domingo, 16 de março de 2008

OS INIMIGOS DA CRUZ II


É típico do homem decaído transferir a sua culpa à alguém ou à algo. Assim foi no Éden, quando Deus inquiriu Adão acerca da sua desobediência, por consequência da incredulidade, sendo esta o pecado original conforme Jo. 16:9 - "...do pecado, porque não creem em mim." A resposta do nosso ancestral comum foi direta e curta Gn. 3:12 - "...a mulher que me deste por companheira deu-me da árvore, e eu comi". Na resposta estava implícita, além da transferência da culpabilidade, a nefasta tentativa de imputar responsabilidade a Deus, pela errônea escolha. À Eva, fora feita igual indagação, tendo semelhante resposta, visto que ela transferiu a sua culpa à serpente. Da serpente, ventriloqua de Satanás, não se sabe até o dia de hoje se acusou alguém, todavia permaneceu ali para receber o seu veredito, consequência da sua empreitada antinomista e religiosa. Estes fatos produziram no homem uma imensa fobia à lei primeira implícita na sentença "certamente morrerás". Também criou no homem, agora decaído, a primeira manifestação religiosa ao coser tangas de folhas de figueira e ao se esconder por entre os arbustos do jardim. Desde o Paraíso que o homem se esconde em seus sistemas religiosos simbolizados nos arbustos e nas vestes frágeis das folhas da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Os inimigos da cruz de Cristo, buscam desesperadamente nos textos bíblicos, algum alento, a fim de justificar suas posições religiosas, culpando ou transferindo a responsabilidade dos seus erros, ineficiências e ineficácias aos que creem segundo as Escrituras. Como não podem crer, porque não ganharam a fé bíblica, preferem encobrir os seus fracassos e a falta de projeto verdadeiros, lançando sobre aqueles, dos quais discordam gratuitamente, suas falácias e sofismas. Que rasguem suas bíblias, mas o Senhor Jesus assevera que nem um jota, e nem um til se omitirá da Sua Palavra. O homem e as suas religiões passam, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre. Uma semente o servirá de geração em geração, porque Ele mesmo reservou joelhos que não se dobram a Baal. Seja ao Baal da vaidade, seja ao Baal da incredulidade, seja ao Baal da arrogância, seja ao Baal denominacional, seja ao Baal das espertezas, seja ao Baal dos acordos escusos e obscuros com as forças gnósticas oriundas da religião dominante e predominante. Estes religiosos são apenas igrejificados e engessados em seus sistemas humanistas disfarçados de religião. São blindados por seus discípulos, massa de manobra, os quais enganam e são igualmente enganados.
Como estes líderes e seus seguidores interesseiros, não podem encarar a vida com dignidade e verdade, porque estas não são virtudes dos que permanecem na velha natureza, preferem atirar dardos inflamados aos que buscam a simplicidade de Cristo no evangelho da verdade. É sempre mais fácil atacar o pregador ao invés da mensagem verdadeira.
Acusar alguém de infidelidade, deslealdade a denominações, declaração de princípios, ou alguma confissão produzida para satisfazer interesses religiosos, é uma atitude, no mínimo tola. Desde os tempos da Reforma chamada protestante, que os reformadores foram acusados pelo romanismo de serem antinomistas. Eles, tão somente consideraram, à luz das Escrituras, que a lei houvera sido cumprida em Cristo, exatamente para satisfazer a exigência da própria lei estabelecida como padrão moral para o homem. Qualquer incrédulo ao ler as Escrituras sabe que a lei serviu apenas como aio, isto é, como professor, ou como guia ao homem. Visava evidenciar a sordidez do pecado, a fim de, em tempos posteriores, pudesse mostrar a superabundante graça de Deus. Se algum homem pudesse viver estritamente dentro dos liames morais da lei por si mesmo, Jesus, o Cristo seria absolutamente desnecessário e a cruz seria uma negreganda peça de mau gosto.
Rm. 10:4 - "Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê." A palavra 'fim" no texto retromencionado é 'telos' no grego neotestamentário. Ela significa 'fim', não como finalidade, mas como término de fato e de direito. Ora, Segundo Thayer, Cristo terminou a lei, assim como a morte termina a vida terrena. A ideia subjacente é que é o último de uma série de cumprimentos, ou seja, em Cristo toda a lei foi acabada e concluída por decurso de prazo e por satisfação legal da exigência do requerente, a saber, Deus. Lc. 22:37 - "... porquanto vos digo que importa que se cumpra em mim isto que está escrito: e com os malfeitores foi contado. Pois o que me diz respeito tem seu cumprimento." 'Telos' significa 'finalmente' ou 'cumprimento'. Pode, também significar "alvo", ou "propósito", como em I Tm. 1:5 - "...mas o fim desta admoestação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência, e de uma fé não fingida..."
Assim, não é antinomismo crer como as Escrituras ensinam claramente. Todavia, os regenerados, porque nascidos da vontade de Deus, e não da vontade do homem, de religiosos, de denominações, de soberbos que acusam afim de manterem intactas as suas posições vantajosas, prosseguem ficando apenas com as Escrituras. Como disse o hagiógrafo At. 5:29 - "respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: importa antes obedecer a Deus que aos homens."
Afinal, se se considerar antinomismo, qualquer violação da lei moral e cerimonial, os religiosos arminianos, os quais leem nas Escrituras que se deve guardar o sábado são todos antinomistas. Proponho a eles, sequiosos por usar a fé dos outros como escudo, a que cumpram a lei prescrita conforme Ex. 20: 8 a 11 - "lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou." 
Porque os arminianos que são antinomistas por origem, prática e natureza, não tentam cumprir os dez mandamentos? Os regenerados e lavados no sangue do Cordeiro não necessitam cumprir a lei, porque estão conscientes de que não podem, e porque confiam na todo-suficiente obra de Cristo que os incluiu na cruz a fim de destruir o corpo do pecado, isto é, a natureza pecaminosa herdada de Adão conforme: "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabendo que, tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus."
Eles, os antinomistas, arminianos, incrédulos e religiosos permanecem em suas naturezas inimigas da cruz, porque não se consideram como mortos em Cristo. Por isso, não creem, e não admitem que alguém creia. São como os religiosos do tempo de Jesus, não entravam, e não deixava ninguém entrar.
Finalmente, se o próprio Cristo foi acusado de antinomista, pelos fariseus, quando curou e fez a obra do Pai no sábado, quão grande glória é ser acusado de qualquer coisa por amor a Cristo!

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