quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O FALSEAMENTO DA TEOLOGIA DA DETERMINAÇÃO


Is. 46:10 - "...que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade..."

Enganam-se e são igualmente enganados os defensores destas teologias esdrúxulas que vão surgindo por meio de movimentos encabeçados por homens de pequena fé. Afirmam alguns destes semipelagianos e arminianos por natureza e por princípio, que Deus está obrigado a cumprir todas as suas promessas, porque a Sua Palavra não pode falhar. Por este mesmo falso fundamento, afirmam ainda que, por vias de consequências, os crentes podem determinar que Deus faça cumprir as Suas promessas. A essa asneira dão o nome de Teologia da Determinação. Assim, homens dissolutos cujas naturezas não foram crucificadas e ressuscitadas com Cristo, saem por aí dando ordens ao Senhor Absoluto e Soberano do Universo.
Tornaram-se loucos e adoram mais a criatura que o Criador que é bendito eternamente consoante o registro de Paulo aos Romanos, em sua epístola do mesmo nome, no capítulo 1. Por esta razão foram e estão sendo entregues às suas paixões infames e desonram-se entre si, inflamando-se em toda sorte de atos pecaminosos decorrentes da natureza pecaminosa residente e permanente neles. É como diz o texto: "... farei toda a minha vontade." Não é Deus que existe pela vontade do homem, mas o homem que existe pela vontade d'Ele. Aliás, Deus sequer existe, Ele é.
O texto de abertura deste artigo apresenta o Deus que não se curva à criatura para receber dela ordens. Ele vê e executa o fim desde o início e o seu conselho subsiste para sempre. Para Ele, as variáveis tempo e espaço não sofrem quaisquer alterações. Portanto, tudo o que Ele prometeu em Sua Palavra, ou se cumpriu, ou está se cumprindo, ou ainda, se cumprirá cabalmente. Independe de qualquer determinação proveniente da criatura, pois todos os fatos futuros já foram preordenados no pretérito. Por isso, Ele, e somente, Ele conhece o fim desde o início. O homem decaído, ainda que religioso, mal conhece o que vive no presente, porque o príncipe deste século cegou-lhe o entendimento conforme o texto de II Co. 4:4 - ".... nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." Estes pseudo-teólogos buscam luz própria segundo os princípios do gnosticismo e não segundo o evangelho da verdade.
Os religiosos classificam todos os homens que não pertencem aos seus sistemas de crenças como sendo incrédulos. Isto é primeiramente estúpido, e, secundariamente presunçoso, pois Deus mantém a Sua Santa Semente espalhada em terra fértil. Os eleitos e regenerados estão espalhados pelo mundo vivendo da graça e misericórdia de Deus, à margem destes sistemas comprometidos com o modelo controlado pelo 'deus' deste século.
Dn. 4: 16 e 17 - "Seja mudada a sua mente, para que não seja mais a de homem, e lhe seja dada mente de animal; e passem sobre ele sete tempos. Esta sentença é por decreto dos vigias, e por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até o mais humilde dos homens constitui sobre eles." Esta foi a sentença de Deus sobre o rei da Babilônia. Ele se tornou como animal por sete anos, pastando relva, andando de quatro e dormindo ao relento com os animais do campo. Tudo isto foi para tomar o homem mais poderoso da Terra naquele tempo e humilhá-lo a fim de que, não apenas ele, mas todos os homens soubessem que Deus é soberano e absoluto em todo o universo. Portanto, Ele concede as suas promessas a quem lhe aprouver e não a quem lhe ordena ou presume ter qualquer direito e mérito. Não são as práticas morais e religiosas que fazem Deus se curvar ao homem, mas o homem convertido pelo evangelho da verdade é que se curva incontinenti e incondicionalmente diante do trono da graça.
Seja Deus engrandecido e exaltado eternamente!

O FALSEAMENTO DA VERDADE NA TEOLOGIA DO PROCESSO


Gn. 1:1 - "No princípio criou Deus os céus e a terra."

Estas poucas palavras em forma de sentença dão o tom e o diferencial entre verdade e mentira teológica. É uma sentença declarativa peremptória, não deixando espaço para quaisquer tergiversações. É uma afirmação literal e sem possibilidades de interpretação.
No princípio dos tempos, isto é, antes que houvesse qualquer coisa criada, Deus criou os céus e a Terra. Isto implica, por exclusão, que Ele é vida não criada. Desta forma, e por lógica simples, se vê que Deus é anterior a tudo o que foi criado. Então, Ele é vida não criada e todas as demais realidades foram criadas por Ele. A criação dos céus e da Terra não alterou em absolutamente nada a realidade não criada de Deus. Ele subsiste por toda a eternidade, independentemente de todas as coisas existentes e criados por Seu eterno poder. Caso Deus resolvesse dar fim a todas as coisas criadas, ainda assim, ele seria completo, absoluto, Justo e Soberano, bastando-se a si mesmo.
Hb. 11:3 - "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê." A questão fundamental no entendimento da verdade é a fé, porque é da categoria do intangível. Na esfera da fé, ou se crê, ou não se crê. A fé não permite qualquer experiência empírica, sendo a sua experimentalidade a posteriori. Primeiramente se crê, para, depois ver os efeitos da fé. No senso comum, se dá o oposto, primeiramente se vê para, só então, crer. Então, os mundos criados apenas pela palavra de Deus são a soma de todas as coisas reais e possíveis naquilo que convencionalmente se chama de universo. Todas estas esplendentes realidades foram criadas apenas pela pronúncia da Palavra de Deus. Ele disse: "haja luz, e houve luz." Não defendeu uma tese, utilizando-se da física óptica ou mesmo quântica.
Na famigerada Teologia do Processo, a insanidade religiosa de raízes arminianas, tenta ingloriamente subjugar o próprio Criador à Sua criação, como se este fosse um inconsciente e insensato que depende dos processos desenvolvidos no universo para garantir a Sua continuidade. É a ideia que o universo contém e mantém Deus, e não d'Ele contendo e mantendo o universo por Ele mesmo criado antes de qualquer coisa vir à lume. Como soe acontece aos que lançam suas próprias luzes sobre si mesmos, tais teólogos, estão invertendo a verdade em mentira e seguindo as suas naturezas pecaminosas decaídas à revelia da verdade simples do evangelho. Estão produzindo outro evangelho segundo os homens, supostamente com base nas Escrituras. A vida auto-existente e imutável não pode ser refém da vida criada e mutável.
Ap. 4:11 - "Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas." Deus, não somente é o autor e consumador da vida, como também é o mantenedor de tudo o que criou pelo Seu eterno poder. Portanto, apenas Ele é digno de receber toda honra, glória e poder. Ele criou todas as coisas como quis e para o que quis e nada foge ao Seu controle, posto que é soberano. Neste sentido, até mesmo os conceitos de bem e de mal perdem-se no emaranhado das teorias religiosas humanas, porque tudo o que existe e acontece, estão debaixo do soberano controle de Deus. Logo, não é a criação relativizada que determina qualquer coisa ao Criador absoluto, mas Este que planejou e executou tudo, antes mesmo delas existirem conforme Is. 45:7 - "Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas." Vê-se que o que foi formado foi a luz, quanto as trevas foram criadas; igualmente, o mal foi criado, sendo usado como elemento disciplinador em relação aos pecadores. Este mal não é o mal moral, mas os males naturais que são utilizados para mostrar ao homem que ele não é nada. Todas as coisas foram feitas pela vontade de Deus, e nada Lhe escapa ao controle. A visão maniqueísta de que o bem é de Deus, e o mal é do Diabo provém da mente humana relativizada e escravizada pela religião de segunda mão. No controle de Deus, bem e mal perdem absolutamente o sentido moral atribuído pelo pecador. Tudo nas mãos de Deus é o bem, não importando o que os homens pensem ou façam.
A Teologia do Processo é mais um movimento do 'homus religio' em sua crise existencial e almática pelo falseamento da verdade. Por esta razão, Deus o entrega aos seus próprios caprichos a fim de lhe evidenciar o que é o pecado e a natureza pecaminosa conforme Rm.1:18 - "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente."
Seja Deus engrandecido e adorado de eternidade em eternidade!

sábado, 4 de dezembro de 2010

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS X


Lc. 18:1 - "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer."
Orar é um diálogo entre duas pessoas que possuem afinidades e relação de confiança. É um exercício de comunhão, e não uma briga de convencimento e persuasão unilateral, na qual o suplicante lança mão de expedientes mirabolantes para convencer o suplicado a deferir-lhe sentença favorável. Orar não é um desafio, pois o suplicado não é alguém inconsciente ou inconsequente, e que não tem conhecimento de causa. Orar não é uma mera prática retórica pela qual se espera enganar o suplicado a fim de extrair-lhe benefícios. Ele não vê o suplicante e não ouve as suas palavras diretamente, ainda que sejam eloquentes. Ele ouve a intercessão do Espírito Santo e considera a petição meritocrática do "Advogado Divino", Cristo, conforme I Jo. 2:1 - "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo."
Quando George Muller viajava de navio, para uma série de pregações no Canadá, o navio ficou retido pelo nevoeiro a uma certa altura do curso do rio São Laurenço. Então, Muller convidou o capitão a orar, pois tinha data e horário de chegada ao seu destino. Então, o capitão começou a sua súplica como se fora um longo discurso político, visando convencer Deus a retirar a névoa. George Muller, o interrompeu, e tomando da palavra, disse: "Senhor, tu sabes que tenho de estar em tal lugar, tal dia e tal hora para pregar. Agradeço desde já em nome de Jesus, amém!" Quando ambos abriram os olhos o ar atmosférico estava limpo como um cristal. Não houve ali nenhum teatro, mas apenas disse objetivamente que reconhecia o fato de que Deus já sabia da sua necessidade de estar onde deveria estar, no horário em que deveria estar. Isto é orar sem hipocrisia!
O texto de Lucas 18 é iniciado com uma sentença afirmativa acerca do dever ou da necessidade de orar sempre. Não se deve orar apenas quando as circunstâncias são desfavoráveis, ou contrárias. Orar sempre é o mesmo sentido do texto que diz: 'incessantemente orai." A expressão 'orar sempre' equivale dizer que se deve orar por todas as coisas, em todas as ocasiões, e em quaisquer circunstâncias, não importando o julgamento que se possa fazer delas. Comumente o homem ora fervorosamente quando está feliz por achar que Deus lhe concedeu algo em função da sua capacidade de orar, ou de cumprir normas, regras e preceitos. Outras vezes, o homem ora desesperadamente em função de um sofrimento por considerar que Deus lhe é contrário, desfavorável ou adversário, porque deixou de fazer algo. Entretanto, o dever de orar tem a ver com o suplicante e não com o suplicado. É o homem quem necessita de orar para desenvolver a fé, a dependência, a esperança e o entusiasmo. O necessitado e carente é o homem, e não Deus, como parece nas rodas de orações das diferentes religiões humanas.
Na parábola que Jesus contou aos discípulos em Lucas 18, é acrescentado o seguinte: "E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles?" A justiça é feita aos eleitos de Deus, não por que são eleitos, mas porque Aquele que a opera é o Justo. É Deus quem é longânimo para com os seus eleitos, sendo este Seu longo ânimo, fruto da Sua justiça e não de quaisquer méritos que alguém julga ter. Aos eleitos de Deus cabe apenas clamar de dia e de noite como consequência das suas fraquezas e da necessidade de orar sempre. Na realidade, se os eleitos vivessem da fé, como ensinam as Escrituras, sequer necessitariam de orar por qualquer coisa.
Há duas razões básicas pelas quais muitos não veem os resultados das suas orações: não reconhecem a oração como diálogo entre a criatura e o Criador; e não buscam Deus como o Pai que ama o filho, ou seja, não O buscam de todo o coração. Isto é ensinado em Jr. 29: 12 e 13 - "Então me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração." Invocar é chamar alguém em quem se deposita toda confiança, orar é falar com alguém em quem se põe toda esperança. Entretanto, os homens não confiam em Deus, porque Ele é invisível. Não o buscam porque não O podem tocar! Alguém por mais crédulo que pareça ser invocará, irá, orará e buscará ao Senhor, quando o seu coração - alma e espírito - estiverem plenamente reconciliado com Deus por meio da sua morte, na morte de Cristo e na consequente ressurreição juntamente com Ele. Tudo isto se apropria pela fé que é, primeiramente, dom de Deus, e depois, invisível aos olhos e imperceptível à carne.
Sola Gratia!
Sola Fide!
Sola Scriptura!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS IX


Mt. 6: 5 a 8 - "E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes."
Verificando o comportamento dos religiosos vê-se que a maioria deles não ora segundo o modelo estipulado por Cristo. Cada um inventa uma forma mais espalhafatosa, escolhe lugares exóticos ou místicos; adota entonação de voz arrogante, melosa, e autoritária; insere conteúdo semântico convincente, isto é, escolhe palavras. Nada disso altera a verdade bíblica ensinada por Cristo. Orar não é uma questão de postura, ou posição, mas de relação entre o orador e o ouvinte. O poder da oração está no que a ouve, e não no que a profere conforme já foi tratado em estudos anteriores. É, portanto, uma questão relacional entre o suplicante e o suplicado!
Não orar como os hipócritas é a primeira condição da oração biblicamente correta. Um hipócrita é, segundo os dicionários, 'quem ou aquele que demonstra uma coisa, quando sente ou pensa outra, que dissimula sua verdadeira personalidade e afeta, quase sempre por motivos interesseiros ou por medo de assumir sua verdadeira natureza, qualidades ou sentimentos que não possui; fingido, falso, simulado.' A palavra hipócrita é tão forte, que é adjetivo e é substantivo de dois gêneros. A etimologia da palavra é 'hupokrites', a qual significa adivinho, ator, velhaco. Então, Cristo está dizendo que os tais hipócritas são falsos, dissimulados, atores, fingidos, simuladores, adivinhos, velhacos. Eles, na verdade, se põem numa posição de fingir espiritualidade e humildade que não possuem, e, com isto, pretendem fazer Deus lhes ser favorável. Muitos até afirmam que as suas atitudes são muito fervorosas, porque o Espírito Santo os anima a um estado de comunhão acima dos demais homens. Eles se afirmam como embaixadores de Deus na Terra, orando e intercedendo pelos problemas e necessidades humanos. Muitas dessas pessoas levam vidas absolutamente oposta aos ensinos das Escrituras no tocante a quaisquer aspectos da vida cristã. Em muitos casos oram por problemas alheios que eles mesmos sofrem e que não são resolvidos.
Cristo mostra no texto de abertura, que os religiosos hipócritas gostam de ser percebidos como grandes virtuoses de Deus na Terra. Fazem muita questão de serem vistos em atitudes supostamente espiritualizadas, pois isto lhes arregimenta seguidores, admiradores, colaboradores financeiros, entre outras coisas. É dito que tais oradores recebem imediatamente as suas recompensas, a saber, o serem bajulados e admirados apenas pelos homens. O texto não diz que eles recebem as bênçãos pelas quais estão orando. Eles recebem o que de fato estão buscando em si, de si, e para si mesmos. É uma atitude horizontalizada e não verticalizada.
O ensino de Cristo sobre o modo de orar diverge substancialmente desses modelos religiosos: entrar no quarto, fechar a porta, orar em secreto ao Pai. A oração que é ouvida só poderá ser feita por quem é filho, e, para tanto, é necessário nascer do alto conforme o texto de Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." Primeiramente é necessário crer, sendo que a própria fé é um dom de Deus. Secundariamente os eleitos e regenerados são feitos filhos de Deus, e não se fazem filhos d'Ele. Aos nascidos de Deus cabe apenas recebê-Lo em Cristo, sendo o ato de receber passivo e não ativo como querem os religiosos. Estas verdades não são resultantes da ascendência étnica (o sangue), nem da alma (a carne), e muito menos, do DNA do homem (o varão). É uma ação absolutamente monérgica, a saber, procedente unicamente de Deus em Sua soberana vontade.
Então orar é uma conversa entre filho e Pai, resultante do descanso na graça e na confiança plena que será ouvido. O filho não se utiliza de quaisquer expedientes para comover o Pai, pois Ele é quem dá início ao processo. Ele sabe de todas as coisas, antes da fundação do mundo, e as estabeleceu para que os seus eleitos andassem segundo os Seus caminhos preordenados para louvor da Sua Imarcessível Glória.
Sola Fide!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS VIII


I Ts. 5: 17 e 18 - "Orai sem cessar. Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco."
São incontáveis as discussões acerca do verso 17 de I Tessalonicenses  capítulo 5. As dúvidas recaem se o texto está afirmando que se deve orar 24 horas por dia, 7 dias por semana, o mês inteiro, o ano todo, e pelos séculos dos séculos. Ora, não há nem mesmo a necessidade de ser muito inteligente para saber que não é este o ensino. Ninguém, por mais piegas que seja, ora durante todo o tempo. O 'orar incessantemente' é uma atitude de consciência permanente de que tudo depende da graça de Deus, e não do ato de orar sem parar. A questão é que as traduções dos textos bíblicos, em muitas instâncias, seguem as tendências ideológicas do sistema religioso dominante, ou daquela a que pertence o tradutor. Não há nada de errado com os textos originais, mas com as traduções deles pelos diferentes sistemas religiosos!
A exegese do texto do verso 17 não pode ser feita isolando-o do texto do verso 18. Aliás, na verdade no final do verso 17 há implícita uma vírgula e não um ponto como se faz nas traduções. O texto literalmente diz: 'adialeiptôs proseychesthes'. Isto significa: "incessantemente orai'. E no verso 18 diz: 'en panti eucharisteite touto gar thelema Theou en Christô Iesou eis imas'. Então, vendo como um texto único e conectado é: "incessantemente orai, dando graças por tudo, ou em tudo dando graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus." O foco central da sentença, não é o tempo gasto em oração, mas o objetivo da oração. A continuidade do verso 18 mostra que este estado de graça é o que Deus quer dos seus eleitos por meio de Cristo Jesus. Não é a vontade do homem que deseja orar o tempo todo. Aliás, a vontade humana é de não orar em tempo algum, visto que a inclinação dos desejos humanos é má todo tempo por causa da natureza pecaminosa. Muitos até oram muito, por muito tempo, mas por hábito, por medo, para tentar convencer Deus a lhes ser favorável em algum aspecto. Assim, passa a ser apenas uma válvula de escape e não uma conversa entre Pai e filho. Então, em suma, o que ensino é nunca deixe de orar dando graças por tudo. Não cessar de orar, não é o mesmo que orar sem parar. É, na verdade, não interromper a prática da oração por longos períodos.

Tg. 5: 13 a 16 - "Está aflito alguém entre vós? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele, ungido-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação." Orar é falar com Deus, logo, ao expor as aflições, a pessoa se sente mais confiante, pois o problema não reside n'Ele, mas no homem. A doença é algo que afeta a parte física do homem, alterando-a e trazendo dor e sofrimento. Portanto, a oração originada na fé que é dom de Deus, curará, ou aliviará a dor do doente. A palavra grega utilizada para 'salvar' no texto de Tiago, é 'sôsei', sendo usada no sentido de curar, ou libertar do mal físico.
A unção com óleo não tinha nenhuma relação com aspecto místico ou sobrenatural. Era a prática médica da época, em que se acreditava no poder terapêutico de unguentos à base de óleos naturais e ervas específicas. Era uma espécie de medicina popular a que os mais pobres poderiam ter acesso.
O texto de Tiago mostra que a oração deve ser originada da fé, e esta, sabe-se que é dom de Deus e não um poder natural do homem. Veja que, quem levanta, liberta e perdoa os pecados do doente é Deus e não o orador. A necessidade de confessar os pecados uns aos outros é para o alívio psicológico, pois o sentido deste ensino no texto é que as pessoas não devem guardar maus juízos, rancores, raivas e maledicências uns contra os outros. Orar uns pelos outros é para que haja o exercício do amor fraterno e mútuo e, assim, haja alívio psicológico. Sabe-se hoje, que, pessoas que guardam rancores e são vingativas acabam acarretando muitos males físicos para si.
Finalmente, a oração ou súplica de um justo pode muito em seus efeitos, não pelo homem em si, mas porque o que o justifica pode interceder como advogado perante o Pai. Em Hb. 10:38 é apresentado quem é o Justo de Deus - "Mas o meu justo viverá da fé". É uma remissão ao texto de Hc. 2:4, fazendo referência ao Cristo. Logo, o justificado por Cristo pode orar pelos outros, porque o Justo que nele vive tem poder para causar efeitos benéficos e favoráveis ao sofrimento e a dor dos homens. O poder não está no que ora, mas naquele que nele habita, a saber, Cristo.
Ora Pro Nobis Domini...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS VII


Sl. 80:1 a 7 - "Ó pastor de Israel, dá ouvidos; tu, que guias a José como a um rebanho, que estás entronizado sobre os querubins, resplandece. Perante Efraim, Benjamim e Manassés, desperta o teu poder, e vem salvar-nos. Reabilita-nos, ó Deus; faze resplandecer o teu rosto, para que sejamos salvos. Ó Senhor Deus dos exércitos, até quando te indignarás contra a oração do teu povo? Tu os alimentaste com pão de lágrimas, e lhes deste a beber lágrimas em abundância. Tu nos fazes objeto de escárnio entre os nossos vizinhos; e os nossos inimigos zombam de nós entre si. Reabilita-nos, ó Deus dos exércitos; faze resplandecer o teu rosto, para que sejamos salvos."
Ouve-se aqui ou ali nos círculos religiosos as seguintes palavras de oração: "Senhor rogamos as mais escolhidas bênçãos sobre fulano de tal." Ora, como pode a criatura exigir bênçãos do Criador e, ainda por cima, determinar a qualidade destas bênçãos? É como se Deus tivesse diversas e diferentes categorias de bênçãos para dar. Tais orações são, na verdade, receitas de bolo. O religioso cujas escamas dos olhos não foram retiradas e nem os ouvidos foram abertos para as esplendentes verdades bíblicas, não percebe que Deus não tem coleções de bênçãos para dar, é Ele mesmo a bênção por meio de Cristo. Quem tem Cristo tem todas as coisas, porque Ele mesmo é o tudo de Deus. Deus não dá coisas, é Ele mesmo o Doador e a Doação.
Ainda há os religiosos inveterados que afirmam em suas orações: "Deus eu ordeno, eu determino, e eu exijo que o Senhor faça isso, ou aquilo." Esta oração é, no mínimo imoral, porque, como, poderia a coisa criada absolutamente depravada, dizer ao que a criou o que Ele deve fazer? Não é atoa que as Escrituras dizem o seguinte: "Pois eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos." Se Deus tivesse os seus humores semelhantes ao do homem, talvez toda a humanidade já teria sido totalmente varrida da face da Terra.
Madame Guiyon, uma francesa do século XVII, foi instruída pelo Espírito de Deus, quando afirmava: "oro, não para convencer Deus a ser-me favorável, mas até que Ele me convença." Não é a criatura que convence o Criador, mas Ele quem a convence do pecado, da justiça e do juízo. Pv. 15:8 - "O sacrifício dos ímpios é abominável ao Senhor; mas a oração dos retos lhe é agradável." Normalmente, os não-regenerados se aproximam de Deus por meio dos seus sacrifícios contaminados pela natureza pecaminosa, imaginando que poderão forcejá-Lo a lhes ouvir e atender. Entretanto, como já foi exposto, Ele não ouve a nenhum homem diretamente. Ele ouve os que foram justificados, não a eles, mas Àquele que os justificou.
Ouve-se de vez em quando alguém dizer: "vou pagar uma promessa, porque recebi a graça que pedi a Deus." Ora, se é graça, porque deve ser paga? Uma graça é uma ação de Deus em favor de quem nada merece, logo não se paga. Aliás, nada que o homem decaído ofereça a Deus poderia pagar qualquer coisa que venha d'Ele, pois Ele é maior que todas as coisas e nada lhe acrescenta, ou retira o que é. Ele simplesmente é!
Na realidade o que acontece é o que está registrado em Os. 4:6 - "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos."
Ora Pro Nobis, Kyrius!

sábado, 20 de novembro de 2010

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS VI


Rm. 8: 26 a 28 - "Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos. E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito."
A maioria dos religiosos imagina que é a maneira da oração, ou o que é dito na oração que comove Deus a se jogar do Céu à Terra afim de lhe ser favorável. Então, cada um procura se esmerar nas palavras, nas atitudes exteriores e nas petições. Deus responde a tudo isto em Is. 1: 12 a 15 - "Quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu de vós isto, que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação. As luas novas, os sábados, e a convocação de assembleias (...) não posso suportar a iniquidade e o ajuntamento solene! As vossas luas novas, e as vossas festas fixas, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei; porque as vossas mãos estão cheias de sangue."
Orar não é uma questão de forma, ou de conteúdo, mas de Deus operar nos seus eleitos conforme Fl. 2:13 - "... porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." Muitos usam a oração apenas como uma terapia para sublimar os seus problemas. As pessoas não regeneradas não conseguem reconhecer a soberania plena de Deus, como também não conseguem receber a graça plena d'Ele. Sem estas verdades, não passarão de religiosos, ainda que fervorosos. Os ensinos são frágeis e colocam invariavelmente o foco no homem, afastando a cruz cada vez mais das igrejas. Preferem as pregações que satisfaçam aos anseios humanos, àquelas cuja centralidade está em Cristo. Quando mencionam-No, geralmente, apontam apenas aspectos pitorescos, emocionais, ou históricos sobre a figura de Jesus. Não conduzem o pecador ao conhecimento d'Ele, mas a algum conhecimento acerca d'Ele. Por isso, as orações são erroneamente encaminhadas.
Primeiramente muitas pessoas buscam a Deus sem que Ele tenha requerido isto conforme o texto de Isaías já mencionado. Esta realidade não mudou, em nada, nestes últimos 2000 anos de Cristianismo. Também elas comparecem diante d'Ele da forma errada, porque querem negociar com Ele, como se fossem mercadores de ações na bolsa de valores, onde cada um grita mais alto para vender suas cotas de boas ações pelo maior preço possível. Depois levam ofertas sujas, porque saem de mãos sujas, sem o menor temor à santidade d'Ele. Apresentam apenas religião exterior e não o ser uma nova criatura em Cristo. Muitos religiosos agem como o homem que caiu na latrina, e após sair de lá tenta compartilhar um pão com outros homens. Mãos imundas, oferecendo coisas puras, as tornam igualmente imundas. Enquanto o pecado não é destruído na cruz, de nada adiantam as exteriorizações da religião humana, ainda que comoventes. Ora, é necessário crer no que as Escrituras ensinam, e não em fórmulas pré-concebidas para envolver Deus em dramatizações humanas causadas pelo ranço do pecado. Enquanto a natureza pecaminosa não for destruída na cruz, não há reconciliação, e não há aceitação do homem na presença de Deus. E, mesmo depois disto, o pecador se torna apenas apresentável a Ele por meio de Cristo. O Diabo sempre tenta minimizar o pecado para iludir o homem de que é possível salvar-se a si mesmo, mantendo a natureza pecaminosa.
A oração do homem que não nasceu de novo, que não tem a advocacia de Cristo, e a interpretação do Espírito Santo sequer passa do teto. Nunca chega aos ouvidos de Deus. Não é por uma questão de exigência de perfeição, mas da exigência da justiça plena d'Ele contra o pecado do homem. Ele mesmo diz que não ouve a pecadores conforme Jo. 9:31 - "... sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém for temente a Deus, e fizer a sua vontade, a esse ele ouve." Na verdade quem está dizendo isto é um ex-cego que fora curado por Jesus, o qual os religiosos estavam desejando desqualificar como um mero pecador. O obejetivo dos líderes religiosos era atingir Cristo como um embuste. Porém, receberam uma lição de teologia de uma pessoa simples.
Sola Scriptura!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS V


Lc. 18: 1 a 8 - "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer. dizendo: havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens. Havia também naquela mesma cidade uma viúva que ia ter com ele, dizendo: faze-me justiça contra o meu adversário. E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, todavia, como esta viúva me incomoda, hei de fazer-lhe justiça, para que ela não continue a vir molestar-me. Prosseguiu o Senhor: ouvi o que diz esse juiz injusto. E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?"
No mundo moderno há publicações para dar respostas a todas as perguntas, até mesmo àquelas que jamais serão feitas. Semelhantemente, no meio religioso há inumeráveis fórmulas para orar. Uns dizem que se deve orar no monte, outros em casa, uns em voz alta, outros em silêncio, uns de joelhos, outros em pé, uns de olhos fechados, outros de olhos abertos, uns isolados, outros em grupo. Na maior parte destas propostas a preocupação é encontrar uma maneira de sensibilizar Deus a fim de receber o favor, a bênção, a ajuda, o socorro. O homem é um ser cheio de artimanhas!
Alguns buscam na oração uma catarse para extravasar seus dramas pessoais, familiares, empresariais. Outros oram para forçar Deus a que se curve às suas vontades e desejos de sucesso, fama e riqueza. Ainda há os que decidem apenas agradecer, porque já possuem além do que merecem, ou seja, nada. Também há os que oram para resolver os problemas dos outros sejam eles de doenças, enfermidades, desajustes sociais, desvios de conduta. Alguns psicólogos encorajam os seus pacientes a orar para que liberem suas carências e estresses. Então, neste sentido, a oração se transformou apenas em uma espécie de ferramenta para servir ao homem e os seus interesses.
Ouve-se aqui ou ali alguém citando um livro sobre o assunto da oração, outro citando algum testemunho de alguém que alcançou algo pelo qual orou, e outro elaborando uma fórmula mágica para orar e obter resultados. O que importa é que se produzam resultados. Alguém preceitua: "orar é invadir os céus"! Na verdade é o oposto: orar é ser invadido pelo céus, visto que toda ação é monérgica até mesmo a inclinação para a oração é procedente do coração de Deus.
Alguém que se acha muito espiritualizado diz: "a oração bem feita toca o coração de Deus, incitando-O a ouvir-nos. Quando rezamos, que todo o nosso ser se volte para Deus. […] O Senhor deixar-Se-á vencer e virá em nosso auxílio. […] Reza e espera. Não te agites; a agitação é inútil. Deus é misericórdia e há de escutar a tua oração. A oração é a nossa melhor arma: é a chave que abre o coração de Deus. Deves dirigir-te a Jesus, menos com os lábios do que com o coração." Vê-se que o foco inicia-se e termina tão-somente no coração e no interesse do homem. Neste caso, Deus é apenas o meio para se alcançar o fim no modelo proposto aí. É como se quem fizesse a oração fosse o homem e que Deus fosse um ser facilmente convencível e vencível pelo homem decaído e absolutamente depravado. Deus sequer mantém comunhão com o pecador conforme Is. 59:1 e 2 - "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça." É Cristo quem intercede como advogado do pecador, e o Espírito Santo quem traduz a oração diante do Pai.
O texto que abre o artigo mostra por analogia a comparação entre dois padrões de justiça: o injusto juiz que ouve o clamor por justiça para se livrar da mulher inoportuna, e o Justo Juiz que ouve por meio da fé dos eleitos e regenerados. O juiz humano atende segundo a justiça de si e a si mesmo, enquanto o perfeito Juiz atende porque a justiça dos eleitos já foi plenamente satisfeita em Cristo na cruz. Fica claro que a categoria de justiça humana retira a fé da Terra, enquanto a justiça divina é para os que receberam a fé de Deus.
Solo Christus!

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS IV


Mc. 11: 20 a 25 - "Quando passavam na manhã seguinte, viram que a figueira tinha secado desde as raízes. Então Pedro, lembrando-se, disse-lhe: olha, Mestre, secou-se a figueira que amaldiçoaste. Respondeu-lhes Jesus: tende fé em Deus. Em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, assim lhe será feito. Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebereis, e tê-lo-eis. Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos perdoe as vossas ofensas."
O texto reporta ao episódio em que Jesus procurava figos em uma frondosa figueira nos arredores de Jerusalém. Por não ter encontrado frutos maduros, ordenou que aquela figueira se secasse, e ela secou-se. Como é próprio da criatura decaída questionar, sempre alguns questionam tal atitude como sendo cruel, para não dizer irascível. Dizem eles, que sentido teria Jesus amaldiçoar uma simples árvore, porque não havia frutos nela? Nem mesmo era a estação apropriada para a figueira ter figos maduros. Acrescenta-se, ainda, que o mesmo poder que o Cristo tinha para secá-la, também possuía para fazê-la produzir frutos. O ensino que está implícito nesta questão é outro.
Há duas questões a serem abordadas nesta passagem: uma se refere ao poder da oração; a outra se refere ao poder da maldição. A questão é que a figueira amaldiçoada apresentava apenas aparência e beleza exterior e não frutos sazonados. É do conhecimento comum que a figueira típica da região da Palestina apresentava invariavelmente os primeiros botões de flores, cerca de dois meses antes de apresentar a folhagem. Primeiro os frutos, depois as folhas. Desta forma a figueira 'mentiu', pois apresentava aparência de que já possuía os seus frutos. Por isso, Cristo a amaldiçoou. Ela tentara enganá-Lo com a mera aparência. A figueira comum é denominada Ficus carica, podendo ser fêmea ou macho. Os figos da Ficus carica podem ser inflorescências, ou infrutescências, sendo este comestível, e aquele, permanece apenas flores que murcham e secam. Se as inflorescências forem fertilizadas, se tornam frutos chamados aquênios com sementes que se reproduzem. Isto revela muita coisa do ensino de Cristo na questão da figueira e da sua maldição.
Em Jo. 15: 1 e 2 afirma o seguinte: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o viticultor. Toda vara em mim que não dá fruto, ele a corta; e toda vara que dá fruto, ele a limpa, para que dê mais fruto." É necessário estar enxertado na 'árvore da vida' que é a videira verdadeira. Deus não recebe figueira como se videira fosse. Ainda que frondosa e rica em folhagens, jamais terá natureza de videira. A beleza e a aparência estava na figueira, mas ela negava o cuidado do Viticultor Eterno. Por isso, o Cristo cortou a vida própria daquela figueira, ela não estava na dependência plena da vida do Viticultor. Lembre-se que foi com folhas de figueiras que Adão e Eva cobriram a nudez física deles. Mas não puderam cobrir a nudez espiritual.
Assim, o Senhor Jesus não cometeu um ato atentatório contra o meio ambiente por mero capricho. Ele, o Logos criador de todas as coisas, bem sabia o que estava fazendo neste episódio. Também, Cristo optou por secar a figueira para transmitir um ensino contrário ao engajamento, ou ao que é politicamente correto, do ponto de vista humanista. Ele demonstra que, ou a vida provém de Deus para servir, ou não serve nem mesmo para continuar vivendo. Cristo mostrou aos discípulos que é pelo poder da Palavra de Deus que as coisas acontecem, e não pela aparência da religião exterior. A figueira foi, desde o Éden, o símbolo da religião na qual o homem decaído se oculta para encobrir a sua real natureza pecaminosa conforme Gn. 3:7 - "Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais." Assim, o homem criou o primeiro culto religioso do disfarce da sua natureza pecaminosa. Encobrir a nudez física e espiritual com folhas, matéria orgânica, que se deteriora rapidamente é uma indicação da falibilidade dos projetos humanos sem passar pela inclusão na morte de Cristo, na cruz, para destruição do corpo do pecado. A figueira frondosa e bela por fora era Israel, Jerusalém, ou qualquer sistema religioso que não tem a vida não criada, isto é, a vida de Cristo.
Jesus mostra aos discípulos que a oração tem o poder de fazer montes se transportarem de um lado para o outro, porém exige-se a fé do Justo e a consciência de que o pecado do homem foi aniquilado na cruz. Só perdoa as faltas contra alguém, aquele que foi primeiramente perdoado da culpa do pecado.
Sola Fidei!

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS III


Mt. 6: 5 a 8 - "E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes."
Há sempre duas maneiras de orar: a maneira que procede da vontade de Deus, e a maneira que procede da vontade humana. O texto de abertura deste estudo demonstra que o propósito da oração não é o de alterar os desígnios de Deus, mas o de obter para si mesmo e/ou para outras pessoas a graça que Ele já decidiu conceder espiritualmente, mas que deve ser solicitada e apropriada objetivamente conforme Ef. 1:3 - "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo".
Arthur Wilson Tozzer afirmou: "Quando começamos a falar excessivamente em oração, podemos estar quase certos que estamos falando conosco mesmo". Não é pela nossa maneira de orar que Deus se dispõe a realizar a Sua vontade, pois ela é Soberana e Eterna. Em I Rs. 18 nos versos 36 e 37 é demonstrado que a oração segundo a vontade de Deus é sintética, firme e confiante - "Sucedeu pois que, sendo já hora de se oferecer o sacrifício da tarde, o profeta Elias se chegou, e disse: ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque, e de Israel, seja manifestado hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme a tua palavra tenho feito todas estas coisas. Responde-me, ó Senhor, responde-me para que este povo conheça que tu, ó Senhor, és Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração." Contrariamente, os sacerdotes do 'deus' Baal armaram um circo, no qual, um teatro fantástico foi montado para convencer o 'deus' deles. Estes religiosos contavam apenas com as suas ações, enquanto Elias contava apenas com a ação de Deus. Esta é a diferença fundamental entre o que ora com o foco em Deus, e o que ora com o foco em si mesmo. Algumas pessoas oram para convencer Deus a lhes ser favorável, enquanto o ensino bíblico indica que é Deus quem convence os seus filhos do que Ele já lhes proporcionou eternamente. Religiosos pedem coisas, Deus tem a si mesmo para doar, a saber, o seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos.
Não são os supostos méritos e justiças próprias que determinam as respostas de Deus, mas a bondade, a misericórdia e a graça d'Ele. Isto está registrado nas palavras de Cristo em Mt. 7: 7, 8 e 11 - "Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?" São três os verbos ativos: pedir, buscar e bater. Entretanto, o que ora pode pedir segundo Deus, ou segundo seu próprio desejo egoísta; pode buscar com base na graça, ou com base nos "seus" méritos; pode ainda bater à porta que é Cristo, ou bater à porta das "suas" justiças próprias. Por isso, muita gente não recebe conforme as Escrituras, mas conforme a si mesmas, ou conforme o Diabo, pois ele também está interessado em responder aos anseios dos homens para lhes aumentar o orgulho religioso, a soberba material, e a confiança em si mesmo e não na justiça de Deus em Cristo.
Sola Gratia!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS II


II Tm. 2:5 a 8- "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual se deu a si mesmo em resgate por todos, para servir de testemunho a seu tempo; para o que, digo a verdade, não minto, eu fui constituído pregador e apóstolo, mestre dos gentios na fé e na verdade. Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda."
O propósito da oração não é alterar a vontade de Deus já estabelecida no universo antes mesmo que o mesmo viesse a existir conforme Mt. 13:35 - "...
para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo." Ninguém, nascido de Deus ou não, pode exigir que Ele altere os seus decretos eternos os quais regem o universo em função de uma postulação pessoal, capricho, necessidade, ou desejo egoísta. Ele não responde este tipo de oração, pois não é o Criador que se curva à criatura, mas esta se curva Àquele, e sempre, por intermediação de outro, a saber, Cristo único mediador. Primeiro, porque Deus sequer ouve o homem diretamente, ainda que reto, íntegro, temente e que se esquiva do mal. Ele ouve apenas a intercessão do Espírito Santo que traduz a oração humana conforme Rm. 8:26 - "Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis." Além disto, Ele só ouve àqueles pelos quais o Filho, Cristo, intercede ou representa conforme Rm. 8:34 - "Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós." É Cristo o fiel e amoroso advogado dos pecadores perante o Pai.
Na verdade nenhum homem pode se apresentar perante Deus, porque todos são pecadores e estão destituídos da glória d'Ele. É Cristo quem torna os eleitos e regenerados apresentáveis diante do Pai conforme Cl. 1:22 - "... agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis..."
Considerando apenas o ensino das Escrituras, muita gente que ora, ora para si mesmas ou para outras forças ocultas, pois não foram nascidas do alto na conformidade das exigências da justiça de Deus. Assim, suas orações são meros exercícios almáticos e, portanto, podem até produzir certos efeitos sensoriais, mas não respostas de Deus. É como o fariseu que subiu ao templo para orar: "orava de si para consigo mesmo". O texto diz que o outro, o publicano desceu para a sua casa justificado, porque se humilhou perante Deus, enquanto o fariseu voltou da mesma forma que subiu: soberbo, orgulhoso, religioso e condenado.
Muitos religiosos, embora bem intencionados, diga-se, creem que as manifestações sobrenaturais, as soluções de problemas, e as respostas às suas ansiedades provêm de Deus. Estão absolutamente enganados, e por isso, também se tornam enganadores. Em muitos casos estão recebendo apoio e poder do próprio Satanás, pois é ele quem cogita das coisas dos homens conforme Mt. 16:23 - "Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens."
Sola Scriptura!

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS I


Mt. 21: 12, 13 e 22 - "Então Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e disse-lhes: está escrito: a minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores. (...) e tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis."
Oração é um substantivo feminino que deriva do verbo orar. Tal verbo possui regência múltipla, podendo significar: suplicar, pedir, implorar, rogar a Deus, ou a forças sobrenaturais. Enquanto verbo transitivo direto e intransitivo, pode ser entendido como: falar em público, proferir discurso ou expressar-se em tom oratório, discursar. Oração é, portanto, no contexto a que se propõe este estudo, o ato de pedir, suplicar, pregar, adorar, louvar, fazer sermão, imprecar, falar, agradecer.
Na tradição cristã nominal e histórica, a oração é uma prática bastante encorajada, porque pressupõe uma relação consciente entre o religioso e Deus, ou outras divindades e seres espirituais. Neste exercício supõe-se que a pessoa louve, agradeça, interceda por outras pessoas, peça bênçãos para si e para os outros. Dependendo a quem se dirige a oração, esta poderá até mesmo amaldiçoar, como foi o caso do contrato de Balaão e Balaque no caso de Peor. Embora, neste caso, Deus impediu o intento do orador.
A oração é um ato, o qual pode assumir diversas formas e diferentes conteúdos. Pode ser em silêncio, em voz audível; pode ser individual ou coletiva; pode ainda ser em forma de cântico ou de leitura de textos sacros. Há os que oram apenas para agradecer, enquanto outros oram apenas para pedir. Há quem ore para desejar boas coisas aos amigos e até mesmo aos inimigos, enquanto outros oram para pedir o mal sobre os desafetos. Há quem ore em nome de Jesus, o Cristo, porém há quem ore em nome dos santos, dos anjos, das forças da natureza, dos demônios.
Todavia é mister indagar algumas coisas sobre a oração: há algum modelo de oração? Há exemplos de oração? Há forma correta de oração? Há conteúdo correto para a oração? Há autorização escriturística para a oração? Há encorajamento a que as pessoas orem?
Primeiramente, o ato de orar induz a que o orador creia naquele a quem dirige a sua oração. Creia pelo menos que ele exista e que poderá ouvi-lo. Ninguém falaria a alguém que não crê que exista, especialmente quando este é invisível aos olhos carnais. A oração requer que o orador creia na pessoalidade, e na possibilidade do contato, como também da resposta.
Segundo Ambrose Bierce no seu Devil's Dictionary - Dicionário do Diabo - "orar é pedir que as leis do universo sejam anuladas em favor de um único postulante que se confessa indigno."
Orationis do latim é discurso, linguagem, palavra, prece. Vê-se que há muito de humanidade e pouco de espiritualidade nestas práticas oracionais.
Sola Fide!

domingo, 31 de outubro de 2010

MORTOS QUE SEPULTAM MORTOS


Lc. 9:59 a 61 - "E a outro disse: segue-me. Ao que este respondeu: permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe Jesus: deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus. Jesus, porém, lhe respondeu: ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus."
O substantivo feminino morte provém do verbo morrer, e este, por sua vez, traz a significação daquilo ou daquele que perdeu o princípio vital. A palavra morte nas Escrituras pode se referir à morte física, ou à morte espiritual. Todavia, tanto em um, como no outro caso, resulta em separação, ruptura, supressão. No caso da morte física ocorre quando a alma e o espírito do homem são separados do corpo biológico; no caso da morte espiritual ocorre quando o homem, vivo ou morto, está separado da natureza de Deus por causa da sua natureza pecaminosa.
Is. 59: 1 e 2 - "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça." O profeta Isaías está mostrando que o problema de incomunicabilidade entre o homem e Deus não está em Deus, mas no pecado que reside na natureza humana. São naturezas opostas, e, portanto, não se comunicam. O homem está separado, ou seja, morto para Deus. O pecado é uma questão de natureza, antes de ser uma questão de atos. O homem é pecador porque nasce com a natureza pecaminosa, e não apenas porque comete atos pecaminosos. Os atos pecaminosos são consequência da natureza pecaminosa, e nunca, o contrário como supõem os religiosos.
Ef. 2:1 a 7 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus, para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus." Se Cristo vivificou os que estavam mortos em delitos e pecados, logo, segue-se que estes de fato estavam mortos para Deus, visto que não estavam mortos fisicamente. Assim, são duas naturezas de morte: uma para Deus, e a outra, não apenas para Deus, mas também para si mesmo. Nos mortos para Deus opera o espírito do príncipe das potestades do ar, a saber, Satanás. Este mesmo espírito maligno é quem opera e operacionaliza nos filhos da desobediência, ou seja, naqueles que andam em sentido oposto à natureza de Deus. Eles satisfazem a carne e os pensamentos próprios, e por isso, são filhos da ira, porque sobre eles permanece a ira contra a natureza pecaminosa.
A salvação é operada e operacionalizada nos filhos da desobediência e da ira, por misericórdia e graça soberana de Deus. Não há absolutamente nada que o pecador possa fazer para merecer a salvação. Iludem-se, iludem e são iludidos os que imaginam que o homem decaído pode cooperar com Deus no processo da salvação. Quem vivifica os mortos em delitos e pecados é Cristo, porque os eleitos foram incluídos na sua morte de cruz, para com Ele ressuscitar. Tudo isto se apropria pela fé, visto que Ele morreu e ressuscitou apenas uma vez com eficácia para sempre.
No texto de abertura se vê um homem a quem Cristo chamou para segui-lo, mas que, no entanto, pediu para primeiro sepultar o seu pai. A resposta foi clara: "deixe os indiferentes à natureza de Deus, o enterrar os seus próprios defuntos." Logo, há vivos mortos para Deus, que sepultam os seus mortos fisicamente. Então, há vivos mortos, e mortos defuntos!
Os que são chamados são vivificados por Deus e anunciam o evangelho do reino. Os mortos para Deus cogitam apenas das coisas dos homens. Estão sempre voltados para as coisas dos seus próprios mortos.
Ninguém pode conduzir o arado, isto é, as coisas do reino deste mundo, e ao mesmo tempo tratar das coisas concernentes ao reino do Eterno.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

DO MERO ASSENTIMENTO À REAL CONVERSÃO III


At. 15: 3 a 11 - "Eles, pois, sendo acompanhados pela igreja por um trecho do caminho, passavam pela Fenícia e por Samária, contando a conversão dos gentios; e davam grande alegria a todos os irmãos. E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos, e relataram tudo quanto Deus fizera por meio deles. Mas alguns da seita dos fariseus, que tinham crido, levantaram-se dizendo que era necessário circuncidá-los e mandar-lhes observar a lei de Moisés. E, havendo grande discussão, levantou-se Pedro e disse-lhes: Irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem. E Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo, assim como a nós; e não fez distinção alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, do mesmo modo que eles também."
O capítulo 15 do livro dos atos dos apóstolos relata uma grande discussão em torno da conversão dos não judeus. Na medida em que alguns gentios foram sendo convertidos à fé cristã, os judeus que também haviam "aceito" esta mesma fé, se puseram logo a impor-lhes regras e preceitos da lei de Moisés. Paulo e Barnabé levantaram diversos argumentos contra esta imposição, porém sem muito sucesso. Por isto, foram enviados mensageiros a tomar assento no conselho da Igreja em Jerusalém, onde Pedro e Tiago foram usados para esclarecer a natureza da real conversão e da desnecessidade de imposição de regras da lei. Apontaram que a salvação é pela graça, e, que, aos não judeus foram outorgadas as mesmas bênçãos espirituais, também dadas aos judeus conversos. É sempre assim, os homens confundem conversão pela soberana vontade divina, com conversão religiosa. Ora, se os próprios judeus não conseguiram por em prática a lei de Moisés, porque esta deveria ser imposta aos não judeus? Qual o proveito da lei, se Cristo veio para cumpri-la e habilitar o homem pecador à redenção? Logo, qual a necessidade de ser convertido de uma prática religiosa à real fé, se necessitar das práticas religiosas anteriores à nova experiência libertadora? É como se eles saíssem do judaísmo, mas o judaísmo não saísse deles. Esta não é a marca da real conversão operada e operacionalizada por Deus. É um mero assentimento intelectivo que nada tem a ver com a verdade evangélica.

Rubem Alves explica o fenômeno da conversão em seu livro "O Enigma da Religião". Dentre outras considerações, o autor mostra que a conversão é o oposto da conservação. Há na conversão uma mudança, e após esta ocorre uma alternação de padrões. A alternação entre o anterior e o atual exige, como ponto mais alto, a modificação total do ser convertido. O converso requer uma plausibilidade de ressocialização  porque há uma nova identidade de significações. Desta forma o converso muda de 'status quo' perante si, e perante os outros. Para Rubem Alves ocorre um colapso entre a harmonia do eu e o mundo, sendo a pré-condição a anomia do eu. Tal anomia se traduz, segundo Durkeim, como sendo o desconhecimento, ou mesmo, o não cumprimento de regras socais. Este tipo de conversão ocorre preferivelmente quando há choques culturais, ou a falta de significados para o ser em crise. Neste sentido a desestruturação da personalidade encontra em uma nova possibilidade de reorganização, produzindo um novo universo de significados. O homem se torna, ou se faz um novo ser saído de uma realidade que o negava. Nesta nova realidade o homem encontra-se seguro e sintonizado com o seu novo real. Esta é a conversão assentida pela percepção humana, como um processo de ruptura de um 'modus vivendi' para outro. Nada tem a ver com a real conversão operada pela soberana e graciosa vontade de Deus.
O texto que abre este artigo mostra, pelas palavras de Pedro, que o processo real consiste no fato de que Deus conhece os corações, dá o Espírito Santo, não faz distinção entre etnias diferentes, e purifica os corações pela fé. Toda ação é monérgica, não se viu em nenhuma instância, a cooperação do homem com a vontade de Deus. Ele escolheu dar aos que quer, o mesmo processo de conversão, independentemente da origem étnica. É neste sentido que a salvação é dada a todos os homens, e não no sentido universalista, o qual defendem os arminianos.
A real conversão se opera pela eleição antes da fundação do mundo, quando os nomes dos eleitos foram escritos no livro da vida do Cordeiro conforme Ap. 13:8 - "E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." Os eleitos não adorarão ao sistema universalista, gnóstico e religioso imposto pelo próprio homem sob a inspiração de Satanás. Por isto os eleitos são assim situados: "... que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras." Este povo, com tais características não é o que aparece na mídia; não é o que monta igrejas entre quatro paredes; que explora a miséria humana por meio da religião; que ilude os necessitados com falsas conversões e promessas de solução dos seus dilemas.

domingo, 17 de outubro de 2010

DO MERO ASSENTIMENTO À REAL CONVERSÃO II


Jr. 31:18 - "... castigaste-me e fui castigado, como novilho ainda não domado; restaura-me, para que eu seja restaurado, pois tu és o Senhor meu Deus." A ação de Deus é sempre e invariavelmente monérgica. Ele não necessita do concurso do homem para realizar a Sua vontade soberana. Estas doutrinas que pretendem dar ao homem cooperação, é antes de tudo, gnósticas e puramente humanistas. Portanto, se Deus castiga, o pecador é castigado; se Deus doma, o pecador será domado; se Deus restaura, o pecador é restaurado. Isto porque, é Ele Absoluto, e não uma projeção da vontade corrompida do homem. Ainda que todos os homens deixem de existir, e que todos os anjos e seres celestes desapareçam, e o próprio espaço sideral se enrole como uma folha seca, Deus continua bastando-se a Si mesmo. Os homens, por conta, do orgulho e da soberba buscam ser sempre mais do que realmente são. Alguns supõem ser professores do próprio Deus, querendo, assim, ensinar-Lhe como deve governar o universo.
Sl. 80:3 - "Reabilita-nos, ó Deus; faze resplandecer o teu rosto, para que sejamos salvos." Quem reabilita o homem em quaisquer circunstâncias é Deus. É o resplendor da luz do rosto de Deus que permite ao homem a graça da salvação. Mesmo que, com base, em justiça própria e méritos, o homem reivindique a salvação, ela não virá sem que Deus a tenha decidido antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
O que acontece comumente é que os intérpretes das Escrituras fazem a exegese de conformidade com o que creem e não com os fundamentos da própria Bíblia. Um dos princípios da interpretação é a harmonização dos textos em seus contextos. Portanto, além de encontrar os textos atinentes a uma ou outra doutrina, deve-se observar em quais instâncias eles estão relacionados. Assim, o texto fundamental diz em Jn. 2:9 - "Ao Senhor pertence a salvação." Logo, todos os demais textos que se referem à salvação devem ser examinados e interpretados à luz do texto fundamental. Por isto, quando Jesus disse: "em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino de Deus." Jesus não está atribuindo capacidade de promover a salvação ao pecador, e muito menos, colocando-a como opcional, porque Ele sabe que a salvação vem do Senhor, o Pai. Entretanto, Cristo está doutrinando sobre a necessidade de a salvação operar e operacionalizar no pecador uma atitude consequente e não causal. Tornar-se como uma criança é a consequência de ter recebido a graça da conversão, e não a causa dela. Entrar no reino eterno do Pai é consequência, tanto da salvação recebida por graça, como também da mudança radical da natureza humana. O religioso que não passou pelo processo do nascimento do alto, vê no ensino de Cristo uma transferência de responsabilidade da salvação, como proposta oriunda no pecador. A isto dão o nome de cooperação com o Espírito Santo, como se Ele necessitasse da cooperação de alguém absolutamente decaído e morto para Deus. Este ensino espúrio às Escrituras é chamado de sinergismo.
Há uma regra que diz: o essencial arrasta consigo o assessório. Aplica-se este mesmo princípio no tocante ao ensino das Escrituras, ou seja, os textos fundamentais, arrastam os textos derivados ou assessórios, e jamais, o contrário.
Neste sentido prevalece a máxima, o ensino fundamental, ontológico e teleológico: "converte-me a ti Senhor, e serei convertido." Neste sentido o sujeito e o objeto não se confundem, o agente e o paciente são distintos. Deus, o sujeito e o agente, o pecador o objeto e o paciente. O que passa disso, é anátema!

DO MERO ASSENTIMENTO À REAL CONVERSÃO I


Lm. 5:21 - "Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes..." Conversão é o ato de mudar de rumo, de direção, ou de sentido. Provém do latim 'convertionis' que significa movimento circular, ou giro. É como se alguém seguisse o sentido horário em um círculo e, por força superior, girasse sobre os seus artelhos e passasse a seguir o sentido oposto ao anterior, isto é, o sentido anti-horário. Já o verbo convencer significa persuadir alguém, ou a si mesmo de uma ideia, ou fato por meio da razão, ou de argumentos bem fundamentados. Enquanto a conversão é um ato recebido pela graça, o convencimento é uma decisão aceita com base no assentimento racional. Por um lado a conversão é resultante da misericórdia de Deus, porém, o convencimento resulta de escolhas naturais, julgamentos racionais, ou assentimentos centrados no homem decaído.
Destarte fica evidente que o homem não pode por si mesmo "se converter", pela mesma razão que não pode "se operar". É muito comum na linguagem coloquial pessoas afirmarem: "eu me operei" de tal problema de saúde. Entretanto, o paciente não se opera, ele é operado por um médico cirurgião. De igual modo, o pecador não se converte, mas é, antes, convertido por Deus.
O texto que abre este artigo mostra com clareza que a ação da conversão é de Deus. Indica que, se a ação é de Deus, então ela de fato será concretizada. Demonstra que o resultado da genuína conversão determina a renovação dos dias, confirmando II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." A condição 'sine qua non' para alguém ser renovado é estar em Cristo. Este é o ensino sobre a inclusão do pecador na morte de Cristo, para d'Ele receber a vida nova, rompendo definitiva e cabalmente com a velha natureza adâmica, na qual havia a culpa do pecado. A consequência final é que tudo se faz novo, reconciliando a criatura ao Seu Criador espiritualmente. Assim, se o essencial para ser convertido é estar incluído em Cristo, depreende-se disto, que ninguém pode promover a sua própria salvação. A conversão, pois, é ato da estrita e soberana vontade de Deus.
O homem natural é capaz apenas de converter-se de uma crença à outra, de uma ideia à outra, de uma posição ideologica à outra, de uma situação de status quo à outra, de uma religião à outra. A real conversão é precedida do arrependimento, isto é, da 'metanóia', ou mudança de mentalidade conforme At. 3:19 - "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos de refrigério na presença de Deus." Os arminianos de carteirinha amam estes textos que utilizam os verbos no imperativo. Afirmam eles que tais construções gramaticais confirmam que a decisão acerca da conversão é do homem. Entretanto, os imperativos nas Escrituras são para mostrar que é a vontade de Deus que impera quando Ele decide qualquer coisa no universo. O que o texto diz é que os pecadores terão arrependimento e serão convertidos a fim de que a graça de Deus possa apagar os seus pecados. É por meio da ação monérgica de Deus que os pecados originais dos homens são apagados perante Ele. Não indica uma ação sinérgica, pois do contrário a morte de Cristo seria totalmente dispensável. Como poderia um ser decaído, e absolutamente corrompido, morto para Deus promover a sua própria conversão? Como poderia um ser totalmente depravado e morto para Deus buscar a conversão e o arrependimento por si mesmo? É pela ação soberana e graciosa de Deus que o pecador é conduzido a Cristo, para, n'Ele, ser convertido conforme Jo. 6: 44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Quando as Escrituras afirmam que "ninguém" pode ir a Cristo por moto próprio, é ninguém mesmo, e não uma espécie de faz de conta, como supõem os incrédulos religiosos. Então o texto mostra que é Deus quem leva o pecador até a cruz, para nela, destruir a natureza pecaminosa em Cristo. Isto porque, a natureza morta em delitos e pecados no homem se inclina sempre e invariavelmente para o lado oposto ao de Deus.

domingo, 3 de outubro de 2010

"LIVRE ARBÍTRIO" UMA VELHA HERESIA


Jo. 8: 32 a 36 - "Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: sereis livres? Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
A liberdade é, talvez, a maior aspiração do homem em todos os tempos e lugares. Não depender de nada, nem de ninguém é uma posição desejada, buscada, e, supostamente executada, em diversos aspectos da vida. Entretanto, a única liberdade completa e verdadeira é a que Cristo oferece, posto que eterna. Arbitrar é, grosso modo, julgar com base apenas na vontade, portanto, o homem busca ser livre e exercer juízo voluntário em quase tudo o que se apresenta à sua percepção. Esta inclinação natural foi amplamente reforçada por Satanás no Éden, quando este afirmou à mulher: "...no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Fazer distinção entre o que é o bem, e o que é o mal confere ao homem um certo poder de julgar entre partes constitutivas de um todo com atributo de valoração. Neste sentido, a criatura passou a ter habilidade semelhante a habilidade divina para discernir entre o bem e o mal. Os olhos do homem estavam abertos fisicamente, porém não, espiritualmente. Assim, liberdade e arbítrio são categorias que se inserem na dimensão objetiva e na dimensão subjetiva.
O "livre arbítrio", ou "livre alvedrio" é a crença ou doutrina filosófica que propõe ao homem o poder de fazer escolhas por meio da livre vontade. No caso da concepção objetivista indica que a ação de um agente, não é, necessariamente determinada por fatores externos e por antecedentes. No caso da concepção subjetivista indica que a percepção do agente teve início em sua vontade expressando, assim, uma experiência de liberdade.
O conceito de "livre arbítrio" traz no seu bojo implicações filosóficas, religiosas, psicológicas e científicas. Na esfera religiosa, o "livre arbítrio" pode implicar que uma divindade onipotente não impõe o seu poder sobre a vontade e as escolhas do homem. Em psicologia o "livre arbítrio" implica em que a mente humana controla as ações do homem, enquanto em ética, o "livre arbítrio" propõe que o homem é moralmente responsável por suas ações.
Há o Determinismo Mecanicista e o Determinismo Teleológico, estes são doutrinas que afirmam que todos os acontecimentos, incluindo-se as vontades e as escolhas humanas, são causados por acontecimentos anteriores ou posteriores, portanto, situa o homem como um ser destituído de liberdade de decidir e de influir nos fenômenos em que toma parte. O Determinismo Mecanicista e o Determinismo Teleológico rejeitam, portanto, a concepção de que os homens tenham algum "livre arbítrio". Em oposição aos dois tipos de determinismo encontra-se o Libertarianismo, posição esta que defende que os homens têm "livre arbítrio" pleno e, por isso, rejeita o determinismo. O Indeterminismo é também uma forma de Libertarianismo, a qual defende a visão que as pessoas têm "livre arbítrio", e que as ações apoiadas nele são efeitos sem causas. Há ainda o Compatibilismo que é a visão que o "livre arbítrio" surge mesmo em um universo sem incerteza metafísica. Compatibilistas podem definir o "livre arbítrio" como emergindo de uma causa interior, por exemplo os pensamentos, as crenças e os desejos. Seria sucintamente o "livre arbítrio" aquilo que respeita as ações, ou pressões, internas e externas. A filosofia que aceita, tanto o determinismo, quanto a liberdade de escolhas é chamada de “Soft Determinism”, expressão cunhada por Williams James para designar o que hoje chama-se de "Livre Arbítrio Compatibilista". O Incompatibilismo é a visão que não há maneira de reconciliar a crença em um universo determinístico com um "livre arbítrio" verdadeiro. Entre os compatibilistas encontram-se Thomas Hobbes e David Hume.
Observa-se, assim, que, não há ponto de conciliação entre as diferentes concepções, e, mesmo no mérito interno de cada uma delas, não há argumentação definitiva ou plausível sobre esta questão. Realmente é infundada a ideia de que o universo e seus fenômenos seja determinístico e o homem, seja absolutamente livre nele. É como se o homem estivesse acima do universo, ou fora da realidade. Neste caso recai-se no conceito de 'oxímoro', ou seja, um ato causado não pode ser livre, e um ato não-causado não pode ser desejado. Trata-se de uma figura de retórica, na qual dois conceitos opostos são reunidos numa só expressão que depende da interpretação de quem lê. Por exemplo: silêncio eloquente, lúcida loucura, ilustre desconhecido, etc.
Ora, para se considerar algo, ou alguém como absolutamente livre, necessário é que não haja nenhum fato ou evento determinantes anterior e externo ao agente. Assim, para haver o "livre arbítrio", o homem obrigatoriamente deve bastar-se a si mesmo em todos os sentidos, e aspectos. Neste caso, o homem seria o próprio Deus com todos os seus atributos. Jesus afirma aos líderes religiosos e políticos do seu tempo o seguinte: "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." Logo, um escravo não é livre, e, como todos os homens pecaram por herança adâmica, logo nenhum homem é livre, ou possui "livre arbítrio". O que acontece comumente é que os que defendem tal posição confundem escolhas mecânicas e condicionadas pelas necessidades biológicas e psicológicas, com liberdade de ação e de escolha espiritual. O próprio fato de o homem estar relativizado no tempo e no espaço já o limita absolutamente e lhe retira a possibilidade do "livre arbítrio". Na realidade a condição do homem é de "Servo Arbítrio"!
Maranata!