janeiro 24, 2012

O EVANGELHO EM VASOS DE BARRO

II Co. 4: 8 a 11 - "Porque Deus, que disse: das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos; pois nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal."
Muitos líderes se gabam dos seus títulos, dos seus currículos, de quantas vezes leu a Bíblia toda, de quantos livros têm em seus acervos particulares. Muitos lutam por cargos dentro das igrejas, das denominações, e por vezes, até mesmo no sistema político dos seus municípios. Outros se gabam de ter uma igreja com muitos fieis. Há quem diga que se deve pregar o evangelho para melhorar o homem, e a própria sociedade. Outros acreditam que a pregação do evangelho é a solução para banir a violência, as drogas, a imoralidade, os roubos, e fazer justiça social. Ledo engano, pois o evangelho de Cristo não tem como proposta inicial e principal uma mera reforma moral do homem. Tais propostas são muito tentadoras, mas estão na contramão do evangelho de Cristo, porque este se propõe a gerar uma nova criatura.  Não se propõe a colocar vinho novo em odre velho conforme o ensino do Mestre.
Contrariamente, as Escrituras mostram que a sociedade, a humanidade, e o sistema mundano irá de mal a pior moralmente. Isto porque toda a sua origem está contaminada pelo pecado que entrou no mundo por meio de um homem, e passou a todos os homens. O mundo pode até auferir grandes progressos científicos, materiais e tecnológicos, mas espiritualmente marcha na direção de um precipício.
Figurativamente, os vasos de barro são os mensageiros do evangelho de Cristo, o qual não faz acordos com outros evangelhos humanistas e horizontalizados. Deus, antes da fundação do mundo, escreveu no livro da vida os nomes dos seus eleitos. Ele os conheceu antes que houvesse o próprio mundo. Eles sequer existiam para praticar qualquer ato bom, ou ruim conforme o registro de Rm. 9:11 a 16 - "... pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama, foi-lhe dito: o maior servirá o menor. Como está escrito: amei a Jacó, e aborreci a Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia". 
Deus agiu monergisticamente em relação aos eleitos, pois os predestinou, os chamou, os justificou, e os glorificou conforme o registro de Rm. 8: 29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou." Assim, quando a estes pecadores eleitos é dada a graça da vivificação, eles recebem a luz de Deus, a saber, o conhecimento da verdade que é Cristo, e não uma concepção filosófica.
Tal revelação se constitui em um tesouro guardado em vasos de barro, pois o homem, de fato, é barro. Entretanto, a vida de Cristo que nele é gerada pelo "novo nascimento" o faz receptáculo do conhecimento espiritual que o põe em comunhão com Deus novamente. A este processo dá-se o nome de redenção, justificação, salvação. Ainda que eleito e regenerado, o vaso de barro, permanece vaso de barro. Entretanto, a excelência do seu conteúdo é Cristo, a saber, a Sua vida que nele foi inoculada. A excelência do poder é de Deus e não do portador do evangelho da graça. Muitos imaginam que são bons religiosos, corretos moralmente, honestos cidadãos, excelentes pregadores do evangelho, porém continuam apenas vasos de barro, cheios tão-somente de barro. Nestes, a excelência e a preeminência não são de Cristo, mas deles mesmos. Por isto, os seus evangelhos oriundos da falsificação da Palavra de Deus, não prosperam espiritualmente. Não liberta o homem naquilo que é essencial, ou seja, da sua natureza pecaminosa. A maior libertação do homem consiste em livrar-se de si mesmo.
Ao contrário, os vasos escolhidos são de barro, frágeis, e fracos. São atribulados, perplexos, perseguidos, e abatidos. Todavia, o seu conteúdo interior jamais é abalado, porque a promessa é fiel e verdadeira conforme o registro de I Jo. 5:18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca."
Solo Christus!
Sola Gratia!
Sola Fidei!

janeiro 23, 2012

O EVANGELHO DA FRAQUEZA

I Co. 2: 1 a 11 - "E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Na verdade, entre os perfeitos falamos sabedoria, não porém a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que estão sendo reduzidos a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo compreendeu; porque se a tivessem compreendido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito: as coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. Porque Deus no-las revelou pelo seu Espírito; pois o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmos as profundezas de Deus."
O poder sempre foi, é, e continuará sendo extremamente fascinante ao homem. Por ele, exércitos marcharam, banhando a face da Terra de sangue muitas vezes; por ele, homens antes dignos perderam completamente a sanidade; por ele milhões e milhões são investidos em campanhas políticas; por ele, amigos traem, e são traídos, delatando-se uns aos outros. 
A sede do poder é algo tão fortemente inoculado na mente humana, que, mesmo nas pregações, as quais deveriam anunciar o evangelho da salvação, alguns pregadores gastam mais tempo enumerando os seus próprios poderes, dons, e virtudes. O anúncio do que de fato é essencial à salvação do pecador torna-se secundário. É muito comum em letreiros, placas, banners, e faixas estampadas no alto das paredes de determinadas igrejas se ler o seguinte: "Noite do Poder", "Show da Fé". Desviam o foco do poder que é atributo exclusivo de Deus, para homens que mal sabem discernir suas próprias naturezas contaminadas e decaídas. 
Em sentido oposto à saga humana pelo poder, o evangelho de Cristo cria nos eleitos e regenerados a plena convicção de que nada são em si mesmos. Assim, o apóstolo Paulo se refere a si mesmo: "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar aos gentios as riquezas inescrutáveis de Cristo..." Ainda, Paulo afirma em I Tm.  1:15b - "...que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o principal." As riquezas inescrutáveis estão em Cristo, a salvação está em Cristo, o poder está em Cristo, pois Cristo é tudo em todos conforme Cl. 3:11b - "...mas Cristo é tudo em todos." Para que Ele seja tudo em todos, estes todos e cada um devem ser nada.
O verdadeiro evangelho não se propõe a atrair o pecador com base em sabedoria humana. Não faz acordo com filosofias conforme Cl. 2:8 - "Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo." A sabedoria de Deus para aniquilar o pecado no homem é Cristo conforme I Co. 1:24 - "...mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus." O verdadeiro evangelista prega em fraqueza, temor e grande tremor, pois está desafiando o inimigo em seu próprio território. Por esta razão, depende total e plenamente da Graça de Deus. A sua pregação não consiste em elucubrações e injunções humanas, mas no poder do Espírito de Deus. A sabedoria divina não é o resultado dos conhecimentos teológicos do homem, mas ela foi constituída antes dos tempos eternos em Cristo. O evangelho da fraqueza é o mistério oculto no tempo pelo qual Deus preparou um caminho para redimir o pecador sem o concurso da sabedoria humana. 
As coisas espirituais são originadas no Espírito de Deus, são reveladas ao espírito do homem. O evangelho da fraqueza consiste na sabedoria divina em fazer o Seu Filho Unigênito se tornar homem, na pessoa de Jesus, para resgatar o homem em sua fraqueza. 
Sola Gratia!

janeiro 22, 2012

O EVANGELHO DA CRUZ

Rm. 6: 1 a 11 - "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabendo que, tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus."
É notório que os "evangelhos" pregados e aceitos nas religiões institucionais são aqueles que exaltam o homem. Dizem aos pecadores que tudo depende deles, e que Deus, embora Soberano, não força a barra. Fazem Deus se inclinar e se rebaixar perante a vontade contaminada pelo pecado. O Deus que pregam é um ser limitado pela vontade corrompida do homem. Este não é, efetivamente, o Deus mostrado nas Escrituras. É, antes, um 'deus' humanizado e construído ao sabor da incredulidade. Inventaram um outro 'deus' que controla o homem, a saber, um tal de "livre arbítrio", que, de fato, nem é livre, e muito menos, pode arbitrar. Confundem, por ausência de revelação, a capacidade humana de fazer escolhas mecânicas e naturais, com a incapacidade de fazer escolhas espirituais.
Muitas destas religiões recorrentes, sequer mencionam Jesus, o Cristo como redentor e justificador do homem decaído. Muitos seminários teológicos ensinam que a Bíblia é um livro de lendas e que talvez nem seja confiável, dado o transcurso de tempo e de possíveis alterações. É, igualmente notório, que, na maior parte destas igrejas denominacionais, não se faz qualquer menção à cruz como um caminho a ser percorrido. A cruz é para a maior parte das religiões ditas cristãs, apenas um símbolo. Elas não a veem como um princípio interior, mas como um mero emblema indicativo da crueldade dos religiosos da época, da ação política dos romanos e das facções judaicas daquele tempo. Tornam o projeto eterno de Deus para a redenção do homem em uma mera discussão político-ideológica. Um certo doutor em divindades, se é que alguém pode ser doutor neste campo, afirmou que a páscoa judaica foi copiada de crenças egípcias. Então, vê-se que a mente religiosa, não-regenerada, não poupa esforços para desqualificar a verdade e mistificar as Escrituras.
Os "evangelhos humanistas" se preocupam em demonstrar ações caritativas, humanitárias, e solidárias ante aos graves problemas humanos. Isto é bom sim, mas deveria ser a mera consequência natural da regeneração e não a única causa determinante da redenção do pecador. Na realidade, a miséria e o sofrimento são consequências da natureza pecaminosa dominante e persistente no coração do homem. As injustiças, dores, e sofrimentos ocorrem por causa da natureza decaída, e não a natureza pecaminosa por causa destes fatores. Quando não enveredam por este viés, a maior parte das crenças que se autodenominam cristãs busca um "evangelho soft", que transforma o homem em uma espécie de 'deus' na Terra. Procuram uma pregação que agrade e que seja atraente conforme II Tm. 4:3 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos..."
A sã doutrina é um "evangelho hard", que apresenta o homem como pecador, decaído e absolutamente corrompido. Tal evangelho não faz acordo com o pecado, ao contrário, ele o erradica completamente conforme Hb. 9:26 - "...mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Esta porção das Escrituras, em seu contexto, apontam para o sacrifício substitucionário de Cristo. Não se trata de impecabilidade, como supõe os cegos, mas de eliminar a culpa do pecador perante Deus. É uma questão na esfera espiritual e não apenas no campo comportamental. De fato, se o homem não crê que a morte substitutiva e inclusiva de Cristo é suficiente, eficiente, e eficaz para anular a sua natureza pecaminosa, terá de admitir que o Diabo é mais eficiente do que o seu Salvador. Isto é uma aberração doutrinária!
O evangelho da cruz fala de um batismo: a inclusão do pecador na morte de Cristo, bem como da sua consequente ressurreição juntamente com Ele. Os eleitos e regenerados foram batizados, a saber, imergidos na morte de Cristo na cruz. Igualmente foram emergidos de volta à vida eterna na Sua ressurreição. Agora, regenerados pelo nascimento espiritual por meio da fé, andam em novidade de vida. Foram unidos a Cristo em sua morte, como também em sua ressurreição. O corpo do pecado, ou seja, a natureza pecaminosa herdada de Adão, não lhes domina mais como um princípio.  Quando o homem pecador recebe a graça para se apropriar desta esplendente verdade pela fé, passa a considerar-se como morto para a natureza pecaminosa, mas vivo para Deus, em Cristo Jesus. Este é o ensino do evangelho da cruz, porém, ele é repugnante e sem o menor sentido aos que perecem, ou seja, os que estão mortos espiritualmente, e continuam morrendo fisicamente até a segunda morte.
Sola Gratia!

janeiro 21, 2012

O EVANGELHO OCULTO

Cl. 1:17 a 27 - "Ele é antes de todas as coisas, e n'Ele subsistem todas as coisas; também Ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência, porque aprouve a Deus que n'Ele habitasse toda a plenitude, e que, havendo por Ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio d'Ele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na Terra como as que estão nos céus. A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante Ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro. Agora me regozijo no meio dos meus sofrimentos por vós, e cumpro na minha carne o que resta das aflições de Cristo, por amor do Seu corpo, que é a igreja; da qual eu fui constituído ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, a fim de cumprir a palavra de Deus, o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória."
As realidades são de duas categorias: as que são ocultas e as que são reveladas. A percepção humana pode alcançar quase tudo que é tangível, ou sensoreável. Na esfera da realidade concreta, o homem dispõe dos sentidos naturais para apercebê-las. A constatação dos fenômenos pela sensorialidade é o que, genericamente, se chama de ciência. Logo, esta nada tem a ver com a fé, pois tais fenômenos são perceptíveis seja, empiricamente, seja epistemologicamente. A fé, entretanto, é dom de Deus e atua na esfera do intangível, e do invisível. Enquanto em ciência prevalece o ver para crer, em matéria de fé prevalece o crer para ver.
Entretanto, há um conhecimento que difere substancialmente do simples saber. Por exemplo, todos sabem o que é a água enquanto elemento natural, mas poucos conhecem a composição e as propriedades físico-químicas dela. Na esfera espiritual o conhecimento é revelado ao espírito do homem regenerado. Há um evangelho anunciável que é pregado e serve apenas para abrir os ouvidos dos eleitos conforme Sl. 40:6. Entretanto, aos que não irão crer, tal evangelho não passa de um amontoado de palavras repetitivas e massantes. Por vezes o anúncio deste evangelho é recebido com antipatia e fortes reações de oposição. Isto ocorre, porque a natureza humana é diametralmente oposta ao evangelho de Cristo conforme Rm. 3: 11 - "Não há quem entenda; não há quem busque a Deus." Isto acontece, porque o homem natural discerne apenas as coisas sensoreáveis e almáticas conforme I Co. 2: 14 - "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente."
Todavia, há um evangelho oculto, o qual foi guardado nos tempos desde a eternidade pretérita. Este evangelho que esteve oculto é o que é recebido pelos que foram preordenados para a vida, ainda que também pecadores, tanto quanto os demais. Aos eleitos Deus manifesta este 'mistério oculto dos séculos e das gerações', por meio da reconciliação, incluindo-os no corpo de Cristo em Sua morte de cruz. Ele os conduz, pela fé, até a cruz, onde são atraídos, e ali, suas naturezas mortas espiritualmente morrem com Cristo,  para depois serem vivificadas ao ressuscitar juntamente com Cristo, pela fé. Neste ponto se completa o mistério que esteve oculto: eles em Cristo na morte, e Cristo neles, na ressurreição, constituindo-se na esperança da glória do mundo vindouro, na restauração de todas as coisas. Neste sentido, os eleitos e regenerados passam a fazer parte do corpo de Cristo, que é a Igreja, a qual transcende o tempo e o espaço. Nada tem a ver com estas igrejas institucionais e nominais postas perante o mundo.
I Co. 4:5 - "Portanto nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não só trará à luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o seu louvor." Assim, há muitas coisas ocultas que atuam no mundo valendo-se da natureza pecaminosa do homem. Tais trevas serão manifestas pela luz de Cristo na restauração final. Ef. 3:8 a 11 - "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar aos gentios as riquezas inescrutáveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou, para que agora seja manifestada, por meio da igreja, aos principados e potestades nas regiões celestes, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor..." É assim que os eleitos e regenerados se põem diante do mundo e de Deus: como 'o mínimo'. Contrariamente, o falso evangelho tende a exaltar o homem como sendo o centro de todas as coisas. O mistério que esteve oculto em Deus, agora é manifestado por meio do anúncio do evangelho da Graça. Contrariamente, o falso evangelho é fundamentado no esforço e no mérito humano.
Sola Fidei!

janeiro 20, 2012

O EVANGELHO COM MAIS EXATIDÃO

At. 18: 24 a 26 - "Ora, chegou a Éfeso certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão as coisas concernentes a Jesus, conhecendo entretanto somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga: mas quando Priscila e Áquila o ouviram, levaram-no consigo e lhe expuseram com mais exatidão o caminho de Deus."
Há basicamente duas formas de abordar uma verdade: superficialmente e exatamente. Uma pessoa instruída pode até abordar determinada verdade com elevado grau de precisão, entretanto, não é a precisão o cerne da questão, mas a verdade que se aborda. Além de ser precisa, uma verdade, também deve ser exata. Por exata entende-se que não vá, nem além, nem aquém do que ela de fato é.
No tocante ao evangelho da verdade, alguém pode ser eloquentíssimo e poderoso no uso das palavras. Trata-se, neste caso, apenas de retórica relativa à capacidade oratória daquele que fala. Uma pessoa pode ser absolutamente instruída nas Escrituras, e, ainda assim, pregar uma verdade inexata e relativizada. Também, uma pessoa pode ter inumeráveis informações acerca de Jesus, e não conhecê-lo como Senhor e Justificador. Uma coisa é falar acerca das Escrituras com desenvoltura, outra coisa é confessá-las como a Palavra de Deus. Uma coisa é ter notável saber acerca de Jesus, outra coisa é conhecê-lo como o caminho, a verdade, e a vida conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."
O caso de Apolo, judeu, nascido em Alexandria é um tanto curioso, pois possuía excelsas qualidades. No tempo de hoje seria um prestigiado pregador de uma enorme rede de igrejas com programas no rádio e na televisão. Senão vejamos: era eloquente, poderoso nas Escrituras, instruído acerca do caminho de Cristo, fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão acerca de Jesus, falava ousadamente na sinagoga dos judeus. Entretanto, faltava-lhe algo! Para duas testemunhas experimentadas no evangelho da verdade, Apolo expôs a sua carência de mais exatidão. Pregava muito bem, porém não possuía exatidão. Aos olhos de todos os demais ele era excelente e completo, mas apenas duas pessoas foram suficientes para perceber pelo espírito a sua inexatidão.
A questão toda, e toda a questão é que Apolo possuía instruções de segunda mão, a saber, o que pregava foi obtido de uma segunda pessoa. Ele mesmo não havia passado por uma experiência de novo nascimento pela fé.  Faltava-lhe conhecer Jesus, o Cristo como o caminho, a verdade e a vida, não apenas, como um conceito teológico. Este tem sido o erro grosseiro do cristianismo nominal espalhado pelo mundo por meio de inumeráveis instituições religiosas, as quais pregam informações acerca do evangelho, mas não evangelho com exatidão. 
Priscila e Aquila, conhecedores de Cristo como o caminho a ser percorrido e, não um caminho a ser perseguido, tomaram Apolo à parte e lhe forneceram os reais significados das coisas concernentes à verdade. Fizeram uma exposição mais exata do que significa o caminho de Deus que leva o pecador à Cristo conforme Jo. 6:65 - "E continuou: por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido." As religiões, ainda que tenham informações precisas, não mostram que é Deus quem abre os ouvidos dos pecadores para despertá-los para a verdade. Não lhes retiram as escamas dos olhos para que vejam o reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Igualmente não mostram com exatidão que o pecador necessita ser incluído na morte e na ressurreição com Cristo para remissão da sua culpa conforme Jo. 12:32 e 33 - "E eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer."
As pessoas são conduzidas, e, por vezes, forçadas a pertencer a esta, ou àquela religião, porém não lhes fornecem qualquer exatidão, pois elas mesmas não a possuem. Quando lhes dão alguma coisa, geralmente, é apenas informação e preceitos. Elas se tornam pecadores religiosos, e consequentemente, insuportáveis em seu orgulho e presunção de verdade. 
O caminho de Deus é Cristo, e não doutrinas, dogmas, preceitos, regras, normas, e ritos.
Sola Scriptura!

janeiro 19, 2012

O EVANGELHO DA LOUCURA

I Co. 1: 18 a 25 - "Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus, porque está escrito: destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a sabedoria e o entendimento dos entendidos. Onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o questionador deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que creem. Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens."
O evangelho da verdade, o qual nada tem a ver com religião, segue um caminho oposto aos anseios humanos. Enquanto a humanidade busca estabelecer o paraíso socieconômico, ambiental, sociológico e psicológico no mundo, ele afirma que todas estas realidades serão aniquiladas. Por esta razão, muitos são os que odeiam o nome de Cristo e o seu evangelho. Recentemente uma atriz polonesa - Dorota Rabczewska - foi penalizada a pagar uma multa de USD 1.450, pela justiça, por ter queimado uma Bíblia em público. Na ocasião, a moça, possessa de ódio disse: "É difícil acreditar em algo que foi escrito por bêbados de vinho que fumaram algumas ervas." Na verdade, importa dizer, que, não é difícil crer nas Escrituras, é impossível, sem o concurso da graça de Deus. Em 2007, o ex-noivo da referida atriz, também artista, rasgou um exemplar da Bíblia, em um show, porém nada sofreu, porque a justiça entendeu que se tratava de uma manifestação artística.
Cristo previne que o mundo odiaria os eleitos e regenerados, por causa do nome d'Ele conforme Lc. 21:17 - "... e sereis odiados de todos por causa do meu nome." Ainda que o contexto seja escatológico, a cada dia tais manifestações indicam a proximidade desse tempo.
O evangelho da verdade nada tem a ver com religiões institucionais, nominais e tradicionais que estão postas perante a sociedade. Em sentido contrário, este "evangelho água com açúcar" pregado por aí, tenta descer ao nível dos comportamentos sociais, políticos e morais, a fim de se tornar simpático e atraente ao mundo. Creem os pregadores deste evangelho capenga, que devem atrair os incrédulos à igreja para torná-los pessoas melhores. Ora, o evangelho verdadeiro não pretende apenas reformar moralmente o homem, mas refazê-lo em uma nova criatura por meio do nascimento do alto, ou novo nascimento conforme II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."
Muitos religiosos, os quais não conhecem o inteiro teor das Escrituras por meio de revelação, se escandalizam ao ler determinadas notícias sobre a reação das pessoas acerca da Bíblia, do cristianismo, dos apóstolos e discípulos, e mesmo de Cristo. Ora, não há porque escandalizar-se, pois eles estão agindo e reagindo segundo as suas naturezas não regeneradas. E irão de mal a pior, quanto mais se aproxima o tempo da restauração de todas as coisas. 
O verdadeiro evangelho é uma loucura para os que perecem, porque os seus entendimentos foram cegados conforme II Co. 4:4 - "... nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." A 'palavra da cruz' a que alude o texto de abertura é a síntese do evangelho verdadeiro, porque mostra que o homem não pode herdar a vida eterna sem primeiramente morrer por meio da inclusão na morte de Cristo, e na sua consequente ressurreição para a vida. Este é o significado do batismo nas águas: ao ser submergido, representa a morte, ao ser emergido, representa a ressurreição. Este ensino é um dos mistérios guardados nos séculos eternos e só faz sentido para os eleitos e regenerados. É inteira loucura aos que perecem. Toda a sabedoria dos sábios, o entendimento dos entendidos, e as inquirições dos inquiridores serão aniquilados. O texto mostra que nem toda a sabedoria do mundo é suficiente e eficiente para conhecer a sabedoria de Deus. Por esta razão, o conhecimento espiritual que era para ser libertário ao pecador, acaba sendo-lhe por loucura aos olhos dos cegos. 
É Cristo a sabedoria e o poder de Deus para salvar os eleitos. Enquanto  uns querem ver sinais, outros querem apenas conhecimentos, todavia, Deus tem poder para redimir o pecador.
Desta forma aquilo que o homem natural reputa como bobagem, fraqueza e pobreza intelectual, é justamente, o que pode fazer uma nova criatura e um novo mundo justo. 
Sola Scriptura!

janeiro 17, 2012

O EVANGELHO DO ANÁTEMA

Gl. 1:6 a 8 - "Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema."
Os tempos que transcorrem são muito complexos e assimétricos em tudo. Não bastassem as questões de ordem político-ideológica, econômicas, demográficas,  ambientais, sociais, também a complexidade e superficialidade ocorre na esfera espiritual. Sempre houve tais dificuldades e paradoxos, entretanto, elas se avolumam, e se aceleram vertiginosamente. 
Há inumeráveis evangelhos sendo pregados pelo mundo afora. Muitos deles sequer poderiam ser chamados de evangelho, pois nada têm de 'boas', e, muito menos, de 'novas'. Visto que a palavra evangelho provém do grego neotestamentário 'ευαγγέλιο' e quer dizer apenas "boas novas", porém, boa parte dos evangelhos pregados por aí são antigos e não são nada bons. Em que consistem as boa novas, neste caso? Em que a salvação, redenção ou justificação do pecador é pela graça, e não por esforços, méritos, e justiças próprias. Esta graça consiste na ação monérgica de Deus, conduzindo o pecador até Cristo conforme Jo. 6:44a - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer..." A questão é tão grave, que não se trata do pecador querer, mas dele não poder. O homem decaído não possui qualquer inclinação para ir até Cristo, pois sua natureza pecaminosa o matou espiritualmente. Pode até ter inclinação para religião, misticismo, ocultismo, mas não para ir conscientemente a Cristo. É igualmente boa nova a verdade que é Cristo quem atrai o pecador à cruz, para nela, matar a sua morte espiritual, incluindo-o na Sua própria morte conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." E, finalmente, é também boa nova a ressurreição do regenerado juntamente com Cristo conforme Ef. 2:6 - "...e nos ressuscitou juntamente com ele..." Genericamente, o evangelho da verdade denomina este processo de nascimento do alto, ou como alguns preferem, novo nascimento. Logo, se alguém nasce de novo, obrigatoriamente deve ter morrido antes. Tais processos são apropriados pela fé, a saber, aqueles que são tocados pelas boas novas creem que a morte de Cristo os incluiu e os substituiu, e que a Sua ressurreição os trouxe de volta à vida espiritual reconciliada. É uma questão de fé e não de aniquilação do eu, porém, fé é dom de Deus!
Qualquer pregação que vá além dos ensinos revelados nas Escrituras é outro evangelho, e não o evangelho da verdade. Alguns chegaram ao ponto de mutilar o verdadeiro evangelho, extraindo-lhe apenas aquilo, que contorcidamente, lhes favorece. Compilam um evangelho híbrido, a saber, se apropriam indevidamente de algumas coisas que acham legais, nas Escrituras, e, a elas, acrescentam suas opiniões místicas, gnósticas e espiritualizantes. Alguns colecionam uma série de dogmas repetitivos e vazios de significação, porque apenas ritualísticos, e chamam isso de evangelho. Outros ainda, transformam em evangelho as suas próprias práticas humanistas e filosofias de vida. 
O ensino paulino constante da abertura deste artigo afirma que ainda que um anjo do céu apareça materializado e pregue um outro evangelho, seja considerado maldito. Anátema é um substantivo masculino que quer dizer maldição, repreensão enérgica, reprovação, condenação, execração. Paulo estava admirado da rapidez com que os gálatas estavam indo atrás de uma mensagem substitutiva, alternativa, e mais atraente. De fato, as coisas verdadeiras são muito massantes, chatas, e pouco atraentes aos que não possuem natureza inclinada para elas. O erro, o engano, e a mentira são bem mais atraentes, porque massageiam o ego contaminado pela mania de querer ser "deus". Este outro evangelho oferece uma grande variedade de possibilidades, oferece facilidades, afirma o que o homem pecador quer ouvir, e satisfaz a sua natureza enganosa, enganadora e enganada. Assim, eles cumprem o que está escrito em II Tm. 4: 3 e 4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas."
Hoje se vê grande corrida às fábulas, especialmente, as que se referem a vidas passadas. Percebe-se, inclusive, que todos querem se identificar com antigos reis, rainhas, princesas, príncipes, guerreiros, pessoas famosas. Ninguém quer ser a reencarnação do mendigo Lázaro que jazia à porta do rico, se alimentando das migalhas que lhe sobejavam. Ninguém quer a reencarnação de Jack, o Estripador. Ninguém quer ser a reencarnação do malfeitor que negou e criticou Jesus na cruz. Estes anátemas são subproduto da própria natureza humana contaminada pelo pecado e alimentada pelo Diabo que inoculou tal natureza no homem. Porém, o cego e morto espiritual prefere dizer que Diabo é uma invenção, que Adão e Eva são seres lendários, que talvez Jesus nunca existiu. Até aí, normal, pois suas visões foram cegadas e suas mentes cauterizadas para estas coisas.
Sola Gratia!

janeiro 16, 2012

OUVIR CANÇÕES DE NINAR

Ez. 33: 30 a 33 - "Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto às paredes e nas portas das casas; e fala um com o outro, cada qual a seu irmão, dizendo: vinde, peço-vos, e ouvi qual seja a palavra que procede do Senhor. E eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois com a sua boca professam muito amor, mas o seu coração vai após o lucro. E eis que tu és para eles como uma canção de amores, canção de quem tem voz suave, e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra. Quando suceder isso, e há de suceder, saberão que houve no meio deles um profeta."
O contexto do capítulo trinta e três do livro da profecia de Ezequiel é avassalador contra a rebeldia e a obstinação idólatra do povo de Israel. Deus constituiu o profeta Ezequiel como atalaia, a saber, aquele que serve de sentinela, vigia e observa para evitar um ataque surpresa. Deus determinou que Ezequiel avisasse ao povo dos riscos a que estavam sujeitos, caso não se voltasse às práticas corretas perante a Sua face. Exigia-se deles o retorno aos princípios monoteístas e o seguimento da Lei, como condições para preparar a vinda do Messias, o Cristo. Mas, eles davam de ombros aos avisos e continuavam na religião dúbia e voltada para a satisfação apenas dos seus desejos naturais. Então, Deus disse ao profeta para pregar e avisar sobre o perigo iminente: se ele pregasse e o ímpio viesse a morrer na sua impiedade, nada lhe seria cobrado, mas se ao contrário, não lhes fosse avisado nada, das mãos do profeta seria requerido o sangue do ímpio que morreu na sua impiedade. 
Muitos religiosos arminianos gostam deste texto ezequeliano, porque, a pretexto usam-no fora do seu contexto para justificar suas posições pseudo-teológicas. A bem da verdade, Deus estabelece claramente a diferença entre os atos de justiça humana e os decretos eternos da justiça divina. O verso 12 afirma: "Portanto tu, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: a justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; e, quanto à impiedade do ímpio, por ela não cairá ele no dia em que se converter da sua impiedade; nem o justo pela justiça poderá viver no dia em que pecar." Filho do homem é uma expressão destinada ao profeta Ezequiel que é o arquétipo de Cristo neste texto. Mostra que os padrões das justiças humanas não servem de moeda de troca, quando houver transgressão em pecado. Também a impiedade do injusto não determinará a sua condenação, quando este for convertido. A justiça de caráter humano não serve como parâmetro para a salvação, mas é exigido que o pecador seja convertido das suas impiedades. A impiedade é inata e não uma mera opção, prática momentânea, ou desvio comportamental passageiro. Os atos de iniquidade são derivados da natureza iníqua residente e persistente no homem. A vida eterna é definida como: "e a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste." - Jo. 17:3.
Pois bem, o profeta procedeu diligentemente a tudo quanto o Senhor Deus lhe ordenara. Entretanto, o povo comentava sobre a sua pregação, junto as paredes, às portas das suas casas, nos pontos de maior aglomeração de gente. Eles se convidavam mutuamente a que fossem ouvir o profeta pregar a Palavra de Deus. Todavia, ouviam a pregação, as admoestações, e revelações de Ezequiel, mas estas lhes pareciam apenas canções de ninar. Ouviam sempre, de bom grado, mas não possuíam natureza para colocá-las em prática. Eles declaravam que amavam muito as pregações e que tudo estavam muito certo, mas o objetivo prático deles era lucrar. 
Assim tem sido em muitas religiões institucionais e humanistas. Declaram crer fielmente no ministro, no pregador, no líder, no pastor, no padre, etc, mas quando saem dali nada daquilo é observado na vida real. O principal erro, neste caso, é devotar fé nos homens, e não a Deus. O outro erro é confundir declaração com confissão, pois enquanto esta exige fé, aquela é apenas a emissão de voz sem a fé. Dizer que ama a Deus, que está tudo certo doutrinariamente, que tudo procede de Deus, até os demônios podem declarar conforme o registro de Mt. 8:29 - "E eis que gritaram, dizendo: que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?" Confessar é dizer com fé, ou seja, é a união da pregação da verdade à fé verdadeira. 
O mundo está repleto dessa religiãozinha de segunda mão, dos pregadores de mentiras, dos paroleiros que visam o lucro, e dos ouvintes de canções de ninar.
Sola Scriptura!

janeiro 14, 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS X

I Ts. 5:17 - "Orai sem cessar."
Já se escreveu e se falou muito sobre este minúsculo texto do Novo Testamento. Entretanto, poucos conseguiram trazer luz ao sentido da oração ensinado neste versículo. Para isso, é necessário se reportar a todo o contexto do capítulo cinco da primeira carta aos tessalonicenses. É parte de um corpo doutrinários destinado à Igreja que estava em Tessalônica. Não se trata de uma opinião paulina, mas de um corpo de ensino e instruções aos cristãos. Alguns tentam interpretá-lo literalmente, mas logo se dão conta que ninguém consegue orar, vinte e quatro horas por dia, sete dias na semana, trinta dias no mês, doze meses por ano, e assim por diante. Outros acreditam que 'orar sem cessar' é manter o hábito de orar programaticamente em certos períodos, lugares e circunstâncias. Outros ainda, preferem crer que se trata de um estado mental em que a mente é mantida ligada a Deus como uma espécie de meditação.
Bem, é necessário verificar, entre outras coisas, a diferença entre "cessar" e "parar". A maioria das pessoas toma o verbo cessar como sinônimo do verbo parar, e portanto, acreditam que o cristão não pode parar de orar. Alguns acreditam mesmo que ao parar de orar, forças malignas se aproveitam disso, para atrapalhar, trazer transtornos, prejudicar a vida material, jogar a pessoa na tentação, e no pecado. No contexto desse assunto, o apóstolo Paulo dá diversas instruções sobre as relações fraternais, e dos crentes com as outras pessoas. Também dá orientações sobre posturas que  fazem a diferença entre as trevas e a luz. Mostra a necessidade do revestimento do amor e da fé, bem como da esperança na salvação dada por Cristo. E, finalmente, no verso 17 diz: "E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo." Ora, então, Paulo está falando de um processo de produção da santidade de Cristo nos eleitos e regenerados. A santificação se dá no espírito, na alma, e no corpo. Conservar-se plenamente para o reencontro com Cristo exige uma constante presença e superabundância da graça. A oração, portanto, é um exercício natural e não excepcional.
Então, o verbo cessar utilizado no texto não pode tomar o sentido de parar, pois são distintos e diferenciados. Cessar é verbo transitivo direto, intransitivo, e transitivo indireto. Como tal, indica apenas a interrupção de uma ação normal e tida como habitual. Provém do latim 'cessare' que é cessar, interromper, desistir, descansar. Portanto, orar sem cessar é manter a fé na comunicação constante com o Pai por meio dos méritos de Cristo. Pode até ser interrompido, por desistência momentânea, por cansaço e falta de esperança, por falta de fé, mas também pode ser recomeçado e prosseguido.
Já o verbo parar tem significação mais complexa, pois o seu referencial está em movimento, no ato de mover-se, de algo ou alguém movimentar-se. Pode também dar a noção de fixar-se, resumir-se, limitar-se, pairar, ficar suspenso, chegar a algum lugar, aparar, defender, desviar, transformar alguém em, tornar, fazer uma aposta de, arriscar, em caso de jogo. O verbo parar provém do latim 'parare' que é dispor, deter, fazer parar.
Jesus, mostra o sentido do orar sem cessar em Lc. 18:1 - "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer." Então orar sempre, ou orar sem cessar, é orar sem perder as forças, sem desfalecer. A questão é que o homem se desanima e desiste com muita facilidade quando não vê os resultados imediatos daquilo que quer. Então, implica em que os que receberam fé orem por um determinado motivo, mas sempre volte a orar sobre ele, para obter uma resposta de Deus. Seja tal resposta favorável, ou desfavorável. É como já se disse de Madame Guyon: "eu oro não para convencer Deus, mas até que Ele me convença."
Rm. 12:12 - "... alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração." Então, a alegria naquilo que se espera é uma motivação para permanecer na oração incessante, além de desenvolver a virtude da paciência durante os momentos de tribulação. Perseverar na oração em função da esperança e da paciência na tribulação é um exercício do convencimento de Deus ao coração imperfeito do homem. 
Cl. 4:2 - "Perseverai na oração, velando nela com ações de graças..." De novo aparece o verbo perseverar como exigência primeira à oração. E, além de continuar orando sem cessar, deve-se constantemente vigiar em oração com ações de graça. 
Atualmente os religiosos estão sendo fortemente aliciados em um modelo de culto que nada tem a ver com as Escrituras. São cultos cujo objetivo é manter sempre os "fiéis' presos ao sistema, numa espécie de dependência psicológica. Acreditam que não podem ter acesso direto a Deus e que necessitam de correntes, redes, pontes, campanhas e líderes com poderes extraordinários. Neste sentido eles são conduzidos com base em um poder a eles incutido e, por vezes, transferido, desde que se mantenham presos a este ou àquele modelo falsamente chamado de teológico. Nestes sistemas são ensinadas coisas tão absurdas que, se Deus fosse levar em consideração a afronta, riscaria todas estas pessoas da face da Terra. A sorte é que Ele conhece a arrogância humana e não age segundo merecem Ml. 3:6 - "Pois eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos."
Há os que oram arrogantemente, pois dizem que Deus é obrigado a conceder-lhes seus pedidos, porque Ele é fiel às Suas promessas. Esta é a tristemente chamada Teologia da Determinação, mas a criatura determinar algo ao Criador? Outros supõem aproximar-se d'Ele munidos do argumento que, sendo filhos, merecem ser cabeça e não cauda conforme um texto veterotestamentário destinado ao povo de Israel como nação. Outros ainda, se afirmam no argumento que merecem ter tudo o que desejam, porque são filhos do "dono do mundo." Ora, mal sabem eles que estão, de fato, reivindicando isto ao Diabo, pois as Escrituras afirmam que o mundo inteiro jaz no maligno. Assim, são estes pobres religiosos conduzidos de mentira em mentira, de frustração em frustração, de ilusão em ilusão, mudando de uma igreja para outra igreja em busca de poder, de um para outro pregador mais poderoso, por isso mesmo, enganando-se e sendo enganados. Acerca destes nos fala II Tm. 3:7 - "...sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade." Veja, eles não podem chegar ao conhecimento da verdade!
A questão toda é, que, o homem, incluindo-se alguns que se dizem cristãos, oram apenas para satisfazer desejos de ter coisas, não para satisfazer a vontade de Cristo. Querem usufruir do poder de Deus para si mesmos, sem se importar com aquilo que Deus quer operar neles para que possam ser aceitáveis diante d'Ele. Ele quer dar ao homem a santidade de Cristo, mas o homem quer ganhar coisas em recompensa. Deus não tem coisas para dar aos seus eleitos e regenerados, Ele tem apenas Cristo para lhes conformar à imagem. Quem tem Cristo, tem o tudo de Deus!
Sola Gratia!

janeiro 13, 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS XIX

Tg. 5: 12 a 15 - "Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; seja, porém, o vosso sim, sim, e o vosso não, não, para não cairdes em condenação. Está aflito alguém entre vós? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele, ungido-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados." 
A maioria das pessoas faz da oração uma superstição, ou um escape psicológico para fugir às pressões, dores, sofrimentos, angústias e dificuldades. Fazem-no dentro de um automatismo condicionado para sentir alívio. Entretanto, a oração sem a fé não é nada, a não ser um amontoado de palavras repetitivas. 
Há aquelas pessoas que, no desespero, juram por tudo o que é mais sagrado, que vão fazer isto, ou aquilo, contanto que Deus as atenda. Porém, Ele está interessado em verdade, sinceridade e fé, pois sem fé é impossível agradá-Lo conforme Hb. 11:6 - "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam." Por isso, o apóstolo Tiago ensina que não é necessário, e muito menos, correto jurar por qualquer coisa. Não são as muitas palavras e promessas do homem que inclina o coração de Deus, mas a fé. Sabendo-se que a verdadeira fé é dom de Deus conforme Jd. 3b - "...exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos." Confirmado em Ef. 2: 8 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus." Assim, nem a graça, nem a fé provém do homem, mas de Deus.
Não há nada de errado em orar quando se está aflito, angustiado, desesperado e em dores. A questão não é orar, ou não orar, mas quem e como orar, e orar com a fé de Cristo. Esta é uma questão fundamental, pois as pessoas, mesmo as que se dizem cristãs, oram com base em um tipo de esforço mental, emocional, ou sacrificial de si mesmas. Não é este o ensino escriturístico sobre a oração. Jesus ensina muito sobre a oração, porém nos termos da fé e não do mérito. 
Muitas pessoas inadvertidamente tomam os textos bíblicos para justificar os seus feitos e legitimar suas atitudes a fim de parecerem corretos diante de Deus e dos homens. Neste sentido erram duplamente, pois de Deus nada se pode ocultar, e dos homens nada se pode requerer no campo espiritual que venha trazer justiça. Os religiosos, que geralmente são incrédulos às Escrituras, costumam sempre lançar mão do argumento que "a oração de um justo pode muito em seus efeitos", ou que "o justo viverá pela fé." Estas são palavras extraídas da Bíblia, é verdade, mas a que custo e com que propósito? Rm. 1:17 - "Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: mas o justo viverá da fé." Este justo a que alude o texto é o homem nascido de Deus, que foi regenerado por meio de Cristo. Na verdade a real tradução deste texto é: "... mas o justificado viverá da fé." A palavra no grego do texto original é 'dikaios', que significa justo, inocente, aprovado, porém a ação recai em Deus e não no homem justificado. Ou seja, o justo do texto é o que foi justificado por Deus, a saber, o sujeito da justificação é Ele, e o objeto dela é o nascido do alto. Isto indica que o justo é aquele que está livre da condenação por meio da fé. É um estado de justificação para quem achou a graça de Deus mediante a fé na morte inclusiva e substitutiva de Cristo. 
De fato o justo não pode ser o próprio homem, pois, neste caso, ele teria de ser o justificador e o justificado ao mesmo tempo. Rm. 3:10 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um." O apóstolo Paulo não entraria em contradição ao afirmar que o homem é justo com base em si mesmo, e depois dizer que não há um justo, nenhum sequer. A base para afirmar que o Justo é Cristo está citada em Hb. 10:38 - "Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele." Esta é uma citação de Hc. 2: 3 e 4 - "Pois a visão é ainda para o tempo determinado, e até o fim falará, e não mentirá. Ainda que se demore, espera-o; porque certamente virá, não tardará. Eis o soberbo! A sua alma não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá." É uma referência à vinda de Cristo encarnado em Jesus.
Então, se está alguém aflito, ore, se está alguém contente, louve, se está alguém doente, ore sobre ele. O verbo "salvará" no texto de abertura é 'σώσει' [sôsei] e significa "livrará", no caso, da doença. Nada tem a ver com salvação espiritual em Cristo, porque o verbo para esta categoria de salvação é 'σωτηρία' [sôteria]. Entretanto, todas estas promessas são com base na fé do Justo de Deus, e não com base em quaisquer justiças próprias ou méritos humanos. O Justo é Cristo!
Sola Scriptura!