sábado, 10 de outubro de 2009

A SÍNDROME DE JÓ IV


Jó 6: 1 a 5 - "Então Jó respondeu, dizendo: oh! se a minha mágoa retamente se pesasse, e a minha miséria juntamente se pusesse numa balança! Porque, na verdade, mais pesada seria, do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido precipitadas. Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, cujo ardente veneno suga o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim. Porventura zurrará o jumento montês junto à relva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?" Neste ponto começam aparecer sinais de desesperança em Jó. Evidentemente que se deve considerar, o imenso sofrimento físico e almático dele. Jó se declara magoado e miserável. Atribui a sua miserabilidade a ação de Deus, embora não a entenda e não a receba. Alega, por metáfora, que se as coisas estivessem boas, não haveria motivos para reclamar.
Esta é de fato a realidade humana: está sempre aberto a receber apenas o bem com gratidão. Entretanto, as Escrituras ensinam que se deve dar graças em tudo conforme I Ts. 5:18 - "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." A vontade de Deus é em Cristo Jesus e não com base em pressupostos de justiça própria do homem. Não é muito fácil dar graças na hora da provação e da angústia, entretanto, esta é a exigência de Deus. A questão é principiológica, porque a alma que dá graças em tudo, possui a mente de Cristo. Logo, fica evidente a natureza que domina o homem que vive da fé e da graça.
Nos versos 7 a 9, Jó desejou que Deus o matasse para aliviar a sua dor. Este tem sido o mesmo comportamento do homem, quando está tudo bem, quer viver e tirar proveito da vida, quando está tudo ruim deseja a morte para fugir à realidade. Nos versos 10 a 13, Jó afirma-se como alguém que não tem fé, pois vê apenas o seu fim e não a misericórdia e a graça de Deus. Este tem sido o problema do pecado no homem, não confia em Deus plenamente. Confiança parcial não é confiança! Sabendo que confiança provém de dois vocábulos: com e fiar, ou seja, ter fé. Jó reclama da perda dos seus recursos, mostrando que o homem põe muito a sua confiança no que tem e não no que não pode ver e tocar. O princípio da fé genuína é crer para ver e não ver para crer. Isto tem produzido muita desconfiança em religiosos e viciados em igrejas institucionais. Esperam muito do que não pode oferecer nada.
Jó reclama veementemente dos seus amigos, porque estão tratando-o com dureza. Afirma que não pediu nada para eles e que não via em que havia errado para ser assim tratado. Reivindica um juízo mais exato sobre a sua causa e que espera deles a afirmação da sua justiça conforme verso 29. Afirma que não há iniquidade em suas palavras. Todavia, desconhece que a iniquidade do homem está no seu coração e não nas suas palavras. As palavras apenas refletem aquilo de que o coração está cheio.
Normalmente as pessoas julgam que só é pecado o que o homem fala ou faz. Entretanto, o pecado é a natureza humana contaminada pela natureza adâmica, denominada nas Escrituras de velho homem, ou corpo do pecado. Enquanto isto tudo não é destruído na morte com Cristo continua no homem, por mais ético e comportado que ele seja. Para extirpar o pecado só há um lugar: a cruz.
Jó só conheceu esta verdade após passar por todo o processo de regeneração produzido por Deus conforme fica registrado no último capítulo do livro que leva o seu nome.
Sola Fide!

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