domingo, 15 de agosto de 2010

O QUE É O NOVO NASCIMENTO II


Jo. 3: 1 a 7 - "Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: necessário vos é nascer de novo."
Prosseguindo no tema do "novo nascimento" como processo da regeneração do pecador, observa-se que Nicodemos era um fariseu, provavelmente, um rabino, visto ter sido identificado como um mestre em Israel. Consequentemente, deveria ter profundo conhecimento das Escrituras. Entretanto, fica evidente que conhecimento intelectual não resolve a questão da morte para Deus. Ele procurou Jesus a noite, segundo alguns, para evitar ser visto dialogando com um homem simples, carpinteiro, galileu, nazareno, que, por vezes, contrariava algumas regras da religião exterior dominante. A aproximação de Nicodemos foi com base em aspectos sensoriáveis, pois reconheceu uma possível divindade em Jesus, apenas tomando por referência, os sinais que Ele fazia. Este nível de crença denuncia o nível de espiritualidade de qualquer pessoa. É a fé com base na experiência sensível, visível, ou tangível. As Escrituras ensinam outro nível de fé que não se fundamenta no visível e no tangível. A fé humana é referenciada no ver para crer, enquanto a fé bíblica é referenciada no crer para ver. A fé escriturística depende apenas do que afirma a Palavra de Deus, independentemente de que o que se lê, ou se ouve, seja exequível, ou mesmo executável.
Como a maneira de aproximação de Nicodemos foi horizontal, Jesus o interpelou verticalmente: "... se alguém não nascer do alto, não pode ver o reino de Deus." Por outras letras, Jesus afirma que, se uma pessoa não for objeto da ação monérgica, não poderá enxergar com os olhos do espírito, o reino de Deus. A ação de Deus parte de cima para baixo e resulta em uma experiência da visão humana de baixo para cima. Isto é confirmado em Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." Verifica-se que o ato de receber a Jesus é passivo, e ocorre por força do crer no Seu nome, e não nos seus sinais, feitos e milagres operados. Após esta esplendente realidade, Deus lhes concede que sejam feitos filhos d'Ele. O "nascimento do alto" é absolutamente da esfera monérgica, pois não ocorre por descendência étnica, nem por ato reprodutivo sexual, e, muito menos, pela escolha voluntária do homem. É ato exclusivo da soberana vontade de Deus em sua misericórdia e graça.
Nicodemos entendeu o processo do "novo nascimento" como um fato biológico. Não se tratava de uma incapacidade intelectual de Nicodemos, mas de um entendimento com base apenas em rituais judaicos do primeiro século. Para um judeu do primeiro século, portanto, praticante do judaísmo parush altamente proselitista, um não judeu deveria morrer para o mundo gentílico, e nascer para o judaísmo por meio de uma cerimônia chamada "tevilah", ou seja, imersão nas águas da "mikveh", uma espécie de banho ritual. O cristianismo chamou, ou substituiu este processo pelo batismo em águas, simbolizando a morte e a ressurreição. Todavia, Jesus não estava se referindo a este ritual, propriamente, mas a algo mais profundo. No rito judaico parush, o processo de "novo nascimento" era meramente simbólico, indicando um abandono de práticas errôneas, e a adoção de uma nova disposição para voltar-se para Deus. Era como se, com este ritual, o homem pecador pudesse apagar a sua vida pregressa, criando uma "ficha limpa" diante de Deus.
No verso 5, Jesus vai mais fundo no que Ele queria ensinar sobre "nascimento do alto". São indicados os meios para o ato:"... se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus". Desta forma, o "nascimento do alto" é operado e operacionalizado por ação da pregação do evangelho e por destruição da velha natureza corrompida e morta para Deus. Acerca desta abordagem, será tratado em outro estudo.
Em Cristo

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