domingo, 27 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO VII

Todas as profecias acerca do Cristo, tanto em forma, quanto em conteúdo se cumpriram na pessoa de Jesus. E o título messiânico, "Ungido de Deus" aponta para a obra redentora de Cristo. O ato de ungir alguém indica uma separação para uso sagrado, mostrando que há uma escolha para determinada função outorgada por Deus. Por isso, Jesus é o "Ungido de Deus" conforme os vaticínios em Sl. 2:2 - "Os reis da Terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo..." Também em Sl. 45:7 - "Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros." Em diversas instâncias do texto sagrado se vê o cumprimento de profecias acerca da unção do Cristo de Deus.
A messianidade de Cristo é evidenciada em diferentes momentos da vida de Jesus, como confirmação das profecias. Por exemplo, ele foi profetizado como um profeta conforme Dt. 18:15 - "O Senhor teu Deus te suscitará do meio de ti, dentre teus irmãos, um profeta semelhante a mim; a ele ouvirás..." Também o texto sacro indicava que Jesus seria sacerdote de acordo com Sl. 110:4 - "Jurou o Senhor, e não se arrependerá: tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." E, finalmente a profecia que afirmava Jesus como rei conforme Sl. 110:2 - "O Senhor enviará de Sião o cetro do teu poder. Domina no meio dos teus inimigos."
Verifica-se que os ministérios profetizados sobre Jesus eram os mesmos da velha aliança. Isto se deu, para que fique claro que todas as Escrituras tratam tão somente de Cristo consoante o que ele mesmo confessa em Mt. 5:39 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim..." Esta verdade se vê até o dia de hoje entre os religiosos: eles estudam teologia, frequentam igrejas, participam de conclaves, encontros, debatem em suas escolas bíblicas, possuem milhares de publicações acerca de Jesus, mas não o conhecem em espírito e em verdade.
Enquanto "o Cristo de Deus", Jesus foi assim reconhecido, porque é um título destinado exclusivamente a Ele. Quando aprouve a Deus manisfestar o Seu Filho ao mundo, manifestou-o como o Cristo, segundo Lc. 2:11 - "É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor." Este título é utilizado 577 vezes no Novo Testamento em relação a Jesus. É o termo grego correspondente ao mesmo termo hebraico de Messias, sendo ambos traduzidos como "O Ungido" ou "O Enviado". Assim, Jesus foi enviado e ungido por Deus para executar tudo quanto estava determinado pelos profetas sobre ele.
Jesus iniciou o seu ministério aos 30 anos, tendo sido revestido do poder do alto para tanto conforme Lc. 3:22 - "... e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e ouviu-se do céu esta voz: tu és o meu Filho amado; em ti me comprazo." Foi investido das funções de profeta conforme Jo. 7:40 - "Então alguns dentre o povo, ouvindo essas palavras, diziam: verdadeiramente este é o profeta." Foi igualmente investido por Deus na função de sacerdote consoante Hb. 3:1 - "Pelo que, santos irmãos, participantes da vocação celestial, considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus..." Também confirmado como rei conforme Jo. 18:37 - "Perguntou-lhe, pois, Pilatos: logo tu és rei? Respondeu Jesus: tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade..."
Jesus foi o único neste mundo que teve autoridade conferida para afirmar as seguintes palavras: "O Espírito do Senhor é sobre mim, pois me ungiu..." de acordo com Lc. 4:18.
A diferença entre todos os demais profetas e Cristo, como profeta é que, aqueles passaram, Este permanece para sempre. Os antigos profetas indicavam e vaticinavam acerca de Cristo, Ele, todavia, anunciou a Palavra de Deus que liberta os cativos e os transfere do reino das trevas para o reino de Deus. Ele não é apenas um anunciador de boas novas, mas é alguém que pode redimir eternamente. A doutrina, isto é, o ensino que Jesus transmitiu, não foi apenas uma opinião mecânica e pessoal acerca da verdade, mas o próprio e direto ensino de Deus conforme Jo. 7:16 - "Respondeu-lhes Jesus: a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou." Em Mt. 23 e 24 Jesus profetizou sobre diversos acontecimentos que ainda iriam acontecer, sendo que alguns deles ainda não aconteceram, porque não é chegado o tempo.
Também como "Sumo Sacerdote", Jesus se diferenciou bastante dos outros sumos sacerdotes que exerceram esta função. Estes eram apenas tipos d'Aquele! Enquanto Sumo Sacerdote Eterno, Jesus é segundo a ordem de Melquisedeque. Isto equivale dizer que, assim como o cananeu Melquisedeque creu em Deus, sendo rei sobre a cidade de Salém que é Jerusalém muito antes da Lei de Moisés conforme Hb. 7:1 - "Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava da matança dos reis, e o abençoou..." Viveu este misterioso rei por volta de 1900 anos antes de Cristo, tendo sido contemporâneo de Abraão. Assim, a identificação do sacerdócio de Jesus com o de Melquisedeque mostra que Jesus é o sacerdote de uma nova aliança e não da Lei. Isto porque, segundo a Lei Jesus não poderia ser sacerdote, visto que não era da tribo dos levitas. Desta forma Jesus foi sacerdote segundo a soberana vontade de Deus que o chamou para isto mesmo segundo Hb. 7:21 - "Jurou o Senhor: tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque..."
Desta maneira Melquisedeque foi um tipo de Cristo, posto que Rei e Sacerdote, tanto quanto o Senhor Jesus o é. O nome Melquisedeque, tem por significado exatamente: "Rei de Justiça, rei de Paz" conforme Hb. 7:2 - "... a quem também Abraão separou o dízimo de tudo (sendo primeiramente, por interpretação do seu nome, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz." O fato de a genealogia, tanto quanto o tempo do nascimento de Melquisedeque não terem sido mencionado foi uma providência do Espírito Santo, para que, em tudo, fosse o tipo de Cristo que é de eternidade a eternidade conforme Sl. 90:2 - "Antes que nascessem os montes, ou que tivesses formado a Terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade tu és Deus." Jesus não necessita de ser identificado no tempo, pois Ele afirma em Ap. 1:8 - "Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso." Assim, pois, o sacerdócio de Jesus, o Cristo é perpétuo consoante Hb. 7:28 - "Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens que têm fraquezas, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, para sempre aperfeiçoado."
Examinando os ofícios de um sumo sacerdote da velha aliança verifica-se que em nada Cristo deixou de cumprir em seu Sacerdócio Real e Eterno. Destacam-se três grandes encargos:
1) Sacrifício da oferta junto ao altar, isto se cumpriu em Jesus, o Sumo Sacerdote, Mediador e Substituto Perfeito no alto do Gólgota, onde Ele mesmo era o sacrificador e o sacrifício de acordo com Ef. 5:2 - "... e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave." Ele se apresentou com a Sua alma por expiação pelo pecado de muitos de acordo com Is. 53:10 - "Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos." Também, Cristo foi imolado como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo consoante Jo. 1:29 - "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." O sacrifício de Cristo foi suficiente, eficiente e eficaz, posto que feito uma única vez e validado para sempre conforme Rm. 6:10 - "Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus." Esta parte do Sacerdócio Supremo de Cristo está consumada, perfeita e acabada conforme Jo. 19:30 - "Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito."
2) Também o Sumo Sacerdote da antiga aliança, após sacrificar a oferta pelo pecado, tomava a bacia como o sangue da vítima no dia da grande expiação, uma vez por ano, e o levava para dentro do véu no Santo dos Santos, onde espargia-o sobre o propiciatório entre os querubins. Isto representava a expiação do pecado diante dos olhos de Deus conforme Lv. 15:17, Ex. 25:22 e Nm. 7:89. Por símile, o Sumo Sacerdote, Cristo, apresentou-se no céu diante do trono de Deus levando o sangue derramado para expiar o pecado dos eleitos conforme Hb. 9:24 - "Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus..."
3) Após levar o sangue expiatório, o sumo sacerdote da velha aliança, saía até a presença do povo no átrio para abençoar e orar por eles. Semelhantemente, o Sumo Sacerdote Cristo vive para sempre para interceder pelos seus conforme Hb. 7:25 - "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive sempre para interceder por eles." Também em Gl. 3: 13 e 14 - "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que aos gentios viesse a bênção de Abraão em Jesus Cristo, a fim de que nós recebêssemos pela fé a promessa do Espírito."
Como Rei, o próprio Jesus se referiu a Si mesmo como tal em Jo. 18:37 - "Perguntou-lhe, pois, Pilatos: logo tu és rei? Respondeu Jesus: tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz."
Também Natanael o reconheceu como rei mediante Jo. 1:49 - "Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel."
Os profetas profetizaram que Cristo viria como rei consoante Sl. 2: 6 a 8, 8:6, 10:6; Is. 9:7; Jr. 23:5. Quando Cristo nasceu foi adorado como rei conforme Mt. 2:2 e 11. Antes de subir à cruz, ao entrar em Jerusalém foi aclamado rei conforme a profecia de Zc. 9:9 e 10, Mt. 21: 1 a 11 e Lc. 19:38. Após a ressurreição de Jesus, Ele foi exaltado como rei conforme Fp. 2:9; Hb. 2:7; Jo. 17:5; At. 2:36, At. 5:31, At. 10:42; Ef. 1:20; Jo. 3:35 e Mt. 28:18.
Finalmente, quando o Senhor Jesus retornar e restaurar todas as coisas será entronizado como Rei Eterno e Bendito. Amém.

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