novembro 06, 2011

ESCATOLOGIA XXVIII

II Pd. 2: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
Igreja, nos termos do ensino bíblico, é o conjunto dos nascidos de Deus por meio de uma nova geração em Cristo conforme Ef. 2:10 - "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Vê-se, que, não somente foram gerados em Cristo, mas também gerados para as boas obras que, aliás, são de Deus, preparadas antes da fundação do mundo para que os eleitos andassem nelas. Neste sentido cada grupo que se reúne em nome do Senhor Jesus, em qualquer lugar, forma uma congregação, visto que são participantes da mesma natureza e confessam a mesma verdade. Todas as igrejas criadas pela astúcia e religiosidade dos homens portadores da natureza pecaminosa são apenas agregações de pessoas em torno daquilo que consagram e consideram como suas verdades. A religião leva o homem a forçar a entrada no céu, o nascimento do alto força o homem a entrar no céu. No primeiro a vontade escravizada pelo pecado quer fazer Deus aceitá-la; no segundo, a vontade soberana de Deus escolhe, predestina, chama, justifica e glorifica os que são d'Ele antes dos tempos eternos.
Ap. 3:8 a 13 - "Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: conheço as tuas obras, eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar, que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo. Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra. Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas."
A palavra Filadélfia provém do grego koinê 'philos' (amor, amigo) + 'adelphos' (irmão), significando, portanto, "amor fraternal". É o nome desta Igreja na Ásia Menor, e tipifica a Igreja verdadeira que atravessa a história até o retorno do Grande Rei. Muitas igrejas e seitas cristãs surgiram, ao longo dos tempos, por torpe ganância, por disputas pelo poder, por erros doutrinários, mas da mesma forma desapareceram. A Igreja-Tipo - Filadélfia -, porém, permanece, porque não é resultado de ilações, conjecturas e arranjos humanos. Esta é uma Igreja que não se contém apenas entre quatro paredes de templos, mas é o corpo de Cristo.
A esta Igreja, o Senhor Jesus se identifica como o Santo, o Verdadeiro e o que tem a chave de Davi. Estas revelações indicam que Cristo exige o padrão da Sua santidade nos seus eleitos e regenerados; que os que são seus devem crer à verdade e não às mentiras dos nicolaítas, dos seguidores de Balaão, das práticas de Jezabel, ou da Sinagoga de Satanás dentro das Igrejas. A chave de Davi é a chave da morte e do inferno mencionadas no capítulo um, onde é traçado o auto-retrato de Cristo. Davi foi um tipo de Cristo no Velho Testamento, e Jesus, enquanto homem histórico era da Casa de Davi. Assim, a chave da casa de Davi é que abriu a porta para o seu descendente vir e tabernacular o Unigênito Filho de Deus, o Leão de Judá, a raiz de Davi que venceu e o livro abrirá conforme Ap. 5:5 - "E disse-me um dentre os anciãos: não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e romper os sete selos." É Cristo quem abre a porta que conduz à vida, sendo a posse da chave, o símbolo da Sua autêntica messianidade e autoridade sobre a morte e sobre o inferno. É Ele o caminho apertado, e a porta estreita por onde os eleitos entram no descanso eterno.
Esta Igreja em Filadélfia se caracteriza pela dependência plena da Graça de Deus, porque é fraca, mas diante dela está aberta uma porta excelente. Cristo fará que os falsos "judeus" caiam prostrados diante dela e o adore. Estes falsos "crentes" estão dentro da Igreja, mas ela não é responsável pelo desvio deles. Também não é dito à Igreja que os expulse, pois eles serão julgados e destinados ao seu real lugar, a Igreja de Satanás. A razão do poder espiritual da Igreja em Filadélfia é uma só: ela guarda a Palavra de Deus, e não apenas doutrinas, regras, preceitos e normas morais. Esta Igreja não passará pela grande tribulação, mas será guardada pelo Grande Rei. A palavra utilizada no grego koinê é 'peirasmos', ou seja, provação ou tribulação. Entretanto, no texto foi precedida de um artigo definido, dando-lhe uma conotação de uma tribulação específica, a saber, a grande tribulação imposta pelo Anticristo.
Ao vencedor será dada uma coluna no Templo Eterno, ali será escrito o nome dos santificados, o nome da Cidade Santa, a Nova Jerusalém, e o nome novo de Cristo. Toda esta simbologia indica vida eterna na presença de Deus com todos os privilégios de filhos adotados por meio de Cristo conforme Jo. 1:12 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus." Nenhum homem é filho de Deus, sendo, portanto, apenas criaturas d'Ele. Tornam-se filhos quando adquirem a natureza de Cristo por meio da inclusão na Sua morte de cruz, e por meio da ressurreição juntamente com Ele para ganhar a Sua vida.
Gloria in excelsis Deo!

ESCATOLOGIA XXVII

II Pd. 1: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
A carta à Igreja em Sardes é um alerta aos que não buscam a vida de Cristo. Caracteriza, ou tipifica uma Igreja de mortos espiritualmente. A morte é retratada na Bíblia de três formas: morte espiritual, que é a separação da vida de Deus; morte para o pecado que é a destruição do corpo do pecado pela inclusão na morte de Cristo; e morte para si mesmo, que é a diminuição do eu para que Cristo seja tudo. Em textos do Novo Testamento utilizam-se as palavras 'nekros', significando morte plena, ou seja, tanto física, como espiritual. E 'thanatos' que é a morte apenas espiritual, a saber, a pessoa está morta para Deus por causa do pecado.
Ap. 3: 1 a 5 - "
Ao anjo da igreja em Sardes escreve: isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas: conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto.
Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer; porque não tenho achado as tuas obras perfeitas diante do meu Deus. Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei. Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão vestidas de branco, porquanto são dignas. O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas
."
Há muitas igrejas que fazem muito barulho e dão a impressão de que estão muito vivas e ativas para a obra, entretanto, é só aparência. Nestes casos há mais ativismo do que vida de Cristo, porque confundem evangelicalismo triunfalista com ganhar a vida d'Ele. Todo aquele que é nascido de Deus tem por característica a consciência de que Cristo é tudo em todos os que são seus. Para Cristo ser tudo, os seus devem ser nada. É como João, o batista afirmou após a sua prisão: "...importa que Ele cresça e que eu diminua." Nestas igrejas institucionais e fundadas pela vontade de homens, se dá muita ênfase ao "louvor", mas a parte do estudo da Palavra é a menor, e justamente quando muitos membros saem, dormem, conversam e fazem fofocas. Os seus ouvidos estão fechados para a Palavra!
O Senhor Jesus, o Cristo se apresenta à Igreja em Sardes como aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas. Já se tratou desta questão da numerologia na Bíblia. Sabe-se que o número sete indica a plenitude ou a totalidade e não a perfeição.
Cristo conclama a Igreja em Sardes a que busque o avivamento para confirmar os que ainda estavam vivos. O grande ordenamento dado a esta Igreja é que guarda o que recebeu e o que ouviu. Isto implica no evangelho da verdade, o qual a Igreja ouviu e recebeu. Quando os eleitos e regenerados creem na Palavra de Deus ele está vivendo da fé conforme está em Hb. 10:38 - "Mas o meu justo viverá da fé." Também em Gl. 3:11 - "É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque: O justo viverá da fé." A fé, como se sabe, não é o que é sensoreável, mas é crer sem ver, ou sem prova alguma. A maior parte dos religiosos vivem uma espécie de fé circunstancial, ou seja, creem no que veem. Por isso, as igrejas possuem muito ativismo e pouca vida de Cristo que é a dependência da fé no que as Escrituras dizem, e não nas evidências de obras da lei, e das obras da carne.
O Senhor da Igreja avisa que a Sua vinda será de modo invisível e surpreenderá a todos. Isto implica em que os eleitos e regenerados devem viver cada dia como se fosse o último dia das suas vidas. Isto, evidentemente, não é possível pelas próprias forças e esforços, mas na dependência plena da misericórdia e da graça de Deus. É como está doutrinado pelo apóstolo Paulo em II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Estar em Cristo é crer que foi incluído na Sua morte para destruição do corpo do pecado, e que com Ele ressuscitou para a vida eterna. O texto original diz: "Assim é que, se alguém está em Cristo, é nova geração..." Logo, para ser nova criatura ou nova geração é preciso ter morrido com Cristo e ter ressuscitado com Ele para permanecer n'Ele.
O Grande Rei afirma que aqueles que estiverem em Cristo, andarão vestidos de branco com Ele, seus nomes não serão riscados do livro da vida do Cordeiro, e os seus nomes serão declinados diante do trono de Deus e diante dos anjos. Serão declarados justos em Cristo e possuirão o reino para todo o sempre.
Gloria in excelsis Deo!

novembro 05, 2011

ESCATOLOGIA XXVI

II Pd. 2: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
Agora a palavra de Cristo é dirigida à Igreja em Tiatira, tendo sido uma das mais detalhadas dentre as sete cartas. Uma Igreja no sentido cristão verdadeiro é um grupo de eleitos e regenerados que se congrega para adorar, proclamar e comunicar o amor de Cristo. Neste sentido, a maior parte das igrejas institucionais fica fora. Quando alguém abandona as igrejas denominacionais por aí, alguns religiosos dizem aos que se afastam, usando Hb.10:25 "...não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns..." Entretanto, estes que têm palavras duras e afiadas para agredir aos outros, se esquecem do que diz no versículo anterior Hb. 10:24 "... e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras..." Igrejas instituídas por homens não são congregações, são apenas agregações. A maior parte é, no máximo, uma agregação de pessoas que não têm consideração uns pelos outros, e muito menos, se estimulam na prática do amor verdadeiro e das boas obras, que aliás, são de Deus. Geralmente, agem cordialmente quando tudo está conforme os seus interesses. Quanto qualquer um dos "irmãos" comete algum erro, ou fraqueza, viram o rosto, passando a maltratá-lo, justamente quando mais necessita do amor cristão. Por esta razão é que muitos abandonam, estas agregações. Uma congregação exige, no mínimo, que sejam todos partícipes da mesma natureza, a saber, a natureza de Cristo por meio do novo nascimento. Não basta, portanto, seguir as mesmas regras de fé e prática criadas e mantidas por homens com algumas tinturas superficiais de verdade. Evocam as Escrituras para impor seus dogmas, mas não invocam estas mesmas Escrituras para reavaliar suas posturas e relações com Cristo.
Ap. 2:18 a 29 - "Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente: conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras. Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela; e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras. Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei; mas o que tendes, retende-o até que eu venha. Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai; também lhe darei a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dia às igrejas."
Jesus, o Cristo se identifica como o Filho de Deus, e como quem tem os pés reluzentes como o latão polido. É uma repetição das suas características do capítulo um. Ele afirma conhecer todas as obras daquela Igreja e que ela experimentou uma progressão nas práticas cristãs genuínas. É uma Igreja verdadeira e que apresenta as marcas de Cristo.
O Cristo, porém, apresenta uma queixa contra uma situação nesta Igreja: tolerava uma mulher chamada Jezabel, a qual se dizia profetiza, mas na verdade, desviava alguns para práticas diabólicas. O erro era a sedução para experimentar daquilo que não é a vida de Cristo. Na verdadeira Igreja não há nada além de Cristo, pois Ele é tudo em todos, logo, todos e cada um individualmente são nada para que Ele seja tudo. O que passa disto está fora da verdade, sendo portanto, prostituição espiritual. Jezabel foi a esposa do rei Acabe que mantinha centenas de falsos profetas e cultuava ídolos, que na verdade, eram demônios. Assim, a menção desta mulher no Apocalipse é uma tipificação da antiga Jezabel. Doutrinas que estão fora de Cristo são consideradas adultério espiritual, ou seja, manter relações com aquilo que não é a vida de Cristo. Isto recai em manter relações com as profundezas de Satanás. Jezabel, neste texto, é uma igreja que põe em prática a doutrina de Balaão iniciada na Igreja de Pérgamo. Não é uma mulher que viveu em Tiatira e que pertencia a esta Igreja. Mulher sempre simboliza igreja no texto apocalíptico. Dependendo das descrição do que ela prática, poderá ser identificada como a Igreja de Cristo, ou a Igreja de Satanás.
Observa-se, que, mesmo tendo a falsa igreja - Jezabel - infiltrada na Igreja em Tiatira, esta Igreja continua sendo verdadeira. Então, os que estão na Igreja de Cristo sem possuir a sua natureza, é que são excrescências, e não a Igreja como um todo. Jezabel era tolerada e toda a palavra de reprimenda neste texto apocalíptico, não é contra a Igreja em Tiatira, mas contra a falsa igreja que persiste infiltrada. Neste caso se aplica a figura do joio e do trigo: eles crescem juntos, só no final é que serão separados.
Foi dito a Igreja em Tiatira que esperasse em fidelidade até o retorno do Grande Rei. À igreja falsa que coexiste com a Igreja verdadeira é dito que será lançada em tribulação e morrerá com seus filhos, ou seja, seguidores. Indica as características da Igreja que precederá o retorno de Cristo, e que será perseguida e destruída pelo governo da besta.
As tais profundezas de Satanás são doutrinas secretas e herméticas caracterizadas por aqueles que dentro da igreja institucional afirmam que só eles possuem o poder de revelação de Deus. Na verdade, são doutrinas esotéricas resultantes dos poderes latentes da alma e não dons espirituais, como muitos supõem. Nas igrejas atuais há muitas jezabeis, profetas de balaão e nicolaítas.
O Grande Rei termina a carta dizendo que aos vencedores será dada autoridade sobre as nações, e também, receberão a estrela da manhã. Tal afirmação pode ser uma alusão ao próprio Cristo e a Sua glória entre os eleitos e imortais da tribulação.
Gloria in excelsis Deo!

novembro 03, 2011

ESCATOLOGIA XXV

II Pd. 1: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
Na economia de Deus tudo é profundamente sábio e tem sempre uma razão de ser. O próprio fato de o Novo Testamento ter sido escrito em grego koinê demonstra isto. A Grécia havia se expandido para o Oriente no processo de helenização com Alexandre, o Grande. A difusão da língua grega por diversos lugares facilitou a disseminação do evangelho mais rapidamente. Assim, muitos termos e expressões utilizados nas Escrituras neotestamentárias foram tomadas da língua grega popular. Isto foi positivo, porque expressava as realidades mais simplificadamente para povos e pessoas de outras culturas. Igreja é uma palavra oriunda do termo político 'ekklesia' (ek = para fora + kaleo =chamado, convocado) se tratava da assembleia escolhida para conduzir os destinos da polis, ou seja, da sociedade. Por símile, a noção de Igreja, traduz-se como o grupo de pessoas alcançadas pelo evangelho da redenção, as quais foram convocados para uma vida diferenciada dos demais. Não implicando em que fossem superiores aos demais. Apenas diferenciados por uma nova disposição de viver para Deus em Cristo.
Agora o Senhor Jesus envia a 3ª carta endereçada à Igreja em Pérgamo, uma cidade também da Ásia Menor. Como já foi dito, as Igrejas apocalípticas eram localizadas geograficamente nesta região, correspondente ao que é atualmente a Turquia. Eram Igrejas reais, como também foram tomadas como Igrejas-Tipos para caracterizar os fatos e comportamentos da Igreja ao longo da história do cristianismo.
A palavra redenção significa restaurar ao proprietário algo que ele perdeu. Neste sentido, a missão de Cristo é a de restaurar à comunhão com Deus, os seus eleitos por meio da sua morte substitutiva e inclusiva. Neste ato Jesus, o Cristo atraiu os pecadores a Si mesmo para incluí-los em Sua morte, e ao ressuscitar, restaurá-los à comunhão com o Pai. O espírito morto para Deus recebe a vida de Cristo; a alma contaminada pelo pecado é restaurada e purificada pelo processo de santificação; e o corpo será redimido na restauração final por meio da ressurreição dentre os mortos.
Ap. 2: 12 a 17 - "Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: isto diz aquele que tem a espada aguda de dois gumes: sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; mas reténs o meu nome e não negaste a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Entretanto, algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem. Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas. Arrepende-te, pois; ou se não, virei a ti em breve, e contra eles batalharei com a espada da minha boca. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe."
Esta Igreja era a mais problemática aos olhos do Juiz Eterno: localizava-se onde estava posto o trono de Satanás, nisto revelou-se que ele tem também um trono. Neste momento, o Grande Rei revela ao mundo que Satanás possui uma igreja e que, por ela, o inimigo reclama poder temporal. A Igreja verdadeira não reclama para si nenhum poder, pois sabe que todo o poder pertence a Cristo. Sabe-se que Satanás reivindica para si, desde o início, o poder de ser "deus", sendo esta a causa da sua queda conforme Ez. 28. Ao longo dos tempos o seu trono vem mudando de lugar de acordo com as suas conveniências, pois a história desloca constantemente os centros de poder econômico e político. Assim, em cada época da história ele altera o local do seu trono temporal e falso. Primeiramente surgiu na Babilônia, mas era muito fácil manter a sua igreja, pois Cristo ainda não havia se manifestado, portanto, não havia oposição. Depois foi estabelecido em Pérgamo próximo às primeiras comunidades cristãs, depois mudou-se para Roma junto ao poder político dominante, e, no futuro, voltará para o que é hoje o Irã.
Na Igreja de Pérgamo havia um grupo herético que sustentava a doutrina de Balaão. Este foi um profeta não-judeu e que, ao ser contratado para amaldiçoar Israel, Deus o fez abençoá-lo. Não podendo fazer nada contra o povo escolhido, resolveu treinar o seu discípulo para destruir o povo por meio da idolatria e da prostituição doutrinária. Balaão ensinou ao rei dos moabitas a corromper os israelitas pela estratégia da infiltração, ou seja, comer dos sacrifícios aos ídolos, e cometer prostituição com as mulheres dos povos vizinhos. Em termos de Igreja, isto quer dizer: adorar imagens e contaminar-se com as práticas mundanas. Prostituição no sentido espiritual é reivindicar e aceitar favores e acordos com os governos humanos, resultando na união entre Igreja e Estado.
Jesus reconhece que aquela Igreja reteve a fé e não negou o Seu nome, mesmo em meio às perseguições e mortes. Cita Antipas como mártir, porém não se sabe quem era esta pessoa. Não há registros sobre nenhum Antipas, porém poderá ser um tipo ou um cristão que foi morto por perseguição.
Veja que nesta Igreja, já estavam firmes os nicolaítas que surgiram na Igreja de Esmirna. Agora aparecem os da doutrina de Balaão e depois os seguidores da falsa profetiza Jeezabel. É exatamente assim, ao longo da Igreja, as heresias vão surgindo sorrateiramente até deformar completamente a simplicidade do evangelho de Cristo.
Jesus conclama à Igreja a que ouça o que o Espírito Santo diz, e promete ao vencedor, comer do maná escondido e receber um novo nome. Isto implica em alimentar-se da vida de Cristo e completar o processo da produção da Sua santidade nos eleitos e regenerados. A redenção é um processo completo: corpo, alma e espírito.
Gloria in excelsis Deo!

novembro 02, 2011

ESCATOLOGIA XXIV

II Pd. 1: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
O livro de Apocalipse é o último livro das Escrituras, e portanto, encerra a história humana, tal como vem se desenrolando desde a criação até a restauração de todas as coisas. É o único livro que serve a este propósito, porque completa a história da redenção, segundo os desígnios de Deus. Traça um perfil da Igreja por meio das Igrejas-Tipos ao longo do tempo histórico. Mostra a formação do governo da besta, a grande tribulação, as coisas concernentes a Israel, o retorno de Cristo para a Igreja, a ressurreição, o arrebatamento, a organização dos eleitos e redimidos no céu, e os juízos sobre a Terra para dar cabo do sistema de coisas criado pelo homem contaminado pelo pecado. Registra o retorno do Grande Rei e o estabelecimento da "Cidade Santa" morada eterna dos santos e imortais, juntamente com o Rei dos Reis, e Senhor dos Senhores.
Ap. 2:8 a 11 - "Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: isto diz o primeiro e o último, que foi morto e reviveu: conheço a tua tribulação e a tua pobreza, mas tu és rico, e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás. Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dano da segunda morte."
A 2ª carta é endereçada ao mensageiro da Igreja que está em Esmirna. Esta era uma cidade situada na Ásia Menor, no que é hoje a Turquia. Jesus, o Cristo se apresenta a esta Igreja como o primeiro e o último, que foi morto e que reviveu. Ele afirma conhecer as tribulações e a pobreza desta Igreja, porém diz que ela, na verdade, era rica. Isto faz sentido, porque a pobreza material, não interfere na riqueza espiritual. Verifica-se que a Igreja de Esmirna não foi repreendida por nenhum erro de finalidade ou de doutrina. Nela, entretanto, estavam alguns que se afirmavam judeus, mas blasfemavam da verdade. Foram classificados como "Sinagoga de Satanás". O Cristo avisa que esta Igreja sofreria tribulações impostas por Satanás, mas que estas serviriam apenas para provação. Cristo recomenda que os eleitos desta Igreja sejam fiéis até para a morte, pois é assim que se traduz o texto grego original. O fato de ter nela os falsos crentes, não é culpa da Igreja, mas deles mesmos, visto que a responsabilidade pelo pecado é pessoal.
A promessa aos fiéis é que receberiam a coroa da vida, e que o vencedor não sofreria o dano da segunda morte. Esta segunda morte é a morte eterna, ou separação eterna de Deus.
Estes membros da Igreja que se diziam judeus, não o sendo, provavelmente se tratava de um comportamento, e não de ser ou não judeu. Ser ou não ser judeu na Igreja do Senhor Jesus não faz a menor diferença. Porém, a expressão se refere a uma profecia e só ter-se-á pleno entendimento quando ela for cumprida. As profundas mudanças doutrinárias, organizacionais e comportamentais comparativamente às Igrejas primitivas e as atuais são muito grandes. A própria palavra "igreja" mudou muito o sentido em comparação aos primeiros tempos. A Igreja primitiva era formada por pequenos agrupamentos de eleitos e regenerados que se reunião nas casas, florestas, grutas, e catacumbas para adorar. O nome cristão ainda sequer era utilizado, e o cristianismo como um todo era chamado de "O Caminho".
Naquele tempo a palavra "igreja" tinha o sentido e a força da língua grega 'ekklesia', a saber, aqueles que foram chamados para fora. Isto significava que as pessoas que pertenciam ao "Caminho" eram chamadas e separadas em termos éticos e morais em relação aos incrédulos, embora vivessem na mesma comunidade ou jurisdição político-administrativa. Hoje, "igreja" é qualquer prédio onde se agregam pessoas que mal ouviram falar acerca de Jesus, o Cristo. Atualmente a "igreja" possui conotação com um grupo, sob uma denominação, liderado por uma ou mais pessoas que se revestem de autoridade eclesiástica com base em títulos e não no nascimento do alto. Os "pastores" estão mais pra tosquiadores das ovelhas e mercenários!
Talvez a melhor compreensão antecipada para os que se dizem judeus e não o são, bem como para "Sinagoga de Satanás", seja identificá-los com pessoas que se agregam às igrejas, mas não são nascidas do alto. São o joio semeado por Satanás dentro dos campos de trigo. Onde só há joio não há necessidade de Satanás semear joio, mas onde há trigo, certamente ele semeará sempre o joio a fim de criar embaraços ao evangelho.
A Igreja em Esmirna não foi repreendida, mas dentro dela havia os que se diziam cristãos, não o sendo. Por isso, eles foram semeados nela, para que os filhos de Satanás estivessem ali trazendo tribulações e provações à Igreja.
Gloria in excelsis Deo!

ESCATOLOGIA XXIII

II Pd. 1: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
A diferença entre o método profético e o método histórico, é que este analisa a história passada, enquanto aquele projeta os eventos futuros. É como Deus afirma no livro de Isaías, capítulo 46: "... que anuncio o fim desde o princípio..." Esta é uma prerrogativa da onisciente soberania d'Ele. Na profecia toda história é colocada em evidência, como se fora um quadro. Entretanto, na profecia, o homem depende de receber fé para crer que os fatos se desenvolverão, tal como revelado. Na história segue-se uma progressão passo a passo de acordo com os eventos desenvolvidos pelos povos e nações.
Os capítulos 2 e 3 de Apocalipse organizam e apresentam a Igreja por meio de sete Igrejas reais e existentes na Ásia Menor, e que também são tipificações das fases da Igreja ao longo dos tempos. A estrutura em que as Igrejas são apresentadas e comunicadas no Apocalipse é a seguinte:
  1. Nome da Igreja a qual é endereçada a carta.
  2. Identidade de quem fala à Igreja sempre se referindo a Cristo.
  3. Elogio, ou seja, fatos que Cristo aprova na referida Igreja.
  4. Reprimenda, ou seja, fatos que Cristo reprova na referida Igreja.
  5. Menção do retorno do Grande Rei à Terra e seus efeitos sobre a Igreja.
  6. Ordem para que a Igreja ouça o que o Espírito Santo está revelando.
  7. Promessas ao vencedor.
Ap. 2: 1 a 7 - "Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança; sei que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança e por amor do meu nome sofreste, e não desfaleceste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres. Tens, porém, isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus."
Anjo no texto grego neotestamentário é 'angelos', e, neste contexto, significa mensageiro, pois não descreve a natureza de um ser, mas as suas funções. Verifica-se que a carta é endereçada ao mensageiro da Igreja que está em Éfeso. Não se refere a Igreja de Éfeso, mas a Igreja que está em Éfeso. Isto indica que não haviam igrejas com adjetivos, mas apenas a Igreja do Senhor Jesus. Tal Igreja, não se caracterizava por uma denominação criada por homens, mas à união dos eleitos e regenerados que se reuniam para adorar.
Jesus se apresenta como Aquele que tem as sete estrelas e anda no meio dos candeeiros, ou seja, como o Senhor da Igreja e o que controla os ministros ou mensageiros destas Igrejas. Ele mostra as coisas corretas que o pastor da Igreja em Éfeso estava fazendo: obras, trabalho e perseverança, ele não admitia os falsos apóstolos, e que suportava o sofrimento por causa do nome de Jesus. Também, mostra que o responsável pela Igreja em Éfeso estava abandonando o primeiro amor. Concita que este faça um auto-exame e se retrate do seu erro, arrependa-se e retorne às primeiras obras. Que primeiro amor é este que a Igreja em Éfeso estava abandonando? Ora, basta saber que a Igreja existe primeiramente para adorar, e depois para proclamar o evangelho, além de comunicar o amor cristão ao mundo. Então, as obras que os regenerados da Igreja em Éfeso estavam abandonando era o fervor e a dedicação que possuíam no início. Aquela Igreja estava agora dando mais ênfase à organização do que ao Senhor da organização. O foco do amor estava mais na Igreja do que no Senhor da Igreja, o primeiro amor. Amar a Cristo é uma coisa, amar as realidades relacionadas a Cristo é outra coisa. Nada pode substituir o Senhor Jesus! Isto ocorre quando o trabalho em função da existência e permanência da Igreja supera a adoração e o amor ao Senhor da Igreja.
Jesus aprova a obra do mensageiro da Igreja em Éfeso contra os Nicolaítas. Estes não representavam um cisma, ou um movimento herético com corpo e organização opondo-se à Igreja, mas um comportamento de pessoas dentro da própria Igreja. Nicolaíta em grego do Novo Testamento, provém de 'nico' que significa "dominar" e 'laitanes' que significa "leigo". Isto implica no início, dentro desta Igreja, de uma luta por parte de membros pelo controle sacerdotal, ou seja, colocar a ênfase em uma hierarquia humana ou eclesiástica dentro da Igreja.
É isto mesmo que acontece: quando a Igreja abandona o seu primeiro amor, a saber, Cristo, a tendência é se apegar à organização hierárquica de homens. Começa haver disputas pelo poder e prestígio dentro da Igreja, criam suas convenções, departamentos, assembleias, escrevem e prescrevem suas regras, normas e preceitos que nada têm a ver com as Escrituras. Os líderes se tornam pessoas influentes e importantes exigindo lealdade à denominação e não necessariamente a Cristo e às Escrituras. No fundo estão exigindo a lealdades dos membros a eles mesmos, e neste sentido, substituem Cristo pelo homem. Por isso, Jesus, o Cristo afirma que se o mensageiro não procurasse verificar onde havia caído e se retratasse, Ele viria e o retiraria do seu lugar, posto, ou posição.
Nos tempos de hoje, o que mais se vê são estes comportamentos nas igrejas denominacionais. Estão preocupadas com métodos humanos para aumentar o número dos seus membros. Buscam influenciar na política e na economia, imaginando que podem tornar a sociedade e o mundo melhor. Organizam-se cada vez mais em associações, convenções, alianças, conselhos, federações, uniões. Estas são as obras dos nicolaítas vivas e ativas no meio dos candeeiros em substituição a Cristo.
A promessa é que o vencedor comerá da "Árvore da Vida", a saber, participará da natureza eterna de Cristo.
Gloria in excelsis Deo!

novembro 01, 2011

ESCATOLOGIA XXII

II Pd. 1: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
O capítulo um do livro profético de apocalipse é um retrato da pessoa de Cristo. As características descritas nele se repetirão nos demais capítulos, indicando quem realmente é Ele. É necessário entender que Jesus, o Cristo é um ser 100% homem, e 100% Deus. O Cristo é o filho de Deus, preexistente e eterno. Jesus é o homem histórico, no qual, o Cristo encarnou para cumprir os desígnios de Deus no tocante à redenção. Entretanto, não se pode distingui-los, pois isto recairia numa heresia antiga chamada arianismo. Assim, Cristo e Jesus, não são duas pessoas distintas, mas uma única pessoa com duas naturezas: a divina e a humana.
Ap. 1: 1 e 2 - "Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João; o qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, de tudo quanto viu." A palavra revelação ou apocalipse significa "tirar o véu", ou seja, desvendar uma mensagem, ou uma pessoa. A expressão "de Jesus Cristo" está no genitivo subjetivo, mostrando que é a pessoa d'Ele que está sendo revelada por meio das mensagens simbólicas. O verbo 'notificou' no texto grego original é 'semainõ', ou seja, indicar, ou ensinar por símbolos, portanto, a chave do livro é o ensino por meio de símbolos. Assim, o apocalipse é a revelação de Jesus, o Cristo em sua 'parousia', ou seja, em sua manifestação visível ao mundo. Não é um livro de revelações em si, pois ensina por meio de linguagem simbólica. Portanto, o livro versa sobre a revelação de Jesus, o Cristo.
Ap. 1:3 - "Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo." Há esta promessa aos que leem, aos que ouvem, e aos que guardam as profecias do apocalipse. A proximidade do tempo é uma questão de desenrolar dos acontecimentos a partir do momento em que houve a revelação dos mesmo à João, na Ilha de Patmos. Desde este tempo os eventos previstos começaram a acontecer.
Ap. 1:4 - "João, às sete igrejas que estão na Ásia: graça a vós e paz da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono." O apóstolo João envia o relato recebido do anjo que foi enviado por Jesus, o qual recebeu a revelação de parte do Pai. Estas sete Igrejas eram reais e existentes no tempo de João, e também, eram Igrejas-Tipo das que surgiriam e existiram ao longo da história. As missivas mostram os três tempos da redenção de Jesus, o Cristo - que era, que é, e que há de vir - e também a totalidade da onisciência de Deus por meio dos sete espíritos. O número sete é sinônimo de totalidade e não de perfeição como alguns ensinam. Sempre que o processo de redenção é revelado se pode perceber que é um fato originado no passado, real no presente e esperado o seu desfecho no futuro.
Ap. 1:5 a 8 - "...e da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos. Amém. Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém. Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso." Jesus, o Cristo é identificado neste texto como: a fiel testemunha, ou seja, aquele que de fato foi mártir para retirar o pecado do mundo, pois testemunha significa mártir. Também afirma que Ele é o primogênito dos mortos, isto é, o primeiro a voltar ressurreto dos mortos. Jesus é apresentado como o Príncipe dos reis da Terra, porque Ele é Absoluto, Rei dos reis, e Senhor de todas as coisas. O texto mostra que é Jesus, o Cristo que nos ama, que nos libertou dos pecados pelo derramamento do Seu sangue. Ele transforma os seus eleitos e regenerados em um reino de sacerdotes para Deus, o Pai. Neste texto é anunciado que Jesus, o Cristo voltará com as nuvens e todos o verão, mesmo os que estiveram no dia da sua crucificação, pois todos os mortos ressuscitarão neste dia do retorno do Grande Rei. Ele é o alfa e o ômega, ou seja, o início e o fim de todas as coisas, pois por Ele e para Ele elas foram criadas.
Ap. 1:9 e 10 - "Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta..." Visto que nenhum homem carnal pode estar na presença de Deus, João foi arrebatado em espírito, ou seja, o seu espírito saiu do seu corpo e foi elevado até a presença de Deus e, de lá, contemplou o dia do Senhor. Este "dia do Senhor" não é um dia da semana, ou o domingo como se supõe. É o dia do Juízo conforme Joel 2:31 - "O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor." Isto se explica pelo fato de João estar arrebatado na presença de Deus, vendo os acontecimentos do fim.
Ap. 1: 11 - "...que dizia: o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia." A voz de Deus que João ouviu ordenou que ele escrevesse tudo quanto estava vendo e que enviasse este relatório às Igrejas existentes e que representavam simbolicamente todas as demais Igrejas ao longo dos tempos. Alguns afirmam, com base em características, que atualmente é o período da Igreja de Laodicéia.
Ap. 1: 12 a 16 - "E voltei-me para ver quem falava comigo. E, ao voltar-me, vi sete candeeiros de ouro, e no meio dos candeeiros um semelhante a filho de homem, vestido de uma roupa talar, e cingido à altura do peito com um cinto de ouro; e a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve; e os seus olhos como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente que fora refinado numa fornalha; e a sua voz como a voz de muitas águas. Tinha ele na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois gumes; e o seu rosto era como o sol, quando resplandece na sua força." João, finalmente, vê ao Senhor Jesus, e o descreve a sua visão. Jesus, o Cristo aparece em meio a sete candeeiros de ouro, vestido como sacerdote, com um cinto de ouro, indicando a justiça. Os cabelos brancos como a lã e como a neve, indicando a santidade, reverência e a deidade de Cristo. Isto se aplica ao que Daniel 7:9 descreve: "Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; o seu vestido era branco como a neve, e o cabelo da sua cabeça como lã puríssima; o seu trono era de chamas de fogo, e as rodas dele eram fogo ardente." A descrição dos pés como latão reluzente refinado em fornalha foi a forma possível a João, para descrever a pureza de Cristo. Jesus, o Cristo foi refinado na dor e no sofrimento, por isto, é perfeitamente apto para julgar e discernir os pensamentos e intenções do coração humano. Voz como de muitas águas indica a autoridade de Deus, o que também foi visto por Ezequiel: "E eis que a glória do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandecia com a glória dele." Cristo detém nas mãos a totalidade dos mensageiros de todas as Igrejas, pois Ele segura as sete estrelas que são símbolos de mensageiros. Da sua boca saía uma afiada espada de dois cortes, indicando que apenas Cristo tem a palavra de juízo que pode discernir completamente a mente e as intenções ocultas do coração do homem. O rosto brilhante como o Sol é a indicação da perfeita luz que tudo prescruta e vê.
Ap. 1: 17 a 20 - "Quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo: não temas; eu sou o primeiro e o último. Eu sou o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre! e tenho as chaves da morte e do inferno. Escreve, pois, as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de suceder. Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete candeeiros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas." A visão de Cristo glorificado é tão chocante, que, mesmo João estando em espírito sentiu-se totalmente atônito. Ele é o primeiro e o último, indicando que é eterno, que encarnou em Jesus, foi morto, mas ressuscitou e vive eternamente. Ele tem as chaves que abrem, tanto a morte do pecador para vida, como para a condenação eterna.
Jesus, o Cristo termina esta instância ordenando que João escreva todas as coisas que presenciou nos três tempos: passado, presente e futuro. Cristo explica o significado das sete estrelas e dos sete candeeiros de ouro, a saber os pastores ou mensageiros e as Igrejas-Símbolos.
Gloria in excelsis Deo!

outubro 31, 2011

ESCATOLOGIA XXI

II Pd. 1: 19 a 21 - "E temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo."
Feitas as devidas abordagens, em artigos anteriores, de algumas profecias veterotestamentárias, passa-se doravante à profecia apocalíptica. Muitos têm este último livro do cânon sagrado como difícil, complexo, e incompreensível. Entretanto, o que falta é a revelação do "supremo propósito" de Deus ao enviá-lo ao apóstolo João, por meio do anjo do Senhor Jesus. A primeira regra para conhecer a profecia apocalíptica é saber que o Apocalipse é um livro de revelações, portanto, deve cumprir tal finalidade. Ninguém que intenta revelar algo, faz deste ato uma ação obscura, confusa e incompreensível. Entretanto, os eventos dispostos no Apocalipse, só se desvendam na medida em que chega o tempo em que irão acontecer. Enquanto não chega o momento deste evento, tem-se apenas a informação que ele ocorrerá. Os eventos tornam a revelação confirmada ou rejeitada, visto que a torna verídica ou inverídica.
O primeiro passo a ser considerado é que o Apocalipse é a revelação de Jesus Cristo, e não apenas revelações feitas por Cristo a respeito de eventos futuros. É Jesus, o Cristo que está sendo revelado no livro. Uma vez desvendada a Sua sublime pessoa, todas as demais coisas se desvendam. Por isto, o porquê do texto de Ap. 1: 1 e 2 - "Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João; o qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, de tudo quanto viu." A sequência é: Deus dá a revelação a Jesus Cristo, Ele a envia aos seus eleitos e regenerados, por meio de Seu anjo, tendo sido recebida pelo apóstolo João, quando do seu desterro na ilha de Patmos devido a perseguição do imperador romano. Esta é, portanto, a razão porque muita gente não compreende as profecias apocalípticas, a saber, não são servos. Apenas os servos do Senhor Jesus Cristo podem compreender a Sua revelação, ou desvendamento.
A palavra apocalipse provém do grego koinê 'apokalypsis' [αποκάλυψις], a qual significa 'desvendamento', ou 'retirar o véu'. O capítulo um é a chave mestra para a compreensão de todos os demais capítulos precisamente porque descreve Jesus, o Cristo em todos os seus aspectos. O livro possui uma estrutura perfeitamente organizada pela economia divina, no sentido de dar coerência e coesão a tudo quanto se pretende revelar. Sucintamente a estrutura do livro apocalíptico é dada em quadros, como se fossem 'sketches' em uma apresentação cênica de sete atos, tal como segue:
  1. Primeira Seção - apresenta Cristo e suas qualificações como o salvador, a saber: profeta, sacerdote, juiz e rei. Abrange o capítulo um.
  2. Segunda Seção - apresenta a Igreja, agente de Deus na redenção do pecador, estendendo-se do pentecostes ao arrebatamento. Abrange os capítulos 2 e 3.
  3. Terceira Seção - apresenta a organização dos eleitos e santificados no céu prontos para participar da execução dos juízos de Deus sobre a Terra, estendendo-se do arrebatamento ao retorno do Grande Rei. Abrange os capítulos 4 a 11.
  4. Quarta Seção - apresenta os acontecimentos na Terra, descrevendo os eleitos e regenerados no período da tribulação, sendo perseguidos pelo Anticristo. É a preparação para a batalha do Armagedom. Estende-se do arrebatamento ao retorno visível do Grande Rei. Abrange os capítulos 12 a 16.
  5. Quinta Seção - apresenta a Igreja de Satanás na Terra, como ele opera no seu reino de trevas com aparência de verdade. Também se estende do arrebatamento ao retorno do Grande Rei. Abrange os capítulos 17 e 18.
  6. Sexta Seção - apresenta o "Reino Milenar", quando Satanás será amarrado e preso por mil anos. Cristo e seus eleitos e santificados reinam durante os mil anos, restaurando a ordem de todas as coisas. Estende-se do retorno do Grande Rei ao fim dos mil anos e abrange os capítulos 19 e 20.
  7. Sétima Seção - apresenta a "Cidade Santa", a nova Jerusalém que desce do céu, o lar eterno dos redimidos e imortais. Será o centro de comando do Universo, porque o Grande Rei governará a partir dela. Estende-se do fim dos mil anos por toda a eternidade e abrange os capítulos 21 e 22.
Gloria in excelsis Deo!

outubro 30, 2011

ESCATOLOGIA XX

Dn. 2: 20 a 22 - "Disse Daniel: seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque são dele a sabedoria e a força. Ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; é ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz."
Ainda um pequeno aprofundamento sobre Gogue e Magogue, porque são termos que podem confundir o leitor das Escrituras. Na verdade, estes nomes são dados aos descendentes de Jafé, filho de Noé, que deram origem a diversas linhagens étnicas as quais foram se erradicando para as regiões mais ao norte da Europa e da Ásia Centro-Norte. Magogue foi mencionados primeiramente em Gn. 10:2 - "Os filhos de Jafé: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras." É colocado como um epônimo de uma pessoa, ou de uma nação inteira, isto é, um nome de substituição, derivação, ou tipo de um atítipo. Igualmente Gogue ou Gog é citado como sendo da casa de Rúben, filho varão de Jacó em I Cr. 5: 3 e 4 - "Os filhos de Joel: Semaías, de quem foi filho Gogue, de quem foi filho Simei..." Também Gogue e Magogue são citados juntos em Ez. 38: 2 e 3 - "Filho do homem, dirige o teu rosto para Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e Tubal, e profetiza contra ele, e dize: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e Tubal." Finalmente, em Ap. 20:8 - "... e sairá a enganar as nações que estão nos quatro cantos da Terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, a fim de ajuntá-las para a batalha."
Nos documentos judaicos, tais como, o Talmude e a Midrash, Gogue e Magogue são identificados com sendo os citas e germânicos, os quais habitavam ao norte de Israel, nas regiões correspondentes ao leste do Irã e da Ásia Central. Flávio Josefo, historiador judeu chamava a região dos Magogues de "casa dos citas". Ao que tudo indica estes povos foram se multiplicando e se deslocando cada vez mais para o norte da Europa e da Ásia. Por isso, Ezequiel diz: "...virás tu do extremo norte..."
O Alcorão, livro religioso do Islamismo, faz referência a Gog e Magog, na sura Al-Khaf, como sendo Yajuj e Majuj. Para o Islamismo são seres humanos descendentes de Adão e dotados de grande poder de maldade e causam grande corrupção na sociedade.
Nas lendas britânicas Gogue e Magogue são descritos como sendo gigantes. São considerados patronos da cidade de Londres e suas imagens são carregadas em procissão por ocasião do "Lord Mayor's Show" em homenagem ao prefeito da cidade. Tal tradição foi fundado pelo rei Henrique V no século XV. Há na Grã-Bretanha dois montes com os nomes de Gogue e Magogue próximos a Cambridge. Segundo reza as histórias locais, são a metamorfose dos gigantes Gog e Magog.
Na Irlanda, Gogue e Magogue aparecem no livro "Lebor Gabála Érenn" "O Livro das Invasões". Nesta obra, Magogue é considerado também filho de Jafé, que o fez ancestral dos irlandeses, além de progenitor dos citas e de diversas nações na Europa e na Ásia.
Percebe-se uma diferença na referência de Ezequiel 38 em relação à referência de Apocalipse 20:8. Em Ezequiel são identificados como um povo e uma região de seu domínio, enquanto em Apocalipse parecem tipificar um estado de rebelião contra Deus por parte de diversos povos. Isto indica, que, à semelhança dos povos descendentes de Gog e Magog que investirão contra Israel, outros povos também se associarão a eles na batalha final no norte de Israel pelo tempo da grande tribulação.
Gloria in excelsis Deo!

ESCATOLOGIA XIX

Dn. 2: 20 a 22 - "Disse Daniel: seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque são dele a sabedoria e a força. Ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; é ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz."
O texto de abertura mostra que Deus é absolutamente soberano. A sabedoria e a força presumidas no homem, tem, na verdade, a origem n'Ele. É Ele quem leva ao trono os reis, como também os retira de lá. Ele determina as estações e os tempos em que cada evento acontece no universo. É Ele quem revela o que é invisível e imperceptível, o que é profundo e o oculto à mente humana. Por isso, em outro artigo se disse que o homem natural percebe com relativo entendimento as coisas, mas a revelação espiritual é dada apenas por Deus aos eleitos. Neste sentido, não se pretendeu estabelecer que os eleitos e regenerados sejam superiores aos homens naturais. A única distinção está na misericórdia e na graça do Altíssimo em conceder aos que Ele deseja, o conhecimento espiritual.
Pelas razões já expostas far-se-á um apanhado sobre determinados aspectos da escatologia que, ao longo dos tempos, tiveram percepções puramente humanas, por uns, e conhecimento revelado por outros.
A palavra escatologia tem sua origem no grego koinê, sendo proveniente de dois termos: 'eschatos' [εσχατος] = último, derradeiro e 'logueia' [λόγεια] = estudo, tratado, descrição. Trata-se, portanto, de um conhecimento elaborado a partir das revelações escriturísticas sobre as coisas do tempo final, ou do fim de uma era, época, ou sistema. Não se refere ao 'fim do mundo', como se afirma por aí sem critério algum. É, por assim dizer, uma doutrina que trata de eventos preordenados por Deus antes dos tempos eternos conforme Rm. 16:25b - "...conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos..."
Os textos escatológicos não fazem referência ao "fim do mundo", mas sim ao fim de uma era 'aión' [αιών]. Mt. 24:3 - "E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?" Esta é uma das traduções errôneas da expressão 'syntéleia aión', que, em suma, quer dizer fim de uma época, era, sistema, ou período. A diferença consiste nas palavras 'aión' e 'kosmos', pois enquanto a primeira refere-se a uma era, a última faz referência à totalidade do mundo terreno. Também as palavras 'syntéleia' e 'telos' são, respectivamente, fim de um ciclo, e fim completo.
Desta forma as traduções mais próximas do texto original são aquelas que fazem referência ao fim de um tempo determinado. Pode-se falar em plenitude do tempo, consumação dos séculos, fim da era, fim desta época, conclusão desta época.
Na tradição judaica o fim de um ciclo é denominado de 'acharit hayamim' ou "fim dos dias". Segundo a crença do judaísmo alguns eventos indicam o fim desta fase da história da humanidade:
  1. Retorno maciço dos judeus à terra de Israel.
  2. Derrota final dos inimigos de Israel no vale do Meggido.
  3. Reconstrução do Templo de Salomão - Terceiro Templo - em Jerusalém e a restauração dos sacrifícios e serviços sacerdotais.
  4. Ressurreição dos mortos.
  5. Instalação do reino do Messias e restauração do Reino de Israel às suas fronteiras primitivas das doze tribos, com o julgamento e destruição de Gogue rei de Magogue.
Enfim, todas as religiões contemplam direta, ou indiretamente alguma forma de fim de uma era injusta, conflitos entre povos e nações, juízo final, e distinção da salvação dos justos e de condenação de injustos. Todas estas percepções são resultantes do início dos tempos quando o conhecimento profético foi passado a um reduzido número de pessoas, em um espaço geográfico bastante reduzido e de modo oral. Com o tempo os grupos humanos - etnias - foram se multiplicando e se espalhando ao longo dos continentes. As antigas tradições orais foram sendo alteradas e cada um criou o seu próprio sistema escatológico. No livro "O Fator Melquisedeque" é abordado este aspectos da convergência de certas verdades sobre a tradição original chamada Toledoth.
Gloria in excelsis Deo!