça uma mitra limpa. Puseram-lhe, pois, sobre a cabeça uma mitra limpa, e vestiram-no; e o anjo do Senhor estava ali de pé. E o anjo do Senhor protestou a Josué, dizendo: assim diz o Senhor dos exércitos: se andares nos meus caminhos, e se observares as minhas ordenanças, também tu julgarás a minha casa, e também guardarás os meus átrios, e te darei lugar entre os que estão aqui. Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens portentosos; eis que eu farei vir o meu servo, o Renovo. Pois eis aqui a pedra que pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete olhos. Eis que eu esculpirei a sua escultura, diz o Senhor dos exércitos, e tirarei a iniquidade desta terra num só dia. Naquele dia, diz o Senhor dos exércitos, cada um de vós convidará o seu vizinho para debaixo da videira e para debaixo da figueira."
Ainda que religiosos afirmam anunciar o evangelho da salvação aos perdidos, todavia, quando se deparam com um pecador, geralmente, o discriminam, insultam, ofendem e agridem por palavras ou por atos. Não conhecem o que é a graça e a misericórdia. Segundo Phillip Yancey, 'graça é Deus fazendo tudo a quem nada merece'. E misericórdia 'é Deus não dando ao homem o que de fato ele merece'. Neste sentido, anunciar o evangelho da salvação ao pecador sem recebê-lo como pecador é negar o evangelho que diz anunciar. A igreja institucional pretende arrebanhar pessoas que não pecam. Exigem que o homem seja perfeito para ser aceito em seu recinto. Ora, o Deus que salva não pactua com o pecado, mas aniquila-o na cruz em Cristo. Não teria sentido exigir perfeição de quem jamais poderia produzir perfeição. Se alguém deve ser exemplar para pertencer à igreja, logo, a morte de Jesus, o Cristo é totalmente dispensável. A igreja verdadeira recebe o homem tal como é e o ensina a verdade para que alcance o conhecimento de Cristo e seja aperfeiçoado n'Ele. 
O nível da graça e da misericórdia dispensado por Deus é o de Rm. 9: 11 a 18 - "... pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama, foi-lhe dito: o maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia. Pois diz a Escritura a Faraó: para isto mesmo te levantei: para em ti mostrar o meu poder, e para que seja anunciado o meu nome em toda a terra. Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece." Os eleitos foram eleitos antes que o próprio mundo existisse. Antes que cometessem qualquer ato de bondade ou de maldade. Não são as obras de justiça própria ou de méritos que torna o pecador um eleito, mas a graça e a misericórdia de Deus. Charles Sproul afirma em uma de suas obras: "se há dois grupos de homens no mundo: os eleitos e os não eleitos; um grupo recebe a graça de Deus; o outro grupo recebe a justiça de Deus; mas nenhum homem recebe a injustiça de Deus."
O texto de abertura é um texto simples e direto, embora não o pareça inicialmente. O profeta Zacarias está relatando a visão que Deus lhe concedeu sobre o sumo sacerdote Josué e  o povo de Israel. Ele viu o sumo sacerdote diante do anjo de Deus. É utilizada a expressão "anjo do Senhor" que, segundo os analistas, comentaristas e hebraístas é uma referência a Cristo antes da encarnação em Jesus. O fato é que o anjo do Senhor era um mensageiro divino para tratar das questões de Israel e seu povo. Juntamente com o sumo sacerdote Josué estava Satanás, como seu adversário. Ele sempre se põe no caminho entre os mensageiros de Deus e os homens para resistir-lhes. Na Terra ele resiste por meio do engano e das tentações. No céu, é o constante acusador dos homens. 
Na sequência do texto de abertura vê-se que Deus elegeu o sumo sacerdote Josué. Ele era um dos judeus remanescentes retornados do cativeiro babilônico. Por esta razão é utilizada a expressão: "...não é este um tição tirado do fogo?" O ensino, neste caso, é que Deus não só elege os seus, mas os conduz para fora do fogo e da escravidão do pecado. Josué estava diante do Anjo do Senhor trajando vestes sujas que são o símbolo da culpa do pecado, ou seja, a presença da natureza pecaminosa no homem decaído. O Anjo do Senhor, então, disse: "tirai-lhe as vestes sujas." Isto indica o ato pelo qual o pecador é regenerado no sangue de Cristo. O Ajo do Senhor, então, proclama: "...eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade e te vestirei de finos trajes." A forma pela qual Deus faz passar a iniquidade, a saber, a natureza iníqua é aniquilando-a pela inclusão do pecador na morte com Cristo na cruz. É Deus quem retira as vestes de imundícia e reveste o pecador com a justiça de Cristo. Entretanto, a igreja nominal e institucional, juntamente com seus religiosos insistem em jogar vestes finas sobre os trajes sujos do pecador, chamando-o de convertido. Por esta razão as igrejas são divididas, confusas, cheias de soberba e orgulho denominacional. Elas confundem travestidos em aparências com revestidos da justiça de Cristo. Não é uma questão de fazer reforma moral nas pessoas, mas de anunciar-lhes a verdade que os liberta. 
Religiosos de todos os tempos estão absolutamente enganados em seus ensinos e práticas. Pretendem levar o homem pecador a promover sua própria salvação. O texto mostra que jamais o pecador poderá trocar suas vestes sujas por conta própria. Para atingir a perfeita justiça necessitam da ação do Justo de Deus que é Cristo. A justiça própria do homem é imperfeita conforme Is. 64:6 - "Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como o vento, nos arrebatam." A única esperança ao pecador é a justiça de Deus conforme Is. 61:10 - "Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegrará no meu Deus, porque me vestiu de vestes de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como noivo que se adorna com uma grinalda, e como noiva que se enfeita com as suas jóias." O homem em estado de depravação espiritual, uma vez eleito, é lavado, vestido e coroado por Deus em sua graça e misericórdia conforme Rm. 13:14 - "Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências."
É declarado ao sumo sacerdote Josué, após a sua purificação, que ele deveria andar nos caminhos de Deus. Que exerceria o julgamento sobre o povo e que guardaria a fé. Foi dito a Josué que Deus enviaria o seu Renovo, ou seja, o Salvador. Este é um dos títulos messiânicos de Cristo para os judeus. Também é colocada uma pedra diante de Josué que possuía sete olhos, significando a plenitude e a totalidade da obra de Cristo para restauração do mundo. Ele é a pedra angular rejeitada pelos construtores conforme At. 4: 10 a 12 - "... seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos."
Ao final o próprio povo de Israel será convertido à verdade que Jesus, o Cristo é o Messias o qual tanto esperam. O texto mostra que isto ocorrerá quando diz: "Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, cada um de vós convidará ao seu próximo para debaixo da vide e para debaixo da figueira."
Sola Gratia!

domingo, 31 de maio de 2015

O FATOR DILUVIANO III

Gn. 5: 22 a 24 - "Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos; Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou."
Enoque foi o sétimo homem na linhagem de Adão. Ele viveu trezentos e sessenta e cinco anos e andou com Deus e, por conta disto, Deus o tomou para si em vida. Esta citação que aparece mais de uma vez nas Escrituras é suficiente para demonstrar que Enoque era homem temente a Deus. Enoque escreveu diversos livros e uma epístola. Um dos textos escriturísticos mais antigos é o da Bíblia Copta da Etiópia, o qual adotou o Primeiro Livro de Enoque como válido. Nas Escrituras judaica e cristã nenhum dos livros de Enoque foi arrolado como canônico. Entretanto, há diversas passagens bíblicas que citam textos de Enoque. Na epístola de Judas, não o Iscariotes, há a seguinte citação: "Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as obras de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que ímpios pecadores contra ele proferiram." Judas está exortando aos cristãos para terem cuidado com falsos mestres na Igreja e cita a profecia de Enoque contra tais homens cujas naturezas estão corrompidas pelo pecado. Nos versos seguintes, Judas compara os falsos mestres aos anjos caídos que abandonaram suas obrigações e formas corporais e se misturaram aos humanos. Também o autor da carta aos hebreus cita Enoque no roll dos justificados pela fé conforme Hb. 11:5 - "Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; e não foi achado, porque Deus o trasladara; pois antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus.
Não se busca neste estudo fazer apologia ao homem Enoque, mas demonstrar que, apesar dos seus livros não constarem das Escrituras, isto não implica que era um homem ímpio e que sua doutrina era herética. A bem da verdade, os escritos de Enoque não foram incluídos na tradução latina chamada Vulgata, porque a Igreja Católica os considerou ofensivos. Ele descreve as suas revelações sobre os anjos caídos e suas aventuras sexuais com as mulheres humanas. Talvez isso fosse considerado pela igreja como algo perigoso e, por não o crer, não o aceitou. No capítulo quatro do primeiro livro de Enoque faz-se referência aos gigantes que habitaram a Terra antes do dilúvio. Desta forma havia familiaridade com estes gigantes nos tempos antediluvianos e as narrativas não são boas. Por isso, Deus determinou o dilúvio para dar fim a todos os seres viventes na Terra. 
No estudo anterior fez-se a citação de um texto enoqueano, no qual, relata-se que duzentos anjos caídos decidiram se mesclar com a humanidade, mantendo relações íntimas com as mulheres filhas dos homens. Para muitos, não passa de mais um texto apócrifo sem qualquer valia teológica. Entretanto, o mesmo relato se acha no Velho Testamento conforme Gn. 6: 1 e 2 - "Sucedeu que, quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a Terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram." Embora bem mais sucinto, o texto reproduz a mesma ideia do texto de Enoque. Estes "filhos de Deus", no texto de Enoque foram chamados de "anjos de Deus", porque se trata de filiação por criação. O termo hebraico para esta expressão é "B'nai haElohim" e faz referência aos anjos como criação direta de Deus. Não se trata de filiação como no caso de Cristo. A mesma expressão é usada em Jó 1:1 - "Ora, chegado o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles." Então, no sentido do texto, até mesmo Satanás é um anjo caído criado por Deus e que estava na assembleia de anjos. Fica claro, portanto, que é filho no sentido de criação e não de geração como referido sobre Cristo em Sl. 2: 7 - "Falarei do decreto do Senhor; ele me disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei." As filhas dos homens aparece no texto hebraico como "b'noth haAdam", ou seja, "filhas de Adão", justamente, porque eram descendentes da raça adâmica e não porque foram geradas como filhas de Adão. 
Desta forma, descobre-se nos textos de Enoque e no de Gênesis capítulo seis que a causa do dilúvio foram as relações promíscuas e proibidas entre anjos caídos e mulheres humanas. A intenção de Satanás ao incitar tal depravação era contaminar a raça humana com o seu DNA maligno e, assim, tentar impedir o nascimento puro de Jesus, o Cristo. 
Desta forma, não foi apenas por causa da impiedade dos homens que Deus resolveu dar fim a todos os viventes conforme Gn. 6:3 - "Então disse o Senhor: o meu Espírito não permanecerá para sempre no homem, porquanto ele é carne, mas os seus dias serão cento e vinte anos." Deus deu um prazo de 120 anos para Noé apregoar a mensagem do dilúvio e preparar a arca. Após este prazo, o espírito inspirado por Deus no homem retornaria a ele conforme ensina Ec. 12: 7 - "... e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu." Acontece que, nessa época o povo não conhecia a chuva, porque não chovia. O solo era apenas regado pelo orvalho que caía devido a condensação dos vapores que subiam da Terra. Por isso, não acreditaram, porque chuva era algo desconhecido. Assim é nos dias de hoje, só creem no que podem ver, sentir e tocar. Gn. 2: 6 - "... porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem para lavrar a terra. Um vapor, porém, subia da Terra, e regava toda a face da Terra."
Observa-se que o fator agravante da iniquidade na Terra era a presença de seres chamados Nefilim ou "nephilim" que significa 'decaídos ou arrojados para a Terra', e não gigantes como foi traduzido do hebraico para a Vulgata de Jerônimo. Gigante em hebraico é "anak" e o plural seria "anakim". Entretanto, os nefilins eram mesmo gigantes, mesmo no texto de Enoque é dito que tinham 3.000 côvados e isto equivale a 13,50 metros. Tal fato é registrado em Gn. 6:4 - "Naqueles dias estavam os nefilins na Terra, e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Esses nefilins eram os valentes, os homens de renome, que houve na antiguidade." O texto afirma que os nefilins estavam na Terra e não que eram da Terra. Também o texto mostra que, após a copulação dos nefilins progenitores com as filhas dos homens, nasceram-lhes filhos que andavam pela Terra. Estes eram nefilins descendentes gerados pelos nefilins progenitores ou anjos caídos que se misturaram às mulheres humanas. Eram valentes e homens de renome na antiguidade. Isto é relatado em todas mitologias dos povos antigos desde o extremo oriente até o ocidente. Então, a referência é a dois tipos de nefilins: os progenitores e os filhos destes com as mulheres que eram homens valentes e famosos por suas proezas de maldade e força.
Gn. 6:11 a 14 - "A Terra, porém, estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência. Viu Deus a Terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra. Então disse Deus a Noé: o fim de toda carne é chegado perante mim; porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os destruirei juntamente com a terra. Faze para ti uma arca de madeira de gôfer: farás compartimentos na arca, e a revestirás de betume por dentro e por fora." Ora, desde a queda de Adão e sua expulsão do Éden, a natureza humana ficou corrompida e inclinada à violência, iniquidade, impiedade e maldade. Então, não seria por esta razão única a resolução de Deus para destruir o mundo. Verifica-se que tal impiedade se multiplicou enormemente por causa da presença dos nefilins e seus filhos gigantes. Estes tinham enorme vantagem de força bruta sobre os homens e usavam isto para sobrepor-se à justiça e à retidão. Por isto, o texto diz que eles eram os valentes e de renome na antiguidade. Seus feitos eram extraordinários, comparando-se com a capacidade dos homens e dos animais. 
Desta maneira, decidiu Deus purificar a Terra e expulsar, tanto os anjos caídos que promiscuíam com as mulheres, como também, os gigantes filhos dessas uniões espúrias. O dilúvio foi, portanto, uma inundação para dar fim à vida de homens e animais, bem como expulsar os tais anjos caídos. Pedro dá indicações sobre estes anjos conforme II Pd. 2: 4 e 5 - "Porque se Deus não poupou a anjos quando pecaram, mas lançou-os no inferno, e os entregou aos abismos da escuridão, reservando-os para o juízo; se não poupou ao mundo antigo, embora preservasse a Noé, pregador da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios." Qual foi o pecado destes anjos? Terem acompanhado Satanás na sua rebelião? Não, porque desta forma todos os demônios deveriam estar aprisionados. Foram apenas aqueles que desobedeceram as ordens divinas e se promiscuíram com as filhas dos homens conforme o texto de Enoque e o texto de Gênesis. No texto de Pedro vê-se que os tais estão aprisionados nos lugares inferiores que é o significado de inferno ou em um lugar de escuridão chamado no grego de Tártaro.
Finalmente é necessário estabelecer alguns parâmetros semânticos sobre o termo ímpio. Há duas palavras homógrafas: a) ímpio; e b) impio. A primeira, com acento agudo, é adjetivo e/ou substantivo que significa aquele que não tem fé, que despreza a religião e que desrespeita os valores admitidos. A segunda, sem acento agudo, é também adjetivo e substantivo, porém significa: aquele que não tem piedade, desumano, cruel, bárbaro. Ora, então, por causa de um acento que não existe na língua original, muitos teólogos não conseguem ver com clareza que é uma referência aos nefilins e não aos homens e suas maldades derivadas da natureza pecaminosa. Desta maneira, o fator que determinou o dilúvio foi a introdução de práticas proibidas entre anjos e mulheres. A questão da maldade dos pensamentos do coração do homem é consequência e não a causa principal.
Sola Gratia!

sábado, 30 de maio de 2015

O FATOR DILUVIANO II

Mt. 24: 37 a 39 - "Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem."
Recentemente foi produzido e distribuído para exibição em todo o mundo, o filme "Noah" ou Noé em português. Ainda que dirigido pelo talentoso Scott Hidley, mal chegou próximo ao relato bíblico. Obviamente, nenhum diretor ateu ou religioso fará um filme absolutamente fiel ao texto bíblico, porque a passagem da linguagem escrita para a linguagem cinematográfica traz consigo as necessidades de adaptações dos códigos linguísticos e impressões para a camada ótica pela fotografia ou imagens do filme. São eixos diferentes no processo linguístico. Entretanto, o apelo ao fantasioso é, consciente ou inconscientemente, um processo de desconstrução e de reconstrução de códigos. Visto que as artes são de cunho, muitas vezes, subjetivo, o controlador do sistema se utiliza delas para desconstruir a verdade posta. Tal controlador do sistema não é outro senão Satanás conforme II Co. 4:4 - "... nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." Por que Satanás é o "deus" desta era? Por que ele inoculou a natureza pecaminosa na humanidade e, isto, lhe permite controlá-la em todos os aspectos. A grande obra de Satanás é construir um reino e um trono para si no Planeta Terra. Por isto é declarado sobre ele o seguinte conforme I Jo. 5:19 - "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Quando o texto sacro se refere ao mundo, o faz no sentido do sistema que rege e domina o mundo em arrepio à Palavra de Deus. Trata-se, portanto, de um sistema que subjaz no mundo físico, manipulando a mente do homem.
O filme retromencionado tentou levar para o imaginário popular uma fantasia apoiada em um relato bíblico. Os que decidem sobre isto, não creem em nada do que lá está registrado. Algumas destas pessoas, inclusive, nega e renega as Escrituras de modo contundente e publicamente. Então, elas se apropriam das histórias por oportunismo comercial ou por má fé e serviço ao senhor do sistema que controla o mundo. No filme são demonstradas algumas fantasias absurdas, como os anjos de pedra que, ao final, voltam para o convívio divino, por causa de uma boa ação. Eles ficaram do lado dos homens que iriam ser destruídos pelo dilúvio. Esta é a mensagem central do Diabo ao homem: a reconquista do Paraíso perdido por meio de méritos e justiça própria. Esta é a maior ficção, tanto nas artes, como nas religiões. O único modo de reconciliar-se com a glória de Deus é por meio da justiça de Cristo executada na cruz. Há inumeráveis equívocos na história cinematográfica de Noé que não serão comentados aqui.
Neste ponto é necessária uma abordagem de Gênesis capítulo seis para que se possa entender o porquê de Deus ter enviado o dilúvio ao mundo. A maior parte da erudição bíblica focaliza apenas a maldade do homem como a causa determinante da catástrofe diluviana. Todavia, tal maldade ou impiedade, dependendo da tradução do texto original, é apenas a consequência direta. A verdadeira causa do arrependimento de Deus sobre a criação é bem maior e mais profunda que a simples maldade do homem. 
Gn. 6: 5 a 7 - "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na Terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na Terra, e isso lhe pesou no coração E disse o Senhor: destruirei da face da Terra o homem que criei, tanto o homem como o animal, os répteis e as aves do céu; porque me arrependo de os haver feito." Quando consideramos apenas esta parte, realmente, fica a impressão que a culpa foi a iniquidade ou maldade do homem a causadora do advento do dilúvio. Entretanto, se esta fosse a única causa ou razão, Deus teria de enviar um dilúvio todos os dias e exterminar a raça humana e recriá-la indefinidamente. Também, acrescenta-se o fato que ele separou oito pessoas para recomeçar a humanidade conforme o v. 8 - "Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor." Vê que Noé achou a graça diante de Deus. Não foi Deus que achou a graça em Noé. São aspectos que demonstram a misericórdia de Deus e não os méritos de Noé. Outro aspecto a ser ressaltado é o fato que Deus resolveu dar cabo, inclusive, de animais, répteis e aves. Qual a razão disto, se estes seres não possuíam a iniquidade como ato consciente? Então, conclui-se que há um fator maior e que contaminou, tanto homens, como os demais seres viventes.
Há um relato que não consta da Bíblia, mas foi escrito por um homem aprovado por Deus a ponto de ser trasladado em vida para a presença d'Ele. Trata-se de Enoque, o sétimo depois de Adão. O relato diz: "Quando outrora aumentara o número dos filhos dos homens, nasceram-lhes filhas bonitas e amoráveis. Os anjos, filhos do céu, ao verem-nas, desejaram-nas e disseram entre si: vamos tomar mulheres dentre as filhas dos homens e gerar filhos. Disse-lhes o seu chefe Semyaza: eu receio que não queirais realizar isso, deixando-me no dever de pagar sozinho o castigo de um grande pecado. Eles responderam-lhe em coro: nós todos estamos dispostos a fazer um juramento, comprometemo-nos a uma maldição comum, mas não abrir mão do plano, e sim executá-lo. Então eles juraram conjuntamente, obrigando-se à maldição que a todos atingiram. Eram ao todo duzentos os que, nos dias de Jared houveram descido sobre o cume do Monte Hermon. Todos os demais que estavam com eles tomaram mulheres e cada um escolheu uma para si. Então começaram a frequentá-las e a profanar-se com elas. E eles ensinaram-lhes bruxarias, exorcismos e feitiços, e familiarizavam-nas com ervas e raízes. Entrementes elas engravidaram e deram à luz a gigantes de 3.000 côvados de altura. Estes consumiram todas as provisões de alimentos dos demais homens. E quando as pessoas nada mais tinham para dar-lhes, os gigantes voltaram-se contra elas e começaram a devorá-las. Também começaram a atacar os pássaros, os animais selvagens, os répteis e os peixes, rasgando-lhes com os dentes as suas carnes e bebendo-lhes o seu sangue. Então a Terra clamou contra os monstros."
Observa-se que o texto faz menção a uma mesclagem entre anjos caídos e mulheres que resultou na procriação de seres anormais. O relato fala de gigantes de 3.000 côvados. O côvado ou cúbito é a mais antiga maneira de fazer medidas lineares. O côvado possui uma extensão variável, porque toma por base parte do corpo humano, ou seja, do cotovelo até a ponta do dedo anular. Em geral, o côvado, variava entre 0,45 cm. a 0,50 cm. Então havia o côvado romano, o hebreu, o egípcio, o babilônico, o grego, etc. Em princípio parece que a descrição de Enoque é exagerada, pois 3.000 côvados convertidos, e utilizando o menor padrão de côvado (0,45 cm), multiplicando-se por 3.000 (altura dos gigantes) daria uma altura da ordem de 13,50 metros. Entretanto, vendo o registro de Ap. 21:17 - "Também mediu o seu muro, e era de cento e quarenta e quatro côvados, segundo a medida de homem, isto é, de anjo." O sentido do texto acima é: "conforme a maneira de medir dos homens, a medida de um anjo é 66, 6 m." O texto é uma referência à Cidade Santa, a nova Jerusalém, que será construída na órbita da Terra para morada dos redimidos com Cristo. Vê-se que são 144 côvados a altura dos seus muros. Então, tomando, por exemplo, o côvado hebreu (0,4625 cm) e multiplicando-se pelos 144 côvados, dá 66,6 metros. O texto afirma que esta é a altura de um anjo aos olhos dos homens. Considerando-se os dois textos e admitindo-se que se crê nas Escrituras, os gigantes não eram assim tão altos. 
O gigante Golias, o qual Davi derrubou com uma pedra de funda tinha 6 côvados e um palmo conforme I Sm. 17:4 - "Então saiu do arraial dos filisteus um campeão, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo." Fazendo-se a devida conversão para o sistema métrico e usando o padrão do côvado romano (0,4625 cm) dão 2,94 metros de altura. Era um anão perto dos gigantes que povoaram a Terra antes do dilúvio.
Sola Scriptura!

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O FATOR DILUVIANO I

Gn. 6: 17 e 18 - "Porque eis que eu trago o dilúvio sobre a Terra, para destruir, de debaixo do céu, toda a carne em que há espírito de vida; tudo o que há na Terra expirará. Mas contigo estabelecerei o meu pacto; entrarás na arca, tu e contigo teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos."
Dilúvio se define como uma grande quantidade de chuvas capazes de inundar e devastar toda uma região ou um espaço geográfico. Também entende-se por dilúvio, uma catastrófica inundação que teria cobrido todo o mundo formado pelas terras ancestrais. Há registros históricos de tal catástrofe em todas as culturas de todos os continentes. Ainda que existam variações nas narrativas, todas convergem para a mesma história ou o mesmo foco.
O fato de o dilúvio ter sido registrado entre todos os povos e em todas as regiões da Terra, justifica, em parte, sua universalidade. Há evidências paleontológicas do dilúvio em todas as partes do mundo. Tais narrativas de um dilúvio universal levaram alguns pesquisadores a buscar evidências sobre este evento. Em 1998, os geólogos da Universidade de Colúmbia William Rayan e Walter Pittman concluíram que o dilúvio é um mito derivado de uma enorme catástrofe natural ocorrida por volta de 5.600 anos na região do atual Mar Negro. Segundo eles, o acontecimento teria causado a migração de diversos grupos humanos, o que fez que a história de uma grande inundação se espalhasse para diversos povos da Terra. Entretanto, nesse tempo recuado da História, como tais narrativas teriam chegado à América, onde se registram as mesmas narrativas entre os povos pré colombianos? Os povos uro, inca, asteca, maia, mapuche e pascuense (da Ilha da Páscoa) relatam o mesmo evento de uma grande inundação. Há os mesmos registros entre os povos antigos, tais como, egípcios, sumérios, babilônios, assírios, armênios, persas, chineses, etc.
Eusébio de Cesareia, em sua Crônica 26, a "Crônica Hebraica" aponta evidências paleontológicas do dilúvio. Já na sua época foram registrados fósseis de peixes no cume do Monte Líbano. Eusébio nasceu em 263 d. C. e foi um historiador da chamada Igreja Primitiva. Foi evangelizado por Doroteu de Tiro em Antioquia. Depois foi para Cesareia onde recebeu ensinamentos cristãos de Pânfilo e estudou a Bíblia e a Hexapla de Orígenes. Eusébio chegou a participar do primeiro Concilio de Niceia em 325 d. C. 
Os defensores do Criacionismo admitem que o dilúvio foi universal tal como registrado nas Escrituras. Para eles, as objeções levantadas pelos paleontólogos e geólogos de que as evidências não são contínuas na coluna geológica das camadas da Terra, não anulam os fatos bíblicos. Segundo os Criacionistas, tais descontinuidades se explicam pelos movimentos tectônicos que teriam contorcido as colunas geológicas. Assim, creem que as evidências são datadas de uma mesma época e não de épocas diferentes. Eles se apegam ao fato constatável da presença de evidências fossilíferas em diversas camadas da crosta terrestre de acordo com um padrão definido. Criticam a posição de alguns cientistas que atribuem aos registros fósseis à evolução das espécies que se sucederam ao longo das Eras Geológicas. Entretanto, os Criacionistas afirmam que antes do evolucionismo de Charles Darwin ser publicado, já haviam registros de pesquisadores dando conta das evidências do dilúvio nas camadas geológicas em diversos e diferentes lugares da Terra. Os Criacionistas também contestam os métodos de datação radiométricos, pois apontam a chamada "trilha dos dinossauros" em Glen Rose no Texas (EUA) como evidência que o homem e os dinossauros coexistiram na mesma época. Isto se deve ao fato que foram encontradas pegadas de humanos gigantes ao lado de pegadas de dinossauros em lama fóssil. Desta forma, se o homem coexistiu com os dinossauros toda a história geológica baseada nos processos de datação está errada.
Levanta-se, nesta série de estudos, a questão da necessidade de um dilúvio na Terra. O fato é que, no relato bíblico, Deus se arrependeu de ter feito o homem e, por isso, resolveu destruí-lo, bem como, todos os seres viventes na Terra. O texto, aparentemente, afirma que a razão desta decisão era o estado de impiedade ou de maldade humana na Terra. Registra-se em Gn. 6: 5 a 7 - "Viu o Senhor que era grande a impiedade do homem na Terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na Terra, e isso lhe pesou no coração E disse o Senhor: destruirei da face da Terra o homem que criei, tanto o homem como o animal, os répteis e as aves do céu; porque me arrependo de os haver feito."
Qual a justificativa para o dilúvio que destruiu o homem e todos os seres viventes da Terra? O texto acima, por si só, não justificaria tal catástrofe, porque então seriam necessários inúmeros dilúvios ou outras catástrofes destruidoras periodicamente. Porque, a maldade do coração humano em nada mudou desde a queda de Adão no Éden. Obviamente há uma razão mais profunda que justifique o dilúvio e todas as suas consequências para o homem e a vida na Terra. Vê-se, pelo texto, que a questão não se restringiu à maldade do homem, porque o dilúvio afetou todos os animais, répteis e aves. Que maldade ou impiedade tais seres sem consciência moral teria cometido? Tal questão nos permite levantar três hipóteses para justificar o dilúvio:
  • Deus não é Onisciente, e, portanto, não foi capaz de prever que o homem teria o coração corrompido e mau.
  • O registro de Gênesis é uma fraude.
  • Houve algo ou um fato determinante muito grave para justificar o dilúvio.
Das três hipóteses acima, ressalta-se a última como a mais plausível, pois as outras duas estão fora de qualquer aceitação para quem crê, segundo o ensino cristão. Para ateus, agnósticos e materialistas as outras duas são perfeitamente possíveis.
Sola Fides!

terça-feira, 26 de maio de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO X

I Pd. 5: 8 a 11 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer. A ele seja o domínio para todo o sempre. Amém."
É imprescindível que o Diabo seja visto, primeiramente, como enganador e não apenas como adversário. Para conduzir o homem ao caminho largo ele precisa, primeiramente, convencê-lo de que a sua proposta é a melhor e a mais espiritual. O Diabo jamais irá dizer ao homem que a sua proposta o conduzirá à condenação eterna. Ele sabe que Deus colocou no coração do homem o sentimento de eternidade conforme Ec. 3:11 - "Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs na mente do homem a ideia da eternidade, se bem que este não possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim." Todos, de algum modo, buscam a eternidade. Os materialistas buscam-na pelos seus feitos. Os cientistas buscam-na pelo conhecimento. Os religiosos buscam-na pelo auto-sacrifício, pela oferta de obras de justiça própria e de méritos. Por todas estas razões, o maior medo do homem em todos os tempos é em relação à morte. De modo geral, a morte é tida como o fim de tudo e uma separação eterna da realidade. Mesmo para os que creem em vida após a morte, por vezes, ficam em dúvidas. Isto ocorre, tanto no consciente, como no inconsciente do homem, por causa da experiência de separação espiritual de Deus quando da queda. A expulsão do Éden foi uma experiência tremendamente dolorosa para o homem conforme Gn. 3:24 - "E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida." A árvore da vida é uma simbologia da vida eterna que está em Cristo. Desde então a luta e o esforço do homem é para retomar o caminho de volta à vida eterna. De modo inverso, o grande esforço do Diabo é levar o homem a buscar o caminho de volta com base em seus próprios méritos por meio de obras de justiça própria e não por meio dos méritos de Cristo e na sua justiça executada na cruz. O Diabo sempre incute na mente do homem que é possível fazer um paraíso à revelia de Deus e fora da justiça eterna de Cristo na cruz.
Muitos são os que negam estas narrativas bíblicas e as reputam como meras lendas ou mitos copiados dos povos babilônicos, caldeus e outras culturas antigas. Entretanto, é exatamente o oposto, tais culturas foram inspiradas por Satanás a criar e disseminar narrativas semelhantes à verdade para dar ao homem a impressão que em todos os cultos há verdade. Este é o princípio do engano, pois ele conduz o homem a um julgamento errôneo como se fora verdadeiro. Após esta etapa, vem a mentira que é aquilo que mais se assemelha à verdade. Veja, por exemplo, como o Diabo enganou a Eva conforme Gn. 3:1 a 4 - "Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: é assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis." É óbvio que a serpente não era apenas um animal rastejante que agora falava e tinha inteligência. A serpente ofereceu ao mundo a primeira experiência "mediunica", incorporando o Diabo. Vê-se, no texto que vem de ser lido, que o Diabo contradiz a palavra de Deus por uma via afirmativa: "... é assim que Deus disse..." Na verdade fez-se uma ratificação do que Deus havia dito, porém de forma dissimulada, a saber, por meia verdade. Deus não disse apenas que era para comer de toda árvore do jardim, há uma exceção à generalização introdutória. O Diabo omitiu a exceção e propôs a generalização: "... não comereis de toda árvore do jardim?" É uma pergunta que, na realidade, contém uma afirmação retorcida da verdade outrora dita por Deus. Quando a mulher deu a sua versão do assunto, o Diabo dá o golpe final com base em uma sentença afirmativa por oposição à sentença afirmativa de Deus. Deus houvera dito: "... certamente morrerás.", enquanto, o Diabo disse: "certamente não morrereis." A sentença afirmativa de Deus foi dirigida a uma única pessoa, porque o verbo está na segunda pessoa do singular. Já a sentença de Satanás está na terceira pessoa do plural. O objetivo do Diabo era usar a mulher por meio do engano para atingir a Adão por meio da incredulidade, ou seja, deixar de crer na sentença afirmativa de Deus para crer na sentença afirmativa dele.
O disfarce do Diabo na serpente foi desmascarado por Deus expondo-o e levando-o a uma maldição conforme Gn. 3:15 - "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o seu descendente; este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Considerando os pronomes, os verbos e os substantivos vê-se claramente que Deus colocou inimizade perpétua entre o Diabo e a mulher, e também, entre a descendência do Diabo e o descendente da mulher. A afirmação: "... entre a tua descendência..." é uma referência a todos os homens descendentes de Adão após a queda, porque até então ele não havia tido descendentes. Tais descendentes de Adão já nasceriam com a natureza pecaminosa herdada. Portanto, espiritualmente falando a humanidade é descendência do Diabo. Já a afirmação: "... e o seu descendente..." é uma indicação de Jesus, o Cristo nascido de mulher. Por esta razão está no singular.
A partir da maldição a pessoa do Diabo ficou para sempre associado à imagem da serpente, sendo isto confirmado em Ap. 12: 9 - "E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na Terra, e os seus anjos foram precipitados com ele."
Após a queda o Diabo triunfou sobre o homem e a criação conforme I Jo. 5:19 - "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Porém, Deus continuou reinando sobre todas as coisas e sobre todos e, por fim, triunfará sobre o Diabo e o removerá eternamente, juntamente com os anjos caídos e todos os homens cujos nomes não foram escritos no livro da vida conforme Ap. 13: 8 - "E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a Terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." Esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que é Cristo, serão igualmente lançados no lago de fogo e enxofre conforme Ap. 20: 14 e 15 - "E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo." Então, a primeira morte foi quando o homem foi separado de Deus pelo pecado original; a segunda morte será quando todos os homens cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro forem lançados no lago de fogo. Juntamente com estes homens serão lançados a Besta, o Falso Profeta e o Diabo conforme Ap. 20: 10 - "... e o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos."
As Escrituras afirmam que o néscio diz em seu coração que Deus não existe conforme Sl. 53: 1 a 3 - "Diz o néscio no seu coração: não há Deus. Corromperam-se e cometeram abominável iniquidade; não há quem faça o bem. Deus olha lá dos céus para os filhos dos homens, para ver se há algum que tenha entendimento, que busque a Deus. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um." Este texto revela que aqueles que negam a Deus com base apenas no mal perceptível no mundo, de fato, confirmam que a mente deles foi corrompida conforme Ef. 4:18 - "... entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração." Especialmente, os mais cultos, inteligentes e bem informados, os seus entendimentos estão sob trevas para ver a verdade. Isto porque estão separados da vida de Deus, ou seja, estão mortos para Deus, espiritualmente falando.
Sobre os eleitos e regenerados repousa outro destino conforme Cl. 3: 3 e 4 - "... porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória." Quando os eleitos foram incluídos na morte com Cristo e com ele ressuscitaram, ganharam a vida d'Ele. Esta vida espiritual está oculta em Cristo nos lugares celestiais e, quando ele se manifestar na Terra novamente, os eleitos e regenerados com ele se manifestarão em glória. 
Sola Gratia !!!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO IX

I Pd. 5: 8 a 11 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer. A ele seja o domínio para todo o sempre. Amém."
Há, como já dito, muitas lendas e histórias sobre o Diabo no ideário popular em todos os tempos e lugares. Uma dessas lendas é o famigerado "Pacto com o Diabo." Ora, seria de nenhuma valia tal pacto, porque todos os homens já nascem contaminados pela natureza pecaminosa inoculada pelo Diabo. Portanto, o Diabo não faria qualquer pacto com alguém que já está sob seu controle. Jesus deixa claro aos líderes da religião que eles eram controlados pelo Diabo conforme Jo. 8:38 a 44 - "Eu falo do que vi junto de meu Pai; e vós fazeis o que também ouvistes de vosso pai. Responderam-lhe: nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me, a mim que vos falei a verdade que de Deus ouvi; isso Abraão não fez. Vós fazeis as obras de vosso pai. Replicaram-lhe eles: nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus. Respondeu-lhes Jesus: se Deus fosse o vosso Pai, vós me amaríeis, porque eu saí e vim de Deus; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Por que não compreendeis a minha linguagem? é porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira." Foi um diálogo tenso, especialmente para os religiosos, porque ouvir algo diferente do recebido, internalizado, customizado e praticado é revoltante mesmo. Nota-se nos círculos das religiões, ditas cristãs, que tais reações são as mesmas. As relações entre religiosos e não religiosos ou mesmo entre religiosos de diferentes denominações são amigáveis até o limite em que se confrontam doutrinas. Na maior parte das vezes tais doutrinas são meras crenças sistematizadas e não ensinos espirituais vindos das Escrituras. Quando o ensino provém do alto, mesmo havendo alguém enganado, logo o tal é convencido pelo poder da Palavra. 
Observa-se, no texto retromencionado, que Jesus, o Cristo não lhes ocultou as suas verdadeiras origens, mas os religiosos reivindicavam para si a filiação de Deus e de Abraão para autenticar suas posições absolutamente erradas. Entretanto, o Cristo os conduziu para a essência da questão que é aquilo que a natureza residente e resistente opera. Se a natureza é pecaminosa, portanto, controlada pelo Diabo, a reação é de contundente oposição. Se a natureza é a da divina semente, a reação é sempre por meio das Escrituras, ou mesmo,  não há reação. Por fim, o Cristo lhes declara com todas as palavras: "Vós tendes por pai o Diabo." Prosseguiu Jesus com a explicação desta constatação, mostrando as verdadeiras intensões dos seus corações. Tramavam matá-lo por temor a uma nova mensagem, uma nova ordem que desfazia o antigo e costumeiro. O homem é por natureza reativo ao novo.
O mais significativo não é fazer pactos com o Diabo, mas sair do pacto já existente desde o nascimento. O rei Davi tinha a clara percepção desta verdade quando confessou em Sl. 51:5 - "Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concedeu minha mãe." Este engano grassa as ditas igrejas cristãos: supõem em seus sistemas doutrinários de cunho apenas humanistas que a pessoa é pecadora porque comete pecados. Entretanto, o ensino das Escrituras mostra com clareza que o homem é pecador porque possui natureza pecaminosa. A única forma de ser libertado é morrendo na cruz em Cristo. A morte do homem foi o seu desligamento da glória de Deus por ocasião da sua queda pecaminosa. Portanto, a morte de Cristo foi para matar a morte do homem, a saber, aniquilar a sua culpa do pecado, ou o corpo do pecado, ou ainda a natureza pecaminosa. Rm. 6: 6 e 7 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado." Observa-se que o texto se refere ao "velho homem" e não a um "homem velho." Faz toda diferença, porque a questão tratada o texto é de natureza adâmica e não da idade cronológica de alguém. Quando a velha natureza pecaminosa herdada do primeiro Adão é destruída no último Adão, surge uma nova criatura reconciliada com Deus conforme II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." No texto original em grego koinê é usada a expressão "nova geração" e não "nova criatura". Isto porque, os regenerados na morte de Cristo foram gerados outra vez em Cristo.
A obra maior do Diabo é o engano, porque, por ele se consegue trazer todos os demais males e a ruína. O truque diabólico é propor o "bem" para trazer o mal, porque se fizesse ao contrário afugentaria a todos. Ele, então sugere que aquilo que o homem chama de mal pode, na verdade, trazer o bem. Ele usa a isca mais eficiente que há desde o Éden: apelar para uma suposta sabedoria e um grande benefício pessoal. Foi o argumento que usou com Eva conforme Gn. 2:5 - "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Tal proposta gerou e gera o desejo obter a divindade, profundo conhecimento de si, das coisas e dos outros. Consequentemente, tal sabedoria traz como resultado o engano conforme I Tm. 2:14 - "E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão." Adão pecou, porque era portador de uma lei, mas Eva foi apenas ludibriada pelo desejo. Quem quebra uma ordem sem conhecimento, mas por influência de outro foi enganado, mas quem quebra uma ordem tendo recebido orientação para não quebrá-la é apenas transgressor, mas pecador. A transgressão é um ato pecaminoso oriundo da natureza pecaminosa que é a iniquidade, ou seja, a perda da equanimidade, do equilíbrio ou da razão.
Os anjos não conheciam o mal, até que a iniquidade surgiu no coração de um deles. O homem não conhecia o mal, ainda que ele já existisse e houvera sido colocado no Éden. Ambos, Diabo e homem, passaram a conhecer o mal e se tornaram escravos dele quando o experimentaram. O primeiro a dar lugar à iniquidade foi o anjo querubim que se tornou Diabo. Depois ele reproduziu o processo no coração do homem para induzi-lo à incredulidade. O Diabo colocou diante de Eva a possibilidade de ser "como Deus" e não como o Diabo. Então, acreditar superficialmente que, pelo fato de uma religião falar acerca de Deus, de amor, da verdade, de caridade e de paz é uma proposta autêntica é o grande projeto de Satanás desde os tempos do cristianismo primitivo. O objetivo do Diabo no Éden era levar Eva à desobediência pelo desejo de conhecimento e de semelhança a Deus, porém ele apontou, primeiramente, para uma experiência com Deus e não com os demônios. A proposta era muito clara: desobedecer a Deus para ser como Deus. Ora, esta é a lógica mais tola e muitos estão caindo nessas mensagens e pregações ainda hoje. É neste sentido que o Diabo é o adversário dos que conhecem a verdade, pois eles não se deixam enganar. Por esta razão é que Jesus, o Cristo afirma em Jo. 8:32 e 36 - "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.  Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
Solo Christo!
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fides!
Soli Deo Gloria!