sábado, 15 de março de 2008

OS INIMIGOS DA CRUZ I


At. 4:1 a 4 - "Enquanto eles estavam falando ao povo, sobrevieram-lhes os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus, doendo-se muito de que eles ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a ressurreição dentre os mortos, deitaram mão neles, e os encerraram na prisão até o dia seguinte; pois era já tarde. Muitos, porém, dos que ouviram a palavra, creram, e se elevou o número dos homens a quase cinco mil." 
Há um princípio que diz: "quando alguém, por qualquer razão, advoga uma determinada causa, é porque se acha atraído ou subordinado a esta causa". Parece ser verdadeira esta postulação. Quando aplicada aos religiosos do sistema da mentira, tal posição serve de cortina de fumaça para encobrir a real situação do acusador que, por natureza, é um juiz de si e dos outros.
No livro dos Atos dos Apóstolos se viu este fato claramente: na medida em que os primeiros discípulos pregavam o evangelho, os religiosos, sem projetos e escravizados a um sistema que lhes garantia o sustento, se viram ameaçados e, condoendo-se muito, deitaram mão neles e os encerraram em prisões. Hoje, não mudaram muito as coisas! Todas as vezes que alguém ou algum grupo, ainda que numericamente minoritário, toma da Palavra para anunciar o evangelho da graça e da regeneração genuína, os religiosos os combatem com as forças que podem e até com as que não podem. Por pouco, não os arremessam às prisões. Não o fazem, porque a legislação atual não os permite assim proceder. Todavia, o ódio e a veemência em fazer acusações desprovidas da verdade bíblica são os mesmos de 2.000 anos atrás.
O religioso, que é um arminiano por natureza, posição e relação, age sempre e invariavelmente da mesma forma, porque é uma questão de natureza decaída e inimiga da cruz. A questão da discordância não é apenas doutrinária, mas de natureza, pois a inclinação da carne é inimizade contra Deus. Visto que não podem discernir as coisas espirituais, espiritualmente, usam das armas do argumento da força, ao invés de utilizar a força do argumento bíblico. É notório que, os líderes religiosos de Atos 4 tenham lançado os discípulos na prisão, porque estes ensinavam ao povo. O grande problema é que os falsos, não desejam que o povo incauto e desavisado pela mentira religiosa, lhes fuja ao controle. Se, o povo, massa de manobra e formado por ingênuos úteis for esclarecido, seus lobos devoradores perdem o ganha pão. Assim, em nome de uma suposta propriedade da verdade doutrinária atribuem ao ensino da verdade evangélica, a alcunha de "vento de doutrina" a fim de manter o status quo e continuarem no poder e no controle das multidões cegas e conduzidas por cegos.
Os líderes judeus se doeram muito, porque o ensino dos discípulos era "em Jesus, pregassem a ressurreição". Claro! Só se pode pregar a ressurreição, quando a morte já é fato consumado e consolidado. O texto apocalíptico afirma, com propriedade e revelação, que o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo, e, no seu livro estão escritos os nomes dos eleitos. No cristianismo bíblico, não se pode falar do novo nascimento em Cristo, sem antes ter admitido que os eleitos de Deus morreram com Ele na cruz. O doer-se dos religiosos se dá, porque estes se apropriam do ensino, sem ter por ele passado ou nele crido pela ação monérgica de Deus. Eles se apropriam como usurpadores da verdade, porém sem dela participar em natureza. A verdade não se captura por intelecto, mas por misericórdia e graça de Deus por meio da fé. A verdade não é uma concepção filosófica ou científica.
Sabendo que a verdade não é um conceito, mas uma pessoa conforme Jo. 14:6 - "respondeu-lhe Jesus: eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." O texto sagrado diz que "ninguém vem ao Pai, senão por mim" é uma sentença clara acerca da inclusividade do pecador na morte de Cristo. Não foi atoa que o próprio Jesus afirmou Mt. 16:24 - "se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me." Se a cruz é própria do homem, e ainda, se o próprio Filho Unigênito de Deus se fez homem e a tomou, os eleitos vão após Ele para a mesma cruz. Isto não é um "transe cristológico", como pretendem os arminianos enganados e enganadores, mas é uma questão de fé. Qualquer incrédulo sabe que as verdades do evangelho são apropriadas pela fé e, esta, não é uma questão de misticismo ou e esoterismo cristão. É uma dádiva de Deus, ou seja, é concedida por Deus aos que Ele conheceu de antemão, elegeu, chamou, justificou e glorificou em Cristo. Estes pseudo-teólogos, leem as Escrituras pelas lentes das suas almas decaídas e não pelas lentes de Cristo. Eles não podem crer, porque fé é dom de Deus. Não crendo, preferem condoerem-se pelo fato de outros receberam graça para crer. Não podendo acessar a graça, por seus méritos e justiças próprias, preferem perseguir a cruz, como soe acontece aos inimigos dela Fl. 3:18 - "porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo."
Na epístola aos Romanos, Paulo afirma que muitos dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. É verdade! A sabedoria do homem, que presume ser até mesmo doutor em divindade, o torna cada vez mais decadente. Visto que coloca os holofotes e o foco da luz em si mesmo e não em Cristo. As Escrituras, Cristo e o nome de Deus são apenas invocados e evocados para dar uma certa legitimidade ao que de fato pretendem. Em muitos casos são compromissados com forças humanistas, terrenas e diabólicas. São membros ocultos dos Iluminati, estão em certos casos a serviço do universalismo e do gnosticismo.
Estes sábios aos seus próprios olhos acusam os filhos de Deus de serem aquilo que eles mesmos o são. Tudo o que eles não creem passa a ser visto como "vento de doutrinas" e heresias. Entretanto, o próprio cristianismo em seu nascedouro foi chamado de herético. Nem por isso, o Cristo, os apóstolos e os discípulos posteriores desistiram do desideratum deles. Se alguém considera a fé no que afirmam as Escrituras, como "vento de doutrinas", não há nada que se possa fazer por esta pessoa. Já está condenada em suas próprias afirmações. Quando Lutero, Calvino e os demais reformadores enfrentaram a religião dominante, igualmente foram acusados de hereges, rebeldes, espalhadores de doutrinas, etc. Hoje muitos dos que conheceram as Escrituras graças aos reformadores, repetem os mesmos erros dos perseguidores da fé reformada.
Os arminianos religiosos e legalistas querem magnificar o seu sistema sofismático a fim de reduzir a verdade escriturística em mentira e, assim, permanecerem no controle do sistema. Toda vez que alguém parte para uma teologia estritamente bíblica, ou para uma hermenêutica igualmente bíblia, eles apontam os dedos envenenados para o antinomismo, sabelianismo, e outras heresias. Neste sentido se tornam legalistas ao pretender que são os únicos donos de uma categoria de verdade.
O puritano Walter Marshall, afirma que "o legalismo é a pior forma de antinomismo". O legalista presume sempre passar a ideia que honra à lei de Deus. Porém, não honra a lei moral, mas a desonra, posto que suas ações, os denunciam. Pois, a lei exige justiça perfeita, e isto é satisfeito pela absoluta e incondicional obediência de Jesus Cristo à lei. O legalista religioso sofre do mal do reducionismo, quando presume comprimir a lei para a sua própria estatura moral. Isto é o que os religiosos do tempo de Jesus faziam com perfeito esmero. Ao tentar reduzir a lei para a sua diminuta estatura, de fato anulam a lei mediante suas tradições, dogmas, doutrinas de homens, etc. Por outro lado, Jesus magnificou a lei em sua mais alta significação, porque Deus o fez pecado para justificar o pecador. À luz de Sua exaltação da lei, devemos saber que somente n'Ele há justiça com a qual a lei é satisfeita. Por esta razão Jesus, o Cristo é o fim da lei.
O que de fato, a doutrina da graça e da inclusão do pecador na morte de Cristo por fé, indica? Primeiramente, a graça de Deus justifica o pecador com base nos fundamentos da justiça perfeita de Jesus, o Cristo Rm. 5: 18 e 19 -  "Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos." Esta justiça consiste na obediência de Cristo à lei de Deus a favor do homem decaído e incapaz de obedecer a lei moral. Aí está o fundamento! O regenerado não despreza a lei, porque ela foi cumprida em Cristo para benefício seu. Ao contrário, justamente porque ele não poderia arcar com a lei é que Cristo a cumpriu. Logo, só Cristo poderia satisfazer plena e cabalmente a exigência da justiça de Deus contra a injustiça do pecado. Por isso, o regenerado e eleito de Deus antes dos tempos eternos, cumpriu a lei, sendo incluído na morte de Cristo, para tornar-se apresentável a Deus. Cristo é quem o habilita, porque antes ou depois de ter sido justificado, não teria, de qualquer forma, condições de cumprir a lei por conta própria. É isso que os incrédulos religiosos não podem ver, porque isto só se vê pela misericórdia e pela graça do Pai.
Cristo cumpriu todos os preceitos da lei, e por Sua morte Ele satisfez toda penalidade a favor dos que form eleitos para crer n'Ele, por terem sido pré-ordenados para a vida eterna. Deus não salva nenhum homem por se aproximar das exigências da lei ou por desprezar a lei, já que a mesma é impossível de ser obedecida pela natureza decaída e inimiga de Deus. Ele não enviou Seu Filho para enfraquecer sua força ou criar um padrão menor que a lei. John Flavell disse: "nunca a lei de Deus foi mais honrada do que quando o Filho de Deus permaneceu diante do tribunal de justiça para fazer reparações pelo dano realizado."
Também, o pecador eleito e preordenado para a vida é pessoalmente justificado quando Deus lhe imputa a obediência perfeita de Cristo à lei. Só por misericórdia e graça que o Pai reveste o homem decaído de glória em Cristo Jesus. A justificação é em si e por si mesma um termo legal. Disto depreende que, o homem decaído nem poderia ser salvo pela lei, às suas próprias expensas, nem necessita tentar cumprir a lei depois de ser regenerado, porque já foi justificado. Entretanto, a lei se cumpre nele, porque Cristo o capacita a viver pela graça e obedecer a vontade do Pai. De maneira que não é antinomismo viver da graça, com a graça e na graça que há em Cristo Jesus. Antinomismo é querer imputar ao religioso a necessidade de viver na lei para agradar a Deus. Isto é desprezar o amor de Deus em Cristo, substituindo a justificação pela fé, pela justiça própria com base na lei.
A justificação significa que o pecador conhecido de antemão, eleito, chamado, justificado e glorificado em Cristo, satisfaz todos os requerimentos da lei. A salvação não é somente salvação do pecado, mas salvação para santidade. Embora nenhum homem seja salvo por sua santidade, também certa é a sua salvação para a santidade. Ninguém é salvo por guardar os mandamentos de Deus, mas todos salvos são salvos para a nova vida que guarda estes mandamentos de Deus. É impossível ser justificado e não santificado. Santidade não é ativismo e evangelicalismo barato que tenta vender Cristo nos pegue-pagues do mundo, a saber, nas falsas igrejas.
O que os antinomistas arminianos e inimigos da cruz não podem ver é que a salvação é pela graça mediante a fé e não por viver escravizados por um sistema falseado em uma teologia sistematizada, horizontal e humanista.

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