agosto 03, 2015

PARA QUEM É A SALVAÇÃO? II

Rm. 10: 8 a 12 - "Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que pregamos. Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: ninguém que nele crê será confundido."
Indagar para quem é a salvação, por si só, traz enorme polêmica. Entretanto, não se faz isto por mera polêmica. A polêmica sempre é do lado que não concorda que a salvação não é para todos os homens. Há inumeráveis argumentos utilizados pelos arminianos e universalistas para contradizer tal assertiva. Porém, nas Escrituras há outros tantos e inumeráveis textos dando conta que Jesus, o Cristo morreu para um grupo de pessoas e não por todas as pessoas, ou mesmo para cada homem em particular. 
O maior entrave para que religiosos tenham o mínimo de compreensão, pelo menos intelectual, sobre o assunto são seus pressupostos conceituais. Não adianta tomar do texto sagrado fazendo adaptações conceituais. A salvação não é uma questão de moralidade, mas de soberania de Deus conforme ele mesmo afirma em Rm. 9:15 e 16 - "Porque diz a Moisés: terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia." No contexto, o apóstolo Paulo está doutrinando sobre eleição e não de bondade natural de Deus. Por amor, ele usa de misericórdia e graça até com o mais vil pecador. O que está sendo colocado doutrinariamente no texto é graça e misericórdia salvíficas.
Viu-se no estudo anterior que os judeus estavam sobrepondo suas próprias justiças à justiça de Deus. Isto implica dizer que, Deus está oferecendo a redenção pela graça mediante a fé na obra de Cristo na cruz, mas os religiosos preferem "garantir" a salvação pelo cumprimento da lei moral e cerimonial, desenvolvendo um sistema de justiça própria. Esta é a maior cilada satânica na percepção da verdade, porque, colocando o homem como cooperador no processo da salvação, isto lhe confere mérito na causa e nos efeitos desta. Portanto, Deus não seria suficiente e eficiente em Cristo para salvar o pecador. É esta a mensagem subliminar que o Diabo coloca no coração dos religiosos a fim de que não entrem e não vejam o reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Nascer de novo é, no texto original, nascer do alto. Isto implica em que a regeneração não pode ser operada e operacionalizada pelo homem. Trata-se de uma ação puramente monérgica e, jamais, sinérgica. É uma ação soberana e sobrenatural sem o concurso do homem. O homem é passivo, pois é ele portador da natureza pecaminosa que o separa de Deus. Logo, como poderia ter qualquer participação na sua própria salvação? Nascer da água e do Espírito segue a mesma ação monérgica, pois a água simboliza o evangelho e o Espírito é quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo. Portanto, em nada o pecador pode modificar, cooperar ou participar de tal operação e operacionalização.
O texto de abertura mostra que Deus opera a vivificação para salvação por meio da Palavra e não por sinais e evidências externas. Hoje, as religiões invertem esta verdade, pois seus seguidores são atraídos pelo que se vê ou o que se consegue em troca de algum ritualismo que não é culto racional. A 'palavra da fé' a que alude o texto é a palavra da cruz conforme I Co. 1:18 - "Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus." Por que a mensagem da cruz é loucura para os que se deterioram para a morte eterna? Porque ela mostra que a salvação é pela graça mediante a fé e não por obras de justiça própria e de méritos. Para os que já foram alcançados pela cruz, tal palavra é o poder de Deus e não o poder de um pregador, de uma religião, de uma seita. 
A segunda verdade exposta claramente no texto de abertura é que a 'palavra da fé' exige que se confesse a Jesus como Senhor e que Deus o ressuscitou dentre os mortos. Lendo superficialmente, não se percebe a profundidade destas palavras, porque elas só podem ser compreendidas espiritualmente. Confessar é um vocábulo que deriva da junção de 'com' + '', portanto, a salvação depende da fé que Jesus, o Cristo é o Filho Unigênito e Primogênito de Deus. Não é uma mera emissão de som declarativa, mas uma confissão, e, como tal, é algo procedente do sobrenatural. Provém do espírito vivificado e reconciliado com Deus por meio de Cristo. A confissão de Jesus como Senhor decorre da fé que procede do coração que, como já foi dito, é a sede da dimensão espiritual do homem. A boca confessa o que foi apreendido pela espírito por meio da pregação da Palavra de Deus. Não se trata, portanto, de um enunciado repetitivo de doutrinas defendidas por um líder, uma igreja, uma seita ou denominação religiosa. A fé não é o subproduto de um legado religioso herdado culturalmente, mas um dom de Deus.
Finalmente, é fundamental aperceber-se que é com a boca que se faz confissão daquilo que já foi internalizado espiritualmente ao ouvir a mensagem da cruz conforme Rm. 10:17 - "Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo." Sendo a fé um dom e não uma virtude humana, depende da graça e da misericórdia de Deus e não de méritos e de justiça própria. Não é o repetir de textos bíblicos ou mesmo declarar princípios e declarações de fé de uma denominação religiosa que produz a vivificação. Muitos leem as palavras: "... pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação." Imaginam em suas mentes naturais que basta reafirmar que creem e dizer isso uns aos outros e, pronto, estão salvos. Ao contrário, alguém só é capaz de crer no coração e confessar com os lábios aquilo que foi operado e operacionalizado pela ação monérgica de Deus no espírito. Do contrário, fazem apenas declarações procedentes da mente intelectiva. Não há qualquer valor espiritual se não houver primeiro o novo nascimento. É este ato soberano iniciado, executado e concluído em Deus que salva. É Deus quem conduz o pecador eleito até a cruz conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." O texto é taxativo ao afirmar que ninguém pode ir a Cristo se Deus não o conduzir. Não se trata de querer, mas de poder, justamente, porque o homem natural não pode por conta própria se inclinar para a verdade. O homem portador da natureza pecaminosa não discerne espiritualmente, porque seu espírito está morto para Deus. Isto é claramente ensinado em I Co. 2:14 - "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." O homem natural a que alude o texto é aquele que vive conforme sua natureza não regenerada. Não podendo entender as operações das leis espirituais, cria para si um sistema de crença substitutivo para chamar de verdade. Irão todos para a condenação eterna com toda a religião e esforço de justiça própria.
Sola Gratia!

agosto 02, 2015

PARA QUEM É A SALVAÇÃO? I

Rm. 10: 1 a 4 - "Irmãos, o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus por Israel é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus. Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê."
Qualquer dicionário em língua portuguesa traz as sinonímias do verbete 'salvação' como: "ação ou efeito de salvar-se ou de libertar-se", "resgate", "redenção", "remissão." Isto porque, no sentido espiritual, a salvação é o resgate do pecador de sua natureza pecaminosa. Portanto, é a libertação, a redenção e a remissão dos eleitos cujos nomes foram escritos no livro da vida do Cordeiro antes da fundação do mundo conforme Ap. 13:8.
Desta forma, a salvação é um ato e não um processo gradual. Biblicamente a salvação destina-se à pessoas e coisas que estão contaminadas pelo mal e necessitam ser reconciliadas. A natureza e as coisas inanimadas serão purificadas na restauração final. O homem é salvo pela justiça executada por Deus na cruz, sendo, portanto, justificado por ela. A justificação do pecador só é possível pela execução da sentença de Deus contra o pecado conforme Ez. 18:4 - "Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá." A morte a que alude o versículo, não é apenas a morte física, mas também a separação de Deus. Na morte eterna, o corpo volta ao pó e lá permanecerá, a alma no lago de fogo e enxofre e o espírito retornará a Deus de onde veio. Portanto, a dimensão tripartite do homem ficará eternamente separada e não será restaurada plenamente. Será um ser esfacelado, pois não terá a plena integridade.
Alguns fundamentos do verdadeiro evangelho se acham extremamente banalizadas por causa das religiões apartadas das Escrituras. Os ensinos sobre pecado, condenação, salvação, bíblia e inferno, não causam qualquer reação na maioria das pessoas. Contrariamente, grande parte delas se opõe a tais princípios, e alguns até as odeiam ostensivamente, porque os erros das religiões transfiguraram a verdade em algo superficial, ineficaz e humanizado. Por natureza todo homem não possui inclinação para Deus e para a verdade. Logo, o problema não está na mensagem verdadeira, mas no mensageiro não vivificado e no ouvinte morto para Deus. Muitos mensageiros necessitam de salvação, então, como poderia suas mensagens possuir eficácia? Uma mensagem religiosa pode até ter eficiência para ajuntar pessoas, reformá-las moralmente, mas poderá não ter eficácia alguma na redenção delas. A eficiência satisfaz apenas aos objetivos de uma igreja, crença ou religião, mas pode não satisfazer plenamente à exigência da justiça de Deus:"... a alma que pecar, essa morrerá."
A pregação religiosa apenas como desejo do coração do homem poderá ter enorme eficiência em ajuntar pessoas em torno de uma denominação religiosa ou sistema de crença. Um grande número de pessoas reunidas cantando, lendo textos bíblicos, praticando ritos, obedecendo preceitos legais e praticando bom comportamento, não significa verdade e salvação. Se a ação para tudo isto não for monérgica, será apenas religião. Muitos confundem o ensino sobre a necessidade de congregar-se com a prática religiosa do agregar-se. Uma congregação se compõe de pessoas eleitas e regeneradas sob a mesma fé e prática operadas pela ação de Deus monergisticamente. Uma agregação é um conjuntos de pessoas reunidas em torno de um desejo, projeto, ideal ou rituais que satisfazem suas carências e medos sinergisticamente. Por esta razão a doutrina diz em Hb. 10: 19 a 25 - "Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia."
O eleito e regenerado tem acesso a Deus, não por méritos, mas porque Jesus, o Cristo abriu o véu que o separava de Deus. O caminho novo é o evangelho, isto é, as boas novas em Cristo. Isto permite que o homem salvo tenha uma nova disposição, achegando-se a Deus pela fé. O coração, ou seja, a alma e o espírito do homem regenerado foi purificado na cruz. O corpo impregnado de atos pecaminosos foi lavado pela água limpa, a saber, a pregação da verdade. A partir desta nova disposição, os eleitos e regenerados têm uma inabalável confissão da esperança na salvação. A marca dos regenerados é a consideração uns aos outros, estimulando-se ao amor, às boas obras, e não abandonando a congregação. Ao contrário, quando se percebe algum desvio da verdade, admoestam-se uns aos outros para correção e orientação. Entretanto, nas crenças religiosas, quando alguém discorda dos rituais, regras e preceitos estabelecidos, o discordante é desprezado, pressionado e, por vezes, excluído e condenado. Enquanto os membros de tais religiões permanecem concordantes e cooperam em trabalhos e finanças é tido como um exemplo. Quando cai em algum ato falho ou desvio, é rechaçado e muitos viram-lhe o rosto. Onde está o ensino da verdade? Amar a quem é amável é fácil, mas amar a quem é detestável é impossível ao homem sem Cristo.
O texto de abertura mostra que o homem sobrepõe sua justiça própria no lugar da justiça perfeita de Deus. Eles preferem dar continuidade à lei de mandamentos e ordenanças do antigo pacto, à receber a verdade que Cristo a cumpriu e concluiu na cruz. A justiça de Deus é Cristo levantado na cruz para atrair os pecadores eleitos, enquanto a justiça própria do homem se constitui de preceito sobre preceito, regra sobre regra. Enquanto Deus em Cristo atrai o pecador para destruição da natureza pecaminosa, a justiça humana impõe ao pecador carga que ele jamais poderá suportar. Isto porque o homem portador da natureza pecaminosa não possui inclinação para Deus conforme Rm. 3: 10 a 12 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." O incrédulo lê este texto e imagina: 'eu não me enquadro neste caso, porque pertenço a tal igreja, sou batizado, deixei de beber, fumar, prostituir, adulterar, mentir, etc.' Entretanto, ele se apega a comportamento moral, enquanto as Escrituras se firmam em princípios espirituais. Por isso, permanecem religiosos, porém incrédulos, pois religião não salva, mas a execução da justiça de Deus na cruz. A cruz não é apenas um emblema simbólico da morte de Jesus, o Cristo, mas um princípio interior a ser vivido. A morte de Jesus, o Cristo não foi apenas substitutiva, mas também inclusiva. Os pecadores eleitos estavam nele em sua morte e em sua ressurreição.
Sola Fides!

agosto 01, 2015

LIVRE-ARBÍTRIO, UM FALSO "DEUS" CRIADO PELO HOMEM V

Jr. 21: 8 a 10 - "E a este povo dirás: assim diz o Senhor: eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte. O que ficar nesta cidade há de morrer à espada, ou de fome, ou de peste; mas o que sair, e se render aos caldeus, que vos cercam, viverá, e terá a sua vida por despojo. Porque pus o meu rosto contra esta cidade para mal, e não para bem, diz o Senhor; na mão do rei de Babilônia se entregará, e ele a queimará a fogo."
Encerrando esta série de estudos sobre o falso "deus" entronizado pela crendice religiosa e humanista toma-se esta pequena porção do profeta Jeremias acima. O contexto mostra que o próprio Deus trouxe os caldeus contra Israel conforme os versos 4 a 6 - "Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: eis que virarei contra vos as armas de guerra, que estão nas vossas mãos, com que vós pelejais contra o rei de Babilônia e contra os caldeus, que vos estão sitiando ao redor dos muros, e ajuntá-los-ei no meio desta cidade. E eu mesmo pelejarei contra vós com mão estendida, e com braço forte, e em ira, e em furor, e em grande indignação. E ferirei os habitantes desta cidade, tanto os homens como os animais; de grande peste morrerão." Isto demonstra que não se pode utilizar o verso 8 para justificar o livre-arbítrio, visto que se trata de opções colocadas por Deus para obrigar o povo a se render. Não se trata de escolha livre, pois, obviamente, ninguém escolheria a morte pelos exércitos de Nabucodonosor. Este é o mesmo ensino de outros textos bíblicos em que é dado ao homem fazer escolhas. Não são escolhas livres, com arbitramento de valor livre. No caso do texto acima, escolhendo ficar na cidade, ou escolhendo se render aos caldeus, a escolha não seria livre, mas condicionada à cegueira e obstinação, ou ao que Deus havia predeterminado. Todos os homens passam por momentos em que a única escolha é aquela possível, não a que faria livremente.
Qualquer pessoa, crente ou incrédula, que diz possuir livre-arbítrio, deverá ser absolutamente independente de circunstâncias natural ou sobrenatural. Além disso, deve ter absoluta capacidade de julgamento sem qualquer interferência natural ou sobrenatural. O homem tem esta forte inclinação para cultuar o livre-arbítrio, poque este lhe confere a falsa presunção de merecimento diante de Deus. O ensino das Escrituras não confere tal mérito a nenhum homem, salvo, por meio dos méritos de Jesus, o Cristo.
Alguns líderes religiosos de Israel ao tempo em que Jesus, o Cristo andou entre eles, afirmaram o seguinte: "... e nunca fomos escravos de ninguém..." Ao que respondeu o Grande Rei: "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." Quando alguém considera o livre-arbítrio como sendo uma verdade plausível, deixa de considerar que, além das necessidades naturais determinantes, das dependências circunstanciais e existenciais do mundo, o homem também está sob controle de forças espirituais. O maior entrave à possibilidade de o livre-arbítrio é a própria natureza pecaminosa no homem desde as suas origens. Ninguém é pecador, a priori, porque comete atos falhos ou imorais. O homem é pecador, porque possui natureza pecaminosa inerente conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Este único homem que pecou foi o primeiro Adão. Do DNA pecaminoso do ancestral comum, todos os homens descendentes herdaram a natureza pecaminosa. Sendo este pecado uma realidade que escraviza os desejos, a vontade e as decisões humanas, logo, todos são escravos do pecado. Um escravo de qualquer natureza é dependente dessa condição e não absolutamente livre. Quem é dependente de qualquer coisa ou pessoa e age na conformidade sujeita a tal dependência, não é livre sob quaisquer aspectos. 
O julgamento humano contaminado pela natureza pecaminosa o torna comprometido e vicioso, pois a soberba gera a presunção de autonomia. Isto fica evidente em Gn. 6:5 - "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na Terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente." O que é 'a imaginação dos pensamentos' senão a capacidade de julgar? Se o julgamento procede de uma mente corrompida pelo mal, como tal julgamento poderia ser perfeito ou justo? Por esta razão é que Cristo afirma categoricamente: "Não julgueis, para que não sejais julgados." Em outra instância ele afirma o seguinte: "Não julgueis pela aparência mas julgai segundo o reto juízo." Isto implica em que, a avaliação deve ser fundamentada no reto juízo, a saber, nas Escrituras. Isto exclui a arbitragem proveniente do coração do homem cuja imaginação dos pensamentos é má continuamente. Tal continuidade define que a escravidão e dependência do homem é uma questão de natureza e não de escolhas livre para o bem, ou para o mal. 
A única forma de obter a libertação da condição de escravidão pelo pecado é ganhando a verdadeira libertação. A liberdade humana está condicionada pela fonte do pecado. Ainda que alguém abandone um vício, deixe de roubar e de mentir, pare de fazer qualquer ato reprovável, a natureza para repeti-los ou praticar outras formas de mal continua em seu coração. No texto escriturístico, coração, não é o órgão que bombeia o sangue, mas é a sede da alma e do espírito do homem. A contaminação não é física, mas almática e espiritual. Jesus, o Cristo define o único meio de libertação desta contingência humana em Jo. 8: 32 e 36 - "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (...) Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fides!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

julho 30, 2015

LIVRE-ARBÍTRIO, UM FALSO "DEUS" CRIADO PELO HOMEM IV

Sl. 139:16 - "Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles."
O conceito de livre-arbítrio está tão enraizado na cultura popular que, mesmo religiosos de igrejas reformadas, se utiliza deste expediente para justificar a ideia de escolhas morais. É, sem dúvidas, um 'deus' entronizado nos púlpitos, cantado e decantado em verso e prosa nos arraiais da religião nominal. É o subproduto do distanciamento das Escrituras e da aproximação dos padrões culturais para receber reconhecimento e aceitação. O preço deste desvio sairá muito caro na eternidade. Estes que se curvam aos caprichos e exigências da sociedade corrompida pela natureza pecaminosa terão mais severo julgamento conforme Lc. 12:48 - "Daquele a quem muito é dado, muito se lhe requererá; e a quem muito é confiado, mais ainda se lhe pedirá.
Por natureza a luz jamais é influenciada pelas trevas, ao contrário, as trevas são dissipadas pela luz. Esta graça é concedida aos eleitos e regenerados. Os que permanecem apenas na superficialidade da religião, andarão e se guiarão pela luz apenas humana que, de fato, são trevas. O ensino é do Mestre em Mt. 6:23 - "Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!" Isto indica que, se o conhecimento espiritual que o homem possui é com base apenas em seu próprio entendimento, ele está em trevas. A diferença é simples: Deus é luz, o homem possui a presunção de ter luz. Tal presunção trata-se de um conjunto de informações acerca de Deus, Jesus, fé e Escrituras. Não são resultantes da revelação no espírito, mas apenas da letra. O ensino neotestamentário afirma que o mero conhecimento intelectual sobre assuntos espirituais é letra que mata conforme II Co. 3:6 - "... o qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica."
Toda vez que se põe o livre-arbítrio em discussão os defensores lançam mão de alguns versículos para justificá-lo. Tal justificação, em muitos casos, toma por base apenas um texto isolado do contexto. Não há nada de errado em usar um versículo isolado, desde que não se retire dele o seu real significado no tema a que alude. Noutros casos, o entendimento do defensor é entenebrecido pela falta de luz verdadeira. Essa luz não se trata de fenômeno óptico, mas de conhecimento e sabedoria do alto conforme Jo. 1: 1 a 10 - "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu." Vê-se pelo contexto que, a luz verdadeira é Cristo e nem mesmo João, o batista foi considerado como a luz verdadeira. Em Cristo estão: a vida e a luz, a saber, o conhecimento pleno e perfeito e eternidade. Cristo veio e resplandeceu nas trevas, mas estas não o conheceram. Desta forma fica também evidente que, conhecer a Luz Verdadeira não é uma questão de livre-arbítrio, mas de revelação desta luz aos eleitos.
Uma das citações mais utilizadas pelos adoradores do livre-arbítrio é Dt. 11: 22 a 28 - "Porque, se diligentemente guardardes todos estes mandamentos que eu vos ordeno, se amardes ao Senhor vosso Deus, e andardes em todos os seus caminhos, e a ele vos apegardes, também o Senhor lançará fora de diante de vós todas estas nações, e possuireis nações maiores e mais poderosas do que vós. Todo lugar que pisar a planta do vosso pé será vosso; o vosso termo se estenderá do deserto ao Líbano, e do rio, o rio Eufrates, até o mar ocidental. Ninguém vos poderá resistir; o Senhor vosso Deus porá o medo e o terror de vós sobre toda a terra que pisardes, assim como vos disse. Vede que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu hoje vos ordeno; porém a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que eu hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que nunca conhecestes." Na dispensação a que alude o texto vigoravam a Lei Moral e a Lei Cerimonial para o povo e os Decretos Eternos de Deus. Tais pactos e alianças da Lei Moral visavam manter a pureza étnico-religiosa do povo israelita, porque dele viria o Messias, isto é, Jesus, o Cristo. Quanto à Lei Cerimonial eram ordenanças acerca de como deveria o povo de Israel cultuar a Deus. Desta forma, a coesão, a existência contínua e a prosperidade do povo dependeria da manutenção de tais concertos, pactos e ordenanças. Eram prescrições para a permanência do povo hebreu na Terra Prometida após a libertação do cativeiro do Egito por 430 anos. A colocação da obediência dos códigos prescritos visava apenas formar um povo que cultuasse um Deus único e soberano que se revelou à Abraão. O texto não autoriza extrapolações para o campo espiritual. Portanto, mesmo que todo o povo escolhesse a bênção e não a maldição, ainda assim, isto apenas lhe garantiria uma nação coesa e forte até que o Salvador viesse para executar a justiça de Deus na cruz. Tanto é verdade que, por escolherem quase sempre a maldição, sofreram o terror das tribos vizinhas e o domínio de grandes nações daquele tempo. Tal sofrimento veio para que se cumprissem as predições das ordenanças e pactos colocados diante do povo por Deus. Ainda hoje, os israelitas estão ilhados no Oriente Próximo cercados por aproximadamente 200 milhões de inimigos declarados ou velados. Sofreram diversas diásporas pelo mundo, sendo a última, da ordem de 2.000 anos espalhados entre os povos e nações. 
Outro texto usado e abusado para justificar a falsa doutrina do livre-arbítrio é Dt. 30:19 e 20 - "O céu e a Terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz, e te apegando a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; e para que habites na terra que o Senhor prometeu com juramento a teus pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó, que lhes havia de dar." Mais uma vez, basta ler o contexto geral para verificar que são escolhas oferecidas para o bem-estar do povo e não com sentido de redenção espiritual. Vê-se, portanto, que o povo não escolheu a vida, visto que a verdadeira vida e luz veio ao mundo e o mundo não o conheceu. Em relação aos israelitas, Jesus, o Cristo é mais enfático em Jo. 1:11 - "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam." O Cristo veio primeiramente para os da sua etnia ou origem, mas eles não o receberam como o salvador. Ao contrário, o rejeitaram de modo tão odiento, que o entregou como trunfo político aos dominadores romanos. Assim, fica evidente que eles não escolheram a vida, pois Cristo é a vida. Esta escolha ocorreu por causa das suas naturezas pecaminosas e não por ter liberdade de optar entre a vida e a morte espiritual. Por suas naturezas decaídas, só poderiam escolher rejeitá-lo e não recebê-lo. Esta é a inclinação natural do homem decaído conforme Rm. 3: 10 a 12.
Sola Gratia!

julho 25, 2015

LIVRE-ARBÍTRIO, UM FALSO "DEUS" CRIADO PELO HOMEM III

Jr. 13:23 - "... pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas malhas? Então podereis também vós fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal."
Sempre quando alguém levanta a questão da impossibilidade de haver livre-arbítrio, aparecem as cogitações baseadas em uma lógica simplista para defender a existência do mesmo. Um típico caso é dizer: "se eu quiser fazer isto ou aquilo agora eu simplesmente vou lá e faço." Ou ainda, "hoje eu decidi vestir tal roupa, usar tal sapato, comer tal coisa" e isto prova que eu tenho livre-arbítrio. A pessoa parca de fé e tacanha de conhecimento sempre se apega a este tipo de lógica, porque não consegue abstrair-se da própria realidade circunstanciada. Tal pessoa não sabe, porque não conhece, fazer distinção entre vontade, desejo e ação. Também não sabe distinguir entre escolhas naturais e escolhas espirituais. 
É óbvio que, apesar da queda, o homem não perdeu sua capacidade de fazer escolhas, porque não lhe foi retirada a vontade que, aliás, ficou escrava dos desejos. A vontade é conduzida pelo desejo e suas ações ficam circunscritas apenas a esta esfera. A vontade planeja, porque o desejo lhe impõe tal plano e a ação decorre apenas disso e não de uma decisão livre. Portanto, a ação não é livre, porque está condicionada à necessidade gerada pelo desejo e subordinada à vontade escrava deste desejo. Deixa de considerar ainda que, mesmo estas escolhas circunvaladas na dependência do desejo e da vontade corrompidos pelo pecado, podem ser, e são, controladas pela soberania de Deus. Desta forma, se alguém está sentado em uma poltrona e decide se levantar para ir ao banheiro, porque foi forçado pela necessidade fisiológica, ainda assim, não terá nenhuma garantia que chegará ao banheiro conforme planejado. Entre o ato de se levantar e o ato de chegar ao banheiro para fazer suas necessidades, pode ocorrer um ou diversos eventos fora do controle do agente. 
As escolhas naturais são relacionadas à sobrevivência do homem enquanto animal. Portanto, comer, dormir, defecar, urinar, beber água, fazer sexo, são escolhas determinadas pela condição existencial e não livres escolhas. Tais escolhas não podem ser entendidas como livre-arbítrio, pois são circunstanciadas à necessidade determinada pelas contingências humanas naturais. Ninguém decide que irá fazer o seu coração parar, porque não tem qualquer controle sobre este órgão cujos movimentos são involuntários. Escolhas espirituais, por exemplo, nenhum homem é capaz de fazê-las sem o concurso da graça e da misericórdia de Deus. Infelizmente, as religiões institucionais e a igreja nominal incute na cabeça do homem que ele "aceita Jesus como Salvador", é exatamente o contrário, é Cristo quem aceita o pecador por meio da graça e da misericórdia. O homem apenas recebe o dom de Deus, pois do contrário não seria dom e sim recompensa. A mentalidade pecaminosa deseja aproximar-se de Deus por meio de méritos, por isso, preferem o aceitar e não o receber. Aceitar é ativo e receber é passivo, portanto, quem aceita, faze-o mediante a justiça própria, quem recebe ganha o dom de Deus pela graça sem méritos. Outro erro grosseiro é dizer: "eu me converti", quando, de fato, o pecador é convertido sendo isso claramente ensinado em Lm. 5:21 - "Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes." 
O que ocorre, comumente, é que as igrejas institucionais - celeiro da religião humanista - vão incorporando padrões comportamentais, éticos, semânticos ao seus discursos. Assim, vão se distanciando cada vez mais da sã doutrina e corrompendo os sentidos dos seus ascetas. É com alguém dizer: "eu me operei" com sentido de que sofreu uma intervenção cirúrgica. Trata-se, portanto, de inconsistência absoluta, visto que um paciente não pode tomar do bisturi e fazer incisões em seu próprio corpo para extirpar um mal qualquer. Este é o mesmo padrão de incorporação que domina a terminologia religiosa e pseudo-teológica recorrente nas crenças e religiões ditas cristãs. 
Quando Deus pronuncia uma sentença ou um enunciado literal, o conceito de livre-arbítrio se esvai totalmente. Isto se vê em Is. 43:13 - "Eu sou Deus; também de hoje em diante, eu o sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?" Há alguma alternativa ao homem? Portanto, qualquer concepção de livre-arbítrio que não passa pela operação do querer e do efetuar de Deus é mera arrogância produzida pela natureza pecaminosa. O homem controlado pela pecaminosidade é, por natureza, um insolente. E, como tal, está em constante estado de rebelião contra Deus. Mesmo quando opta por um estilo de vida dedicado ao bem ou ao legalismo e abstinência, até isto pode ser sinal de rebelião. Isto porque, o bem ou o correto praticado pelo esforço do homem contaminado pela natureza pecaminosa é imundícia espiritual conforme Is. 64:6 - "Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como o vento, nos arrebatam." Vê-se que o texto não retira a justiça praticada pelo homem, apenas a reduz à imundície. Parece estranho que Deus considere as justiças próprias do homem como imundas. Entretanto, isto se deve ao fato que a fonte ou a origem delas está impura pela natureza pecaminosa. A questão é que, a única justiça perfeita capaz de aniquilar o pecado é a justiça de Deus por meio de Cristo na cruz. Portanto, sem morrer com Cristo na cruz e com ele ressuscitar para a vida, nenhum outro padrão de justiça serve diante de Deus. A justiça própria do homem, os seus bons comportamentos e sua retidão moral são bons e até necessários na sociedade. Não possui valor espiritual e muitos menos de justificação do pecador. Do contrário, a morte substitutiva e inclusiva de Cristo seria absolutamente dispensáveis. 
Soli Deo Gloria!

julho 22, 2015

LIVRE-ARBÍTRIO, UM FALSO "DEUS" CRIADO PELO HOMEM II

Jr. 10:23 - "Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho; nem é do homem que caminha o dirigir os seus passos."
O mito do livre-arbítrio é sustentado, tanto pela cultura popular, quanto por religiões espiritistas, espiritualistas e, por último, por setores do Cristianismo Institucional ou Nominal. Há necessidade de especificar a diferença entre "Cristianismo Institucional" e "Cristianismo Bíblico". Aquele foi deformado por concepções relativísticas e humanistas ao longo da História, este, minoritário e imperceptível, se mantém nos princípios ensinados nas Escrituras. Aquele satisfaz aos anseios dos desejos humanos, este satisfaz à justiça de Deus na cruz. Aquele é cristianismo apenas na forma nominal, mas não no conteúdo, este opera conforme a sã doutrina.
A grande questão é, o homem possui de fato, a vontade que planeja, toma decisões e age. Tal vontade decide o que quer, o que diz, o que faz e o que pensa. Entretanto, esta mesma vontade não é autônoma ou livre para executar tais decisões, palavras, desejos e pensamentos. Uma pessoa pode tomar as mais sublimes ou as mais tenebrosas decisões, mas não tem o poder de levá-las à cabo. Então, indaga-se, até que ponto a vontade do homem é livre e, em que aspecto ela é, realmente, livre? Visto que liberdade significa total independência da necessidade e de causas anteriores determinantes, nenhum homem é, de fato, livre. O livre-arbítrio é um engano gerado pela morte espiritual e cultuado pela alma humana separada de Deus e impregnada pelo pecado. O homem está espiritualmente morto para Deus, portanto, suas ações ocorrem dentro de uma concepção circunstanciada pela vontade escravizada pela natureza pecaminosa. Logo, não é nem livre, nem pode arbitrar absolutamente nada livremente.
Que a vontade do homem pode projetar, elaborar e desejar um plano, não há a menor dúvida. Todavia, ela não é livre para executá-lo livre e absolutamente. Por exemplo, ninguém deseja ser pobre e, no entanto, a maioria das pessoas é pobre. Ninguém deseja morrer, mas todos morrem. Ninguém escolhe ficar doente, mas quase todos experimentam doenças e enfermidades ao longo da vida. Portanto, é uma falácia o ditado que diz: "querer é poder". Quantas pessoas fazem pactos na virada do ano sobre planos de mudanças para a vida. Logo no primeiro dia do ano novo lá estão elas repetindo os mesmos erros do ano anterior. Então, a simples liberdade de planejar da vontade humana, não significa liberdade para realizar tais planos. Por causa desta discrepância é que muitas pessoas passam a desconfiar de Deus, depois desacreditam de Deus e, por último, odeiam Deus, porque descobrem que suas vontades são livres para planejar, mas não são livres para executar. O homem decaído está circunstanciado na vala do pecado. Isto o faz percorrer uma jornada com um espírito morto, a saber, separado de Deus e uma alma que deseja fortemente executar ações em benefício próprio.
Ao postular que a vontade humana é livre, não se postula que ela determina o curso da vida e seus acidentes. Em Gênesis é contada a história dos irmãos de José que, por ciúmes, o venderam a uma caravana de ismaelitas para ser escravo. Deus, no entanto, o fez ser vice-rei do Egito. A vontade aparentemente livre sempre se esbarrará na soberania de Deus. Este é o conflito que domina o universo e que só terá fim com o retorno do Grande Rei e a restauração final. Jesus mostra esta realidade no caso do homem rico em Lc. 18: 12 a 21 - "Disse então: farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe disse: insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus." O homem planejou tudo conforme o seu desejo, mas não contava que naquela mesma noite a sua vida seria ceifada. 
Embora muitos o negue, mas o coração do homem é continuamente inclinado ao que é mau. Isto está registrado nas Escrituras em Gn. 6:5 - "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na Terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente." A questão é que, esta imaginação má está latente no homem por causa do pecado. Não quer dizer que todos os homens pratiquem maldades durante todo o tempo. Significa que subjaz lá no coração do homem a maldade potencial para praticar qualquer ato de maldade. O fato de alguns não roubar, não matar, não prostituir, não mentir, não implica que não tenham capacidade para tudo isso e mais um pouco. O que detém ou contém a maldade do homem são os freios da sociedade e, acima de tudo, o domínio espiritual de Deus no universo. Muitos são tidos como boas pessoas até o dia em que se descobre uma falha em seu caráter. Outros, são tidos como exemplos de abnegação e amor até que se descubra manchas ocultas em seus procedimentos. O que o exterior apresenta, não é o lado verdadeiro do homem. O que conta é o que a natureza humana é. Isto é devidamente explicado em Jr. 19:9 e 10 - "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer? Eu, o Senhor, esquadrinho a mente, eu provo o coração; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações." O coração nas Escrituras não é uma referência ao órgão que bombeia o sangue no corpo do homem. É a sede da alma e do espírito onde se originam todas as vontades, decisões e desejos. Portanto, aquele que é escravo da natureza pecaminosa, não é livre e nem pode arbitrar absolutamente nada. 
Por esta razão é que Jesus, o Cristo disse a Nicodemos, um dos príncipes de Israel: " Não te admires de eu te haver dito: necessário vos é nascer de novo." Em seguida o Grande Rei ajuntou: "O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito." Portanto, o que chamam de livre-arbítrio nada mais é que o "servo-arbítrio."
Solo Christos!

julho 20, 2015

LIVRE-ARBÍTRIO, UM FALSO "DEUS" CRIADO PELO HOMEM I

Pv. 16:9 - "O coração do homem propõe o seu caminho; mas o Senhor lhe dirige os passos."
O livre-arbítrio é um falso "deus" criado pela mente humana e cultuado pelo Gnosticismo. Este "deus" falso foi entronizado no coração do homem por meio do Humanismo. É também chamado de livre-alvedrio, significando que o homem possui liberdade de decidir, liberdade para escolher e liberdade para julgar. Também é dito que o livre-arbítrio é a capacidade de escolha da vontade humana entre o bem e o mal. Era, inicialmente, uma postulação filosófica, mas nos últimos anos tomou também caráter religioso e científico. Nos últimos tempos esse falso "deus" foi também entronizado nas igrejas institucionais celeiro de religiões humanas afastadas da verdade escriturísticas.
O livre-arbítrio, enquanto discussão filosófica, pode ser entendido segundo duas perspectivas: a) objetivista; b) subjetivista ou paradoxal. Enquanto concepção objetivista, o livre-arbítrio implica em ação física ou mental de um agente, não determinada por qualquer fator antecedente. Na concepção subjetivista ou paradoxal, o livre-arbítrio implica que o ponto de vista ou o julgamento do agente origina-se tão somente da sua vontade. Neste caso, recai-se na experiência de liberdade plena ou indeterminismo. Simplesmente, a liberdade de escolha surge sem qualquer fator determinante. É obra do acaso!
A visão determinística afirma que tudo é causado de acordo com a necessidade e suficientes causas antecedentes. Assim, todos os efeitos são provenientes de uma causa necessária e anterior a eles. A visão indeterminística afirma que os efeitos, incluindo-se o livre-arbítrio, não dependem de uma causa anterior, ou seja, são autônomos. O último grande movimento filosófico, o Existencialismo, discorria intensamente sobre o livre-arbítrio até se esbarrar na realidade do mal moral no mundo. Caíram em uma espécie de beco sem saída, porque o mal moral é uma realidade consequencial determinada por uma ou mais causas internas e externas. Há também a visão compatibilista, segundo a qual, o livre-arbítrio emerge em meio a uma realidade sem incertezas. Admitem que o livre-arbítrio emerge de causas interiores, tais como desejos, crenças e pensamentos. Ou seja, o livre-arbítrio obedece a causas internas ou externas. 
Fato é que não há unanimidade sobre o livre-arbítrio em nenhuma linha de pensamento filosófico. Schopenhauer, diz: "... cada um acredita de si mesmo a priori que é perfeitamente livre, mesmo em suas ações individuais, e pensa que a cada momento pode começar outra maneira de viver [...]. Mas a posteriori, através da experiência, ele descobre, para seu espanto, que não é livre, mas sujeito à necessidade, que apesar de todas as suas resoluções e reflexões ele não muda sua conduta, e que do início ao fim da sua vida ele deve conduzir o mesmo caráter o qual ele mesmo condena."
Crer no livre-arbítrio é algo absolutamente inócuo, pois se o homem é livre, implica dizer que se basta a si mesmo. Não possui nenhuma necessidade e causa determinante anterior a si. Implica em ser eterno e auto-suficiente em todos os sentidos. Dizer também o homem possui arbítrio é o mesmo que dizer que tem pleno e absoluto poder de juízo. Implica em ser absoluto juiz de si mesmo e de tudo o que existe fora de si. Assim, o homem faz do livre-arbítrio um "deus" todo-poderoso, eterno, onisciente, onipresente e onipotente. Neste caso o homem não nasceu do processo biológica da reprodução, o homem não morre, porque ninguém deseja morrer. O homem não sofre, porque ninguém deseja sofrer. O homem não adoece, porque ninguém deseja adoecer. O homem não é pobre, porque ninguém deseja a pobreza e a miséria. E assim sucessivamente.
De fato, o livre-arbítrio é um 'escravo-arbítrio', pois todo homem é escravo de fatores determinantes internos e externos. O pecado, por exemplo, é um fator determinante e constante no homem. Jesus, o Cristo apontou esta determinação em Jo. 8:34 - "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." E o apóstolo Paulo informa que todos são pecadores conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Ainda Paulo doutrina que todos herdaram a natureza pecaminosa, como também a morte espiritual conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
Desta forma, nem o homem é livre e, muito menos, pode arbitrar qualquer coisa. Diante de tal quadro, o homem que não possui a natureza reconciliada com Deus, diz: "então, Deus é um maniqueísta, injusto que se diverte às custas dos homens que ele mesmo criou." Entretanto, tal assertiva, mostra o homem avaliando Deus da sua própria perspectiva contaminada pela natureza decaída. É uma avaliação determinada por sua concepção de justiça e não de uma avaliação livre. Assim, nem nesse sentido ele pode afirmar-se possuidor de livre-arbítrio, pois a própria concepção de maniqueísmo, injustiça e sadismo são postulações oriundas da própria natureza humana. Pode ser que o conceito de controle, justiça e sadismo quando subordinados à Soberania de Deus sejam tidos de forma completamente diferente daquela que o homem concebe. Da mesma forma o homem decaído não pode submeter Deus ao juízo do que ele considera moral ou imoral, porque a moralidade, imoralidade e amoralidade é apenas humana.
Sola Scriptura!

julho 19, 2015

OS TERAFINS FURTADOS, OCULTADOS E CULTUADOS NO CORAÇÃO

Gn. 31: 19, 34 e 35 - "Ora, tendo Labão ido tosquiar as suas ovelhas, Raquel furtou os ídolos que pertenciam a seu pai. Ora, Raquel havia tomado os ídolos e os havia metido na albarda do camelo, e se assentara em cima deles. Labão apalpou toda a tenda, mas não os achou. E ela disse a seu pai: não se acenda a ira nos olhos de meu senhor, por eu não me poder levantar na tua presença, pois estou com o incômodo das mulheres. Assim ele procurou, mas não achou os ídolos."
Ídolo é um substantivo masculino que provém do grego 'eidolon' ou do latim 'idolum'. Trata-se de uma imagem ou simulacro de uma divindade, pessoa ou força da natureza a qual se adora como se fosse 'deus'. Também se aplica a pessoa ou objeto que se admira ou se venera demasiadamente. Na cultura judaico-cristã refere-se a uma pessoa real ou sua representação, além de entidade fantástica a qual se dedica adoração como se divina fosse. Entendo-se fantástica como algo fantasioso ou puramente subproduto da imaginação.
Considerando a cultura judaico-cristã a idolatria é algo abominável e, contra ela, o primeiro mandamento da lei afirma em Ex. 20: 3 a 5 "Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam." A ordem direta de Deus repassada por Moisés é para não ter ídolos,  não fazer imagens de qualquer coisa, não encurvar aos ídolos, não servi-los. Isto equivale dizer que não se pode adorar absolutamente nada, além de Deus. A adoração de ídolos traz ira até a quarta geração, pois implica em um tipo de pecado chamado de iniquidade. Adorar coisas implica, obrigatoriamente, em ódio ao Deus único e verdadeiro. Exatamente, porque tais ídolos não existem na realidade, tratando-se de uma projeção do homem a si mesmo. Desta forma, o idólatra, adora-se a si mesmo.
Muitos hoje, não só possuem, cultuam e servem a diversos ídolos, mas idolatram a si mesmos. Amam mais a criatura que ao Criador conforme Rm. 1:25 - "... pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém." O resultado dessa idolatria é o abandono por Deus e a perdição e desolação ainda em vida conforme os versos 24 e 26 de Rm. 1 - "Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza." A coisa mais tremenda na vida de uma pessoa é quando Deus a entrega a si mesma, porque sendo o seu espírito morto para Ele por causa da natureza pecaminosa, e a alma impregnada pelos atos pecaminosos, a tendência é a degradação moral, física, e a perdição eterna. É o famoso ensino de Cristo: "...cego, guiando cego."
O texto de abertura faz referência aos ídolos que, no texto hebraico original, são chamados de 'terafim'. Na tradução para a língua portuguesa foram denominados de 'ídolos de família', 'deuses familiares' ou 'ídolos do lar'. A Arqueologia recente descobriu nas ruínas da antiga Mesopotâmia em Nuzi, antiga cidade de Gasur, no que é hoje, o Iraque, uma tabuleta de barro cozido que dá instruções sobre a posse dos 'terafins'. Ao que indica o texto, a posse de tais ídolos dava ao possuidor o direito de herança, mesmo não sendo herdeiro legítimo. Todos os povos antigos do Oriente Médio, cultuavam os terafins e o povo de Israel assimilou esta prática nos dias dos juízes e dos reis. Tal idolatria sempre foi combatida por Deus por meio dos profetas.  
O profeta Samuel usa a idolatria como equivalente ao pecado da feitiçaria conforme I Sm. 15:23 - "Porque a rebelião é como o pecado de adivinhação, e a obstinação é como a iniquidade de idolatria. Porquanto rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou, a ti, para que não sejas rei." Ao cultuar ídolos, o homem se põe em rebelião contra Deus, tornando obstinado e em busca de poder e de conhecimentos obscuros. É uma forma de adorar a criatura e não ao Criador. A consequência é a rejeição da graça e da misericórdia de Deus.
O fato é que Raquel furtou os terafins de seu pai, Labão, às escondidas e os ocultou na sela do seu camelo. Pelo contexto, Raquel e Leia haviam se rebelado contra o pai, por este ter explorado Jacó, marido das duas, por muitos anos. Também, naquele tempo as filhas não participavam da herança, mas apenas os filhos varões, como Labão não os tinham, até então, o genro seria o herdeiro. Desta forma, ao furtar os ídolos, Raquel estaria garantindo que Jacó entraria na partilha dos bens de Labão quando este morresse. Até a chegada de Jacó em Padã-Arã - no que é hoje a Síria - Labão ainda não tinha gerado filhos, mas apenas filhas. Após os anos de trabalho de Jacó para seu sogro este passou a ter filhos. Desta forma, Labão não desejava incluir Jacó na herança. 
Após receber notícias que Jacó havia fugido com suas esposas, filhos e bens, Labão convocou os seus parentes para ir no encalço de Jacó, concluindo que ele havia furtado os terafins. Entretanto, Jacó não sabia da apropriação indébita de sua esposa Raquel. Alcançado, Jacó permitiu que Labão fizesse uma busca em tudo para que se descobrisse a verdade sobre a história do sumiço dos terafins. Raquel, em posse dos ídolos, se assentou sobre a sela onde os tais estavam escondidos e se desculpou com o pai para não se levantar, alegando estar menstruada. Os terafins foram levados até a terra de Israel por Raquel. Após a descoberta dos ídolos Jacó ordenou que estes fossem enterrados aos pés de uma grande árvore em Sichem ou Siquém.
Extrapolando o assunto dos terafins como garantia de herança para o campo espiritual a questão se torna mais grave. Muitas pessoas hoje, roubam, ocultam e cultuam seus próprios ídolos. Sejam artistas, namorados e namoradas, maridos e esposas, autoridades públicas, jogadores. Também há os que mantêm dentro de casa nichos ou altares dedicados a ídolos de barro, de ferro, de gesso e de madeira. Os adoram e os servem acendendo velas, queimando incenso e servindo-lhes bebida, comida, perfumes e rezas. Tais pessoas estão em total afronta ao único e soberano Deus. Elas não conseguem encontrar a verdade nas Escrituras, porque suas mentes estão cauterizadas pela natureza pecaminosa. Por isso, criam relações alternativas para aplacar suas angústias, frustrações e falta de luz. Encontram nesses 'terafins' algum consolo momentâneo pela satisfação dos desejos da alma perdida e contaminada. Entretanto, não encontram a verdadeira paz que do alto vem a qual excede a todo entendimento. É como ensina o Mestre Jesus, o Cristo em Mt. 16:26 - "Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? ou que dará o homem em troca da sua vida?" Ainda que alguém seja vitorioso em tudo nesta vida, não possui qualquer garantia da vida eterna sem Cristo.
Não basta enterrar os ídolos, quebrá-los e negá-los se estes permanecerem nos corações dos homens. A atitude de Jacó foi a de se livrar dos terafins, eliminando-os do coração e cultuando o verdadeiro Deus conforme Gn. 35: 1 a 7 - "Depois disse Deus a Jacó: levanta-te, sobe a Betel e habita ali; e faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da face de Esaú, teu irmão. Então disse Jacó à sua família, e a todos os que com ele estavam: lançai fora os deuses estranhos que há no meio de vós, e purificai-vos e mudai as vossas vestes. Levantemo-nos, e subamos a Betel; ali farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia, e que foi comigo no caminho por onde andei. Entregaram, pois, a Jacó todos os deuses estranhos, que tinham nas mãos, e as arrecadas que pendiam das suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém. Então partiram; e o terror de Deus sobreveio às cidades que lhes estavam ao redor, de modo que não perseguiram os filhos de Jacó. Assim chegou Jacó à Luz, que está na terra de Canaã (esta é Betel), ele e todo o povo que estava com ele. Edificou ali um altar, e chamou ao lugar El-Betel; porque ali Deus se lhe tinha manifestado quando fugia da face de seu irmão."
A consequência da obediência e do desfazimento dos ídolos é que Deus abençoou a Jacó e mudou o seu nome para Israel. Isto está registrado no capítulo 35 de Gênesis, versos 9 a 12 - "Apareceu Deus outra vez a Jacó, quando ele voltou de Padã-Arã, e o abençoou. E disse-lhe Deus: o teu nome é Jacó; não te chamarás mais Jacó, mas Israel será o teu nome. Chamou-lhe Israel. Disse-lhe mais: eu sou Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos; a terra que dei a Abraão e a Isaque, a ti a darei; também à tua descendência depois de ti a darei."
Sola Gratia!

julho 14, 2015

QUANDO O QUERER É OPERADO POR DEUS

Lc. 9: 22 a 24 - "... e disse-lhes: é necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e escribas, que seja morto, e que ao terceiro dia ressuscite. Em seguida dizia a todos: se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará."
É comum ouvir um adágio popular que diz: "querer é poder." Tal assertiva parte da concepção humana que o esforço é recompensado pelo ganho. É o famigerado 'no pain, no gain." Neste sentido, de fato, isto se cumpre muitas vezes. O sistema que controla a sociedade exige de cada um o emprego do esforço para dominar, controlar e tirar proveito pessoal do mundo. É uma sociedade espartana, na qual apenas os merecedores são recompensados. Quase tudo é fundamentado no desempenho e na recompensa. Entretanto, tal lei dominante gera muitos conflitos pessoais e interpessoais, porque os esforços e os desempenhos nunca ocorrem sem ferir valores e princípios naturais e morais. Para que se consiga um exímio desempenho passa-se por cima de si mesmo e de terceiros, causando um grande estrago físico e mental. 
A maior parte dos religiosos adota o princípio mundano do desempenho para mensurar a presumida espiritualidade. Acreditam que, para merecer a graça de Deus é necessário desempenhar um grande esforço. Para tanto, produzem uma espécie de teologia paralela. Quase todos já ouviram a máxima tida como bíblica que diz: "faça a tua parte que eu te ajudarei". Ou ainda, "Deus ajuda a quem cedo madruga." Primeiro, quem não nasceu do alto, não pode falar em espiritualidade, porque esta é a consequência natural da morte em Cristo e da consequente ressurreição juntamente com ele. A maioria das pessoas simples ou letradas confunde questões almáticas com espiritualidade. O homem que não experimentou o novo nascimento, permanece com o seu espírito morto para Deus. Isto nada tem a ver com pertencer ou não a uma religião. É um princípio e não um sistema de crenças. Muitos, são iludidos e enganados por um sistema teológico que os induz à ação desmedida para conseguir algum progresso material ou espiritual. Em muitos casos não conseguem, nem um, nem o outro. O reino de Deus é essencialmente monérgico, a saber, é operado e operacionalizado exclusivamente pela vontade soberana d'Ele. Não é a criatura que determina o agir de Deus, mas ele é quem determina o que acontece ou deixa de acontecer no universo. As ações humanas em seu conjunto são denominadas de sinergismo. Isto indica o conjunto dos esforços humanos e humanistas acrescentados à ação divina para alcançar algum benefício, seja nesta ou na outra vida. As Escrituras não ensinam nada disso! As ações humanas são legítimas e necessárias para a vida em sociedade, mas não para fins espirituais.
O texto que abre esta instância é um diálogo entre Jesus, o Cristo e seus discípulos já muito próximo da sua morte. Cristo revela aos seus seguidores que ele não veio para ser o rei de Israel e para libertar os judeus do domínio de Roma. Contrariamente às expectativas dos judeus daquele quadrante da História, ele afirma que iria padecer muitas coisas, iria ser rejeitado pelas autoridades religiosas e, finalmente, seria morto. Após este relato decepcionante para ouvidos treinados em uma dialética de esforço e recompensa, isto era algo estarrecedor. Tanto lá isto é verdade que, Pedro, logo se apressou em convencer o Mestre a desistir deste destino funesto.
Na sequência, Jesus, o Cristo acrescenta que, "se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me."  Aqui está o nó a ser desatado. O religioso arminiano, treinado que é para aceitar que tudo se consegue na lei do esforço, diz: "veja, o pecador tem de querer ir após Cristo, tem de negar a si mesmo, tem de tomar a cruz e tem de segui-lo." Entretanto, o nascido do alto, iluminado que é pela revelação diz: "a vontade do homem é contaminada pela natureza pecaminosa e invariavelmente não tem vontade de ir após Cristo, não nega-se a si mesmo, não toma a cruz e não o segue espontaneamente." A fala de Cristo aos discípulos indica três fatos: padecer muitas coisas, ser rejeitado, morrer e ressuscitar. Desta forma, quando ele enumera o ir após ele, negar-se a si mesmo, tomar a própria cruz e segui-lo, está absolutamente condicionado ao padecer muitas coisas, ser rejeitado, morrer e ressuscitar. O religioso arminiano sempre vê apenas uma parte da verdade. 
Na verdade a ação baseada no desempenho sem o nascimento do alto produz apenas morte sem ressurreição. O texto mostra que: "pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á." Isto porque, ao agir sinergisticamente, o religioso nega a eficiência e a eficácia da justificação na morte de Cristo. Apresenta uma alternativa centrada no próprio pecador e sua justiça própria. Assim, substitui a justiça de Deus em Cristo pela justiça humana contaminada. Contrariamente, o texto mostra que: "... mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará." Visto que o homem ama a Cristo, porque foi primeiramente amado por ele, logo, quem está operando a justificação é Deus. Trata-se, portanto, da ação monérgica no processo de redenção do pecador. Aquele que perde a vida na morte de Cristo, este a terá renascida pela ressurreição do Filho Unigênito de Deus. 
Rm. 3:10 e 11 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus." Esta é a resposta bíblica ao arminianismo e não uma divergência teológica. Não havendo um homem que seja justo, que entenda a verdade, que busque a Deus, como alguém poderia inclinar-se para Ele? As pessoas confundem espiritualidade com religiosidade. O homem natural não se inclina para Deus, não pode praticar atos de justiça que tenha valor espiritual, não nega-se a si mesmo, e não segue a Cristo, porque isto implica em reconhecer-se portador da natureza pecaminosa. Ninguém é capaz de tomar a sua própria cruz e seguir a Cristo voluntariamente. É neste ponto que entra o querer operado por Deus conforme Fl. 2:13 - "... porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." Desta maneira, é Deus quem opera, tanto o querer, como o efetuar na vontade do homem. Isto ocorre, porque ele é gracioso e misericordioso para com os eleitos. Então, se alguém quer ir após Cristo padecer muitas coisas, ser rejeitado pela sociedade, assumir a cruz como um caminho a ser trilhado, e não como um símbolo religioso, seguir a Cristo, é necessário nascer do alto. O novo nascimento não é uma frase de efeito ou um discurso retórico. É antes, um ato único colocado em um momento histórico e eterno no tempo. Todos os que creram que o Salvador viria e os justificaria, antes da sua vinda, foram salvos. Todos os que creem que o Salvador já veio e os incluiu na sua morte de cruz, são justificados n'Ele. A cruz é a convergência e a centralidade da fé, tanto para os que viveram antes, como para os que viveram, vivem e viverão depois de Jesus, o Cristo. Portanto, quer creia, quer não creia "... mas Cristo é tudo em todos." É ele a centralidade e para ele convergem todas as coisas, quer na Terra, quer no céu. A maior obra satânica é criar alternativas para o pecador ser redimido fora de Cristo.
Muitos religiosos falam em novo nascimento, mas não admitem a inclusão do pecador na morte de Cristo. Portanto a fé deles é vã e puramente horizontalizada e humanizada, porque admitem apenas parte da verdade. Não possui valor espiritual algum.
Sola Fides!

julho 08, 2015

A RELIGIÃO DE VITRINE

Sl. 115: 1 a 19 - "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade. Por que perguntariam as nações: onde está o seu Deus? Mas o nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz. Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem. Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem; têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. Semelhantes a eles sejam os que fazem, e todos os que neles confiam. Confia, ó Israel, no Senhor; ele é seu auxílio e seu escudo. Casa de Arão, confia no Senhor; ele é seu auxílio e seu escudo. Vós, os que temeis ao Senhor, confiai no Senhor; ele é seu auxílio e seu escudo. O Senhor tem se lembrado de nós, abençoar-nos-á; abençoará a casa de Israel; abençoará a casa de Arão; abençoará os que temem ao Senhor, tanto pequenos como grandes. Aumente-vos o Senhor cada vez mais, a vós e a vossos filhos. Sede vós benditos do Senhor, que fez os céus e a Terra. Os céus são os céus do Senhor, mas a Terra, deu-a ele aos filhos dos homens. Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem ao silêncio; nós, porém, bendiremos ao Senhor, desde agora e para sempre. Louvai ao Senhor."
Uma vitrine é um compartimento cuja face principal é envidraçada e se destina à exposição de mercadorias. É uma espécie de jogada de marketing para atrair as atenções dos transeuntes. Ali se expõem produtos especialmente tratados para aguçar o apetite consumista e satisfazer os desejos humanos por algo que imaginam ser essencial à beleza, prestígio, fama, visibilidade social, atração sobre outras pessoas. Portanto, destina-se à manipulação do inconsciente e do consciente das pessoas no sentido de levá-las a aquisição de determinado produto ou mercadoria. O marketing bem planejado e feito por quem conhece a alma humana, resulta sempre em processos psicológicos de envolvimento e desejo incontroláveis pelo produto. Em muitos casos a pessoa que compra nem sabe porque está comprando ou se o produto produzirá os efeitos esperados. Neste ponto, muitos são enganados e levados a consumir algo que, de fato, seria absolutamente dispensável a vida toda. É aí que ocorre o engano. Tal engano ocorre pela parte que armou a cilada, como pela parte do que caiu na cilada. Em termos de desonestidade, qualquer que seja, nunca há um lado apenas. Um é desonesto porque propôs a cilada e o outro porque viu uma grande chance de satisfazer seus apetites de ganância e vantagem.
No tocante à religião, verifica-se um vasto campo aberto ao engano e à mentira, tornando-a uma espécie de vitrine. A própria proposta religiosa é, por si mesma, uma invenção humana. Trata-se de um artifício criado pela mente almática visando reencontrar Deus após a queda pelo pecado. A etimologia da palavra 'religião' indica a ideia de 'religação', ou seja, o homem tenta se religar a Deus por seus esforços, sacrifícios, preceitos e ofertas de justiça própria. Todavia, nada que parte do homem, portador da natureza pecaminosa, chega à presença de Deus. É um engodo que envolve milhões de pessoas no mundo em todos os tempos e lugres. Na verdade, nenhum homem natural é capaz de se reaproximar de Deus por seus próprios esforços. Primeiro, porque Deus não se deixa aproximar do homem portador da natureza pecaminosa. Tal homem necessita ser reconciliado por meio de Cristo. Apenas desta forma, o reconciliado se dirige a Deus, ele o vê e o ouve por meio do substituto, Jesus, o Cristo. É este o sentido bíblico de redentor, justificador e salvador. Deus não se pactua com qualquer coisa contaminada com a natureza pecaminosa conforme Is. 59: 1 e 2 - "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça." Vê-se, portanto, que o problema não é com Deus, mas com o pecado no homem. Pela mesma razão, Deus não pode olhar para o seu Filho Unigênito na cruz. Ele estava impregnado dos pecados dos eleitos naquele momento. Esta foi a razão pela qual Jesus, o Cristo clamou: "Elohi, Elohi, lama sabactani." Por ter atraído os pecadores em sua morte, Deus não pode olhar e estar em Cristo na cruz conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer.
O texto de abertura mostra uma relação real entre os reconciliados e o seu Deus. A primeira evidência da eleição e da justificação na vida de uma pessoa é a certeza irrevogável que não é nada, não merece nada e não pode nada por si mesmo. A expressão: "não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu santo nome..." indica, não apenas uma relação, mas principalmente uma posição entre os redimidos e o seu redentor. Nas "igrejas vitrines" os holofotes giram sempre sobre os religiosos e seus dons, seus poderes, seus prestígios e capacidades de comover multidões. Aos eleitos não é dado este tipo de relação e posição, porque eles sabem perfeitamente de quem é a Glória.
Na sequência o salmista demonstra a diferença entre os verdadeiros adoradores e os falsos adoradores. Enquanto os adoradores de "deuses" têm diante de si suas imagens e representações feitas por mãos de homens, os verdadeiros adoradores adoram a Deus em espírito e em verdade. Uma coisa é adorar e prestar culto a uma imagem ou a uma pessoa, outra é adorar um Deus que não se pode ver, tocar e provar. No primeiro caso, não exige fé, mas apenas um exercício de constatação. No segundo caso, exige-se que se creia sem qualquer evidência, prova ou experiência sensorial. Por isso Jesus, ensina: "Disse-lhe Jesus: porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram."
A grande diferença entre o que crê e o que possui religião é que o que crê confia em Deus. Não importa se as evidências e circunstâncias são favoráveis ou desfavoráveis, ele simplesmente confia. É como a criança tomada pela mão pelo pai ao atravessar uma larga avenida movimentada. O filho não toma conta do tráfego, porque confia que está sendo conduzida pelo pai. Assim são os que creem!
O salmista termina afirmando que os mortos não louvam ao Senhor. De fato, há os que estão mortos espiritualmente, ainda que vivos biologicamente, e os mortos fisicamente. O morto-vivo, não pode adorar a Deus, porque permanece com sua natureza pecaminosa. E o morto fisicamente que desce ao mundo dos mortos estará em silêncio até o dia do juízo final. Então, de fato, é o pecado que faz separação entre o homem e Deus. Não é Deus quem faz a separação, mas o pecado, a saber, a natureza pecaminosa. Os nascidos do alto bendizem desde o tempo presente em vida, como eternamente. Eles não se baseiam em religião, em justiça própria, em méritos, mas apenas na santidade de Cristo que os justificou de suas naturezas pecaminosas.
Seja Deus soberano nos céus e na Terra!