janeiro 04, 2019

O ÚLTIMO ENGANO V

Ap. 13: 1 a 9 - "Então vi subir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças nomes de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande autoridade. Também vi uma de suas cabeças como se fora ferida de morte, mas a sua ferida mortal foi curada. Toda a Terra se maravilhou, seguindo a besta, e adoraram o dragão, porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta, dizendo: quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela? Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias; e deu-se-lhe autoridade para atuar por quarenta e dois meses. E abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome e do seu tabernáculo e dos que habitam no céu. Também lhe foi permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação. E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Se alguém tem ouvidos, ouça."
O último engano é a coroação de todos os enganos perpetrados por Satanás no mundo. Todos os demais eram apenas sinais e/ou tipificações do engano final. Para que um engano possa ter abrangência e eficácia em um mundo multiculturalizado, necessário é que, a cultura seja elevada ao máximo de generalização. Os padrões característicos de cada cultura devem ser sobrepostos por padrões universais aceitos e praticados. A maneira de se conseguir tal imposição é relativizando as instituições e os valores, notadamente, os morais, religiosos e éticos. Propondo solucionar os conflitos e carências que atingem a sociedade, os povos e nações abrirão mão dos seus valores, mantendo-os apenas no campo do simbólico. Isto já vem acontecendo lenta e paulatinamente. É o chamado "novo normal."
O último e fatal engano será a aceitação do falso, como se verdadeiro fora. Produzir-se-á abertura mental, cultural, religiosa e moral para a existência de outros mundos habitados por seres evoluidíssimos. O principal argumento da astrofísica, da exobiologia e astronomia é o que presume o Universo tão vasto, que não seria apenas a Terra habitada. Argumentativamente, é muito convincente, porém, sabe-se que 99% das estrelas não possuem sistemas planetários e, mesmo quando os possuem, não há estabilidade para o desenvolvimento da vida como é conhecida na Terra. No afã de encontrar respostas o homem envia sondas, mensagens e missões para outros planetas do sistema solar. Aperfeiçoam-se os equipamentos de busca e sondagens do espaço exterior. O resultado disso tudo é o adágio popular: "quem procura acha."
Ocorre, no entanto, que, no campo espiritual, especificamente, da revelação compendiada, não há indicação de formas de vida, tal como é concebida na Terra. O texto sacro fala de mundos habitados por seres espirituais. O próprio Cristo afirma conforme Jo. 14: 2 e 3 - " Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." O vocábulo utilizado para 'casa' no texto grego koinê é 'oikia' [οἰκία] e quer dizer casa no sentido de moradia, lugar onde se habita. A outra palavra utilizada é 'morada' que, no grego é 'monai' [μοναὶ], significando habitação definitiva. Então, no campo espiritual, Jesus, o Cristo não faz menção a planetas ou corpos celestes habitáveis para onde enviaria os eleitos e regenerados. Eles e os anjos leais habitam nos lugares celestiais para onde foram designados, porém é na casa de Deus. É um lugar específico e não espalhados pelo universo.
O apóstolo Paulo dá a nítida distinção entre seres terrenos e seres espirituais em I Co. 15: 48 e 49 - "O primeiro homem, sendo da Terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial." Portanto, a Bíblia silencia sobre quaisquer ocorrência de seres materiais avançados cultural e tecnologicamente em outros sistemas planetários. Por princípio, um cristão nascido do alto, fala quando as Escrituras falam, silencia, quando as Escrituras silenciam. Logo, a única coisa que é ensinada é que os eleitos e regenerados terão corpos glorificados e viverão eternamente.
Desta forma, pergunta-se: por que, então, há tanta efervescência e divulgação sobre aparições, abduções, experiências psíquicas e até mesmo sexuais relatadas por alguns? Hoje qualquer busca no google sobre assuntos de OVNI,s, ET,s Alliens, Greys etc. fornece um enorme número de informações. Algumas descartáveis, logo de cara, por serem fantasiosas; outras, impossíveis de se determinar a origem ou veracidade; por fim, outras que ficam sem uma resposta definitiva. 
O texto de abertura é da categoria escatológica e, obviamente, trata de acontecimentos finais. Refere-se ao surgimento de um ser extremamente arrogante, poderoso e fascinante aos olhos do mundo. Este homem da perdição e filho do pecado será o subproduto final do último engano. Ele resultará de uma fusão do DNA dos anjos caídos com o DNA de homens naturais. Vê-se hoje grandes possibilidades no processo de produção dos OMG,s - organismos geneticamente modificados - sendo utilizado na pecuária, na agricultura e, por que não, em homens? Hoje é totalmente divulgado que a raça humana foi, na verdade, uma experiência de seres alienígenas do passado. Segundo os teóricos desta proposta os homens foram produzidos com o amalgama dos genes dos anunaquis. Já se falou que a própria palavra 'anunaki' em língua suméria significa 'desertores', 'caídos' ou 'aqueles que foram arrojados para fora."
As simbologias dos chifres, cabeças e diademas representam poder e autoridade dados a governantes de algumas nações pelo Anticristo ou a Besta. Tal líder emergirá, se é que já não está no mundo, de um contexto das nações, pois a expressão "subiu do mar" é um simbologia das nações em estado de agitação. Vê-se, pelo texto, que toda autoridade e arrogância da Besta foi conferida pelo Dragão, a saber, pelo Diabo. 
Será simulada a morte da Besta para promoverem, posteriormente, um simulacro da sua ressurreição a fim de levar o mundo a vê-lo como um Cristo ou Messias. E, de fato, o mundo ficará maravilhado com o falso milagre e a adorará como se fora um 'deus.' Entretanto, é importante ressaltar que, os que o adorarão serão aqueles cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro. Ou seja, são os incrédulos, incluindo, muitos religiosos e suas religiões fora da cruz.
Sola Scriptura!

janeiro 01, 2019

O ÚLTIMO ENGANO IV

I Jo. 2: 18 e 19 - "Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora. Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos."
O apóstolo João escreveu a epístola, da qual o texto acima foi extraído, há aproximadamente 2.000 anos atrás. Já naquele momento, a visão era de que o tempo estava próximo. O sinal maior apontado por João era o surgimento de diversos anticristos. Mas, quem ou o que é um anticristo? É qualquer homem, geralmente, se manifesta por meio de um sistema que se pretende universal, o qual se propõe a assumir o lugar de Cristo. Não necessariamente, algo ou alguém que lhe faça oposição ostensiva, mas dissimulada. É, de fato, uma pessoa, sistema religioso, ideologia, proposta filosófica, doutrina econômica que supostamente oferece ao homem o paraíso na Terra sem a cruz. O grande desejo de Satanás é desqualificar Cristo como justificador e redentor único dos pecadores. Ele sempre propõe um modelo que pretende fazer do homem um 'deus.'
Assim sendo, o quarto engano impetrado por Satanás na construção do modelo anticristão foi o Gnosticismo. Este sistema contaminou a Igreja já no seu alvorecer. Por volta do início do II século d. C., a nascente Igreja Cristã estava totalmente infiltrada por grupos que pretendiam permeá-la com uma espécie de 'modus vivendi' cultural, notadamente de origem grega. "A literatura cristã, desde os tempos apostólicos, apresentou-se miscigenada com filosofias e sistemas de ideias do ambiente sociocultural. Entre elas, a gnose – ou bem melhor, as gnoses. A produção literária das comunidades joaninas e paulinas (de Colossos, e.g.) retratam esse embate entre fé e cultura." Este excerto foi retirado do trabalho de mestrado de Elias Santos do Paraizo Junior, p. 55. Este trabalho, como tantos outros, tomam por base literaturas apócrifas acessadas após os achados de 1945 da biblioteca Hag Hammadi, no Egito. Estão tentando a qualquer preço ressuscitar escritos que não foram colocados no cânon bíblico, como verdades, precisamente, porque estes tais contemplam a influência gnóstica.
O Gnosticismo pode ser entendido, em sua fase inicial, como um movimento religioso de caráter sincrético e esotérico, desenvolvido nos primeiros séculos da Era Cristã. Inicialmente à margem da cristandade primitiva e também da institucionalizada, combinando misticismo e especulação filosófica. Houve forte resistência ao gnosticismo, inicialmente, o apóstolo Paulo e Irineu, um dos chamados pais da Igreja, combateram veementemente o gnosticismo como uma heresia. Paulo aconselha o seu filho na fé, Timóteo, a combatê-lo conforme I Tm. 6: 20 e 21 - "Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, evitando as conversas vãs e profanas e as oposições da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja convosco."
Acontece que, com a expansão do Cristianismo a partir do Império Romano a fé bíblica e genuína foi sendo minada por sistemas de crenças mantidos por igrejas institucionalizadas. Isto retirou a resistência à penetração das ideias gnósticas. Os diversos cismas e o grande número de homens inconversos que formaram o corpo clerical das igrejas denominacionais e históricas, abriram as portas para o retorno do Gnosticismo. Hoje é pregado e apregoado nos mais diferentes púlpitos sem o menor constrangimento. Por exemplo, fala-se hoje em 'livre arbítrio' como se fosse uma doutrina cristã. Porém, é um ensino de origem gnóstico.
Este é o cenário ideal para o fortalecimento e a manifestação de inúmeros anticristos ao longo desses dois milênios. Também é o cenário ideal para o aparecimento do "homem do pecado" ou "filho da perdição." 
Vê-se pelo texto de abertura que os anticristos saem sempre do seio da Igreja Cristã verdadeira. Eles saem, "porque não receberam o amor da verdade para serem salvos" conforme registrado em II Ts. 2:10
É justamente este ambiente híbrido no seio da cristandade nominal que permitirá a manifestação visível dos anjos caídos no mundo. Estes disfarçarão de anjos de luz e ministros da justiça conforme II Co. 11:13 a 15 - "Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras." O texto paulino contempla tanto homens como Satanás e demônios. Estes se manifestam sempre como benfeitores da humanidade. Apresentam-se em suas aparições sombrias e a pessoas pouco esclarecidas sempre como seres muito evoluídos, vindos de outros sistemas estelares para ajudar a humanidade. Entretanto, parecem não ter o menor interesse de se apresentarem claramente nos lugares apropriados, onde certamente poderiam manter um diálogo claro e objetivo. 
Fato é que, em qualquer texto escriturístico veterotestamentário ou neotestamentário não se fala sobre alienígenas, deuses, extra-terrestres ou qualquer outro nome, sendo enviados para solucionar problemas da humanidade. Não há qualquer registro bíblico que tais seres estariam autorizados a fazer contatos e interferir em assuntos terrenos. Ao contrário, é dito que, qualquer que se apresentasse dizendo-se ser o Cristo, não deveria ser aceito como legítimo. Isto está de modo simplificado em Mc. 13:6 - "... muitos virão em meu nome, dizendo: sou eu; e a muitos enganarão." Sim, enganarão a muitos, como de fato, já estão enganando até mesmo homens de ciência.
Sola Scriptura!

dezembro 30, 2018

O ÚLTIMO ENGANO III

Gn. 6: 1 a 5 - "Sucedeu que, quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a Terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o Senhor: o meu Espírito não permanecerá para sempre no homem, porquanto ele é carne, mas os seus dias serão cento e vinte anos. Naqueles dias estavam os nefilins na Terra, e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Esses nefilins eram os valentes, os homens de renome, que houve na antiguidade."
Engano é um substantivo masculino que traz as seguintes acepções: 'erro causado por descuido', 'falta de conhecimento específico ou desatenção', 'logro', 'armadilha', 'embuste', 'falsa crença' e 'ilusão'. A expressão 'ledo engano', por exemplo, é utilizada quando alguém 'se deixa enganar por boa fé ou ilusão'. Nestes sentidos, o engano é sempre praticado por um e recebido por outro. Nunca há engano unilateral, pois sempre haverá o enganador e o enganado. As razões para alguém enganar outros são sempre conscientes. Em muitos casos o enganado deseja ser enganado, porque julga tirar alguma vantagem do engano, fazendo uso do mesmo engano para enganar outros. 
II Co. 11: 3 e 4 - "Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo. Porque, se alguém vem e vos prega outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de boa mente o suportais!" Vê-se que, Eva foi enganada, porque Satanás iludiu os seus sentidos sobre algo extremamente desejoso para satisfação pessoal. Adão, por seu turno, não pôde ser enganado, porque recebeu instruções diretas de Deus sobre o assunto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Portanto, Adão pecou por ter sido incrédulo e por se entregar ao engano de Eva, sendo levado pelo mesmo desejo de autonomia e poder. Desta forma, o pecado é a incredulidade conforme ensina Jesus, o Cristo em Jo. 116: 9 - "... do pecado, porque não creem em mim." O pecado original foi praticado pelo primeiro homem formado à imagem de Deus. Quanto aos atos pecaminosos são as consequências do pecado original, a saber, a incredulidade. Adão, não considerou como um decreto eterno e verdadeiro a restrição ao fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Eva foi apenas enganada ao ser levada a crer que seria um fruto bom para se comer. Nem por isso, Eva permaneceu no Éden. Portanto, tanto o engano por ignorância, como o engano consciente são pecaminosos. 
O terceiro grande engano perpetrado por Satanás no mundo foi o descrito no texto do Gênesis, capítulo seis. Valendo-se dos sentidos corrompidos dos homens portadores da natureza pecaminosa, alguns anjos foram impelidos a se mesclarem com os humanos. Tal miscigenação com as 'filhas dos homens' por parte dos 'filhos de Deus' é objeto de muitas controvérsias teológicas. No texto original hebraico os 'filhos de Deus' são os "b'nai haelohim", enquanto as 'filhas dos homens' são as "b'not haadam". Os tais 'filhos de Deus' eram anjos caídos e foram chamados de filhos apenas no sentido de seres criados originalmente por Deus. E as 'filhas dos homens'  foram designadas como filhas de Adão, no sentido de descendência adâmica. A ideia de Satanás era mesclar a raça humana com os anjos caídos para contaminar o futuro descendente da mulher previsto em Gn. 3:15. A ideia de mesclar a humanidade com os demônios a fim de comprometer o redentor e salvador dos homens, o Cristo.
Vê-se que o texto de abertura é muito claro: "... naqueles dias estavam os nefilins na Terra." Logo, é necessário entender que 'nefilim' não significa gigante como se traduz comumente. Gigante em hebraico é 'anaqui' [ענקי]. Nefilim significa: "aqueles que foram expulsos", "desertores", "caídos", ou "aqueles que foram arrojados para fora." Nos textos sumérios os tais anjos caídos são chamados de "anunaques", que significa: "aqueles que desceram do céu à Terra." Em seguida, o texto diz: "... e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Esses nefilins eram os valentes, os homens de renome, que houve na antiguidade." Desta forma, o texto ensina que haviam os 'nefilins' que estavam na Terra e os 'nefilins' gerados pelas filhas dos homens. Eram 'nefilins' progenitores e 'nefilins' gerados por eles nas filhas dos homens. O resultado foi tão grotesco que Deus resolveu acabar com os homens e depurar a Terra. Estes descendentes eram gigantes que causavam imensa violência e devoravam tudo o que podiam e o que não podiam. Houve clamor dos homens a Deus, porque os tais gigantes filhos dos 'nefilins' começaram a comer, inclusive, pessoas. 
Atualmente, há incontáveis documentários, estudos, palestras e achados arquelógicos, dando conta da realidade dos tais gigantes. Mesmo depois do dilúvio, alguns destes 'nefilins' voltaram à Terra e continuaram seu projeto conspiratório. O próprio Davi lutou contra um destes gigantes que estava entre os filisteus.
As diferentes estirpes de gigantes são mencionados em Dt. 2: 10 e 11 - "Antes haviam habitado nela os emins, povo grande e numeroso, e alto como os anaquins; eles também são considerados refains como os anaquins; mas os moabitas lhes chamam emins." Também em Nm. 13:33 - "Também vimos ali os nefilins, isto é, os filhos de Anaque, que são descendentes dos nefilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos." Vê-se que, mais uma vez os 'nefilins' filhos dos 'nefilins' são mencionados.
O livro de Enoque, embora não aceito como canônico, menciona claramente este engano dos anjos caídos chefiados por um tal de Shamiaza ou Samyaza. Eram duzentos anjos que estavam na Terra e que desobedeceram as ordens de Deus sobre não se envolver com mulheres. Judas, em sua epístola, fala claramente sobre este engano conforme Jd. 6 e 7 - "... aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia, assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como aqueles anjos, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno." Vê-se que os tais anjos não permaneceram no lugar a eles designado, a saber, o seu principado. Também, não mantiveram seus corpos angelicais ou diferentes dos corpos dos homens, pois a palavra habitação utilizada no texto grego é 'oiketerion', a qual significa revestimento e não uma casa ou palácio. Paulo joga luz sobre isto em II Co. 5: 2 e 3 - "Pois neste tabernáculo nós gememos, desejando muito ser revestidos da nossa habitação que é do céu, se é que, estando vestidos, não formos achados nus." Neste texto é utilizada a mesma palavra 'oiketerion' como habitação ou revestimento corporal. Paulo mostra que os eleitos e redimidos serão revestidos por um corpo espiritual, o qual não sofre dores ou degenerescência. 
Este terceiro engano serviu para mais um degrau no processo da produção do engano final por parte de Satanás. São estes anjos caídos que hora se apresentam como seres de outros planetas, extra-terrestres, aliens. A cada dia estão mais a mostra e se amostrando para ganhar aceitação comum do homem.  São estes os mesmos 'deuses' antigos, ou como preferem alguns teóricos, 'astronautas antigos'. Não se esqueça que, o engano em quase tudo se assemelha a verdade.
Sola Scriptura.

dezembro 29, 2018

O ÚLTIMO ENGANO II

Ef. 6:12 - "... pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes."
No primeiro estudo foram deixadas diversas pontas desamarradas propositalmente. Serão estas amarradas nos estudos subsequentes. Visto tratar-se de assunto vasto e complexo e por enorme obscurantismo e confusão doutrinária, serão devidamente tratados gradativamente. 
A falta de conhecimento escraviza e destrói a humanidade conforme informa Os. 4: 6 - "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos." A destruição a que alude o texto é uma referência ao domínio da iniquidade, da miséria, dos males morais e das enfermidades e doenças que afetam a alma e o corpo. O texto não trata de ausência de conhecimento intelectual e científico, mas do conhecimento de Deus e suas leis universais. Ora, a despeito dos grandes progressos científicos experimentados, notadamente após a Renascença, o Iluminismo e as Revoluções Técnico-Científicas, a humanidade regride espiritual e emocionalmente. Desta forma, e, paradoxalmente, o homem aumenta o conhecimento de si mesmo e das leis naturais, mas reduz o conhecimento de Deus e dos seus Decretos Eternos.
Milan Kundera, o escritor tcheco naturalizado francês afirma: "Percebi com espanto que as coisas concebidas pelo engano são tão reais quanto as coisas concebidas pela razão e pela necessidade." Guardado o sentido que se quis abranger o escritor no contexto em que a citação é posta, resta, no entanto, a mensagem no tocante ao engano espiritual que afeta a humanidade. Na essência, Kundera diz que, não há diferença entre o falso e o verdadeiro no homem. Neste sentido o ensino de Cristo sobre o joio crescendo junto ao trigo toma corpo e significação mais ampla. O engano e a verdade são muito semelhantes quando vislumbrados pela ótica do homem natural.
O último engano vem sendo perpetrado em pequenas doses ao longo da História da humanidade. O primeiro avanço do engano na Terra foi a corrupção do gênero humano conforme Gn. 3: 1 a 5 - "Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: é assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Este tipo de abordagem sempre causa repulsa ao homem natural, porque este está sob o domínio da natureza decaída. A forma de o homem afastar-se do ensino escriturístico é reputando-o como simples mito ou lenda. Comumente, quando alguém julga ter conhecimento intelectual suficiente e já absorveu a cultura posta, então se acha pronto a reproduzir as narrativas humanistas, eximindo-se do debate bíblico. 
Quando o homem não foi eleito antes dos tempos eternos, continuará pensando e agindo à revelia da verdade até a sua morte. Entretanto, o texto de Gênesis  retromencionado vai muito além de uma mera narrativa mitológica. Os mitos eram relatos paralelos produzidos pelas interpretações humanas sobre aquilo que os incomodava por terem perdido o elo com o Divino. Do texto, enfatiza-se o seguinte: "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis, como Deus, conhecendo o bem e o mal." Esta foi a primeira experiência do engano conspiratório de Satanás. Uma exegese mais ampla indica que, abrir os olhos não é uma referência aos olhos físicos, mas da alma. Isto permitiria ao homem o poder de julgar entre o certo e o errado. Estabelecer juízos e agir, enganosamente, de modo autônomo, a saber, a revelia de Deus. Pronto! O projeto inicial para escravizar a humanidade estava perpetrado e aceito pelo primeiro homem. Por esta razão é que o primeiro Adão deve morrer no último Adão.
O texto de abertura mostra, sem qualquer interpretação, que a luta do homem não é contra coisas ou seres visíveis, mas contra realidades espirituais em rebelião contra Deus. Os principados e as potestades são anjos caídos que habitam o espaço sideral e a própria Terra. Tais hostes espirituais da maldade que habitam as regiões celestiais são exatamente aqueles que foram expulsos por terem caído no primeiro engano do querubim criado em perfeição e que foi afetado pela iniquidade no coração conforme Ez. 28: 15 - "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade.
O verbete 'iniquidade' traz como significado, o seguinte: 'falta de equidade.' Sabendo-se que equidade se refere a equilíbrio de justiça, logo, a ausência dela resulta em forte inclinação para o desequilíbrio e a injustiça, a ponto de romper com o que é reto, integro e direito. Ou mesmo tomar o certo como errado e o errado como certo.
Esta natureza iníqua foi inoculada na humanidade devido a submissão dos pais ancestrais à incredulidade entre o que Deus lhes dissera e a fácil aceitação do que o Diabo lhes informara. Neste ponto houve a ruptura entre a criatura e o Criador. O homem, agora decaído, transmitiu a natureza desequilibrada a todos os descendentes conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Está no DNA do homem, o DNA da iniquidade adquirida. Isto facilitará o controle e o domínio do mundo por Satanás, por pouco tempo, no engano final.
Sola Gratia!

O ÚLTIMO ENGANO I

II Ts. 2: 1 a 12 - "Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, rogamos-vos, irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus. Não vos lembrais de que eu vos dizia estas coisas quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém para que a seu próprio tempo seja revelado. Pois o mistério da iniquidade já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora; e então será revelado esse iníquo, a quem o Senhor Jesus matará como o sopro de sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda; a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça."
Como ponto de partida se faz necessária uma definição do termo conspiração. Tal definição é imprescindível, porque vivenciam-se nestes tempos, excessivas informações não processadas. Pessoas apropriam-se dos mais variados saberes sem, contudo, construírem conhecimento conciso. Neste sentido, o limiar entre verdade e mentira é quase imperceptível. Pelo elevado grau de superficialidade, troca-se facilmente, uma coisa pela outra e fica por isso mesmo, dada a escassez de tempo psicológico. O objetivo, neste caso, é inflacionar as mentes com informações que jamais serão dirimidas. Isto produz um habitual reducionismo, tornando a sociedade saturada, portanto, indesejosa de qualquer aprofundamento. A superficialidade e a futilidade formam o campo fértil para se plantar qualquer ideia fantasiosa.
O verbo conspirar admite transitividade direta e indireta, bem como, intransitividade. A transitividade é referência à propriedade verbal em exigir um predicativo para dar sentido completo à frase. Neste caso, interessa, no âmbito deste estudo, o verbo conspirar em sua transitividade direta e indireta. Conspirar é, segundo o verbete do dicionário Aurélio: maquinar, tramar, concorrer, tender, participar ou tomar parte de uma conspiração. É, sobretudo, consistir em empecilho ou sê-lo em si mesmo. Assim sendo, é imperativo afirmar que, ninguém que pretende conspirar admite ou divulga a sua própria conspiração. Ao conspirador é fundamental que a ideia de conspiração seja absolutamente relegada ao plano  do absurdo, do inculto e do improvável. Sem esta aparência, qualquer conspiração não lograria êxito, posto que todos se precaveriam contra ela. Então, sempre que se levanta uma questão situada no campo das acusações contra grandes poderes religiosos, econômicos e políticos, logo alguém levanta a possibilidade de ser apenas uma teoria conspiratória. E, ato contínuo, a coisa se dissolve e cai no campo do ridículo. Isto é tudo o que o conspirador deseja. Pois assim, ele e seus asseclas prosseguem no intento de levar a cabo seus projetos nefastos.  
O primeiro engano ocorreu ainda no reino espiritual. Um dos anjos criados em beleza, formosura e sabedoria deu lugar à iniquidade e esta gerou o desejo de ser ele mesmo um 'deus.' Alguns registros sobre este primeiro engano conspiratório se acham em Ez. 28:2 "Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: assim diz o Senhor Deus: visto como se elevou o teu coração, e disseste: eu sou um deus, na cadeira dos deuses me assento, no meio dos mares; todavia tu és homem, e não deus, embora consideres o teu coração como se fora o coração de um deus." Também em Is. 14:12 a 15 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações! E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo levado serás ao Seol, ao mais profundo do abismo." Ambas as passagens se inserem no recurso da dupla referência profética, porque tanto se aplica a reis, como ao anjo querubim que deixou a iniquidade achar lugar em seu coração. Estes homens são tipos e, ao mesmo tempo, protótipos daquilo que Satanás projeta para a humanidade em sua vingança e arrogância contra Deus.
Por meio de conspirações ele arrastou consigo um terço dos anjos celestes conforme registro de Ap. 12:4 - "... a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a Terra..." Ap. 12: 7 a 9 - "Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na Terra, e os seus anjos foram precipitados com ele." O texto possui teor escatológico, mas retrata fato ocorrido já uma vez na rebelião do arqui-inimigo de Cristo.
O último engano será a investida final contra a criação de Deus na Terra. Satanás e seus demônios tentarão mais uma vez se materializar e governar a Terra. O que os impedem de se revelar completamente agora é a operação do Espírito de Deus na Igreja que é a união de todos os eleitos e regenerados. Quando esta for retirada da Terra, ele se apresentará corporalmente por meio da encarnação em um homem chamado, no texto de abertura, de "homem do pecado" e "filho da perdição." Para este engano final ter êxito é necessário que, primeiro, venha total apostasia. A saber, que os homens virem totalmente as costas à fé verdadeira. Transformarão a verdade em meros rituais religiosos para que o ambiente seja favorável a Satanás que se virará contra tudo o que se refere a Deus e é objeto de adoração verdadeira. Exigirá adoração a si mesmo e se apresentará como o verdadeiro 'deus'. Ora, percebe-se hoje, que não está muito distante este tempo. Hoje, o que se vê é apenas efervescência e ativismo religioso, mas pouca verdade e adoração unicamente a Deus. Os cultos são cultos ao homem e ao humanismo. A maioria das igrejas são agregações de homens que não foram regenerados por meio do nascimento do alto. Nada sabem sobre a justificação pela graça por inclusão na morte com Cristo e, muito menos, da  consequente ressurreição juntamente com Ele.
Sola Scriptura!

setembro 16, 2018

A SINAGOGA DE SATANÁS

Ap. 3: 9 a 13 - "Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo. Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra."
O tema aqui retratado aparece em dois contextos: na carta ao anjo da Igreja em Filadélfia, como está acima, e também na carta ao anjo da Igreja em Esmirna conforme Ap. 2: 9 - "Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás." Portanto, a denominada 'Sinagoga de Satanás' não é uma referência a estas duas Igrejas, pois estas foram as únicas que não receberam qualquer repreensão do Senhor Jesus. Não havia nelas um movimento apóstata com este estigma.
Trata-se, portanto, de um aviso a estas duas Igrejas a que ficassem atentas para aqueles que não são fieis à verdade. Visto que Sinagoga significa, sucintamente, assembleia ou reunião, obviamente, se trata de sistemas religiosos que praticam uma espécie de culto judaizante e fora do fundamento da Graça. Representam a classe clerical, ou seja, os mandatários de religiões administradas pelo esforço e justiça própria, os quais não receberam a redenção pela Graça. O apóstolo Paulo os confronta na Igreja da Galácia, mostrando a insensatez deles ao induzirem os fieis a abandonar a Graça para voltar à Lei.
Ef. 2: 8 a 10 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Verifica-se que, ao contrário do que muitos apregoam em suas religiões, a salvação não é pela fé, mas pela graça. A fé é, tão somente, o meio pelo qual Deus desperta o pecador pelo ouvir da sua Palavra. Pelo convencimento do Espírito Santo, fazendo que o homem decaído e morto espiritualmente, se veja como pecador e cria que Cristo é o seu único justificador. Não há como fazer qualquer dicotomia entre graça e fé, porque ambas operam simultaneamente para a redenção do pecador. Entretanto, fica claro no texto que a salvação não vem das obras de justiça própria do pecador, porque, neste caso, a glória seria dele mesmo. Isto desqualificaria a morte substitutiva e inclusiva de Jesus, o Cristo. Deste modo, os pecadores eleitos são regenerados, ou seja, recriados em Cristo Jesus. Trata-se de uma nova geração conforme II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Estar 'em Cristo' é estar nele incluído, ou seja, crer que morreu com ele e com ele ressuscitou. Assim, o pecador se torna um pecador regenerado por meio da nova geração em Cristo. Por vias de consequências, o pecador justificado não tem mais qualquer culpa pelas coisas velhas, a saber, pela sua velha natureza adâmica. Os seus atos pecaminosos foram também justificados em Cristo e serão tratados pelo resto da sua existência. Este é o sentido da perseverança na fé. 
Desta forma, a 'Sinagoga de Satanás' tem, neste estudo, dupla referência: os cristãos que não abandonavam suas antigas práticas legalistas e judaístas, tentando, ingloriamente, entrar no reino de Deus pela Lei e pela Graça ao mesmo tempo; como também, os cristãos de hoje que tentam apossar-se do reino de Deus pelas suas práticas religiosas fora da Graça. Buscam forcejar a entrada no reino de Deus pela justiça própria com base em méritos humanos. Isto desqualifica os méritos santos de Jesus, o Cristo. Sabe-se que não há como este processo dar certo conforme At. 4:12 - "E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos."
O ensino para que o povo deixe a 'Sinagoga de Satanás' aparece já na carta aos Hebreus conforme Hb. 13: 8 a 13 - "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente. Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas; porque bom é que o coração se fortifique com a graça, e não com alimentos, que não trouxeram proveito algum aos que com eles se preocuparam. Temos um altar, do qual não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo. Porque os corpos dos animais, cujo sangue é trazido para dentro do santo lugar pelo sumo sacerdote como oferta pelo pecado, são queimados fora do arraial. Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta. Saiamos pois a ele fora do arraial, levando o seu opróbrio." Portanto, é Sinagoga de Satanás qualquer sistema religioso que permanece no velho pacto e dentro do tabernáculo da velha ordem. O ensino é que o verdadeiro cristão regenerado sai fora do arraial das crenças que misturam lei e graça. Confundem auto justificação e a Justiça de Deus realizada na cruz.
'Sinagoga de Satanás' não é uma igreja ou religião específica, mas um sistema de crenças existente dentro de todas as igrejas e religiões as quais não recebem a todo-suficiente Graça de Deus como método de justificação unicamente por meio de Cristo.
Sola Gratia!

julho 22, 2018

O ERRO É SEQUER SABER SOBRE AS ESCRITURAS

Mc. 12: 24 - "Respondeu-lhes Jesus: porventura não errais vós em razão de não compreenderdes as Escrituras nem o poder de Deus?"
Na língua grega, notadamente, em sua forma comum, denominada grego koinê há duas palavras para designar a significação dos tropos: conhecimento e saber. O Novo Testamento ou a Segunda Escritura foi escrita nesta forma da língua grega, porque o objetivo, na economia divina, era alcançar as massas menos letradas. Desta forma, para o substantivo masculino, 'conhecimento', o texto neotestamentário se utiliza do vocábulo [γνώσης] 'gnósis'. Porém, para o verbo 'saber' ou 'compreender', o mesmo texto neotestamentário se utiliza do vocábulo [ειδοτες] 'eidotes'.
Entretanto, o termo 'conhecimento', tal como designado no texto grego bíblico possui caráter espiritual ou revelador. Não se restringe apenas ao mero conhecimento universal que estabelece a percepção entre o sujeito e o objeto. Também, não deve ser confundido com o conceito de conhecimento do Gnosticismo, o qual possui sentido místico. O termo saber ou compreensão, por seu turno, é apenas a ciência ou a consciência da mera existência de algo, ou alguém. É como ter ciência ou consciência de que algo ou alguém existe em algum lugar e de alguma forma. Porém, sem que haja a operação sujeito/objeto.
Ambos os termos, 'conhecimento' e 'compreensão' tomados neste estudo nada têm a ver com os conceitos de conhecimento científico e sabedoria humana por assimilação cultural. Não estão relacionados a mera cognição dos fatos.
O texto de abertura circunscreve-se no contexto em que Jesus, o Cristo discursava, ensinando perante as multidões. Dentre os ouvintes estavam alguns fariseus, escribas e saduceus. Os fariseus pertenciam a uma seita político-religiosa predominante na sociedade judaica do tempo de Jesus. Os escribas eram copistas dos textos escriturísticos que, de tanto copiá-los, tornaram-se doutores da lei. Para os judeus deste tempo, a lei era o conjunto de escrituras veterotestamentárias e não apenas a lei de Moisés. Os saduceus era uma seita religiosa menos numerosa, mas de grande influência no Sinédrio, a saber, o centro de comando na nação judaica. Eles sempre presenciavam os discursos e o ensino de Jesus, o Cristo para achar alguma falha nele. Eles se sentiam ameaçados por temer que Jesus reivindicasse a sua messianidade e, com isso, pudesse trazer instabilidade ao falso equilíbrio vivido sob o domínio do Império Romano. Líderes religiosos sempre se sentem ameaçados pelo ensino verdadeiro, porque temem perder suas posições e seus ganhos.
No contexto do capítulo vinte e quatro do evangelho de Marcos, Jesus, o Cristo contou a parábola da vinha que fora arrendada quando o proprietário das terras viajou. Sempre que o proprietário enviava um mensageiro para receber o valor do arrendamento, os arrendadores matavam os emissários, julgando que o arrendatário não retornasse mais. Esta parábola evidencia as incontáveis mensagens, figuras e sinais enviados por Deus à humanidade sobre o Redentor e esta rejeitou a todos. A uns prenderam, a outros bateram e a outros mataram. Todo o texto escriturístico, tanto do primeiro testamento, quanto do segundo testamento fala apenas sobre o envio do Filho Unigênito de Deus para resgatar os pecadores eleitos. O objetivo do texto sacro não é científico, filosófico ou religioso, mas visa revelar o Caminho, e a Verdade, e a Vida os quais referenciam o próprio Cristo conforme Jo. 14:6.
Em seguida, Jesus, o Cristo, responde aos saduceus que o interpelara sobre o assunto da ressurreição. Por não crerem na ressurreição, entraram em conflito com o ensino de Jesus, perguntando-o algo, absolutamente inócuo: 'após diversos irmãos terem se casado com uma mesma mulher, na ressurreição, qual deles será o seu verdadeiro esposo?' Jesus lhes ensinou que, no reino eterno e espiritual, as pessoas e os anjos não se casam. Desta forma, todos estes pleitos humanos cessam com a morte.
Após seus ensinos, bastantes enfáticos, sobre a rejeição d'Ele como o Messias e da ignorância sobre o reino espiritual, Jesus, o Cristo lhes disse claramente que não tinham compreensão das Escrituras. Veja, Jesus não lhes acusou de não terem conhecimento, visto que não eram espirituais, mas apenas religiosos. Jesus, os acusou de não saberem ou não compreenderem a Palavra de Deus. Isto é algo mais superficial ou simples, pois o conhecimento requer revelação do alto, mas o mero saber requer apenas o esforço de leitura e o domínio intelectual dos textos. Usavam o texto bíblico apenas como ritual, regra, preceito e norma comportamental. Usavam-no apenas como letra morta!
Jo. 5:39 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim." Neste outro contexto, Jesus, o Cristo demonstra claramente que os líderes religiosos folheavam as Escrituras procurando o Salvador ou Messias. Revelou-lhes que era ele mesmo que estava diante deles, mas estes não podiam crer. Assim, o mero saber sobre Jesus, Deus, Amor, Salvação, Verdade e as Escrituras, não pode, por si só, produzir salvação ao pecador. É necessária a revelação do alto para tal.
Hoje veem-se muitos religiosos que, além de não saberem as Escrituras, também não têm revelação, porque são meros religiosos. Sobrevivem de uma doutrina de homens repassada por terceiros. A ela vão agregando suas próprias adaptações para satisfazerem suas almas decaídas.
Sola Scriptura!

junho 01, 2018

AMAS-ME OU TENS APENAS AFEIÇÃO POR MIM?

Jo. 21: 15 a 19 - "Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu-lhe: sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: apascenta os meus cordeirinhos. Tornou a perguntar-lhe: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Pastoreia as minhas ovelhas. Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Entristeceu-se Pedro por lhe ter perguntado pela terceira vez: amas-me? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queres. Ora, isto ele disse, significando com que morte havia Pedro de glorificar a Deus. E, havendo dito isto, ordenou-lhe: segue-me."
Há no texto grego neotestamentário uns quatro significantes para o significado amor. São estes os significantes e seus significados: 
'fileo' [Φιλεo] que significa 'amor fraterno' ou 'afeição humana'; 
'eros' [ἔρως] que significa 'amor carnal', 'atração sexual' ou 'amor erótico';
'storgué' [στοργή] que significa 'amor familiar ou de parentesco';
e, finalmente, 'agape' [ἀγάπη], significando 'amor divino', 'amor perfeito', ou ainda, 'amor profundo'.
Muito se tem debruçado sobre o tema amor ao longo dos tempos. Filósofos, desde os gregos antigos, passando pelos modernos, vindo até os contemporâneos discorrem sobre o amor. As concepções são diversas e seguem diferentes vertentes e tendências. Nas Escrituras, por outro lado, são enfatizadas algumas palavras, tanto no hebraico veterotestamentário, quanto no grego koiné neotestamentário, sobre o assunto em tela. Não se tratando, todavia, de um mero debate filosófico, psicológico, literário ou fisiológico, mas como uma prática concreta e resultante do processo do novo nascimento. Nas Escrituras, o amor não é romanceado. 
Há entre religiosos, uma inclinação para um amor apenas no discurso. Porém não se concretiza em ações e reações. Muitos desses religioso ou cristãos nominais, amam apenas de lábios, mas não agem em qualquer sentido para por em prática o amor de Deus. O apóstolo Tiago afirma em Tg. 2:16 - "...se algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso?" O apóstolo João completa este ensino conforme I Jo. 3:18 - "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade."
O texto que abre este estudo é um diálogo mantido entre Jesus, o Cristo e o discípulo Pedro, visto que até então, o mesmo era apenas um seguidor de Jesus. O Mestre o interpelou três vezes sobre a natureza do seu amor. Na primeira vez Jesus perguntou a Pedro: "Pedro, tu me amas mais profundamente do que a estes?" O verbo amar, nesse caso, foi 'agapas', porque está flexionado, concordantemente com o pronome tu. Pedro, então, respondeu: "sim Senhor, tu sabes que tenho afeição por ti", usando o verbo 'philó', também flexionado com o pronome ti. Então, Jesus, o Cristo lhe disse: "apascenta os meus cordeirinhos." É como se Jesus, o Cristo dissesse: 'Pedro tu me agape?' E Pedro respondesse: 'sim, tu sabes que eu te filó'. Jesus, então indaga uma segunda vez: "Pedro, tu me amas?" Pedro, segunda vez, repetiu a primeira resposta: "sim, Senhor, tu sabes que eu tenho afeição por ti". Jesus, disse-lhe: "apascenta as minhas ovelhas". Terceira vez Jesus, o Cristo indagou: "Pedro, tens afeição por mim?" Ao que Pedro respondeu, caindo em si: "Senhor, tu sabes tudo. Sabes que tenho apenas afeição por ti." Jesus, lhe disse outra vez: "apascenta as minhas ovelhas." Ou seja, Pedro só poderia cuidar da Igreja, quando conhecesse o verdadeiro amor por meio do novo nascimento.
Portanto, este diálogo mostra com clareza que Jesus, o Cristo propôs a Pedro o amor profundo e verdadeiro procedente de Deus. Ou seja, propôs doar a sua própria vida a Pedro, visto que Cristo mesmo é o próprio amor. Entretanto, Pedro não poderia alcançar este amor até então. Suas respostas foram, repetidamente, com o amor meramente fraterno ou de afeição humana. O amor 'agape' só é possível após o novo nascimento. O homem natural é capaz de amar, e muito mal, outras categorias de amor almático, mas não o espiritual. Por esta razão Jesus disse a Pedro, em outro contexto: "Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos. Respondeu-lhe Pedro: Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte. Tornou-lhe Jesus: digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes tenhas negado que me conheces." - Lc. 22: 31 a 34. Pedro apenas poderia amar profunda e plenamente, quando fosse convertido. Toda a soberba religiosa de Pedro foi desfeita na noite do julgamento de Jesus, quando o negou por três vezes, conforme predito por Cristo. Muitos religiosos sofrem da síndrome de Pedro: mantêm uma presunção de amor, mas suas almas ainda não foram regeneradas. Seus espíritos continuam mortos para Deus, porque não experimentaram o novo nascimento que nada tem a ver com fé religiosa, práticas ritualísticas de religião e cumprimento de preceito sobre preceito. É como foi dito em Mc. 7:6 - "Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim."
Sola Scriptura!

maio 12, 2018

QUANDO DEUS SE CANSA DO CULTO

Is. 1: 11 a 15 - "De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu de vós isto, que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação. As luas novas, os sábados, e a convocação de assembleias não posso suportar a iniquidade e o ajuntamento solene! As vossas luas novas, e as vossas festas fixas, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei; porque as vossas mãos estão cheias de sangue."
Culto é um substantivo masculino derivado do verbo cultuar. A significação do vocábulo 'culto', relativamente à teologia, é prestar homenagem de caráter religioso ao que o homem considera divino. Ou ainda, conjunto de atitudes e ritos pelos quais se adora uma divindade. Trata-se, portanto, de ato litúrgico praticado por pessoas religiosas àquilo ou àquele a quem consideram como divindade. 
Portanto, até o culto a Deus pode ser falso ou verdadeiro, visto que, caso o objeto da adoração seja algo ou alguém que não é Deus, logo, é apenas uma manifestação humana e falsa. Adora-se apenas a Deus! Isto é doutrinado em Ap. 22: 8 e 9 - "Eu, João, sou o que ouvi e vi estas coisas. E quando as ouvi e vi, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava, para o adorar. Mas ele me disse: olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus." Vê-se que os próprios anjos fiéis a Deus, não aceitam adoração para si mesmos. 
O texto que abre este estudo demonstra a insatisfação de Deus com os atos litúrgicos dos israelitas. Sacrificavam e queimavam incenso a Deus, ajuntavam-se em solenidades, ofereciam sacrifícios de animais e compareciam nos átrios do templo para adorá-lo, entretanto, ele afirma que não havia requerido isto deles. A razão da rejeição ao culto está no próprio texto, a saber, 'as ofertas do povo eram vãs.' Isto significa que os atos litúrgicos eram desprovidos de significação para os próprios adoradores. As prescrições de sacrifícios e ofertas, no livro de Levíticos, eram símbolos ou imagens de bens futuros. Pois, tais ritos apontavam para o sacrifício supremo e último de Jesus, o Cristo com vistas à redenção dos pecadores eleitos. Entretanto, o povo apresentava seus sacrifícios e ofertas por interesses de barganhas com Deus. Ofereciam para receber bênçãos materiais e não por crer na promessa de redenção espiritual por meio do Filho Unigênito de Deus. É este o sentido de vaidade das ofertas do povo em seus cultos, meramente, religiosos. Portanto, dá-se o mesmo na atualidade!
Deus afirma que o ajuntamento solene do povo para cultuar era insuportável, porque os ofertantes tinham suas mãos sujas de sangue. Ocultavam os seus crimes e pecados, ofertando, orando, cantando e levantando as mãos contaminadas. Deus não pactua com a natureza pecaminosa no homem; Deus não recebe adoração e culto contaminados pela iniquidade; Deus vê o pecador eleito apenas por meio do seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos. Para isso, o homem precisa receber a graça para experimentar o novo nascimento nos moldes de Jo. 3: 3, 5 e 6 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito."
Esta mesma realidade ocorre nos dias de hoje nas igrejas institucionais e nominais. Os cultos são enfadonhos, porque os cultuadores não conhecem a Deus, porque não reconhecem seu Filho Jesus, o Cristo como Deus. Cultuam por tradição religiosa, para serem aceitos socialmente, para fazer terapia de grupo aos domingos, para barganhar bênçãos e por presunção de fé. Fazem e praticam aquilo que não lhes foi requerido. Vão correndo realizar obras para as quais não foram designados. Isto é mostrado claramente em Jr. 23:21 - "Não mandei esses profetas, contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram."
É Cristo quem torna o pecador eleito e regenerado apresentável diante de Deus conforme Cl. 1:22 - "...agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis..."
Sola Gratia!

abril 30, 2018

RAÇA ELEITA x RAÇA DE VÍBORAS


I Pd. 2:9 - "Mas vós sois a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz."
Mt. 23:33 - "Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?"
Na Aliança da Graça, Jesus, o Cristo e João, o Batista fazem referência a um grupo específico de pessoas como raça de víboras. Por outro lado, o apóstolo Pedro faz referência a outro grupo específico de pessoas como a raça eleita, sacerdócio real, nação santa e povo adquirido. Trata-se de uma comparação entre duas categorias de pessoas: uma escolhida e outra rejeitada. Esta questão não é passiva de debate. É uma afirmação peremptória das Escrituras e não uma opinião de quem quer que seja. Os portadores da natureza decaída sempre tentam polemizar os decretos eternos de Deus. Entretanto, Deus não muda a sua soberana vontade por causa das opiniões dos homens.
A expressão "raça de víboras" era recorrente entre os judeus da época de Jesus, o Cristo, como uma metáfora dirigida àqueles cujas naturezas são originalmente pecaminosas. Não era uma questão de escolha, pois o homem natural, religioso ou não, não pode fazer escolhas espirituais. Portanto, escolher uma determinada religião, não o faz escolher Deus. Deus escolheu os eleitos para os regenerar por meio da inclusão deles na morte de Cristo. Isto fica evidente em Jo. 6: 44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." O texto é enfático e literal. Ninguém pode aceitar ou se inclinar para Cristo sem que Deus, o Pai o incline para tanto. Uma vez levado a Cristo, o pecador eleito é atraído na cruz para ser justificado conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus, o Cristo foi levantado da Terra três vezes: na sua crucificação, na sua ressurreição e na sua ascensão ao céu. O texto é claro ao demonstrar que se trata da sua morte de cruz. O resultado final é o que consta do texto de Gl. 2: 20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim."
A expressão "raça de víboras" provém do hebraico [זֶרַע צִפְעוֹנִים] que transliterado é 'Zêrah Tsfonim'. Tal expressão figurada pode ser traduzida por 'descendência da serpente', porque o vocábulo 'zêrah' significa serpente, enquanto o vocábulo 'tsfonim' significa descendentes. A origem da descendência da serpente se acha em Gn. 3:15 - "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o seu descendente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Do texto, pode-se depreender que 'ti' é Satanás incorporado na serpente; 'a tua descendência' é a descendência da serpente, a saber, de Satanás. Incluindo-se todas as pessoas após a queda de Adão e Eva; 'o seu descendente' é Jesus, nascido de mulher, no qual encarnou o Cristo Filho Unigênito de Deus; Esta profecia se cumpriu na cruz, quando a descendência da serpente perfurou as mãos e os pés de Jesus, o Cristo, mas este derrotou Satanás, condenando-o eternamente por sua morte e por sua ressurreição triunfante e eterna. Foi na cruz que Cristo esmagou a cabeça da serpente. Caso Cristo não houvesse resuscitado, o plano redentivo de Deus não teria se completado.
A natureza de serpente se perpetuou na raça humana, tendo sido evidenciada logo após a queda no fratricídio de Caim sobre seu irmão Abel. Caim é o tipo da raça da serpente conforme I Jo. 3:12 - "... não sendo como Caim, que era do Maligno, e matou a seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas." Abel é o tipo dos justificados, não por obras de justiça própria e por méritos, mas por crer no substituto, pois ofereceu a Deus um cordeiro, o que indicava a morte de Jesus, o Cristo.
Desta forma, desde a queda, passando por Caim, depois por Lameque que matou duas pessoas, a natureza da serpente se multiplicou em toda a humanidade. O caso de Lameque, o quinto depois de Adão é confirmado em Gn. 4: 23 e 24 - "Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila, ouvi a minha voz; escutai, mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e um mancebo por me pisar. Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta e sete vezes."
A natureza da serpente é confirmada em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Na crucificação de Jesus, o Cristo, se vê claramente os dois lados da humanidade: o malfeitor que atormentava e acusava Jesus e o malfeitor que creu que Jesus, o Cristo era o Salvador. Enquanto o primeiro exigia de Jesus, o Cristo uma solução ao seu problema de condenação, o segundo reconhecia sua condição pecaminosa e confiava que Jesus, o Cristo era o Filho do Altíssimo. 
A geração eleita é originada da raça de víboras, porém com o diferencial que foram eleitos antes da fundação do mundo e preordenado para a vida eterna conforme Rm. 8: 29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou." E importante saber que a raça eleita, em nada, é melhor que a raça de víboras até que seja regenerada. Não são méritos e justiça própria que faz a diferença, mas a Graça de Deus. O texto de I Pedro que abre este estudo afirma que a geração eleita é formada por um povo adquirido e não por religiosos inchados em sua soberba e orgulho. Esta geração ou raça eleita tem uma destinação: ser sacerdócio real e uma nação santa para anunciar as grandezas de Deus. Foram chamados das trevas, a saber, da condição de raça da serpente, para a maravilhosa luz, a saber, o conhecimento de Deus.
Sola Scriptura!