domingo, 15 de junho de 2008

HERESIAS II

As heresias, seitas ou facções sempre existiram ao longo da história da Igreja. Muitos doutrinadores, professores de seminários ou de escolas dominicais, quando se referem às tais colocam-nas quase sempre como novidades do mundo moderno ou mesmo como subproduto do liberalismo teológico ou da ortodoxia religiosa. Basta fazer uma pesquisa da história da Igreja, tanto das institucionais, como da Igreja do Senhor, que se veem as heresias presentes e ativas em todos os tempos e lugares.
Por volta dos primeiros séculos da Igreja, a Palestina sofreu forte influência do Império Greco-Macedônico e, posteriormente, do Império Romano. A genialidade da língua grega e a Pax Romana facilitaram a produção de literatura e divulgação de ideias muito rapidamente. Além disso, o contato com ensinamentos orientais, notadamente do Maniqueísmo, do Zoroastrismo e do Hermetismo Egípcio levaram ao surgimento de seitas, facções ou heresias denominadas de religiões de mistérios. Na essência, estes ensinos afirmavam que o homem poderia alcançar por si mesmo a vida eterna a partir de determinadas práticas, iniciações e ritos secretos. São os chamados ritos esotéricos ou religiões de mistérios.
Na atualidade, estas heresias, seitas e facções florescem como uma espécie de sincretismo religioso com forte apelo emocional, místico, gnóstico ou filosófico. Isto se dá em função da fragilidade das pregações e do ensino da Palavra de Deus, como também pelas carências materiais e espirituais da sociedade moderna corrompida pelo pecado ou natureza decaída.
2 Pe. 2:1 – “Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.” O apóstolo Pedro não está em contradição ao afirmar que estes falsos mestres estão negando o próprio Senhor Jesus que os resgatou. Não poderiam terem sido resgatados e depois condenados pelo próprio resgatador. O que está no fundamento deste texto, é que os tais falsos mestres fizeram uma profissão de fé declarando-se crentes no Senhor Jesus, mas as suas práticas os conduziu à negação da verdade. Logo, eles trouxeram destruição a si mesmos, no sentido em que mentiram e penetraram furtivamente na Igreja sem passar pelo novo nascimento. Os tais falsos mestres introduziram encobertamente ensinos heréticos, porque ressaltavam outras escolhas fundadas no próprio homem como maneira de ganhar a salvação. Isto fica claro na expressão, "negando até o Senhor..." Se houve a negação do Senhor Jesus Cristo como suficiente e eficiente justificador, logo sobressai a justiça própria do homem.
O próprio cristianismo, o qual era chamado no primeiro século de "O Caminho" foi designado como uma seita ou heresia, pelos gregos e romanos, visto que os cristãos não se encurvaram ao paganismo e a idolatria destes povos. As Escrituras afirmam que é fundamental a ocorrência de heresias ou seitas a fim de refinar os verdadeiros eleitos de Deus conforme I Co.11:19 – “E até importa que haja entre vós facções, para que os aprovados se tornem manifestos entre vós.”

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