maio 29, 2020

QUE LUZ HÁ EM TI?

Lc. 11: 33 a 36 - "Ninguém, depois de acender uma candeia, a põe em lugar oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz. A candeia do corpo são os olhos. Quando, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, quando forem maus, o teu corpo será tenebroso. Vê, então, que a luz que há em ti não sejam trevas. Se, pois, todo o teu corpo estiver iluminado, sem ter parte alguma em trevas, será inteiramente luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplendor.
Luz é um fenômeno físico do campo da óptica, enquanto fenômeno natural ou artificial. É o único fenômeno que não pode ser poluído por qualquer outro fenômeno. Hoje sabe-se que a luz possui comportamento duplo: é onda e é partícula. A luz é, portanto, um fenômeno eletromagnético e se propaga no espaço, segundo a física einsteniana, a 300.000 km/s. A frequência da luz visível, a olho nu, é chamada de espectro. Nosso olho possui a capacidade de enxergar a luz apenas no intervalo de 4,0 a 7,5 Hz de frequência. Fora desse intervalo prevalecem as frequências ultravioleta e infravermelha. Quando um bebê nasce, basicamente, não enxerga nitidamente. As células fotoelétricas dos seus olhos necessitam da luz para serem estimuladas e permitir a visão.
Entretanto, não é o fenômeno luminoso natural que nos importa neste estudo. Na Bíblia, quase sempre, a palavra luz significa conhecimento e não fenômeno óptico. A palavra neotestamentária para luz é [φῶς] que transliterado grafa-se 'fôs'. Tanto no grego, quanto no hebraico veterotestamentário, a palavra luz significa conhecimento. Claro! Quando o contexto não denota luz como fenômeno natural ou óptico. Acrescenta-se que, o sentido de conhecimento em termos bíblicos, não se refere ao conhecimento intelectual ou científico. Trata-se de um conhecimento na esfera espiritual. Também, as Escrituras diferenciam o simples saber do conhecimento. São questão distintas, sendo aquele apenas superficial e informacional, e, este, profundo e significativo.
No texto que abre este estudo, Jesus, o Cristo aborda, tanto o sentido denotativo enquanto óptico, quanto o sentido conotativo da luz enquanto conhecimento. Quando se refere ao fato de alguém acender uma candeia e colocá-la escondida debaixo de um alqueire, está falando de luz como elemento de iluminação de um ambiente. Ele se utiliza da comparação para mostrar que ninguém, uma vez iluminado pelo verdadeiro conhecimento oculta-o. Depois o Mestre discorre sobre a forma em que o homem estabelece ou não os seus juízos sobre a realidade. Logo, é pelo que se vê que se faz o juízo do conhecimento ou da ignorância. Quando se vê pela luz do conhecimento verdadeiro, o seu discernimento será bom; quando se vê pela luz da ignorância, seu discernimento e atos serão maus. E qual é o conhecimento verdadeiro? Cristo responde em Jo. 8:32 - "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." A verdade não é um conceptismo filosófico ou epistemológico, mas uma pessoa, a saber, o próprio Cristo. Ele mesmo é a luz verdadeira que alumia a todo homem conforme Jo. 1:9 - "Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo." Este é o registro do apóstolo João, mostrando que João, o batista estava anunciando a chegada de Cristo.
Entretanto, o Mestre levanta um questionamento: "vê, então, que a luz que há em ti, não sejam trevas." O que ele está inquirindo é: você tem luz própria ou luz espiritual? A luz que guia o seu discernimento e juízos são originadas do conhecimento verdadeiro, ou da luz natural do homem? Não é necessária qualquer extrapolação para verificar este ensino, pois ele mesmo diz que, "... se todo o teu corpo estiver iluminado..." Estar iluminado implica que a luz não é própria, mas vem do alto. É como a candeia colocada no ponto mais alto da casa para iluminar todo o ambiente. Então, é possível que o homem utilize da sua própria sabedoria como se fosse conhecimento verdadeiro. Porém, o apóstolo Tiago esclarece que a sabedoria humana é três coisas: terrena, almática e diabólica conforme Tg. 3: 13 a 15 - "Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." É o mesmo ensino de Jesus, o Cristo. O homem que recebe a luz do alto tem o procedimento típico de quem é iluminado. Já o que anda por sua própria luz, tem como resultado um procedimento tenebroso e voltado para si. Ele termina mostrando a diferença entre agir pela sabedoria que do alto vem e a sabedoria terrena, animal e diabólica. Lembre-se que a palavra 'animal' no texto grego é 'psikê', a saber, alma. Então, fica evidente que, aqueles que são guiados pelo espírito iluminado por Deus têm a sabedoria do alto; aqueles, no entanto, que se guiam por suas almas, têm a sabedoria diabólica. Ora, considerando que todo homem herdou a contaminação do pecado, logo, todos são espiritualmente mortos para Deus. Vivem e sobrevivem da sua própria luz que, segundo Jesus, o Cristo, são trevas.
Muitas pessoas são bem dotadas de conhecimento intelectual, têm habilidades para os negócios, são bem-sucedidas financeiramente, são bem relacionadas socialmente. Estas pessoas, geralmente, creditam tais coisas a uma luz própria ou um poder especial que possuem. Entretanto, e a despeito de todo o bem que tais coisas proporcionam social e materialmente a qualquer pessoa, o fato é que são obtidas pelas trevas, ou seja, a luz que há no próprio homem. Tais vitórias e progressos não servem como padrão meritocrático e justificador do homem decaído e morto para Deus. Em muitos casos, por questões culturais, algumas pessoas atribuem tais vitórias a Deus. Porém, o fazem por uma questão de costume ou religiosidade. 
Finalmente, pergunta-se: e a luz que há em ti, é procedente de quem?
Sola Gratia!

maio 27, 2020

EXAMINAIS AS ESCRITURAS, MAS NÃO PODEIS VER

Jo. 5: 39 e 40 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida!"
O livre exame das Escrituras foi uma conquista da assim chamada Reforma Protestante.
Os reformadores não foram chamados de protestantes, muito menos, se autoproclamaram como tais. Na verdade, alguns nobres do Sacro Império Germânico, por terem apoiado Martinho Lutero contra as ameaças da Igreja Católica, assim foram denominados. 
Príncipes alemães apoiaram Lutero após a Dieta de Spira em 1526/29, mantendo-o sob proteção no castelo do Duque da Saxônia, Frederico III. Foi neste cenário exílico que Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, facilitando a sua tradução para os demais idiomas posteriormente. Até a Reforma Protestante em 1517, não era permitido ao homem comum examinar e discorrer sobre os textos sagrados. Apenas os padres e autoridades canônicas da igreja dominante tinham esta prerrogativa. Os católicos só tiveram livre exame da Bíblia após o Concílio Vaticano II, em 1963. 
Lutero foi intimado por três vezes, diante da igreja, pela publicação das 95 teses reformistas, as quais propunham-se apenas à reformulação e não à divisão da Igreja Católica. Entretanto, a igreja preferiu excomungá-lo, considerando-o desertor e herege. A ação reformista de Lutero resultou de uma visita a Roma em 1510, quando se deparou com elevada corrupção e ganância do clero, além do baixo nível moral dos membros da igreja. Imaginou, ingenuamente, que poderia levar a igreja a um autoexame e mudança profunda. 
Após o resumido brefing histórico acima, ao ponto, pois. No texto que abre este estudo, Jesus, o Cristo achava-se em um cenário de debates das autoridades religiosas judaicas acerca da sua obra e autoridade. Os líderes religiosos, não o aceitavam, muito menos, sua doutrina. Jesus, explicou-lhes que não estava interessado em autopromoção ou de receber a glória dos homens, porque tinha recebido do Pai uma missão. Dizia-lhes que, tudo o que falava era procedente de Deus e não de si mesmo. Entretanto, eles refutavam seu ensino e o desqualificavam como autoridade espiritual. Tal discussão culmina com as seguintes colocações por parte de Cristo: "E o Pai que me enviou, ele mesmo tem dado testemunho de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua forma; e a sua palavra não permanece em vós; porque não credes naquele que ele enviou." O fechamento desse embate ocorre com a constatação de que os líderes religiosos tinham muito conhecimento intelectivo das Escrituras, mas não conseguiam perceber quem era Jesus, o Cristo conforme o verso 39 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim..." Desta forma, não adianta ao homem o simples exame das Escrituras, a aquisição de grande conhecimento dos textos, a capacidade de estabelecer juízos teológicos sobre o que examinou e leu, muito menos, buscar o caminho da vida eterna nelas indicado. O homem busca, de fato, fórmulas para estabelecer como padrões de comportamento moral. Erram, porque o caminho da vida eterna não é uma concepção filosófica, científica ou mística. O caminho é uma pessoa, a saber, o próprio Cristo. Isto está perfeitamente registrado por ele mesmo em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Enquanto se procura maneiras, metodologias, padrões e roteiros para encontrar a vida eterna, não se achará. Para isso são necessárias duas coisas: crer naquele a quem Deus enviou e perder a vida almática. A primeira está doutrinada em Jo. 8:24 - "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados." A expressão "eu sou" é a mesma utilizada por Deus a Moisés, quando da libertação do povo do Egito. Indica a eternidade e a atemporalidade de Deus. Ele não é um ser transitório e fruto da concepção humana em função do tempo e das culturas humanas como os deuses pagãos. Portanto, Cristo indicou, no texto acima, que ele mesmo é Deus encarnado, naquele momento, no homem histórico Jesus. A segunda está doutrinada em Jo. 10:39 - "Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á." A vida do homem natural não serve como padrão de aproximação e reconciliação com Deus. Ela está contaminada pela natureza pecaminosa herdada de Adão nos termos de Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Portanto, é necessário perder a própria vida para ganhar a vida de Cristo. O pecado a que alude o texto paulino, não é uma referência aos atos pecaminosos, mas à natureza pecaminosa permanente no homem. É este pecado que Jesus, o Cristo veio aniquilar.
Crer não é natural ao homem. No máximo, o homem natural possui crendice, ou ainda, religião. Crer no sentido em que se acha nas Escrituras é algo sobrenatural. É impossível ao homem crer por expensas próprias. A natureza da fé  não é humana conforme Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem." Então, a fé é ver o que não está diante dos olhos e ter como certeza o que ainda não chegou. A fé é dom de Deus e não uma virtude humana conforme Jd. 3 - "... exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos."
Perder a vida almática para ganhar a vida de Cristo se dá quando o homem é chamado por Deus e conduzido a Cristo conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Então, que fique bem claro: se Deus não despertar o pecador, ele jamais se inclinará para Deus. Isto porque, seu espírito está morto para Deus e sua alma está impregnada pela natureza pecaminosa. O termo "ninguém" no texto retro mencionado é um pronome indefinido, ou seja, não há qualquer pessoa que possa ir a Cristo por conta própria. Finalmente, o processo de perder a própria vida é por fé que sua vida foi incluída na morte de Cristo conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus, o Cristo foi levantado da Terra três vezes: na cruz, na ressurreição e na assunção ao céu. Todas fazem parte de um mesmo processo. Desta forma, você deve implorar a graça e a misericórdia de Deus para levá-lo até a cruz e, nela, ter a sua vida morta espiritualmente incluída na morte de Cristo. Assim, você perderá a sua vida, mas achá-la-á na vida de Cristo, porque Ele ressuscitou e retornará logo para a restauração final.
Sola Scriptura.
Sola Gratia.
Solos Christus.
Sola Fidei.
Soli Deo Gloria.

maio 26, 2020

DA NECESSIDADE DE VIGIAR


Mc. 14: 38 a 41 - "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Retirou-se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras. E voltando outra vez, achou-os dormindo, porque seus olhos estavam carregados; e não sabiam o que lhe responder. Ao voltar pela terceira vez, disse-lhes: dormi agora e descansai. Basta; é chegada a hora. Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores."
No transcurso da vida cristã normal, muitas questões veem à mente dos eleitos e regenerados. Algumas postulações bíblicas ditas por Jesus, o Cristo, ou pelos apóstolos hagiógrafos parecem colocar termos e ideias em contradição. A regra áurea, neste caso, é que não existem contradições reais no texto escriturístico. No máximo existem aparentes paradoxos, a saber, conceitos que são ou parecem ser contrários ao que é comum, contra-senso, absurdo ou ideia dispare. O conselho é procurar aplicar o contexto geral e examinar o texto em sua língua original, se possível. Vê-se que a questão nunca é com o texto, mas com o costume herdado da cultura pseudocristã imposta a todos. A Bíblia não é um texto comum. Portanto, jamais será compreendida pelo senso comum. A compreensão se dá, primeiramente, pela revelação, e, secundariamente pela fé repartida a cada um segundo a medida de Deus.
O verbo vigiar em língua portuguesa é transitivo direto, ou seja, requer complemento para formar sentido completo. Significa 'observar com atenção, estar atento a...' e, ainda, 'observar secreta ou ocultamente, espreitar, espionar, guardar, tomar conta.' No texto neotestamentário escrito em grego popular ou koinê, o verbo vigiar é [γρηγορεo] que, transliterado, grafa-se "gregoreõ". No texto que abre este estudo nos versos 37 e 38 é utilizado este mesmo verbo, porém, flexionado em caso e pessoa: no verso 37 é [γρηγορησαι] ou 'gregorensai'; no verso 38 [γρηγορειτε] ou 'gregoreite'. Significando, respectivamente: vigiar e vigiai. O verbo vigiar nos sentidos já mencionados ocorre 23 vezes no novo testamento. Em todas elas possui sentido de estar atento para se proteger, se defender ou se precaver contra algum tipo de ataque. Em alguns destes textos, o sentido de vigiar é, também, de prescrutar, sondar, espionar e dedicar atenção específica para evitar sofrimento moral e físico. É bom lembrar-se que, antes da morte, ressurreição e ascensão de Cristo, os discípulos não eram nascidos de novo. Eram, portanto, susceptíveis de tentações e dúvidas de fé. A evidência concreta disso foi o caso de Pedro na noite em que negou Jesus. O texto mostra, claramente, a impossibilidade de o homem natural manter-se pela fé sem o novo nascimento. Isto porque, o espírito está pronto, mas a alma não está sob o controle dele. Lembre-se ainda que, carne no sentido bíblico, refere-se à alma e seus atos pecaminosos. 
I Ts. 5: 6 e 10 _ "... não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios... que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele." Neste caso, o verbo vigiar não é utilizado metaforicamente no sentido de 'estar vivo, atento, desperto', porque foi posto em contraposição ao verbo dormir [καθευδω] 'katheudõ' que, neste contexto, não significa estar morto, mas significa indiferença e desconfiança na palavra de Deus. O apóstolo Paulo nunca utiliza o verbo 'katheudõ' ou 'dormir' em seus textos com o sentido de estar morto. O único caso em que tal verbo é utilizado, por Jesus, neste sentido é em Mc. 5:39 - "E, entrando, disse-lhes: por que fazeis alvoroço e chorais? a menina não morreu, mas dorme." Embora, Jesus, o Cristo tenha dito que a menina não morreu, mas, de fato, ela estava morta. O confronto entre vida e morte é algo tão marcante que os populares que estavam presentes riram de Jesus, o Cristo, porque disse que a menina não estava morta cf. verso 40 - "E riam-se dele; porém ele, tendo feito sair a todos, tomou consigo o pai e a mãe da menina, e os que com ele vieram, e entrou onde a menina estava." A diferença é que Ele é a ressurreição e a vida, diante de quem a morte não prevalece. Logo, tendo em vista o que Ele iria realizar e em seu propósito de ressuscitá-la, a menina não permaneceria morta. Assim, no texto de I aos Tessalonicenses, o sentido de vigiar é o de crer que, não importa a nossa condição humana de desatenção ou de sobriedade e vigilância, estamos em Cristo espiritualmente. Demonstra que a nossa salvação depende exclusivamente da nossa inclusão na morte de Cristo onde perdemos nossa vida almática para ganharmos a vida de Cristo. A expressão: "... como os demais..." do texto em tela, significa aqueles que são homens naturais. Estes, sim, estão em constante estado de catatonia espiritual, isto é, sono espiritual. O apóstolo Paulo está tratando do arrebatamento. Portanto, é uma questão de redenção plena e não de recompensa pelo que fazemos ou deixamos de fazer. 
I Pd. 5:8 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar." Neste texto é utilizado o mesmo verbo vigiar [γρηγορησατε] do qual já foi falado. Neste contexto não traz o sentido de ficar ansioso, preocupado e todo tempo procurando sinais de ataque do Diabo. Ao contrário, ensina que o acusador estará sempre nos espreitando e nos acusando diante de Deus por causa dos nossos erros. Não é nossa vigilância que o detém ou o afasta. Entretanto, ele não pode tocar naqueles pelos quais o Senhor Jesus morreu e ressuscitou. A maioria dos religiosos lê com atenção, este versículo, até a palavra 'leão'. Porém, não presta atenção ou não vigia sobre o que diz o resto do texto: "... procurando a quem possa tragar." Ou seja, o Diabo só pode exercer poder sobre aqueles que não têm a vida de Cristo. O ato de não ser sóbrio, não se manter vigilante e não perceber a vida de Cristo pode trazer apenas sofrimento social ou material. Jamais poderá nos separar do amor de Cristo. Não é nossa sobriedade e nossa vigilância que nos dá a redenção eterna.
Sola Gratia!

janeiro 15, 2020

O ÚLTIMO ENGANO VIII

II Co. 11: 14 e 15 - " E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras."
O engano e a mentira têm como premissa básica ser o mais semelhante à verdade, porque, do contrário, ninguém daria crédito. O texto que abre este estudo permite esta percepção, quando mostra Satanás se apresentando disfarçado de anjo de luz e seus demônios ministradores, como ministros da justiça. Neste sentido o último engano será tão bem elaborado que a maior parte dos povos e nações o receberá como verdade absoluta. Isto é confirmado em Ap. 13: 4 - "... e adoraram o dragão, porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta, dizendo: quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" 
Jesus, o Cristo, certa feita, afirmou em Jo. 5: 43 - "Eu vim em nome de meu Pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, a esse recebereis." A humanidade formada, em sua grande maioria, por homens mortos para Deus, abraçará o último engano com grande alegria, porque a oferta de Satanás será a felicidade, a prosperidade e a solução dos mais gritantes males humanos sem a interveniência de Deus e seu Cristo. Isto satisfaz o projeto do homem decaído, a saber, a ilusão de que é seu próprio salvador. A ideia do projeto satânico é a de que Deus não é necessário. Percebe-se, do ponto de vista do homem, que tal projeto está dando muito certo. Confiam na ciência e na razão como bases para negar a pessoalidade e soberania de Dues.
Há anos um grupo denominado adeptos da Teoria do Astronauta Antigo vem difundindo a ideia que os humanos são originados de seres que vieram das estrelas. Segundo esta teoria, estes seres extra-terrestres visitaram o planeta Terra em seus primórdios em busca de ouro para realizar um tratamento na atmosfera do seu planeta natal que se achava em processo de degradação. Como o trabalho de extração e refino do ouro era muito árduo, resolveram criar escravos para fazer o trabalho pesado. Então, decidiram alterar o código genético dos primeiros hominídios, acrescentando uma parcela dos seus próprios genes. Isto teria permitido um grande salto qualitativo no desenvolvimento intelectual e tecnológico do homem. Estes supostos seres são denominados, em língua babilônica, 'anunnaki' cujo significado pode ser: "aqueles que foram expulsos dos céus" ou "aqueles que foram arrojados para a Terra." Acerca destes, foram encontrados muitos registros escritos em tabletes, esculturas e figuras de sua aparência na antiga Suméria. 
Por razões que os teóricos do astronauta antigo não explicam, os tais extra-terrestres abandonaram a Terra e a humanidade a sua própria sorte. Entretanto, há registros em todas as partes do globo terrestre sobre estes visitantes do espaço. Todas as culturas, das mais adiantadas até as mais atrasadas têm em seus relatos folclóricos, religiosos e tecnológicos com base nos contatos com seres vindos das estrelas. Tais culturas afirmam que os mesmos iriam retornar à Terra um dia. Ora, é só ligar os pontos e se poderá encontrar claramente o que está por trás destes fatos. Não são seres de outros planetas, mas sim os anjos caídos chefiados por Satanás. Este é o projeto que trará o grande engano final.
Na curta epístola de Judas versos 6 e 7 encontram-se as seguintes palavras: "... aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia, assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como aqueles anjos, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno." Que anjos não se mantiveram em seus domínios determinados por Deus? Que anjos abandonaram suas próprias formas, ou seja, seus corpos originais e vieram para a Terra? De que maneira aqueles anjos se prostituíram e experimentaram a mesclagem com mulheres humanas de outra natureza física? Ora, no capítulo 6 do livro de Gênesis deixa claro que foram anjos que desobedeceram as ordens de Deus. Estes são os anjos caídos, os quais abandonaram seus postos. Sabe-se que muitos teólogos têm grandes objeções a esta leitura da Bíblia. Entretanto, seus argumentos não são terminativos e suficientes para negar os fatos em seu conjunto contextual.
Neste ponto surge um paradoxo, pois as Escrituras afirmam que Deus não faz nada em relação a Terra, sem comunicar aos seus profetas conforme o registro de Am. 3:7 - "Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." O contexto deste texto é relativo aos acontecimentos ligados à Nação Israelita em um dado momento. Todavia, não é errado expandir esta verdade para o contexto do grande Israel de Deus, a saber, a sua Igreja. Verifica-se, contrariamente, que não há qualquer revelação de Deus aos profetas que autorize intromissão de seres extra-terrestres vindos das estrelas para realizar qualquer projeto de ajuda ou melhoria da humanidade. Deus tem apenas um único plano para a redenção do homem decaído, qual seja, enviar o seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos para resgatar os eleitos. Os planos de Deus para o mundo são muito claros nas Escrituras.
Ora, fica evidente que tais seres vindos das estrelas são os anjos caídos sob as ordens de Satanás, para perpetrar o último engano. Os tais habitam no espaço sideral conforme Ef. 6:12 - "... pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes." Então, fica claro que tais seres vindos dos mundos celestiais são os mesmos que não guardaram seu principado, ou seja, os domínios que Deus lhes confiou. Eles abandonaram suas formas próprias e se mesclaram com a raça adâmica, produzindo híbridos para contaminar a humanidade. São eles os agentes da iniquidade e pertencem ao mundo das trevas. Trevas no sentido bíblico faz referência à falta de conhecimento e submissão ao reino de Deus e de Cristo. Acrescenta-se ainda, que, a palavra anjo, nada mais significa que mensageiro. As imposições místicas geradas pela religião é que transfigura este significado para algo que pode não ser aceito como sendo os anjos caídos os tais seres vindos das estrelas ou de outros planetas. Na ância de obter respostas sobre si mesmos, os homens darão ouvidos a estas teorias engendradas pelo próprio Satanás, disfarçadas de ciência e conhecimento superior.
Soli Deo Gloria!

janeiro 13, 2020

O ÚLTIMO ENGANO VII

II Tm. 4: 1 a 4 - "Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas."
Paulo, apóstolo de Cristo, escreve a seu filho na fé, Timóteo, sobre as exigências àqueles que são chamados a anunciar o evangelho. São exigidas dos pregadores: urgência, admoestação, repreensão, exortação com paciência e ensino. Há grande diferença entre pregar o evangelho da cruz aos que não creem e ensinar a doutrina de Cristo aos que creem. Tentar ensinar doutrina a quem não crê é o mesmo que levar um surdo de nascença à praia e dizer-lhe: escuta o maravilhoso barulho das ondas quebrando na areia. 
O objetivo central do ensino paulino, nesta epístola, é que chegaria um tempo em que os homens, em geral, não suportariam a sã doutrina. Eles, por natureza, são opostos à verdade do evangelho. Tal mensagem que diz ao homem decaído que ele precisa nascer de novo é incompatível com sua natureza pecaminosa. Necessário é que o homem decaído receba graça para crer que o mesmo foi incluído na morte e na ressurreição com Cristo. A tendência natural é, primeiramente, apreender a fé pelo intelecto e pela razão pura. Neste sentido é que não se deve ensinar doutrina a quem não crê. O tal se apropriará do ensino e, ao aprendê-lo pelo intelecto e compreendê-lo pela razão, presumirá que crê. A fé não é um subproduto da racionalidade e da intelectualidade do homem. A fé é um dom de Deus como se verifica em Jd. 3 - "... exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos." A fé foi entregue aos santos, isto é, aos que foram santificados pelo nascimento do alto. Não é o resultado da capacidade cognitiva e da lógica humana. Ao contrário, a fé é algo absolutamente ilógico pelo registro de Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem." Portanto, a fé é um dom que opera e operacionaliza sobrenaturalmente no homem a fim de que este seja redimido pela graça e não por suas excelsas capacidades intelectivas e racionais. O intelecto e a razão são excelentes habilidades para a sobrevivência no mundo e em sociedade. Não mais do que isto!
De fato se vê, hodiernamente, homens procurando ajuntar para si mestres para alcançar a iluminação interior, o conhecimento de si mesmos, o desenvolvimento da gnose. Buscam ouvir e cultuar apenas aquilo que lhes  traz gratificação. Para tanto, desviam seus ouvidos da verdade, voltando-se às fábulas, mitos, lendas e rituais de iniciação e ascensão. Na atualidade, uma das práticas mais recorrente é procura por orientação e consultoria de coaches. Outros procuram psicanalistas para amenizar seus medos e desajustes causados por traumas familiares e sociais. Outros ainda se jogam na busca religiosa e na dependência química das drogas.
No texto que abre este estudo o apóstolo está concitando o seu discípulo Timóteo a pregar intensa e insistentemente o evangelho, porque chegaria um tempo em que o tal evangelho da verdade não seria aceito ou ouvido. Este tempo chegou há muitos anos e agora acha-se no auge. Em algumas agregações religiosas gastam 90% do tempo do seus cultos em cantorias, danças e performances e 10% para a pregação. A pregação é tão sem sentido que uma parte da platéia dorme, outra parte vira-se para conversar entre si, e, a outra parte sai para andar pelas dependências ou ir embora. É, primeiramente, uma mensagem fora das Escrituras ou repetitiva que não desperta o homem decaído para a sua própria realidade morta para Deus. Tais ajuntamentos funcionam apenas como clubes de terapia coletiva nos finais de semana. Nestes cultos ao próprio homem mentem uns para os outros e a si mesmos afirmando uma crença em algo que não conhecem.
As fábulas a que alude o texto de Paulo são discussões sobre histórias extra-bíblicas registradas em textos produzidos por sistemas religiosos. Alguns destes textos são interpretações do Talmude ou meras interpretações da Cabala Judaica. Não são as Escrituras em sua essência, mas comentários periféricos que não tocam o homem decaído para a fé. Não revelam ao homem o que, de fato, ele é. São receitas de bolo para uma vida feliz. São canções de ninar.
Atualmente há um grande e profundo movimento de origem gnóstica que pretende revisar as Escrituras e todos os sistemas de crenças, transformando-os em fábulas que permitem quaisquer interpretações que agradem aos ouvidos. Este movimento é denominado de Teoria do Alienígena Antigo ou Teoria do Astronauta Antigo. Tal movimento ganhou força com Erich Von Däniken, um suíço que escreveu o livro "Eram os Deuses Astronautas" em 1968. Após este início audacioso, surgiram dezenas de autores, pesquisadores e comentaristas da referida teoria, os quais afirmam serem os homens atuais o resultado de uma engenharia genética criada por extra-terrestres que visitaram a Terra há milhares de anos atrás. Segundo esta teoria, eles modificaram geneticamente humanoides quase primatas e usaram cerca de 85% dos seus próprios genes para produzir uma nova raça híbrida no planeta Terra. Conforme tal teoria é daí que surgiu o homem de Cro-magnon substituto do homem de Neandertal.
O History Chanel produziu uma série denominada Ancient Aliens na qual mostram muitas ruínas de povos antigos, inscrições, figuras, esculturas, obras de engenharia e escritas, fazendo que tais evidências sirvam de bases para sustentar a referida teoria. Um dos comentaristas, o mais jovem, chamado Giorgio A. Tsoukalos é o mais radical. Ele, sempre e invariavelmente, desvia qualquer informação sobre Deus, verdade, espiritualidade e religião para a Teoria do Astronauta Antigo. O tal se recusa a admitir qualquer afirmação referente a Deus, Cristo, Igreja e Apóstolos etc. A ele interessa apenas as fábulas do Astronauta Antigo.
No episódio 09 da 3ª temporada da série Ancient Aliens, há um relato do pesquisador David M. Jacobs, um psicanalista que estuda e acompanha pessoas que foram abduzidas pelos alienígenas. O Dr. Jacobs trata seus pacientes com hipnose. Eles relatam a suas experiências hipnotizados. Ele dá as seguintes declarações sobre o que seus pacientes falam:
  • Predominância de evidências convincentes. Pessoa após pessoa falando as mesmas coisas para mim. Coisas que eu jamais poderia imaginar. Então comecei a imaginar: meu Deus isto está acontecendo.
  • Os alienígenas parecem estar fazendo nos últimos 40 anos, talvez mais, quando abduzem pessoas, não apenas experimentos. Eles estão, de fato, engajados num programa muito intenso, muito secreto de aprimoramento genético.
  • Segundo o Dr. Jacobs os abduzidos, os quais ele vem falando participaram de um grande programa de criação de híbridos. Agora, os híbridos se parecem muito conosco. No entanto, , comportamental e psicologicamente eles ainda são extra-terrestres.
  • Jacobs alega que híbridos humanos e alienígenas podem se comunicar telepaticamente, sendo que os alienígenas controlam os pensamentos humanos neurologicamente.
Desde 2003 os abduzidos relatam que híbridos podem estar integrados à sociedade despercebidos pelos humanos. No estudo anterior o apóstolo Paulo afirma que a vinda do "homem do pecado" e do "filho da perdição" será conforme o engano e a mentira de acordo com a eficácia de Satanás. Então, é isto que está ocorrendo.
Resultado: os anjos caídos estão preparando uma nova humanidade controlável e controlada. Este é o grande e último engano perpetrado por Satanás. Isto está sendo conseguido, porque os homens viraram as costas - apostasia - à verdade e buscam estas fábulas de culturas antigas sendo visitadas por ET,s. Negam que Deus é o único criador e sustentador do Universo. Negam o plano divino para redimir o homem e reconciliá-lo por meio de Cristo. É exatamente o que a humanidade fora de Cristo procura: se autoproclamar deuses e autossuficientes. Isto foi inoculado nos ancestrais comuns no Éden de acordo com Gn. 3:1 a 5 - "Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal."
Sola Gratia!

janeiro 12, 2020

O ÚLTIMO ENGANO VI

II Ts. 2: 1 a 17 - "Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, rogamos-vos, irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus. Não vos lembrais de que eu vos dizia estas coisas quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém para que a seu próprio tempo seja revelado. Pois o mistério da iniquidade já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora; e então será revelado esse iníquo, a quem o Senhor Jesus matará como o sopro de sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda; a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça. Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade, e para isso vos chamou pelo nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, pois, irmãos, estai firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa. E o próprio Senhor nosso, Jesus Cristo, e Deus nosso Pai que nos amou e pela graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança, console os vossos corações e os confirme em toda boa obra e palavra."
O texto de abertura foi escrito pelo apóstolo Paulo à Igreja em Tessalônica na Ásia Menor, hoje Turquia. O texto é permanente, posto que dirigido à Igreja de Cristo e esta é atemporal. Verificam-se, no texto paulino, algumas preocupações pontuais que muito nos diz respeito no tempo presente: 
  • Que os eleitos e regenerados não se movam em seus pensamentos para algo fora do que lhes foi ensinado no evangelho.
  • Que ninguém possa, de modo algum, enganar os eleitos e regenerados.
  • Que antes do retorno do Grande Rei, haverá intensa e imensa apostasia.
  • Que, aos eleitos e regenerados, será revelado o "homem do pecado" e o "filho da perdição" o qual se rebela contra tudo o que tem origem e fundamentação em Deus. Estes são o Anticristo e o Falso Profeta.
  • Que o enganador se apresentará como se fora um "deus" e ocupará o santuário de Deus como se fora um "deus."
O apóstolo Paulo instruiu os eleitos e regenerados sobre o fato real que esse agente de Satanás e o próprio Satanás são detidos por alguém. Indica que o agente da mentira e do engano vem operando no mundo há muito tempo. Entretanto, quando aquele que o detém for retirado, então, se revelará claramente ao mundo. O tal agente é denominado de iníquo, sendo isto muito significativo, pois, a iniquidade caracteriza alguém que não possui equidade, isto é, equilíbrio originado na reconciliação com Deus. Contrariamente, é alguém que se acha em total oposição ao padrão de justiça de Deus. É alguém que se impõe segundo o seu próprio padrão de justiça, verdade e poder. Este alguém é Satanás e todos os que estão sob sua influência.
É demonstrado, na epístola, que o iníquo agente de Satanás opera com base na mentira e no engano, conforme a eficácia do seu mestre, o Diabo. Vê-se, pelo texto, que tais operações fraudulentas só encontram recepção naqueles que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. Observa-se que aos tais inconversos, o próprio Deus enviou a operação do erro para que se percam. Isto porque, os tais apenas creem à mentira, porque suas naturezas são irreconciliáveis. Mesmo que o próprio Deus lhes apareça pessoalmente, não crerão, porque preferem dar crédito àquele que opera em suas naturezas decaídas. Quem quiser discordar disto, discordem, mas isto só confirma que são incrédulos, pois são as Escrituras que o afirmam. 
Nota-se ainda, que, os eleitos e regenerados são seres que também estavam perecendo, tanto quanto os que se perdem. Porém, os seus nomes foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade. Eles ouvem o evangelho de Cristo e, logo, são despertados para crer. Creem, não em si mesmos e em suas justiças próprias, mas para a glória de Cristo. Este é o diferencial essencial: os eleitos creem por graça e misericórdia que são dons de Deus, enquanto os que perecem, creem por seus próprios méritos religiosos e/ou seus atos de justiça própria. 
Por todas estas razões é que o último engano de Satanás será o de iludir os homens com a promessa de um paraíso perfeito na Terra sem passarem pela morte na cruz. Ele propõe ao homem decaído, exatamente, aquilo que suas almas desejam: a falsa autonomia, a auto-salvação e a felicidade pessoal sem Cristo. Isto jamais prosperará e levará a humanidade ao maior horror já experimentado. O seu domínio será curto e trágico ao final.
Na série Ancient Aliens do History Chanel, em seu 1º episódio da 3ª temporada é relatado que "certos lugares em torno do globo terrestre desconcertam cientistas e estudiosos há décadas." Segundo o mesmo documentário existem lugares cujos nomes são sugestivos:
  • Zona de Silêncio no norte do México. Isto, porque, nenhum aparelho eletrônico funciona ali.
  • Triângulo das Bermudas na América Central. Ponto de desaparecimento de embarcações, aviões e que já foram relatados diversos fatos estranhos.
  • Portão dos Deuses no Peru. Trata-se de uma imensa porta esculpida magistralmente na rocha bruta e que ali está há milhares de anos. A tecnologia que fez o portal é desconhecida.
Pessoas que visitam estes locais relatam energias estranhas e fenômenos sobrenaturais. Várias lendas dos povos nativos da América Central e do Sul descrevem seres das estrelas entrando e saindo desses lugares vindos de outros mundos, segundo suas próprias narrativas. 
No referido seriado são feitas as seguintes perguntas instigantes na vinheta de abertura acerca dos supostos extra-terrestres:
  • Esses mitos descrevem acontecimentos reais?
  • De onde vieram?
  • Quem eram?
  • Por que eles vieram?
  • Por que nos deixaram?
  • Aonde foram?
  • Irão retornar?
Conclui-se que estas experiências e sinais são o que o apóstolo Paulo está prevenindo os eleitos e regenerados de Tessalônica e de todos os tempos: que ficassem alertas para a operação do erro, da mentira e do engano aos que perecem. Tal operação não é segundo a eficácia do evangelho de Cristo, mas de Satanás. Por isto, tais experiências 'com' ou 'dos' seres alienígenas são o último e terrível engano que a humanidade sofrerá por conta, risco e busca própria. Ora, se acaso tais operações fizessem parte do plano da redenção de Deus, em Cristo, não constariam das Escrituras?
Sola Scriptura!

janeiro 04, 2019

O ÚLTIMO ENGANO V

Ap. 13: 1 a 9 - "Então vi subir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças nomes de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande autoridade. Também vi uma de suas cabeças como se fora ferida de morte, mas a sua ferida mortal foi curada. Toda a Terra se maravilhou, seguindo a besta, e adoraram o dragão, porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta, dizendo: quem é semelhante à besta? quem poderá batalhar contra ela? Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias; e deu-se-lhe autoridade para atuar por quarenta e dois meses. E abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome e do seu tabernáculo e dos que habitam no céu. Também lhe foi permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação. E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Se alguém tem ouvidos, ouça."
O último engano é a coroação de todos os enganos perpetrados por Satanás no mundo. Todos os demais eram apenas sinais e/ou tipificações do engano final. Para que um engano possa ter abrangência e eficácia em um mundo multiculturalizado, necessário é que, a cultura seja elevada ao máximo de generalização. Os padrões característicos de cada cultura devem ser sobrepostos por padrões universais aceitos e praticados. A maneira de se conseguir tal imposição é relativizando as instituições e os valores, notadamente, os morais, religiosos e éticos. Propondo solucionar os conflitos e carências que atingem a sociedade, os povos e nações abrirão mão dos seus valores, mantendo-os apenas no campo do simbólico. Isto já vem acontecendo lenta e paulatinamente. É o chamado "novo normal."
O último e fatal engano será a aceitação do falso, como se verdadeiro fora. Produzir-se-á abertura mental, cultural, religiosa e moral para a existência de outros mundos habitados por seres evoluidíssimos. O principal argumento da astrofísica, da exobiologia e astronomia é o que presume o Universo tão vasto, que não seria apenas a Terra habitada. Argumentativamente, é muito convincente, porém, sabe-se que 99% das estrelas não possuem sistemas planetários e, mesmo quando os possuem, não há estabilidade para o desenvolvimento da vida como é conhecida na Terra. No afã de encontrar respostas o homem envia sondas, mensagens e missões para outros planetas do sistema solar. Aperfeiçoam-se os equipamentos de busca e sondagens do espaço exterior. O resultado disso tudo é o adágio popular: "quem procura acha."
Ocorre, no entanto, que, no campo espiritual, especificamente, da revelação compendiada, não há indicação de formas de vida, tal como é concebida na Terra. O texto sacro fala de mundos habitados por seres espirituais. O próprio Cristo afirma conforme Jo. 14: 2 e 3 - " Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." O vocábulo utilizado para 'casa' no texto grego koinê é 'oikia' [οἰκία] e quer dizer casa no sentido de moradia, lugar onde se habita. A outra palavra utilizada é 'morada' que, no grego é 'monai' [μοναὶ], significando habitação definitiva. Então, no campo espiritual, Jesus, o Cristo não faz menção a planetas ou corpos celestes habitáveis para onde enviaria os eleitos e regenerados. Eles e os anjos leais habitam nos lugares celestiais para onde foram designados, porém é na casa de Deus. É um lugar específico e não espalhados pelo universo.
O apóstolo Paulo dá a nítida distinção entre seres terrenos e seres espirituais em I Co. 15: 48 e 49 - "O primeiro homem, sendo da Terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial." Portanto, a Bíblia silencia sobre quaisquer ocorrência de seres materiais avançados cultural e tecnologicamente em outros sistemas planetários. Por princípio, um cristão nascido do alto, fala quando as Escrituras falam, silencia, quando as Escrituras silenciam. Logo, a única coisa que é ensinada é que os eleitos e regenerados terão corpos glorificados e viverão eternamente.
Desta forma, pergunta-se: por que, então, há tanta efervescência e divulgação sobre aparições, abduções, experiências psíquicas e até mesmo sexuais relatadas por alguns? Hoje qualquer busca no google sobre assuntos de OVNI,s, ET,s Alliens, Greys etc. fornece um enorme número de informações. Algumas descartáveis, logo de cara, por serem fantasiosas; outras, impossíveis de se determinar a origem ou veracidade; por fim, outras que ficam sem uma resposta definitiva. 
O texto de abertura é da categoria escatológica e, obviamente, trata de acontecimentos finais. Refere-se ao surgimento de um ser extremamente arrogante, poderoso e fascinante aos olhos do mundo. Este homem da perdição e filho do pecado será o subproduto final do último engano. Ele resultará de uma fusão do DNA dos anjos caídos com o DNA de homens naturais. Vê-se hoje grandes possibilidades no processo de produção dos OMG,s - organismos geneticamente modificados - sendo utilizado na pecuária, na agricultura e, por que não, em homens? Hoje é totalmente divulgado que a raça humana foi, na verdade, uma experiência de seres alienígenas do passado. Segundo os teóricos desta proposta os homens foram produzidos com o amalgama dos genes dos anunaquis. Já se falou que a própria palavra 'anunaki' em língua suméria significa 'desertores', 'caídos' ou 'aqueles que foram arrojados para fora."
As simbologias dos chifres, cabeças e diademas representam poder e autoridade dados a governantes de algumas nações pelo Anticristo ou a Besta. Tal líder emergirá, se é que já não está no mundo, de um contexto das nações, pois a expressão "subiu do mar" é um simbologia das nações em estado de agitação. Vê-se, pelo texto, que toda autoridade e arrogância da Besta foi conferida pelo Dragão, a saber, pelo Diabo. 
Será simulada a morte da Besta para promoverem, posteriormente, um simulacro da sua ressurreição a fim de levar o mundo a vê-lo como um Cristo ou Messias. E, de fato, o mundo ficará maravilhado com o falso milagre e a adorará como se fora um 'deus.' Entretanto, é importante ressaltar que, os que o adorarão serão aqueles cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro. Ou seja, são os incrédulos, incluindo, muitos religiosos e suas religiões fora da cruz.
Sola Scriptura!

janeiro 01, 2019

O ÚLTIMO ENGANO IV

I Jo. 2: 18 e 19 - "Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora. Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos."
O apóstolo João escreveu a epístola, da qual o texto acima foi extraído, há aproximadamente 2.000 anos atrás. Já naquele momento, a visão era de que o tempo estava próximo. O sinal maior apontado por João era o surgimento de diversos anticristos. Mas, quem ou o que é um anticristo? É qualquer homem, geralmente, se manifesta por meio de um sistema que se pretende universal, o qual se propõe a assumir o lugar de Cristo. Não necessariamente, algo ou alguém que lhe faça oposição ostensiva, mas dissimulada. É, de fato, uma pessoa, sistema religioso, ideologia, proposta filosófica, doutrina econômica que supostamente oferece ao homem o paraíso na Terra sem a cruz. O grande desejo de Satanás é desqualificar Cristo como justificador e redentor único dos pecadores. Ele sempre propõe um modelo que pretende fazer do homem um 'deus.'
Assim sendo, o quarto engano impetrado por Satanás na construção do modelo anticristão foi o Gnosticismo. Este sistema contaminou a Igreja já no seu alvorecer. Por volta do início do II século d. C., a nascente Igreja Cristã estava totalmente infiltrada por grupos que pretendiam permeá-la com uma espécie de 'modus vivendi' cultural, notadamente de origem grega. "A literatura cristã, desde os tempos apostólicos, apresentou-se miscigenada com filosofias e sistemas de ideias do ambiente sociocultural. Entre elas, a gnose – ou bem melhor, as gnoses. A produção literária das comunidades joaninas e paulinas (de Colossos, e.g.) retratam esse embate entre fé e cultura." Este excerto foi retirado do trabalho de mestrado de Elias Santos do Paraizo Junior, p. 55. Este trabalho, como tantos outros, tomam por base literaturas apócrifas acessadas após os achados de 1945 da biblioteca Hag Hammadi, no Egito. Estão tentando a qualquer preço ressuscitar escritos que não foram colocados no cânon bíblico, como verdades, precisamente, porque estes tais contemplam a influência gnóstica.
O Gnosticismo pode ser entendido, em sua fase inicial, como um movimento religioso de caráter sincrético e esotérico, desenvolvido nos primeiros séculos da Era Cristã. Inicialmente à margem da cristandade primitiva e também da institucionalizada, combinando misticismo e especulação filosófica. Houve forte resistência ao gnosticismo, inicialmente, o apóstolo Paulo e Irineu, um dos chamados pais da Igreja, combateram veementemente o gnosticismo como uma heresia. Paulo aconselha o seu filho na fé, Timóteo, a combatê-lo conforme I Tm. 6: 20 e 21 - "Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, evitando as conversas vãs e profanas e as oposições da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja convosco."
Acontece que, com a expansão do Cristianismo a partir do Império Romano a fé bíblica e genuína foi sendo minada por sistemas de crenças mantidos por igrejas institucionalizadas. Isto retirou a resistência à penetração das ideias gnósticas. Os diversos cismas e o grande número de homens inconversos que formaram o corpo clerical das igrejas denominacionais e históricas, abriram as portas para o retorno do Gnosticismo. Hoje é pregado e apregoado nos mais diferentes púlpitos sem o menor constrangimento. Por exemplo, fala-se hoje em 'livre arbítrio' como se fosse uma doutrina cristã. Porém, é um ensino de origem gnóstico.
Este é o cenário ideal para o fortalecimento e a manifestação de inúmeros anticristos ao longo desses dois milênios. Também é o cenário ideal para o aparecimento do "homem do pecado" ou "filho da perdição." 
Vê-se pelo texto de abertura que os anticristos saem sempre do seio da Igreja Cristã verdadeira. Eles saem, "porque não receberam o amor da verdade para serem salvos" conforme registrado em II Ts. 2:10
É justamente este ambiente híbrido no seio da cristandade nominal que permitirá a manifestação visível dos anjos caídos no mundo. Estes disfarçarão de anjos de luz e ministros da justiça conforme II Co. 11:13 a 15 - "Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras." O texto paulino contempla tanto homens como Satanás e demônios. Estes se manifestam sempre como benfeitores da humanidade. Apresentam-se em suas aparições sombrias e a pessoas pouco esclarecidas sempre como seres muito evoluídos, vindos de outros sistemas estelares para ajudar a humanidade. Entretanto, parecem não ter o menor interesse de se apresentarem claramente nos lugares apropriados, onde certamente poderiam manter um diálogo claro e objetivo. 
Fato é que, em qualquer texto escriturístico veterotestamentário ou neotestamentário não se fala sobre alienígenas, deuses, extra-terrestres ou qualquer outro nome, sendo enviados para solucionar problemas da humanidade. Não há qualquer registro bíblico que tais seres estariam autorizados a fazer contatos e interferir em assuntos terrenos. Ao contrário, é dito que, qualquer que se apresentasse dizendo-se ser o Cristo, não deveria ser aceito como legítimo. Isto está de modo simplificado em Mc. 13:6 - "... muitos virão em meu nome, dizendo: sou eu; e a muitos enganarão." Sim, enganarão a muitos, como de fato, já estão enganando até mesmo homens de ciência.
Sola Scriptura!

dezembro 30, 2018

O ÚLTIMO ENGANO III

Gn. 6: 1 a 5 - "Sucedeu que, quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a Terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o Senhor: o meu Espírito não permanecerá para sempre no homem, porquanto ele é carne, mas os seus dias serão cento e vinte anos. Naqueles dias estavam os nefilins na Terra, e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Esses nefilins eram os valentes, os homens de renome, que houve na antiguidade."
Engano é um substantivo masculino que traz as seguintes acepções: 'erro causado por descuido', 'falta de conhecimento específico ou desatenção', 'logro', 'armadilha', 'embuste', 'falsa crença' e 'ilusão'. A expressão 'ledo engano', por exemplo, é utilizada quando alguém 'se deixa enganar por boa fé ou ilusão'. Nestes sentidos, o engano é sempre praticado por um e recebido por outro. Nunca há engano unilateral, pois sempre haverá o enganador e o enganado. As razões para alguém enganar outros são sempre conscientes. Em muitos casos o enganado deseja ser enganado, porque julga tirar alguma vantagem do engano, fazendo uso do mesmo engano para enganar outros. 
II Co. 11: 3 e 4 - "Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo. Porque, se alguém vem e vos prega outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de boa mente o suportais!" Vê-se que, Eva foi enganada, porque Satanás iludiu os seus sentidos sobre algo extremamente desejoso para satisfação pessoal. Adão, por seu turno, não pôde ser enganado, porque recebeu instruções diretas de Deus sobre o assunto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Portanto, Adão pecou por ter sido incrédulo e por se entregar ao engano de Eva, sendo levado pelo mesmo desejo de autonomia e poder. Desta forma, o pecado é a incredulidade conforme ensina Jesus, o Cristo em Jo. 116: 9 - "... do pecado, porque não creem em mim." O pecado original foi praticado pelo primeiro homem formado à imagem de Deus. Quanto aos atos pecaminosos são as consequências do pecado original, a saber, a incredulidade. Adão, não considerou como um decreto eterno e verdadeiro a restrição ao fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Eva foi apenas enganada ao ser levada a crer que seria um fruto bom para se comer. Nem por isso, Eva permaneceu no Éden. Portanto, tanto o engano por ignorância, como o engano consciente são pecaminosos. 
O terceiro grande engano perpetrado por Satanás no mundo foi o descrito no texto do Gênesis, capítulo seis. Valendo-se dos sentidos corrompidos dos homens portadores da natureza pecaminosa, alguns anjos foram impelidos a se mesclarem com os humanos. Tal miscigenação com as 'filhas dos homens' por parte dos 'filhos de Deus' é objeto de muitas controvérsias teológicas. No texto original hebraico os 'filhos de Deus' são os "b'nai haelohim", enquanto as 'filhas dos homens' são as "b'not haadam". Os tais 'filhos de Deus' eram anjos caídos e foram chamados de filhos apenas no sentido de seres criados originalmente por Deus. E as 'filhas dos homens'  foram designadas como filhas de Adão, no sentido de descendência adâmica. A ideia de Satanás era mesclar a raça humana com os anjos caídos para contaminar o futuro descendente da mulher previsto em Gn. 3:15. A ideia de mesclar a humanidade com os demônios a fim de comprometer o redentor e salvador dos homens, o Cristo.
Vê-se que o texto de abertura é muito claro: "... naqueles dias estavam os nefilins na Terra." Logo, é necessário entender que 'nefilim' não significa gigante como se traduz comumente. Gigante em hebraico é 'anaqui' [ענקי]. Nefilim significa: "aqueles que foram expulsos", "desertores", "caídos", ou "aqueles que foram arrojados para fora." Nos textos sumérios os tais anjos caídos são chamados de "anunaques", que significa: "aqueles que desceram do céu à Terra." Em seguida, o texto diz: "... e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Esses nefilins eram os valentes, os homens de renome, que houve na antiguidade." Desta forma, o texto ensina que haviam os 'nefilins' que estavam na Terra e os 'nefilins' gerados pelas filhas dos homens. Eram 'nefilins' progenitores e 'nefilins' gerados por eles nas filhas dos homens. O resultado foi tão grotesco que Deus resolveu acabar com os homens e depurar a Terra. Estes descendentes eram gigantes que causavam imensa violência e devoravam tudo o que podiam e o que não podiam. Houve clamor dos homens a Deus, porque os tais gigantes filhos dos 'nefilins' começaram a comer, inclusive, pessoas. 
Atualmente, há incontáveis documentários, estudos, palestras e achados arquelógicos, dando conta da realidade dos tais gigantes. Mesmo depois do dilúvio, alguns destes 'nefilins' voltaram à Terra e continuaram seu projeto conspiratório. O próprio Davi lutou contra um destes gigantes que estava entre os filisteus.
As diferentes estirpes de gigantes são mencionados em Dt. 2: 10 e 11 - "Antes haviam habitado nela os emins, povo grande e numeroso, e alto como os anaquins; eles também são considerados refains como os anaquins; mas os moabitas lhes chamam emins." Também em Nm. 13:33 - "Também vimos ali os nefilins, isto é, os filhos de Anaque, que são descendentes dos nefilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos." Vê-se que, mais uma vez os 'nefilins' filhos dos 'nefilins' são mencionados.
O livro de Enoque, embora não aceito como canônico, menciona claramente este engano dos anjos caídos chefiados por um tal de Shamiaza ou Samyaza. Eram duzentos anjos que estavam na Terra e que desobedeceram as ordens de Deus sobre não se envolver com mulheres. Judas, em sua epístola, fala claramente sobre este engano conforme Jd. 6 e 7 - "... aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia, assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como aqueles anjos, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno." Vê-se que os tais anjos não permaneceram no lugar a eles designado, a saber, o seu principado. Também, não mantiveram seus corpos angelicais ou diferentes dos corpos dos homens, pois a palavra habitação utilizada no texto grego é 'oiketerion', a qual significa revestimento e não uma casa ou palácio. Paulo joga luz sobre isto em II Co. 5: 2 e 3 - "Pois neste tabernáculo nós gememos, desejando muito ser revestidos da nossa habitação que é do céu, se é que, estando vestidos, não formos achados nus." Neste texto é utilizada a mesma palavra 'oiketerion' como habitação ou revestimento corporal. Paulo mostra que os eleitos e redimidos serão revestidos por um corpo espiritual, o qual não sofre dores ou degenerescência. 
Este terceiro engano serviu para mais um degrau no processo da produção do engano final por parte de Satanás. São estes anjos caídos que hora se apresentam como seres de outros planetas, extra-terrestres, aliens. A cada dia estão mais a mostra e se amostrando para ganhar aceitação comum do homem.  São estes os mesmos 'deuses' antigos, ou como preferem alguns teóricos, 'astronautas antigos'. Não se esqueça que, o engano em quase tudo se assemelha a verdade.
Sola Scriptura.

dezembro 29, 2018

O ÚLTIMO ENGANO II

Ef. 6:12 - "... pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes."
No primeiro estudo foram deixadas diversas pontas desamarradas propositalmente. Serão estas amarradas nos estudos subsequentes. Visto tratar-se de assunto vasto e complexo e por enorme obscurantismo e confusão doutrinária, serão devidamente tratados gradativamente. 
A falta de conhecimento escraviza e destrói a humanidade conforme informa Os. 4: 6 - "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos." A destruição a que alude o texto é uma referência ao domínio da iniquidade, da miséria, dos males morais e das enfermidades e doenças que afetam a alma e o corpo. O texto não trata de ausência de conhecimento intelectual e científico, mas do conhecimento de Deus e suas leis universais. Ora, a despeito dos grandes progressos científicos experimentados, notadamente após a Renascença, o Iluminismo e as Revoluções Técnico-Científicas, a humanidade regride espiritual e emocionalmente. Desta forma, e, paradoxalmente, o homem aumenta o conhecimento de si mesmo e das leis naturais, mas reduz o conhecimento de Deus e dos seus Decretos Eternos.
Milan Kundera, o escritor tcheco naturalizado francês afirma: "Percebi com espanto que as coisas concebidas pelo engano são tão reais quanto as coisas concebidas pela razão e pela necessidade." Guardado o sentido que se quis abranger o escritor no contexto em que a citação é posta, resta, no entanto, a mensagem no tocante ao engano espiritual que afeta a humanidade. Na essência, Kundera diz que, não há diferença entre o falso e o verdadeiro no homem. Neste sentido o ensino de Cristo sobre o joio crescendo junto ao trigo toma corpo e significação mais ampla. O engano e a verdade são muito semelhantes quando vislumbrados pela ótica do homem natural.
O último engano vem sendo perpetrado em pequenas doses ao longo da História da humanidade. O primeiro avanço do engano na Terra foi a corrupção do gênero humano conforme Gn. 3: 1 a 5 - "Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: é assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Este tipo de abordagem sempre causa repulsa ao homem natural, porque este está sob o domínio da natureza decaída. A forma de o homem afastar-se do ensino escriturístico é reputando-o como simples mito ou lenda. Comumente, quando alguém julga ter conhecimento intelectual suficiente e já absorveu a cultura posta, então se acha pronto a reproduzir as narrativas humanistas, eximindo-se do debate bíblico. 
Quando o homem não foi eleito antes dos tempos eternos, continuará pensando e agindo à revelia da verdade até a sua morte. Entretanto, o texto de Gênesis  retromencionado vai muito além de uma mera narrativa mitológica. Os mitos eram relatos paralelos produzidos pelas interpretações humanas sobre aquilo que os incomodava por terem perdido o elo com o Divino. Do texto, enfatiza-se o seguinte: "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis, como Deus, conhecendo o bem e o mal." Esta foi a primeira experiência do engano conspiratório de Satanás. Uma exegese mais ampla indica que, abrir os olhos não é uma referência aos olhos físicos, mas da alma. Isto permitiria ao homem o poder de julgar entre o certo e o errado. Estabelecer juízos e agir, enganosamente, de modo autônomo, a saber, a revelia de Deus. Pronto! O projeto inicial para escravizar a humanidade estava perpetrado e aceito pelo primeiro homem. Por esta razão é que o primeiro Adão deve morrer no último Adão.
O texto de abertura mostra, sem qualquer interpretação, que a luta do homem não é contra coisas ou seres visíveis, mas contra realidades espirituais em rebelião contra Deus. Os principados e as potestades são anjos caídos que habitam o espaço sideral e a própria Terra. Tais hostes espirituais da maldade que habitam as regiões celestiais são exatamente aqueles que foram expulsos por terem caído no primeiro engano do querubim criado em perfeição e que foi afetado pela iniquidade no coração conforme Ez. 28: 15 - "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade.
O verbete 'iniquidade' traz como significado, o seguinte: 'falta de equidade.' Sabendo-se que equidade se refere a equilíbrio de justiça, logo, a ausência dela resulta em forte inclinação para o desequilíbrio e a injustiça, a ponto de romper com o que é reto, integro e direito. Ou mesmo tomar o certo como errado e o errado como certo.
Esta natureza iníqua foi inoculada na humanidade devido a submissão dos pais ancestrais à incredulidade entre o que Deus lhes dissera e a fácil aceitação do que o Diabo lhes informara. Neste ponto houve a ruptura entre a criatura e o Criador. O homem, agora decaído, transmitiu a natureza desequilibrada a todos os descendentes conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Está no DNA do homem, o DNA da iniquidade adquirida. Isto facilitará o controle e o domínio do mundo por Satanás, por pouco tempo, no engano final.
Sola Gratia!