terça-feira, 22 de abril de 2008

CRISTO, ESTE TÃO DESCONHECIDO V

Ainda sobre a humanidade de Cristo há muitas evidências textuais confirmando esta verdade. Entretanto, tal posição é, para a intelectualidade escamada, uma discussão sem conteúdo, por escassez de consistência epistemológica. Todavia, para os que recebem fé do alto é uma questão crucial, visto que, se não for assumido que Deus se fez homem na pessoa de Jesus, todo o projeto da salvação do pecador estaria danificado.
A salvação, tal como pode ser apreendida das Escrituras, e não em bases religiosas, requer obrigatoriamente a humanidade de Cristo. Logo após a queda do homem, no Éden, este deu início à saga religiosa, cobrindo-se de aventais de folhas de figueira, como consequência do medo gerado pelo pecado. A consciência da sua nudez manifestou-se imediatamente. Sabe-se, no entanto, que tal nudez não era apenas física, pois eles já se acham nus fisicamente ates da queda. Tratava-se da nudez espiritual, a saber, o revestimento da santidade de Deus. 
A morte, ou seja, a separação do homem em relação à natureza divina, gerou incondicionalmente, uma fobia. Por isso, Cristo afirma pela pena do apóstolo João, que "... o perfeito amor lança fora o medo." Também, por esta mesma razão é que o Senhor Jesus utiliza o termo 'não temas' e seus correlatos cerca de 365 vezes no Novo Testamento.
A salvação produzida por Deus é ato e é processo em etapas distintas, porém intercomunicáveis. É um ato eterno, porque antes de o mundo e todas as coisas existirem, Ele já havia provido a forma, o elemento e os meios de levá-la a cabo conforme II Tm. 1:9 - "... não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..." Tal salvação consiste em quatro etapas, a saber:

1) Conversão processual por meio de três momentos:
a) Convencimento do pecado.
b) Fé dada pela graça ao pecador.
c) Arrependimento produzido pela fé.

2) Ato da regeneração ou nascimento do alto que anula a culpa do pecado.

3) Ato da purificação dos atos pecaminosos na Santidade de Cristo.

4) Ato de glorificação, quando o salvo ganhar o corpo incorruptível.

Na "Conversão Processual", Deus trata do pecado e tal conversão se caracteriza por muitas mudanças entre erros e acertos no tocante à busca da verdade. No "Ato de Regeneração" Deus trata da natureza pecaminosa, destruindo-a na cruz por inclusão na morte de Cristo. No "Ato da Santificação", Deus trata do crescimento espiritual do regenerado, produzindo nele a semelhança de Cristo. E, finalmente, no "Ato de Glorificação", Deus trata da restauração plena e final da sua obra eterna de formar para Si uma família por meio de Cristo.
Então, por todas estas razões é que a humanidade de Cristo foi requerida, pois do contrário, Deus poderia operar a salvação sem a necessidade de enviar o Salvador. O tratamento dispensado por Deus ao pecador foi semelhante ao tratamento homeopático, ou seja, cura o doente e não apenas a doença, aplicando-lhe o remédio homólogo à doença. Para tanto, Deus providenciou não apenas a doação, mas também o próprio doador em pessoa, a saber, Cristo Jesus. Deus o fez pecado para retirar o pecado do mundo conforme II Co. 5:21 - "Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." É a justificação do injusto por meio do Justo.
As Escrituras chamam Jesus de "Homem" consoante o texto de At. 2:22 - "A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós..." Também o próprio Pilatos afirma: "Eis aí o homem." conforme Jo. 19:5. Jesus mesmo faz referência a Si como homem em Mt. 4:4 - "Não só de pão viverá o homem..." Em Jo. 8:40, o Senhor Jesus replica aos religiosos: "...agora quereis matar-me, homem, que vos tenho dito a verdade." Ainda Paulo escreve que "...a graça e a ressurreição vieram por meio de um homem..." em I Co. 15:11. Finalmente, em I Tm. 2:5 é afirmado que "... há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem."
A expressão "o Filho do Homem" é utilizada 69 vezes no novo testamento. Ela expressa a sua humilhação e sofrimento como representante legal da humanidade conforme Mt. 8:20, 11:19, 20:28; Mc. 8:31; Jo. 9:28, 12: 23 e 24, entre outras passagens. Jesus, o Cristo de Deus representa o último Adão consoante I Co. 15:45 - "Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante." O primeiro Adão, fora feito alma vivente conforme Gn. 2:7 - "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente." Assim, a vida do primeiro Adão, representante da raça humana, estava apenas na alma. Todavia, a vida do último Adão estava no Espírito, e não apenas isto, mas Ele pode conceder vida aos regenerados, pois é vivificante. Jesus, pois tornou-se o último Adão, justamente para destruir ou matar a raça adâmica contaminada pelo pecado. Ele o fez doando-se a Si mesmo para a morte, e morte de cruz. Nele, fomos atraídos e incluídos em sua morte de cruz a fim de recebermos deste Espírito vivificante a vida verdadeira. A atração é referenciada em diversas instâncias, das quais selecionam-se duas: Os. 11:4 - "Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas, e me inclinei para lhes dar de comer." E, também em Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer."
No tocante à experiência de aniquilamento ou destruição da natureza adâmica, pecaminosa, ou ainda, do velho homem, temos em Rm. 6: 6 e 11 - "...sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado (...) Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus." O homem decaído e morto em seus delitos e pecados, não pode crer esta verdade, a não ser que do alto lhe seja concedido conforme Jo. 6: 44 e 65 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia (...) E continuou: por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido."
Jesus teve um nascimento como qualquer outro homem que veio ao mundo, ainda que Maria houvera concebido de modo sobrenatural. O texto sagrado diz em Lc. 2:7 - "...e teve a seu filho primogênito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem." As Escrituras mostram que o próprio Deus preparou um corpo para o Seu Filho conforme Hb. 10:5 - "Pelo que, entrando no mundo, diz: sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste..." Tantos outros textos nos mostram que Jesus, "participou da carne e do sangue." Que Ele "se fez carne e habitou entre nós..." Ainda que Ele "veio em carne..." E, também, que teve corpo, alma e espírito. Esteve sujeito ao crescimento e ao amadurecimento naturais, além de virtudes morais, pois aprendeu a obediência.
Jesus foi um homem absolutamente integrado à sociedade do seu tempo, visto que era membro de uma família, trabalhou na carpintaria do seu padrasto, teve um nome humano, era descendente de uma linhagem humana do ramo davidiano, cumpria todos os deveres cerimoniais, fiscais e jurídicos. Também, enquanto esvaziado da Sua deidade esteve limitado ao espaço e ao tempo. Ele sentia cansaço e fome, foi tentado em tudo, e isto, inclui impulsos sexuais, ira, afeto etc. Ele dependia de Deus, enquanto um ser humano.
O único diferencial é que Jesus, mesmo encarnado, não cedeu ao pecado e, muito menos aos pecados conforme Ele mesmo afirma "...Quem dentre vós me convence de pecado?" Jo. 8:46.
Ora, resta apenas render a Cristo toda majestade, e glória, e poder eternamente.

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