quarta-feira, 20 de maio de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO IX

I Pd. 5: 8 a 11 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer. A ele seja o domínio para todo o sempre. Amém."
Há, como já dito, muitas lendas e histórias sobre o Diabo no ideário popular em todos os tempos e lugares. Uma dessas lendas é o famigerado "Pacto com o Diabo." Ora, seria de nenhuma valia tal pacto, porque todos os homens já nascem contaminados pela natureza pecaminosa inoculada pelo Diabo. Portanto, o Diabo não faria qualquer pacto com alguém que já está sob seu controle. Jesus deixa claro aos líderes da religião que eles eram controlados pelo Diabo conforme Jo. 8:38 a 44 - "Eu falo do que vi junto de meu Pai; e vós fazeis o que também ouvistes de vosso pai. Responderam-lhe: nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me, a mim que vos falei a verdade que de Deus ouvi; isso Abraão não fez. Vós fazeis as obras de vosso pai. Replicaram-lhe eles: nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus. Respondeu-lhes Jesus: se Deus fosse o vosso Pai, vós me amaríeis, porque eu saí e vim de Deus; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Por que não compreendeis a minha linguagem? é porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira." Foi um diálogo tenso, especialmente para os religiosos, porque ouvir algo diferente do recebido, internalizado, customizado e praticado é revoltante mesmo. Nota-se nos círculos das religiões, ditas cristãs, que tais reações são as mesmas. As relações entre religiosos e não religiosos ou mesmo entre religiosos de diferentes denominações são amigáveis até o limite em que se confrontam doutrinas. Na maior parte das vezes tais doutrinas são meras crenças sistematizadas e não ensinos espirituais vindos das Escrituras. Quando o ensino provém do alto, mesmo havendo alguém enganado, logo o tal é convencido pelo poder da Palavra. 
Observa-se, no texto retromencionado, que Jesus, o Cristo não lhes ocultou as suas verdadeiras origens, mas os religiosos reivindicavam para si a filiação de Deus e de Abraão para autenticar suas posições absolutamente erradas. Entretanto, o Cristo os conduziu para a essência da questão que é aquilo que a natureza residente e resistente opera. Se a natureza é pecaminosa, portanto, controlada pelo Diabo, a reação é de contundente oposição. Se a natureza é a da divina semente, a reação é sempre por meio das Escrituras, ou mesmo,  não há reação. Por fim, o Cristo lhes declara com todas as palavras: "Vós tendes por pai o Diabo." Prosseguiu Jesus com a explicação desta constatação, mostrando as verdadeiras intensões dos seus corações. Tramavam matá-lo por temor a uma nova mensagem, uma nova ordem que desfazia o antigo e costumeiro. O homem é por natureza reativo ao novo.
O mais significativo não é fazer pactos com o Diabo, mas sair do pacto já existente desde o nascimento. O rei Davi tinha a clara percepção desta verdade quando confessou em Sl. 51:5 - "Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concedeu minha mãe." Este engano grassa as ditas igrejas cristãos: supõem em seus sistemas doutrinários de cunho apenas humanistas que a pessoa é pecadora porque comete pecados. Entretanto, o ensino das Escrituras mostra com clareza que o homem é pecador porque possui natureza pecaminosa. A única forma de ser libertado é morrendo na cruz em Cristo. A morte do homem foi o seu desligamento da glória de Deus por ocasião da sua queda pecaminosa. Portanto, a morte de Cristo foi para matar a morte do homem, a saber, aniquilar a sua culpa do pecado, ou o corpo do pecado, ou ainda a natureza pecaminosa. Rm. 6: 6 e 7 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado." Observa-se que o texto se refere ao "velho homem" e não a um "homem velho." Faz toda diferença, porque a questão tratada o texto é de natureza adâmica e não da idade cronológica de alguém. Quando a velha natureza pecaminosa herdada do primeiro Adão é destruída no último Adão, surge uma nova criatura reconciliada com Deus conforme II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." No texto original em grego koinê é usada a expressão "nova geração" e não "nova criatura". Isto porque, os regenerados na morte de Cristo foram gerados outra vez em Cristo.
A obra maior do Diabo é o engano, porque, por ele se consegue trazer todos os demais males e a ruína. O truque diabólico é propor o "bem" para trazer o mal, porque se fizesse ao contrário afugentaria a todos. Ele, então sugere que aquilo que o homem chama de mal pode, na verdade, trazer o bem. Ele usa a isca mais eficiente que há desde o Éden: apelar para uma suposta sabedoria e um grande benefício pessoal. Foi o argumento que usou com Eva conforme Gn. 2:5 - "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Tal proposta gerou e gera o desejo obter a divindade, profundo conhecimento de si, das coisas e dos outros. Consequentemente, tal sabedoria traz como resultado o engano conforme I Tm. 2:14 - "E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão." Adão pecou, porque era portador de uma lei, mas Eva foi apenas ludibriada pelo desejo. Quem quebra uma ordem sem conhecimento, mas por influência de outro foi enganado, mas quem quebra uma ordem tendo recebido orientação para não quebrá-la é apenas transgressor, mas pecador. A transgressão é um ato pecaminoso oriundo da natureza pecaminosa que é a iniquidade, ou seja, a perda da equanimidade, do equilíbrio ou da razão.
Os anjos não conheciam o mal, até que a iniquidade surgiu no coração de um deles. O homem não conhecia o mal, ainda que ele já existisse e houvera sido colocado no Éden. Ambos, Diabo e homem, passaram a conhecer o mal e se tornaram escravos dele quando o experimentaram. O primeiro a dar lugar à iniquidade foi o anjo querubim que se tornou Diabo. Depois ele reproduziu o processo no coração do homem para induzi-lo à incredulidade. O Diabo colocou diante de Eva a possibilidade de ser "como Deus" e não como o Diabo. Então, acreditar superficialmente que, pelo fato de uma religião falar acerca de Deus, de amor, da verdade, de caridade e de paz é uma proposta autêntica é o grande projeto de Satanás desde os tempos do cristianismo primitivo. O objetivo do Diabo no Éden era levar Eva à desobediência pelo desejo de conhecimento e de semelhança a Deus, porém ele apontou, primeiramente, para uma experiência com Deus e não com os demônios. A proposta era muito clara: desobedecer a Deus para ser como Deus. Ora, esta é a lógica mais tola e muitos estão caindo nessas mensagens e pregações ainda hoje. É neste sentido que o Diabo é o adversário dos que conhecem a verdade, pois eles não se deixam enganar. Por esta razão é que Jesus, o Cristo afirma em Jo. 8:32 e 36 - "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.  Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
Solo Christo!
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fides!
Soli Deo Gloria!

sábado, 16 de maio de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO VIII

I Pd. 5: 8 a 11 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer. A ele seja o domínio para todo o sempre. Amém."
É fundamental que se abstraia da visão vulgar sobre o Diabo, porque esta visão impede uma compreensão mais profunda sobre o adversário. Tal visão simplista e retorcida é subproduto de uma cultura religiosa que teve seu auge na Idade Média quando a igreja dominante temia o avanço do conhecimento científico. O temor dos líderes eclesiásticos era que o povo abandonasse a submissão aos dogmas e preceitos impostos por eles. Por esta razão o chamado "Santo Ofício", ou seja, a Inquisição criou o "Index" no qual arrolava milhares de obras proibidas, sendo a maioria de caráter científico. Tudo o que o clero tomava por perigoso ao domínio da igreja era alistado como obra diabólica. O enredo do filme "O Nome da Rosa" baseado na obra de Humberto Ecco é um típico exemplo de como agia a "santa madre igreja." Ocultava as obras literárias, científicas e mesmo algumas religiosas em bibliotecas dos mosteiros trancafiados a sete chaves. A sonegação do esclarecimento ao povo era uma estratégia de sobrevivência em meio à decadência iminente. Igualmente a perseguição e condenação dos que ousavam desafiar os dogmas e crendices era uma maneira de eliminar aqueles que queriam saber mais.
Criou-se uma imagem no ideário popular que ainda hoje persiste, sendo muito difícil desconstruir. O fato é que o Diabo não é aquela figura horrenda que se pinta no inconsciente do povo. Ele é um ser espiritual e, portanto, invisível. O fato de ser espiritual não o qualifica como um ser fiel a Deus. Pode tornar-se visível por meio de materializações em forma algo ou de alguém, mas este não é o seu estado natural. Trata-se de uma situação excepcional para agir pessoalmente em algumas ocasiões quando lhe é permitido. Tal situação é retratada por Paulo conforme II Co. 11: 14 e 15 - "E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras." Desta forma fica evidente que suas aparências e aparições são sempre um disfarce e não uma realidade concreta e permanente. Obviamente é desta forma que ele deve se apresentar para envolver e controlar as mentes dos não regenerados. Do contrário dar-se-ia que seria absolutamente rejeitado. Vê-se, pelo texto, que os demônios que servem ao Diabo também se apresentam como ministradores de justiça. Estes demônios são os anjos que acompanharam o Diabo em sua rebelião. Então, o Diabo apresenta-se oferecendo luz e os seus demônios oferecendo justiça. Acaso não são estas coisas que atraem a maioria dos homens, em suas crenças e buscas culturais, sociais e econômicas?
O campo mais fértil às manifestações do Diabo é a religião, justamente porque é uma esfera subjetiva e que se alimenta da sensorialidade da alma e de fé almática e não espiritual. É um campo minado e perigoso, porque, de um lado há a incidência e a reincidência constante do desespero humano e, do outro lado, há uma proposta permanente dos falsos obreiros conforme fica claro no mesmo contexto de II Co. 11: 13 - "Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo." Um apóstolo no contexto do primeiro século da era cristã era alguém que, após experimentar o novo nascimento era enviado a anunciar o evangelho da redenção. Vê-se que desde aquele tempo estavam entre os verdadeiros, também os falsos apóstolos que realizam a sua obra por meio da fraude, disfarçando-se de enviados por Cristo. Ora, ainda hoje se vê tal prática multiplicada na mídia dotada dos mais altos requintes da comunicação sofisticada. A fraude se caracteriza exatamente por simular verdade por meio de um instrumento da mentira, a saber, falsos cristãos. Trata-se, portanto, de uma espécie de falsificação por ardil ou mentira impetrada como se verdade fosse dentro de igrejas.
I Tm. 4:1 a 5 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas." A primeira evidência da ação fraudulenta do Diabo por meio de seus ministradores humanos é a apostasia. Por apostasia se pode entender um ato de renúncia a algum valor, princípio ou fé. Os apóstatas, na maior parte dos casos, não se afastam ou renunciam à religião, mas apenas à fé verdadeira. Permanecem dentro das igrejas, porém conduzindo-se por um padrão apenas comportamental. Ficam ali, porém em conformidade a um corolário de doutrinas e práticas que lhes são convenientes. Isto ocorre porque não experimentaram o nascimento do alto ou espiritual. Tiveram apenas uma experiência religiosa emocional ou intelectual. 
A origem da apostasia consiste em ouvir a espíritos enganadores que trazem doutrinas de demônios. Estes demônios são aqueles ministradores de Satanás que se apresentam como portadores da justiça, ou seja, daquilo que julgam ser o justo e o melhor para o homem. O objetivo de tal prática é manter os homens afastados da verdade a fim de subjugá-los a uma escravidão eterna. São homens hipócritas, pois o que falam não representa o que são e vice-versa.
Suas mentes foram cauterizadas, isto é, perderam a sensibilidade à verdade. Por isto estes sobrevivem de uma espécie de fé em si mesmos ou de uma espécie de fé na fé. Vê-se, pelo texto, que tratam estes falsos pregadores de coisas comezinhas, ou seja, das coisas do cotidiano do homem. Jesus esclarece que, quem cuida das coisas dos homens é Satanás. Muitos desses religiosos se põem como celibatários em nome de uma maior pureza e dedicação às coisas espirituais. Entretanto, suas naturezas pecaminosas os traem, levando-os às práticas sórdidas e à exposição de suas taras. Outros proíbem a ingestão de determinados alimentos a fim de trazer maior clareza mental, saúde física, e elevação ao sobrenatural. Entretanto, o texto sagrado diz que tudo quanto Deus criou é bom, desde que recebidos com ações de graça. Dar graças por todas as dádivas de Deus é o mesmo que reconhecer que ele é soberano e detém o controle absoluto sobre todas as coisas. Só os nascidos do alto podem e conseguem ver a soberania de Deus. Uma mente que é guiada por sua própria alma jamais poderá reconhecer Deus como soberano e que tem todo o controle até mesmo sobre as coisas julgadas como ruins. É a fé genuína na Palavra de Deus que tem o poder de santificar e purificar todas as coisas. Não são atos deliberados pelo homem que tornam as Escrituras autênticas e verdadeiras. Elas são verdadeiras por sua própria natureza e origem.
O texto de abertura indica que os eleitos e regenerados devem ser sóbrios e vigilantes. Sóbrio significa não estar embriagado. Entretanto, tal sentido não se aplica no texto à embriaguez com bebidas alcoólicas. Trata-se de uma extensão de sentido da embriaguez, a saber, não se envaidecer com ideias, princípios e valores morais ou sensoriais. Iludir-se e levar outros à ilusão de uma falsa verdade é uma forma de embriaguez e falta de sobriedade. Portanto, a forma que os eleitos e regenerados se mantêm sóbrios e vigiam é conhecendo a mente de Deus por meio das Escrituras. Não se trata de um exercício mental de esperteza contra evidências. Até porque, as evidências do Diabo e seus demônios muito se assemelham à verdade. Todavia, nem tudo o que se assemelha possui a mesma essência daquilo que é semelhante, a saber, a verdade. A verdade não é uma concepção, mas o próprio Cristo conforme Jo. 14:6
Sola Scriptura!

domingo, 10 de maio de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO VII

I Pd. 5: 8 a 11 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer. A ele seja o domínio para todo o sempre. Amém."
Como já dito, as Escrituras falam muito pouco acerca da pessoa de Satanás. E o que dele se declara é mais sobre ações e projetos maléficos e suas consequências para o homem e o mundo. Desta forma, sequer sabe-se o nome deste anjo que foi um dos mais importantes na hierarquia celestial. Os dois textos mais específicos, embora não muito óbvios, sobre o Diabo são o de Ez. 28 e de Is. 14. Por confusões de tradução do hebraico para o latim, deram a ele o nome de Lúcifer, porém não se pode traduzir uma expressão adjetiva "portador de luz" pelo substantivo próprio "Lúcifer". Este descuido vem causando muitos males ainda hoje. A expressão hebraica de Is. 14:12 (הילל בן שחר) transliterada é "heilel ben shahar" e significa "estrela filha da alva". É uma referência à Estrela Matutina ou Estrela Vespertina que, em suma, é o planeta Vênus e não uma estrela de fato. Em uma época do ano este planeta aparece antes do amanhecer e em outra época ao anoitecer como um ponto muito luminoso no céu. O profeta usa da dupla referência profética, por analogia, tanto ao rei de Babilônia, como ao Diabo em sua queda e natureza conforme Is. 14: 12 a 14 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações! E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." Nos primeiros séculos da Igreja tal expressão não tinha nenhuma conotação com o Diabo. Tanto que havia um bispo da Sardenha chamado São Lúcifer e, ainda hoje há uma igreja dedicada a ele lá. Da mesma forma os profetas usavam a mesma expressão para se referir ao rei da Babilônia, Nabucodonosor e seus projetos soberbos de poder absoluto. Também em Ap. 22:16, o próprio Cristo se auto-identifica como a "resplandecente estrela da manhã": "Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã."
Os textos de Ez. 28 e de Is. 14 fazem dupla referência, ou seja, fazem lamento profético a dois reis - Ittiobalus ou Ittiobaal II de Tiro e Nabucodonosor de Babilônia. Porém, o sentido do texto passa a ser uma descrição dos atos de Satanás, na medida em que certos aspectos e lugares não se aplicam mais a um homem, mas a um ser espiritual. Este recurso utilizado pelos profetas é comum, pois demonstra o orgulho e a soberba satânica no comportamento de homens, indicando a natureza do pecado de Satanás que foi a iniquidade. Trata-se de um processo para dar a compreender os segredos do Diabo por meio do comportamento de pessoas e vice-versa. Ao final, o próprio rei Nabucodonosor veio contra o rei de Tiro em 587 a. C. e o destruiu. 
Tal recurso de desejo de endeusamento de homens foi demonstrado por Paulo  conforme At. 12: 20 a 23 - "Ora, Herodes estava muito irritado contra os de Tiro e de Sidom; mas estes, vindo de comum acordo ter com ele e obtendo a amizade de Blasto, camareiro do rei, pediam paz, porquanto o seu país se abastecia do país do rei. Num dia designado, Herodes, vestido de trajes reais, sentou-se no trono e dirigia-lhes a palavra. E o povo exclamava: é a voz de um deus, e não de um homem. No mesmo instante o anjo do Senhor o feriu, porque não deu glória a Deus; e, comido de vermes, expirou." O rei Herodes, em sua arrogância, odiava o sucesso dos reis de Tiro e de Sidom, mas os suportava porque necessitava manter comércio com estes. Vê-se que, o povo o considerou como "a voz de um deus" e ele se envaideceu disso, trazendo imediato castigo. Ora, sabe-se que a queda do anjo querubim foi pelas mesmas razões, ou seja, pelo desejou ser semelhante ao Altíssimo, ter um trono e um governo para si próprio no universo.
O que ocorre em muitas interpretações correntes dos textos de Ez. 28 e Is. 14 é uma espécie de desonestidade para se livrar de textos difíceis. Usam malabarismo simplistas para dar uma explicação teológica que nada tem de teológica. Dizem que se trata de um texto poético, entretanto, o recurso estilístico não anula o fato que continua sendo a Palavra de Deus. O fato é que os profetas sempre falavam de assuntos espirituais por meio de assuntos terrestres e contemporâneos para que o povo pudesse compreender o sentido profundo e espiritual da revelação. Isto se vê claramente nos salmos. Este é o princípio hermenêutico da dupla referência que, tanto se aplica ao tempo, como à pessoa objeto da profecia. Paulo usa este processo ao se referir ao anticristo conforme II Ts. 2: 3 e 4 - "Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus." O homem do pecado e filho da perdição é um homem, porém é ele o representante ou a expressão das pretensões do próprio Satanás no fim dos tempos. O profeta Daniel afirma que o anticristo estará na terra gloriosa, ou seja, na Palestina no fim dos tempos. Diz ainda que ele armará suas tendas nos mares conforme Dn. 11: 41 a 45 - "Entrará na terra gloriosa, e dezenas de milhares cairão; mas da sua mão escaparão estes: Edom e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom. E estenderá a sua mão contra os países; e a terra do Egito não escapará. Apoderar-se-á dos tesouros de ouro e de prata, e de todas as coisas preciosas do Egito; os líbios e os etíopes o seguirão. Mas os rumores do oriente e do norte o espantarão; e ele sairá com grande furor, para destruir e extirpar a muitos. E armará as tendas do seu palácio entre o mar grande e o glorioso monte santo; contudo virá ao seu fim, e não haverá quem o socorra." Ora, o texto de Isaías 14 pode perfeitamente ter a primeira referência ao rei Ittiobalus, mas também ao anticristo do fim dos tempos, porque Tiro ficava numa ilha no Mar Mediterrâneo no que é hoje o Líbano. Mas, a atual cidade de Tiro  está em uma península e não mais numa ilha como foi no tempo dos profetas veterotestamentários. Por isso, Tiro fica entre o Mar Mediterrâneo chamado no passado de Mar Grande e o Monte Santo é onde fica Jerusalém.
Ao ler o texto de Ez. 28 vê-se claramente que a descrição parte de um homem e termina descrevendo um ser que não pode ser um homem mortal. Fala que o tal "estava no Éden, jardim de Deus" e que "se cobria de todo tipo de pedras preciosas". Também o chama de "querubim ungido" e que estava no "monte santo de Deus." Também diz que o tal "nadava no meio das pedras de fogo." Estas expressões não se aplicam nem mesmo a Adão que esteve no Éden. O Éden onde esteve Adão era vegetal e não mineral. Portanto, nada destas descrições se aplicam ao rei de Tiro, ao rei Nabucodonosor e ao Anticristo. São formas de descrever a próprio Satanás por meio de figuras e pessoas terrenas.
Por último pode-se ver a tradução de II Pd. 1:19 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações." Na versão em latim da Vulgata de São Jerônimo esta mesma passagem fica da seguinte maneira: "Et habemus firmiorem propheticum sermonem cui bene facitis adtendentes quasi lucernae lucenti in caliginoso loco donec dies inlucescat et lucifer oriatur in cordibus vestris." A expressão "estrela da alva" foi traduzida como lúcifer. Isto nada tem a ver com o nome do anjo caído, mas com uma expressão adjetiva que indica o conhecimento da verdade nos corações dos eleitos e regenerados. 
Solo Christos!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO VI

I Pd. 5: 8 a 11 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer. A ele seja o domínio para todo o sempre. Amém."
O mundo sempre esteve dividido sobre a realidade de Satanás ou da existência de um ser maléfico. Há os que, crendo na sua existência acabam por exagerar tanto que lhe presta uma espécie de culto por antagonismo. Outra parcela nega a sua existência e ações, reputando-a à categoria de mito ou lenda. Na realidade nenhum desses extremos está correto. Uns erram por desconhecer a sua real origem, natureza, queda e ações. Outros erram por ignorá-lo deixando-o livre para atuar sem resistência. Obviamente, tal resistência, não se dá por rituais de exorcismos, mas pela fé conforme o texto de abertura ensina. A resistência consiste em estar firme na fé e não pela fé como se supõe comumente. Estar na fé é estar possuído pela fé de Deus e não exercitar-se em um conjunto de práticas, preceitos e atitudes para obter alguma forma de vitória sobre o mal. 
A confusão acerca da natureza de Satanás é tão grande que, mesmo entre aqueles que supostamente deveriam conhecer profundamente o assunto há graves discordâncias. A primeira evidência de erro é o abandono das Escrituras para adoção de teorias de base intelectivas, filosóficas ou religiosas a respeito de um assunto bíblico. Neste sentido, o homem cria um corolário de verdades próprias para explicar as coisas por uma lógica mais plausível ou aceitável.
Não há dúvidas que há um enorme mal moral atuante na humanidade e um mal degradante na própria natureza física. A origem de tudo isto é o próprio Diabo, pois é homicida e pai da mentira conforme Jo. 8:44 - "Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira." Desta forma fica claro que o homem que não crê à verdade possui filiação diabólica, porque o filho herda a natureza do pai. O homem não regenerado, ainda que religioso, satisfará invariavelmente os desejos do daquele que os contaminou com a natureza dele, a saber, a natureza pecaminosa. O pecado de Satanás, mesmo antes da queda, foi a incredulidade, porque nunca se firmou na verdade. Mesmo não havendo qualquer força determinante para tentá-lo a cair no pecado, ele ainda assim optou por não crer em Deus. O texto mostra que nele, no Diabo, não há verdade! Nem mesmo poderia haver, porque verdade não é uma concepção filosófico-religiosa, mas é uma pessoa, a saber, Cristo. O texto ainda esclarece que o pecado é o que a pessoa é e não necessariamente o que ela faz. O que a pessoa faz é consequência do que ela é e nunca ao contrário. Assim, fica evidente que o Diabo é mentiroso e o pai da mentira. Ora, se há um pai da mentira, há igualmente os filhos da mentira, os quais são os herdeiros legítimos deste pai.
Ef. 2:1 e2 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência..." O homem após a queda pela mesma incredulidade do Diabo, ou seja, não crer na Palavra de Deus, tornou-se morto espiritualmente. A morte espiritual significa a perda da glória de Deus conforme Rm. 3:23 - " Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." O andar nos delitos e pecados são os atos e atitudes contaminados pela natureza pecaminosa. O homem anda segundo o curso anormal do mundo, porque é sua natureza que está contaminada. Assim, o homem decaído é pecador porque possui natureza pecaminosa e não porque comete pecados e delitos. Tal ação inata e persistente é o resultado de ser guiado pelo "príncipe das potestades do ar." A palavra príncipe como inserida neste texto, não indica nobreza, mas indica que o Diabo é o principal dos demônios que habitam a atmosfera em torno da Terra. Os filhos da desobediência são filhos do Diabo. Eles não são pecadores porque desobedecem, mas desobedecem porque possuem naturezas pecaminosas. O texto de Efésios permite dizer que é do espaço sideral que Satanás opera seus feitos e efeitos nos seus filhos. No texto grego original diz: "archoon tees exoysias toy aeros" que significa: "príncipe das potestades do ar." Então, o Diabo exerce uma espécie de poder na própria ordem cósmica, portanto, além da ação maléfica na sociedade, também interfere no cosmo.
Ef. 6:12 - "...pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes." Uma vez mais é reforçada a verdade sobre o fato de o Diabo estar reinando no espaço sideral e não no inferno de Dante Alighieri. Esta visão dantesca é o subproduto do ideário da igreja na Idade Média para meter medo nos homens incultos e sem acesso à verdade. Muitos religiosos travam uma luta com base no esforço da carne e do sangue, pois criam para si uma série de rituais de auto-sacrifício para vencer o mal. As Escrituras, entretanto, mostram que a luta não é contra a carne e o sangue, mas contra grupos de demônios que operam nos lugares celestiais, ou seja, no espaço sideral. Este é e sempre foi o problema da religião humana desprovida da verdade bíblica: transferir a solução do pecado para o esforço humano. 
A maioria dos religiosos desconhece que o Diabo foi derrotado na cruz conforme Jo. 12:31 - "Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo." O juízo deste mundo foi executado na cruz, quando Jesus, o Cristo morreu e incluiu os pecadores eleitos para serem regenerados. Isto fica evidente em Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Então, Jesus, o Cristo está doutrinando com clareza que iria ser levantado na cruz para expulsão de Satanás. Por esta razão é que ele vive no espaço sideral ou regiões celestes. A justiça de Deus contra o pecado foi executada em seu próprio Filho Unigênito na cruz. Tal juízo abrange, tanto os homens pecadores que foram preordenados para crer, quanto o autor e controlador das suas naturezas pecaminosas. A morte de Cristo não foi um ato solitário e isolado, como uma mera demonstração teatral para o mundo. Foi um ato compartilhado e, portanto, um ato inclusivo dos pecadores eleitos para a aniquilação da culpa do pecado deles conforme Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Claro, se a morte de Cristo não houvera sido suficiente, eficiente e eficaz teríamos um caso de embuste, pois de nada teria valido. Deus teria de punir o pecado a cada segundo para resolver o problema do pecado. Ele, com um único ato exerceu o juízo e fez a justiça eterna contra a culpa do pecado nos homens eleitos antes da fundação do mundo conforme Rm. 8:29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou."
Desta forma o Diabo, adversário dos nascidos de Deus não pode nada contra eles, porque já foi julgado conforme Jo. 16:11 - "... e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado." Igualmente, o Diabo é apenas adversário e não controlador dos regenerados. Ele sequer pode tocá-los conforme I Jo. 5:18 e 19 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Os nascidos de Deus têm a vida de Cristo e, por isso, o Diabo não lhes pode tocar, porque ele não pode tocar Cristo. Ele toca e controla os que estão no mundo e jazem nele. Isto não significa que os eleitos e regenerados sejam perfeitos e não cometam erros ou atos pecaminosos. Estão em processo de aperfeiçoamento e cometem atos pecaminosos sim. Entretanto, estes já foram aniquilados na cruz e não têm qualquer efeito sobre suas vidas espirituais. Podem até causar efeitos nas vidas terrenas, perante a justiça e o sistema humano, mas não na sua redenção. Por isso, é necessário acabar com estas crendices tolas que mais prestam culto e adoração ao Diabo que libertação plena dos seus feitos no mundo.
Soli Deo Gloria!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO V

I Pd. 5: 8 a 11 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão-se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer. A ele seja o domínio para todo o sempre. Amém."
No filme "O Advogado do Diabo" o personagem que faz o papel do Diabo, em um diálogo, afirma que ele é amigo do homem e deseja o seu bem. Afirma, ainda, que faz tudo para que o homem consiga o que quer, mas Deus é o verdadeiro inimigo do homem. Usa o jogo dos antagonismos no sentido de colocar na mente do homem que ele, o Diabo, é quem quer o bem da humanidade, mas Deus quer apenas se divertir sarcasticamente. Segundo a proposta do filme Deus é mau, porque dá ao homem o desejo e a liberdade de escolha, mas não lhe permite ter tudo o que deseja e escolhe. Ora, raciocinando por esta lógica, alguém é capaz mesmo de dar razão ao Diabo, dependendo se é ou não regenerado. Entretanto, o que o Diabo não diz é que as razões para Deus agir como age no Universo nada têm a ver com escolhas ou desejos humanos. Ele tem um propósito supremo e eterno e não muda em função do homem. Deus executa os seus desígnios apesar do homem e dos seus desejos e escolhas puramente naturais e condicionados à natureza pecaminosa e decaída. O homem imagina, erroneamente, que Deus age apenas em função da humanidade decaída. Não é verdade!
Na verdade Jesus, o Cristo deixa claro que, quem cogita das coisas do homem é Satanás conforme Mc. 8:33 - "Mas ele, virando-se olhando para seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens." Jesus não chamou Pedro de Satanás, mas o repreendeu, porque estava agindo à serviço dos interesses de Satanás. Obviamente, Satanás não tem qualquer interesse em tratar das coisas relativas ao supremo propósito de Deus. Ele cuida em satisfazer os desejos e escolhas naturais dos homens. Tais desejos e escolhas mantêm os homens escravos de si mesmos, a saber, das suas naturezas pecaminosas e decaídas. De fato, Deus em certo sentido age para humilhar o homem a fim de que este se veja a si mesmo como pecador e se reconheça incompetente para promover sua própria libertação. Satanás, ao contrário, age invariavelmente no sentido de satisfazer os caprichos e desejos do homem para mantê-lo escravo da natureza pecaminosa. Isto faz que o homem tenha alguma alegria passageira agora, mas seja humilhado eternamente em sua condenação.
Uma das maiores mentiras e enganos que Satanás incute na mente humana é que existe um "livre arbítrio". Para que algo ou alguém seja livre é necessário que se basta a si mesmo, ou seja, não dependa de nada, nem de ninguém. Ora, sabe-se que não existe efeito sem uma causa. Portanto, o homem nem é livre, nem é árbitro de si mesmo. O que o Diabo faz é enganar os sentidos do homem, confundindo-lhe com a noção de que escolhas naturais são escolhas livres e espirituais. Escolher, comer, beber, andar, fazer necessidades fisiológicas, se defender são apenas escolhas naturais e, portanto, colocadas no homem para sua sobrevivência no mundo. Tais escolhas em nada interferem na vida eterna do homem. Escolhas espirituais só são possíveis a quem não é escravo do pecado. Jesus, o Cristo indica isto claramente em Jo. 8: 32 a 34 - "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: sereis livres? Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." Desta forma, o homem é, ao contrário, escravo do pecado e não possui "livre arbítrio" no sentido de fazer escolhas livres. O que realmente existe é o "servo arbítrio" e não o "livre arbítrio". Por esta razão, Deus não atende aos desejos e escolhas naturais contaminados do homem. Primeiramente, é necessário que o pecador seja libertado completa e definitivamente. Por isso, o Mestre afirma que, conhecendo a verdade, esta libertará o homem da escravidão do pecado. A vontade humana está escravizada à natureza pecaminosa que só se aniquila se for para a cruz e nela morrer na morte de Cristo. Obviamente, tudo isto se dá pela fé e não por atos ou atitudes. É Deus quem conduz o homem até a cruz conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Uma vez conduzidos até Cristo, este inclui o pecador em sua morte conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer."
II Pd. 2:4 - "... Porque se Deus não poupou a anjos quando pecaram, mas lançou-os no inferno, e os entregou aos abismos da escuridão, reservando-os para o juízo." Então, anjos que acompanharam a rebelião do Diabo foram expulsos e presos no Tártaro para aguardar o juízo final. O homem que não foi libertado da sua natureza pecaminosa está a serviço de Satanás, mesmo não tendo consciência disso. Jo. 13:2 - "Enquanto ceavam, tendo já o Diabo posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, que o traísse ..." Portanto, se o Diabo é um mito, como poderia ter entrado no coração de Judas para que traísse Jesus? Judas era um dos doze discípulos e andava com Jesus. Entretanto foi usado para um mau desígnio.
Mt. 12: 28 - "Mas, se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, logo é chegado a vós o reino de Deus." Desta forma, a expulsão de demônios dos corpos de algumas pessoas no tempo de Jesus, tais seres não são fictícios ou apenas lendas oriundas do ideário popular. São reais e estão espalhados entre os homens, conhecendo-lhes os feitos e os passos. Então, o que acontece é que o homem possui uma natureza contaminada pelo pecado. Isto dá a Satanás o controle sobre a mente humana. É como uma seleção de futebol, o treinador não joga, mas dá todas as instruções e arma toda a tática do jogo. 
Mc. 5: 1 a 13 - "Chegaram então ao outro lado do mar, à terra dos gerasenos. E, logo que Jesus saíra do barco, lhe veio ao encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, o qual tinha a sua morada nos sepulcros; e nem ainda com cadeias podia alguém prendê-lo; porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas; e ninguém o podia domar; e sempre, de dia e de noite, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando, e ferindo-se com pedras, vendo, pois, de longe a Jesus, correu e adorou-o; e, clamando com grande voz, disse: que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes. Pois Jesus lhe dizia: sai desse homem, espírito imundo. E perguntou-lhe: qual é o teu nome? Respondeu-lhe ele: legião é o meu nome, porque somos muitos. E rogava-lhe muito que não os enviasse para fora da região. Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. Rogaram-lhe, pois, os demônios, dizendo: manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E ele lho permitiu. Saindo, então, os espíritos imundos, entraram nos porcos; e precipitou-se a manada, que era de uns dois mil, pelo despenhadeiro no mar, onde todos se afogaram." Observa-se que, os próprios demônios reconhecem que Jesus, o Cristo é o filho de Deus e que tem poder sobre eles. O homem em seu orgulho, não reconhece aquilo que até os demônios reconhecem. Cristo chamou o demônio incorporado no homem de espírito imundo, portanto estas manifestações mediúnicas não são espíritos de quem já morreu, mas de demônios que enganam os homens com curas, orientações, conselhos, etc. 
Solo Christo!

sábado, 25 de abril de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO IV

I Pd. 5: 8 a 10 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer."
É fundamental fazer diferença entre Satanás e demônios. Satanás é o chefe dos demônios ou o maioral dos demônios. É o querubim decaído que foi expulso do Monte Santo de Deus. Os demônios são espíritos caídos que foram também anjos os quais participaram da rebelião do querubim protetor e portador da luz. Estes anjos caídos perderam todos os direitos e privilégios perante Deus. No texto sacro do Velho Testamento as palavras para demônios são "cecirim" e "syym", e por vezes, "sedim" as quais foram vertidas para o grego, na Septuaginta, como "daemonía" que é demônio em português.
Lv. 17:7 - "E nunca mais sacrificarão em seus sacrifícios aos demônios, após os quais prostituem; isto lhes ser-lhes-á por estatuto perpétuo nas suas gerações." A palavra utilizada para "demônios" por Moisés é "cecirim" que tem paralelo nas palavras "bodes peludos, hirsutos, animais horríveis". No texto bíblico, sempre que se refere a seres invisíveis e espirituais, usam-se os símiles animais de aspecto desagradável se se referir a anjos caídos. 
Sl. 96:5 - "Porque todos os deuses dos povos são demônios." Esta é uma afirmação bíblica para um fato óbvio, visto que há apenas um Deus Soberano e Eterno, qualquer outro ser que postula ser "deus" é falso e impostor. É uma espécie de antideus, porque quer estar no lugar de Deus, não o sendo. 
Sl. 106: 34 a 38 - "Serviram aos seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço; sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios; e derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que eles sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi manchada com sangue." Neste texto aparece o termo "schedim" que também é designativo de demônios e de ídolos.
Dt. 32: 17 - "Ofereceram sacrifícios aos demônios, não a Deus, a deuses que não haviam conhecido, deuses novos que apareceram há pouco, aos quais os vossos pais não temeram." Esta é uma alusão ao fato que alguns israelitas, após a saída do Egito assimilaram diversos costumes religiosos dos povos por onde passaram. Esqueceram das recomendações divinas para que permanecessem em um culto monoteísta e puro. Sacrificavam a demônios como se deuses fossem. Este é um fato constatável mesmo nos dias atuais, quando muitos abandonaram a busca pela verdade no Cristianismo para aprofundar suas buscas pelo sobrenatural e o misterioso. Entretanto, encontram as profundezas de Satanás conforme Ap. 2: 24 - "Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei." É um texto escatológico para o tempo em que foi revelado a João, mas já acontecido e experimentado em muitas igrejas desde então. As tais profundezas de Satanás ocorrem com aqueles religiosos que presumem ou reivindicam para si experiências sobrenaturais de mistérios. É um tipo de experiência de busca interior pela verdade. Eles se põem na conta de pessoas especiais e únicas que conhecem alguma revelação hermética. Negam a graça do dom do Espírito, o qual concede os dons espirituais a todos os eleitos e regenerados. Os dons espirituais não são privilégios de alguns e Deus não concede dons para glorificar o homem, mas para a glória de Cristo.
Paulo doutrina aos cristãos que fujam da idolatria conforme I Co. 10:14 - "Portanto, meus amados, fugi da idolatria." e no verso 20 ele explica a razão dessa advertência: "... as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus." No grego do Novo Testamento, a palavra demônio é "daemonía". Para os gregos e os povos daquele tempo, um demônio era um espírito altamente sábio e inteligente que intermediava entre os homens mortais e os deuses. Portanto, era um ser de relevante valor e importância nos cultos não cristãos. Por esta razão é que Paulo chama Satanás de "deus deste século" conforme II Co. 4:4. Não que ele seja um "deus", mas, porque alguns homens o adoram como tal. A palavra grega "daemonía" traz a ideia de sabedoria, negando, portanto, a Cristo conforme I Co. 1: 23 e 24 - "... nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus." De fato, parece mesmo loucura que o verdadeiro Deus e a verdadeira sabedoria consiste em adorar e servir a um Deus que se deixou crucificar. Entretanto, esta é a verdadeira sabedoria de Deus, porque puniu o pecado em si mesmo para redimir os pecadores eleitos.
Os demônios conhecem a Cristo e sabem perfeitamente quem ele é conforme Mt. 8: 29 - "E eis que gritaram, dizendo: que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?" Então, fica evidente que os demônios,  não apenas sabem que é Jesus, o Cristo, como sabem qual será o destino final de si mesmos. Outro erro dessas religiões toscas pentecostais e neopentecostais é afirmar coisas que não conhecem. Quando são confrontados pelo texto bíblico, os seus agentes evocam uma revelação direta para não terem de dar nenhuma explicação. Eles falam muito em inferno e seus demônios. Alguns chegam a afirmar que foram levados ao inferno e que viram este ou aquele fulano lá. Ora, primeiro o lugar de habitação de Satanás e seus demônios ainda não é o lago de fogo e enxofre. Eles habitam a atmosfera em torno da órbita da Terra conforme Ef. 2:2 - "Em outro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência..." E nos versos 11 e 12 ajunta: "Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do Diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais." Então, é evidente que potestades, principados, príncipes das trevas e hostes da maldade são categorias de demônios, ou seja, anjos caídos. O texto ainda informa que eles têm um chefe ou príncipe, o qual é Satanás. Eles estão no espaço sideral e não no inferno. Inferno provém do grego "inferos" e quer dizer lugares inferiores ou abismos. Ora, há abismos lotados de demônios que foram aprisionados até o dia do juízo nestes lugares inferiores. Entretanto, não é o inferno retratado pelas religiões com fogo e enxofre. Este inferno é revelado no Apocalipse e está sendo preparado para o Diabo e seus anjos. É o lago de fogo e enxofre, que representa a segunda morte, a saber, a condenação eterna. O correspondente ao inferno dos demônios que estão aprisionados é o Tártaro, onde estão as almas dos mortos aguardando o juízo final. Tanto inferno como tártaro são abismos ou profundezas da Terra. 
Soli Deo Gloria !!!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO III

I Pd. 5: 8 a 10 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão-se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer."
Há um comportamento religioso predominante sobre a questão da culpa. Desde o Éden, é recorrente o fato de se transferir a culpa sempre para outro. Gn. 3: 12 e 13 - "Ao que respondeu o homem: a mulher que me deste por companheira deu-me da árvore, e eu comi. Perguntou o Senhor Deus à mulher: que é isto que fizeste? Respondeu a mulher: a serpente enganou-me, e eu comi." Obviamente, Deus indagou acerca do comportamento de Adão e Eva, não porque não o soubesse de antemão, mas para demonstrar as profundas alterações de caráter que ambos sofreram após o pecado. O resultado do pecado foi o medo e a transferência da culpa. Adão a transferiu para Eva e, esta, a transferiu para o Diabo personificado na serpente. Verifica-se que, de lá para cá, quase nada mudou neste sentido. Sempre que pressionado ou encurralado, o homem tenta desvia-se da sua culpa, jogando-a em alguém ou em algo. O Diabo é o alvo predileto da transferência de culpa, porque é um ente espiritual e invisível. Portanto, não aparece para se defender ou para, de fato, assumir alguma culpa. Não se pretende, nesse ponto, fazer a defesa da inocência do Diabo, porque direta ou indiretamente é ele o autor do pecado e do mal que persiste no mundo. É fácil e evidente a constatação do mal reinante no mundo, afetando pessoas, coisas e, até mesmo, os animais. É ele sim, a fonte de todas as iniquidades e desgraças. Entretanto, muito do mal moral que reina na sociedade não é da autoria direta de Satanás, mas da natureza maléfica colocada por ele no coração do homem. 
A regra natural do homem após a queda é a incredulidade e não a fé verdadeira. Isto fica evidente em toda extensão das Escrituras, mas muito claro em Rm. 3: 10 e 18 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios; a sua boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Nos seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante dos seus olhos." Verifica-se pelo texto que se trata de uma generalização e não de um grupo específico de homens. Neste ponto alguém poderia questionar: 'mas este caso não serve para mim que sou cumpridor das leis, pertenço a determinada igreja, contribuo financeiramente, estudo a Bíblia, faço parte das atividades de evangelização, pratico a caridade aos necessitados, etc.' Ora, a abordagem das Escrituras nunca é por meios circunstanciais e evidências externas. Toda abordagem da Palavra de Deus é, antes de tudo, de cunho espiritual. Portanto, qualquer homem, por mais correto, honesto e religioso que seja, possui o poder latente da natureza pecaminosa e, como tal, é capaz de cometer qualquer mal moral. É algo que subjaz na natureza humana, mesmo naqueles que não vivem cometendo atos falhos. Aqueles homens que já receberam a graça da regeneração têm esta natureza crucificada. Sobre eles há uma nova disposição, porque suas vidas não são mais dirigidas por seus impulsos almáticos. Esta nova ordem espiritual está registrada em II Co. 5:17 e 18  - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação." Ainda assim, por estarem ainda circunstanciados na carne e sob a influência do pecado que há no mundo, poderão cometer atos pecaminosos. Por isso, o sacrifício substitutivo e inclusivo de Cristo apaga estes atos pecaminosos, tanto quanto já aniquilou a culpa do pecado conforme Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Satanás arrastou para o seu lado, na rebelião contra Deus, um terço dos anjos celestes conforme registrado em Ap. 12: 7 a 9 - "Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na Terra, e os seus anjos foram precipitados com ele." Jesus, o Cristo faz menção da precipitação do Diabo quando foi expulso da presença de Deus conforme Lc. 10:18 - "Eu via Satanás, como raio, cair do céu."
O texto de abertura mostra que o Diabo, adversário do homem, anda ao derredor rugindo como leão para ver a quem possa tragar. O texto é claro. Ele está às espreitas para verificar a quem pode usar e controlar. Primeiramente, ele não é o leão, pois este título é dado apenas a Cristo. Ele anda como se fosse um leão, porque tudo no Diabo é artificial e falso. Secundariamente, ele precisa verificar se o homem é ou não nascido de Deus. Porque aos nascidos de Deus ele não pode tocar conforme I Jo. 5:18 e 19 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Aquele que é nascido de Deus é o homem que tem experiência de novo nascimento nos moldes que Jesus doutrina a Nicodemos em Jo. 3: 3 e 5. Aquele que nasceu de Deus é uma referência a Jesus, o Cristo que passa a habitar o nascido do alto, não havendo possibilidade de o Diabo tocá-lo. Para tocar o nascido do alto, Satanás teria de tocar primeiramente em Cristo e isto lhe é impossível. Entretanto, necessário é que o homem creia nisso conforme o padrão de fé exigido pelas Escrituras, especialmente em Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem." Desta forma, a fé não é uma virtude humana, mas um dom de Deus, porque ninguém poderia crer no que não se pode ver e ter certeza no que ainda não está presente. Fé é algo sobrenatural e não natural. Por esta razão é que a fé espiritual é concedida ao homem por graça e misericórdia. Ela não é um exercício mental e de abstinência de coisas para alcançar algo de Deus. Não há fórmulas para a fé. As Escrituras indicam claramente que o justo viverá da fé e não pela fé como se supõe nos círculos religiosos humanistas.
Sola Gratia!

sábado, 18 de abril de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO II

I Pd. 5: 8 a 10 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão-se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer."
O Conselho Mundial de Ateus, os Racionalistas do Século XX e os espiritualistas, em geral, negam a existência de um ser diabólico tal como declarado nas Escrituras e no ideário religioso em geral. A maioria das pessoas considera-o apenas um mito emergido dos dramas existenciais do homem que, não tendo respostas e soluções ao mal moral, transferem a culpa dos infortúnios e mazelas humanas a um ente abstrato e invisível. É exatamente isto que o Diabo quer! Este é o legítimo satanismo, porque dá a ele a vantagem de permanecer anônimo e livre para fazer suas artimanhas. A negação ou a satirização do Diabo em nada influi na sua realidade. Agir de modo a ignorar a sua real existência é agir como a avestruz que, para se protege da tempestade, enfia a cabeça na areia e deixa o restante do corpo exposto às intempéries. Fechar os olhos à maldade e à realidade satânica, não livra o homem dos seus ardis. Ao contrário, torna a sua situação mais vulnerável e frágil.
Contrariamente à posição de alguns, as Escrituras mostram que Satanás é uma realidade e não uma ficção. Elas não o pintam de modo idealizado, mas tal como ele é, pois este não perdeu certas características pessoais pelo fato de ter sido expulso da presença de Deus. As Escrituras revelam que Deus criou por meio de Cristo todas as coisas, entre elas, seres espirituais inteligentes com funções específicas no Universo. Em Cl. 1:16 e 17 - diz: "... porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as coisas." Desta forma foram criadas nove ordens de anjos com denominações e funções diferenciadas: anjos, arcanjos, tronos, dominações, potestades, querubins, serafins, principados (ao qual pertence o anjo Miguel) e Gabriel.
Jó 38: 4 a 7 - "Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da Terra? Faze-mo saber, se tens entendimento. Quem lhe fixou as medidas, se é que o sabes? ou quem a mediu com o cordel? Sobre que foram firmadas as suas bases, ou quem lhe assentou a pedra de esquina, quando juntas cantavam as estrelas da manhã, e todos os filhos de Deus bradavam de júbilo?" Neste texto, Deus indaga a Jó qual era conhecimento sobre o que ele fez no Universo. Ele se refere aos filhos de Deus que bradavam com júbilo as maravilhas da sua criação. Estes 'filhos de Deus' [b'nai haElohim] eram os seres espirituais, anjos querubins e arcanjos criados. São Jerônimo traduziu esta expressão comum no Velho Testamento como "anjos de Deus" ou "meus anjos." No Novo Testamento, "filhos de Deus" é uma referência aos eleitos e regenerados em Cristo Jesus pela inclusão deles na sua morte e ressurreição. Não se faz referência a outras criaturas como filhos de Deus, exceto a Jesus, o Cristo. Ele é, realmente, o único filho de Deus. Todos os redimidos foram feitos filhos de Deus por adoção por meio de Cristo conforme Jo. 1: 12 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus." São filhos de Deus apenas aqueles que foram aceitos por Cristo e o receberam por fé. Tanto a graça de recebê-lo como a fé para recebê-lo são dons de Deus e não méritos do homem como está registrado em Ef. 2: 8 e 9
Satanás não foi criado como um ser maléfico, mas como um anjo da ordem dos querubins conforme Ez. 28:14 - "Tu eras querubim ungido para proteger..." Esta expressão: "para proteger..." em seu original no hebraico é "que conduz..." A ele foi destinado o comando dos outros anjos e a exaltação da adoração e da glória a Deus. Ele não foi criado como um ser obscuro e maléfico, mas em função da liberdade de escolha que possuía deu lugar à iniquidade e caiu da sua posição original para a condição de anjo caído e condenado eternamente ao inferno.
As Escrituras revelam que há diversas e diferentes ordens e posição de anjos criados por Deus. São nove as categorias de anjos, como por exemplo: os anjos simples conforme I Pd. 3:22 - "... que está à destra de Deus, tendo subido ao céu; havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potestades." Há também as potestades, virtudes, principados e dominações conforme Ef. 1:21 - "... muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro." Também foram criados os tronos conforme Cl. 1:16 - "... porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos." Embora a palavra tenha outro sentido, mas no texto bíblico se refere a uma ordem de seres espirituais criados por Deus e não a um lugar onde alguém se assenta. Ainda as Escrituras falam de querubins conforme Gn. 3:24 - "E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os querubins..." Também são mencionados os serafins conforme Is. 6:2 - "Ao seu redor havia serafins; cada um tinha seis asas; com duas cobria o rosto, e com duas cobria os pés e com duas voava." As Escrituras falam também de um único ser espiritual chamado Miguel como sendo um anjo conforme Dn. 12: 1 - "Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo." O arcanjo Miguel é mencionado também em Judas verso 9, em Ap. 12:7, em I Ts. 4:16. Finalmente as Escrituras falam no anjo Gabriel em Dn. 9: 21 a 23 - "... sim enquanto estava eu ainda falando na oração, o varão Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio voando rapidamente, e tocou-me à hora da oblação da tarde. Ele me instruiu, e falou comigo, dizendo: Daniel, vim agora para fazer-te sábio e entendido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, pois és muito amado; considera, pois, a palavra e entende a visão."
A ordem dos querubins, da qual o Diabo fazia parte antes da queda, estão intimamente relacionados ao trono de Deus, cabendo-lhes a adoração e o louvor à glória d'Ele. Sua função era a de organizador ou mobilizador de todos os outros anjos para comunicação dos decretos e ordens de Deus. Isto fica evidente no texto de Ezequiel 28, que usa a expressão "portador de luz". Isto não significa que ele emitia luz como um fenômeno luminoso, mas que ele detinha o conhecimento, as informações, as ordens e mandados para instruir os demais seres criados no Universo. 

Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO I

I Pd. 5: 8 a 10 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer."
Há inumeráveis referências ao Diabo nos contextos das culturas humanas. Igualmente há diversas formas de se referir a ele e de representá-lo. Entretanto, há pouquíssima verdade sobre tais referências e representações, considerando o texto bíblico. O Diabo não é um mito, mas um ser real e inteligente. A maneira de representá-lo, na cultura ocidental, provém do domínio absoluto da igreja católica, especialmente, na Idade Média. Difundia-se a ideia de um ser feio, terrível e assombrador com o objetivo de dominar o povo pelo medo. Manter as pessoas submissas ao controle da igreja era fundamental devido às ameças dos avanços científicos do Renascimento, da grande pobreza e analfabetismo entre as massas. Então, pintá-lo rabudo, chifrudo, com pés dotados de unhas fendidas era uma forma de assombrar o ideário popular ignorante e que não tinha acesso às Escrituras.
As Escrituras não dão muitos detalhes sobre a figura de Satanás, mas o pouco que fornece é o suficiente. Ez. 28:12 a 15 - "Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-te: assim diz o Senhor Deus: tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estiveste no Éden, jardim de Deus; cobrias-te de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Eu te coloquei com o querubim da guarda; estiveste sobre o monte santo de Deus; andaste no meio das pedras afogueadas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade." O texto descreve um ser angelical da ordem dos querubins tipificado, inicialmente, na pessoa do rei da cidade de Tiro. Todavia percebe-se pelas descrições que não se tratava de um homem, pois selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura não combinam com um rei a quem se destina um final fúnebre que foi conquistado por Nabucodonozor. Também, nenhum rei humano esteve no Éden ou jardim de Deus. O Éden descrito no texto é mineral e não vegetal como era o Éden terrestre de Adão. Também se vê que, no dia em que foi criado por Deus, ao que parece, foi-lhe atribuída alguma habilidade musical com tambores e pífaros. Este anjo foi colocado como o chefe da guarda na presença de Deus. Tal anjo cujo nome próprio não foi declarado era perfeito em seus caminhos até que em seu coração foi achada a iniquidade. Tal iniquidade é nomeada em Is. 14: 13 e 14 - "E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." Desejou ser um deus e ter um domínio para si.
O nome Lúcifer atribuído ao anjo caído não é verdadeiro e não se confirma nas Escrituras. Trata-se de um erro de tradução de S. Jerônimo na versão bíblica da Septuaginta do hebraico para o latim. Ao traduzir a expressão "... resplandecente estrela da manhã..." S. Jerônimo tomou uma locução adjetiva como substantivo e nome próprio. Em latim, "portador da luz" é "Lux ferris", por isso, a palavra Lúcifer em português. A expressão é uma alusão ao anjo querubim antes de entrar em rebelião contra Deus. Is. 14:12 a 14 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações! E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." Desta forma, a expressão 'resplandecente estrela da manhã' é uma forma gloriosa de se referir ao anjo antes de se tornar Satanás e Diabo. Também é uma das formas de se referir ao planeta Vênus, pois se parece, na Terra, a uma brilhantes estrela que é vista ao amanhecer em certas épocas do ano e ao anoitecer em outras. Os gregos chamavam de Heósforos [Ηωσφόρος] que significa Fósforo ou Tocha de Fogo. Atribuía-se o Planeta Vênus a uma divindade mitológica menor. Então, de fato, Satanás é um, Lúcifer nunca existiu e o planeta Vênus é um corpo celeste luminoso quando visto da Terra.
Por estas razões há três maneiras de se referir ao anjo caído: antes da queda era "Portador da Luz", depois da queda Satanás e Diabo. Lúcifer provém de uma expressão, não sendo, portanto, um nome próprio. Satanás provém do hebraico [שָטָן] que é transliterado como "Satã". Satanás significa em hebraico, adversário ou inimigo. Entretanto, a ideia de Satanás para os judeus não era apenas atribuída a um ser sobrenatural, mas a qualquer adversário ou inimigo humano. Diabo [διάβολος] é o equivalente grego para Satanás e significa acusador ou caluniador. Não se atribui a palavra Diabo a pessoas ou aos demais anjos caídos, porque é exclusiva de Satanás. 
II Co. 11:14 - "E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz." Vê-se que Satanás não sendo mais o anjo portador da luz, se disfarça como sendo um anjo de luz para enganar. Portanto, erram profundamente aqueles que pintam-no como um ser horrendo e feio. Ao contrário, para enganar e seduzir os homens necessita se disfarçar em anjo de luz. No livro de Apocalipse Satanás recebe outras denominações conforme Ap. 12:9 - "E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele." Tais referências estão em consonância às suas atividades maléficas ligadas ao fogo e ao engano dos primeiros ancestrais do homem no Éden.
Sola Scriptura!

terça-feira, 24 de março de 2015

VONTADE, DESEJO E LIBERDADE

Jo. 8: 32 a 36 - "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: sereis livres? Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
São inerentes à natureza humana decaída a ilusão e a mentira. Isto se dá porque a condição de morte espiritual para Deus coloca o homem em aparteísmo. Trata-se de uma falsa autonomia a qual o leva a presumir que é livre em função do que faz ou deixa de fazer. Tal falsidade autômata trai os sentidos humanos, dando-lhes uma capacidade de construção de realidades paralelas em relação à verdade.
A vontade não pode ser confundida com o desejo, porque, enquanto o desejo é o que emerge da natureza humana sem a capacidade de controle por parte do agente desejante, a vontade é a razão a serviço daquilo que é o correto e possível de ser feito. A razão está a serviço da moral, enquanto a vontade está a serviço da vida. A moral é o que uma pessoa faz ou não faz, independentemente das circunstâncias instintivas ou externas. Por exemplo, ainda que alguém pudesse ficar invisível não furtaria ou não mataria, porque furtar e matar não é moralmente correto. Ainda que alguém dispusesse de pleno poder sobre outros não forçaria a outra pessoa a lhe conceder algo reprovado pela moral. Ainda que uma pessoa não estivesse sob qualquer forma de censura alheia não adotaria uma postura obscena porque a sua moral não aceita como normal. Neste sentido a maior parte das pessoas não são pessoas morais, mas amorais e imorais, visto que agem em função das circunstâncias e não de acordo com o que a razão indica como o correto a ser feito. 
A alegoria do "Anel de Giges" na obra "A República" de Platão permite extrair algum subsídio para os conceitos de moral e razão. Um pastor de ovelhas considerado um bom homem guiava o seu rebanho. Após uma tempestade e um terremoto, se deparou com um homem morto. Percebeu que o cadáver portava apenas um anel. O pastor tomou para si o anel, colocando-o no dedo seguiu ao seu labor rotineiro. Percebeu o pastor que, quando estava em um ambiente social em companhia de diversas pessoas e manipulava o engaste do anel para dentro estas não lhe percebiam. Era como se ele não estivesse presente no local. Concluiu, assim, o pastor que o anel lhe dava a invisibilidade. A partir do momento em que constatou este fato passou a usar da sua invisibilidade para trair, matar e usurpar o poder do rei. Ora, o fundamento moral é que um homem pode aparentar ser algo ou alguém apenas porque as circunstâncias não lhes são favoráveis. Exposto em seu erro ou fraqueza poderia tornar-se objeto de restrição da liberdade no sistema vigente. Poderia ser apanhado pela lei, julgado e condenado. Entretanto, quando livre de quaisquer possibilidades de juízo faz tudo o que os seus desejos impõem.
Enquanto o desejo é algo inerente à natureza instintiva e animal, a vontade é aquilo que a razão indica como o correto e justo. A razão é o que deve ser feito, independentemente dos desejos. A razão não depende do que o homem deseja para gratificar-se e ser feliz. A felicidade é a busca pelo prazer e o afastamento das dores e sofrimentos. Portanto, nem sempre quando alguém age para ser feliz age moralmente. O homem amoral é aquele que desconhece ou ignora os princípios da razão. O homem imoral é aquele que age em sentido oposto e conflitante com a razão, ainda que seja em nome da felicidade.
No texto que abre esta instância vê-se um embate entre os líderes religiosos e o Mestre Jesus, o Cristo. Ele propõe que, se o homem conhecer a verdade experimenta a verdadeira liberdade. A isto os religiosos negaram dizendo que não necessitavam da liberdade proposta, porque eram descendência de Abraão e nunca foram escravos. Primeiro, os tais religiosos reduziram a liberdade a uma questão puramente genealógica e étnica como um qualificativo. Segundo, negaram a própria história do seu povo que foi escravo por 430 anos no Egito e depois em outras épocas e lugares nas diásporas. O religioso que não experimentou o novo nascimento toma por referência apenas suposições idealizadas por uma moral determinada pela vontade natural e não pela verdade espiritual. A verdade libertadora proposta por Jesus, o Cristo não era uma concepção filosófico-religiosa. A verdade é uma pessoa, a saber, o próprio Cristo conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Jesus, o Cristo demonstra que, além de ser ele mesmo a verdade, também, é o caminho e a vida. As implicações desta verdade é que não há redenção libertadora fora de Cristo. Tal libertação se dá quando o homem decaído é incluído na morte d'Ele, e, consequentemente, em sua ressurreição. O processo de redenção consiste na inclusão e substituição do homem contaminado pela natureza pecaminosa na cruz. Este fato, que se apropria por fé, aniquila a culpa do pecado  que o torna morto espiritualmente para Deus. A maioria dos religiosos desconhece que há três naturezas de morte: a) a morte espiritual para Deus; b) a morte física ou biológica; c) a morte para o pecado.
Fica claro que, ainda que religioso e ético, o homem continua escravo da natureza pecaminosa. Portanto, não é livre nem espiritualmente, nem racionalmente e, muito menos, moralmente. Porque tanto o desejo, a vontade e a razão estão escravizados pela natureza decaída e absolutamente depravada. Assim, o escravizado necessita de um libertador que não é contaminado por tal natureza corrompida. Este foi o projeto de Deus para libertar verdadeiramente o homem da sua condição de pecador. Incluir o pecador na morte justificadora de um libertador absolutamente puro e justo. Após tal processo, o pecador retorna à vida justificado e liberto da culpa do pecado. Ao longo da sua vida será tratado e aperfeiçoado dos atos pecaminosos até a restauração final.
Sola Gratia!