terça-feira, 17 de agosto de 2010

O QUE É O NOVO NASCIMENTO IV


Jo. 3: 9 a 15 - "Perguntou-lhe Nicodemos: como pode ser isto? Respondeu-lhe Jesus: tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testemunhamos o que temos visto; e não aceitais o nosso testemunho! Se vos falei de coisas terrestres, e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem. E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna."
O diálogo sobre o "novo nascimento" entre o príncipe Nicodemos e Jesus, o Cristo prosseguiu. A despeito da exata explicação didática do Mestre da Galileia, Nicodemos continuou na concepção limitada ao campo da religião humana. Diante de circunstâncias que tais, Jesus lhe deu uma resposta relativa ao fato dele ser um mestre em Israel, e não possuía discernimento entre coisas naturais e coisas sobrenaturais. Esta esplendente verdade joga mais luz no fato de que o homem é absolutamente incompetente para promover sua própria salvação por meio da religião e de comportamento moral. Jesus mostra, que, Ele e os da fé sabem o que dizem e dão testemunho que a salvação é o resultado do "nascimento do alto". A salvação é o resultado da ação monérgica de Deus e não dos esforços das obras de justiça própria e de méritos humanos.
A autoridade de Cristo consiste no fato d'Ele ter sido enviado do Céu à Terra para dar testemunho da verdade conforme I Jo. 5: 10 a 12 - "Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o faz, porque não crê no testemunho que Deus de seu Filho dá. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida." A verdade não é uma concepção teológico-filosófica, é antes, uma pessoa, a saber, o próprio Cristo. É uma questão de receber fé, pela graça, para tomar posse desta verdade.
O fundamento do referido diálogo consiste no fato de Nicodemos ter um alcance restrito na dimensão espiritual relativamente à verdade. Ele ficou embaraçado sobre o conceito de "nascimento do alto" da forma que Jesus, o Cristo, o apresentou. Nicodemos, então, indaga: "como pode ser isto?" Jesus, mostra-lhe que o assunto foi devidamente ilustrado por meio de metáforas terrestres, porém, este, não o havia entendido. A questão toda se prende ao fato de Nicodemos não poder crer com base no testemunho da palavra de Cristo. A sua compreensão se restringia à religião formal do judaísmo. A sua mente alcançava apenas um nível de crença sensoriável, a saber, com base nos sinais que Jesus realizava. Sua fé estava em coisas perceptíveis e não no Filho de Deus propriamente.
Jesus, o Cristo vai mais além, ao estabelecer paralelo com a serpente levantada no deserto por Moisés. Este fato não foi uma invencionice idólatra de Moisés, mas antes, uma prescrição didática do próprio Deus. O povo estava sendo picado por serpentes abrasadoras cuja morte certa era imediata. Moisés então fez, seguindo a orientação de Deus, uma serpente de bronze, a qual foi chamada, mais tarde, de Neustã (heb. pedaço de bronze), e levantou-a numa haste. Quem olhasse para a serpente levantada, sararia do veneno das serpentes abrasadoras e da morte. Os que não olhassem morreriam pelo efeito mortal do veneno. Ora, as serpentes abrasadoras simbolizavam o Diabo, enquanto, o veneno, o pecado, a serpente de bronze representavam o Cristo crucificado, e, consequentemente, todos os pecadores que n'Ele foram atraídos e incluídos por eleição para serem justificados. Acontece que alguns homens não conseguiam confiar o suficiente para olhar para a serpente de bronze. Estavam muito ocupados vigiando as serpentes para não serem picados. Assim é o religioso! Vive às voltas com preceito sobre preceito, regra sobre regra, teologias, doutrinas, e, se esquece de olhar para Jesus, autor e consumador da fé. Dão mais importância à forma, que ao conteúdo. Querem a doação, mas não o doador.
A questão fundamental do "nascimento do alto" é a fé concedida ao pecador para que ele receba vivificação e seja justificado em Cristo. A vida eterna é Cristo e não um estado de humor, de bem-estar, ou de consciência. Quem tem Cristo, tem a vida, quem não o tem, não tem a vida. Ele é a vida! O resultado desta verdade está em II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."
Em Cristo!

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