sexta-feira, 2 de maio de 2008

LIVRE ARBÍTRIO VII

A crença no livre arbítrio foi defendida como importante para o julgamento moral por diversas autoridades religiosas e criticada por diversos filósofos, como, por exemplo, Spinoza e Karl Marx. Teologicamente falando, frequentemente se alega que a doutrina da Onisciência de Deus está em conflito com a tese do livre arbítrio. Afinal de contas, se Ele sabe exatamente o que ocorrerá, incluindo cada escolha feita por cada pessoa, o status das escolhas como livres está em questão e se torna absolutamente sob suspeita de fraude. Parece que o conhecimento eterno de Deus sobre as escolhas individuais constrange a liberdade individual. Mais uma vez estamos diante de uma questão axiomática, pois, ou o homem reconhece que Deus é Soberano e Onisciente, ou terá de eliminá-Lo e atribuir absoluta liberdade e arbítrio a si próprio.
Na perspectiva da teologia estritamente cristã, Deus é descrito como Onisciente e Onipotente. Por esta razão, muitas pessoas, cristãs e não-cristãs, acreditam, não apenas, que Deus sabe quais decisões o indivíduo tomará amanhã, mas também que Ele determina tais escolhas. Todavia, proponentes do livre arbítrio alegam que o conhecimento de um acontecimento é totalmente diferente da causação do acontecimento. Entretanto, todas as Escrituras mostram Deus como, não só conhecendo, mas também, determinando tudo soberanamente. A verdade é que o homem em seu estado decaído e totalmente depravado não alcança o significado exato de soberania.
Admitindo-se que Deus é Soberano, Onisciente e Onipotente, deixemos que Ele fale por Si mesmo em Is. 43:13 - "Eu sou Deus; também de hoje em diante, eu o sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?" Nesta mesma linha vejamos o texto de Fl. 2:13 - "... porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." De que categoria ou natureza de operação o texto fala? Se a operação abrange, tanto o querer, como o efetuar, o que sobra ao livre arbítrio? Se a operação é segundo a boa vontade de Deus, em que interfere a vontade do homem? Em nada!
A posição calvinista é enfaticamente contrária ao livre arbítrio, pois os calvinistas defendem a doutrina da eleição, a qual mostra que Deus escolheu aqueles que serão redimidos, antes da criação do mundo. Um dos maiores defensores dessa visão teológica foi Johnathan Edwards cuja vida e obra não pode ser colocada em questão. Foi um autêntico cristão no viver e no falar.
Edwards defende que o "Indeterminismo" é incompatível com a dependência dos indivíduos em relação a Deus, e, por conseguinte, com a Sua Soberania. Ele conclui, que, se as respostas dos indivíduos à graça de Deus são contra-causalmente livre, então sua salvação depende parcialmente deles - indivíduos - e, por isso, a Soberania d'Ele não seria absoluta e universal. No livro "Liberdade da Vontade", Edwards defende o "Determinismo Teológico", e alega que o "Libertarianismo" é incoerente. Por exemplo, ele argumenta que por autodeterminação, o "Libertarianismo" quer dizer, ou que as ações do indivíduo, incluindo seus atos de vontade, são precedidos por um ato de vontade, o que leva a um regresso ao infinito, ou que os atos da vontade do indivíduo não têm causas suficientes, o que nos levaria a concluir que os atos da vontade ocorrem acidentalmente. Sendo assim, o livre arbítrio não torna ninguém digno de aprovação ou reprovação, tanto perante Deus, quanto perante os homens.
No "Metodismo" que é um ramo do protestantismo nascido no século XVIII, na Inglaterra, graças a dois grandes clérigos anglicanos: John Wesley e George Whitefield. O motivo de discórdia e posterior separação entre eles, não de inimizade ou de conflito, já que, por exemplo, Wesley foi o pregador no serviço fúnebre de seu grande amigo Whitefield, foi exatamente essa questão do livre arbítrio. Whitefield era Calvinista e Wesley Arminiano. O Arminianismo é uma teoria teológica surgida na Holanda e que influenciou uma boa parte da teologia ocidental, embora condenada pelos calvinistas no Sínodo de Dort em 1618/19, juntamente com o seu criador, Tiago Armínio. No entanto hoje, grande parte, senão maioria da cristandade protestante é arminiana. O Arminianismo consiste na crença da teoria do livre-arbítrio, explicado da seguinte maneira, opondo-se aos famosos cinco pontos do Calvinismo, isto é, os cinco artigos de fé contidos na “Remonstrance”, resumidos da seguinte forma: 1) Deus elege ou reprova na base da fé prevista ou da incredulidade do homem decaído; 2) Cristo morreu por todos os homens, em geral, e em favor de cada um, em particular, embora somente os que creem sejam salvos; 3) Devido à depravação do homem, a graça divina é necessária para a fé ou qualquer boa obra; 4) Essa graça pode ser resistida; 5) Se todos os que são verdadeiramente regenerados vão seguramente perseverar na fé é um ponto que necessita de maior investigação. Esse último ponto foi depois alterado para ensinar definitivamente a possibilidade de os realmente regenerados perderem sua fé, e, por conseguinte, a sua salvação. Todavia, nem todos os arminianos estão de acordo, nesse ponto. Há muitos que acreditam que os verdadeiramente regenerados não podem perder a salvação e estão eternamente salvos. A salvação é realizada através da combinação de esforços de Deus, que toma a iniciativa, e do homem, que deve responder positivamente a essa iniciativa, o que é chamado de sinergismo, contra o monergismo calvinista. A resposta do homem é o fator decisivo, ou determinante, ou causal. Deus tem providenciado salvação para todos, mas Sua provisão só se torna efetiva e eficaz, para aqueles que, de sua própria e livre vontade, “escolhem” cooperar com Ele e "aceitar" Sua oferta de graça. No ponto crucial, a vontade do homem desempenha um papel decisivo. Este era o sistema de doutrina apresentado na “Remonstrance” - Representação - dos Arminianos e rejeitado pelo sínodo de Dort, como sendo heresia, após cerca de 155 reuniões.
Ao que parece, o homem natural tem uma forte inclinação para aquilo que é herético e que não consta das Escrituras, pois hoje, quase a totalidade do cristianismo nominal possui forte apelo e caráter arminiano. Todavia, sabe-se que Deus nunca se relacionou ou trabalhou com a maioria a ponto de Cristo afirmar em Mt. 7: 13 e 14 - "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram."

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