fevereiro 07, 2021

A ORAÇÃO BÍBLICA x A ORAÇÃO MÍSTICA II

 

Mt. 7: 7 a 12 - "Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem? Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas."
No tocante à oração, enquanto diálogo entre criatura e Criador, há, aparentemente, algumas contradições. Pois, enquanto em um texto diz que não se deve usar de vãs repetições, porque Deus conhece todas as necessidades antes de os homens pedi-las, outro texto diz que se deve insistir até que Deus responda. Todavia, as Escrituras não se contradizem. Tais contradições são devidas a falta de alcance espiritual da maioria dos homens, visto que não têm o espírito vivificado em Cristo. Quanto a ordem para pedir é dada aos que pedem conforme a vontade de Deus, enquanto a crítica aos que pedem repetitivamente se deve àqueles que não conseguem crer, e, portanto, repetem seus pedidos para tentar forçar uma resposta.
A maioria dos religiosos não crê que Deus os ouve, e, portanto, não obtêm as respostas que buscam. E, quando a resposta é o silêncio por longo tempo ou um não, tais pessoas revelam sua real natureza, ou seja, incredulidade. Como consequência disto debocham e põem em dúvidas a existência, o amor e a bondade de Deus. A incredulidade é parte integrante da natureza humana e se torna evidente ou revelada, quando seus desejos não são sancionados por Deus.
Quando alguém se apresenta perante o trono de Deus em oração, ele a recebe, invariavelmente, por meio da advocacia de Cristo, ou como filho por adoção por meio de Cristo. Portanto, seja alguém reconciliado ou irreconciliado, será representado ou apresentado por meio de Cristo. Deus é Espírito e só se comunica com aqueles que tiveram seus espíritos reconciliados, isto é, cuja natureza pecaminosa foi aniquilada na inclusão na morte e na ressurreição com Cristo conforme Cl. 1: 21 a 23 - "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro." É por esta razão que as Escrituras afirmam em Jo. 4:24 - "Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." Desta forma é necessário que o espírito morto para Deus seja vivificado em Cristo cf. Ef. 2:1; e a verdade que liberta verdadeiramente em Cristo seja inserida nos eleitos e regenerados cf. Jo. 8:36.
Assim como existe uma Graça abrangente a qual Deus dispensa sobre qualquer criatura, igualmente há uma oração universal, a qual qualquer homem pode fazer em circunstâncias adversas da vida. Entretanto, a oração dos justificados, a qual possui uma aproximação real com o trono de Deus conforme Tg. 5:16 - "Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação." Este ato de confissão dos pecados, nada tem a ver com a prática do confessionário de uma determinada religião nominal. Esta confissão é o pedido de perdão quando os eleitos e regenerados estão em conflito ou em falta uns com os outros. É necessário, primeiramente, se reconciliarem entre si, pois, do contrário, suas orações não chegarão ao trono de Deus. Isto é ensinado em Mt.5:23 e 24 - "Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta."
O texto que abre esta instância autoriza de modo imperativo o eleito e regenerado a pedir, buscar e bater perante o trono de Deus. Porém, o maior problema do homem é imaginar que, por esta razão, poderá solicitar qualquer coisa, porque está prometido. A oração que Deus responde é aquela segundo a sua vontade e não segundo a vontade do homem conforme I Jo. 5:14 - "E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve." Imagine que, caso Deus respondesse sem qualquer critério espiritual, provavelmente já não haveria ninguém vivo na Terra. Nas guerras se vê muito o representante da mesma religião abençoando as armas dos dois lados em conflito. Neste caso, as guerras teriam de dar sempre empate, não?
Por fim, a razão maior pela qual as orações não são respondidas de acordo com o desejo do suplicante é que estas contêm desejos apenas pessoais e egoístas conforme Tg. 4: 1 a 3 - "Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." Deus dispensa o seu favor para alimentar o homem decaído e contaminado pela natureza pecaminosa. Seria absolutamente contraditório com a sua santidade e justiça.
A primeira regra para que a oração seja respondida de acordo com a vontade de Deus está no versículo final do texto de abertura: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas."
Jesus, o Cristo é o advogado que representa os eleitos e regenerados em suas necessidades conforme Hb. 4:16 - "Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno." Vê-se que o socorro é no momento oportuno, não segundo a perspectiva de oportunidade do homem, mas da graça e da misericórdia de Deus. 
Sola Sciptura!

fevereiro 03, 2021

A ORAÇÃO BÍBLICA x A ORAÇÃO MÍSTICA I

 

Mt. 6: 1 a 8 - "Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes."
O verbo orar provém do latim 'orare', significando sempre proferir ou dirigir um discurso a alguém. Este verbo possui conotação espiritual apenas quando observa-se a sua transitividade.
Orar, enquanto verbo intransitivo, implica em fazer oração, discursar em público e falar em tom oratório. Porém, como verbo transitivo indireto significa dirigir oração ou suplicar em oração. Quando o verbo orar for transitivo direto, implica em pedir, suplicar, rogar e fazer prece. Finalmente, como verbo transitivo direto e indireto traz também o significado de pedir, suplicar e rogar. Desta forma vê-se que orar é sempre uma ação de uma ou mais pessoas dirigida a uma ou diversas pessoas. Lembrando-se que Deus é um ser pessoal e não uma energia cósmica ou uma ideia metafísica.
A maioria dos religiosos faz orações seguindo modelos apreendidos da religião a que pertencem ou por imitação de terceiros. Percebem-se tais modelos quando, ao orar, fecha os olhos, entrelaçam-se os dedos das mãos, levantam as mãos ao alto ou as coloca abertas em forma de receptáculo diante de si. Muitas pessoas, ao orar, entram em verdadeiras catarses, imaginando que, pelo muito esforçar-se, convencerão a Deus. Porém, as Escrituras não estabelecem qualquer formato, modelo ou layout de oração em termos de postura física. Ao contrário, diz que deve ser feita em secreto, pois Deus que está em secreto a ouvirá conforme Mt. 6:6 - "Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará." 
Jesus, quando orava erguia os olhos ao céu e falava com o Pai de forma muito simples, direta e confiante. Um desses registros está em Mt. 14:19 - "... tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou." No velho testamento acha-se um profeta orando de olhos abertos conforme Nm. 24:15 - "... fala Balaão, filho de Beor; fala o homem que tem os olhos abertos." Então, orar não é um exercício mental, meditativo ou psicológico originado da astúcia almática do homem. O texto bíblico afirma três coisas importantes: a) Deus não ouve a pecadores conforme Jo. 9:31 - "...sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém for temente a Deus, e fizer a sua vontade, a esse ele ouve." b) quem intercede interpretando a oração é o Espírito Santo conforme Rm. 8:26 - "Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis." E, c) Não sabemos orar conforme Lc. 11: 1 - "... Senhor, ensina-nos a orar..."
O texto que abre esta instância inicia-se dizendo que, aqueles que são eleitos e regenerados devem guardar-se de fazer boas obras diante dos homens para chamar-lhes atenção sobre si próprios. A oração é uma dessas boas obras! Em muitos casos o religioso se propõe a orar por alguém para demonstra alto nível de amizade ou consideração à outra pessoa. Em muitos casos julga que, se houver uma resposta positiva, ganhará pontos ou méritos aos olhos de outras pessoas ou perante o sistema religioso ao qual é servo. Isto poderá render-lhe fama, prestígio e privilégios. Sabe-se disto, pela forma e o conteúdo da oração do que assim procede. Não se trata de julgar aquele que ora, porém, o texto de abertura indica o caminho: "E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens." Orar movido pelo Espírito de Deus é uma coisa, orar para satisfazer preceitos, ritos e crendices é outra coisa.
O mesmo texto de abertura encerra dizendo uma verdade que muitos não conseguem compreender: as vãs repetições! A maioria entende, por conta própria, que tal erro se aplica às outras religiões as quais fazem rezas ou mantras repetitivas. Entretanto, o sentido vai muito além disto, pois, quando alguém se dirige a Deus em oração, seja para si próprio, seja para outra pessoa, basta uma única vez. O contrário disso é falta de confiança. A confiança é o resultado da pessoa que recebeu graça para crer na Soberania, Onipotência, Onipresença e Onisciência de Deus. Enquanto esta confiança não se manifesta no coração é porque ainda não ganhou fé que possa ser imputada por justiça ao molde de Abraão.
Sola Scriptura!

janeiro 29, 2021

PORQUANTO OS DIAS SÃO MAUS

 

Ef. 5: 1 a 16 - "Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Mas a prostituição, e toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos, nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm; mas antes ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto não sejais participantes com eles; pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (pois o fruto da luz está em toda a bondade, e justiça e verdade),  provando o que é agradável ao Senhor; e não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as; porque as coisas feitas por eles em oculto, até o dizê-las é vergonhoso. Mas todas estas coisas, sendo condenadas, se manifestam pela luz, pois tudo o que se manifesta é luz. Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus."
Existe uma diferença lexicográfica entre mal e mau. O primeiro termo é um substantivo masculino que indica aquilo que é nocivo, prejudicial, maléfico ou que prejudica ou fere; o segundo termo é um adjetivo o qual qualifica aquilo que causa mal, prejuízo ou moléstia. É quase imperceptível a diferença entre mal e mau, salvo, pela função gramatical de cada um. Entretanto, mais relevante do que a semântica dos dois tropos é a sua significação espiritual. Isto porque determina consequências eternas. 
A sociedade, desde tempos imemoriais, reputa o bem a Deus e o mal ao Diabo. Esta ideia fixa foi inoculada pela igreja no afã de prender ou sujeitar as pessoas sob o seu controle e falsa proteção. Nem sempre o que reputa-se como o bem é o bem e o que reputa-se como o mal é o mal. É como aquele adágio popular que diz: "há males que veem para bem." Inversamente, pode-se dizer: "há bem que vem para mal." Ainda hoje há aqueles os quais afirmam, categoricamente que, se alguém se afasta de uma igreja institucional, perde a comunhão com Deus. Não discernem estes cegos espirituais que existe profunda diferença entre a Igreja fundada sobre a Rocha Eterna e as igrejas fundadas por homens torpes e gananciosos. As Escrituras afirmam que Deus não induz ninguém ao mal conforme Tg. 1: 13 - "Ninguém, sendo tentado, diga: sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta." Assim, a tentação não provém de Deus, mas do próprio homem. O apóstolo Tiago explica, no contexto, a fonte da tentação que produz o mal no homem conforme Tg. 1:14 - "Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência." Então, fica evidente que são os desejos do coração do homem que o induz e conduz ao mal. Este mal é o que determina aquilo que é mau. O mal foi inoculado no homem quando este escolheu livremente entre ouvir a palavra de Deus ou ouvir a palavra do Diabo conforme Gn. 2: 16 e 17 - "Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Esta foi, portanto, a pregação de Deus. A prédica do Diabo afirma o seguinte, conforme Gn. 3: 4 e 5 - "Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." A diferença, portanto, está entre "certamente morrerás" e "certamente não morrereis." A palavra de Deus é uma sentença terminativa, enquanto a fala do Diabo é uma afirmação negativa. O propósito de Satanás era anular a palavra de Deus por meio de uma ilusão de autodeterminação do homem. Tal falsa autonomia provocaria a ruptura da comunhão entre Criador e criatura.
O texto que abre esta instância inicia-se imperativamente, dizendo que o cristão deve ser imitador de Deus como filhos amados por ele. E a consequência disto é andar em amor, semelhantemente, Cristo andou. Entretanto, este ensino não é para todos os homens, porquanto, todos pecaram e demitidos estão da glória de Deus conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Pecar, neste texto, não é uma referência ao cometimento de atos falhos, erros e deslizes morais. É, antes, ser controlado por uma natureza desligada de Deus e influenciada pelo Diabo. Isto é demonstrado por Deus antes do dilúvio conforme Gn. 6:5 - "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente." Veja, era toda a imaginação dos pensamento do coração e não apenas por algumas vezes ou momentaneamente. 
Desta forma, cometer atos pecaminosos é uma consequência da natureza pecaminosa. Portanto, o homem é pecador por natureza e não por atos primeiramente. Implica em que, o homem comete atos pecaminosos, porque possui uma natureza pecaminosa. É como a relação de causa e consequência. Enquanto esta fonte pecaminosa não é crucificada com Cristo e ressuscitada juntamente com ele, o homem não tem a sua situação espiritual alterada. O religioso sempre inverte tais ensinos bíblicos, porque não teve a sua mente renovada em Cristo conforme Rm. 12:2 - "E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." A não conformidade, isto é, tomar a fôrma deste mundo, não é um ato de livre escolha ou de justiça própria. É, antes, a ação da morte, na morte de Cristo conforme Gl. 2:20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Estar crucificado com Cristo não é uma metáfora utilizada por Paulo, mas é um ato de fé concedido pela graça. Isto implica em que o nascido de Deus crê que foi crucificado com Cristo e que com ele ressuscitou. É um ato de fé e a fé não é virtude humana, mas um dom de Deus.
O texto de base afirma que, por todos os atos e atitudes de maldade é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Isto porque há duas filiações no mundo: ou você é feito filho de Deus, ou você é filho da desobediência que provém do Diabo. Não quer dizer que aqueles são gente boa e estes gente má. Ambos nasceram sob a mesma natureza. A diferença é a eleição da graça para nascer de novo conforme Rm. 11: 5 e 6 - "Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça. Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça." Resumindo: a salvação é concessão de Deus e não mérito humano.
O texto de abertura termina dizendo que os dias são maus. Entretanto, as pessoas sempre julgam que tal maldade é sempre a dos outros. Não, não é. É de todos, porque todos são portadores da natureza pecaminosa onde reside o mal, e, consequentemente, o que é mau. O fato de alguém não praticar este ou aquele ato de maldade, não significa que não tenha natureza para tanto. O diferencial é quando esta natureza foi retirada na morte com Cristo e em sua consequente ressurreição. O nascido de Deus será tratado e aperfeiçoado em Cristo até o dia final. Nele, não há mais o império do mal, ainda que tenha capacidade para isto.
Por fim, Deus resolveu não mais ferir a Terra, por causa dos seus eleitos e regenerados conforme Gn. 8:11 - "Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: não tornarei mais a amaldiçoar a Terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer." A mudança de mente de Deus foi em função de alguns voltarem a adorá-lo e esperar no redentor que é Cristo.
Sola Gratia!

junho 15, 2020

LIVRE-ARBÍTRIO, UM FALSO "DEUS" ENTRONIZADO NO FALSO CRISTIANISMO

Jo. 8: 31 a 34 - "Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: sereis livres? Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
'Livre-arbítrio' ou 'livre-alvedrio' em Filosofia é a possibilidade de o homem decidir e escolher em função da própria vontade isenta de qualquer condicionamento, necessidade, motivo ou causa determinante. Bem, neste caso, esta possibilidade só se aplica a Deus, porque só ele é onipotente, onisciente e onipresente. Implica em que apenas Deus se basta a si mesmo. Ele não sofre qualquer motivo condicionante ou causa determinante externa à  sua vontade. Deus é Soberano, portanto, nada, nem ninguém além d'Ele próprio pode determinar ou gerar uma necessidade que o determine fazer ou deixar de fazer algo. 
Discutiu-se à exaustão o livre-arbítrio nas décadas de 1950 e 1960, pelos existencialistas. Após esta época, o Existencialismo entrou em crise, visto que seus pensadores se depararam com o mal moral na sociedade. Não acharam uma saída para justificar o livre-arbítrio ou livre-alvedrio. Esta realidade está posta no Mito de Sísifo de Albert Camus. Esta é uma questão de natureza dada ao homem. Não é possível fazer escolhas absolutamente livres. Quando não se pode escolher livremente, também não se pode julgar ou arbitrar livremente. Logo, ninguém é absolutamente livre ou autônomo. Toda escolha é condicionada a uma necessidade determinante.
A doutrina do livre-arbítrio procede de um ensino muito antigo e anterior ao próprio Cristianismo. Trata-se do Gnosticismo, a saber, a crença que a gnose é capaz de estabelecer, no homem, a capacidade de decidir e escolher autonomamente. O objetivo dessa doutrina era e ainda é afirmar que o homem é o seu próprio 'deus'. Já no primeiro século da Era Cristã, tal doutrina penetrou na Igreja Primitiva por meio do Helenismo. Nos escritos do apóstolo Paulo percebe-se que ele combateu este ensino disseminado pelos cínicos, epicureus, céticos, ecléticos, estoicos, hedonistas, cerintianistas e arianistas.
O Cinismo foi fundado por Antístenes, discípulo de Sócrates, em Atenas por volta de 400 a. C. A essência desta escola filosófica foi o desprezo àquilo que a sociedade dominante considera valor e valorização da simplicidade do viver. Diógenes foi a expressão máxima do cinismo. Atribui-se a ele a seguinte máxima: “faço festa aos que me dão alguma coisa, lato contra os que não me dão nada e mordo os celerados.”
O Epicurismo foi fundado por Epicuro que viveu entre 341 e 271 a. C. Esta escola ensinava a busca do prazer, porém como uma fuga da dor e não como entrega às paixões. Para os epicureus, a busca pelo prazer é uma virtude, pois viam a dor como o mal. O prazer, neste caso, ocorre quando o homem supera as paixões. Ou seja, o importante é se sentir bem e feliz. Acaso não é este o modo de pensar de diversas pessoas ainda hoje?
O Ceticismo foi fundado por Pirro no século IV a. C. Tal escola ensinava que a sabedoria consiste em buscar o conhecimento e não a verdade. Para os céticos as coisas “são igualmente sem diferença, sem estabilidade, indiscriminadas; logo nem nossas sensações nem nossas opiniões são verdadeiras ou falsas.” Este pensamento persistiu até o século VII d. C. E, de certa forma, ainda é bastante persistente na natureza humana.
O Ecletismo não teve um fundador específico, mas aglutinava um conjunto de pensadores na Grécia Antiga. Os ecléticos opunham-se aos céticos e afirmavam que a verdade não se limita a um sistema filosófico apenas. Para os ecléticos o desacordo dos filósofos deve-se ao fato que, não podendo a fraca mente humana abarcar toda a verdade com um só olhar, um filósofo limita a sua investigação a um aspecto e outro filósofo a outro aspecto. Assim, estudando aspectos diferentes da realidade é natural que cheguem a conclusões diferentes. Por isso, para se chegar a uma compreensão adequada das coisas, não se deve confiar em um só filósofo, mas é necessário reunir as conclusões das pesquisas dos melhores entre eles.
O Estoicismo foi fundado por Zenão de Cicio, o qual viveu entre 335 a 264 a. C. Esta escola caracterizou-se por pregar grande austeridade no modo de viver. Para os estoicos a vida de um homem sábio deve ser pautada por uma ética de imperturbabilidade, anulação das paixões e resignação diante do destino. Exerceu grande influência na ética cristã por muitos séculos. 
O Cerintianismo fundado por Cerinto, um gnóstico judeu do 1º século d. C. foi apontado pelos cristãos primitivos como sendo uma heresia. Ele negava a divindade de Cristo, e, também, que Deus fosse o criador do mundo físico. Cerinto ensinou numa época em que a relação do Cristianismo com o Judaísmo e com a Filosofia grega não estavam ainda muito claras.
O Arianismo foi fundado pelo bispo Ário presbítero de Antioquia. O arianismo era antitrinitariano, ou seja, negava que Deus fosse três pessoas distintas e negava a divindade de Cristo. Santo Atanásio combateu o arianismo como heresia, tendo sido o único até que se provou estar com a verdade. Atanásio usou o seguinte argumento: "Deus só é o pai, porque é o pai do Filho." Parece simplista, mas é altamente lógico, visto que todos os outros homens são apenas criaturas de Deus e não filhos.
O elemento Gnóstico de todas estas escolas filosóficas consiste em que o homem deve buscar e crer que pode estabelecer padrões comportamentais ou morais em busca da verdade. Entende-se verdade, do ponto de vista filosófico, como encontrar a felicidade e o bem-estar. Não a redenção da natureza contaminada pelo pecado e seus consequentes atos pecaminosos. De todos estes pensamentos, conclui-se que o 'modus vivendi' e o 'modus operandi' da sociedade moderna apresenta um pouco de cada um deles. Tais ideias gnósticas foram sendo incorporadas lenta e gradativamente em diversos setores da vida, chegando até os púlpitos das igrejas cristãs nominais da atualidade. 
O texto que abre este estudo é uma resposta ao livre arbítrio como uma crença ou crendice desprovida de fundamentos espirituais. Ao dizer aos líderes religiosos que "todo aquele que comete pecado é escravo do pecado", Jesus, o Cristo colocou todos debaixo da impossibilidade de fazer escolhas livres. Quem é escravo da natureza pecaminosa não é livre, se não é livre, não pode fazer escolhas livres. O que a maioria das pessoas confunde é que, escolhas naturais ou mecânicas que o homem pode fazer, não são escolhas espirituais. São escolhas apenas funcionais. Estas são apenas mecanismos funcionais para protegê-lo e garantir-lhe sobrevivência no mundo contaminado pelo mal. A alma decaída ilude o homem sobre ter autonomia para escolher, inclusive, escolher rejeitar a graça de Deus. Ora, quando alguém rejeita a Graça e a Misericórdia de Deus é porque não pode recebê-las. Não pode receber, porque está morto espiritualmente e não porque decidiu não recebê-las. Isto é confirmado em Rm. 3: 10 e 11. A gravura ilustrativa desta página mostra uma vaca sendo conduzida ao matadouro. Ela pode escolher entre a entrada à sua direita ou à sua esquerda, porém, ambas conduzem-na para o abatedouro. Por exemplo, qual o nível de escolha do homem sobre a certeza da morte? 
Diante do exposto, algum legalista poderia dizer: mas a Bíblia fala sobre livre arbítrio. Não, na verdade, não fala. São os exegetas de meia boca que tomam dos textos bíblicos e os transformam nesta falsa doutrina. Os tais citam, por exemplo, Dt. 30:19 - "O céu e a Terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência." O texto faz referência ao povo de Israel, quando retornava do cativeiro de 430 anos no Egito. Logo, não se trata de um texto soteriológico, mas de um texto histórico de Israel na "terra prometida." Este é o perigo de usar textos históricos como espirituais e vice-versa. A própria História de Israel mostra que, na maior parte das vezes, o povo escolheu o erro e a destruição. Não se trata de escolha espiritual, mas de escolhas naturais, morais e de sobrevivência no mundo. E, até estas escolhas, são sempre condicionadas pelas necessidades e pelos determinantes da natureza decaída e pecaminosa.
O desejo que foi inoculado no homem por Satanás persiste em sua alma até que este seja justificado em Cristo. O fundamento está em Gn. 3: 4 e 5 - "Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Esta é, pois, a origem do livre arbítrio, uma ilusão colocada no coração do homem que o levou à corrupção, decadência e ruína. Foi para reconciliá-lo e justificá-lo que Jesus, o Cristo se tornou homem, morreu e ressuscitou. Enquanto o portador da natureza decaída não crer que foi incluído na morte de Cristo, não possui qualquer compreensão do que seja o livre-arbítrio. Possui, apenas a ilusão de que pode fazer escolhas livres. Tais escolhas, são, de fato, o que se chama de servo-arbítrio, porque são condicionadas à natureza escravizada pelo pecado. Por esta razão Cristo disse aos iludidos com a falsa autonomia: "... conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."
Sola Gratia!

junho 11, 2020

SEM REVELAÇÃO NÃO HÁ CONHECIMENTO DE DEUS

Mt. 16: 13 a 17 - "Tendo Jesus chegado às regiões de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles: uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus."
Revelação é um substantivo feminino que traz as seguintes significações: 1. Ato ou efeito de revelar(-se). 2. Entre os cristãos, ação divina que comunica aos homens os desígnios de Deus e a verdade que estes envolvem, sobretudo através da palavra consignada nos livros sagrados. 3. A doutrina religiosa revelada, por oposição àquela a que se chega pela razão apenas.  
É necessário esclarecer que há diversas acepções para o substantivo revelação. Entretanto, a que importa neste estudo, é aquela que se relaciona ao desvendamento das Escrituras ao espírito humano. Revelação, no sentido aqui tratado, não é apenas o saber ou o conhecimento cognitivo acerca dos textos sacros. Trata-se de um conhecimento dado pelo Espírito Santo conforme Jo. 16:13. Logo, nada tem a ver com conhecimento hermético, ou seja, hermetismo ou hermeticismo que é o estudo e a prática da filosofia ocultista e da magia associados a escritos atribuídos a Hermes Trismegisto. Este tal Hermes Trimegisto é uma falsa deidade sincrética que combina aspectos do 'deus' grego Hermes e do 'deus' egípcio Thoth. De fato, tal divindade nunca existiu, sendo apenas um homem que se auto-proclamava 'deus'.
O simples saber acerca da existência de Deus, de religião, de Jesus, o Cristo, da Bíblia ou de qualquer misticismo, nada tem a ver com revelação espiritual. O mero saber acerca das realidades espirituais não torna uma pessoa espiritualizada e espiritual. No máximo, a torna espiritista, a saber, praticante de cultos ou crenças em espíritos. As Escrituras não tratam dessa natureza de crença, porque não são ensinos procedentes de Deus. 
Então a quem é destinada a verdadeira revelação? A natureza da verdadeira revelação é dada àqueles cujos espíritos, antes mortos para Deus, agora foram vivificados por meio da inclusão da sua morte, na morte de Cristo. Isto é doutrinado em Ef. 2: 5 e 6 - "... estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus ..." Este processo é denominado, no Novo Testamento, de "novo nascimento." Isto está ensinado em diversas partes das Escrituras, como por exemplo, em I Co. 15:22 - "Pois como em Adão todos morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados." Obviamente que os 'todos" vivificados em Cristo, não são todos os homens. São aqueles todos conhecidos de antemão, predestinados, chamados, justificados e glorificados conforme Rm. 8: 29 e 30.
A revelação é, antes de tudo, uma ação monérgica, ou seja, ação direta e irrevogável de Deus. Um dos casos que retrata a verdadeira revelação é citado no texto que abre este estudo. Verifica-se no referido texto que, após a interrogação de Jesus, os discípulos responderam de acordo com o que haviam ouvido: "... uns dizem que és João, o batista, outros Elias, outros Jeremias ou mesmo algum dos profetas." Vê-se que se trata de um saber difuso e conseguido por meio meio do senso comum ou pela mão de terceiros. Não havia a revelação única e de origem divina. Eram apenas opiniões de acordo com as percepções humanas e a lógica do senso comum. 
Observa-se que Pedro confessou exatamente quem era Jesus, porque isto não foi o resultado da sua concepção ou percepção almática. Foi-lhe dado como revelação espiritual. Quem diz isto é o próprio Jesus, o Cristo: "Disse-lhe Jesus: bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus." A revelação almática, ou seja, da carne e do sangue é aquela elaborada segundo a percepção da alma, dos conhecimentos analíticos e comparativos do próprio homem. É um saber intuitivo e fundamentado na lógica material ou percebida pelo intelecto humano. 
Jo. 17:26 - "... e eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer ainda; para que haja neles aquele amor com que me amaste, e também eu neles esteja." Neste texto, Jesus, o Cristo afirma que ele fez os discípulos conhecer o nome de Deus. Não se trata aqui de um conhecimento intelectual do nome próprio de Deus, mas do conhecimento do ser d'Ele. Não é como Deus se chama, mas de quem ele é. É este conhecimento que liberta conforme Jo. 8:32 - "e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." Não se trata apenas de uma libertação de erros, fraquezas e delitos praticados pelo homem, mas a libertação de quem o homem é sem a vida de Cristo. Sem Cristo, o homem é decaído, ou seja, morto para Deus.
Ap. 1:1 - "Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João." Neste contexto, não se trata apenas de uma sequência acerca de eventos que aconteciam, e iriam acontecer, mas da revelação da pessoa de Jesus, o Cristo. Ao ler todo o capítulo 1 de Apocalipse fica muito claro que se trata da demonstração de quem é ele. Deus mostrou a Cristo o que ele é, o que fez, e o que faria e, este, mostrou aos seus servos, por meio do anjo que as notificou a João, que as escreveu para registro às novas gerações.
Em alguns segmentos do cristianismo nominal ou histórico há algumas pessoas que se autodenominam profetas. Reivindicam para si determinados dons espirituais. Entretanto, sempre buscam ou se autoproclamam portadoras apenas dos dons que lhes confere notoriedade. Nenhum tem o dom de cuidar dos necessitados. O pior, neste caso, é o fato de estas pessoas enganadas se posicionarem como os portadores de um conhecimento esotérico. É como se apenas eles fossem os iluminados aos quais Deus faz alguma revelação exclusiva. Ora, toda a revelação de Deus já foi compendiada. Isto está doutrinado claramente em Hb. 1:1 - "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo."
Sola Scriptura!

maio 31, 2020

LUZ OU TREVAS?

Mt. 6: 22 e 23 - "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!"
O senso comum leva a maioria das pessoas ao entendimento de que luz é algo místico. Concluem estas mesmas pessoas que alguns são portadores desse tipo de luz, a saber poder sobrenatural. Imagina-se, erroneamente, que se trata de um dom concedido pelas forças do além a seres especiais. Esta visão foi imposta pela cultura e doutrina gnóstica, a qual se infiltrou no cristianismo histórico desde o primeiro século da era comum. Que algumas pessoas possuem certas habilidades é verdade, porém, são apenas poderes latentes da alma. Nada a ver com Deus ou qualquer outro ser do mundo espiritual.
No entanto, já foi dito que luz, é, em sentido denotativo, um fenômeno físico da esfera da óptica; e, no sentido conotativo, é conhecimento da esfera espiritual e apenas concernente a Deus. Aparece, tanto no velho, quanto no novo testamento, significando o conhecimento de Deus e do seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos. Conhecer Deus é um processo posterior a experiência do novo nascimento. Antes dessa experiência, o que ocorre é apenas uma espécie de saberes ou informações acerca de Deus, Jesus, Bíblia, Religião etc. Saber acerca de algo ou alguém não significa o real conhecimento destes. No Novo Testamento há duas palavras distintas para 'saber' e para 'conhecer'. Saber é [εἰδέναι] que transliterado para caracteres latinos é 'eidenai'. Enquanto, conhecer é [γινώσκειν] que transliterado grafa-se 'gnoskein.' Por exemplo, em Mt. 26:70, Pedro, ao ser questionado sobre pertencer ao grupo de Jesus disse: "... não sei o que dizes." Neste caso, Pedro utilizou-se do verbo saber, no sentido de não ter informações ou saber nada sobre Jesus, o Cristo. Por outro lado, quando Jesus foi confrontado pelos religiosos em Jo. 5:42, Jesus disse-lhes: "... mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus." 
Grande parte das pessoas é levada para o seio de uma ou outra crença por razões emocionais ou pressionada pelas circunstâncias da vida. Por esta razão tem apenas um saber informativo e superficial sobre questões espirituais. Com o tempo estas pessoas começam a sentir-se de uma das duas formas: a) acomodadas, porque não querem sair da zona de conforto, tradições familiares, relações sociais e aceitação pessoal; b) incomodadas, inquietas e insatisfeitas, porque não veem qualquer progresso em suas vidas. Não vivenciam aquilo que leem nas Escrituras. Seus erros, fraquezas e deslizes as confrontam com o padrão bíblico de espiritualidade e verdade. Em ambos os casos tal pessoa é apenas um religioso que, por vezes, torna-se cínico e legalista; por vezes, torna-se faccioso, crítico e juiz dos outros. Neste ponto, tais religiosos, ficam pulando de crença em crença em busca de paz e solução de seus dramas almáticos.
O texto que abre esta instância de estudos é o mesmo registrado no evangelho de Lucas do estudo anterior. A diferença é que Mateus captou um pouco mais o que Jesus ensinava. O ensino é que, se a pessoa é nascida de novo e vê pelas lentes da verdade, tanto faz para as circunstâncias estarem boas ou ruins. Tudo estará sendo visto pela ótica da vida de Cristo que nela está. Por outro lado, se a pessoa não é nascida do alto, tudo o que ela percebe, vê e sente será tenebroso, ruim e desagradável. Estará sendo guiada apenas pela luz própria.
Jesus, o Cristo termina o seu ensino afirmando que, se a pessoa subsiste apenas com a sua luz, está de fato em grandes trevas. Ora, isto se dá pelo fato de a luz própria do homem não tem qualquer relação com a luz procedente de Deus. A natureza pecaminosa desliga o homem natural de Deus. Tal pessoa é conduzida pela alma, e, portanto, age pela luz almática. Por esta razão se tornam altamente sensíveis às circunstâncias. Esta é a razão de tantas pessoas serem bipolares, infelizes e chatas. Elas mesmas não se suportam, consequentemente, não suportam mais ninguém. Não fossem as amarras da lei e os contra-pesos da sociedade, a humanidade já teria praticado auto-extinção.
Jo. 1: 1 a 5 - "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela." Este texto explica e esclarece a origem da luz verdadeira que não é um fenômeno físico, nem uma sensação mística, mas uma pessoa. O verbo é uma referência à Cristo como o verbalizador ou a palavra de Deus que se comunica com a humanidade. Vê-se que o Verbo é o próprio Deus. A vida de Cristo é eterna e perfeita, portanto é luz, a saber, conhecimento puro, pleno e perfeito de Deus. Cristo se encarnou no homem histórico Jesus para que a Palavra de Deus fosse comunicada ao homem decaído e morto para Ele. 
Jo. 9: 4 e 5 - "Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo." O ensino é literal. Cristo é a própria luz, ou seja, ele mesmo é o conhecimento que alguém pode obter de Deus. 
Desta forma, o texto de abertura termina dizendo: "se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!" A mensagem é que, se você é guiado por seu próprio entendimento sobre a verdade, você está nas trevas, porque o homem natural possui apenas o saber e não o conhecimento de Deus. Então, o Cristo maximiza, dizendo que, neste caso, são grandes trevas.
Sola Scriptura!

maio 29, 2020

QUE LUZ HÁ EM TI?

Lc. 11: 33 a 36 - "Ninguém, depois de acender uma candeia, a põe em lugar oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz. A candeia do corpo são os olhos. Quando, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, quando forem maus, o teu corpo será tenebroso. Vê, então, que a luz que há em ti não sejam trevas. Se, pois, todo o teu corpo estiver iluminado, sem ter parte alguma em trevas, será inteiramente luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplendor." 
Luz é um fenômeno físico do campo da óptica, enquanto fenômeno natural ou artificial. É o único fenômeno que não pode ser poluído por qualquer outro fenômeno. Hoje sabe-se que a luz possui comportamento duplo: é onda e é partícula. A luz é, portanto, um fenômeno eletromagnético e se propaga no espaço, segundo a física einsteniana, a 300.000 km/s. A frequência da luz visível, a olho nu, é chamada de espectro. Nosso olho possui a capacidade de enxergar a luz apenas no intervalo de 4,0 a 7,5 Hz de frequência. Fora desse intervalo prevalecem as frequências ultravioleta e infravermelha. Quando um bebê nasce, basicamente, não enxerga nitidamente. As células fotoelétricas dos seus olhos necessitam da luz para serem estimuladas e permitir a visão.
Entretanto, não é o fenômeno luminoso natural que nos importa neste estudo. Na Bíblia, quase sempre, a palavra luz significa conhecimento e não fenômeno óptico. A palavra neotestamentária para luz é [φῶς] que transliterado grafa-se 'fôs'. Tanto no grego, quanto no hebraico veterotestamentário, a palavra luz significa conhecimento. Claro! Quando o contexto não denota luz como fenômeno natural ou óptico. Acrescenta-se que, o sentido de conhecimento em termos bíblicos, não se refere ao conhecimento intelectual ou científico. Trata-se de um conhecimento na esfera espiritual. Também, as Escrituras diferenciam o simples saber do conhecimento. São questão distintas, sendo aquele apenas superficial e informacional, e, este, profundo e significativo.
No texto que abre este estudo, Jesus, o Cristo aborda, tanto o sentido denotativo enquanto óptico, quanto o sentido conotativo da luz enquanto conhecimento. Quando se refere ao fato de alguém acender uma candeia e colocá-la escondida debaixo de um alqueire, está falando de luz como elemento de iluminação de um ambiente. Ele se utiliza da comparação para mostrar que ninguém, uma vez iluminado pelo verdadeiro conhecimento oculta-o. Depois o Mestre discorre sobre a forma em que o homem estabelece ou não os seus juízos sobre a realidade. Logo, é pelo que se vê que se faz o juízo do conhecimento ou da ignorância. Quando se vê pela luz do conhecimento verdadeiro, o seu discernimento será bom; quando se vê pela luz da ignorância, seu discernimento e atos serão maus. E qual é o conhecimento verdadeiro? Cristo responde em Jo. 8:32 - "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." A verdade não é um conceptismo filosófico ou epistemológico, mas uma pessoa, a saber, o próprio Cristo. Ele mesmo é a luz verdadeira que alumia a todo homem conforme Jo. 1:9 - "Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo." Este é o registro do apóstolo João, mostrando que João, o batista estava anunciando a chegada de Cristo.
Entretanto, o Mestre levanta um questionamento: "vê, então, que a luz que há em ti, não sejam trevas." O que ele está inquirindo é: você tem luz própria ou luz espiritual? A luz que guia o seu discernimento e juízos são originadas do conhecimento verdadeiro, ou da luz natural do homem? Não é necessária qualquer extrapolação para verificar este ensino, pois ele mesmo diz que, "... se todo o teu corpo estiver iluminado..." Estar iluminado implica que a luz não é própria, mas vem do alto. É como a candeia colocada no ponto mais alto da casa para iluminar todo o ambiente. Então, é possível que o homem utilize da sua própria sabedoria como se fosse conhecimento verdadeiro. Porém, o apóstolo Tiago esclarece que a sabedoria humana é três coisas: terrena, almática e diabólica conforme Tg. 3: 13 a 15 - "Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." É o mesmo ensino de Jesus, o Cristo. O homem que recebe a luz do alto tem o procedimento típico de quem é iluminado. Já o que anda por sua própria luz, tem como resultado um procedimento tenebroso e voltado para si. Ele termina mostrando a diferença entre agir pela sabedoria que do alto vem e a sabedoria terrena, animal e diabólica. Lembre-se que a palavra 'animal' no texto grego é 'psikê', a saber, alma. Então, fica evidente que, aqueles que são guiados pelo espírito iluminado por Deus têm a sabedoria do alto; aqueles, no entanto, que se guiam por suas almas, têm a sabedoria diabólica. Ora, considerando que todo homem herdou a contaminação do pecado, logo, todos são espiritualmente mortos para Deus. Vivem e sobrevivem da sua própria luz que, segundo Jesus, o Cristo, são trevas.
Muitas pessoas são bem dotadas de conhecimento intelectual, têm habilidades para os negócios, são bem-sucedidas financeiramente, são bem relacionadas socialmente. Estas pessoas, geralmente, creditam tais coisas a uma luz própria ou um poder especial que possuem. Entretanto, e a despeito de todo o bem que tais coisas proporcionam social e materialmente a qualquer pessoa, o fato é que são obtidas pelas trevas, ou seja, a luz que há no próprio homem. Tais vitórias e progressos não servem como padrão meritocrático e justificador do homem decaído e morto para Deus. Em muitos casos, por questões culturais, algumas pessoas atribuem tais vitórias a Deus. Porém, o fazem por uma questão de costume ou religiosidade. 
Finalmente, pergunta-se: e a luz que há em ti, é procedente de quem?
Sola Gratia!

maio 27, 2020

EXAMINAIS AS ESCRITURAS, MAS NÃO PODEIS VER

Jo. 5: 39 e 40 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida!"
O livre exame das Escrituras foi uma conquista da assim chamada Reforma Protestante.
Os reformadores não foram chamados de protestantes, muito menos, se autoproclamaram como tais. Na verdade, alguns nobres do Sacro Império Germânico, por terem apoiado Martinho Lutero contra as ameaças da Igreja Católica, assim foram denominados. 
Príncipes alemães apoiaram Lutero após a Dieta de Spira em 1526/29, mantendo-o sob proteção no castelo do Duque da Saxônia, Frederico III. Foi neste cenário exílico que Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, facilitando a sua tradução para os demais idiomas posteriormente. Até a Reforma Protestante em 1517, não era permitido ao homem comum examinar e discorrer sobre os textos sagrados. Apenas os padres e autoridades canônicas da igreja dominante tinham esta prerrogativa. Os católicos só tiveram livre exame da Bíblia após o Concílio Vaticano II, em 1963. 
Lutero foi intimado por três vezes, diante da igreja, pela publicação das 95 teses reformistas, as quais propunham-se apenas à reformulação e não à divisão da Igreja Católica. Entretanto, a igreja preferiu excomungá-lo, considerando-o desertor e herege. A ação reformista de Lutero resultou de uma visita a Roma em 1510, quando se deparou com elevada corrupção e ganância do clero, além do baixo nível moral dos membros da igreja. Imaginou, ingenuamente, que poderia levar a igreja a um autoexame e mudança profunda. 
Após o resumido brefing histórico acima, ao ponto, pois. No texto que abre este estudo, Jesus, o Cristo achava-se em um cenário de debates das autoridades religiosas judaicas acerca da sua obra e autoridade. Os líderes religiosos, não o aceitavam, muito menos, sua doutrina. Jesus, explicou-lhes que não estava interessado em autopromoção ou de receber a glória dos homens, porque tinha recebido do Pai uma missão. Dizia-lhes que, tudo o que falava era procedente de Deus e não de si mesmo. Entretanto, eles refutavam seu ensino e o desqualificavam como autoridade espiritual. Tal discussão culmina com as seguintes colocações por parte de Cristo: "E o Pai que me enviou, ele mesmo tem dado testemunho de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua forma; e a sua palavra não permanece em vós; porque não credes naquele que ele enviou." O fechamento desse embate ocorre com a constatação de que os líderes religiosos tinham muito conhecimento intelectivo das Escrituras, mas não conseguiam perceber quem era Jesus, o Cristo conforme o verso 39 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim..." Desta forma, não adianta ao homem o simples exame das Escrituras, a aquisição de grande conhecimento dos textos, a capacidade de estabelecer juízos teológicos sobre o que examinou e leu, muito menos, buscar o caminho da vida eterna nelas indicado. O homem busca, de fato, fórmulas para estabelecer como padrões de comportamento moral. Erram, porque o caminho da vida eterna não é uma concepção filosófica, científica ou mística. O caminho é uma pessoa, a saber, o próprio Cristo. Isto está perfeitamente registrado por ele mesmo em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Enquanto se procura maneiras, metodologias, padrões e roteiros para encontrar a vida eterna, não se achará. Para isso são necessárias duas coisas: crer naquele a quem Deus enviou e perder a vida almática. A primeira está doutrinada em Jo. 8:24 - "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados." A expressão "eu sou" é a mesma utilizada por Deus a Moisés, quando da libertação do povo do Egito. Indica a eternidade e a atemporalidade de Deus. Ele não é um ser transitório e fruto da concepção humana em função do tempo e das culturas humanas como os deuses pagãos. Portanto, Cristo indicou, no texto acima, que ele mesmo é Deus encarnado, naquele momento, no homem histórico Jesus. A segunda está doutrinada em Jo. 10:39 - "Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á." A vida do homem natural não serve como padrão de aproximação e reconciliação com Deus. Ela está contaminada pela natureza pecaminosa herdada de Adão nos termos de Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Portanto, é necessário perder a própria vida para ganhar a vida de Cristo. O pecado a que alude o texto paulino, não é uma referência aos atos pecaminosos, mas à natureza pecaminosa permanente no homem. É este pecado que Jesus, o Cristo veio aniquilar.
Crer não é natural ao homem. No máximo, o homem natural possui crendice, ou ainda, religião. Crer no sentido em que se acha nas Escrituras é algo sobrenatural. É impossível ao homem crer por expensas próprias. A natureza da fé  não é humana conforme Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem." Então, a fé é ver o que não está diante dos olhos e ter como certeza o que ainda não chegou. A fé é dom de Deus e não uma virtude humana conforme Jd. 3 - "... exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos."
Perder a vida almática para ganhar a vida de Cristo se dá quando o homem é chamado por Deus e conduzido a Cristo conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Então, que fique bem claro: se Deus não despertar o pecador, ele jamais se inclinará para Deus. Isto porque, seu espírito está morto para Deus e sua alma está impregnada pela natureza pecaminosa. O termo "ninguém" no texto retro mencionado é um pronome indefinido, ou seja, não há qualquer pessoa que possa ir a Cristo por conta própria. Finalmente, o processo de perder a própria vida é por fé que sua vida foi incluída na morte de Cristo conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus, o Cristo foi levantado da Terra três vezes: na cruz, na ressurreição e na assunção ao céu. Todas fazem parte de um mesmo processo. Desta forma, você deve implorar a graça e a misericórdia de Deus para levá-lo até a cruz e, nela, ter a sua vida morta espiritualmente incluída na morte de Cristo. Assim, você perderá a sua vida, mas achá-la-á na vida de Cristo, porque Ele ressuscitou e retornará logo para a restauração final.
Sola Scriptura.
Sola Gratia.
Solos Christus.
Sola Fidei.
Soli Deo Gloria.

maio 26, 2020

DA NECESSIDADE DE VIGIAR


Mc. 14: 38 a 41 - "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Retirou-se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras. E voltando outra vez, achou-os dormindo, porque seus olhos estavam carregados; e não sabiam o que lhe responder. Ao voltar pela terceira vez, disse-lhes: dormi agora e descansai. Basta; é chegada a hora. Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores."
No transcurso da vida cristã normal, muitas questões veem à mente dos eleitos e regenerados. Algumas postulações bíblicas ditas por Jesus, o Cristo, ou pelos apóstolos hagiógrafos parecem colocar termos e ideias em contradição. A regra áurea, neste caso, é que não existem contradições reais no texto escriturístico. No máximo existem aparentes paradoxos, a saber, conceitos que são ou parecem ser contrários ao que é comum, contra-senso, absurdo ou ideia dispare. O conselho é procurar aplicar o contexto geral e examinar o texto em sua língua original, se possível. Vê-se que a questão nunca é com o texto, mas com o costume herdado da cultura pseudocristã imposta a todos. A Bíblia não é um texto comum. Portanto, jamais será compreendida pelo senso comum. A compreensão se dá, primeiramente, pela revelação, e, secundariamente pela fé repartida a cada um segundo a medida de Deus.
O verbo vigiar em língua portuguesa é transitivo direto, ou seja, requer complemento para formar sentido completo. Significa 'observar com atenção, estar atento a...' e, ainda, 'observar secreta ou ocultamente, espreitar, espionar, guardar, tomar conta.' No texto neotestamentário escrito em grego popular ou koinê, o verbo vigiar é [γρηγορεo] que, transliterado, grafa-se "gregoreõ". No texto que abre este estudo nos versos 37 e 38 é utilizado este mesmo verbo, porém, flexionado em caso e pessoa: no verso 37 é [γρηγορησαι] ou 'gregorensai'; no verso 38 [γρηγορειτε] ou 'gregoreite'. Significando, respectivamente: vigiar e vigiai. O verbo vigiar nos sentidos já mencionados ocorre 23 vezes no novo testamento. Em todas elas possui sentido de estar atento para se proteger, se defender ou se precaver contra algum tipo de ataque. Em alguns destes textos, o sentido de vigiar é, também, de prescrutar, sondar, espionar e dedicar atenção específica para evitar sofrimento moral e físico. É bom lembrar-se que, antes da morte, ressurreição e ascensão de Cristo, os discípulos não eram nascidos de novo. Eram, portanto, susceptíveis de tentações e dúvidas de fé. A evidência concreta disso foi o caso de Pedro na noite em que negou Jesus. O texto mostra, claramente, a impossibilidade de o homem natural manter-se pela fé sem o novo nascimento. Isto porque, o espírito está pronto, mas a alma não está sob o controle dele. Lembre-se ainda que, carne no sentido bíblico, refere-se à alma e seus atos pecaminosos. 
I Ts. 5: 6 e 10 _ "... não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios... que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele." Neste caso, o verbo vigiar não é utilizado metaforicamente no sentido de 'estar vivo, atento, desperto', porque foi posto em contraposição ao verbo dormir [καθευδω] 'katheudõ' que, neste contexto, não significa estar morto, mas significa indiferença e desconfiança na palavra de Deus. O apóstolo Paulo nunca utiliza o verbo 'katheudõ' ou 'dormir' em seus textos com o sentido de estar morto. O único caso em que tal verbo é utilizado, por Jesus, neste sentido é em Mc. 5:39 - "E, entrando, disse-lhes: por que fazeis alvoroço e chorais? a menina não morreu, mas dorme." Embora, Jesus, o Cristo tenha dito que a menina não morreu, mas, de fato, ela estava morta. O confronto entre vida e morte é algo tão marcante que os populares que estavam presentes riram de Jesus, o Cristo, porque disse que a menina não estava morta cf. verso 40 - "E riam-se dele; porém ele, tendo feito sair a todos, tomou consigo o pai e a mãe da menina, e os que com ele vieram, e entrou onde a menina estava." A diferença é que Ele é a ressurreição e a vida, diante de quem a morte não prevalece. Logo, tendo em vista o que Ele iria realizar e em seu propósito de ressuscitá-la, a menina não permaneceria morta. Assim, no texto de I aos Tessalonicenses, o sentido de vigiar é o de crer que, não importa a nossa condição humana de desatenção ou de sobriedade e vigilância, estamos em Cristo espiritualmente. Demonstra que a nossa salvação depende exclusivamente da nossa inclusão na morte de Cristo onde perdemos nossa vida almática para ganharmos a vida de Cristo. A expressão: "... como os demais..." do texto em tela, significa aqueles que são homens naturais. Estes, sim, estão em constante estado de catatonia espiritual, isto é, sono espiritual. O apóstolo Paulo está tratando do arrebatamento. Portanto, é uma questão de redenção plena e não de recompensa pelo que fazemos ou deixamos de fazer. 
I Pd. 5:8 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar." Neste texto é utilizado o mesmo verbo vigiar [γρηγορησατε] do qual já foi falado. Neste contexto não traz o sentido de ficar ansioso, preocupado e todo tempo procurando sinais de ataque do Diabo. Ao contrário, ensina que o acusador estará sempre nos espreitando e nos acusando diante de Deus por causa dos nossos erros. Não é nossa vigilância que o detém ou o afasta. Entretanto, ele não pode tocar naqueles pelos quais o Senhor Jesus morreu e ressuscitou. A maioria dos religiosos lê com atenção, este versículo, até a palavra 'leão'. Porém, não presta atenção ou não vigia sobre o que diz o resto do texto: "... procurando a quem possa tragar." Ou seja, o Diabo só pode exercer poder sobre aqueles que não têm a vida de Cristo. O ato de não ser sóbrio, não se manter vigilante e não perceber a vida de Cristo pode trazer apenas sofrimento social ou material. Jamais poderá nos separar do amor de Cristo. Não é nossa sobriedade e nossa vigilância que nos dá a redenção eterna.
Sola Gratia!

janeiro 15, 2020

O ÚLTIMO ENGANO VIII

II Co. 11: 14 e 15 - " E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras."
O engano e a mentira têm como premissa básica ser o mais semelhante à verdade, porque, do contrário, ninguém daria crédito. O texto que abre este estudo permite esta percepção, quando mostra Satanás se apresentando disfarçado de anjo de luz e seus demônios ministradores, como ministros da justiça. Neste sentido o último engano será tão bem elaborado que a maior parte dos povos e nações o receberá como verdade absoluta. Isto é confirmado em Ap. 13: 4 - "... e adoraram o dragão, porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta, dizendo: quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" 
Jesus, o Cristo, certa feita, afirmou em Jo. 5: 43 - "Eu vim em nome de meu Pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, a esse recebereis." A humanidade formada, em sua grande maioria, por homens mortos para Deus, abraçará o último engano com grande alegria, porque a oferta de Satanás será a felicidade, a prosperidade e a solução dos mais gritantes males humanos sem a interveniência de Deus e seu Cristo. Isto satisfaz o projeto do homem decaído, a saber, a ilusão de que é seu próprio salvador. A ideia do projeto satânico é a de que Deus não é necessário. Percebe-se, do ponto de vista do homem, que tal projeto está dando muito certo. Confiam na ciência e na razão como bases para negar a pessoalidade e soberania de Dues.
Há anos um grupo denominado adeptos da Teoria do Astronauta Antigo vem difundindo a ideia que os humanos são originados de seres que vieram das estrelas. Segundo esta teoria, estes seres extra-terrestres visitaram o planeta Terra em seus primórdios em busca de ouro para realizar um tratamento na atmosfera do seu planeta natal que se achava em processo de degradação. Como o trabalho de extração e refino do ouro era muito árduo, resolveram criar escravos para fazer o trabalho pesado. Então, decidiram alterar o código genético dos primeiros hominídios, acrescentando uma parcela dos seus próprios genes. Isto teria permitido um grande salto qualitativo no desenvolvimento intelectual e tecnológico do homem. Estes supostos seres são denominados, em língua babilônica, 'anunnaki' cujo significado pode ser: "aqueles que foram expulsos dos céus" ou "aqueles que foram arrojados para a Terra." Acerca destes, foram encontrados muitos registros escritos em tabletes, esculturas e figuras de sua aparência na antiga Suméria. 
Por razões que os teóricos do astronauta antigo não explicam, os tais extra-terrestres abandonaram a Terra e a humanidade a sua própria sorte. Entretanto, há registros em todas as partes do globo terrestre sobre estes visitantes do espaço. Todas as culturas, das mais adiantadas até as mais atrasadas têm em seus relatos folclóricos, religiosos e tecnológicos com base nos contatos com seres vindos das estrelas. Tais culturas afirmam que os mesmos iriam retornar à Terra um dia. Ora, é só ligar os pontos e se poderá encontrar claramente o que está por trás destes fatos. Não são seres de outros planetas, mas sim os anjos caídos chefiados por Satanás. Este é o projeto que trará o grande engano final.
Na curta epístola de Judas versos 6 e 7 encontram-se as seguintes palavras: "... aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia, assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como aqueles anjos, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno." Que anjos não se mantiveram em seus domínios determinados por Deus? Que anjos abandonaram suas próprias formas, ou seja, seus corpos originais e vieram para a Terra? De que maneira aqueles anjos se prostituíram e experimentaram a mesclagem com mulheres humanas de outra natureza física? Ora, no capítulo 6 do livro de Gênesis deixa claro que foram anjos que desobedeceram as ordens de Deus. Estes são os anjos caídos, os quais abandonaram seus postos. Sabe-se que muitos teólogos têm grandes objeções a esta leitura da Bíblia. Entretanto, seus argumentos não são terminativos e suficientes para negar os fatos em seu conjunto contextual.
Neste ponto surge um paradoxo, pois as Escrituras afirmam que Deus não faz nada em relação a Terra, sem comunicar aos seus profetas conforme o registro de Am. 3:7 - "Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." O contexto deste texto é relativo aos acontecimentos ligados à Nação Israelita em um dado momento. Todavia, não é errado expandir esta verdade para o contexto do grande Israel de Deus, a saber, a sua Igreja. Verifica-se, contrariamente, que não há qualquer revelação de Deus aos profetas que autorize intromissão de seres extra-terrestres vindos das estrelas para realizar qualquer projeto de ajuda ou melhoria da humanidade. Deus tem apenas um único plano para a redenção do homem decaído, qual seja, enviar o seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos para resgatar os eleitos. Os planos de Deus para o mundo são muito claros nas Escrituras.
Ora, fica evidente que tais seres vindos das estrelas são os anjos caídos sob as ordens de Satanás, para perpetrar o último engano. Os tais habitam no espaço sideral conforme Ef. 6:12 - "... pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes." Então, fica claro que tais seres vindos dos mundos celestiais são os mesmos que não guardaram seu principado, ou seja, os domínios que Deus lhes confiou. Eles abandonaram suas formas próprias e se mesclaram com a raça adâmica, produzindo híbridos para contaminar a humanidade. São eles os agentes da iniquidade e pertencem ao mundo das trevas. Trevas no sentido bíblico faz referência à falta de conhecimento e submissão ao reino de Deus e de Cristo. Acrescenta-se ainda, que, a palavra anjo, nada mais significa que mensageiro. As imposições místicas geradas pela religião é que transfigura este significado para algo que pode não ser aceito como sendo os anjos caídos os tais seres vindos das estrelas ou de outros planetas. Na ância de obter respostas sobre si mesmos, os homens darão ouvidos a estas teorias engendradas pelo próprio Satanás, disfarçadas de ciência e conhecimento superior.
Soli Deo Gloria!