sábado, 18 de julho de 2009

TEOLOLGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XVII


Rm. 12:2 - "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." Quando se debruça sobre a tarefa de escrever sobre determinados assuntos deve-se ter o cuidado de não repetir o discurso corrente e os mesmos chavões consagrados. Assim fica registrado que, no fundo, não é correto falar em teologia, e, muito menos, em reforma teológica. De teologia não se deve falar postuladamente, porque se constitui em absurdo o homem propor um tratado acerca de Deus; de reforma teológica, pior ainda, pois a Reforma não tinha por objeto a modificação das Escrituras. Acrescenta-se a tudo isto, o fato que antes da Reforma dita Protestante ocorreu a Pré-Reforma e, depois daquela ocorreu a Contra-Reforma e a Reforma da Reforma ou Reforma Radical. Então, percebe-se que o homem é mestre em querer alterar as coisas até que fique do jeito que lhe agrada.
É fundamental fugir dos clichês batizados e consagrados em ciclos religiosos, tais como os "ismos". O homem possui profunda necessidade de dogmatizar quase tudo, especialmente em matéria de religião. Para ser honesto, nem Pedro Valdo, nem os Anabatistas, nem Lutero, nem Calvino, nem John Knox, nem Wycliffe, nem Jan Hus e nem Zuínglio se auto-intitularam de reformadores. Só se fala em luteranismo, calvinismo e outros 'ismos' muito tempo após os fatos relevantes que estes homens prestaram à história do Cristianismo. Talvez por vício de se querer transferir a glória para os homens é que se faz isso.
Antes do século XVI, os valdenses prepararam todos os cainhos para o advento da Reforma. Pedro Valdo foi convertido ao cristianismo em 1174. Ele procurou uma tradução das Escrituras que fosse mais acessível ao povo simples e sem muitas letras, ou seja, sem muita alteração do homem. A partir daí começou a pregar as Escrituras ao povo ainda que não fosse sacerdote. Renunciou aos seus bens, distribuindo-os aos mais necessitados. Desta forma deu-se início a um movimento que foi depois apelidado de valdenses por conta do seu originador. Os valdenses afirmavam o direito de cada cristão ter um exemplar das Escrituras em sua língua materna, negavam a autoridade suprema da Igreja de Roma, se reuniam em casas de famílias e até mesmo em grutas. Rejeitavam o culto às imagens, reputando-o à idolatria. Paralelamente ocorriam o enfraquecimento das instituições monásticas, o cativeiro do papado de Avingnon, o Grande Cisma, além do fracasso da conciliação dentro da Igreja Católica.
No século XIV, John Wycliffe já vislumbrava algumas questões que favoreciam uma Reforma na Igreja dominante. Para ele a ostentação de riqueza da igreja era incompatível com o espírito da Igreja Primitiva. Também defendia que a Igreja deveria se limitar apenas às questões de cunho espiritual. Apontava para a necessidade de separação entre o Estado e a Igreja, entre outras coisas. Logo após Wycliffe surgiu Jan Hus seguidor das idéias de Wycliffe, que também muito contribuiu para a futura Reforma, dando origem aos denominados Hussitas.
A Reforma dita Protestante, foi um movimento reformista no cristianismo histórico no século XVI, iniciado pelo monge Martinho Lutero por meio da publicação de 95 teses afixadas na porta da Igreja de Wittenberg na Alemanha. Protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, no intuito de melhorá-la e não de destruí-la como se supõe comumente.
Por diferentes interesses, Lutero foi apoiado por alguns governantes e o movimento se fortaleceu rapidamente a partir da Alemanha, passando à Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido e Escandinávia. Depois atingiu também partes do Leste Europeu, como os Países Bálticos e a Hungria.
A resposta da Igreja Católica foi horror e perseguições contra todos os que aderiram ao movimento. Não podendo controlá-lo, realizou a famigerada Contra-Reforma que, nem foi contra e, muito menos, reformou a Reforma como esperavam os romanistas. O Concílio de Trento serviu apenas para aprofundar a crise e dar continuidade nos mesmos erros do catolicismo.
Entretanto, dentro da própria Reforma dita Protestante, ocorreu uma espécie de Reforma da Reforma. Isto ocorria paralelamente, pois alguns grupos queriam uma reforma mais profunda. Foi chamada de Reforma Radical, porque eles queriam total separação entre Igreja e Estado, como também um novo batismo, que em grego, é anabaptizo. Foram logo chamados de Anabatistas!
Neste contexto é que surgem os oportunistas que confundem coisas espirituais com coisas materiais. Thomaz Münzer incitou os camponeses à luta contra a nobreza imperial, propondo uma sociedade sem divisões entre ricos e pobres e sem propriedade privada. Também ocorreram outros confrontos na França, em Flanders, na Inglaterra e a Guerra dos Hussitas no século XV, além de muitos outros conflitos do século XVIII. Desta forma, muito sangue foi derramado sobre a face da Terra em nome de Deus, de Cristo e da verdade.

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