quarta-feira, 19 de agosto de 2015

OS ESCÂNDALOS, A FÉ E OS SERVOS INÚTEIS

Lc. 17: 1 a 10 - "Disse Jesus a seus discípulos: é impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequeninos. Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: arrependo-me; tu lhe perdoarás. Disseram então os apóstolos ao Senhor: aumenta-nos a fé. Respondeu o Senhor: se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: desarraiga-te, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria. Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, ao voltar ele do campo: chega-te já, e reclina-te à mesa? Não lhe dirá antes: prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me, até que eu tenha comido e bebido, e depois comerás tu e beberás? Porventura agradecerá ao servo, porque este fez o que lhe foi mandado? Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer."
Escândalo é definido como fato ou sentimento que ofende e contraria sentimentos, crenças, convenções morais, sociais e religiosas. É também aquilo que pode conduzir ao erro, mau procedimento e ao pecado. Este substantivo masculino se insere na esfera dos fatos revoltantes, inaceitáveis e na quebra da ordem estabelecida pela civilidade. É uma violação dos códigos de conduta aceitos e praticados por uma determinada sociedade, em determinado período histórico.
Jesus, o Cristo afirma que é impossível que não venham os escândalos. Isto porque ele conhece a natureza pecaminosa que subjaz no homem e que o inclina, invariavelmente, aos escândalos e tropeços. I Rs. 8: 46 - "...Quando pecarem contra ti, pois não há homem que não peque..." Embora nem todos os homens são apanhados em escândalos e atos pecaminosos, todos guardam latente dentro de si a natureza pecaminosa que os pode gerar. Os atos pecaminosos não são apenas atos e atitudes de tropeços exteriores e perceptíveis. Não se restringem apenas ao que pode ser constatado e julgado pelas pessoas. Há atos pecaminosos ocultos na mente, pelos desejos e pensamentos conforme Mt. 5:28 - "Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela." Trata-se de uma referência que, ampliada e aplicada a outras áreas da vida a conclusão é a mesma. Muitos homens se dizem fieis às suas esposas, porque nunca consumou o ato sexual com outra mulher. Entretanto, tomando por parâmetro a afirmação de Jesus, o Cristo não há homem que não olhe para alguma mulher sem incorrer em desejos. Então, os atos pecaminosos são também de caráter subjetivo. Por esta razão é que ao homem não é possível libertar-se sozinho.
A libertação verdadeira é, primeiramente, no campo espiritual e depois na esfera almática e carnal. Por esta razão Jesus, o Cristo afirma em Jo. 8:36 - "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." O autocontrole e a disciplina servem para manter os padrões ético-morais em equilíbrio, garantindo uma convivência pacífica e respeitosa entre os homens. Entretanto, em se tratando da esfera espiritual o homem carece de um salvador superior a ele e que tenha o absoluto controle sobre o pecado. É nesse ponto que surge a diferença entre a impossibilidade humana e a possibilidade divina conforme Mt. 19: 24 a 26 - "E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus. Quando os seus discípulos ouviram isso, ficaram grandemente maravilhados, e perguntaram: quem pode, então, ser salvo? Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível." Vê-se que, os discípulos sentiram a total incompetência humana para lidar com a questão da redenção. A citação mostra, com clareza que, não é do campo das possibilidades do homem o libertar-se, mas tão somente da competência divina. 
A fé, no sentido bíblico, não é uma virtude humana. É um dom de Deus aos que ele deseja concedê-la para os devidos fins. A fé não é algo momentâneo e determinado pelas circunstâncias desesperadas. É algo concedido por Deus para sempre conforme Jd. 3 - "... exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos". Desta maneira a fé não se confunde com determinados comportamentos efervescentes vistos na religião exterior em certos arraiais religiosos. Pulam, gritam, cantam, dançam, pronunciam palavras incompreensíveis, afirmando ser isto demonstração de fé. Na verdade, é apenas exteriorização da emocionalidade almática. Deus não está nisto e não necessita disto para ser longânimo e gracioso para com os que sofrem. A fé é o sólido fundamento daquilo que não se pode ver e que não está em substância diante dos olhos nos termos de Hb. 11:1. A fé não é um exercício mental e corporal demonstrável por aparência de exultação, resignação e humilhação. É antes algo que o próprio homem não pode desenvolver e demonstrar. É um estado de total e absoluta dependência e confiança em Deus. A verdadeira fé se consolida, exatamente, quando não há a menor possibilidade da intervenção humana. Quando Jesus, o Cristo disse aos discípulos que deveriam perdoar os seus inimigos sete vezes ao dia, desesperados, disseram: "aumenta-nos a fé." Ou seja, para que alguém seja capaz deste desprendimento é necessário agir exclusivamente pela fé, porque a natureza carnal não nos dá esta capacidade. Também o Mestre disse que, se alguém tiver fé do tamanho do grão de mostarda dirá a uma amoreira, desarraiga-te e planta-te no mar e ela os obedeceria. Entretanto, nestes últimos 2.000 anos, não se viu ninguém fazendo amoreiras se transferir da terra para o mar. 
Finalmente, Jesus, o Cristo ensina que, quando alguém faz tudo o que lhe é determinado, consegue alcançar o honroso posto de servo inútil. Este ensino demonstra, com clareza, a diferença entre os filhos e herdeiros do reino e os servos. Os servos são apenas cumpridores de ordens por recompensas, mas sem a graça. Isto implica naquela classe de religioso que se põe apenas na perspectiva de servo e não de filho. Alguns fazem menção de outros homens como "grandes servos de Deus." Porém, alguém afirmou sobre isto que, "se é servo não é grande, se é grande não é servo." Servo, até Satanás é, pois está sob o controle soberano de Deus. O maravilhoso é ganhar a filiação divina por meio do novo nascimento. Visto que nenhum homem é naturalmente filho de Deus, ele então, resolveu fazer alguns homens como filhos adotivos por meio da inclusão deles na morte com Cristo. Isto fica evidente em Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." A filiação divina se dá pela graça mediante a fé e isto não procede da descendência, nem da geração biológica, nem do desejo do homem. É uma obra absolutamente soberana!
Soli Deo Gloria!

Nenhum comentário: