domingo, 6 de julho de 2008

A QUESTÃO É DE NATUREZA E NÃO DE MORAL I

O homem em seu estado natural vê invariavelmente pelas lentes deformadas da religião. Ele está sempre ás voltas na elaboração de uma teologia esdrúxula que lhe gratifique a alma e justifique sua permanência no anátema. Assim foi no Éden, quando o primeiro casal elaborou a "Teologia da Auto-justificação" fora da cruz. Eles montaram uma arrazoado defensivo com base apenas na transferência da culpa, enquanto o pecado lhes era o único fato real, de fato. Eles estavam preocupados em ressalvar as suas moralidades diante do reto Juiz, abrigando-se em meio aos arbustos da justiça própria e cobriram com frágeis folhas figueiras a nudez espiritual agora a descoberto. A religião que domina o homem não regenerado em Cristo é uma fraude na sua essência, visto que provém da própria interpretação da realidade captada pelos sentidos naturais. Toma por base as experiências sensoriais, ou seja, o que ele sente e deseja é o que importa. Super valoriza a aparência da verdade, mas não verdade em si. Neste aspecto, estará sempre à cata da felicidade, da justiça própria, do reconhecimento, dos merecimentos e dos aplausos dos outros homens. Com este amontoado de coisas, ou mesmo, de virtudes, monta um esquema almático para afirmar a si mesmo que está em paz e que Deus está no controle de tudo isto. A religião, fruto da reelaboração dissimulada pelo pecado cria a seguinte tese: "o Diabo aposta contra o homem, Deus aposta a favor do homem, mas ao homem compete decidir a que senhor quer servir." Isto se verifica pelos atos e não tanto por palavras. É a mais grosseira evidência do desprezo que o homem decaído alimenta por Deus, comparando-o ao Diabo e colocando o poder de decidir em si mesmo. Isto está apoiado na falsa doutrina do livre arbítrio que é de origem gnóstica e largamente difundida pelo espiritismo. Falsa, porque quem é escravo do pecado, nem é livre,e, muito menos, poderá arbitrar qualquer coisa.
Ef. 5: 1 a 14 - "Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Mas a prostituição, e toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos, nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm; mas antes ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto não sejais participantes com eles; pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (pois o fruto da luz está em toda a bondade, e justiça e verdade), provando o que é agradável ao Senhor; e não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as; porque as coisas feitas por eles em oculto, até o dizê-las é vergonhoso. Mas todas estas coisas, sendo condenadas, se manifestam pela luz, pois tudo o que se manifesta é luz. Pelo que diz: desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará."
No texto que vem de ser lido, fica evidente que a natureza determina o que é essencial e o que é assessório. Os filhos de Deus imitam as obras de Deus; amam como Cristo amou e, isto, não implica em ser condescendentes com o erro de qualquer natureza; substituem as coisas vis pela ação de graça; não agem com devassidão, impureza e avareza, porque tudo isto é idolatria; não são enganados com palavras vãs e suaves dos filhos das trevas; possuem um falar reto e não vacilante, ora dizendo uma coisa, ora dizendo outra contrária; não participam das confrarias com os filhos das trevas; não deve condenar os filhos das trevas, mas devem condenar as obras deles. Não devem se achar melhores que ninguém, mas devem creditar tudo a Cristo.
Portanto, se a natureza que reina é a de Cristo, todas estas coisas serão manifestas, porque a verdadeira luz as coloca à lume. Neste sentido é que provam a fé pelas obras, visto que uma sem a outra é morta pela pena do apóstolo Tiago.

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