sábado, 1 de agosto de 2015

LIVRE-ARBÍTRIO, UM FALSO "DEUS" CRIADO PELO HOMEM V

Jr. 21: 8 a 10 - "E a este povo dirás: assim diz o Senhor: eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte. O que ficar nesta cidade há de morrer à espada, ou de fome, ou de peste; mas o que sair, e se render aos caldeus, que vos cercam, viverá, e terá a sua vida por despojo. Porque pus o meu rosto contra esta cidade para mal, e não para bem, diz o Senhor; na mão do rei de Babilônia se entregará, e ele a queimará a fogo."
Encerrando esta série de estudos sobre o falso "deus" entronizado pela crendice religiosa e humanista toma-se esta pequena porção do profeta Jeremias acima. O contexto mostra que o próprio Deus trouxe os caldeus contra Israel conforme os versos 4 a 6 - "Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: eis que virarei contra vos as armas de guerra, que estão nas vossas mãos, com que vós pelejais contra o rei de Babilônia e contra os caldeus, que vos estão sitiando ao redor dos muros, e ajuntá-los-ei no meio desta cidade. E eu mesmo pelejarei contra vós com mão estendida, e com braço forte, e em ira, e em furor, e em grande indignação. E ferirei os habitantes desta cidade, tanto os homens como os animais; de grande peste morrerão." Isto demonstra que não se pode utilizar o verso 8 para justificar o livre-arbítrio, visto que se trata de opções colocadas por Deus para obrigar o povo a se render. Não se trata de escolha livre, pois, obviamente, ninguém escolheria a morte pelos exércitos de Nabucodonosor. Este é o mesmo ensino de outros textos bíblicos em que é dado ao homem fazer escolhas. Não são escolhas livres, com arbitramento de valor livre. No caso do texto acima, escolhendo ficar na cidade, ou escolhendo se render aos caldeus, a escolha não seria livre, mas condicionada à cegueira e obstinação, ou ao que Deus havia predeterminado. Todos os homens passam por momentos em que a única escolha é aquela possível, não a que faria livremente.
Qualquer pessoa, crente ou incrédula, que diz possuir livre-arbítrio, deverá ser absolutamente independente de circunstâncias natural ou sobrenatural. Além disso, deve ter absoluta capacidade de julgamento sem qualquer interferência natural ou sobrenatural. O homem tem esta forte inclinação para cultuar o livre-arbítrio, poque este lhe confere a falsa presunção de merecimento diante de Deus. O ensino das Escrituras não confere tal mérito a nenhum homem, salvo, por meio dos méritos de Jesus, o Cristo.
Alguns líderes religiosos de Israel ao tempo em que Jesus, o Cristo andou entre eles, afirmaram o seguinte: "... e nunca fomos escravos de ninguém..." Ao que respondeu o Grande Rei: "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." Quando alguém considera o livre-arbítrio como sendo uma verdade plausível, deixa de considerar que, além das necessidades naturais determinantes, das dependências circunstanciais e existenciais do mundo, o homem também está sob controle de forças espirituais. O maior entrave à possibilidade de o livre-arbítrio é a própria natureza pecaminosa no homem desde as suas origens. Ninguém é pecador, a priori, porque comete atos falhos ou imorais. O homem é pecador, porque possui natureza pecaminosa inerente conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Este único homem que pecou foi o primeiro Adão. Do DNA pecaminoso do ancestral comum, todos os homens descendentes herdaram a natureza pecaminosa. Sendo este pecado uma realidade que escraviza os desejos, a vontade e as decisões humanas, logo, todos são escravos do pecado. Um escravo de qualquer natureza é dependente dessa condição e não absolutamente livre. Quem é dependente de qualquer coisa ou pessoa e age na conformidade sujeita a tal dependência, não é livre sob quaisquer aspectos. 
O julgamento humano contaminado pela natureza pecaminosa o torna comprometido e vicioso, pois a soberba gera a presunção de autonomia. Isto fica evidente em Gn. 6:5 - "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na Terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente." O que é 'a imaginação dos pensamentos' senão a capacidade de julgar? Se o julgamento procede de uma mente corrompida pelo mal, como tal julgamento poderia ser perfeito ou justo? Por esta razão é que Cristo afirma categoricamente: "Não julgueis, para que não sejais julgados." Em outra instância ele afirma o seguinte: "Não julgueis pela aparência mas julgai segundo o reto juízo." Isto implica em que, a avaliação deve ser fundamentada no reto juízo, a saber, nas Escrituras. Isto exclui a arbitragem proveniente do coração do homem cuja imaginação dos pensamentos é má continuamente. Tal continuidade define que a escravidão e dependência do homem é uma questão de natureza e não de escolhas livre para o bem, ou para o mal. 
A única forma de obter a libertação da condição de escravidão pelo pecado é ganhando a verdadeira libertação. A liberdade humana está condicionada pela fonte do pecado. Ainda que alguém abandone um vício, deixe de roubar e de mentir, pare de fazer qualquer ato reprovável, a natureza para repeti-los ou praticar outras formas de mal continua em seu coração. No texto escriturístico, coração, não é o órgão que bombeia o sangue, mas é a sede da alma e do espírito do homem. A contaminação não é física, mas almática e espiritual. Jesus, o Cristo define o único meio de libertação desta contingência humana em Jo. 8: 32 e 36 - "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (...) Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fides!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

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