domingo, 22 de fevereiro de 2009

O "EVANGELHO" TRIUNFALISTA x O EVANGELHO DO REINO V

II Ts. 2: 7 a 12 - "Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, a com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade." Imagine, que, se no primeiro século da era cristã, o mistério da injustiça já operava, quanto mais agora recuados dois mil anos no tempo. O que detém tal mistério é o Espírito Santo que opera por meio dos eleitos de Deus no cumprimento de anunciar o evangelho a toda criatura. Assim, quando a Igreja, Corpo Vivo de Cristo, for retirada, certamente o servo de Satanás ganhará espaço bem mais amplo para culminar com a sua derrota eterna diante da glória e do esplendor do Grande Rei. Observa-se, no texto, que é Deus mesmo que lhes envia a operação do erro, e também a incredulidade é para os que perecem, ou seja, que estão mortos para Deus. A mentira no sentido bíblico é tudo o que é oposto ao evangelho de Cristo. 
O triunfalismo evangélico consiste em que o religioso deseja tomar o lugar do Espírito Santo, cuja função é convencer o homem decaído, do pecado, da justiça e do juízo conforme o evangelho de João. Mostram um Deus solucionador de problemas, vendem um Cristo quebra-galhos e proclamam um evangelho de segunda mão e sem a cruz e a morte. Estes evangelicalistas parecem ter Deus e o Diabo sob controle, manipulando, ora um, ora o outro. O poder, os sinais e os prodígios destes falsos ministros, são operados e operacionalizados segundo a eficácia de Satanás. Tais ministrações estão desvirtuadas da verdade, justamente, porque o foco e a centralidade delas é o homem decaído e destituído da glória de Deus. É o pecador ministrando a si mesmo o que deseja que Deus realize em seu favor. Querem a dádiva d'Ele, mas não podem receber o doador, a saber o Seu Filho Unigênito. Não podem ir até Cristo para receberem vida, e vida abundante, porque a questão não é de querer, mas de receber graça para tanto conforme Jo. 5: 39 e 40 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida!"
O triunfalismo religioso está no campo do mistério operado com base em poder, sinais e prodígios. Justamente os elementos que mais impressionam e satisfazem a vida almática e pecaminosa. É neste sentido que se enquadra no "engano da injustiça", porque a verdadeira justiça foi realizada e concretizada na destruição da natureza pecaminosa na cruz, em Cristo conforme Rm. 6 e textos paralelos.
Apregoam o triunfo material, mas desconhecem o triunfo da cruz, onde Cristo triunfou para sempre sobre Satanás, esmagando-lhe a cabeça. Anunciam um evangelho capenga e pela metade, pois buscam apenas locupletar-se, usurpando o poder de Deus para satisfação dos seus anseios, fobias, carências e caprichos. Desconhecem, que, para serem aceitos por Deus é necessário morrer conforme Jo. 12:24 - "Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto."
O religioso, em geral, por mais bem intencionado que seja, desconhece o verdadeiro evangelho do reino, precisamente porque parte de pressupostos teológicos equivocados. Uma doutrina pode ser teologicamente correta, mas se não for resultante da misericórdia e da graça de Deus, jamais será vivificada na mente e no coração do pecador. A mera compreensão intelectual das Escrituras, não autoriza ministrações triunfalistas, porque o triunfo pertence apenas a Cristo. Acrescenta-se exaustivamente que em todas as Escrituras, Deus sempre atua com minorias, com improváveis, com mendigos espirituais, com incompetentes morais e estropiados de todo gênero. É Ele, e somente Ele, quem pode levar o pecador a Jesus. Ninguém pode de si mesmo aceitar ou deixar de aceitar a Cristo isto seria negação do que está em Rm. 3 e 4. É Ele quem aceita o pecador, sem méritos e sem justiça própria, exatamente para que se cumpra o evangelho do reino conforme Fl. 3:9 - "E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé." A chave desta palavra é "achados n'Ele..." É em Cristo, por inclusão na Sua morte de cruz e não no pecador contaminado e totalmente depravado aos olhos de Deus. A justiça que é válida é a que provém da fé, porque esta é dom de Deus.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O "EVANGELHO" TRIUNFALISTA x O EVANGELHO DO REINO IV

Gl. 4:13 - "E vós sabeis que primeiro vos anunciei o evangelho estando em fraqueza da carne ..." O que diferencia substancialmente o "Evangelho" Triunfalista do Evangelho do Reino é a forma em que ambos são anunciados. Enquanto o "evangelho" triunfalista é um mero evangelicalismo, ou seja, um movimento resultante de esforços centrados no homem, o evangelho do reino é anunciado na fraqueza do mensageiro. A carne a que alude o texto não é apenas a dimensão física do corpo, mas o conjunto dos desejos, inclinações e vontades da alma humana decaída. Então, Deus usa o homem cuja carnalidade está enfraquecida para que o seu espírito possa receber graça e revelação do alto. Contrariamente o "evangelho" triunfalista é anunciado em um suposto poder dos pregadores. Eles se ufanam de poder controlar Deus em uma mão e o Diabo na outra mão. É o evangelho da força da carne e não da fraqueza da carne. Este falso evangelho só apresenta os ganhos e as vantagens que alguém pode obter de Deus. Não mostra ao homem decaído exatamente o que ele é e a necessidade da mortificação da sua carnalidade. Por isto, este "evangelho" triunfalista obtém muitos adeptos e seguidores. Por esta razão é que Jesus, o Cristo afirma que largo é o caminho do mal e muito andarão nele. Os cegos espiritualmente imaginam que o caminho do mal é algo relacionado às práticas errôneas, o mal é uma forma de se referir às ideias do Maligno. Não há nada mais maligno que perverter a verdade em mentira e adorar mais a criatura que ao Criador. 
Basta ler as Escrituras pelas lentes de Cristo para perceber que Deus sempre trabalhou com as minorias, com os incompetentes, exatamente para que fique claro que a ação graciosa da redenção é obra da exclusiva soberania d'Ele. Por esta razão é que Paulo doutrina com clareza meridiana em Ef. 2:8 e 9 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie." Primeiramente a graça é que salva e a fé é o meio para obter salvação. Secundariamente, nada do que concerne à salvação procede do homem, e nem poderia ser, visto que, se o mesmo carece de salvação, como poderia ser o próprio promotor dela? Também as Escrituras declaram em outra instância que Deus não concede a Sua glória a outrem, logo, tanto a graça, como a fé, não podem originar-se no homem dominado pela natureza pecaminosa, pois isto seria admitir que há glória no pecado. As obras dos homens não têm validade alguma para o efeito da salvação, têm-na apenas para o sucesso e para as realizações terrenas.
II Co. 11:4 - "Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis." O "Evangelho" Triunfalista ostenta pregação e doutrina que apresentam outro Jesus, outro Espírito e outro evangelho que não constam das Escrituras. É uma apologia à vitória de homens cujas naturezas pecaminosas não foram destruídas na cruz. Querem receber toda sorte de bênçãos, mas não abrem mão das suas vidas almáticas contaminadas pela pecaminosidade herdada de Adão. Por esta razão é que há brigas, dissenções, maledicências, disputas e competições dentro das igrejas e entre denominações religiosas. Pregam apenas os benefícios anunciados pelas Escrituras, mas não recebem o sacrifício de Cristo como inclusivo e substitutivo ao mesmo tempo. Sabe-se que toda verdade pela metade é uma mentira completa. Deus não atua no universo pela metade, mas Suas decisões são anteriores à própria fundação do mundo, portanto, antes dos tempos eternos. Deus vê o fim desde o começo e o começo desde o fim conforme Is. 46:10 - "Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade." A questão fulcral é que a vontade de Deus é soberana. Entretanto, o homem não regenerado não pode conhecer o que é de fato soberania, pois a sua alma contaminada pela natureza pecaminosa presume ter autonomia, livre agência ou livre arbítrio. Confundem escolhas puramente morais e operacionais com liberdade espiritual.

O "EVANGELHO" TRIUNFALISTA x O EVANGELHO DO REINO III

II Tm. 3: 1 a 7 - "Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade." De todas as características apontadas por Paulo nos religiosos dos últimos tempos, a que mais chama atenção é que eles teriam aparência de piedade, porém negariam a eficácia dela. De fato, este é o cenário real que se vê nestes dias. Parecer o que não é tornou-se a marca da religião. Isto é explicado no texto, pois aprendem sobre Deus, sobre Cristo e o evangelho, mas não receberam a graça de ser uma nova criatura. Aprender algo sobre o evangelho é possível a qualquer homem, porém, nem sempre este pode chegar ao conhecimento da verdade por si mesmo.
Viver de aparência é uma arte desenvolvida pelo homem logo após a sua queda conforme Gn. 3: 7 e 8 - "Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim." Cozer folhas e fazer aventais para si é uma habilidade muito constante no homem portador da natureza pecaminosa. Isto significa a busca por uma solução própria e não na dependência da graça de Deus. O homem decaído procura fazer a sua própria verdade por meio da religião a qual serve, como se isto lhe pudesse cobrir a nudez, a cegueira e a pobreza espiritual consoante o que foi dito à Igreja de Laodicéia. Outra atitude sintomática do religioso incrédulo é se esconder quando ouve a voz de Deus por meio do verdadeiro evangelho. Esconde-se entre os arbustos da religião, elaborando doutrinas triunfalistas, porém em arrepio às Escrituras. Reivindicam um poder que não alcançam e não possuem, porque Deus não se associa à natureza pecaminosa. Antes ela deve ser destruída na cruz!
O evangelho do reino se compõe de três elementos fundamentais: a) o mistério de sua doutrina, isto é, em quem se deve crer; b) a santidade dos seus mandamentos, ou seja, como se deve viver; c) a pureza da adoração e do culto que se deve a Deus por instrumentalidade da fé dada aos eleitos. Isto porque, o homem pode professar a verdade e não obedecê-la de acordo com Tt. 1:16 - "Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra." Sabendo-se que as boas obras são de Deus e não dos homens, as tais só poderão se executadas por misericórdia e graça d'Ele mesmo. As boas obras foram feitas de antemão para que os eleitos e regenerados andasse nelas conforme Ef. 2:10 - "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Vê-se que os regenerados, a saber, gerados em Cristo, o foram para as boas obras. As boas obras são de Deus e ele as preparou de antemão para que os seus eleitos andem nelas. A religião institucionalizada faz exatamente o contrário.
Existe uma obediência humana dependente dos freios e contrapesos impostos pela cultura e pela moralidade predominante em uma sociedade. Porém há uma obediência que depende da graça de Deus. Esta obediência é devida a fé conforme Rm. 1:5 e 6 - "Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo." A fé, neste caso, vem como consequência da graça, mas os religiosos insistem em realizar isso de modo oposto, produzindo eles mesmos a sua fé. A fé verdadeira é essencialmente obediente ao que o evangelho do reino prescreve, porque produzida e realizada pela própria ação monérgica de Deus. O importante é pertencer a Jesus, o Cristo para ganhar a Sua vida e, com isso, receber a graça para obedecer a fé. A religião pretende fazer os seus seguidores serem obedientes às regras, normas e preceitos, mas não à fé.

O "EVANGELHO" TRIUNFALISTA x O EVANGELHO DO REINO II

II Tm. 4:3 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos..." Este tempo começou imediatamente após a ascenção de Cristo à dextra do Pai. Entretanto, nunca esta rejeição à verdadeira doutrina tomou corpo com tanto rapidez e intrepidez, como nos dias que transcorrem. Os líderes, as pessoas comuns, os que escrevem perderam completamente o temor. Ensinam, pregam, falam, cantam e decantam em verso e prosa as suas abominações religiosas como se grandes coisas fossem. Importa-lhes é que o ensino seja agradável e que ajunte o máximo de incautos possíveis a fim de que seja conferido ao grupo, ao líder, ou à denominação um altíssimo grau de aprovação e aceitação. As Escrituras ensinam fartamente que o engano prospera mais do que a verdade e que largo é o caminho do mal e muitos andarão nele. Não é a expressão numérica, o ativismo e a aceitação que comprovam a aprovação de Deus. Ao contrário, ao percorrer os textos escriturísticos verifica-se, entre outras coisas, que Deus sempre trabalhou com as minorias, com os combalidos e desvalidos neste mundo. Mesmo os homens de grande vulto que foram objeto da misericórdia e da graça divinas foram humilhados até confessarem o que de fato eram perante a face do Altíssimo.
Mc. 8:35 - "Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará." O evangelho da verdade demonstra um balancete contábil esdrúxulo, pois para ganhar perde-se, e ao perder ganha-se. Esta é, portanto, a metodologia de Deus, por força do contraste entre a Sua santidade e a abominação pecaminosa no homem. Não há como salvar o homem sem destruir o corpo do seu pecado conforme Rm. 6:6 - "Sabendo isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado." O homem adâmico e portador da natureza pecaminosa foi incluído na cruz juntamente com Cristo, pela fé, para que a sua natureza pecaminosa fosse destruída completamente aos olhos de Deus. Esta verdade, quando crida por fé, cria uma nova disposição na nova criatura, produzindo um homem regenerado conforme o texto de II Co. 5:17 a 19 - "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação."
O "evangelho" triunfalista é subproduto do ativismo humano não regenerado por amor de Cristo e do Seu evangelho da verdade. Tal pseudo-evangelho parte de um foco centrado no homem e não na cruz. É um evangelho, quando muito, resultante de elaborações teológicas. É fruto das injunções e elaborações do intelecto humano contaminado pelo pecado, o qual inclina a criatura a tomar invariavelmente o seu 'eu' como ponto de partida e foco do evangelho. Imaginando prestar um grande serviço a Deus, acaba por afastar-se cada vez mais d'Ele. É como diz A. W. Tozzer: "... os cristãos correm o risco de estar com a Palavra de Deus nas mãos, mas sem o Deus da Palavra." Eles ajuntam doutores segundo os seus pontos de vista do evangelho como se isto pudesse legitimar a sã doutrina. Deus não está nisto, pois onde está o desejo humano está o pecado como elemento motivador. Deus não tem parte na vontade decaída e depravada do homem, salvo, quando quer conceder graça e misericórdia.
Ap. 3: 14 a 17 - "E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu." A igreja de Laodicéia está viva e ativa no tempo atual, e, portanto, o alerta do Senhor Jesus é o mesmo a ela ainda hoje.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O "EVANGELHO" TRIUNFALISTA x O EVANGELHO DO REINO I

Mc. 1: 1, 14 e 15 - "Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus... E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, E dizendo: o tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho." A palavra "princípio" que abre a sentença introdutória do Evangelho segundo Marcos, em grego neotestamentário é 'arkhê', isto é, um início que é anterior a qualquer coisa ou fato. Isto quer dizer que o evangelho de Jesus, o Cristo é um acordo eterno e não um mero registro escrito pelo homem. Ele não se principiou apenas nas palavras pronunciadas por Cristo ao longo de Sua existência terrena. É o resultado de um acordo efetivado antes dos tempos eternos conforme I Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
O evangelho é de Cristo, e, este, é o Filho Unigênito de Deus. A questão teleológica do evangelho é que ele visa consolidar definitivamente o reino de Deus. Percebe-se, portanto, que toda ação do evangelho é monérgica, ou seja, é da exclusiva competência de Deus. De fato, não poderia mesmo ser diferente, visto que o homem absolutamente decaído e depravado, não teria como dar início, agir e consolidar algo anterior ao próprio universo. Sendo a noção de tempo embaraçosa ao mais culto dos homens, quanto mais complexo é imaginar que algo fora realizada antes do próprio tempo? Acontece que são categorias diferenciadas de tempos: há um tempo puramente cronológico 'kronos' em decorrência da relativização provocada pelo espaço e pela matéria. Entretanto, há uma categoria de tempo autônomo - o tempo 'kairós' - qual seja, um evento preestabelecido independentemente das variáveis: movimento, matéria e espaço. Este é o tempo de Deus!
A maior parte dos religiosos não têm discernimento de que o evangelho é de Cristo e objetiva a validação do reino de Deus. Eles imaginam que Deus está ao seu dispor para construir um reino de benesses aqui mesmo no mundo, e, tudo isto, sem a destruição da natureza pecaminosa. Baseiam e fundamentam suas crendices em um evangelicalismo triunfalista e horizontalizado, no qual Deus é uma espécie de gênio da lâmpada de Aladin. Isto satisfaz plenamente aos anseios e projetos de Satanás em estabelecer o seu reino neste mundo. Não se faz uma omelete com três ovos, estando um deles estragado e dois bons, sem que toda ela se estrague. É esta a questão fulcral da religião triunfalista: querem o triunfo prometido aos eleitos, porém sem perder o lucro de uma vida bastarda e abastada e sem a inclusão na morte com Cristo. Querem a doação, mas não querem o doador. Coitados morrerão em seus pecados conforme Jo. 8:24 - "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados." A expressão "eu sou" neste texto quer dizer, que, Cristo é Deus. Assim, enquanto o homem pecador não recebe a graça para crer n'Ele como Deus, suas crenças, méritos e justiças próprias não valem absolutamente nada espiritualmente.
O texto de Paulo a Timóteo, mostra que não é pelas obras, mas pela soberana vontade de Deus expressa em sua salvação, seu chamamento santo pela graça concedida apenas em Cristo. Foi segundo o próprio propósito de Deus e não por qualquer justiça ou mérito do homem. Além do mais, tudo isto foi decidido e concretizado antes dos tempos eternos.
A percepção do verdadeiro evangelho não pode ser primeiramente pelo intelecto, mas pela revelação nas Escrituras, e, esta é da competente e suficiente soberania divina por meio do Espírito Santo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A VERDADEIRA PÁSCOA V

Mc. 14:1, 12, 14 e 16 - "Ora, dali a dois dias era a páscoa e a festa dos pães ázimos; e os principais sacerdotes e os escribas andavam buscando como prender Jesus a traição, para o matarem. Ora, no primeiro dia dos pães ázimos, quando imolavam a páscoa, disseram-lhe seus discípulos: aonde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a páscoa? ... e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: o Mestre manda perguntar: onde está o meu aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? Partindo, pois, os discípulos, foram à cidade, onde acharam tudo como ele lhes dissera, e prepararam a páscoa..." O texto mostra a intersecção entre a Páscoa simbólica e a Vera Páscoa, ou seja, entre o símbolo e a realização concreta dele. Jesus comemorando a Páscoa dos judeus, a qual indicava-o como a verdadeira Páscoa. Era Ele mesmo o Cordeiro Pascal a ser imolado para aniquilar o pecado de muitos conforme Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Assim, se cumpria o que João, o batista dissera acerca de Cristo em Jo. 1:29 - "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." É fundamental aperceber-se que os textos falam de Jesus aniquilando e retirando o pecado do mundo. Não é uma referência aos atos pecaminosos, mas à natureza pecaminosa. Necessário é este esclarecimento, porque os religiosos, não podendo receber graça para ver e entrar no reino de Deus, preferem acusar os eleitos de pregar impecabilidade. Todavia, sabe-se que, se Cristo não foi o suficiente para aniquilar e retirar o pecado do homem, ter-se-á de reconhecer que o Diabo é mais eficiente em mantê-lo no coração do pecador. Neste caso o Salvador não teria poder de salvar, sendo, portanto, uma peça teatral de mau gosto. As Escrituras não podem ser anuladas e não há como forcejar uma exegese para mudar os textos, visto serem eles literais.
Resta a Satanás apenas a diluição da verdade à mentira nos círculos religiosos que estão a seu serviço. No caso da Páscoa, pode-se afirmar que está completamente desfigurada de sentido e significação. É exatamente este ponto que interessa às forças do mal, produzir na mentalidade humana a noção generalista, simplória e imunizada em relação à verdade.
A Páscoa praticada hoje por cristãos nominais nada tem a ver com a Vera Páscoa. Há profunda influência mística e mítica na comemoração da Páscoa. Os termos "Easter", ou Ishtar e "Ostern", em inglês e alemão, respectivamente, não têm qualquer relação etimológica com a "Pessach", que é Páscoa em hebraico. As hipóteses mais aceitas relacionam os vocábulos com o "Eostremonat", nome de um antigo mês germânico, ou de "Eostre", uma deusa germânica relacionada à Primavera que era homenageada todos os anos, no mês de "Eostremonat", de acordo com o historiador inglês do século VII, chamado Beda.
Muitos dos atuais símbolos ligados à Páscoa, especialmente os ovos de chocolate, ovos coloridos e o coelho da páscoa são resquícios das festividade de Primavera em honra a deusa Eostre que, depois, foram assimilados pelas celebrações cristãs da Páscoa, após a "cristianização" dos pagãos germânicos. Também, persas, romanos, judeus e armênios tinham o hábito de oferecer e receber ovos coloridos por esta época. Então, vê-se claramente uma associação entre o paganismo e a celebração da Páscoa profanada pela cultura humana.
O culto à deusa Ishtar tinha alguns rituais de orgia sexual, uma vez que era a deusa da fertilidade, outros rituais tinham a ver com libações e outras ofertas corporais. É deste nome que deriva a deusa Eostre dos germânicos, como também o nome do mês Eostremonat.
Um ritual importante ocorria no Equinócio da Primavera, onde os participantes pintavam e decoravam ovos, símbolo da fertilidade, e os escondiam, enterrando-os em tocas nos campos. Este ritual foi adaptado pelo catolicismo no princípio do 1º milênio depois de Cristo, fundindo-o a outra festa popular chamada Páscoa. Mesmo assim, o ritual da decoração dos ovos de Páscoa mantém-se um pouco por todo o mundo nesta festa, quando ocorre o Equinócio da Primavera. Até mesmo entre religiosos ditos evangélicos, estas práticas já estão assimiladas, apassivadas e aceitas sem a menor resistência.
Este é o processo de diluição da graça em esforço, da verdade em mentira e das Escrituras em lendas.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A VERDADEIRA PÁSCOA IV

Atualmente, para os judeus, a Páscoa é apenas um memorial recomendado por Moisés em Ex. 12:14 - "Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma festa em honra do Senhor: fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua." Para os cristãos se tornou algo muito difuso, porque cada segmento da dita cristandade realiza de uma forma diferenciada. O que prevalece é uma grande confusão entre a simbologia e a real significação dela. Grosso modo aceita-se que ela é uma comemoração pela libertação que Cristo proporciona ao pecador por meio de sua morte sacrificial. Entretanto, isto é apenas uma espécie de retórica teológica. Não se aprofundam no real significado desta libertação sacrificial. Veem-na mais como um emblema.
Jesus, o Cristo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus que foi imolado para salvação e libertação de pecadores. Para isso Deus designou a Sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a Antiga Aliança, no sangue do cordeiro imolado, e a Nova Aliança, no sangue do próprio Jesus crucificado.
A data da Páscoa cristã foi fixada no primeiro "Concílio de Nicéia", no ano de 325 d. C.
Assim, a Páscoa cristã é comemorada, segundo o costume desde a Idade Média e na Europa, no primeiro Domingo após a primeira Lua cheia da Primavera, sendo no Hemisfério Sul, no Outono. Por isto, a data poderá ocorrer entre os dias 22 de Março e 25 de Abril. Acontece que este processo de fixação da data faz coincidir com algumas festividades pagãs do início da Primavera. Por esta razão, as igrejas orientais fixaram data diferente, sendo a mesma a da Páscoa judaica, que segundo eles, é a data da morte de Cristo. Assim, se pode ver que não há consenso acerca das datas, quanto mais do real significado.
Hoje, no Ocidente, em especial na América a Páscoa virou uma data puramente mercantil, ou seja, o que importa não é o significado que a sua memória deveria evocar, mas o quanto o comércio vai faturar. Os pais se preocupam em comprar guloseimas para os filhos, sem lhes explicar o que é a Páscoa. Não explicam, porque não sabem, e não sabem, porque não receberam o ensino dos seus pais, e assim sucessivamente. Enquanto o cristianismo nominal associa a Páscoa apenas à ressurreição de Cristo, o verdadeiro sentido dela deve estar associado primeiramente à Sua morte sacrificial, pois sem esta, não haveria ressurreição. Assim, a memória da justiça de Deus contra o pecado fica desfigurada e gradativamente desconfigurada. Chegará o tempo em que se apagará totalmente da memória dos mais penitentes "cristãos". E assim, as Escrituras se cumprem nas palavras do Grande Rei conforme o que está registrado em Lc. 18:8 - "...Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?"

A VERDADEIRA PÁSCOA III

Há profunda distinção entre a "Páscoa dos Judeus" e a "Páscoa Cristã", ainda que aquela fora uma pré-figura desta. Jo. 11:55 - "Ora, estava próxima a páscoa dos judeus, e dessa região subiram muitos a Jerusalém, antes da páscoa, para se purificarem." Para um judeu, ainda hoje, a Páscoa é apenas um memorial da saída do povo hebreu do cativeiro egípcio, por meio de uma libertação milagrosa por intervenção divina. Comemoram-na todos os anos com muitos festejos e muita alegria, porém vazia do seu real significado espiritual. Veem-na apenas como um evento horizontal, o qual cumpriu o seu desiderato tão somente na libertação do povo da escravidão no Egito. Como os judeus não receberam Jesus, o Cristo como o Messias prometido, o significado da Páscoa ficou vazio do seu real sentido para eles.
Para um cristão eleito e regenerado a Páscoa é o próprio Cristo conforme se pode depreender de I Co. 5:7 - "Expurgai o fermento velho, para que sejais massa nova, assim como sois sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado." Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mudo, tendo sido imolado antes da fundação do próprio mundo consoante o que já foi colocado em artigo anterior. Os religiosos, embora, comemorem a Páscoa, na prática o fazem apenas como um memorial simbólico. Basicamente a Páscoa está confundida e diluída com práticas pagãs e mundanas, não tendo nada a ver com a verdade cristã. É o subproduto do capitalismo mercantil ávido por vender chocolates.
Mesmo a prescrição da Páscoa judaica no Egito era plena de conteúdo verdadeiro, como se pode ver da citação do autor da carta aos hebreus em Hb. 11:28 - "Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos não lhes tocasse." Ela foi celebrada com base apenas na ordem divina, portanto, exigia apenas fé. A aspersão do sangue para proteger e guardar os primogênitos significa a justificação dos nascidos de Deus, nos quais o Diabo não pode tocar conforme I Jo. 5:18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca." Os primogênitos são as primícias de Deus, representam os eleitos e regenerados que formam a verdadeira Igreja que é além da relação espaço-tempo.
É Cristo mesmo a "Pêssach", ou seja, a porta estreita, a travessia, a passagem do reino das trevas para o reino da luz. Cristo é a Páscoa e a Páscoa é Cristo! De modo que no velho testamento ela era um símbolo, no novo testamento ela é uma realidade vívida aos que recebem a graça para crer que o Cordeiro de Deus foi imolado antes dos tempos eternos por ação monérgica e soberana de Deus. Não foram os romanos, não foram os judeus, não foi a humanidade que sacrificou Jesus. Foi o próprio Deus, muito antes de o mundo ser criado. Os religiosos sempre desenvolvem uma teologia esdrúxula para fazer a defesa de Deus naquilo que Ele não necessita ser defendido. A única defesa que Deus determina ao homem é a pregação do evangelho da verdade a toda criatura. A esta ordem, eles, geralmente, se esquivam.

A VERDADEIRA PÁSCOA II

Do texto regisrado em Êxodo 12 extraem-se os versetos 7 e 8: "E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão." Esta prescrição é muito significativa, porque elucida uma palavra de Jesus aos discípulos em Jo. 6: 54 e 56 - "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." A verdadeira Páscoa tem a ver com sangue e ervas amargas. Este é o sentido da morte substitutiva e inclusiva de Cristo na cruz. Quando Ele disse aos discípulos estas palavras de João capítulo seis, se referia exatamente ao cumprimento da simbologia pascal de Êxodo 12. Enquanto o religioso não recebe graça para crer que Jesus não foi sozinho para cruz, não há nada em sua religião que o possa salvar. Enquanto o religioso não compreende que a cruz é um princípio eterno, Deus não está em sua religião. Religião é uma criação humana e não divina! A cruz é o lugar onde o Cordeiro Pascal foi imolado para redenção da maldição do pecado no homem. É n'Ele que o pecador foi incluído para a destruição do corpo do pecado e para experimentar a ressurreição com Cristo.
Na verdade a Páscoa é um evento realizado por Deus antes dos tempos eternos, ou antes da fundação do próprio mundo conforme Ap. 13:8 - "E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." Assim, o símbolo do cordeiro se cumpriu em Jesus na crucificação e não em ovos ou chocolates. A morte sacrificial de Cristo foi para atrair o pecador da sua escravidão pecaminosa conforme o registro de Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. E dizia isto, significando de que morte havia de morrer." Desta forma a Sua morte sacrificial foi inclusiva, porque todos os eleitos foram atraídos para Ele. Mas, também foi substitutiva para ser validada também aos que viveram antes e depois do Seu sacrifício na cruz. O homem histórico no qual habitava o Cristo eterno, substituiu o pecador fisicamente, enquanto o Cristo eterno substituiu o pecador eleito espiritualmente.
A Páscoa é a simbolização da realidade da destruição do corpo do pecado conforme o registro de Rm. 6: 1 a 7 e 11 - "Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; Sabendo isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor."
A verdadeira Páscoa é o símbolo do batismo dos eleitos na morte e na ressurreição de Crsito.

A VERDADEIRA PÁSCOA I

Ex. 12:3 a 11, 21, 27, 41 e 48 - "Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo. Assim pois o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor. Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa. Então direis: este é o sacrifício da páscoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou. Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: esta é a ordenança da páscoa: nenhum filho do estrangeiro comerá dela. Porém se algum estrangeiro se hospedar contigo e quiser celebrar a páscoa ao Senhor, seja-lhe circuncidado todo o homem, e então chegará a celebrá-la, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela."
Estes textos veterotestamentários indicam a instituição e a prescrição da verdadeira Páscoa entre os hebreus do cativeiro egípcio. As Escrituras foram escritas em linguagem literal e em linguagem figurada, por isso, são repletas de tipos, símiles e símbolos, dos quais Deus lança mão para mostrar as aos homens as realidades espirituais. Os tipos representam uma indicação por algumas semelhanças em relação a pessoa ou coisa tipificada. Um tipo possui sempre um antítipo, e, uma vez cumprido, não se repete. Os símbolos, entretanto, não necessitam guardar características em relação a pessoa ou coisa simbolizada e podem se repetir diversas vezes, ou ocorrer apenas uma única vez. Então, o primeiro Adão é um tipo de Cristo, o segundo Adão, enquanto Eva era um tipo da Igreja. Os símbolos podem ser entendidos antes do seu cumprimento, enquanto os tipos só se definem com o cumprimento daquilo que tipificam. O fermento, por exemplo, simboliza o mal, a boa semente simboliza os filhos de Deus, a mulher e o filho varão de Apocalipse representa a Igreja da tribulação. Na linguagem simbólica a ação é sempre literal, somente o sujeito da ação que é simbólico.
No caso do evento da Páscoa foi empregado um símbolo de Cristo, a saber, o cordeiro pascal. Também a Páscoa em si é um símbolo da passagem do mundo da servidão do pecado representado pelo Egito para o mundo da luz e da purificação representado por Canaã. A própria palavra Páscoa, que provém do hebraico "Pêssach" significa passagem ou travessia. 
O contexto da Páscoa é a ação monérgica de Deus movendo o seu braço para retirar o povo de Israel da escravidão no Egito. Neste sentido é que o Egito significa o domínio do homem no pecado que o torna escravo conforme Jo. 8: 34 - "Respondeu-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado." No processo monérgico, a ação é exclusivamente de Deus, sendo o homem apenas o beneficiado e o que a ele compete fazer é por vias de consequência. Moisés era a pessoa menos indicada para liderar a retirada e a passagem do povo hebreu, porque embora hebreu, foi criado na corte de Faraó, sendo educado como egípcio. É neste sentido que a ação monérgica toma proporções sobrenaturais, pois na impossibilidade humana é que reside o poder de Deus.
O símbolo do cordeiro ou cabrito, macho, de um ano e sem mancha representa Cristo. O sangue do cordeiro sacrificado espargido nos umbrais das casas representa a justificação do pecador que não pode salvar-se a si mesmo, mas depende de um substituto perfeito. Por isso é declarado que Abel era justo e Caim do maligno, pois este apresentou sacrifício de esforço próprio, enquanto aquele apresentou-se a Deus por meio do substituto. Esta é, portanto, a diferença entre viver da lei e viver da fé; entre esforço de justiça própria e justiça da graça; entre dependência plena e autossuficiência.
A lição da Páscoa é que é Deus quem age, a escravidão do pecado só se desfaz por graça e misericódia d'Ele mesmo.