domingo, 2 de agosto de 2015

PARA QUEM É A SALVAÇÃO? I

Rm. 10: 1 a 4 - "Irmãos, o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus por Israel é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus. Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê."
Qualquer dicionário em língua portuguesa traz as sinonímias do verbete 'salvação' como: "ação ou efeito de salvar-se ou de libertar-se", "resgate", "redenção", "remissão." Isto porque, no sentido espiritual, a salvação é o resgate do pecador de sua natureza pecaminosa. Portanto, é a libertação, a redenção e a remissão dos eleitos cujos nomes foram escritos no livro da vida do Cordeiro antes da fundação do mundo conforme Ap. 13:8.
Desta forma, a salvação é um ato e não um processo gradual. Biblicamente a salvação destina-se à pessoas e coisas que estão contaminadas pelo mal e necessitam ser reconciliadas. A natureza e as coisas inanimadas serão purificadas na restauração final. O homem é salvo pela justiça executada por Deus na cruz, sendo, portanto, justificado por ela. A justificação do pecador só é possível pela execução da sentença de Deus contra o pecado conforme Ez. 18:4 - "Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá." A morte a que alude o versículo, não é apenas a morte física, mas também a separação de Deus. Na morte eterna, o corpo volta ao pó e lá permanecerá, a alma no lago de fogo e enxofre e o espírito retornará a Deus de onde veio. Portanto, a dimensão tripartite do homem ficará eternamente separada e não será restaurada plenamente. Será um ser esfacelado, pois não terá a plena integridade.
Alguns fundamentos do verdadeiro evangelho se acham extremamente banalizadas por causa das religiões apartadas das Escrituras. Os ensinos sobre pecado, condenação, salvação, bíblia e inferno, não causam qualquer reação na maioria das pessoas. Contrariamente, grande parte delas se opõe a tais princípios, e alguns até as odeiam ostensivamente, porque os erros das religiões transfiguraram a verdade em algo superficial, ineficaz e humanizado. Por natureza todo homem não possui inclinação para Deus e para a verdade. Logo, o problema não está na mensagem verdadeira, mas no mensageiro não vivificado e no ouvinte morto para Deus. Muitos mensageiros necessitam de salvação, então, como poderia suas mensagens possuir eficácia? Uma mensagem religiosa pode até ter eficiência para ajuntar pessoas, reformá-las moralmente, mas poderá não ter eficácia alguma na redenção delas. A eficiência satisfaz apenas aos objetivos de uma igreja, crença ou religião, mas pode não satisfazer plenamente à exigência da justiça de Deus:"... a alma que pecar, essa morrerá."
A pregação religiosa apenas como desejo do coração do homem poderá ter enorme eficiência em ajuntar pessoas em torno de uma denominação religiosa ou sistema de crença. Um grande número de pessoas reunidas cantando, lendo textos bíblicos, praticando ritos, obedecendo preceitos legais e praticando bom comportamento, não significa verdade e salvação. Se a ação para tudo isto não for monérgica, será apenas religião. Muitos confundem o ensino sobre a necessidade de congregar-se com a prática religiosa do agregar-se. Uma congregação se compõe de pessoas eleitas e regeneradas sob a mesma fé e prática operadas pela ação de Deus monergisticamente. Uma agregação é um conjuntos de pessoas reunidas em torno de um desejo, projeto, ideal ou rituais que satisfazem suas carências e medos sinergisticamente. Por esta razão a doutrina diz em Hb. 10: 19 a 25 - "Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia."
O eleito e regenerado tem acesso a Deus, não por méritos, mas porque Jesus, o Cristo abriu o véu que o separava de Deus. O caminho novo é o evangelho, isto é, as boas novas em Cristo. Isto permite que o homem salvo tenha uma nova disposição, achegando-se a Deus pela fé. O coração, ou seja, a alma e o espírito do homem regenerado foi purificado na cruz. O corpo impregnado de atos pecaminosos foi lavado pela água limpa, a saber, a pregação da verdade. A partir desta nova disposição, os eleitos e regenerados têm uma inabalável confissão da esperança na salvação. A marca dos regenerados é a consideração uns aos outros, estimulando-se ao amor, às boas obras, e não abandonando a congregação. Ao contrário, quando se percebe algum desvio da verdade, admoestam-se uns aos outros para correção e orientação. Entretanto, nas crenças religiosas, quando alguém discorda dos rituais, regras e preceitos estabelecidos, o discordante é desprezado, pressionado e, por vezes, excluído e condenado. Enquanto os membros de tais religiões permanecem concordantes e cooperam em trabalhos e finanças é tido como um exemplo. Quando cai em algum ato falho ou desvio, é rechaçado e muitos viram-lhe o rosto. Onde está o ensino da verdade? Amar a quem é amável é fácil, mas amar a quem é detestável é impossível ao homem sem Cristo.
O texto de abertura mostra que o homem sobrepõe sua justiça própria no lugar da justiça perfeita de Deus. Eles preferem dar continuidade à lei de mandamentos e ordenanças do antigo pacto, à receber a verdade que Cristo a cumpriu e concluiu na cruz. A justiça de Deus é Cristo levantado na cruz para atrair os pecadores eleitos, enquanto a justiça própria do homem se constitui de preceito sobre preceito, regra sobre regra. Enquanto Deus em Cristo atrai o pecador para destruição da natureza pecaminosa, a justiça humana impõe ao pecador carga que ele jamais poderá suportar. Isto porque o homem portador da natureza pecaminosa não possui inclinação para Deus conforme Rm. 3: 10 a 12 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." O incrédulo lê este texto e imagina: 'eu não me enquadro neste caso, porque pertenço a tal igreja, sou batizado, deixei de beber, fumar, prostituir, adulterar, mentir, etc.' Entretanto, ele se apega a comportamento moral, enquanto as Escrituras se firmam em princípios espirituais. Por isso, permanecem religiosos, porém incrédulos, pois religião não salva, mas a execução da justiça de Deus na cruz. A cruz não é apenas um emblema simbólico da morte de Jesus, o Cristo, mas um princípio interior a ser vivido. A morte de Jesus, o Cristo não foi apenas substitutiva, mas também inclusiva. Os pecadores eleitos estavam nele em sua morte e em sua ressurreição.
Sola Fides!

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