julho 24, 2023

O QUE É O INFERNO? II

 

Mt. 10:28 - "E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no geena, tanto a alma quanto o corpo."
No estudo anterior tratou-se de esclarecimentos etimológicos e semânticos sobre as diferenças entre inferno, hades, sheol ou seol e gehenna. Lembrando-se que inferno, hades e sheol são termos equivalentes e se referem ao lugar onde as almas dos mortos, sem reconciliação com Deus, aguardam o Juízo Final. Vimos ainda que o Tártaro é um lugar de grandes profundezas onde estão aprisionados alguns anjos caídos ou demônios que, no passado, fizeram muito mal à humanidade. E, por fim, sabemos que Gehenna ou Geena não é o mesmo que inferno. Gehenna era uma propriedade ao sul da cidade de Jerusalém onde havia a incineração do lixo da cidade até ao tempo de Jesus, o Cristo. Por esta razão e por associação de ideia, Jesus fez referência a este lugar como figura de lugar de tormentos eternos aos que são condenados. Infelizmente, e, por força da predominância do senso comum e das tradições da religião nominal, traduziu-se para o português, Gehenna, como correspondente a Inferno. Isto causa muito mal, pois, de um lado é usado pelas religiões para meter medo nas almas ignorantes quanto à verdade, e, por outro lado, impede alguns eleitos de desfrutar a plena graça que dá o total descanso e a perseverança dos santos.
Mt. 11:23 - "E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? até o inferno descerás; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje." Neste texto, por exemplo, Jesus, o Cristo, não utilizou a palavra hades, seol ou inferno, mas uma expressão [ἕως Ἅιδου καταβήσῃ] que é "descer às profundezas", mas, possui o sentido de descer ao Hades. A tradução como inferno não tem problema, pois o texto está afirmando que os habitantes da cidade de Cafarnaum iriam para o mundo dos mortos por causa da sua incredulidade.
Mt. 16:18 - "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Neste texto, a expressão [καὶ πύλαι Ἅιδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς] significa: "... e as portas do Hades não prevalecerão contra ela." Mais uma vez Hades foi traduzido por Inferno, e, neste caso, não há qualquer problema, pois são termos equivalentes. A ideia geral do texto é que o mundo dos mortos ou dos demônios não teria qualquer força contra a verdadeira Igreja. Lembrando-se que, igreja no sentido neotestamentário não é um templo ou uma denominação religiosa, mas o conjunto dos pecadores eleitos e regenerados em todos os tempos e lugares. Estes são aqueles que creem na sua inclusão na morte de Cristo, bem como na sua ressurreição juntamente com  ele. Esta é uma operação monérgica, isto é, executada pela soberania de Deus conforme Jo. 6:44.
 Lc. 16:23 - "No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio." Este verseto foi retirado do contexto da parábola do rico e Lázaro. Enfoca o rico no Hades ou Inferno, como o lugar dos mortos [τῷ ᾅδῃ]. O rico estava em tormentos e não sendo atormentado. É óbvio que, quem morre sem a reconciliação ou justificação em Cristo, tem consciência plena que está apenas aguardando o seu julgamento final. Neste sentido é que o inferno ou hades é um lugar de tormentos para todos que estão lá. Não é o lugar que os atormenta, mas eles têm suas consciências atormentadas pela certeza da condenação. Neste sentido, quantas pessoas são atormentadas ainda em vida?
I Pd. 2: 18 e 19 - "Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito; no qual também foi, e proclamou aos espíritos em prisão." Deve-se lembrar que, o próprio Jesus, o Cristo, nos três dias após a sua morte e sepultamento, foi ao Tártaro e proclamou aos anjos caídos ou demônios. Portanto, até mesmo os demônios presos receberam a comunicação que ele é o Salvador que havia de vir para justificar os pecadores eleitos e regenerados. Verifique, no texto acima que, Jesus, o Cristo não evangelizou [ευαγγελιζειν], no Hades, mas apenas proclamou [κήρυξεν] que ele é o Redentor e Justificador dos eleitos. Esta é a vitória de Cristo sobre o Diabo e seus demônios. Vê-se ainda que o Tártaro é o lugar de prisão de espíritos e não de almas de homens. 
Sola Scriptura!
Sola Gratia! 

O QUE É O INFERNO? I

 

Mt. 25:41 - "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos."
Sempre houve grande confusão conceitual quando se trata de céu e inferno. Tal dicotomia é proveniente da visão medieval criada pela igreja dominante para manter os "fieis" pelo medo. A situação piorou bastante após a publicação da obra de Dante Alighieri - A Divina Comédia - que foi, e, em grande parte, continua sendo mal compreendida. Entretanto, esta questão não será tratada neste estudo.
Etimologicamente a palavra inferno, em língua portuguesa, provém do latim eclesial [Infernum], significando, "profundezas da Terra." No grego koinê, a língua do Novo Testamento, utiliza-se do termo correspondente a inferno, isto é, [Hades] com significação de profundezas, abismos. Era, de fato, o nome de uma entidade mitológica, irmão de Zeus, condenado a viver no submundo, porque se rebelou contra Cronos. Portanto, tanto no grego, quanto no latim traz a mesma ideia: o lugar onde habitam os mortos. Estes mortos aguardam o Juízo Final.
Nos dicionários, o verbete "inferno", apresenta diversas rubricas, porém duas são as principais para este estudo: 1. "para os cristãos, lugar em que as almas pecadoras se encontram após a morte, submetidas a penas eternas"; e,  2. "local subterrâneo habitado pelos mortos (tb. us. no pl.)." Cristãos, nascidos de novo, não creem conforme o verbete 1. Ora, todas as almas dos vivos ou dos mortos são pecadoras por natureza, por pensamentos e por atos. Portanto, há algo de estranho nessa definição dicionaresca, demonstrando o nível de influência do senso comum na cultura ocidental.
Portanto, é necessário estabelecer uma dicotomia temporal sobre o significado da palavra "inferno." A primeira significação é anterior ao Cristianismo, portanto, pré-existente nas crenças das religiões ditas pagãs. No latim, tal termo é "inferus" ou "infernus", significando "lugares baixos" ou "lugares inferiores." O uso do termo em latim é proveniente da tradução do Novo Testamento por São Jerônimo, a qual deu origem à Bíblia Vulgata. Esta forma compatibiliza-se com o termo "hades" do grego koinê, pois ambos significam abismos, profundezas, lugares inferiores e o mundo dos mortos. 
No hebraico, o correspondente a "inferno" é [Sheol] significando, o mundo dos mortos, e aparece 62 vezes no Velho Testamento. Portanto, tanto no hebraico antigo, quanto no moderno, traz a ideia de sepultura ou o lugar silencioso do corpo morto ou ainda o mundo onde se acham os mortos.
Outro termo importante a ser mencionado é [Tártaro], porque, também refere-se ao mundo inferior, às profundezas ou aos abismos. Entretanto, é o lugar onde foram encerradas determinadas categorias de anjos caídos até serem soltos no tempo do fim. A mitologia grega reforça a ideia, pois, nesta referência, o Tártaro era um lugar mais profundo que o Hades. Era destinado à prisão de deuses inferiores que foram rebeldes ou cometeram determinados crimes. No Novo Testamento, o apóstolo Pedro é o único que utiliza esta palavra conforme II Pd. 2:4 - "Porque se Deus não poupou a anjos quando pecaram, mas lançou-os no tártaro, e os entregou aos abismos da escuridão, reservando-os para o juízo." Desta forma, fica claro o porquê de o apóstolo Pedro utilizar Tártaro e não Hades. Algumas traduções bíblicas trazem inferno no lugar de tártaro. Porém, no texto grego koinê é utilizada a palavra tártaro e não hades. Isto se explica pelo fato de ser um lugar de prisão de anjos caídos ou demônios e não de almas humanas. Neste assunto, as diferenças são muito sutis e requerem muita atenção.
Finalmente, um outro termo utilizado com conotação de lugar de tormento é [Gehenna]. Esta palavra, em grego koinê, foi transliterada do termo hebraico [Ge’hinnom] o qual significa o Vale de Hinom. Esta localidade fica ao sul de Jerusalém e pertenceu a um tal de Hinom e depois ao seu filho herdeiro. No tempo de Jesus, o Cristo, era o local onde se incinerava o lixo de Jerusalém, e, portanto, estava sempre em chamas. Também era o local onde reis ímpios, tais como Acaz e Manasses, ofereceram seus filhos em sacrifício ao "deus" Moloque conforme 2 Cr. 28:3 e 33:6 - "Também queimava incenso no vale do filho de Hinom, e queimou seus filhos no fogo, conforme as abominações das nações que o senhor expulsara de diante dos filhos de Israel..." Além disso queimou seus filhos como sacrifício no vale do filho de Hinom; e usou de augúrios e de encantamentos, e dava-se às artes mágicas, e instituiu adivinhos e feiticeiros; sim, fez muito mal aos olhos do Senhor, para o provocar à ira." O Geena é citado em Mt. 5:22, 29 e 30 - "Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: tolo, será réu do fogo do geena. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no geena. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o geena." A ideia da palavra nestes e em outros textos correlatos no Novo Testamento é que pessoas perversas e não nascidas de novo irão para um lugar de tormento eterno por fogo. O tradutor da Bíblia para língua portuguesa traduziu Gehenna por Inferno. Isto é absolutamente errado e fruto da prevalescência do senso comum sobre a semântica. 
A ideia de inferno como lugar de tormento e não como um lugar provisório em que os mortos aguardam o dia do Juízo Final, foi introduzida na Idade Média para fazer  as pessoas permanecerem na igreja dominante pelo medo do tormento eterno. 
A expressão, "fogo eterno", que aparece no texto de abertura é o lugar de tormento eterno, isto é, o "lago de fogo e enxofre" citado no Apocalipse. Nada tem a ver com inferno, hades, sheol ou tártaro. 
Sola Scriptura!

julho 13, 2023

OS PECADOS PELOS QUAIS SE PODE ORAR, NÃO SÃO PARA A MORTE.

 I Jo. 5: 16 a 20 - "Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda injustiça é pecado; e há pecado que não é para a morte. Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno. Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna."
No outro estudo tecemos uma sequência de exposição bíblica e verbalização de conceitos, geralmente, ensinados de modo muito reducionista em igrejas nominais. O objetivo era demonstrar que há categorias de pecados na Bíblia e que, um deles é o que determinou a queda do homem. Muitos líderes religiosos gostam muito de utilizar este tipo de texto para meter medo e segurar as pessoas presas a um sistema a que foram submetidas por tradição ou por desespero.
É claro que não existe hirarquia ou escalonamento de pecados. Qualquer ato pecaminoso é derivado da natureza pecaminosa. Portanto, enquanto o pecado que é para a morte não for aniquilado em Cristo, os atos pecaminosos prevalecerão nas almas decaídas das pessoas. Por mais que elas sintam remorsos e busque conciliação em determinados mecanismos de culto, como por exemplo, confessar, comungar, pediir perdão, reconciliar-se com Deus em cultos elaborados para apelar ao emocionl, dar ofertas alçadas para ajudar a obra do evangelho. Isto é uma mera tentativa de retirar o pecado [harmatía] por justiça prória e por méritos. Isto não procede da obra monérgia e definitiva de Deus, em Cristo. Pode ter grande valor psicológico e social, mas não espiritual e redentivo.
Neste estudo enumerar-se-ão as outras palavras usadas no texto grego em que foi escrito o Novo Testamento:
[παραβασιs] que transliterado é [parabasis] e significa: erro, falha, transgressão, infração ou ir além do limite estabelicido na lei. Mt. 15: 2 - "Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos, quando comem." A palavra grifada tem a sua origem no termo "parabasis."
[ἀδικίαις] que transliterado é [adikiais], significando injustiças ou iniquidades. Está registrada em Hb. 8:12 - "Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados não me lembrarei mais." Observe que, no texto é dito que Deus será misericordioso com as iniquidades e não se lembrará mais dos pecados. É, claro! O pecado foi aniquilado na morte com Cristo e as injustiças e iniquidades fora curdas da alma por misericórdia e graça.
[ἀνομία] que transliterado é [anomia], a qual significa ausência de cumprimento ou desrespeito às leis, normas e regras. Há um registro em Mt. 24:12 - "...e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará." Apenas no Evangelho de Mateus a palavra anomia é equivalente a iniquidade. Traz a ideia de total desprezo ou desobediência à lei de Deus. Porém, também traz sentido de anarquia em política e direito humano. Lembrando que 'iniquidade' entende-se por falta de equidade ou equanimidade. Enfim, falta de equilíbrio.
[πορνεία] que transliterado é [porneia], e significa práticas sexuais ilícitas ou erradas. São exemplos: adultério, lascívia, prostituição, homossexualidade, bestialidade, incesto e qualquer perversão sexual. É desta palavra que provém o vocábulo pornografia. Há um registro em I Ts. 4:3 - "Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição (porneia)."
O texto de abertura afirma: "Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para a morte." Parece estranho, não? Pois se refere a irmão e não a pecador não nascido de Deus. Todavia, mesmo os eleitos e regenerados podem, embora não devessem, cometer estes atos pecaminosos. Há casos que os cometem incosnscientemente, mas, há casos que os cometem sabendo que estão errados. Isto ocorre, porque após no novo nascimento, vem o processo de descontrução da natureza pecaminosa nas almas dos  regenerados. Isto pode ser rápido em uns, medio em outros e, pior, longo em outros. O problema não está mais no espírito morto para Deus, mas na alma contaminada por atos e atitudes que precisam ser tratadas.
O mesmo texto de abertura também afirma: "sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Observe atentamente que, os nascidos de Deus, do alto ou nascidos de novo não vivem pecando. Veja o verbo pecar está no particípio passado e não no contínuo. Isto porque Deus realiza uma obra de purificação. Aquele que nasceu de Deus é Cristo. Portanto, aos que Deus gerou em Cristo que é Seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos não permanecem no domínio da natureza pecaminosa. E, por fim, é ensinado que o Diabo sequer pode tocar os eleitos e regenerados. Contrariamente, o mundo inteiro jáz no Malígno, ou seja, tudo o que não foi regenerado ou gerado de novo em Cristo continua sob o  domínio do Diabo até o julgamento final dele e seus seguidores. 
II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Alguém está em Cristo não significa na religião, mas ter sido incluído em sua morte e em sua ressurreição. Não se herda a vida de Cristo por meio de rituais, cultos e sacrifícios de tolo. É este o processo de aniquilação do pecado que matou o homem aos olhos de Deus e é este o processo de regeneração ou nova geração em Cristo. Sem ele, ninguém verá a Glória do Eterno.
Aleluia!

O PECADO PELO QUAL NÃO ADIANTA ORAR, É PARA A MORTE.

I Jo. 5: 11 a 20 - "Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o faz, porque não crê no testemunho que Deus de seu Filho dá. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna. E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. e, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos as coisas que lhe temos pedido. Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda injustiça é pecado; e há pecado que não é para a morte. Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno. Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna."
Neste estudo, não se pretende esgotar o assunto, até porque ele não se esgota. Trata-se de um recorte do assunto abordado pela doutrina denominada Hamartiologia. O nome da doutrina é procedente de dois termos no grego koinê: [αμαρτíα] + [λογία] que, transliterados para caracteres latinos são: [hamartía] e [logía], respectivamente, pecado e estudo. Isto posto, simplificadamente, para que se saiba que existe a doutrina teológica que estuda a origem, natureza, causa e consequências do pecado. 
Portanto, este é um assunto permanentemente verificado, estudado, pregado e negligenciado na cristandade nominal e apenas religiosa. 
A primeira questão é, mesmo sendo atentamente estudado, o pecado não é compreendido claramente por pecadores. Obviamente, suas naturezas contaminadas os impedem de compreendê-lo espiritualmente. Compeendem-no apenas intelectualmente ou almaticamente. O intelecto, a partir da capacidade cognitiva de cada um pode estabelecer lógica, ilações, inferências e afirmações muito convincentes. Já a alma permite ao homem, estabelecer apenas uma conclusão emocional, e, por vezes, pacional para o pecado. Em alguns casos afirmando-o, em outros, negando-o, relativizando, assim, suas causas e efeitos. 
A compreensão espiritual e plena sobre o que é o pecado só se completa por revelação. E, revelação é dom espiritual concedido aos eleitos e regenerados, os quais  nasceram de novo. Não que estes sejam mais elevados, perfeitos, ou mais isso ou mais aquilo. Porque a revelação está centrada na Soberania, na Graça e na Misericórdia de Deus. É, portanto, Monérgica! 
É senso comum nas denominações puramente religiosas resistir ao ensino completo do pecado. Quando são demonstradas as diferentes categorias de pecados revelados nas Escrituras, os religiosos, imadiatamente, rechaçam-na dizendo: não existem pecadão, pecado e pecadinho! E completam dizendo: pecado é pecado. É verdade, todos são pecados! Entretanto, existem sim, categorias bíblicas. Este é um problema da língua portuguesa, a qual possui uma única palavra para o vocábulo pecado. Entretanto, existem 5 vocábulos diferentes para pecado no grego neotestamentário. Todos com funções semânticas e gramaticais diferentes. Também, pela mesma razão, o texto de abertura esclarece que há pecado para morte e pecado que não é para morte. Portanto, são estabelecidas categorias!
Todavia, apenas uma dessas categorias se enquadra no pecado que separa o homem de Deus conforme Is. 59: 1 e 2 - "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça." Veja, são os pecados dos homens que fazem a separação. A separação é entre os pecadores e Deus, não entre Deus e o pecador. Observar a ordem do ensino é fundamental.
No texto de abertura, verso 16, reza no greto koinê que se alguém ver o irmão cometendo pecado que não é para a morte, deve orar para que seja perdoado e curado espiritualmente. O interessante é que, tanto a palavra pecado, quanto a palavra morte, são na língua do novo testamento: [ἁμαρτίαν] = [hamartían] e [θάνατον] = [thanaton]. Ou seja, é pecado no sentido de natureza pecaminosa que separa o homem de Deus; e, morte no sentido de separação eterna de Deus. Não se tratando, portanto, de morte biológica. É "morte" espiritual!
Foi exatamente esta categoria de pecada que Jesus, o Cristo veio tirar do mundo conforme Jo. 1:29 - "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." É usada no registro do apóstolo João, o mesmo termo grego "amartían" para designar o objeto final da obra de Cristo na cruz. É esta a única categoria de pecado que foi aniquilado na morte de Jesus, o Cristo, na cruz de acordo com Hb. 9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." A mesma categoria de pecado foi utilizado pelo autor do livro de Hebreus neste texto.
É, exatamente, esta mesma categoria de pecado que deu origem à queda do homem. Isto fica, perfeitamente claro no texto de Jo. 16:9 a 11 - "E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais, e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado." A ênfase está no verso 9, o qual mostra com clareza que esta categoria de pecado é a incredulidade. Não se trata aqui de os judeus não aceitarem Jesus como o Messias esperado. Mas, de não crerem em Jesus, como Deus. Acaso, não foi o mesmo que aconteceu no Éden, com o casal ancestral? Eles foram incrédulos ao que Deus ordenara. E o pior, foram crédulos ao que Satanás sugerira. Portanto, o pecado que separa o homem de Deus e que o conduz à separação ou morte eterna é a incredulidade. É não crer na Palavra de Deus. Ele e a Sua Palavra se resumem na mesma essecialidade espiritual.
As demais categorias de pecados são os atos pecaminosos, os quais são consequências da natureza pecaminosa residente e persistente no homem decaído. É isso que o religioso normatizado pela religião padrão e apassivado pelo erro, não consegue receber como verdade. Esta não é a verdade de homens, mas toda ela revelada nas Escrituras. Por que, então, não pode ser enxergada e crida? Porque, para tanto é necessário nascer de novo. Esta questão está doutrinada por Cristo em Jo. 3.
Lembre-se, a fé não é uma mera declaração, uma concepção filosófica ou uma sentença teológica. A fé que liberta o homem pecador da condição de condenação eterna é, ver o invisível, tocar no que não é materialmente concreto e confiar que a Palavra de Deus é a verdade. Esta obra é monérgica, isto é, concedida por Graça e Misercórdia de Deus. Não é uma virtude humana conforme fica bem explicado em Ef. 2: 8 a 10.
Sola Scriptura!

junho 11, 2023

FERIR E FALAR À ROCHA, UMA SUTIL DIFERENÇA

 

Dt. 32: 49 a 52 - "Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que eu dou aos filhos de Israel por possessão; e morre no monte a que vais subir, e recolhe-te ao teu povo; assim como Arão, teu irmão, morreu no monte Hor, e se recolheu ao seu povo; porquanto pecastes contra mim no meio dos filhos de Israel, junto às águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim, pois não me santificastes no meio dos filhos de Israel. Pelo que verás a terra diante de ti, porém lá não entrarás, na terra que eu dou aos filhos de Israel."

O texto que abre este estudo tem causado, em diversos cristãos, uma sensação de desconforto com requinte de injustiça ou, no mínimo, de enorme severidade da parte de Deus em relação a Moisés. Isto acontece, porque o homem natural tem a tendência de julgar Deus com base no próprio senso de justiça humana. Ou seja, o homem sempre pensa em justiça das seguntes formas: justiça retributiva e justiça distributiva. Enquanto a justiça retributiva se firma na aplicação  dos rigores da lei contra o erro, a justiça distributiva se apoia no constructo de como as pessoas avaliam a distribuição de bens e direitos, ou seja, a cada um retribui-se conforme seu esforço ou mérito. Desta forma, a maioria julga que Deus deveria ter sido mais justo ou mais brando com Moisés em função da sua extensa folha de serviços prestados ao longo da travessia do Egito a Canaã. Porém, a questão é bem mais profunda que epidérmica como supõe a maioria a qual vê apenas pelas lentes da alma e não pela profundidade da Palavra de Deus.
As Escrituras utilizam símbolos e tipos para apontar para Cristo e seu sacrifício vicário na cruz. Enquanto os símbolos acontecem uma única vez e guardam maior similitude com o que é simbolizado; o tipo ocorre diversas vezes e guarda menor similitude com o seu antítipo. Nos textos que rezam sobre a ação de Moisés para obter água para o povo, o termo utilizado é sempre rocha e não pedra. Isto porque é utilizado o vocábulo rocha em hebraico antigo [צּוּר] "TSUR". Esta rocha simboliza Cristo.
Ex. 17:4 a 6 - "Pelo que Moisés, clamando ao Senhor, disse: que hei de fazer a este povo? daqui a pouco me apedrejará. Então disse o Senhor a Moisés: passa adiante do povo, e leva contigo alguns dos anciãos de Israel; toma na mão a tua vara, com que feriste o rio, e vai-te. Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe; ferirás a rocha, e dela sairá água para que o povo possa beber. Assim, pois fez Moisés à vista dos anciãos de Israel." Neste primeiro episódio, diante da murmuração do povo, Moisés busca a orientação de Deus para saber como proceder e fornecer água. Deus, então, ordena a Moisés que leve alguns homens mais velhos e a vara com a qual já havia produzido milagres. A ordem era para que Moisés ferisse a rocha. Assim procedeu Moisés e a rocha jorrou água. Sabe-se que a rocha, neste caso, é um tipo de Cristo ferido e moido pelos pecados dos eleitos e regenerados. 
São diversos textos veterotestamentários que fazem referência a Cristo como a rocha. Um exemplo é o que consta em Hc. 1:12 - "Não és tu desde a eternidade, ó Senhor meu Deus, meu santo? Nós não morreremos. Ó Senhor, para juízo puseste este povo; e tu, ó Rocha, o estabeleceste para correção."
Nm. 20: 7 a 11 - "E o Senhor disse a Moisés: toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha perante os seus olhos, que ela dê as suas águas. Assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. Moisés, pois, tomou a vara de diante do senhor, como este lhe ordenou. Moisés e Arão reuniram a assembléia diante da rocha, e Moisés disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes! Porventura tiraremos água desta rocha para vós? Então Moisés levantou a mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu água copiosamente, e a congregação bebeu, e os seus animais." Neste segundo momento, Deus orienta a Moisés que vá com Arão, seu irmão, e a congregação de Israel, e que apenas falasse à rocha para que esta jorrasse água. Entretanto, Moisés feriu a rocha por duas vezes. 
Foi neste segundo episódio que Moisés gerou a sua própria punição. Visto que, no primeiro momento, a ordem era para que se ferisse a rocha, porque a mesma simbolizava a morte de Cristo para justificação de pecadores. No segundo momento, a ordem era que Moisés falasse à rocha, porque agora não mais simbolizava o sacrifício inclusivo e substitutivo de Cristo. Agora Cristo já havia justificado os pecadores eleitos e, portanto, não poderia mais morrer para justificá-los. Falar à rocha, neste caso, traz o sentido de graça e de uma relação reconciliada do pecador justificado com o seu justificador. É na oração que os filhos de Deus têm a liberdade de falar e expor suas dores e demandas ao Pai por meio de Cristo. 
A situação de Moisés se agravou, porque feriu a rocha, na segunda vez, por duas vezes, não crendo na palavra de Deus. Paulo ensina sobre o fato de a morte de Jesus, o Cristo ser apenas uma única vez conforme Hb. 9: 24 a 26 - "Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Alguns fazem objeções a este ensino, porque afirmam que os fatos ocorreram em lugares diferentes, e as rochas eram diferentes. Todavia, pode-se afirmar que  os lugares diferentes indicam o Cristo como justificador em sua morte de cruz e o Cristo intercessor que ouve os seus eleitos e apresenta suas orações ao Pai. Quanto a rocha, era a mesma, pois sabe-se que, durante a travessia de Israel do Egito para Canaã, a nuvem representou o Pai, a coluna de fogo representou o Espírito Santo e a Rocha representa o Filho, a saber Jesus, o Cristo. Isto é ensinado por Paulo em I Co. 10:1 a 4 - "Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés, e todos comeram do mesmo alimento espiritual; e beberam todos da mesma bebida espiritual, porque bebiam da rocha espiritual que os acompanhava; e a rocha era Cristo."
Sola Scriptura!

agosto 05, 2022

O SEU VELHO HOMEM FOI CRUCIFICADO?

 

Rm. 6: 11 a 16 - "Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como redivivos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum. Não sabeis que daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos desse mesmo a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?"
A expressão velho homem é utilizada pelo apóstolo Paulo no capítulo 6 de Romanos, no verso 6 - "...sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado." Não se trata da crucificação de um homem idoso, como fazem nas Filipinas, na semana chamada santa. Não é homem velho, mas velho homem. Isto indica que se trata da velha natureza adâmica contaminada pelo pecado original, a saber, a incredulidade. O significado do ensino deste versículo 6 é que, os eleitos foram incluídos na morte com Cristo. Esta verdade se apropria por fé, pois ninguém, dos tempos atuais, estava lá no ato da crucificação. Os que presenciaram a crucificação também não foram fisicamente crucificados, exceto, os dois malfeitores. Um deles creu, enquanto o outro desafiou e proferiu impropérios típicos da mente incrédula. A finalidade da pregação do evangelho é apenas esta: despertar os eleitos para crer que foram incluídos na morte com Cristo, bem como, na ressurreição juntamente com ele. 
O verso 11 do texto de abertura reza que o eleito e regenerado deve crer, considerando que morreu com Cristo, e, que, n'Ele foi vivificado para Deus. A vivificação só se faz real, quando alguém foi morto. Atualmente, e por porfia, muitos passaram a falar sobre 'novo nascimento.' Todavia, como se pode pregar sobre nascer de novo, se não podem pregar sobre a inclusão na morte com Cristo? Tolo é o religioso que possui a crendice que Jesus foi crucificado apenas para substituí-lo na cruz. Ora, ele não tinha natureza pecaminosa, e, portanto, a sua morte sem pecado, não aniquilaria um pecado inexistente. Ele morreu, incluindo todos os eleitos e predestinados para matar as suas natureza mortas para Deus conforme Jo. 12: 32 e 33. Com este ato de Justiça perfeita, aniquilou o pecado de muitos conforme Hb. 9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." 
Quando o texto que abre esta instância afirma: "não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de iniquidade." Não é uma sugestão ou imposição legal para que os eleitos se esforcem para não cometer erros ou atos pecaminosos. O texto trata de uma questão de natureza. Ou seja, os que morreram com Cristo e com Ele ressuscitaram, não possuem mais a natureza para servir continuamente aos desejos carnais. Eles não têm mais natureza para se sentir felizes na natureza pecaminosa ou velha natureza adâmica. É como a diferença entre a largarta e a borboleta. Quando era apenas a lagarta possuía natureza devoradora, e, dependendo da espécie, liberava ácido altamente venenoso. Porém, quando metamorfoseou-se em borboleta, tal inclinação desapareceu. Agora se alimenta apenas do nectar das flores e se transformou em uma criatura leve, suave e dócil.
Portanto, o texto não está autorizando legalismos, méritos, ou lei do esforço e da justiça própria para alcançar a redenção. Ensina, outrossim, que o pecador eleito, agora regenerado, está disponibilizado para que suas potencialidades, habilitades e competências sejam usadas pelo Espírito de Cristo. Não estão mais a serviço da carne e de interesses mundanos e fúteis. Aqueles que, não podem crer e vivem oferecendo seus membros à natureza pecaminosa, sentem-se felizes com isso, óbvio, não são nascidos de novo. Devem, sim, aproveitar e se deleitar no que os faz felizes, pois sua alegria será apenas esta e apenas neste mundo. Não terão partipação no mundo vindouro.
Afinal, a serviço de quem estão os seus membros e os seus desejos? Pois, àquele a quem servirem, do mesmo serão servos ou escravos.
Sola Gratia!

agosto 04, 2022

E, RELIGIÃO, O QUE É? III

 

Tg. 1: 26 e 27 - "Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo."
Já se sabe que religião é um artifício humano por meio do qual tenta-se aproximação com o sobrenatural. Por sobrenatural entende-se qualquer suposta divindade ou ente do domínio invisível. Não, necessariamente, tal aproximação é com o Deus Soberano, Único, Onisciente e Onipotente. Justamente, porque, tal aproximação com este Deus, só é possível após o novo nascimento por meio de Jesus, o Cristo conforme Cl. 1:22 - "... agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis ..." É nestas condições que o homem pecador, porém, gerado de novo em Cristo, pode ser apresentado diante de Deus. Estes qualificativos espirituais não são próprias do pecador regenerado, mas, de Cristo que o reveste da sua própria santidade. Portanto, quando Deus olha para os eleitos e regenerados, Ele não os vê, mas vê a justiça de Cristo que os reveste. Eles não são justos em si e por si mesmos, mas são justificados em Cristo. Este é o mistério que a maioria das pessoas não conhece.
Religião é uma palavra que pouco aparece nas Escrituras, especialmente, no Novo Testamento. A palavra grega do texto neotestamentário para religião é [θρησκεία] que, transliterada é [threskeia]. Este vocábulo, pouco ou nada tem a ver com religião no sentido atual. No texto de Tiago 1, versos 26 e 27, este vocábulo significa, realmente, adoração, culto, temor e tremor. É proveniente de um substantivo feminino, o qual significa em grego koinê, 'adoração, aquilo que consiste de cerimônias, disciplina religiosa em si'. Portanto, o que o apóstolo estava tratando, em sua epístola, era de aspectos espirituais de adoração e culto a Deus. Não se tratando, portanto, de religião institucional ou de denominação religiosa. A questão se circunscreve na esfera da pobreza das traduções para a lingua portuguesa e não de respaldo bíblico à religião.
Em At. 25:19 - "... tinham, porém, contra ele algumas questões acerca da sua religião e de um tal Jesus defunto, que Paulo afirmava estar vivo." A palavra do texto grego koinê que foi traduzida como religião neste versículo é [δεισιδαιμονίας] que, transliterada, é [deisidaimonias]. Tal vocábulo significa, de fato, superstição e não religião.  Logo, a palavra possui sentido místico e de crendice. Já em At. 26:5 - "... pois me conhecem desde o princípio e, se quiserem, podem dar testemunho de que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu." É utilizada a mesma palavra grega koinê de Tg. 1: 26 e 27. A qual também foi traduzida como religião. Todavia, traz significação de culto e adoração no judaísmo.
Por uma questão de honestidade, nem mesmo a palavra Cristianismo deveria ser entendida como a designação de uma religião. O termo cristão só foi utilizado pela primeira vez em Antioquia, na passagem do século I para o séuclo II da Era Comum, conforme At. 11:26 - "... e tendo-o achado, o levou para Antioquia. E durante um ano inteiro reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente; e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos." E, ainda assim, o setido da palavra cristão, neste texto, é o de que os discípulos agiam e ensinavam semelhante a Cristo. Não se tratando, portanto, de um aspecto religioso institucional.
Desta forma, nem Deus, nem Jesus, o Cristo, fundou qualquer religião. Os discípulos, chamaram a doutrina de Cristo de "O Caminho." Isto está registrado em At. 19 e At. 24. Logo, o verdadeiro evangelho, nada tem a ver com religião humana. Outrossim, tem a ver com o ensino procedente de Deus e revelado aos Cristo. Este, por seu turno, o ensinou aos discípulos, os quais vieram a se tornar apóstolos após as suas conversões.
Soli Deo Gloria!

julho 29, 2022

E, RELIGIÃO, O QUE É? II

 

Tg. 1:26 e 27 - "Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo."
Muitas religiões ou sistemas de crenças dão mais valor ao 'modus vivendi' do que à 'veritas evangelica'. Estão presos pelos laços de como se deve vestir, o que se deve comer, o que se pode e o que não se pode fazer e dizer. Criam novas ordenanças, além das duas deixadas por Cristo: a eucaristia e o batismo. Os membros destes sistemas de crenças são privilegiados, respeitados e consultados, proporcionalmente, ao cumprimento dos dogmas, preceitos, ritos e regras morais. Quando algum deles falha, é preterido, julgado, maltratado e, por vezes, defenestrado do tal sistema.
A diferença entre religião e seita consiste apenas no fato de que, na primeira, presume-se seguir uma divindade e, na segunda, um homem, líder, guru ou guia. Entretanto, ambas são reduzidas a um esforço humano para tentar conquistar o sagrado e o sobrenatural. Tal esforço resulta da natureza decaída que, ingloriamente, tenta religar-se a um 'deus' ou a uma força sobrenatural.
Os religiosos esperam que, como consequência de posições e cumprimento de um programa baseado no mérito e na justiça própria, alcançarão a reputação de pessoas réprobas e superiores. Ora, Jó foi apontado pelo próprio Deus como sendo um servo reto, íntegro, temente e que se desviava do mal. Todavia, foi moído pelo Diabo com a anuência de Deus. Perdeu tudo o que possuía, e, por fim, revelou sua real natureza pecaminosa imanente. Alguns falam na famigerada "paciência de Jó", mas, nunca leram o texto sobre sua vida, sofrimento e conversão. Jó não foi paciente! Jó parecia uma pessoa paciente, enquanto as circunstâncias lhes eram favoráveis materialmente. Quando foi colocado em cheque revelou o que havia no mais escuro da sua alma contaminada pelo pecado. Jó 34: 5 e 6 - "Pois Jó disse: sou justo, e Deus tirou-me o direito. Apesar do meu direito, sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão." A partir do capítulo 38, observa-se Jó em silêncio diante de Deus, ouvindo as perguntas do Criador e não podendo respondê-las. Nos capítulos finais encontramos Jó confessando sua própria situação conforme Jó 42:5 e 6 - "Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza."
O apóstolo Tiago demonstra sua posição sobre a religião, como exposto no texto que abre este estudo. Reduz a religião a uma mera prática social de caridade como sendo a expressão de pureza e imaculada religião aos olhos de Deus. O texto define o que, de fato, é ser religioso. Nada tem nele que indica esforço, mérito e justiça própria como meios de convencer Deus a salvar alguém. Estas realidades são da dimensão horizontal, enquanto as verdades reveladas no evangelho da cruz, são da dimensão vertical. É Cristo quem aceita o pecador, e não o contrário, como se vê nos apelos religiosos. É Deus quem conduz o pecador até Cristo, para nele, incluí-lo em sua morte conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia."
É Cristo quem atrai o pecador a si, na cruz, para matar a sua natureza pecaminosa e trazê-lo à vida eterna na ressurreição conforme Jo. 12:32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." A partir destas verdades, o novo nascido, pode afirmar o que consta de Gl. 2: 19 e 20 - "Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." A lei afirma que a alma que pecar, esta morrerá de acordo com Ez. 18:4 - "Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá." Como todas almas são, por natureza e atos, pecaminosas, logo todos estão mortos para Deus. Entretanto, por meio de Cristo, aprouve a Ele redimir alguns, justificando-os na morte do seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos. Isto é verdade evangélica e não religião humana!
Solus Christus!

julho 28, 2022

E, RELIGIÃO, O QUE É? I

Tg. 1:26 e 27 - "Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo."
Etimologicamente, religião provém dos seguintes verbos em latim: 'religare', 'religatio' e 'relicare'. Todos trazem, na essência, a ideia de religação. Em síntese, o latim tomou os substantivos derivados 'religìo' e 'religiónis' com significação de 'culto religioso, práticas religiosas'. Portanto, trata-se apenas de esforço humano em busca de se religar a Deus. Todavia, isto se dá no sentido oposto à ordem espiritual da redenção, isto é, de baixo para cima. No campo espiritual, a ação é sempre de cima para baixo, ou seja, de Deus para o homem. Tal busca expressa a necessidade humana, como consequência do desligamento espiritual entre a criatura e o Criador após a queda. A queda foi a consequência da incredulidade no que Deus afirmara. Imaginando encontrar autonomia, os ancestrais humanos acharam a natureza pecaminosa. Tornaram-se escravos, e, quem é escravo do pecado, não é livre conforme Jo. 8:34 - "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." O pecado a que alude o texto, não é uma referência aos atos morais falhos, mas à incredulidade de acordo com Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não crêem em mim." No texto grego neotestamentário, a mesma palavra "hamartiós" é utilizada para estes dois últimos textos com significado do pecado como incredulidade. Isto indica que o pecado separou o homem de Deus e o fez morrer espiritualmente, isto é, morrer para Deus. É este desligamento que o homem tenta reestabelecer por meio do esforço religioso.
Conceitualmente, pode-se dizer que religião é: "crença na existência de um poder ou princípio superior, sobrenatural, do qual depende o destino do ser humano e ao qual se deve respeito e obediência." Pelo próprio teor do conceito se vê que não é uma ação que parte de Deus em direção ao homem. Portanto, confirma-se o fato que religião é uma mera tentativa humana de alcançar Deus espiritualmente. Ainda, conceitualmente, qualquer tipo de crendice pode ser definida como religião. Deus nada tem a ver com religiões. Elas são absolutamente humanas. Deus não oferece religião, mas, unicamente o seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos.
Nas Escrituras a palavra religião é citada apenas 2 vezes, sendo que, dependendo da versão da Bíblia, pode ainda aparecer uma vez mais. Jesus, o Cristo nunca fez menção à palavra religião. O primeiro texto a se referir à religião é o de Tiago 1: 26 constante da abertura deste estudo; o segundo encontra-se em em At. 25:19 - "...tinham, porém, contra ele algumas questões acerca da sua religião e de um tal Jesus defunto, que Paulo afirmava estar vivo." Ve-se, no entanto, que é uma terceira pessoa quem menciona a palavra religião como sendo relacionada ao apóstolo Paulo. Porém, no texto original o que, eventualmente, é traduzido como religião, é de fato, superstição. A palavra no grego original é "deisidaimonia", a qual é um substantivo feminino. Trata-se de uma citação pejorativa a que judeus e romanos concebiam sobre a fé cristã. Não portava qualquer peso como uma prática aceita. E, ainda se refere a Jesus, o Cristo ressurrecto como defunto. Ou seja, não criam que Jesus era Deus, e, muito menos que houvera ressuscitado e ascendido aos céus.
At. 26:5 - "...pois me conhecem desde o princípio e, se quiserem, podem dar testemunho de que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu." Neste texto, o próprio apóstolo Paulo faz referência ao judaísmo farisaico como uma seita da sua religião. 
Por fim, o texto que abre este estudo deixa clara a posição cristã do primeiro século sobre religião. Reduz a prática religiosa ao mero exercício de caridade e de recato moral. Não estabelece qualquer relação espiritual capaz de justificar o homem decaído e portador da natureza pecaminosa. Por outras letras, não possui poder redentivo ou salvífico.
Sola Fide!

julho 27, 2022

O EVANGELHO PURO III

Lc. 16:16 - "A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele."

O evangelho puro é o evangelho do reino. Por tal propositura é indicada, não apenas, a origem, mas também que o evangelho não é exclusividade de religiões ou dos sistemas de crenças humanos. O famigerado evangelho que se propala nestes meios é o evangelho do homem, pelo homem e para o homem. Nestes processos, a mera citação dos textos escriturísticos serve apenas para dar falsa legitimidade àqueles que presumem pregar o evangelho. Utilizam-se das Escrituras para justificar suas posições humanas. Entretanto, o evangelho puro não é uma questão de posicionamento, mas de relacionamento com o Reino de Deus. O homem decaído e sem a graça, não pode se posicionar, e, muito menos, se relacionar com o reino de Deus. Isto porque, não se pode apoderar dele à força. Muitos tentam, ingloriamente, esta façanha.

Foi dito por Cristo que, o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido em um campo, que alguém achou e o escondeu. E, pela alegria de tê-lo encontrado, vende tudo o que possui e compra aquele campo. Ver e entrar no reino de Deus é apenas para os que nascerem do alto conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Nascer de novo é, no texto grego neotestamentário, nascer do alto. Isto indica que é uma ação inteiramente monérgica, ou seja, que inicia e termina em Deus. O ensino destes versetos é que sem nascer do alto, ninguém poderá ver ou entrar no reino de Deus. Nascer da água e do Espírito é o processo de ouvir a mensagem da cruz e receber a Graça para crer por meio da revelação do Espírito conforme Jo. 16:9.

Jesus, o Cristo, invariavelmente, se referiu ao evangelho puro como sendo 'evangelho do reino ou evangelho dos céus'. Isto é muito significativo, porque, o evangelho é revelação sobrenatural e não artifício elaborado pelo homem. Ele é o poder de Deus conforme I Co. 1:18 - "Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus." Este evangelho chula que acrescenta sempre algo que o homem deve fazer para ver e entrar no reino de Deus, é, no mínimo, cínico. Visto que as Escrituras não corroboram com qualquer participação do homem em termos de méritos e de justiça própria.

O texto que abre esta instância afirma, peremptoriamente, que a lei e os profetas duraram até a manifestação de João, o Batista. A partir deste ponto é anunciado o evangelho do reino de Deus. Entretanto, a maioria dos sistemas de crenças dos dias atuais prega prosperidade, curas, libertações e revelações proféticas que só existem no ideário destes paroleiros. Também há aqueles que misturam lei e graça, tentando, ingloriamente, atribuir ao homem decaído e pecaminoso algum mérito ou justiça própria. A lei foi, tão somente, o aio, isto é, o professor para ensinar ao homem que não é possível cumpri-la por conta própria, todo o tempo. O novo testamento afirma que a lei não salva. Jesus veio mostrar que é pela graça mediante a fé que se recebe a redenção. Se é pela graça, logo, o homem nada pode oferecer pela sua justificação.

Jesus, o Cristo veio para realizar aquilo que a lei não pode fazer conforme Hb. 10: 9 e 10 - "...agora disse: eis-me aqui para fazer a tua vontade. Ele tira o primeiro, para estabelecer o segundo. É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre."

O evangelho predominante nestes tempos é o que dilui a verdade misturando-a à lei e aos esforços humanos. Neste sentido, estão os religiosos agindo como agiram os da Igreja da Galácia conforme Gl. 3:1 a 3 - "Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado? Só isto quero saber de vós: foi por obras da lei que recebestes o Espírito, ou pelo ouvir com fé? Sois vós tão insensatos? tendo começado pelo Espírito, é pela carne que agora acabareis?"

Sola Gratia!