segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS VII

Fl. 4: 6 e 7 - "Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus."
Há no meio cristão muita soberba e arrogância religiosa. Entenda-se por 'meio cristão', a cristandade genérica, o cristianismo nominal, as igrejas institucionais, que em nada têm a ver com o evangelho de Cristo. Não se pode confundir práticas humanistas e religiosas com a verdade do evangelho de Cristo. A Igreja, enquanto o corpo de Cristo, não se encontra encastelada entre quatro paredes, nem exibe pompa e circunstância. É, ao contrário, formada por uma gente basicamente anônima e sem prestígio social, intelectual, político, e econômico. Os crentes regenerados são ilustres desconhecidos que não saem nas colunas sociais, nem da grande, nem da pequena mídia. O evangelho da verdade não se constitui de preceitos, regras, normas engendradas por homens, que, utilizando-se das Escrituras querem legitimar aquilo que desejam impor aos outros, e ao mundo como suas verdades. Cristo não está nisto! Ele permanece de fora, ainda que à porta como na Igreja de Laodiceia conforme Ap. 3:20 - "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." Não se trata neste texto, e no contexto em que ele aparece, de Cristo implorando para entrar na casa de alguém, ou mesmo na vida íntima de uma pessoa, mas trata-se da comunhão com a Igreja. Muitos evangelicalistas usam este texto para pregar sobre salvação, dando uma conotação absolutamente errônea a ele. O texto retrata uma falha na relação entre a Igreja e o Senhor Jesus, o Cristo, pois ela estava apoiada em sua riqueza. Identifica as  Igrejas que dispensam o evangelho de Cristo, trocando-o por práticas esotéricas, como também exotéricas. Porque, ora são restritas e fechadas, ora são divulgadas para atrair os incautos.
O cristão autêntico, a saber, que foi regenerado por meio do nascimento do alto, passa por diversas dificuldades, envelhece, adoece, e morre. É fundamental entender isto, porque este falso evangelho triunfalista que pregam por aí, mostra, não um cristão, mas uma espécie de semi-deus. É impingido ao mundo que o crente pode tudo, sabe tudo, e faz tudo acontecer na hora que quer. Esta triste realidade faz parte da mentira religiosa a que as pessoas são submetidas de acordo com o programa diabólico. Os pregadores destas mentiras são como o rei Midas, tudo o que tocam vira ouro. Curam todas as doenças, expelem quaisquer demônios e solucionam todos os problemas financeiros e amorosos. Não é isto que o evangelho ensina! Estas coisas atraem muita antipatia e perseguição, porque colocam os religiosos como melhores do que os outros e diminuem as pessoas que não são dos seus círculos. Neste caso, não é perseguição dos incrédulos ao evangelho, mas de religiosos que se fazem perseguidos.
O que o texto de abertura mostra é que os nascidos de Deus não devem andar preocupados, ou seja, permanecer na ansiedade, mas colocar tudo diante de Deus em oração de súplica, sempre dando graças a Ele por tudo. O normal na religião é: agradecer quanto tudo sai como o religioso quer, e desconfiar e duvidar quando as coisas saem como Deus quer. Não há, aos olhos de Deus, o bem e o mal, mas tudo o que procede da vontade d'Ele é bom, perfeito, e agradável. Os homens é que dicotomizam as coisas em boas e ruins. Esta é uma triste herança da doutrina maniqueísta da antiga Pérsia.
Após lançar todas as ansiedades diante de Deus e agradecê-Lo por tudo, o resultado é a paz verdadeira, ou seja, o descanso na graça. Isto é algo que está acima de qualquer entendimento humano. Não é natural, mas sobrenatural!
É muito comum ver em adesivos de automóveis, ou mesmo, postado em redes sociais na internet pessoas dizendo: "posso todas as coisas naquele que me fortalece." Ora, tais pessoas estão utilizando esta porção das Escrituras como uma espécie de amuleto para ver se as coisas melhoram para elas. Na realidade esta passagem é a conclusão da experiência do apóstolo Paulo em sua prisão, dor, e sofrimento. O verso anterior diz: "Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade." Ele pode passar por todas estas coisas, porque agora foi regenerado e adquiriu experiência para dar graças em tudo. Não é como esses bastardos "espirituais" que, na primeira dificuldade, acusam Deus de tê-los abandonado. Isto quando não inventam algum pecado cabeludo para explicar algum castigo divino. Entram por um caminho de culpa e auto-piedade que não resolvem os problemas das suas naturezas pecaminosas. Quando o cristão é nascido de Deus ele sabe ter abundância, como ter necessidade, fartura, ou escassez. Em todas estas circunstâncias, rende sempre graças a Deus. Esta é a oração ensinada nas Escrituras conforme I Ts. 5:18 - "Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco."
Pergunta-se: é fácil obedecer a este evangelho? Não, é impossível ao homem natural, mas tudo o que é impossível ao homem, é possível a Deus. Por esta razão é que há um redentor, pois o homem não pode por conta própria.
Sola Gratia!

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