domingo, 11 de janeiro de 2009

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA IV

Apostasia em grego koiné é απόστασις (apóstasis), sgnificando "estar longe de". Não é apenas um mero desvio ou um afastamento em relação à prática religiosa. Possui sentido de um afastamento definitivo e deliberado de alguma coisa, uma renúncia da fé ou doutrina professada anteriormente. Pode manifestar-se abertamente ou de modo oculto, quando a pessoa permanece na comunidade a que pertence, porém crendo de modo contrário ou adverso ao que é aceito pelos adeptos. O povo simples e que não se dedica ao conhecimento das Escrituras imagina que um apóstata é alguém que prega coisas malignas, ou que pratica alguma religião ou seita anticristã, ou algum tipo de culto exótico. Na verdade a pior apostasia é que está dentro das igrejas, pregando doutrinas estranhas às Escrituras sagradas. Geralmente, apóstatas são pessoas de alto nível intelectual e de grande capacidade de persuasão. Não são, portanto, ignorantes e incompetentes. Entretanto, bastam cinco minutos para os nascidos do alto identificar as suas inconsistências.
II Ts. 2: 3 - "Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição..." No contexto da epístola aos tessalonicenses esta palavra é escatológica. Todavia, a luta escatológica da Igreja primitiva começou a partir do momento que Cristo foi assunto ao céu e que o Espírito Santo foi enviado à Igreja. O texto fala sobre a necessidade de os regenerados não serem perturbados por qualquer informação que fugisse ao ensino da sã doutrina, isto é, o evangelho de Cristo ou da Verdade. É informado que antes da reunião dos eleitos com o Senhor Jesus, viria a apostasia, e que seria manifesto o homem do pecado e filho da perdição. Esta é uma alusão ao anticristo, do qual muitos protótipos têm surgido ao longo da história segundo já alertava o apóstolo João em uma das suas epístolas.
Geralmente os religiosos buscam a apostasia nas religiões e seitas diferentes do seu sistema de crença. Assim, todos se acusam mutuamente de heresia, apostasia e anátema, porque só é aceito como verdade, aquela verdade particular de cada grupo. Neste sentido as Escrituras são negadas, visto que ela declara que há um só Senhor, uma só fé e um só batismo. Logo, os mesmos que se acusam, ou pelo menos, não se aceitam, estão todos no mesmo barco. Eles mesmos, por suas práticas, negam a unidade e a unicidade da verdadeira fé e da verdadeira Igreja que é o corpo vivo de Cristo.
A maior manifestação evidente da degenerescência da verdade está no evangelicalismo triunfante dos tempos atuais. Esta prática apresenta um fé inverosímel  pois não exige que o pecador creia na sua inclusão na morte com Cristo, não se prega a cruz como um princípio e um caminho interior, mas apenas como um símbolo ou emblema, não anuncia o novo nascimento com morte, mas um "novo nascimento" onde o pecador crê que ressuscitou com Cristo sem crer que tenha morrido com Ele. Este modo apóstata de apresentar o evangelho visa abarrotar igrejas institucionais por pessoas carentes, e, que buscam um Cristo quebra-galhos que resolve todos os seus dilemas. Estes apóstatas envangelicalistas triunfantes precisam de encontrar uma razão para que o homem moderno saturado das mentiras religiosas respondam às suas pregações. A partir daí, agem por meio de técnicas de marketing, ou seja, fala e oferece um mundo cor de rosa, o qual o homem orgulhoso e arrogante no pecado quer ouvir. A fórmula é como uma receita de bolo: você aceita Jesus e Ele resolve todos os seus problemas, garantindo paz, saúde, alegria, sucesso e riqueza abundante. Outro mantra muito comum em igrejas denominacionais é: aceite a Jesus e todos os seus problemas serão resolvidos.
É mentira, pois ao contrário, Jesus promete aos que o receberem que seriam odiados de todos por causa do nome d'Ele. Afirma categoricamente que seriam injuriados e perseguidos. Isto se dá pela oposição entre a natureza diabólica predominante no mundo e os nascidos de Deus conforme I Jo. 5:19 - "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Contrariamente, os religiosos enganados e enganadores pensam que podem conquistar o mundo por meio de um comportamento moral exemplar ou por meio da oferta de um Cristo-Resolve-Tudo. Este Cristo vendido nos Pegue-Pagues chamados de "igrejas" não existe. A vida cristã do tipo mar-de-rosas não existe. Qualquer perspectiva de bem-aventurança e eliminação do mal e o estabelecimento de uma ordem sempiterna e perfeita será apenas após a restauração final, quando o Grande Rei, eterno, invisível e imortal se manifestar com os milhares de milhares dos Seus santos eleitos e regenerados por Graça e Misericórdia. O que vá além disto é apostasia anematizada e anematizante.

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