janeiro 11, 2009

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA III

II Jo. 1: 7 a 11 - "Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo. Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão. Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras." No artigo anterior foi colocado o texto, o qual afirma que muitos andam dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios. Estes espírito são os espírito decaídos, ou seja, separados de Deus por causa do pecado, não tendo, portanto, sido regenerados em Cristo. Em I Jo. 4:1 - "Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo." Muitos há que creditam esta passagem e as subsequentes a espírito demoníacos, mas ela se refere ao espírito que está no homem mesmo. Verifica-se que muitos homens se têm levantado ao longo da história para afirmar ensinos gnósticos, os quais pretendem reduzir a pessoa de Cristo a um mero espírito evoluído, a um grande humanitarista, a um filósofo, a um revolucionário, a um fundador de uma nova religião. Quase sempre estes apóstatas negam a deidade de Cristo, reconhecendo nele apenas algumas excelsas virtudes acima do normal. Outros ainda lhe atribui uma dupla natureza, enquanto outros apenas uma humanidade mais evoluída. Estas pessoas estão seguindo os seus espírito separados ou destituídos da glória de Deus pela natureza pecaminosa, porque esta é oposta a tudo o que se refere à espiritualidade. Deus é Espírito e o que é espiritual só se discerne espiritualmente, sendo também a Sua adoração de caráter estritamente espiritual. Daí os homens cujos espíritos estão mortos para Deus confundem reações almáticas com realidades espirituais.
O incrédulo religioso, sempre tenta se aproximar de Deus pelos poderes latentes da alma, atribuindo às suas experiências almáticas alguma relação espiritual. Esta é outra forma da operação do erro e do engano. De fato ninguém pode aceitar a Jesus ou se aproximar de Deus por conta própria. Só Deus conduz o pecador a Cristo para, n'Ele o pecador perder a vida da alma, e ganhar a vida de Cristo conforme Jo. 6:44. Uma vez regenerados, os eleitos se tornam aceitáveis e são apresentados diante de Deus por meio de Cristo conforme Cl. 1:22 - "... No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis..." O corpo da carne é uma referência à crucificação de Jesus e a inclusão do pecador eleito n'Ele por meio da morte. Após a ressurreição juntamente com Cristo, ganha-se a Sua vida eterna e torna-se apresentável diante de Deus. Obviamente, que, tanto a inclusão na morte, como a ressurreição juntamente com Cristo é por meio da fé. Isto é verdade, tanto para os que creram na promessa da vinda de Cristo, como para os que creem na sua morte vicária na cruz no passado. É um ato de fé!
Então, o pecado que torna o homem culpado, repreensível e impuro é destruído na morte com Cristo conforme Rm. 6:1 a 7 e 11 - "Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor."
Já foi colocado em outro artigo que, na Igreja primitiva a palavra batismo e iluminado eram sinônimas. Tanto que, os dias de batismos, eram chamados de "dias de luzes". Então o batismo na morte de Cristo é a inclusão do pecador eleito na sua morte, a fim de passar do reino das trevas para a Sua maravilhosa luz. Isto implica em perder a vida almática e ganhar a vida de Cristo, bem como a Sua luz, ou seja, o pleno conhecimento da verdade. Entretanto, tal ensino não quer dizer que a alma de alguém vai morrer ou desaparecer. Significa apenas que ele deixou de ser guiado pela vida da alma e passou a ser guiado pela vida de Cristo. Houve reconciliação com Deus novamente!
O que passa disto é apostasia, doutrina de demônios e espírito de engano. Estas realidades estão dissolvidas no seio das igrejas que não trazem esta doutrina, sabendo que a doutrina provém de Deus e, desta, a palavra de ensino conforme Tt. 1:9 - "Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes."

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA II

Mt. 5:37 - "Seja, porém, o vosso falar: sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna." Estas são palavras de Jesus, as quais oferecem opção de alguém dizer a verdade, ou a mentira. A mentalidade maligna sempre coloca as coisas em termos relativizados, porque isto permite agradar e manter as coisas no limite do aceitável pelo homem. Foi assim que o inimigo agiu no Éden em relação a Eva conforme Gn. 3:1 - "Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: é assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim?" Primeiramente o inimigo faz uma afirmação em nome de Deus, secundariamente coloca as coisas em termos interrogativos, induzindo a mulher à dúvida. Realmente, Deus havia dito que o homem poderia comer de toda árvore do jardim, porém há uma exceção em relação à árvore do conhecimento do bem e do mal. Esta parte Satanás omitiu propositadamente. Por semelhante modo, os apóstatas agem também assim, mesclando mentiras e meias verdades. Introduzem meias verdades, como se fossem verdades completas. Entretanto, sabe-se que aos olhos de Deus, meias verdades são mentira completa. A verdade não é uma concepção, mas uma pessoa, a saber, Cristo.
A maior parte dos religiosos são apóstatas por natureza e por posição, agem sempre da mesma forma: afirmam verdades doutrinárias, porém as adequam aos seus sistemas de crença para satisfação de suas próprias exigências. Eles incorporam as verdades bíblicas à sua base de crença, porém omitem ou desconhecem que é essencial o novo nascimento, a saber, a inclusão do pecador na morte de Cristo e sua consequente ressurreição com Ele. A morte de Jesus, o Cristo aparece apenas como substitutiva, mas jamais como inclusiva. É óbvio que Cristo não morreu sozinho na cruz! Não teria sentido e nem lógica humana, e, muito menos caráter espiritual, pois Ele não tinha pecado para pagar. Foi Deus que o fez pecado para aniquilação do pecado do homem conforme Hb. 9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Isto ocorreu pela atração de todos os que estavam ordenados para a vida eterna à cruz conforme Jo. 12:32 e 33 - "E eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus atraiu os pecadores eleitos à sua morte, para matar a morte deles em sua morte e trazê-los à vida abundante após a ressurreição. O pecado matou o homem para Deus, ou seja, o destituiu da glória de Deus. O único meio de voltar à comunhão é matando a morte do homem, na morte de Cristo. Esta questão do nascimento do alto pela inclusão na morte de Cristo é uma questão de fé.
Voltando ao caso dos judeus que eram iluminados pelo evangelho, mas que depois voltavam às obras da lei, percebe-se ali um claro exemplo de apostasia. O texto de Hebreus 4 descreve aquelas pessoas como quem tivera sido iluminados pelo evangelho, recebendo grandes privilégios e vantagens que a lei não poderia oferecer. Porém, estavam apostatadas de maneira a nunca poder se recuperar conforme Hb. 2:3 e 4 - "Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?" Não há em nenhum ponto do contexto geral que estas pessoas teriam sido justificadas, mas apenas que elas foram agraciadas com a palavra da verdade e o privilégio de presenciar o fruto do Espírito Santo, os quais geravam experiências específicas para a época de transição da lei para o evangelho da graça.
Isto confirma o texto que afirma que "muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos." Não há nenhuma declaração que os tais tenham sido santificados ou sido feitos filhos de Deus conforme Jo. 1:11 e 12 - "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus". O sentido de iluminados no texto grego neotestamentário é que receberam conhecimento ou revelação da verdade e não que receberam a própria verdade que é Cristo.
Assim, o texto sem prejuízo do seu contexto fala de privilégios estendidos a estes que não permaneceram no caminho da verdade. Eles foram iluminados v. 4, sendo que 'iluminados' tinha o mesmo sentido de 'batizados' na Igreja primitiva. O batismo era e é celebrado uma única vez, por isso, aparece a expressão, "uma vez iluminados". A iluminação do conhecimento por meio de evangelho significa ser instruído na doutrina segundo o evangelho para sermos iluminados espiritualmente depois. Este é o processo de vivificação pela palavra vivificante ou 'rhema'. Assim, ainda hoje muitos entram em uma determinada igreja, se batiza, recebe conhecimento das Escrituras e depois saem. Por esta razão a Palavra de Deus afirma: "saíram dos nossos, porque não eram dos nossos."
O segundo privilégio recebido por aqueles, os quais não permaneceram na verdade, é que "provaram o dom celestial" v. 4b. O que significa "provar" esse dom vindo do céu? Pode significar apenas que tiveram provas do dom inefável de Deus. Em II Co. 9:15 é dado o conhecimento do que seja um dom ou graça de Deus concedida ao homem - "Graças a Deus pelo seu dom inefável!" No contexto anterior ao verso 15 se vê que este dom inefável era o de ter os crentes de Corinto se tornado libertos no espírito, caridosos, generosos no ministrar aos santos carentes. Então Deus se agrada em conceder graça aos homens, a qual produz fruto. Entretanto, basta uma lida rápida nas epístolas aos corintios para verificar o quanto de maus comportamentos ocorriam dentro daquela Igreja. Então, ser objeto do dom de Deus e da sua graça pode não tornar alguns justificados, perfeitos, filhos e santos. O dom de Deus é algo concedido ou dado ao homem sem que ele mereça absolutamente nada conforme Tg. 1:17 - "Se conheceres o dom de Deus..." que, segundo alguns se refere ao conhecimento do próprio Cristo. Outros, porém preferem entender que é uma referência ao Espírito Santo conforme At. 2:38 - "E recebereis o dom do Espírito Santo..." Embora o texto deixa muito claro que é o recebimento do dom concedido pelo Espírito Santo e não ele mesmo.
O fato é que estes judeus de Hebreus capítulo 4 haviam sido altamente privilegiados por um profundo conhecimento do ensino verdadeiro. Entretanto, eles preferiram voltar às antigas práticas da lei, crucificando ao Senhor Jesus novamente. Tornaram nula a graça de Deus e retornando ao sistema do esforço e dos méritos.

O QUE É E O QUE NÃO É APOSTASIA I

I Tm. 4:1 e 2 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência..." Nesta série de estudos sobre apostasia pretende-se, de modo simples, sem teologismos e sem pretensões proselitistas estabelecer alguns parâmetros escriturísticos acerca de tão urgente assunto. Estes artigos não são, e não se arvoram o ser nenhum tratado hermenêutico, exegético ou apologético. Portanto, os críticos de plantão que preferem destruir os argumentos a considerá-los na sua singeleza, perderão tempo ao refutá-los, pois o objetivo não é cativar pessoas para qualquer religião ou seita. A simples ideia de religião é por si mesma desprezível, visto que o mundo está repleto dela, e, em nada tem contribuído para a melhora da qualitativa dos homens. Contrariamente, religiosos são, geralmente, amargos, críticos, duros e cruéis para com os que erram, sem misericórdia, orgulhosos em seus sistemas de crença, azedos e desunidos. Obviamente, que esta é uma generalização a qual suporta exceções, posto que há pessoas de temperamento tratável, pessoas com algum afeto natural, pessoas que ainda se acham em dúvida, pessoas que não se definiram ainda quanto ao que crê, pessoas que estão sinceramente buscando a verdade. Entre as tais pessoas, Deus tem os seus eleitos e eles serão esclarecidos e tocados pela Graça misericordiosa do Pai a fim de que venham ao pleno conhecimento da verdade.
No texto que abre este singelo artigo vê-se e lê-se que é o Espírito Santo que mostra a apostasia. Também o texto afirma que os tais apóstatas se apostatarão da fé, mas não diz que se apostatarão da religião ou da igreja. Ainda o texto deixa claro o porquê da apostasia, qual seja, os apóstatas dão ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios. Tudo isto é o resultado de uma pregação com base na mentira e subjacente na hipocrisia de homens cuja consciência foi cauterizada. Hipocrisia é estar abaixo da crítica, isto é, que não possui nem mesmo a capacidade de refletir sobre si mesmo e sobre os seus atos próprios. Cauterização é uma ação pela qual a pessoa se torna inflexível pelo endurecimento do entendimento. Estas são pessoas que fecharam os seus filtros à verdade, porque, não podendo alcançá-la, preferem criar as suas próprias verdades a fim de impô-las aos outros e fazer cativos e adeptos mudo a fora.
Contrariamente do que se presume, os apostatas são pessoas aceitáveis, cativantes e de grande capacidade intelectual. São na religião exterior, muito sinceros e preocupados com "as coisas de Deus." São geralmente ativistas, obreiros incansáveis e líderes natos com grande poder de persuasão. Eles só não conseguem chegar ao pleno conhecimento da verdade, segundo a graça e a revelação que procede do "Pai das Luzes". São indivíduos altamente convincentes para os padrões humanistas.
Hb. 6: 4 a 6 - "Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério." Este texto tem causado as mais diferentes interpretações e as mais diferenciadas reações aos leitores das Escrituras. Este tem sido o maior fator gerador de apostasia, a falta de revelação do alto sobre as Escrituras. Cada um faz a sua exegese e a sua hermenêutica segundo os padrões da sua base de crença, sem consultar o que de fato Deus está falando por Sua santa Palavra. Primeiramente o texto começa com uma conjunção explicativa "porque", e, em algumas traduções "pois". Isto implica que se deve levar em conta o que está no contexto anterior. No contexto anterior se leem as seguintes palavras: "... se Deus permitir." No verso 9, no contexto posterior também se lê que dos crentes se esperavam coisas mais dignas ou melhores do que as descritas no contexto dos que foram ensinados e se desviaram da verdade.
Este é, portanto, o princípio da apostasia, ter sido ensinado ou instruído na verdade, e, após isto, voltar ao sistema da mentira no qual vivia anteriormente. Isto porque, o vocábulo "iluminados" no grego koiné, é uma tradução do hebraico "ensinar" ou "instruir". Então, este texto de Hebreus 4, não está ensinando de modo algum que crentes podem cair ou decair da fé. Mostra apenas que algumas pessoas receberam ensino correto, mas suas naturezas são inclinadas para a operação do erro. Não experimentaram o nascimento do alto, mas apenas obtiveram compreensão intelectual.

janeiro 10, 2009

O QUE É E O QUE NÃO É A IGREJA X

Rm. 16: 1 e 5 - "Recomenda-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia, Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Acaia em Cristo." Sempre os textos falam da Igreja como um grupo de regenerados que está em algum lugar e não que ela pertença a este ou aquele lugar apenas. Também há inúmeros textos mostrando a Igreja na casa de alguém. Em nenhum texto ou contexto se fala da Igreja com algum nome denominacional, em um suntuoso prédio, ou com adjetivos grandiosos. Contrariamente, a referência à igreja por parte de Cristo é como "pequeno rebanho" conforme Lc. 12:32 - "Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino." Veja, ao Pai agradou dar o reino ao pequeno rebanho de eleitos e preordenados à vida eterna por misericórdia e graça e não por qualquer qualidade humana ou merecimentos.
Esta igreja humanizada, denominacional e institucional, consciente ou inconscientemente está comprometida com o homem e seus pressupostos. Quando for colocada a prova, fará acordo com o anticristo rapidamente. Dela sairão apenas os que foram eleitos antes dos tempos eternos para serem salvos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..." A Igreja que foi escolhida pela soberana vontade de Deus não é pomposa, não é famosa, não é cheia de membros inchados em seus méritos e justiças próprias, não se ufana de grandes obras, mas é um pequeno rebanho separado para guardar a divina semente até a consumação dos séculos. Esta Igreja é rejeitada pelo sistema teológico humanizado e institucionalizado, porque nela, o foco está em Cristo, não apenas em palavras, mas em submissão e confissão. Nesta Igreja, a cruz é pregada como um princípio e um caminho e não apenas como um emblema.
A Igreja verdadeira não é subproduto da vontade do homem, mas da ação monérgica de Deus antes que o mundo e tudo o que nele há existisse conforme Tt. 1: 2 - "... na esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos..."
I Tm. 3:15 - "Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade." Este é o padrão da Igreja verdadeira, a qual não possui nomes: é a casa de Deus, pertence ao Deus vivo, é coluna e firmeza da verdade. Como se pode achar uma igreja com estas características? Como os religiosos andam dentro das suas igrejas? Como dão testemunho do evangelho? Eles confirmam a Igreja como coluna e firmeza da verdade? Isto é feito em palavras apenas, ou em palavras e em atitudes de humilhação? O que é a verdade, ou antes, quem é a verdade? Qual o papel de uma coluna em uma edificação? O que é ter firmeza? O que é levar o morrer diário de Cristo?
A questão básica é que as tais igrejas institucionais são formadas por membros vivos, ou seja, não experimentaram a morte em Cristo por atração e inclusão na Sua morte conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus foi levantado da Terra três vezes: uma na crucificação, outra na ressurreição e ainda outra na assunção ao céu. Em todas elas houve uma direta relação com a justificação do pecador. O texto afirma claramente a atração do pecador na morte de Cristo para, com Ele ser destruído o corpo do pecado conforme Rm. 6:6 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado." O velho homem, isto é, a velha natureza adâmica ou pecaminosa, foi também incluída na morte de Cristo. Obviamente que os religiosos agregados a estas igrejas institucionais que não pregam toda a verdade, não conhecem estes ensinos. Eles pregam apenas o novo nascimento, quando pregam, mas, como pode haver novo nascimento sem morte? Pregam a ressurreição juntamente com Cristo, mas não pregam a morte do pecado na morte de Cristo. Logo, eles creem numa ressurreição com Cristo, mantendo o pecado no homem. Acontece que Cristo não precisaria morrer, pois não cometeu nenhum pecado. A Sua morte foi para atrair o pecador e, com isso, matar a morte que o separa de Deus. Só depois de crer e receber estas verdades escriturísticas se pode falar em Igreja.
Sola Fide
Sola Scriptura
Sola Gratia
Solo Christus
Soli Deo Gloria

janeiro 09, 2009

O QUE É E O QUE NÃO É A IGREJA IX

A universalidade da Igreja é perceptível em inumeráveis textos neotestamentários. É importante frisar isto, porque nos tempos atuais a igreja institucional tornou-se basicamente local, e, o que é pior, denominacional. Ambas características são contrárias as Escrituras. Estes e outros fatos fazem dessas igrejas apenas sedes de religiões desprovidas de conteúdo bíblico. São elas repletas de regras, normas e preceitos criados pelos seus fundadores e líderes com suposta base bíblica. Ao se conferir as citações bíblicas, raramente elas apoiam qualquer defesa de unidade, tal como proposta em Ef. 4:5 - "Um só Senhor, uma só fé, um só batismo." Então, não basta elaborar um documento declaratório de dogmas, preceitos, regras e normas, chamando isto de base bíblica. Com a Bíblia aberta pode-se provar inumeráveis mentiras acerca de Deus, de Cristo e da Verdade.
Jo. 10:16 - "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor." A fundamental diferença da Igreja Universal e sustentada pelo Senhor Jesus é que, qualquer que seja o aprisco que ela se ache, as ovelhas ouvem a Sua voz, formando um só rebanho sob o cajado de um só Sumo e Bom Pastor. Os verdadeiros eleitos e preordenados para a vida se conhecem e se reconhecem em qualquer lugar do mundo. O dialeto é o mesmo, a esperança é a mesma e a singeleza de coração é a mesma. Contrariamente, os rebanhos dispersos e entrincheirados em suas pressuposições teológicas e denominacionais se magoam e se ofendem mutuamente, as vezes por pequenas diferenças que nem são dignas de muita consideração para a redenção do pecado.
A questão fundamental é que a Igreja, Corpo Vivo de Cristo é formada por aqueles que foram mortos com Ele em sua morte de cruz e com Ele ressuscitaram, ganhando a Sua vida eterna. Enquanto nas igrejas institucionais e denominacionais há uma agregação de vivos em suas vidas almáticas cheias de presunção, orgulho e vaidades. A prova evidente disso é o grande número de fofocas, maledicências, disputas por cargos, abandono de uma determinada igreja para ir para outra. Divisões e subdivisões dentro das igrejas institucionais criam e recriam modelos cada vez menos bíblicos, porém cada vez mais afinados com o mundo e seus reclames existenciais. As vezes a simples omissão de uma determinada visita de alguém que se acha importante ao culto em determinadas igrejas, é o suficiente para causar melindres e ali aquela virtuose não aparece mais, porque não foi notada e bajulada.
Aos que receberam graça para dirigir uma Igreja é dada a seguinte ordem: "Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho." - At. 20:28. Veja que a Igreja é de Deus e não de uma cidade, denominação ou freguesia. O preço da verdadeira Igreja é o sangue de Cristo e não méritos e justiça própria de homens. No mesmo texto há a prevenção de que entrariam lobos cruéis e devoradores do rebanho. São estes lobos que fazem as divisões, pois o intento deles é se locupletar as custas do rebanho.
I Pd. 5:2 - "Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho." O verbo apascentar é transitivo e traz as seguintes significações: trazer e guardar as ovelhas no pasto, doutrinar, nutrir, deleitar, etc. O texto mostra que o rebanho é de Deus e não de lobos e salteadores. Ainda afirma que o ato de apascentar não deve ser por força, mas por vontade própria; não deve ser por torpe ganância, mas de alma pronta, isto é, sempre preparado para a obra. O pastor não deve considerar o rebanho como sua propriedade, mas como herança de Deus e, acima de tudo, o pastor deve ser exemplo para o rebanho. Ele é duas vezes servo: de Cristo e do rebanho!

O QUE É E O QUE NÃO É A IGREJA VIII

Igrejas em prédios, com nomes pomposos não existiam, ou pelo menos, não há razoáveis evidências que tenham existido até aproximadamente o século IV ou V d.C. Os textos que mencionam a palavra Igreja colocam-na declinada de modo a significar união de pessoas ou congregação de santos, ou ainda grupo de piedosos servos de Deus que se reúnem para adorá-lo. Estas congregações ou grupos de crentes se reuniam em casas uns dos outros, em catacumbas, em grutas, e em locais escondidos. Até o século III, o império romano baniu a igreja, perseguindo-a e tirando a fé cristã de circulação por julgar ser ela uma ameaça à integridade e unidade do império. Todavia, quanto mais se perseguia os discípulos de Jesus, mais eles se multiplicavam por conta do testemunho e fidelidade a que serviam ao seu Senhor.
Foi o imperador Constantino que percebeu a possibilidade de adotar o cristianismo a fim de dar unidade e coesão ao império romano. Por isso, ele "se converteu" ao cristianismo, tornando-se apenas um religioso. O imperador, por assim dizer, legalizou ou institucionalizou o cristianismo pelo Edito de Milão em 313 d.C. Em 325 d. C. convocou o Concílio de Nicéia em um esforço para unificar o cristianismo que se achava dividido por conta de heresias que se havia instalado, como por exemplo, o Nestorianismo. Este foi, portanto, o princípio da operação do erro que pretendeu transformar a pureza do "Caminho" em uma religião humanizada. Roma usou politicamente o cristianismo para se perpetuar no poder.
Como consequência desse movimento político, ocorreu a cristianização do paganismo romano. O culto a deusa Isis do Egito, a qual era adorada como "Rainha dos céus", "Mãe de Deus" e era representada em esculturas com uma criancinha nos braços, foi substituído pela imagem de Maria mãe de Jesus. É o que se denominava de "Teotokos", isto é, aquela que carregou a Deus. Outro aspecto era a prática de uma espécie de religião oficial chamada Mitraísmo, na qual ocorria a refeição sacrificial, isto é, comia-se a carne e bebia-se o sangue dos touros sacrificados aos diversos deuses. O Mitraísmo foi substituído pelo cristianismo, porém mantiveram a eucaristia que é a crença de que o pão é o corpo de Cristo e o vinho o Seu sangue. Isto é denominado de "Teofagia", isto é, comer o próprio deus. No Mitraísmo também haviam sete sacramentos, tais como no cristianismo católico ainda hoje há.
De modo geral, tanto imperadores, como o povo romano eram "henoteístas", ou seja, criam em uma grande quantidade de deuses ou dividades. Estas divindades eram responsáveis por famílias, cidades e regiões do império. Isto muito se assemelha a adoção do culto aos santos padroeiros que perdura ainda hoje em todo o mundo católico.
Em outras denominações tidas como cristãs, não ocorrem estes mesmos fenômenos, mas ocorrem outras formas de idolatria, seja de pessoas, líderes, formas de cultos, doutrinas, templos.
Observa-se que na verdadeira Igreja os fiéis estavam sempre reunidos em casa de alguém, como por exemplo Rm. 16:5 - "Saudai também a igreja que está na casa deles. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Ásia para Cristo."
No início das sete cartas dirigidas aos mensageiros das Igrejas, no Apocalipse há sempre a mesma expressão: "E ao anjo da igreja que está em ..." Faz grande diferença dizer, "ao anjo da igreja que está em" e dizer, "...ao anjo da igreja de..." No primeiro caso dá clara ideia de uma igreja universal, enquanto no segundo caso dá ideia de uma igreja local e limitada a um determinado lugar.

janeiro 08, 2009

O QUE É E O QUE NÃO É A IGREJA VII

Pela primeira vez os discípulos de Cristo foram chamados de cristãos aproximadamente no final do século I em Antioquia conforme o registro de At. 11:25 e 26 - "E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia. E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos." Verifica-se que até a denominação de cristão é invenção humana, sendo que as Escrituras apenas a registram. 
Durante os séculos II e III houve forte influência da cultura helênica, isto é, da filosofia grega, e muitos se infiltravam na Igreja, tentando adaptá-la ao que satisfazia aos seus interesses filosóficos e humanos. No século IV d. C. a situação do Cristianismo primitivo se tornou muito complexa devido ao surgimento de diversas seitas heréticas que tentavam minar as bases ou os fundamentos de Cristo e dos apóstolos.
O apóstolo Paulo combateu sectários e hereges, especialmente entre judeus, como se pode perceber claramente em I Co. 15:32 - "Se, como homem, combati em Éfeso com as feras, que me aproveita isso? Se os mortos não são ressuscitados, comamos e bebamos, porque amanhã morreremos." Ele faz citação de um princípio da filosofia edonista dos gregos. Atualmente este princípio é chamado de ética situacional, ou seja, o que importa é o aqui e o agora e a satisfação dos anseios humanos. É deste pensamento que surge o modo de vida imediatista e consumista do mundo atual.
Também Judas, irmão de Jesus, registra a intromissão de falsos cristãos conforme Jd. 4 - "Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo."
Ao que tudo indica aproximadamente 2000 anos depois, a Igreja não aprendeu ainda a considerar o que Paulo prega aos colossenses conforme Cl. 2:8 - "Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo..."
A questão fundamental é que as igrejas estão repletas de homens que não foram regenerados. Eles não experimentaram o nascimento do alto conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Jesus respondeu, e disse-lhe:na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Embora os tradutores, por questão de facilitação, tenham traduzido como "novo nascimento", o original fala em nascer do alto, isto é, regeneração operada por Deus. Então, quem não nascer do alto, não vê e não entra no reino de Deus. Desta forma se pode ter milhões e até bilhões de pessoas dentro de igrejas institucionais e elas não serem geradas do alto. Serão, no máximo, religiosas!
Por falta de regeneração é que crentes de todas as matizes são facilmente fascinados por líderes inescrupulosos, por lobos devoradores e por salteadores conforme Gl. 2:1 - "Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós?" Enquanto o religioso não regenerado gosta de ouvir o que lhe agrada, os nascidos de Deus gostam de ouvir o que lhes reduz a nada, para que, sendo eles nada, Cristo possa lhes ser tudo.
A questão fundamental é que se a fé de um dito cristão não está na cruz ela não passará de mero fascínio religioso. Poder-se-á ter, neste caso, agregação sem congregação, crença sem fé, religião sem nascimento do alto e igreja com adjetivos bonitos em seus letreiros, mas que nada têm a ver com o Senhor da Igreja. A Ele, pois, honra, força, glória e poder.

janeiro 07, 2009

O QUE É E O QUE NÃO É A IGREJA VI

I Pd. 2:5 - "Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo." Com exceção das cartas às Igrejas no Apocalipse, a única vez que Jesus se referiu à Igreja, o fez como uma assembleia universal. Por universalidade entende-se que é a soma de todos os eleitos e regenerados ordenados para a vida eterna em todos os tempos e lugares. Estas pedras vivas a que alude o texto que vem de ser lido são referências aos pecadores que foram vivificados em Cristo, e que, por isso, se constituem em uma casa edificada espiritualmente, ou seja, o Corpo Vivo de Cristo. Estes eleitos e regenerados oferecem sacrifícios que agradam a Deus, tão somente, porque isto se dá por intermediação de Jesus Cristo. Eles nada têm de melhor ou especial em relação aos demais homens não regenerados. O que importa é a vida de Cristo que neles foi inoculada por graça. Eles se tornaram aceitáveis perante o Pai por meio da santidade e dos méritos de Cristo.
A visão verdadeira da Igreja era muito simples até meados do século IV d. C., sendo, que, Cristo era, de fato, tudo em todos. Ninguém tinha domínio sobre ninguém, mas todos estavam subordinados a um só Senhor, uma só fé e um só batismo. Até este tempo podia-se falar em proto cristianismo  ou seja, um cristianismo simples e original, sem máculas, sem rugas e sem humanismos. Todos eram unânimes em sua fé e a cruz era o único elemento aglutinador da Igreja. As heresias eram muitas e fortes, porém rapidamente rechaçadas!
A verdadeira Igreja neotestamentária é assim caracterizada: "Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; na qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito" - Ef. 2: 19 a 22. É Cristo a Rocha Eterna, a Pedra Angular sobre a qual a Igreja foi edificada, tendo sido prenunciada inesgotavelmente pelos profetas e edificada pelos apóstolos. A soma de todos os nascidos do alto, por ação puramente monérgica forma o edifício bem ajustado, crescendo para ser santuário do Senhor Jesus, sendo habitado pelo Espírito Santo. Este é o ensino escriturístico sobre o que é a verdadeira Igreja. O que passa disso é anátema!
A Igreja não é uma instituição, uma mera organização, ou um objeto pessoal, mas um organismo vivo resultante de uma aquisição por parte de Jesus, o Cristo conforme o registro de At. 20:28 - "Igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue." Assim, o verdadeiro proprietário da Igreja é Deus e não líderes inescrupulosos, lobos vorazes e salteadores que sugam as ovelhas até a última gota de ânimo e de esperança.
O apóstolo Paulo também se refere à Igreja como sendo o corpo vivo de Cristo em Ef. 5:23 - ". . . Cristo é o cabeça da Igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo." Então, a Igreja não resulta dos méritos e da justiça própria de nenhum homem, mas da ação salvífica do próprio Cristo. Paulo não se referiu a esta ou aquela igreja, mas à Igreja! Não importa onde e quando ela está situada. Importa que Cristo é a Cabeça e o Salvador dela. Assim deveriam proceder os que se afirmam cristãos!

O QUE É E O QUE NÃO É A IGREJA V

Mt. 16:18 e 19 - "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos céus." Segundo este texto pode-se afirmar que a marca patente da Igreja constituída por Cristo é o fato de o inferno não prevalecer contra ela. Satanás e seus asseclas farão proezas e atentarão permanentemente contra ela, entretanto jamais poderão prevalecer. Esta verdade cristalina não resulta de esforços, piedade e santidade dos eleitos, mas do fato de a Igreja ser o Corpo de Cristo. Sendo ela o corpo, apenas obedece aos comandos da cabeça que é Cristo conforme texto retratado em artigo anterior.
Há hoje centenas de seitas ditas cristãs que na sua arrogância cega, se arvora de serem detentoras de esplendentes poderes. Seus líderes parecem ter sob controle, na mão direita, Deus, e, na mão esquerda, o Diabo. Dão ordens, tanto àquele, quanto a este. Coitados! Mal sabem que não conhecem Deus e que estão, na verdade, sob o controle do Diabo. Tal afirmação não é um julgamento temerário, bastando para tal, consultar as Escrituras com isenção.
Primeiramente Deus é absoluto e soberano, assim, ninguém poderá movê-lo ou demovê-lo a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa. Alguns supõem ser professores de Deus apenas com base em conhecimentos intelectivos acerca das Escrituras. Entretanto, a pergunta é: "Porque, quem esteve no conselho do Senhor, e viu, e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra, e ouviu?" - Jr. 23:18. O próprio Deus desafia o homem decaído com as seguintes palavras: "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor." - Is. 55:8. Estes religiosos que aparecem dizendo-se ser representantes de Deus na Terra, sequer sabem que Ele, o Senhor, não dá a sua glória a ninguém conforme Is. 42:8 - "Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura."
Foi Blase Pascal quem afirmou o seguinte: "Deus fez o homem a Sua imagem e, o homem, em retribuição fez Deus à sua semelhança." O que ele quiz dizer é que Deus colocou reflexos da Sua glória no homem, e este após ter se rebelado contra o Criador, tenta fazer de Deus um ser humano. Tais comportamentos são perfeitamente visíveis e perceptíveis nas seitas religiosas pretensamente cristãs. Muito do que é denominado cristão, nada tem a ver com Cristo e vice-versa.
Secundariamente, em muitas dessas seitas religiosas falsamente chamadas de cristãs, se vê uma "guerra espiritual" contra Satanás, mas são puramente representações teatrais para impressionar os desprovidos de discernimento e perturbados pelas vicissitudes da vida. Jesus demonstra uma profunda verdade em I Jo. 5:18 a 20 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno. E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna." Então, aquele que é nascido de Deus, do alto, ou do espírito não possui mais a culpa e a condenação do pecado, porque isto lhe foi retirado pela justificação na morte com Cristo. Se não é mais pecador por natureza, logo o Diabo não tem poder sobre ele, ou seja, não lhe pode tocar. Contrariamente, o mundo inteiro jaz no maligno, porque partilha da sua natureza decaída e separada de Deus. Também os filhos de Deus recebem misericórdia e graça para conhecer e entender o que é verdadeiro e o que é falso. O verdadeiro é Cristo, logo, estar n'Ele é condição precípua para não ser tocado pelo maligno. Portanto, as portas do inferno não prevalecem e não prevalecerão contra a Igreja que é o Corpo Vivo de Cristo. Esta Igreja nada tem a ver com igrejas institucionais, denominacionais e humanizadas. Portanto é Igreja aquela que é formada por pecadores regenerados e vivificados por Cristo, formando o seu Corpo Vivo.

janeiro 06, 2009

O QUE É E O QUE NÃO É A IGREJA IV

Comumente se confunde Igreja com o Corpo Vivo de Cristo; Congregação com Agregação; Religião com Verdade; Fé com Crença. O homem é um ser naturalmente religioso, mesmo quando não professa nenhuma religião, porque sempre tem algum tipo de crença que o leva à busca do eterno. Crê até mesmo que não crê, e neste sentido, a sua descrença é uma forma de crença. Entretanto, e paradoxalmente, o homem é por natureza ateu, ou seja, oposto a Deus. A sua natureza pecaminosa não o inclina para Deus, mas sim para religião, misticismo e crenças.
Igreja é um termo ambíguo, pois, como já foi dito, pode ser apenas um grupo de pessoas unidas em torno de uma crença e agregadas por um conjunto de normas, regras e preceitos, dando a base das suas expectativas. Isto difere substancialmente do que é, de fato, a Igreja como o Corpo Vivo de Cristo conforme Cl. 1:18 - "E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência." No caso dessas igrejas que são apenas agregações de homens com base em seus próprios pressupostos, Cristo não é a cabeça, pois o centro não é a cruz. Cristo não tem a preeminência neste agregado de pessoas, ainda que elas tenham suas declarações de fé e de princípios. Não basta proclamar que crê, que as Escrituras são sua única regra de fé e prática se a realidade espiritual não for centrada em Cristo e este crucificado. Muito menos adianta declarar verdades bíblicas e ter comportamento moral exemplar se não crê que foi crucificado com Cristo e que até a vida carnal que ainda vive está no controle d'Ele.
A proposta neotestamentária que caracteriza e fundamenta a Igreja é muito clara conforme Cl. 1: 22 - "No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis..." Para ser Igreja, isto é, fazer parte do Corpo de Cristo, primeiramente o pecador deve ter passado pela experiência de fé em sua morte por inclusão no corpo d'Ele. Não se pode admitir "novo nascimento" para quem não admite pela fé que Cristo não morreu sozinho na cruz, mas que cada um dos eleitos morreu com Ele para com Ele ressuscitar. A morte de Cristo não foi apenas substitutiva como pregam as seitas cristãs, mas foi também inclusiva como ensinam as Escrituras com clareza. O religioso consegue ver apenas um lado da cruz, a saber, o lado substitutivo. Isto lhe interessa, porque coloca justiça própria e mérito no seu suposto processo de salvação. É como se declarassem que Jesus, o Cristo estava sozinho na cruz para pagar por um pecado que Ele não possuía. Sem incluir o real culpado pelo pecado, a cruz não faria o menor sentido.
Quem dá o aumento do corpo de Cristo é Deus e não os esforços humanos conforme Cl. 2: 18 e 19 - "Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus." Hoje, o que se vê são dominadores com aparência de piedade porém negam o Senhor Jesus por seus atos e atitudes, falando do que não conhecem e não experimentaram.
Em língua portuguesa religião provém da palavra latina 'religio', sendo desconhecida as relações estabelecidas entre este vocábulo e outros vocábulos. Ao que parece, no mundo latino anterior ao cristianismo, 'religio' referia-se a um estilo de comportamento marcado pela rigidez e pela precisão por meio de regras morais.
Historicamente aparecem diversas etimologias para a origem do termo 'religio'. Cícero, na sua obra "De Natura Deorum", (45 a.C.) afirma que o termo se refere a relegere, reler, o que caracteriza as pessoas religiosas por uma constante averiguação de tudo o que se relaciona com as coisas divinas ou sobrenaturais, relendo os escritos que dão base aos seus sistemas de crença. Tal proposta etimológica dá relevo ao carácter repetitivo do exercício religioso, bem como o aspecto intelectual. Mais tarde, Lactâncio (séc. III e IV d.C.) rejeitou a explicação de Cícero afirmando que o termo vem de 'religare', 'religar', argumentando que a religião é um laço de piedade que serve para religar os seres humanos a Deus.
No livro "A Cidade de Deus" Agostinho de Hipona (séc. IV d.C.) afirma que 'religio' deriva de 'religere', qual seja, "reeleger". Através da religião a humanidade reelegeria novamente a Deus, do qual se havia separado. Mais tarde, na obra "De Vera Religione", Agostinho retomou a interpretação de Lactâncio, que via em 'religio' uma relação com "religar". Portanto, religião é religação, porém é uma propositura que parte do homem em direção a Deus.
Macróbio (séc. V d.C.) considerava que 'religio' deriva de 'relinquere', ou seja, seria algo que nos foi deixado pelos antepassados, ou seja, uma relíquia a ser cultivada.
Independente da origem, o termo é adotado para designar qualquer conjunto de crenças e valores que compõem a fé de determinada pessoa ou conjunto de pessoas.
À luz do exposto, verificam-se alguns aspectos: não há consenso do que de fato é religião; religião é algo que parte do homem em direção a Deus, logo, Ele não está nisto!