quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS II

Lc. 18: 1 a 8 - "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer. dizendo: havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens. Havia também naquela mesma cidade uma viúva que ia ter com ele, dizendo: faze-me justiça contra o meu adversário. E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, todavia, como esta viúva me incomoda, hei de fazer-lhe justiça, para que ela não continue a vir molestar-me. Prosseguiu o Senhor: ouvi o que diz esse juiz injusto. E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?"
Sabe-se que orar é falar, dizer, pedir, suplicar, pronunciar algo a alguém. Não é um monólogo, ou um solilóquio, mas um diálogo. Em se tratando da relação homem-Deus, é também um ato de adoração, pois o verbo adorar procede do latim 'adorare' e quer dizer orar, pedir orando, adorar. A questão é,  muitos religiosos oram e adoram de modo errado, pois tentam falar e adorar a quem é Espírito, por meio da adoração carnal. Denomina-se de adoração ou oração carnal, àquela que é feita com base nos sentimentos, circunstâncias, e desejos do coração. Quando se fala em carne, ou carnalidade, fala-se, de fato, nas sensações almáticas, a saber, produzidas pela alma. Não é uma referência às necessidades fisiológicas, ou seja, do corpo físico. É algo mais sensorial e ligado à natureza decaída do homem.
O texto sagrado afirma categoricamente em Jo. 4:24 - "Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." Sendo Ele Espírito puro, santo e justo, como pode o homem natural querer adorá-lo por meio da oração na carne? Vê-se que são exigidas duas condições: adorá-lo em espírito e em verdade. Sabendo-se que o espírito do homem está morto para Deus por causa da natureza pecaminosa e que a verdade é uma pessoa, e não um conceito, torna-se absolutamente frustrante a oração. Por esta razão muita gente desiste, se fecha para Cristo, e muitos negam-no para o resto da vida. O homem natural, ou seja, que não tem experiência de nascimento do alto, é por natureza imediatista, egoísta, e maniqueísta. Ele quer por que quer, na hora que quer, e como quer. Imaginam que suas orações são justas, porque tomam por base as circunstâncias e não a vontade de Deus.
Orar segundo a vontade de Deus é ensinado em Rm. 8:27 - "E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos." Assim fica claro que orar segundo a vontade de Deus é a oração que o Espírito Santo coloca no espírito do homem. Entretanto, este processo simbiótico só é possível aos santos. Sabe-se que 'santo' significa separado, e neste sentido, é todo aquele que é nascido de Deus. Não pode haver comunicação entre Deus e o homem sem que este tenha sido santificado por Cristo por meio da inclusão do pecado em sua morte de cruz, e consequentemente na sua ressurreição. Portanto, nenhum homem é santo por atos e atitudes, mas por graça e misericórdia. Logo, os eleitos e regenerados são, de fato, santificados por Cristo, e não santos com base em seus méritos e justiças próprias. A estes o Espírito Santo coloca a oração e a adoração ressurrecta. Deus não se comunica com mortos em delitos e pecados, porque, contrariamente, eles estão debaixo da Sua ira conforme Ef. 2: 3 a 6 - "... entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus..."
Isto não implica que os eleitos e regenerados sejam melhores ou mais espirituais que os demais homens, mas que eles foram objetos da graça de Deus. Então, se alguém tem alguma queixa com relação a isso, reclame com Ele. Por que sendo Deus soberano, usa de misericórdia com quem quer.
Na parábola contada por Jesus, é comparada uma situação puramente forense a uma realidade puramente espiritual, mostrando que, mesmo nas relações injustas dos homens, a firmeza e a determinação em peticionar, produz os seus efeitos. Embora o juiz fosse rebelde a Deus e desrespeitador dos homens, acabou acatando a causa da viúva, para se ver livre do incômodo. Ora, Deus ouve aos que o adoram em espírito e em verdade, porque Ele é amor e é justiça. Vê-se que, na parábola, é dito que Deus ouvirá os seus escolhidos, portanto, Ele ouve a adoração ressurrecta e não a adoração carnal.
Sola Fidei!

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