janeiro 30, 2009

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA XV

I Tm. 6: 3 a 5 - "Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.” Uma doutrina é essencialmente um ensino, e, como tal, deve se conformar a um padrão, um modelo ou um arquétipo. No caso do Cristianismo, não há nada fora de Cristo que possa servir de doutrina, porque Ele é o modelo. Tudo tem de ser conformado às suas palavras, do contrário, não é Cristianismo autêntico. A marca distintiva daquele cuja doutrina é conforme Cristo é a piedade, a saber, amor e devoção à verdade. Pelo exposto no texto que vem de ser lido, qualquer doutrina ou ensino fora das palavras de Cristo, é soberba, ou seja, está fundamentado apenas em questões intelectuais, humanísticas e filosóficas, cujo centro é o próprio homem.
Não é apostasia discordar, confrontar ou sair de uma determinada igreja, religião, seita ou crença por ela não ter compromisso com a verdade. Entretanto, os que permanecem lá sempre rotulam os que saem dos seus sistemas religiosos de serem apóstatas. Isto é por pura ignorância, pois muitos cristãos genuínos abandonaram determinadas igrejas erradas e falsas no passado. Entre eles podem ser citados os Montanistas, Donatistas, Valdenses, Menonitas, etc. Foram acusados de terem se apostatado, todavia os seus acusadores é que eram apostatados da verdade. Os reformadores do século XVI foram acusados de heresia, enquanto, de fato, os seus acusadores eram hereges e ainda hoje o são. É apostasia afastar-se da verdade que é Cristo! Não é o sair de um grupo, de uma seita, de uma religião o que autoriza taxar alguém de apostasia, mas sim o seu afastamento do evangelho.
Ha algum tempo atrás, as Livrarias Batistas e a Junta de Escola Dominical da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos fizeram um anúncio dos "Ovos da Ressurreição" em associação a Páscoa. Imagine um eleito e regenerado em uma igreja dessas que confunde Páscoa cristã com práticas pagãs? Não se sentiria muito a vontade para permanecer nesse ambiente. Neste caso, quem estaria se apostatando? A absorção de práticas pagãs com supostos fundamentos cristãos se propaga e ganha espaço cada vez mais no seio de muitas igrejas denominacionais. Há no nosso tempo líderes e grupos, antes respeitáveis pela sobriedade e discrição, que estão sucumbindo lenta e gradativamente ao apelo judaizante e mundano em suas denominações. Não se ensinam mais as Escrituras pura e simples, mas sempre é um misto da doutrina supostamente cristã acrescida de algo mais. Este algo mais é sempre aquilo que agrada ao homem com sua natureza pecaminosa. Ora, sabe-se que aos não regenerados apresenta-se o evangelho de Cristo e aos nascidos de Deus o ensino para o aperfeiçoamento dos santos.
O evangelho é muito simples conforme I Co. 15: 3 e 4 - "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras." O que Saulo de Tarso recebeu? A morte substitutiva e inclusiva de Cristo para destruição do corpo do pecado. Que Cristo foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia para dar a Sua vida. Tudo isto, o foi segundo as Escrituras e não segundo Paulo. Assim, foi recebido, assim foi entregue, nem mais, nem menos. Há hoje muitos apóstatas que vão muito além do evangelho, entregando o que não receberam conforme I Co. 4:6 - "E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro."
A melhor maneira de detectar a apostasia é verificando o que está sendo pregado. Se for além do que está escrito, é anátema e não evangelho conforme Gl. 1: 8 e 9 - "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema."
'H xaris tou kuriou 'Iesou meta pantwv.
A Graça do Senhor Jesus seja sobre todos.

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA XIV

II Ts. 2: 1 a 4 - "Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus." Há neste texto duas advertências fundamentais: a) Não se mover facilmente do entendimento; b) Não se perturbar por espírito, por palavras, ou por carta. Isto porque, grande parte dos religiosos oscila muito em suas frágeis crenças. Por não possuir uma adoração ressurrecta, andam à cata de novidades, indo de mal a pior no entendimento. O Espírito Santo está falando por meio de Paulo acerca do retorno do Grande Rei. Naquela época, isto é, no primeiro século da era cristã, os falaciosos, mentirosos e inventores de doutrina já estavam em ação. Cada um doutrinava como bem lhe parecia acerca do retorno de Cristo. Deus está ensinando que o nascido do alto não se move facilmente do que já entendeu e que não se perturba quer por seus próprios pensamentos, por pregações alheias ou por escritos de quem quer que seja. As Escrituras estão ensinando que a fé deve ser firme porque a sua origem é o verdadeiro evangelho e não o parecer doutrinário de uma ou outra religião.
Deus está mostrando que antes de Cristo retornar haverá primeiramente a manifestação da apostasia sob o comando do filho da perdição, ou homem do pecado. Alguns entendem que este a que se refere o Senhor é o Anticristo final, também chamado de a Besta. Outros entendem que é um conjunto de práticas anticristãs dominantes e reinantes nas igrejas e no mundo. Vê-se pela própria construção gramatical, pelo uso do artigo definido, que se trata de um indivíduo. Ele se levanta e se opõe pessoalmente contra o que é tido como sendo divino, porque ele mesmo assumirá que é um "deus". Entretanto, não basta parecer um "deus" é necessário ser o Deus verdadeiro, onipotente, onipresente e onisciente. Estes atributos somente um possui, não há outro além d'Ele. Ele é antes de todas as coisas conforme Cl. 1:17 - "E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele." Qual homem poderá assumir tais prerrogativas para si? Apenas um incrédulo poderá assumir tal posição, visto que não crê, portanto possui audácia suficiente para tanto. Lembre-se, Satanás não pode ter fé, e, portanto, não crê em nada e em ninguém além de si mesmo. Fé é um dom de Deus aos seus eleitos! Se o inimigo pudesse ter fé, teria a chance de ser regenerado!
Esta apostasia apontada por Paulo como marca patente da manifestação do Anticristo vem ocorrendo e ocorrerá  cada vez mais fortemente dentro da Igreja conforme I Pd. 4:17 - "Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?" Os religiosos sempre imaginam que tudo o que é do mal, ou errado ocorre apenas fora dos arraias deles. Ao contrário, a mentira, o engano e a apostasia só prospera em um meio oposto ao seus propósitos. O que o inimigo ganharia espalhando mentira, engano e apostasia onde estas coisas são comuns por natureza? Por isso é que se alerta tantas vezes nas Escrituras para que os eleitos de Deus não caiam no engano.
Não procure apostasia em outras religiões diferentes da sua, pois ela existe e está dentro da própria religião de cada um. Este é um erro comum, posto que ninguém admite que haja erros no seus sistema de crença. Entretanto, as Escrituras mostram com absoluta clareza que a operação do erro é enviada aos religiosos e não aos ateus conforme II Ts. 2:11 - "E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira." Portanto, não procure satanizar os outros! Verifique se a base da sua fé está centralizada na cruz, em Cristo, na sua atração para inclusão na morte com Ele e para a  ressurreição juntamente com Ele.

janeiro 29, 2009

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA XIII

II Co. 6: 14 a 18 - "Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso." O texto mostra a nítida divisão entre a verdade e a apostasia. A ordem é não se prender à mesma canga em desigualdade. Os parâmetros são: fidelidade e infidelidade; justiça e injustiça; luz e trevas; Cristo e Belial; templo de Deus e templo de ídolos. A ordem final é que os que são de Deus saiam do meio dominado pelos que não são d'Ele. Deus determina um aparteismo entre os eleitos e os decaídos e não regenerados. Isto não é uma autorização para discriminar, tratar mal, condenar e excluir. É, outrossim, apenas uma clara separação de fé e dependência. Eles creem e dependem das suas crenças e os eleitos creem e dependem  unicamente de Deus.
Vendo por um aspecto puramente superficial poder-se-ia dizer que este texto é contraditório, sem amor, desumano e anticristão. Todavia, é necessário analisar a que Igreja Paulo o está direcionando. A Igreja de Corinto era altamente complexa em sua composição, pois era formada por gregos, judeus e outras etnias. No primeiro século da Era Cristã, estas Igrejas eram altamente influenciada pela cultura helenista e suas filosofias gnósticas. De sorte, que, muitos se introduziam nas igrejas, apenas para experimentar algo diferente ou fazer seguidores. Na realidade, não tinham uma experiência de regeneração, e, portanto, queriam fazer adaptações gnósticas no cristianismo nascente a fim de satisfazer os seus interesses humanistas, filosóficos e religiosos. Paulo está doutrinando a Igreja no sentido de mostrar que há distinção entre um religioso e um regenerado. Ao contrário, o texto mostra o imenso amor de Deus para com os seus, não querendo que os mesmos se misturem espiritualmente aos que não conhecem a verdade. Trata-se de uma verificação de conhecimento da verdade e não uma sonegação dela aos membros daquela comunidade. Trata-se de uma nítida maneira de crer e não de isolamento social.
Ef. 5: 6, 7 e 11 - "Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais seus companheiros. E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as." Obviamente se não houve enganadores e a possibilidade de o engano prosperar e causar danos aos eleitos, não haveria necessidade de alertas sobre ele. O apóstolo Paulo afirma: "ninguém vos engane". Logo, isto inclui, qualquer pessoa, seja dentro ou fora da Igreja. Sabe-se que os maiores enganadores e o maior número de enganados estão dentro das igrejas institucionais, denominacionais e ritualísticas. Geralmente os religiosos imaginam que obras infrutuosas das trevas são apenas feitiçarias, drogas, sexo, bebidas, macumba. Entretanto, estas coisas são as consequências das tais obras. O que define as obras é a apostasia da fé, ou seja, do evangelho. No contexto inicial deste texto de Efésios são mostradas as obras mundanas e inadequadas aos regenerados. Mas o que determina tais obras de cunho moral é o ensino ou a doutrina. Ninguém que recebe ensino da sã doutrina pratica tais obras por princípio ou por hábito. Os eleitos e regenerados não possuem mais natureza para viver continuamente no pecado, mas antes dele têm aversão e nojo. No verso 13, é mostrado com clareza que a luz dissipa e destrói as obras das trevas. Sabe-se que luz no texto escriturístico significa conhecimento da verdade.
I Co. 5: 6 e 7 - "Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós." Neste texto Paulo está mostrando que um ensino errado, por menor que seja traz grande dano à Igreja. O fermento velho é uma alusão à lei e seus preceitos morais e ritualísticos. A massa nova é a graça, pois esta é dom de Deus e não resultado do esforço das obras da lei, da justiça própria e dos méritos que faz o homem tornar-se jactancioso, como propõe o texto acima. Não são os sacrifícios do homem que o une a Deus, mas o sacrifício de Cristo que justifica o pecador, tornando-o aceitável diante de Deus. Ninguém por melhor que seja moralmente, pode aceitar a Jesus. É Ele quem aceita o pecador e o regenera por inclusão na Sua morte de cruz, como também em Sua gloriosa ressurreição para a vida eterna.

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA XII

Há uma apostasia antiga denominada Cerintianismo, a qual teve lugar no final do século I e início do século II d. C. Os seguidores de Cerinto acreditavam que Cristo não nasceu Deus, mas tornou-se Deus no batismo, porém quando morreu Deus o abandonou, para recebê-Lo novamente no seu retorno, no final dos tempos. Tal falso ensino, possuía também um caráter docético, ou seja, negava a encarnação de Cristo no homem Jesus. Para os cerintianistas docéticos, Cristo, enquanto Filho de Deus, não poderia existir no homem histórico Jesus, porque a Sua pureza não se conciliava com a impureza do corpo humano. Eles não puderam ou não receberam graça para crer no mistério que esteve oculto conforme  Ef. 3: 9 a 12 - "... e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou, para que agora seja manifestada, por meio da igreja, aos principados e potestades nas regiões celestes, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, no qual temos ousadia e acesso em confiança, pela nossa fé nele."
Para os Cerintianos, Cristo veio ao mundo apenas como um espírito que repousou sobre o homem Jesus, mas não encarnou n'Ele. Tal doutrina se baseava no fato que não foi Deus quem fez o mundo, mas uma virtude - Potência - separada por uma distância considerável da "Suprema Virtude" - Potência-Princípio - que está acima de tudo. Jesus não nasceu de uma virgem, porque isto seria impossível, mas fora filho natural de José e Maria, por geração semelhante a de todos os demais homens. Suplantando a todos pela justiça, prudência e sabedoria, após o batismo, o Cristo, vindo do "Supremo Princípio", que está cima de todas as coisas, desceu sobre Jesus sob a forma de pomba. Depois disto, Cristo anunciou o Pai desconhecido pelos homens e realizou milagres para dar testemunho. No final, porém, sofreu, morreu e ressuscitou, mas o Cristo permaneceu impassível, porque era um ser apenas espiritual.
No final do século I, toma corpo, entre os cristãos, o Docetismo, uma concepção segundo a qual Jesus não teria verdadeiro corpo. Por isso, para alcançar a salvação, não era necessária a fé no homem Jesus. Se Jesus era Deus, seu corpo real só podia ser astral, celeste. Seu corpo humano, terrestre era apenas "aparente". Em grego, 'dokeo' (parecer), de onde os docetistas, deduziam que o corpo de Cristo era só aparente, um fantasma. A ideia de que o Filho de Deus se fez carne, homem em tudo semelhante a nós, tenha sofrido, morrido na cruz, é loucura e absurdo. Eles, não admitiam pensar que Deus tivesse a mesma sorte dos homens, tornando-se semelhante a eles. Hoje tais crenças estão cada vez mais se aflorando por meio dos ensinos gnósticos infiltrados, tanto nas ciências, como nas religiões cristãs e não cristãs.
O verbo 'dokeo' é muitas vezes usado na forma impessoal como parecer, e o 'dokesis' como aparência. É daí a origem do vocábulo 'docético'. O fato é que estas antigas heresias não morreram e confirmam o que diz I Jo. 4:2 - "
Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus
."
Há hodiernamente inúmeros grupos religiosos e pessoas individualmente que negam a divindade de Cristo, considerando-o apenas como criatura, um espírito, um médium que alcançou o mais alto grau de aperfeiçoamento, um profeta, um avatar, entre outras coisas. Negam a eficácia justificadora do sangue de Cristo e consideram a Bíblia falsificada ao registrar as palavras do próprio Cristo a respeito de sua missão. Dizem que a salvação é resultado de evolução pessoal, através da caridade e das reencarnações. Negam a ressurreição de Cristo, afirmando em seu lugar a reencarnação como forma de aperfeiçoamento dos espíritos. Ora, são as mesmas heresias com nomes e formais mais sutis.
Converse meia hora com "crentes" religiosos e se verificará que a base das suas crenças são, quando muito, de segunda mão, ou seja, uma repetição das lições que lhes foram ensinadas em alguma classe de catecúmenos. Repetem declarações doutrinárias, princípios, regras, normas e preceitos criados e adaptados para satisfazer os interesses de uma religião ou de um líder. Muitos desses pobres enganados e enganadores são cerintianos, docéticos, nestorianos, pelagianos, arminianos e não sabem.
A resposta das Escrituras a tudo isto é muito simples e direta: I Jo. 2: 22 e 23 - "Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai." Comumente os religiosos imaginam que anticristo é um ser diabólico que surgirá no fim dos dias para destruir a Igreja e estabelecer uma ordem diabólica no mundo. Todavia, é bom saber que desde a ascensão de Cristo veem surgindo anticristos conforme I Jo. 2: 18 - "Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora." Anticristo é qualquer pessoa, ateia, religiosa ou cética, que, retira a centralidade cruz de Cristo no processo da regeneração do pecador e o coloca no próprio pecador e suas justiças próprias e méritos. A apostasia consiste tão somente nisto: afastar-se de Cristo, da cruz e da Todo-suficiência d'Ele para redimir o pecador.

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA XI

II Jo. 1: 7 a 11 - "Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo. Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão. Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras." As Escrituras simplesmente não omitem a verdade, contrariamente elas a expõe todo o tempo e com absoluta clareza. Entretanto, o coração possuído pela natureza pecaminosa herdada do primeiro homem inclina invariavelmente o pecador para o engano. De sorte que não há maior enganador do que o próprio enganado e vice-versa. Esta inclinação pode assumir diversos e diferentes matizes, tanto em sinceridade, como em falsidade religiosa. O texto que vem de ser lido afirma que os enganadores possuem uma característica fundamental: não 'confessam' que Jesus Cristo veio em carne. O que poder significar isto? Significa que os tais negam que Deus tenha enviado o seu Filho Unigênito para assumir a forma humana, afim de resgatar o homem em sua impossibilidade de salvar-se a si mesmo. Este é o ponto central: a natureza pecaminosa sob o comando de Satanás, não admite um salvador que não seja o próprio homem. Esta tendência da natureza decaída admite apenas uma espécie de iluminação, auxílio sobrenatural, mas no final, a opção de purificar-se e salvar-se fica com o homem. Para tanto, apóstatas ao longo do tempo criaram diversas doutrinas sobrepostas à verdade. Uma destas falsas doutrinas é a do 'livre arbítrio'. Por ele, a questão da escolha centrada no homem e não na cruz fica resolvida, pois postula que o pecador pode escolher entre a salvação e a perdição, entre "aceitar" e não "aceitar" o dom de Deus. Todavia, o homem é escravo da natureza pecaminosa, portanto, jamais pode ser livre, e, muito menos, pode arbitrar qualquer coisa no campo espiritual. 
No texto que abre este artigo é afirmado categoricamente que os enganadores não confessam. Confessar é um verbo formado a partir de duas palavras, ou seja, 'con' + 'fé', ou seja, unir o discurso à fé. Logo, fica claro que sem fé de fato é impossível agradar a Deus conforme Hb. 11:6 - "Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam." Alguns imaginam ingloriamente que fé é qualquer padrão de comportamento piedoso, religioso, místico, ritualístico, caritativo ou moral aceitável por Deus e pelos homens. Não o é, pois a fé que conduz o homem à verdade não lhe é própria, mas obtida por misericórdia e graça do próprio Deus. Hb. 10:38 - "Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele." Veja, não é o justo aos seus próprios olhos que vive da fé, mas o justo que pertence a outro, a saber, a Cristo. Ele é o Justo que vive da fé, e, portanto, os que n'Ele forem justificados viverão da fé. Este texto de Hebreus é uma citação de Habacuque capítulo 2, cujo contexto faz referência ao Messias da promessa, ou seja, de Cristo. Também há inumeráveis textos que mostram que a fé é um dom de Deus e não uma capacidade natural do homem. Além do mais faz grande diferença dizer "viver da fé" e dizer "viver pela fé". No primeiro caso coloca o homem como quem depende da graça, no segundo, coloca o poder de gerar fé no próprio homem.
O apóstolo João, em sua segunda epístola afirma que qualquer que adentrar a Igreja e que não traz a sã doutrina, não deve ser sequer recebido pelos regenerados. Este discurso seria amplamente refutado hoje pelos padrões de humanismo prevalescentes na "igreja". O que importa hoje, não é a doutrina da verdade, mas o estar politicamente correto e ser aceitável perante a sociedade que perece e caminha para o inferno. Os religiosos preferem trocar a sã doutrina, pelos bancos cheios de incrédulos que não sabem quem é Jesus, o Cristo.

janeiro 13, 2009

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA X

O fato de se colocarem nestes artigos palavras duras contra a religião e o falso evangelho, não implica em condenação a pessoas, instituições ou a crendice de alguém. Não se combatem pessoas, mas suas falsas doutrinas! Os eleitos e regenerados não devem e não podem condenar nada e ninguém, pois esta prerrogativa é da exclusiva competência de Deus. Contrariamente, aos eleitos e nascidos do alto, compete pregar o evangelho segundo as Escrituras. É necessário este esclarecimento, porque os religiosos possuem um forte mecanismo de auto-defesa. São, em geral, altamente defensivos, e, quando inseguros, tornam-se por vezes agressivos. Toda vez que suas bases são questionadas, prontamente se utilizam do argumento comum e simplista, sobrepondo o seu pensamento às palavras de Jesus: "... não julgueis para não serdes julgados..." Outro argumento bastante utilizado contra qualquer investida contra as bases de crenças dos religiosos é o que acusa o pregador de faltar com o amor ao próximo. Primeiramente o verdadeiro amor é Cristo, e faltar com amor não é dizer a verdade, mas deixar de dizê-la. Falta o amor quando o evangelho é sonegado a qualquer homem em qualquer lugar e em qualquer tempo. Desamor é  pregar a mentira religiosa conduzindo milhares e milhares ao inferno.
Conta-se uma ilustração sobre questões de julgamento e amor: "Jesus e os seus discípulos iam passando por uma rua de Jerusalém, quando se depararam em frente uma residência na qual o pai esbravejando ameaçava os filhos à mesa do jantar. Então o Mestre disse: abençoada seja esta família. Alguns passos mais adiante, se depararam em frente a outra casa na qual a família tomava a refeição tranquila e serenamente na mais sofisticada educação. O Mestre disse: amaldiçoada seja esta família. Então, os discípulos disseram: Mestre, que coisa horrível aquela primeira família, tão desunida, sem respeito para com o pai, sem educação e gratidão na hora da refeição e o Senhor a abençoou! Mas, esta outra família é um exemplo digno de toda consideração e respeito e o Senhor a amaldiçoou! Então, Jesus disse abençoada seja aquela primeira família e amaldiçoada seja esta última. Os discípulos escandalizados, disseram: mas, Mestre, como podes fazer isso? Ele então disse: vós julgais mal, porque julgais pela aparência do que se vê e pelos padrões estabelecidos pelo homem como corretos. Na verdade o pai da primeira família estava indignado porque os filhos haviam roubado os alimentos que estavam sendo servidos na ceia. Enquanto a segunda família comia em comum acordo o produto do roubo. "
Assim, tem sido com o evangelho! Quando se prega claramente que o homem é pecador, absolutamente decaído e depravado, que a salvação é pela graça, que é necessário crer que foi incluído na morte de Cristo para depois com ele ressuscitar, as pessoas reagem escandalizadas. O homem possui, por conta do pecado, um forte senso de justiça própria e de méritos. Por isso, o verdadeiro evangelho é rejeitado, sendo isto demonstrado pelas palavras de Cristo em Jo. 6: 54 a 56 - "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." Após estas colocações de Jesus, os discípulos disseram que duro era o discuro e quem o poderia suportar? Realmente o homem em estado pecaminoso não suporta a sã doutrina. Ao contrário, prefere ajuntar para si mestres e doutores que pregam o que lhe interessa conforme II Tm. 4: 3 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos..."
O homem destituído da glória de Deus tem a tendência natural de agradar-se a si mesmo, desenvolvendo sempre uma boa opinião de si próprio. Percebe-se isto nas igrejas institucionais pela pompa e circunstância de suas cerimônias e rituais exteriores, os quais sempre buscam a glória do homem. Não há ponto de convergência e de coincidência entre a avaliação que os "crentes" fazem de si mesmos e da sua religião e a avaliação que fazem de Cristo e do Seu evangelho. Na religião, o homem é o centro e o foco do culto e não a cruz e o Cristo que foi morto nela por ação soberana de Deus. Isto fica bem evidente em Ap. 3:14 a 17 - "E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu." Ato contínuo, Cristo dá conselhos a Igreja: "Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas." v. 18.

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA IX

Como foi exposto anteriormente, apostasia é qualquer afastamento ou distanciamento do evangelho. Entretanto, os religiosos julgam que estão afastados ou distanciados dos padrões do evangelho, todos os que não professam a mesma fé que a deles. Os "crentes" sempre julgam, que, por estarem engajados em uma obra, uma religião, uma igreja, uma missão ou ministério, estão imunes a tudo que a Bíblia aponta como erro. Alguns destes religiosos chegam as vias do ensoberbecimento religioso, ao apontarem todos os demais que não praticam a sua crença de serem heréticos ou perdidos. Em se tratando de verdade evangélica, não há basicamente entre os diferentes grupos religiosos, nenhum ponto em comum. Isto oferece aos críticos e opositores do Cristianismo uma grande oportunidade de ofender o nome do Senhor Jesus. Obviamente, tudo isto foi previsto pelo próprio Cristo, mas, também é Ele quem deixa claro que "ai daqueles por quem os escândalos vierem, melhor fora que não houvesse nascido."
Manter missionários dentro ou fora de um país, sustentar diversos obreiros, manter um ou diversos pastores, possuir uma grandiosa estrutura física e instrucional dentro de uma igreja ou denominação não é, necessariamente, estar no evangelho. Pode ser que se tenha tudo isto em nome do evangelho e este não seja pregado. Porque se um grupo, instituição ou denominação não conhece o verdadeiro evangelho sem interferência e sem ingerência humana no seu conteúdo, poderá ser qualquer coisa, menos o evangelho ensinado por Cristo. Não se pode confundir os ensinos humanitários e caritativos ensinados aos regenerados, com a pregação do evangelho que liberta e salva o pecador. Poder-se-á granjear inumeráveis pessoas para uma determinada igreja e elas não conhecerem o evangelho que inclui o pecador na morte de Cristo, como também na Sua ressurreição. Se a adoração de um homem não é ressurrecta, de nada serve diante de Deus para a sua redenção. Poderá ser um excelente princípio humanitário, sociológico ou psicológico, mas não salva. Por adoração ressurreta entende-se aquele, que, recebeu a graça para crer que foi incluído na morte com Cristo, e, que, com Ele ressuscitou para a vida eterna. Não há adoração fora deste padrão, mas apenas religião.
Falar acerca de Deus, de Cristo e das Escrituras não é pregação do evangelho. De sorte que aos não regenerados se prega o evangelho que é o poder de Deus para a salvação do pecador. Mas, aos que já foram regenerados se ensina o conhecimento de Deus e do Seu Cristo para que todos cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Por regenerado entende-se aquele que foi gerado de novo, nascido do alto, nascido de Deus ou novo nascido nos moldes de II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." No texto grego original onde se lê "nova criatura" diz "nova geração", ou seja, regeneração. Para ser nova geração, obrigatoriamente o pecador deve estar em Cristo, ou seja, incluído n'Ele. Isto não é uma questão de retórica, mas de fé.
Este tipo de ensino, o qual prezamos nestes artigos são extremamente desconcertantes, e, por vezes, irritantes aos religiosos, porque retira-lhes o tapete dos méritos, dos esforços da carne, da justiça própria e da lei. Tudo o que foi construído pela religião, será desconstruído pela verdade; Tudo o que foi cimentado pela crença humanista será destruído pela verdade; Tudo o que foi edificado no esforça das obras de justiça humana será demolido pelo evangelho puro; Tudo o que é resultante da teologia humanista, intelectualista e denominacionalista será desmoronado pelo conhecimento das Escrituras pela revelação do Espírito Santo. Quando o pecador é regenerado ocorre uma total e completa desconstrução, tanto do que é reputado como bom, como do que é reputado como mau. Tudo deve ser novo!
O evangelho que liberta e salva não é aquele que você professa e crê, porque o recebeu por tradição, por dedicação, por esforço, por merecimento, por serviços prestados, por lealdade a uma igreja, denominação ou líder. O verdadeiro evangelho é apropriado por graça e não por mérito. A graça na concepção de Phillip Yancey é "Deus fazendo tudo por quem nada merece." E de fato é isto mesmo, porque do contrário, não seria graça, mas barganha ou negociata. O verdadeiro evangelho é o que está revelado em Is. 52:3 - "Porque assim diz o Senhor: por nada fostes vendidos; também sem dinheiro sereis resgatados." O homem pecador foi vendido ao Diabo por uma ilusão que seria como deus. Semelhantemente, para retornar a Deus na reconciliação é por graça e misericórdia e não por méritos de justiças próprias.
Na mesma linha de revelação está o texto de Is. 55:1 - "Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite." Do ponto de vista mercantil este texto é incompreensível, para não dizer inaceitável.

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA VIII

Apostasia é por princípio todo e qualquer afastamento do evagelho, porque a fé vem pelo ouvir do evangelho conforme Rm. 10:17 - "Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo." A Palavra de Deus, e não do pregador, é que fura os ouvidos da víbora surda que é o pecador conforme Sl. 40:6 - "Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste." Vê-se que Deus não exige qualquer sacrifício pelo pecado, mas apenas que se creia na Palavra d'Ele. O sacrifício suficiente e eficiente é o próprio Deus quem realiza por meio do seu Filho Unigênito e agora Primogênito dentre os mortos.
Sl. 58: 3 e 4 - "Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras. O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos..." O homem é concebido em pecado e possui natureza pecaminosa desde o ventre da sua mãe. Os seus ouvidos estão tapados pela natureza pecaminosa de sorte, que, até para ouvir o evangelho e ter a fé despertada é necessário que Deus use de misericórdia e de graça para com ele. Então, por natureza todo homem é apóstata até que a graça salvadora de Deus o vivifique.
A questão fundamental é que a simples declaração das Escrituras não é pregação do evangelho, pois o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo o que crê conforme Rm. 1:16 - "Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego." Este 'todo aquele que crê' não são todos os homens, pois do contrário Deus teria falhado, visto que nem todos os homens creem. É para todo aquele que recebe a graça para ter os ouvidos abertos e ouvir com o espírito. É para todo homem enquanto multiplicidade de etnias, condições sociais e gênero. Observa-se inclusive que o verbo crer está no presente contínuo e não no infinitivo. Aquele que crê, crê e continua crendo!
I Co. 1:18 - "Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus." Este evangelho que pode salvar total e cabalmente o pecador não é qualquer declaração das Escrituras. Ele é a 'palavra da cruz', entendendo que isto significa o que a cruz realiza no homem decaído. Sendo esta mensagem da cruz entendida pelo homem cujos ouvidos não foram abertos, como loucura, pois ela contraria tudo o que a religião comum afirma. A palavra da cruz possui uma contabilidade diferente do senso comum, porque para ganhar a vida eterna , o pecador deve perder a sua vida almática manchada pelo pecado conforme Lc. 9:24 - "Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará." Quando o homem pretende ser o salvador de si mesmo, como é o caso dos preceitos, regras e normas religiosas, ele perde a sua vida. Entretanto, quando o amor de Cristo age monergísticamente e misericordiosamente, o homem pecador acha a verdadeira vida, pois esta vida está escondida em Cristo conforme Cl. 3:3 - "... porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus." Então, sem morrer por inclusão na cruz com Cristo, não tem novo nascimento, não tem vida eterna e não tem salvação. Isto é evangelho que regenera, que abre os ouvidos e que reconduz o homem de volta ao coração de Deus. Tudo o que passa disto é anátema, apostasia do evangelho, engano, mentira religiosa.
A definição mais sintética do evangelho é a seguinte: "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras." - I Co. 15:3. Não adianta querer fantasiar e inventar um evangelho que agrada ao homem no pecado, pois sem morrer e ressuscitar juntamente com Cristo não há como achar a vida eterna e abundante. Esta morte e ressurreição se apropria por fé conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Jesus respondeu, e disse-lhe: na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Ora, como o homem pode nascer do alto por conta própria? Se o nascimento é operado e operacionalizado por Deus, ao homem cabe apenas crer e até para crer é necessário a operação da graça de Deus conforme Ef. 2: 8 e 9 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie." É a graça que salva por intermediação da fé e, ambas são originadas em Deus e não no homem e suas obras de justiça própria, pois estas estão contaminadas pela natureza pecaminosa e não servem diante de Deus.

janeiro 12, 2009

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA VII

Há uma apostasia chamada Pelagianismo que teve o seu início no século V d. C., mas que, de certa forma perdura diluída na maior parte das diversas seitas e igrejas ditas cristãs de hoje. O Pelagianismo está ligado à figura de um monge, possivelmente de origem Irlandesa, cuja história de vida não é bem conhecida. Pelágio achava-se extremamente aborrecido com o estado em que a Igreja se encontrava nos últimos anos do século IV e início do século V. Por isso, se fez eunuco e perseguiu ardentemente a perfeição moral e a devoção espiritual, tentando persuadir a Igreja a seguir este padrão.
No afã de restaurar a igreja, começou a fazer prosélitos da sua causa, entre eles destacaram-se Coelestius e Juliano de Eclanum. Estes três, deram início a uma acirrada controvérsia doutrinária contra a posição de Agostinho de Hipona. Pelágio se insurgiu contra Agostinho por conta de uma oração escrita por este, a qual rezava o seguinte: "Concede o que ordenaste, e ordena o que tu desejas." Pelágio se levantou contra a primeira frase, porque a segunda, segundo ele, é um direito relativo à soberania divina. Entretanto, ele discordou da primeira frase, porque julgou erroneamente o conteúdo da mesma. O que Agostinho peticionava era algum dom da graça para o homem, em sua debilidade, conseguisse cumprir as ordenanças de Deus. Para Pelágio era desnecessário pedir para cumprir o que Ele ordena, pois para ele, a obediência do homem não necessitava da assistência da graça. Entendia que o homem tem a capacidade de obedecer, tanto à lei moral, como aos comando inerentes ao evangelho. Para ele a obediência não necessita de modo algum ser concedida.
Para Pelágio, o 'livre arbítrio', usado de modo correto, produz a habilidade de desenvolver o bem suficiente para levar o homem à obediência. Então, por meio do esforço próprio, o homem pode alcançar tudo o que é necessário moralmente e religiosamente. Eis, então, o foco em questão: o homem é o centro e a sua justiça própria a centralidade. Neste sentido a cruz e Cristo saíram de cena e de foco nesta visão apostatada das Escrituras. Neste sentido, quantas igrejas pregam o mesmo ainda hoje? Quase todas, sendo algumas centenárias em termos históricos.
Pelágio elaborou 18 premissas para sustentar a sua pseudoteologia:
1ª Premissa: os mais altos atributos de Deus são a bondade e a justiça, sem as quais Ele não seria Deus.
2ª Premissa: sendo Deus completamente bom, tudo quanto Ele criou é igualmente bom, incluindo-se o homem. Para ele Adão foi criado sem pecado e inteiramente competente par todo o bem, com espírito imortal e corpo mortal. Isto implica em atribuir 'livre arbítrio' a Adão, portanto no pelagianismo Adão tinha 'liberum arbitrium', ou possuía a 'possibilitas boni et mali.' Ora, se Adão tivesse a possibilidade do bem e do mal, não haveria necessidade de proibi-lo a comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.
3ª Premissa: a natureza não apenas foi criada boa, mas incontestavelmente boa. Pelágio considerou apenas o estágio primeiro da criação e não o seu desenvolvimento posterior à queda.
4ª Premissa: a natureza humana é inalteravelmente boa, ou seja, em sua essência, o homem é bom. Para ele, o comportamento de alguém é alterado quando se comete pecado, mas os atos pecaminosos não mudam a natureza humana. Ora, mas como alguém comete atos pecaminosos sem uma natureza inclinada ao pecado?
5ª Premissa: o mal ou pecado nunca pode transformar-se em natureza. Para ele o pecado é um desejo de fazer o que a justiça proíbe, sendo, portanto, o homem livre para abster-se ou evitá-lo. O pecado é sempre um ato e nunca uma questão de natureza ou inclinação natural. Pelágio cria, então, num efeito sem uma causa.
6ª Premissa: o pecado existe como resultado das armadilhas de Satanás e dos desejos da carne, sendo estas tentações possíveis de serem evitadas pelo homem por meio da virtude do bem.
7ª Premissa: há sempre a possibilidade de o homem não pecar.
8ª Premissa: Adão foi criado com o 'livre arbítrio' e com uma santidade inerente ou natural.
9ª Premissa: Adão pecou por vontade própria, não tendo sido coagido por Deus ou outra criatura. Negar a presença de Satanás incorporado na serpente é negar as Escrituras.
10ª Premissa: os descendentes de Adão não herdaram a morte natural, nem a morte espiritual. Então, o apóstolo Paulo é um pregador de mentiras, pois ele afirma que o pecado entrou no mundo por Adão e passou a todos os seus descendentes. 
11ª Premissa: nem o pecado de Adão, nem a sua culpa foram transmitidos aos seus descendentes. Considerava a doutrina do pecado original e do pecado transmitido heresias. Na verdade, heresia é negar o que as Escrituras afirmam.
12ª Premissa: todos os homens são criados por Deus na mesma posição e condição que Adão possuía antes da queda.
13ª Premissa: o hábito de pecar enfraquece a vontade, obscurecendo os pensamentos e conduzindo o homem aos maus hábitos ou vícios. Porém, a vontade não é enfraquecida, e, portanto, pode superar os maus hábitos.
14ª Premissa: a graça facilita a bondade, isto é, torna fácil ao homem ser justo.
15ª Premissa: a graça fundamental que Deus concede foi aquela dada apenas na criação, permitindo a alguns atingirem a perfeição.
16ª Premissa: induz a ideia que na lei havia a graça da instrução e da iluminação do homem, porém nada faz interiormente.
17ª Premissa: a graça de Deus também foi dada por meio de Cristo, como uma espécie de iluminação e doutrina. Jesus teria sido apenas um exemplo! Este pensamento é de caráter gnóstico e não cristão.
18ª Premissa: a graça é dada de acordo com a justiça e o mérito do homem. Coloca o foco no homem e não em Cristo.
A controvérsia durou de 411 a 412 d. C. em Cartago, tendo sido conhecida historicamente como Sínodo de Cartago, no qual Pelágio foi absolvido, mas o seu discípulo Coelestius foi exonerado. Em 415, Pelágio foi exonerado por meio de uma sindicância solicitada por Orósio, amigo de Agostinho. No mesmo ano, na Palestina, Pelágio foi denunciado por alguns escritos seus, porém ele os negou e os atribuiu ao seu discípulo Coelestius covardemente. Finalmente, em 416, Pelágio e Coelestius foram excluídos da comunhão da Igreja por heresia e apostasia.

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA VI

Hb. 6: 1 e 6 - "Pelo que deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição não lançando de novo o fundamento de arrependimento de obras mortas e de fé em Deus (...) e recaíram, sejam renovados outra vez para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõe ao vitupério." Outra característica básica da apostasia é a permanência nos rudimentos do ensino das Escrituras, isto é, a pessoa não sai do lugar, não supera as dúvidas e não cresce espiritualmente. O apóstata está sempre as voltas querendo produzir doutrina que preencha as suas necessidades e não se inclinam ao que as Escrituras ensinam. Estão presos ao que foi construído em suas mentes cauterizadas pela religião institucionalizada e horizontal. As obras da lei são mortas para o efeito de redimir o homem, porque não há redenção sem morte em Cristo, qual seja, sem derramamento de sangue conforme Hb. 9:22 - "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purifica com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão." A lei prescrevia o sacrifício com derramamento de sangue como prefigura do supremo sacrifício de Cristo na cruz. Tal sacrifício foi final e definitivo para justificação e purificação do pecador, por isso, quando da morte de Cristo, o véu do templo que separava o Átrio do Santo dos Santos, onde se colocava o sangue da vítima, se rasgou de cima abaixo, indicando que o sacrifício final havia sido feito. Agora, nenhum sacrifício teria mais validade, pois o verdadeiro e definitivo sacrifício pelo pecado estava consumado.
Ora, se o pecador crê que foi incluído na morte de Cristo para destruição do corpo do seu pecado, e, que, com Ele ressuscitou para ganhar a vida abundante, não há mais o que voltar aos rudimentos de obras preceituais da lei, pois isto é negar a eficiência e a eficácia da morte em Cristo. Jesus afirma que, quem comer a Sua carne e beber o Seu sangue permanece n'Ele conforme Jo. 6:51, 54 a 56 - "Eu sou o pão vivo que desceu do céu, se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele."
Embora pareça uma relação antropofágica, o Senhor Jesus está falando por metáfora sobre a tipificação da inclusão do pecador na sua morte, para destruição da natureza pecaminosa conforme Rm. 6: 6 - "Sabendo isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado." Nota-se que o texto não fala sobre o nosso 'homem velho', mas sobre o nosso 'velho homem'. Esta é uma referência à velha natureza, ou seja, a natureza adâmica pecaminosa. Também o texto se refere ao pecado e não aos atos pecaminosos. Portanto, é uma questão de natureza e não apenas de atitudes pecaminosas. Quem não passa por este processo não pode jamais falar de novo nascimento!
O autor da carta aos hebreus ensina, que, os que permanecem nos rudimentos da doutrina de Cristo e não de homens, que lançam outro fundamento de obras do esforço e de fé em Deus, quando recaem, não podem ser renovados, pois estão crucificando o Filho de Deus novamente. A morte substitutiva e inclusiva de Cristo foi realizada uma única vez e para sempre, tendo efeito e eficácia eterna.
A apostasia se percebe por uma instabilidade e mutabilidade doutrinária a qual mantém os não regenerados presos a um corpo de regras, normas e preceitos de homens, ainda que se utilize de textos bíblicos. Declarar as Escrituras, citá-las e possuir corpo de doutrinas, não implica necessariamente em verdade e salvação.