domingo, 15 de junho de 2008

HERESIAS III

Obviamente,que, nem todo grupo denominado como sendo herético, o é de fato. Também a existência de uma religião ou doutrina dominante não implica em que a mesma seja verdadeira e que todos os discordantes sejam falsos. Há em todos os tempos doutrinas, religiões e movimentos filosóficos prevalecentes que abrigam ensinos errôneos e heréticos quando comparados às Sagradas Escrituras. Também, há de se dizer que, uma pessoa, em um dado momento é considerada herege, mas, em outro momento poderá ser considerada crente genuíno ou até herói da fé. Não foi este o caso de Jan Huss, John Wycliffe, Martinho Lutero, João Calvino, John Knox considerados hereges pela igreja oficial e dominante? No entanto, ainda hoje são tidos como os responsáveis pela fé evangélica reformada. Deus é quem tem os seus escolhidos e os busca onde quer, quando quer e como quer. Deus tem os seus eleitos desde os mais fétidos prostíbulos, presídios, ou mesmo nos centros acadêmicos e até nos palácios onde estão os reis, príncipes e governantes. Ele é soberano e todo-poderoso para fazer todas estas coisas sem a aprovação do homem decaído. Ainda que alguns religiosos presumem poder inquiri-lo, o Seu propósito supremo não se abala e não se altera.
Heresia no pensamento contemporâneo e com as mais recentes formulações sobre o conceito de heresia se devem a Frithjof Schuon, uma das maiores autoridades mundiais em religião comparada. Partindo de uma descrição dos pressupostos metafísicos comuns a todas as religiões, Schuon procura dar um conteúdo objetivo ao conceito de heresia, distinguindo entre heresias "extrínsecas" e "intrínsecas". As primeiras são variações de doutrina e método que, por motivos de oportunidade histórica, vêm a ser condenadas por uma autoridade religiosa dominante, mas que, numa outra época, podem vir a ser aceitas, se não como ortodoxas, ao menos como espiritualmente legítimas.
Heresia "intrínseca", ao contrário, é a doutrina religiosa que atenta contra o próprio núcleo da metafísica universal e que, por isso, não encontra abrigo no seio de nenhuma das grandes religiões universais. O protestantismo é um exemplo de heresia "extrínseca" (em relação ao catolicismo). O maniqueísmo, ao contrário, por seu dualismo irredutível, não pode conciliar-se com nenhuma das grandes religiões
.”
Centro Apologético Cristão de Pesquisas, citando a Enciclopédia Britânica.
At. 28:22 – “No entanto bem quiséramos ouvir de ti o que pensas; porque, quanto a esta seita, notório nos é que em toda parte é impugnada.” Aqui encontramos Paulo as voltas com o pensamento dominante da sua época. O cristianismo estava sendo denominado pelos judeus de seita impugnada em todas as partes por onde era difundido. Isto era natural, pois aos olhos da religião oficial, o Cristianismo poderia por em risco os interesses financeiros e políticos dos seus líderes e discípulos. A fé cristão divergia em todos os sentidos dos objetivos da religião oficial de então.
At. 24: 5 e 14 – “Temos achado que este homem é uma peste, e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo, e chefe da seita dos nazarenos;(...) Mas confesso-te isto: que, seguindo o caminho a que eles chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas.” Neste outro texto, Paulo é chamado de chefe da seita, isto é, da heresia dos nazarenos. Isto porque Jesus, enquanto homem era de Nazaré da Galileia. Paulo, no entanto, afirma que está servindo a Deus em conformidade as Escrituras e que os judeus é que chamavam o cristianismo de seita.

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