sábado, 25 de julho de 2009

GRAÇA E DEPENDÊNCIA PLENA DE DEUS V


Jd. v. 4 - "Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo." Falam-se em duas categorias de graça: a) a graça atual que é o conjunto das inspirações e moções trasitórias concedidas por Deus a uma pessoa, grupo ou situação; b) a graça habitual que é o estado de benevolência ou dom permanente que estabelece a paz com Deus. Desta forma, independentemente dos feitos e efeitos do homem, Deus concede dons ou carismas, porque Ele é amor. Não são as disposições dos homens que forçam a graça de Deus, mas a graça de Deus que altera as disposições do coração empedernecido do pecador. Por isso, as Escrituras mostram como esta graça é operada em Ez. 36:26 e 27 - "E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis." A ação é absolutamente de Deus, pois é Ele quem concede, tanto o coração novo, como também coloca o espírito novo. Logo, tudo é por misericórdia e graça d'Ele e não dos esforços humanos, por mais bem intencionados que sejam.
Converter em dissolução a graça de Deus é exatamente tentar atribuir ao homem aquilo que é da exclusiva competência soberana de Deus. A dissolução da graça, isto é, misturar a ela as ações humanas tem como efeito a negação da soberania de Deus e do domínio de Jesus, o Cristo. Neste sentido, as igrejas ditas cristãs estão repletas de dissolutos e ímpios, pois direta ou indiretamente elas estão cheias de homens, lideres, pregadores e mestres que ensinam doutrinas que colocam o foco no homem e não na cruz. A doutrina mais absurda que se propaga no seio da cristandade nominal é a do "livre arbítrio". Confundem eles, a autonomia apostatada de fazer escolhas naturais, com liberdade e arbítrio. Se todos foram encerrados debaixo do pecado, logo quem é livre?
II Pd. 1:2 - "Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor." A graça produz a pacificação, pois após a justificação já não há nenhuma condenação. A graça realiza uma multiplicação por meio do conhecimento de Deus e de Cristo. A esta iluminação dá-se o nome de processo de santificação ou de produção da santidade de Cristo na vida do regenerado. Ela não é exterior e não é para servir de referência aos homens, mas é uma experiência espiritual que só se discerne espiritualmente. Contrariamente, os diluidores da graça de Deus buscam exteriorizar suas experiências sensoriais como se espirituais fossem, justamente porque não compreendem o que é a verdadeira graça.
II Pd. 3:18 - "Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém." crescer na graça não é prioritariamente cair na aceitação dos outros homens, mas conhecer mais e mais ao Senhor e Salvador Jesus, o Cristo. O texto mostra que é a Ele que se deve dar glória, agora e no dia da eternidade. Em um mundo onde os homens, inclusive os religiosos, buscam glória para si mesmos e recebem a glória dos outros homens, como poderia a graça de Deus ser compreendida?
Enquanto a natureza humana contaminada pelo pecado não é substituída pela natureza santa de Cristo, o pecador não pode conhecer a graça e, por esta mesma razão, não pode depender plenamente de Deus. Ou Cristo é o foco e a cruz a centralidade, ou o homem é o produtor de sua prória verdade. Não há espaço para diluir a graça de Deus com uma criatura morta para o Espírito Santo e viva para si mesma.

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