domingo, 8 de agosto de 2010

A CRUZ COMO UM LUGAR E COMO UM CAMINHO IX


Rm. 6: 6 a 8 e 11 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus." No grego do novo testamento há profunda diferença entre saber e conhecer. Neste sentido, a maioria dos religiosos apenas sabe sobre Deus, Cristo, Bíblia. O simples saber intelectivo, ou cognitivo, não resulta em regeneração. É um saber puramente informativo com base apenas na luz própria do homem. O processo redentivo do pecador, passa obrigatoriamente pela cruz, incluindo-se nisto, a morte com Cristo. O conhecimento que vivifica o pecador regenerado, se completa com a sua ressurreição juntamente com Cristo. O que acontece comumente é que uns pregam o "novo nascimento" sem a morte, e outros, pregam apenas a morte de Jesus, sem a inclusão, nela, do pecador decaído. Ora, como alguém poderia nascer de novo, se não morrer? É incongruente até mesmo do ponto de vista lógico.
O texto de abertura deste artigo fala claramente sobre o velho homem, sendo esta, uma alusão à velha natureza pecaminosa herdada de Adão. Neste velho homem persiste o pecado transmitido pelo "cabeça federal da raça", o primeiro Adão conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." O pecado denominado de original entrou por Adão, e provocou a morte espiritual deste, a saber, a sua separação da comunhão com Deus. Como todos os homens descendem dele, todos nascem com a natureza contaminada pelo pecado. Por isso, todos cometem atos pecaminosos consequentes da natureza pecaminosa. Para destruir esta morte, ou seja, o pecado, necessário é que o pecador creia que foi incluído na morte de Cristo, e que, com Ele ressuscitou. Isto se apropria por fé, e esta, é dom de Deus. Pelo fato de o homem já nascer com a natureza pecaminosa, ele não possui a fé verdadeira para crer. Possui, outrossim, um tipo de fé humana, que se reduz apenas à expectativa e esperança sobre as coisas.
Então, a fé cristã genuína passa primeiramente pela convicção espiritual que o pecado foi justificado na morte com Cristo. Ainda que o eleito e regenerado cometa atos pecaminosos, estes foram absolutamente pagos pelo derramamento do sangue remidor de Jesus, o Cristo. Isto não é advogar a impecabilidade, mas é a expressão da fé bíblica, que a morte de Cristo é eficiente e eficaz para tornar o homem injusto, em nascido de novo justificado. Por esta razão, quem não se considera como morto, ou seja, incluído na morte de Cristo, não pode crer à verdade. Neste sentido será apenas um religioso baseado em crendices evangélicas e não uma nova criatura conforme II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Estar em Cristo é estar n'Ele e não uma expectativa dissociada da Sua morte e ressurreição como se crê comumente. A melhor tradução para "nova criatura" é "nova geração", assim, o nascido de Deus foi gerado de novo. Deus não realiza apenas reforma moral no homem pecador. Ele faz uma nova criatura, matando a velha criatura adâmica por inclusão na morte de Cristo, e gerando um novo homem na Sua ressurreição. É este o sentido do que afirma Paulo em I Co. 15: 45 a 47 - "Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o animal; depois o espiritual. O primeiro homem, sendo da terra, é terreno; o segundo homem é do céu." O primeiro homem é o velho homem portador da natureza pecaminosa, tendo apenas vida almática, pois o espírito se tornou morto para Deus. O segundo homem é vivificado no espírito ressuscitado com Cristo.
Sola Fide!
Sola Gratia!

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