domingo, 6 de novembro de 2011

ESCATOLOGIA XXVIII

II Pd. 2: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
Igreja, nos termos do ensino bíblico, é o conjunto dos nascidos de Deus por meio de uma nova geração em Cristo conforme Ef. 2:10 - "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Vê-se, que, não somente foram gerados em Cristo, mas também gerados para as boas obras que, aliás, são de Deus, preparadas antes da fundação do mundo para que os eleitos andassem nelas. Neste sentido cada grupo que se reúne em nome do Senhor Jesus, em qualquer lugar, forma uma congregação, visto que são participantes da mesma natureza e confessam a mesma verdade. Todas as igrejas criadas pela astúcia e religiosidade dos homens portadores da natureza pecaminosa são apenas agregações de pessoas em torno daquilo que consagram e consideram como suas verdades. A religião leva o homem a forçar a entrada no céu, o nascimento do alto força o homem a entrar no céu. No primeiro a vontade escravizada pelo pecado quer fazer Deus aceitá-la; no segundo, a vontade soberana de Deus escolhe, predestina, chama, justifica e glorifica os que são d'Ele antes dos tempos eternos.
Ap. 3:8 a 13 - "Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: conheço as tuas obras, eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar, que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo. Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra. Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas."
A palavra Filadélfia provém do grego koinê 'philos' (amor, amigo) + 'adelphos' (irmão), significando, portanto, "amor fraternal". É o nome desta Igreja na Ásia Menor, e tipifica a Igreja verdadeira que atravessa a história até o retorno do Grande Rei. Muitas igrejas e seitas cristãs surgiram, ao longo dos tempos, por torpe ganância, por disputas pelo poder, por erros doutrinários, mas da mesma forma desapareceram. A Igreja-Tipo - Filadélfia -, porém, permanece, porque não é resultado de ilações, conjecturas e arranjos humanos. Esta é uma Igreja que não se contém apenas entre quatro paredes de templos, mas é o corpo de Cristo.
A esta Igreja, o Senhor Jesus se identifica como o Santo, o Verdadeiro e o que tem a chave de Davi. Estas revelações indicam que Cristo exige o padrão da Sua santidade nos seus eleitos e regenerados; que os que são seus devem crer à verdade e não às mentiras dos nicolaítas, dos seguidores de Balaão, das práticas de Jezabel, ou da Sinagoga de Satanás dentro das Igrejas. A chave de Davi é a chave da morte e do inferno mencionadas no capítulo um, onde é traçado o auto-retrato de Cristo. Davi foi um tipo de Cristo no Velho Testamento, e Jesus, enquanto homem histórico era da Casa de Davi. Assim, a chave da casa de Davi é que abriu a porta para o seu descendente vir e tabernacular o Unigênito Filho de Deus, o Leão de Judá, a raiz de Davi que venceu e o livro abrirá conforme Ap. 5:5 - "E disse-me um dentre os anciãos: não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e romper os sete selos." É Cristo quem abre a porta que conduz à vida, sendo a posse da chave, o símbolo da Sua autêntica messianidade e autoridade sobre a morte e sobre o inferno. É Ele o caminho apertado, e a porta estreita por onde os eleitos entram no descanso eterno.
Esta Igreja em Filadélfia se caracteriza pela dependência plena da Graça de Deus, porque é fraca, mas diante dela está aberta uma porta excelente. Cristo fará que os falsos "judeus" caiam prostrados diante dela e o adore. Estes falsos "crentes" estão dentro da Igreja, mas ela não é responsável pelo desvio deles. Também não é dito à Igreja que os expulse, pois eles serão julgados e destinados ao seu real lugar, a Igreja de Satanás. A razão do poder espiritual da Igreja em Filadélfia é uma só: ela guarda a Palavra de Deus, e não apenas doutrinas, regras, preceitos e normas morais. Esta Igreja não passará pela grande tribulação, mas será guardada pelo Grande Rei. A palavra utilizada no grego koinê é 'peirasmos', ou seja, provação ou tribulação. Entretanto, no texto foi precedida de um artigo definido, dando-lhe uma conotação de uma tribulação específica, a saber, a grande tribulação imposta pelo Anticristo.
Ao vencedor será dada uma coluna no Templo Eterno, ali será escrito o nome dos santificados, o nome da Cidade Santa, a Nova Jerusalém, e o nome novo de Cristo. Toda esta simbologia indica vida eterna na presença de Deus com todos os privilégios de filhos adotados por meio de Cristo conforme Jo. 1:12 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus." Nenhum homem é filho de Deus, sendo, portanto, apenas criaturas d'Ele. Tornam-se filhos quando adquirem a natureza de Cristo por meio da inclusão na Sua morte de cruz, e por meio da ressurreição juntamente com Ele para ganhar a Sua vida.
Gloria in excelsis Deo!

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