domingo, 3 de agosto de 2008

A DETURPAÇÃO DA GRAÇA VI

A reincidência persistente do homem em produzir sua própria salvação e santidade por meio do esforço e das obras da lei é um fator latente. A queda do homem ocorreu, precisamente, quando este buscou à revelia de Deus, a superação da condição de simples criatura à condição de conhecedor do bem e do mal conforme Gn. 2: 9, 16 e 17 - "E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Há duas ordens: uma que concedia plena liberdade de acesso e outra que restringia o acesso ao fruto de uma árvore especificamente. As sentenças são enunciados simples e diretos: "comerás livremente" e "não comerás". A conclusão é igualmente simples e direta: "certamente morrerás." Não há qualquer contradição, pois são duas ordens distintas relativas a objetos distintos. Poderia comer de todas as árvores, exceto de uma.
Gn. 3: 4 a 7 - "Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais." Percebe-se que há uma segunda opinião, e, este tem sido o problema do homem: está sempre à cata de uma segunda opinião sobre tudo. Não há segunda opinião em termos espirituais! Ou se crê na Palavra de Deus, ou não se crê! A sedução da segunda opinião consiste em ouvir aquilo que o homem quer e não o que não gosta, a saber, a verdade simples. A segunda opinião sempre tem algo a mais, algo atrativo, algo exaltador e engrandecedor. A morte a que alude o texto, não é apenas a física, mas sobretudo, a espiritual. Igualmente a nudez a que se refere o texto, não é apenas a nudez física, mas principalmente a nudez espiritual, ou seja, a perda do revestimento do Espírito de Deus.
Rm. 11: 1 a 8 - "Pergunto, pois: acaso rejeitou Deus ao seu povo? De modo nenhum; por que eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou ao seu povo que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como ele fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e procuraram tirar-me a vida? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça. Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Pois quê? O que Israel busca, isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram; e os outros foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu um espírito entorpecido, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje." A graça de Deus se manifesta ininterruptamente e irrevogavelmente, a despeito da incredulidade do homem. Isto acontece, porque àqueles aos quais Deus conheceu de antemão, Ele não rejeita. Nisto consiste a eleição da graça para os eleitos remanescentes entre povos, nações e tribos. É este o sentido de salvação para todos. Este todos, não são todos os homens, mas homens de todas as etnias, tribos e nações. O que o homem busca pelos seus próprios esforços e obras da lei, Deus concede gratuitamente em Cristo. O que o homem busca em seus rituais e cerimônias, não acha, porque não é pela graça, mas pela lei do esforço próprio.

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