terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS I

Mt. 6: 5 a 8 - "E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes."
Orar é por definição falar, implorar, pedir, suplicar, dizer algo a alguém, tanto individualmente, como a um grupo. É um verbo com múltiplas regências, além de ser intransitivo e transitivo indireto. Provém do latim "orare" que quer dizer originalmente falar, dizer, pronunciar.
A maior parte das pessoas utiliza-se da oração pra obter algum favor ou benefício de Deus. Outros, para agradecer por alguma graça recebida, e outros ainda, para reclamar e lançar diante d'Ele as suas carências e dramas. É tão notória a necessidade de desabafo, que muitos psicólogos e psicanalistas aconselham aos seus pacientes a orar. Acreditam que, independentemente de religião, ou fé, isto lhes trará algum alívio.
O ensino sobre a oração nas Escrituras é muito vasto e, por vezes, até mesmo estimulado. Entretanto, há diversas maneiras de orar segundo a compreensão comum dos homens. No texto que abre este artigo, se veem dois modos de orar: a oração hipócrita, e a oração secreta. O primeiro caso ocorre quando a oração é feita para demonstrar piedade aos olhos das outras pessoas; o segundo caso ocorre quando a oração resulta de um exercício pessoal, íntimo, e secreto entre o orador e Deus. Em ambos os casos se produzem recompensas: a oração hipócrita gera o que o orador quer, ou seja, visibilidade pelos homens, boa aceitação social, e algum tipo de prestígio humano; a oração correta traz apenas fé, pois a fé não é visível e palpável. 
Muitos religiosos imaginam que é a quantidade de oração que move e comove o coração de Deus a ouvi-lo. O texto, objeto deste artigo, mostra que não se deve usar de vãs repetições, pois isto, ao contrário, demonstra profunda ausência de fé e de confiança em Deus. Quando o homem recebe fé ele diz apenas uma vez o que deseja, sabendo que Deus o ouviu, e que o atenderá segundo a Sua vontade. Madame Guyon foi uma cristã autêntica que viveu entre o século XVII e o XVIII, e sofreu todas as agruras daquele tempo por causa da fé que recebeu. Ela afirma em um dos seus escritos o seguinte: "eu oro, não para convencer Deus, mas até que Ele me convença." Faz todo o sentido ainda hoje, pois muitos querem convencer Deus a lhes ser favorável por meio da oração.
Não é em hipótese alguma, o muito orar, o repetir as mesmas palavras pré-estabelecidas, ou o tempo gasto em oração que convencerá a Deus de alguma coisa. O fato é que muitos religiosos não sabem o real sentido de orar segundo a vontade de Deus. Neste sentido, a oração não é da pessoa, mas é a oração que procede da vontade d'Ele. Não é o homem quem ora, mas Deus ora nele por meio do Espírito Santo. Não é a pessoa que fala a Deus, mas Deus fala à pessoa.
Sola Scriptura!

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