terça-feira, 24 de agosto de 2010

ABUNDÂNCIA x SUPERABUNDÂNCIA III


Rm. 5: 15 - 21 - "Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou para com muitos. Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos. Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor."
Na controvérsia sobre o pecado, há diversas posições, incluindo-se os que dizem ser ele uma invenção da igreja, para manter os seguidores presos pelo medo do inferno. Os materialistas afirmam que a doutrina do pecado é uma forma de controle social e de manutenção das massas escravizadas. Uma linha psicanalítica afirmava que o pecado original foi o ato sexual entre Adão e Eva, entretanto esta explicação não encontra raízes nas tradições e doutrinas judaico-cristãs, em que a união carnal entre o homem e a mulher foi estabelecida por Deus.
As explicações antropológicas, grosso modo, entendidas no contexto de que as Escrituras pretendem apresentar uma explicação, ou a construção explicativa das origens do cosmo, do nosso planeta, da humanidade, da civilização em geral, e por fim das origens do bem e do mal. Segundo esta visão, até atingir a fase da "civilização" o homem vivia no "estado de natureza", em oposição ao "estado de cultura", explicação essa totalmente compatível com o evolucionismo darwinista. O ato de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal seria o divisor de águas, ou seja, a ruptura da comunhão entre o ser humano e a natureza. A partir de então o homem passou a reconhecer-se como separado e independente da natureza, adquirindo consciência de sua morte e finitude, adotando valores, crenças e objetivos independentes da natureza. Para Theilhard de Chardin, pensador católico, deu-se a traumática transição do animal para o hominal. Como consequência, o homem se envergonhou da nudez, tomou consciência da morte e da mortalidade, e passou a trabalhar para acumular. Porém, a nudez referida no texto hebraico original, não é apenas física, mas é primeiramente, espiritual e moral.
Todas estas posições, nada convincentes, ocorrem porque o homem no estado de degenerescência pecaminosa, não pode compreender o pecado como a incredulidade, mas apenas como algo comportamental fundamentado na noção do bem e do mal. É uma visão puramente maniqueísta do pecado, e não a compreensão de que se trata de um estado espiritualmente anômalo. Também, porque a maioria dos religiosos não sabe distinguir a diferença entre o pecado original e os atos pecaminosos dele decorrentes numa relação de causa e consequência. Tomam as consequências como causa, tornando os atos pecaminosos como meros desvios de conduta. Entretanto, independentemente da conduta baseada no bem, ou no mal, a natureza pecaminosa permanece no homem, podendo se manifestar de acordo com as circunstâncias, o tempo e as condições favoráveis ou desfavoráveis. A questão da existência, da extensão, e das consequências do pecado são extremamente constatáveis e visíveis no mal moral da sociedade em todos os tempos. Por exemplo, Hitler poderia ter agido de modo bem mais cruel do que agiu.
Assim, o pecado original recaiu na ofensa da criatura contra o Criador, porém, muito mais a Sua graça superabundou e triunfou sobre o pecado pela morte inclusiva e substitutiva de Cristo. O dom de Deus, isto é, a graça em Cristo veio para justificar a muitos que se tornaram injustos pelo pecado de um, repassado a todos. Destarte, o dom deve ser superior à ofensa, pois do contrário não seria qualificado para promover e restabelecer a justiça. A lei veio para evidenciar o horror do pecado, mas a graça veio para aniquilá-lo de uma vez para sempre na morte de cruz, pela qual o justificador matou a morte do homem e lhe comunicou a vida eterna na ressurreição. Igualmente, assim como o pecado fez reinar a morte, a graça trouxe a vida eterna na satisfação plena da exigência da justiça de Deus que afirma: "... a alma do pai, como a alma do filho são minhas, e a alma que pecar, esta morrerá." Desta maneira, ou o homem morre em sua própria morte para a condenação, ou morre em Cristo para a redenção.
Em Cristo

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