quinta-feira, 1 de maio de 2008

Cristo, Este Tão Desconhecido XV

Há sempre uma tendência natural no coração do homem que não conhece Cristo em querer humanizar Deus e horizontalizar a obra de Cristo na cruz. Visto que o pecador não pode voltar-se para Deus sozinho, tenta ingloriamente puxar Deus para o seu nível. Esta é mais uma das ilusões produzidas pelo Diabo, dando prosseguimento ao processo de cegueira iniciado no Éden, quando fez o primeiro Adão acreditar que poderia, como Deus, ser conhecedor do bem e do mal inpunemente, e assim, ser senhor de si mesmo e da criação. O resultado se vê ao longo do tempo e, especialmente na miséria do coração humano. Foi perda total, a ponto de Deus, o "Oleiro Eterno" ter de fazer um novo homem a partir do vaso que se estragou na Sua mão. A regeneração do pecador não se faz por ritos, dogmas, doutrinas, religiosidade, atos e conceitos próprios. Antes, ela foi decretada na eternidade pretérita conforme Ef. 1: 4 a 7 - "...como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado; em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça..." Como poderia o homem ser santo e irrepreensível diante de Deus, por conta própria? Pode da imundícia tirar coisa pura sem a interveniência de alguém puro?
Desta maneira não há como conhecer profundamente Cristo sem conhecer e compreender a Sua obra plena. Este conhecimento não pode ser confundido e identificado com o conhecimento almático do homem em pecado. Este conhecimento ou luz humana o leva a um engodo na suposição de que são manifestações divinas e que isto lhe confere alguma justiça e mérito perante Deus. O Senhor Jesus deixa bem claro o que é a luz, isto é, o conhecimento humano em Mt.6: 22 e 23 - "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!" Este texto mostra com clareza que se os olhos do homem permanecem obscurecidos pelas escamas da cegueira imposta pelo pecado, tudo quanto o homem vê é mau, porque parte de uma visão contaminada. Se, porém, os seus olhos tiverem sido limpos pela verdade e o foco estiver nas lentes de Cristo, tudo o que se vê é bom, porque recebeu a luz verdadeira que alumia a todo o homem. Assim, quando o homem se guia pelo seu próprio conhecimento acerca de Deus, o que ele verá são apenas trevas. Mas, se ele vê o reino de Deus pelas lentes regeneradas, verá a luz da vida conforme Jo. 3:3 - "Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." Em Jo. 8:12b - "Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." A vida sem a vida de Cristo é apenas vida da alma, porque o homem foi feito apenas alma vivente, mas Cristo é espírito vivificante conforme I Co. 15: 45b - "O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante." Por esta razão é que já se escreveu em outro artigo, a diferença entre o primeiro Adão e o segundo Adão. O primeiro, possui apenas vida almática contaminada pelo pecado e a sua luz são trevas; o segundo, é espírito vivificante e a Sua luz é a verdadeira luz que ilunina todo o corpo.
Jesus é a propiciação pelos pecados do homem consoante o que já foi escrito antes. Propiciar é o ato de tornar favorável, ou seja, Cristo aceitou a função de favorecer o pecador, fazendo-se pecado por ele. Por isso, o propiciatório ficava sobre a tampa da arca dentro do Santo dos Santos, onde era derramado o sangue da vítima, simbolizando a purificação pelo sangue do Cordeiro de Deus que o habilitaria a ser redimido e o tornaria aceitável perante o Pai.
Além da propiciação, Cristo é a expiação pelo pecado dos eleitos, sendo expiação uma remissão da culpa do pecado por meio do pagamento ou cumprimento da pena. Como todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus, ninguém poderia pagar por si mesmo esta dívida, isto é, a morte. Cristo se fez a expiação do pecador, pagando a dívida e rasgando o escrito dela para sempre. Jesus cumpriu a sentença ao morrer na cruz, incluindo nele o pecado do homem de maneira que isto foi feito de uma vez para sempre e de modo perfeito cosoante I Pd. 3:18 - "Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito." Por este processo divino, os eleitos foram remidos do domínio maldito da lei e tornaram-se filhos adotivos por meio de Cristo de acordo com Gl. 4: 4 e 5 - "... mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos."
Finalmente, após propiciar e expiar a culpa dos eleitos, Cristo completou a obra redimindo-os. Esta palavra significa "recurso capaz de salvar alguém de uma situação aflitiva." Esta verdade é mostrada com clareza meridiana em Sl. 49: 7 e 8 - "Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, nem por ele dar um resgate a Deus, pois a redenção da sua vida é caríssima, de sorte que os seus recursos não dariam; para que continuasse a viver para sempre, e não visse a cova." Desta maneira Cristo deu a Sua própria vida em resgate de muitos conforme Mt. 20:28 - "... assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos." Sempre a referência à redenção é parcial e não universal, não se sabe porque os religiosos não consequem ver isto!
O resgate perfeito de Cristo não pode ser comparado a nada, pois só por preço de sangue a redenção dos eleitos é possível consoante I Pd. 1:18 a 21 - "... sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós, que por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de modo que a vossa fé e esperança estivessem em Deus."
Agora, pois, diante das exigências da lei e da justiça divina pode-se dizer conforme Jó 33:24: "...livra-os, porque já achei o resgate." Mortos em Cristo para o pecado, vivos para Deus por causa do resgate perfeito em Cristo, os eleitos foram definitiva e cabalmente reconciliados com Deus conforme Cl. 1: 20 a 23 - "... e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus. A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro."
Agora sim, os eleitos podem dizer, Aba, Papai!
Aleluia!
Post Scriptum: te esperamos Senhor Jesus para celebrarmos as bodas do Cordeiro eternamente. Amém.

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