segunda-feira, 30 de agosto de 2010

NÃO SUPORTARÃO A SÃ DOUTRINA II


II Tm. 4: 3 e 4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas."
A sã doutrina é consequência de se receber as Escrituras como verdade vinda de Deus, e não como mero manual de religião. Depreende desta realidade, o fato de a verdade ser inconveniente, e, por vezes, perturbadora ao homem portador da natureza contrária a Deus conforme Rm. 3:10 a 18 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios; a sua boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Nos seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante dos seus olhos."
Por natureza, o homem decaído não é justo, não entende as coisas espirituais, e não busca a Deus, porque não tem inclinação para isso. A inclinação do coração é má todo o tempo, mesmo quando se dedica a uma religião, fala acerca de Deus, de Cristo, das Escrituras, porque tais atitudes podem ser apenas um assentimento intelectual, ou mesmo um exercício de rituais vazios e exteriores. São, em geral, carências e medos produzidos pela cultura maniqueísta adquirida no meio social em que se vive. Estas pessoas, possuem gargantas que falam coisas fétidas como sepulcros abertos exalando os odores dos corpos em decomposição; são extraviados e inúteis; enganam com palavras pronunciadas por lisonja, ainda que na mais profunda ética circunstancial; há malícia e veneno nas suas bocas, quando falam mansamente, ou raivosamente; amaldiçoam e possuem queixas, rancores e amarguras contra os outros e contra Deus; são ligeiros e eficientes em caminhar para fazer o que é mau, derramar sangue culpado, ou inocente; não conhecem, e não praticam a paz verdadeira; e não temem a Deus como Deus, mas como um mero negociante de quem desejam tirar alguma vantagem. O "deus" do religioso é semelhante ao gênio da lâmpada de Aladim: está sempre ao dispor dos seus desejos e caprichos.
Assim, um ser nestas condições descritas nas Escrituras não suportará mesmo a sã doutrina, porque esta o expõe aos olhos de Deus e diante das sua própria consciência. Cristo, ao contrário, joga luz nos mais escuros recônditos da alma desta criatura separada e morta para Ele. Esta luz, a saber, o conhecimento e o reconhecimento do pecado, acaba por ser incômoda aos que perecem. Por isso, o conselho do apóstolo Paulo ao pastor Tito, conforme Tt. 1:9 - "...retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes." É com base na fidelidade da Palavra de Deus, e não na opinião de homens, que os regenerados devem se conduzir. Neste sentido, a mensagem terá o poder de exortar na sã doutrina, e de calar os que entram em contradição contra esta mesma sã doutrina. O que se vê na prática é o oposto a tudo isto nos círculos religiosos. São, no geral, homens dissolutos, enganando e sendo enganados, pregando o que não creem, bajulando os que têm algo a oferecer e desprezando os miseráveis e necessitados. Buscam a fama e o prestígio, mesmo que isto custe o sacrifício da verdade e da sã doutrina. Escorraçam os que pregam a verdade, porque estes não lhes rendem louvores e glórias humanas.
A palavra do pregador deve ser conforme a doutrina, e a doutrina conforme a verdade das Escrituras, o que passa disso é anátema conforme Gl. 1:8 - "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema." Neste sentido há muitos religiosos financiando e vendendo o anátema como se verdade fosse. O poder que Deus concede ao regenerado, não consiste em fazer portentos e maravilhas para o seu próprio prazer e soberba, como se busca nestes tempos de muito misticismo e real miticismo nas igrejas ditas cristãs. Como seriam cristãs, se o Cristo está do lado de fora batendo à porta e desejando entrar?
Em Cristo

domingo, 29 de agosto de 2010

NÃO SUPORTARÃO A SÃ DOUTRINA I


II Tm. 4: 3 e 4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas."
Uma doutrina se define, genericamente, por ser um conjunto coerente de ideias fundamentais a serem transmitidas, ensinadas, e recebidas. Tal ensino, no sentido bíblico será saudável, quando for transmitido e ensinado dentro dos liames das Escrituras. Esta exigência lógica parte do pressuposto que as Escrituras, não apenas contêm alguma verdade, mas que elas mesmas são a verdade. Entretanto, se alguém, ou um sistema teológico, não tem as Escrituras como verdade, a doutrina deste não poderá ser sã. A saúde da doutrina está diretamente relacionada no que fundamentam as Escrituras, e não no que concebem os homens em seus sistemas religiosos. Por isso, há muita mentira ensinada como verdade, e muita verdade ensinada como se mentira fosse. Cada um faz a exegese e a hermenêutica que lhe convém de acordo com o que concebe como verdade, ainda que isto esteja em arrepio à própria verdade. Neste ponto são produzidas verdades particulares parametrizadas pelo que os homens decaídos decidem que é o ideal, o certo e o desejável. Por isso, a grande quantidade de religiões que, em nada, melhoram o homem, a sociedade e a realidade. Irão todos para o inferno com toda a sua religião de segunda mão, enganadora e enganada.


Verdade é um termo relativamente conflitante se considerarmos como referência, a ciência, a filosofia e a fé: em ciência será verdade aquilo que é conforme a realidade e que pode ser demonstrado, evidenciado e comprovado por hipóteses até se constituir em leis; filosoficamente haverá verdade quando houver correspondência, adequação ou harmonia passível de ser estabelecida, por meio de um discurso ou pensamento, entre a subjetividade cognitiva do intelecto humano e os fatos, eventos e seres da realidade objetiva; em matéria de fé, a verdade não é uma concepção, mas uma pessoa, a saber, Cristo. Ele mesmo se autodefine como sendo a verdade em Jo. 14:6Muitos imaginam que Ele tem algumas verdades a serem ensinadas aos homens. Todavia, Ele mesmo é a verdade! Apreendê-Lo é apreender a verdade!


Algo ou alguém não suporta alguma coisa, quando esta lhe é oposta, não lhe comunica nenhuma significação, ou lhe ofende a moral e a integridade. O homem não suporta o calor, ou o frio em demasia, porque estes lhe agridem a constituição física. Desta forma, os homens não suportam a doutrina saudável, porque esta não lhes consulta os interesses conforme demonstrado por Cristo perante os líderes religiosos do seu tempo em Jo. 5:39 a 41 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida! Eu não recebo glória da parte dos homens." Eles lançavam mão das Escrituras apenas com vistas a obter delas algum benefício em conformidade com a base do seus sistema de crença. Estas mesmas Escrituras indicavam claramente que Jesus era o Messias esperado por eles, mas o julgamento deles era estereotipado em seus preconceitos religiosos. Eles não poderiam ver em um simples carpinteiro, o grande rei libertador, o Filho de Deus. Eles davam e esperavam apenas glória humana, o Cristo oferecia libertação espiritual. São realidades opostas e oponentes em suas naturezas principiológicas. A sã doutrina de Jesus não consultava os interesses das glórias efêmeras dos homens, mas a Glória imarcescível do Pai, no estabelecimento do Reino.



A sã doutrina é realmente insuportável ao homem natural, porque este quer fazer que a verdade se curvar a ele. A sã doutrina exige honestidade para reconhecer-se pecador e imerecedor de qualquer coisa, seja espiritual, ou material. A sã doutrina é linear em suas causas e em suas consequências, porque soberana. Ela não se curva aos interesses contaminados pela natureza pecaminosa residente no homem. Ela não estende um tapete persa para o pecador andar sobre ele com o seu pecado, mas antes o conduz nu, cego, pobre e desgraçado até a cruz, onde o velho homem é destronado para dar lugar a uma nova criatura em Cristo Jesus na ressurreição pela fé. A este processo, o homem natural não está habilitado, senão pela misericórdia e a graça de Deus.



Em Cristo.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

ABUNDÂNCIA x SUPERABUNDÂNCIA III


Rm. 5: 15 - 21 - "Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou para com muitos. Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos. Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor."
Na controvérsia sobre o pecado, há diversas posições, incluindo-se os que dizem ser ele uma invenção da igreja, para manter os seguidores presos pelo medo do inferno. Os materialistas afirmam que a doutrina do pecado é uma forma de controle social e de manutenção das massas escravizadas. Uma linha psicanalítica afirmava que o pecado original foi o ato sexual entre Adão e Eva, entretanto esta explicação não encontra raízes nas tradições e doutrinas judaico-cristãs, em que a união carnal entre o homem e a mulher foi estabelecida por Deus.
As explicações antropológicas, grosso modo, entendidas no contexto de que as Escrituras pretendem apresentar uma explicação, ou a construção explicativa das origens do cosmo, do nosso planeta, da humanidade, da civilização em geral, e por fim das origens do bem e do mal. Segundo esta visão, até atingir a fase da "civilização" o homem vivia no "estado de natureza", em oposição ao "estado de cultura", explicação essa totalmente compatível com o evolucionismo darwinista. O ato de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal seria o divisor de águas, ou seja, a ruptura da comunhão entre o ser humano e a natureza. A partir de então o homem passou a reconhecer-se como separado e independente da natureza, adquirindo consciência de sua morte e finitude, adotando valores, crenças e objetivos independentes da natureza. Para Theilhard de Chardin, pensador católico, deu-se a traumática transição do animal para o hominal. Como consequência, o homem se envergonhou da nudez, tomou consciência da morte e da mortalidade, e passou a trabalhar para acumular. Porém, a nudez referida no texto hebraico original, não é apenas física, mas é primeiramente, espiritual e moral.
Todas estas posições, nada convincentes, ocorrem porque o homem no estado de degenerescência pecaminosa, não pode compreender o pecado como a incredulidade, mas apenas como algo comportamental fundamentado na noção do bem e do mal. É uma visão puramente maniqueísta do pecado, e não a compreensão de que se trata de um estado espiritualmente anômalo. Também, porque a maioria dos religiosos não sabe distinguir a diferença entre o pecado original e os atos pecaminosos dele decorrentes numa relação de causa e consequência. Tomam as consequências como causa, tornando os atos pecaminosos como meros desvios de conduta. Entretanto, independentemente da conduta baseada no bem, ou no mal, a natureza pecaminosa permanece no homem, podendo se manifestar de acordo com as circunstâncias, o tempo e as condições favoráveis ou desfavoráveis. A questão da existência, da extensão, e das consequências do pecado são extremamente constatáveis e visíveis no mal moral da sociedade em todos os tempos. Por exemplo, Hitler poderia ter agido de modo bem mais cruel do que agiu.
Assim, o pecado original recaiu na ofensa da criatura contra o Criador, porém, muito mais a Sua graça superabundou e triunfou sobre o pecado pela morte inclusiva e substitutiva de Cristo. O dom de Deus, isto é, a graça em Cristo veio para justificar a muitos que se tornaram injustos pelo pecado de um, repassado a todos. Destarte, o dom deve ser superior à ofensa, pois do contrário não seria qualificado para promover e restabelecer a justiça. A lei veio para evidenciar o horror do pecado, mas a graça veio para aniquilá-lo de uma vez para sempre na morte de cruz, pela qual o justificador matou a morte do homem e lhe comunicou a vida eterna na ressurreição. Igualmente, assim como o pecado fez reinar a morte, a graça trouxe a vida eterna na satisfação plena da exigência da justiça de Deus que afirma: "... a alma do pai, como a alma do filho são minhas, e a alma que pecar, esta morrerá." Desta maneira, ou o homem morre em sua própria morte para a condenação, ou morre em Cristo para a redenção.
Em Cristo

ABUNDÂNCIA x SUPERABUNDÂNCIA II


Rm. 5: 12 a 21 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta. No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou para com muitos. Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos. Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor."

Em função do que já foi exposto no estudo anterior, há por um lado abundância de pecado no homem, não só porque todos pecam por natureza, mas porque há diversas e diferentes maneiras de praticar atos pecaminosos. E, ainda que nem todos pequem, da mesma forma, e pelas mesmas práticas, a matriz pecaminosa permanece inoculada no homem. Muitas pessoas não cometem determinados atos falhos, porque os freios, os pesos e contra-pesos da sociedade os reprimem, impulsionando-os a não cometê-los. Entretanto, o potencial para cometer qualquer deslize, falha ou erro está invariavelmente no coração humano. No âmbito geral, alguns homens não cometem determinados atos e atitudes errôneas, porque lhes falta a oportunidade, ou porque temem ser apanhados pela justiça. Não havendo, o risco, os homens portadores da natureza pecaminosa se expõem e praticam diversos atos falhos. Pode ver que, quando falta energia em determinados ambientes urbanos ocorrem assaltos, pilhagens e violência. Isto porque os homens imaginam que estão protegidos pela escuridão que lhes garantirá o anonimato.
Já se discutiu muito sobre a natureza do pecado, e até mesmo, se há realmente o pecado como definido pela teologia. Alguns psicanalistas defendem, que, o que se convencionou chamar de pecado é apenas um desvio de conduta de base hormonal, ou endócrina. Alegam, outros ainda, que o pecado tal como é definido pelos religiosos acaba por trazer grandes e irreparáveis danos ao homem, visto que produz um tormento psicossomático a ele. Dão como causa de muitos males psíquicos e físicos, a concepção religiosa do pecado. Também culpam os dogmas religiosos por criar na mente humana um enorme sentimento de culpa por atos falhos cometidos.
No hebraico 'החטא ', no grego 'hamartáno' e no latim 'pecàttu' são palavras diferentes que indicam a mesma situação, a saber, errar o alvo. Para errar o alvo preconizado pelo padrão divino, o homem admite, primeiramente uma atitude incrédula, depois pratica o ato pecaminoso. Desta forma, o homem erra o alvo, porque não crê que ele exista ou que se constitui em um ponto a ser considerado como verdade. Assim, o pecado foi transmitido a todos os homens conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Então, Adão não creu na ordem divina, mas creu na proposta diabólica, consequentemente praticou a desobediência e, finalmente ficou corrompido, morto ou separado de Deus. Esta condição foi repassada a todos os seus descendentes.
No texto de abertura vê-se claramente uma aritmética de adição e subtração: um só homem deu início ao pecado por incredulidade; o ancestral comum introduziu o pecado no mundo por hereditariedade, logo, todos são pecadores por herança; a consequência do pecado é a morte, isto é, a separação espiritual entre homem e Deus; pela ofensa de um, morreram muitos, pela graça, o dom de um justifica a muitos; o juízo veio pela ofensa de um que pecou, e passou a muitos, mas o dom gratuito veio de um que fez a justiça, trazendo a graça a muitos.
Assim, onde abundou o pecado, superabundou a graça, porque esta é maior que a soma de todos os pecados, não fosse assim, a graça não seria qualificada para remover o pecado do mundo. Nisto consiste a justiça de Deus, justificando em Si mesmo a injustiça do homem pecador, na pessoa de Seu Filho Unigênito, sem pecado próprio. Ele assumiu os pecados dos eleitos para torná-los justos. 
Em Cristo

ABUNDÂNCIA x SUPERABUNDÂNCIA I


Rm. 5: 12 a 21 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta. No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou para com muitos. Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos. Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor."
O pecado foi transmitido a todos os homens a partir do ancestral comum, Adão. Desta forma todos nascem com o DNA da natureza pecaminosa. Esta natureza comunica ao homem uma série de atos falhos, os quais denominam-se atos pecaminosos. Por esta razão, o Novo Testamento, em seu original grego koiné, apresenta diversas palavras para o vocábulo pecado. Assim, destacam-se: a) Hamartano é a palavra que designa o 'pecatum originale', isto é, o primeiro pecado que causou a queda do homem. Tal pecado é a incredulidade, porque Adão deu crédito à palavra do Diabo, olvidando a Palavra de Deus. Este termo significa ao pé-da-letra: "errar o alvo". Jesus confirma que o erro do alvo foi a incredulidade em Jo. 16:9 - "... do pecado porque não creem em mim." É o pecado por princípio, porque o estado e a natureza da pessoa são pecaminosos. Este é o pecado denominado original pelo qual o homem teve o seu espírito corrompido e, por consequência erra o alvo estabelecido por Deus; b) Adiquias é a iniquidade, ou falta de equidade, recaindo em atos pecaminosos de prática do que é mal contra si, e contra o semelhante; c) Ponerós significa perversidade, natureza má, ou coração mau controlados pelo Maligno; d) Anomia indica um coração inclinado à desobediência e ao desrespeito, em geral, mas especialmente a lei de Deus; e) Parabasis  refere-se à tendência à transgressão, ou seja, de sempre ir além do que é permitido.
As pessoas, em geral, não fazem distinção entre o pecado original, e os atos pecaminosos. Em língua portuguesa a tradução para 'pecado' independe da forma grega constante do texto neotestamentário. Por isso, muitas pessoas não podem compreender que o pecado que separou o homem de Deus, não foi o ato de comer do fruto que Deus ordenará não comesse. Este ato, na verdade, foi a consequência do pecado, pois o pecado em si foi não dar crédito à ordem divina, mas creditar como verdadeira e aceitável a palavra do Maligno. Assim, o pecado é o que o homem é por natureza e por princípio, enquanto que os atos falhos são os atos pecaminosos decorrentes desta mesma natureza.
Jesus, o Cristo veio retirar o pecado, e, posteriormente, tratar os atos pecaminosos no homem. A morte de Cristo aniquilou o pecado conforme Hb. 9:26b - "...mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Ao morrer na cruz, incluindo n'Ele, o pecador, Jesus destruiu o corpo do pecado. Por esta razão é que João, o batista, ao ver Jesus que se aproximava afirmou: "...eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo." Esta é a garantia de reconciliação do homem com Deus. Sem a culpa do pecado original que foi destruído na morte juntamente com Cristo, o homem regenerado volta a ter comunhão com Deus e o Diabo não lhe pode mais cobrar por nenhum pecado cometido, ou a cometer.
Em Cristo.

sábado, 21 de agosto de 2010

O QUE É O NOVO NASCIMENTO V


II Co. 5: 14 a 19 - "Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo. Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação."
Muitos pregadores meramente religiosos falam em suas homilias sobre o "novo nascimento", porém, a pregação deles é, primeiramente, de segunda mão, e, secundariamente, pela metade. Não se pode falar de "novo nascimento", sem antes falar da morte e da ressurreição juntamente com Cristo. Obviamente que, o morrer com Cristo, e o ressuscitar juntamente com Ele, se circunscrevem na esfera da fé, visto que nem mesmo os que estavam presentes no dia da crucificação foram fisicamente crucificados, exceto dois homens condenados por serem salteadores. O fato é que ninguém pode nascer de novo se não morrer antes. O texto de abertura diz: "...se um morreu por todos, logo todos morreram." Esta é a álgebra divina: 'um por todos, e todos em um'. A interpretação dos religiosos ou cristãos nominais é a seguinte:"um morreu no lugar de todos, logo todos foram salvos e beneficiados." Esta é uma visão parcial da verdade, porque não foi apenas substituição, mas também foi inclusão, visto que Jesus não possuía nenhum pecado, portanto Deus o fez pecado, incluindo os pecados dos eleitos n'Ele conforme II Co. 5:21 - "Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." Deus o fez absorver os pecados dos eleitos, e, estes, foram justificados n'Ele. Logo, houve uma interação e não apenas uma ação isolada. A morte de Cristo foi uma morte compartilhada com os pecadores eleitos.
Os todos a que alude o texto, não são todos os homens conforme se pode harmonizar em toda a extensão das Escrituras. Refere-se a todos quantos foram conhecidos de antemão, predestinados, chamados, justificados e glorificados em Cristo.  É uma referência a todos quantos o receberam, a saber, creram no seu nome. Todos, neste sentido, é uma referência a homens de todas as etnias e procedências e não uma visão universalista como pretendem os arminianos. Quando o texto bíblico se refere à totalidade, o faz com relação a um grupo específico e não a todos os homens, no tocante à redenção.
A morte de Cristo capturou, tanto a natureza humana morta para Deus, como também a sua vida almática. Ambas foram destruídas na morte com Cristo conforme Rm. 6:6 - "...sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado." Pela fé, o pecador eleito crê que a morte de Cristo não foi um ato unilateral, mas que, ele mesmo estava incluído nesta mesma morte, como também, na consequente ressurreição d'Ele. Na inclusão, o pecador perde a sua velha natureza, ou velho homem, enquanto na ressurreição, ganha a vida de Cristo. Assim, na morte é o pecador incluído em Cristo, na ressurreição, é Cristo incluído no regenerado. A partir desta fé recebida por graça, o pecador eleito tem o seu escrito de dívida rasgado perante Deus, e não possui mais absolutamente nenhuma dívida de pecado a Satanás. Este não lhe pode mais tocar conforme I Jo. 5:18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." O homem natural e religioso vive a maior parte da sua existência temendo o Diabo, e, de certa forma, rendendo adoração a ele por buscar fórmulas para se livrar dos ataques do maligno. Tudo é uma questão de crer nas Escrituras e de confiar plenamente na graça plena de Deus. A salvação é pela graça mediante a fé e não por fórmulas mágicas, esforços, méritos e justiça própria.
A partir do momento que alguém recebe graça para ter os ouvidos abertos e as escamas dos olhos retiradas na cruz, a realidade espiritual se reverte para o nascimento do alto. Por isso, o texto de abertura diz: "...se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Estar em Cristo implica na inclusão n'Ele, a saber, em sua morte, e morte de cruz por fé. No texto original a expressão "nova criatura" é, na verdade, "nova geração". Assim, os eleitos e regenerados foram gerados de novo em Cristo conforme Ef. 2:10 - "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas."
Assim como a incredulidade de Adão conduziu o homem ao pecado, isto é, à morte para Deus, a inclusão na morte de Cristo, e a ressurreição juntamente com Ele, reconciliou os eleitos e regenerados de volta à comunhão com Deus. Desta forma, as coisas velhas, incluindo-se a velha natureza pecaminosa, não existem mais. Tudo se fez novo, porque tudo isto provém de Deus e não das obras mortas da lei do pecado e da justiça própria de homens mortos para Deus.
Isto é nascimento do alto, ou "novo nascimento", e não religião barata.
Em Cristo

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O QUE É O NOVO NASCIMENTO IV


Jo. 3: 9 a 15 - "Perguntou-lhe Nicodemos: como pode ser isto? Respondeu-lhe Jesus: tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testemunhamos o que temos visto; e não aceitais o nosso testemunho! Se vos falei de coisas terrestres, e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem. E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna."
O diálogo sobre o "novo nascimento" entre o príncipe Nicodemos e Jesus, o Cristo prosseguiu. A despeito da exata explicação didática do Mestre da Galileia, Nicodemos continuou na concepção limitada ao campo da religião humana. Diante de circunstâncias que tais, Jesus lhe deu uma resposta relativa ao fato dele ser um mestre em Israel, e não possuía discernimento entre coisas naturais e coisas sobrenaturais. Esta esplendente verdade joga mais luz no fato de que o homem é absolutamente incompetente para promover sua própria salvação por meio da religião e de comportamento moral. Jesus mostra, que, Ele e os da fé sabem o que dizem e dão testemunho que a salvação é o resultado do "nascimento do alto". A salvação é o resultado da ação monérgica de Deus e não dos esforços das obras de justiça própria e de méritos humanos.
A autoridade de Cristo consiste no fato d'Ele ter sido enviado do Céu à Terra para dar testemunho da verdade conforme I Jo. 5: 10 a 12 - "Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o faz, porque não crê no testemunho que Deus de seu Filho dá. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida." A verdade não é uma concepção teológico-filosófica, é antes, uma pessoa, a saber, o próprio Cristo. É uma questão de receber fé, pela graça, para tomar posse desta verdade.
O fundamento do referido diálogo consiste no fato de Nicodemos ter um alcance restrito na dimensão espiritual relativamente à verdade. Ele ficou embaraçado sobre o conceito de "nascimento do alto" da forma que Jesus, o Cristo, o apresentou. Nicodemos, então, indaga: "como pode ser isto?" Jesus, mostra-lhe que o assunto foi devidamente ilustrado por meio de metáforas terrestres, porém, este, não o havia entendido. A questão toda se prende ao fato de Nicodemos não poder crer com base no testemunho da palavra de Cristo. A sua compreensão se restringia à religião formal do judaísmo. A sua mente alcançava apenas um nível de crença sensoriável, a saber, com base nos sinais que Jesus realizava. Sua fé estava em coisas perceptíveis e não no Filho de Deus propriamente.
Jesus, o Cristo vai mais além, ao estabelecer paralelo com a serpente levantada no deserto por Moisés. Este fato não foi uma invencionice idólatra de Moisés, mas antes, uma prescrição didática do próprio Deus. O povo estava sendo picado por serpentes abrasadoras cuja morte certa era imediata. Moisés então fez, seguindo a orientação de Deus, uma serpente de bronze, a qual foi chamada, mais tarde, de Neustã (heb. pedaço de bronze), e levantou-a numa haste. Quem olhasse para a serpente levantada, sararia do veneno das serpentes abrasadoras e da morte. Os que não olhassem morreriam pelo efeito mortal do veneno. Ora, as serpentes abrasadoras simbolizavam o Diabo, enquanto, o veneno, o pecado, a serpente de bronze representavam o Cristo crucificado, e, consequentemente, todos os pecadores que n'Ele foram atraídos e incluídos por eleição para serem justificados. Acontece que alguns homens não conseguiam confiar o suficiente para olhar para a serpente de bronze. Estavam muito ocupados vigiando as serpentes para não serem picados. Assim é o religioso! Vive às voltas com preceito sobre preceito, regra sobre regra, teologias, doutrinas, e, se esquece de olhar para Jesus, autor e consumador da fé. Dão mais importância à forma, que ao conteúdo. Querem a doação, mas não o doador.
A questão fundamental do "nascimento do alto" é a fé concedida ao pecador para que ele receba vivificação e seja justificado em Cristo. A vida eterna é Cristo e não um estado de humor, de bem-estar, ou de consciência. Quem tem Cristo, tem a vida, quem não o tem, não tem a vida. Ele é a vida! O resultado desta verdade está em II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."
Em Cristo!

domingo, 15 de agosto de 2010

O QUE É O NOVO NASCIMENTO III


Jo. 3: 3 a 8 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito."
Prosseguindo no tema do "nascimento do alto" verificam-se outras realidades no texto de abertura. Houve incompreensão acerca do ensino de Jesus por parte de Nicodemos, porque tal ensino fugia ao mero ritual da religião exterior dominante. Jesus, o Cristo ainda jogou mais luz sobre o assunto, quando afirma: "... o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." O Senhor Jesus distingue nascimento biológico por meio de linhagens, ou descendência étnica, do nascimento operado pelo Espírito Santo, convencendo o homem decaído do pecado da incredulidade conforme Jo. 16: 9 - "...do pecado, porque não creem em mim." Assim, fica evidente que o pecado é a incredulidade, sendo esta, de fato, o que aconteceu no Éden com o ancestral comum da humanidade. Ele não creu, que, comendo do fruto proibido, morreria, porque a ele foi dito o contrário pelo inimigo. Muitos religiosos imaginam que o pecado de Adão foi comer do fruto a ele restringido. Ao contrário, comer do fruto foi uma consequência do pecado, mas o pecado, em si, foi a incredulidade na Palavra de Deus: "certamente morrerás".
O "nascimento do alto" é ensinado ao long das Escrituras. No velho testamento, e por instrumentação do profeta Ezequiel diz: "Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis." Obviamente, o texto ezequeliano, não se refere ao ritual das abluções com água, pois se fosse assim, todos os que tais rituais realizassem estariam limpos, e Cristo e a cruz seriam absolutamente dispensáveis. É pela iluminação da Palavra de Deus que se purifica o pecador da mente corrompida conforme Jesus deixa claro em Jo. 15: 2 e 3 - "Toda vara em mim que não dá fruto, ele a corta; e toda vara que dá fruto, ele a limpa, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado." Tanto, o texto de Ezequiel, como o texto do apóstolo João, não se referem a coisas simbólicas, mas a realidades espirituais, ainda que se utilize do recurso da linguagem metafórica. Para se ter um espírito novo, e um coração de carne no lugar do espírito corrompido pelo pecado original, e do coração empedernido pelos atos pecaminosos, necessário é que estes sejam absolutamente destruídos na cruz conforme Rm. 6:6 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado." O corpo do pecado é uma referência ao coração, sede da alma e do espírito, a saber, a velha natureza adâmica, velho homem, ou natureza pecaminosa.
Nos textos retratados, percebe-se com clareza meridiana que a ação é invariavelmente de Deus. Isto é monergismo e ensino verdadeiro segundo as Escrituras. Não é religião barata e do engano que leva milhares para longe do "nascimento do alto" por inclusão do pecador na cruz e na sua ressurreição juntamente com Cristo. Sem a morte da morte, na morte de Cristo não há redenção. É "Novo Nascimento", ou Nada!
Jesus diz claramente a Nicodemos que ele mesmo necessitava nascer do alto e que as verdades operadas pelo Espírito Santo, não são visíveis, tangíveis ou sensíveis. É como o vento que balança a folha da palmeira, veem-se as consequências dele, mas não se vê o vento propriamente dito. Assim, são os que são nascidos do alto, não são melhores do que as outras pessoas, não apresentam nada de religião exterior, não aparecem na mídia, mas são guiados pelo Espírito. O maior problema da religião e do homem decaído é que este quer uma espiritualidade de resultados imediatistas e de sinais exteriores, com base no sucesso deste mundo. Logo, não querem Cristo, querem apenas os benefícios oferecidos por Ele.
Em Cristo

O QUE É O NOVO NASCIMENTO II


Jo. 3: 1 a 7 - "Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: necessário vos é nascer de novo."
Prosseguindo no tema do "novo nascimento" como processo da regeneração do pecador, observa-se que Nicodemos era um fariseu, provavelmente, um rabino, visto ter sido identificado como um mestre em Israel. Consequentemente, deveria ter profundo conhecimento das Escrituras. Entretanto, fica evidente que conhecimento intelectual não resolve a questão da morte para Deus. Ele procurou Jesus a noite, segundo alguns, para evitar ser visto dialogando com um homem simples, carpinteiro, galileu, nazareno, que, por vezes, contrariava algumas regras da religião exterior dominante. A aproximação de Nicodemos foi com base em aspectos sensoriáveis, pois reconheceu uma possível divindade em Jesus, apenas tomando por referência, os sinais que Ele fazia. Este nível de crença denuncia o nível de espiritualidade de qualquer pessoa. É a fé com base na experiência sensível, visível, ou tangível. As Escrituras ensinam outro nível de fé que não se fundamenta no visível e no tangível. A fé humana é referenciada no ver para crer, enquanto a fé bíblica é referenciada no crer para ver. A fé escriturística depende apenas do que afirma a Palavra de Deus, independentemente de que o que se lê, ou se ouve, seja exequível, ou mesmo executável.
Como a maneira de aproximação de Nicodemos foi horizontal, Jesus o interpelou verticalmente: "... se alguém não nascer do alto, não pode ver o reino de Deus." Por outras letras, Jesus afirma que, se uma pessoa não for objeto da ação monérgica, não poderá enxergar com os olhos do espírito, o reino de Deus. A ação de Deus parte de cima para baixo e resulta em uma experiência da visão humana de baixo para cima. Isto é confirmado em Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." Verifica-se que o ato de receber a Jesus é passivo, e ocorre por força do crer no Seu nome, e não nos seus sinais, feitos e milagres operados. Após esta esplendente realidade, Deus lhes concede que sejam feitos filhos d'Ele. O "nascimento do alto" é absolutamente da esfera monérgica, pois não ocorre por descendência étnica, nem por ato reprodutivo sexual, e, muito menos, pela escolha voluntária do homem. É ato exclusivo da soberana vontade de Deus em sua misericórdia e graça.
Nicodemos entendeu o processo do "novo nascimento" como um fato biológico. Não se tratava de uma incapacidade intelectual de Nicodemos, mas de um entendimento com base apenas em rituais judaicos do primeiro século. Para um judeu do primeiro século, portanto, praticante do judaísmo parush altamente proselitista, um não judeu deveria morrer para o mundo gentílico, e nascer para o judaísmo por meio de uma cerimônia chamada "tevilah", ou seja, imersão nas águas da "mikveh", uma espécie de banho ritual. O cristianismo chamou, ou substituiu este processo pelo batismo em águas, simbolizando a morte e a ressurreição. Todavia, Jesus não estava se referindo a este ritual, propriamente, mas a algo mais profundo. No rito judaico parush, o processo de "novo nascimento" era meramente simbólico, indicando um abandono de práticas errôneas, e a adoção de uma nova disposição para voltar-se para Deus. Era como se, com este ritual, o homem pecador pudesse apagar a sua vida pregressa, criando uma "ficha limpa" diante de Deus.
No verso 5, Jesus vai mais fundo no que Ele queria ensinar sobre "nascimento do alto". São indicados os meios para o ato:"... se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus". Desta forma, o "nascimento do alto" é operado e operacionalizado por ação da pregação do evangelho e por destruição da velha natureza corrompida e morta para Deus. Acerca desta abordagem, será tratado em outro estudo.
Em Cristo

O QUE É "NOVO NASCIMENTO" I


Jo. 3: 1 a 7 - "Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: necessário vos é nascer de novo."
Primeiramente é fundamental encarar a realidade das traduções dos textos neotestamentários. A maioria dos tradutores age no seu ofício, a partir da percepção que têm na base das suas crenças. Assim, uma tradução feita ou aceita pelos Adventistas, pelos Testemunhas de Jeová, pelos Batistas, pelos Presbiterianos, pelos Católicos, pelos Pentecostais, pelos Espíritas busca satisfazer as exigências do que consagram como suas verdades. Porém, à margem disto, o códice sacro continua o mesmo, e dizendo a mesma e única verdade. Assim, a tradução da expressão "...nascer de novo" é uma espécie de forcejamento de barra para que haja algum mérito humano no processo da redenção. O correto mesmo é traduzi-la como "nascer do alto", ou mesmo, "nascer de cima" que é como está no original grego koiné [gr. gennetê anôthen]. Isto implica que o processo da regeneração é absolutamente realizado por Deus, monérgico, portanto, e não por qualquer atitude ativa do homem decaído. Semanticamente admite-se também a tradução como "novo nascimento", porém o que se discute é a contextualização do texto em uma hermenêutica espiritualmente correta. Muitos intérpretes optam por uma tradução mais simplificada e mais próxima do entendimento humano, porém as Escrituras não foram deixadas para serem, em primeiro plano, apenas compreendidas intelectualmente, mas para serem cridas. A tradução como "novo nascimento" humaniza o processo, retirando a ação monergistica de Deus, e colocando uma ação sinergística do homem.
Muitas religiões que se auto-denominam cristãs fazem uso da expressão "nascer de novo" indicando a necessidade de uma experiência sobrenatural de regeneração para que alguém seja salvo. Eles fazem uma pregação, geralmente, emotiva ou apelativa e, em seguida, sugestionam o ouvinte a "aceitar" a Jesus como seu salvador. Ato contínuo, tomam esta pessoa que assentiu ao apelo, e lhe informa que agora ele experimentou o "novo nascimento", que é, agora, uma nova criatura, e, que, também, ganhou uma série de vantagens com isto. Completam o processo afirmando que, a partir desse momento, a pessoa não poderá mais fazer determinadas coisas, e que deverá fazer outras tantas coisas para merecer o favor de Deus. Daí começa a longa jornada de engessamento, da cauterização da mente, da canga legalista, e da religiosidade sobre os ombros do neófito. Todavia, tais seitas e religiões se apropriam indevidamente do termo, pois a simples menção ou apropriação da ideia de regeneração como "novo nascimento" requer um fato antecedente. Não há "novo nascimento" sem a morte do "velho homem" que o antecede. Pregar "novo nascimento" sem morte com Cristo é pregar meia verdade. E, meia verdade, pelo crivo das Escrituras é mentira completa. Repita-se para o efeito de raciocínio: "novo nascimento" sem a "morte na cruz" que o antecede é mentira! É meia sola! É recauchutagem! É apenas a tentativa de produzir um cristão sem o Cristo. É como tentar produzir suco de uva, sem uvas. É como levar um cego para um alto monte e lhe mostrar a linda paisagem diante dele.
Jesus, o Cristo foi enfático ao seu notívago interlocutor, o fariseu Nicodemos: "...se alguém não nascer do alto, não pode ver o reino de Deus." A questão é de não poder, e, não, de não querer. É fundamental que se diga isto com base no texto bíblico, porque os religiosos gnósticos e arminianos inventaram a falsa teologia do "livre arbítrio" para dar poder de decisão ao homem absolutamente corrompido e morto nos delitos e pecados. Acontece que o homem decaído nem é livre, e, muito menos, possui capacidade de arbitrar qualquer coisa na esfera espiritual. Jesus, o Cristo confirma isso aos líderes religiosos do seu tempo em Jo. 8:34 - "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." Não se pode confundir capacidade de fazer escolhas naturais e sensoriais com escolhas espirituais.
Em Cristo

domingo, 8 de agosto de 2010

A CRUZ COMO UM LUGAR E COMO UM CAMINHO X


Gl. 2: 16 a 21 - "...sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada. Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De modo nenhum. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor. Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Não faço nula a graça de Deus; porque, se a justiça vem mediante a lei, logo Cristo morreu em vão." Comumente, o homem religioso, cujas escamas dos olhos não foram removidas pela cruz, vive um dilema: professa ser cristão, mas ao mesmo tempo submete-se a regras, normas e preceitos da lei moral e da lei cerimonial. Neste caso desenvolve-se um procedimento em duplicidade  afirma "aceitar" Jesus como salvador, pela fé, entretanto, acrescenta a isto, um amontoado de esforços, justiças próprias e méritos a fim de alcançar paz espiritual. No entanto, pesquisas dão conta de que cerca de 80% das pessoas que procuram psicanalistas são religiosas. Estes confundem fé e obras da lei, numa espécie de religião mista, e, em muitos casos, mística. Por não terem recebido a fé biblicamente correta, não confiam na graça soberana e plena de Deus. Destarte, confiam, desconfiando d'Ele, e dando um jeito de auxiliá-Lo a desenvolver as suas vidas supostamente cristãs. Imaginam, ingloriamente, que podem complementar a presumida fé em Cristo com jejuns, sacrifícios, curas interiores, redes, pontes, orações no monte, fogueiras santas, unção disso, unção daquilo. Presumem poder melhorar o "supremo propósito" de Deus estabelecido antes dos tempos eternos. Esta é a mais contundente prova de ausência de fé verdadeira. Não conhecem a cruz como lugar, e como caminho a ser trilhado. Desenvolvem, por isso, uma relação sinérgica, por não poder receber a ação monérgica de Deus.
As obras da lei, conforme o texto que vem de ser lido e compreendido pelo espírito, não podem salvar ninguém. Elas se aplicam apenas como regra de relação e não de posição. Se pudessem, Jesus, o Cristo, não deveria ter sido levantado na cruz para morrer, e, com isto, destruir o pecado dos pecadores eleitos. Tais religiosos não podem compreender, por fé, o que venha a ser justificação. Não alcançam tal ciência do Altíssimo, que, em Sua infinita misericórdia, resolveu tornar justos, os injustos eleitos, no Seu Justo Filho, conforme Hb. 10: 38 - "Mas o meu Justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele." Este justo a que alude o texto é Jesus, o Cristo. Precisamente por ser o único Justo aos olhos de Deus é que foi suficiente e eficiente para promover a justificação de todo aquele que nele crê conforme Jo. 1:11 e 12 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." Observa-se que os justificados em Cristo são feitos filhos de Deus, e, isto, não foi por origem étnica, nem por reprodução sexuada, nem por decisão voluntária do homem. Tudo foi idealizado, planejado e executado segundo a soberana vontade de Deus. Verifica-se, ainda, que os salvos apenas recebem ao Senhor Jesus e não o aceitam. Ele é quem os aceita, atraindo-os no Seu corpo crucificado, para neste lugar destruir as suas naturezas pecaminosas pelo método de Deus.
Todo o processo que envolve a redenção do pecador parte da ação monérgica de Deus, sendo Ele quem o leva a Jesus, o Cristo conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Verifica-se que é uma questão de não poder, e não, uma questão de não querer como insistem os arminianos defensores da heresia do "livre arbítrio". Confundem eles a capacidade de fazer escolhas emocionais, mecânicas e volitivas circunstanciadas na vida almática, com escolhas referenciadas na vida do espírito.
Segundo o texto de abertura, aquele que insiste no modelo religioso que busca a justificação nas obras da lei, adicionando à graça e à fé os seus esforços para produzir salvação, considera Cristo uma espécie de ministro do pecado e anula a graça de Deus. Tornando vã a morte sacrificial substitutiva e inclusiva de Jesus, o Cristo. Tudo isto faz parte de um processo desenvolvido e inoculado na religião por Satanás a fim de exaltar o homem fora da cruz que é o seu lugar por natureza e merecimento, por conta do pecado original. Todavia é fundamental compreender que este ensino da cruz como lugar e como caminho, não nega ou aniquila os valores morais e éticos, porém eles são consequências naqueles que nasceram de Deus conforme I Jo. 5: 18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." Os nascidos de Deus não pecam continuamente, ou não vivem pecando por princípio, por prazer, e por natureza. O seus pecados originais foram aniquilados na cruz. O texto joanino acima ensina que os eleitos e regenerados não sentem mais prazer no pecado. Não significa que eles não cometam atos pecaminosos.
Sola Gratia!
Sola Fide!
Sola Scriptura!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!