março 31, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS XVI

I Ts. 4: 16 a 18 - "Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras."
A palavra arrebatamento provém do grego koinê a língua, na qual, o Novo Testamento foi escrito. No texto de abertura arrebatamento é 'harpagesomatha', e, por sua vez, vem do verbo 'harpazo' que significa: "tomo à força, tiro, arrebato". Desta forma a ação direta de Cristo será algo sobrenatural, pois Ele se manifestará apenas para os seus e os retirará do mundo em uma ação muito rápida e arrebatadora.
O texto de abertura demonstra que há ordem e forma na manifestação de Cristo. Soará a trombeta, o arcanjo bradará em alta voz, os mortos ressuscitarão primeiro e depois os vivos serão transformados. Estes mortos são os que morreram em Cristo, ou seja, foram regenerados pela inclusão na sua morte e ressurreição pela fé. Depois dos mortos salvos, será a vez dos vivos eleitos e regenerados serem transformados e retirados de modo também sobrenatural, juntamente com os mortos ressuscitados. Todos se encontrarão com o Senhor Jesus no espaço sideral e permanecerão com Ele até a sua manifestação visível ao mundo. O apóstolo Paulo nos dá uma orientação sobre este processo em I Co. 15: 51 a 53 - "Eis aqui vos digo um mistério: nem todos dormiremos mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade."  
Esta manifestação a que alude o texto será visível apenas aos santificados por Ele em sua morte. Os demais habitantes da Terra não o verão nesta manifestação. Por isto no estudo anterior foram colocadas as diversas palavras para manifestação e seus significados diferenciados. Na vinda ou manifestação de Cristo à sua igreja verdadeira será 'optomai'. Na sua manifestação visível ao mundo para julgamento será 'parousia'. Porque na primeira Ele se manifestará apenas espiritualmente e no espaço distante da superfície terrestre para receber os seus. Na segunda, Ele se manifestará visivelmente sobre a superfície terrestre para que todos o vejam e saibam que é Ele mesmo, aquele a quem rejeitaram, criticaram, blasfemaram, descreram e abusaram. Na primeira é uma manifestação amorosa e cheia de luz. Na segunda será uma manifestação para juízo e vingança. Entretanto, ambas se relacionam ao processo de restauração de todas as coisas para a instalação do reino eterno. 
Este período do tempo do fim ou do fim dos tempos será muito breve e haverá então intensa atividade nos céus e na Terra. Na manifestação visível de Cristo Ele virá com todos os seus santificados que são os muitos filhos que Ele purificou para o Pai. Os justificados executarão a tarefa de purificar a Terra pelo fogo. Este é o período denominado de "grande tribulação", ou como aparece no texto grego, "tribulação, a grande." Tal período é chamado de "última semana", "o tempo da angústia de Jacó", "o fim dos tempos", "a última hora", "o dia do Senhor", "o grande e terrível dia do Senhor." O fato é que será um período de sete anos subdivididos em duas partes de três anos e meio, na primeira parte, a Besta ou Anticristo apertará o cerco contra Jerusalém e as nações do mundo cercarão Israel. No meio dos sete anos ocorrerá o arrebatamento da Igreja do Senhor Jesus, o Cristo. No final dos outros três anos e meio haverá a batalha do Armagedom, quando Satanás inspirará o Anticristo e seus seguidores a organizar um enorme exército para lutar contra Cristo e os justificados. Esta batalha ocorrerá no Vale do Megido no centro norte de Israel, e, sobretudo, Jerusalém será ocupada. 
Mt. 24: 37 a 42 - "Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem. Então, estando dois homens no campo, será levado um e deixado outro; estando duas mulheres a trabalhar no moinho, será levada uma e deixada a outra. Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor." Vê-se pela profecia escatológica do próprio Cristo, que, os homens estarão voltados absolutamente para seus prazeres e interesses. Percebe-se que Noé, a arca e o dilúvio são tipos dos mesmos acontecimentos relativos ao arrebatamento. Noé é um tipo e o antítipo é Cristo; a arca é um tipo da graça e da eleição e o dilúvio é um tipo do juízo de Deus sobre a Terra. A diferença é que desta última vez será pelo fogo, e não pela água.
Sola Grata!

março 17, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS XV

Mc. 14: 60 a 64 - "Levantou-se então o sumo sacerdote no meio e perguntou a Jesus: não respondes coisa alguma? Que é que estes depõem conta ti? Ele, porém, permaneceu calado, e nada respondeu. Tornou o sumo sacerdote a interrogá-lo, perguntando-lhe: és tu o Cristo, o Filho do Deus bendito? Respondeu Jesus: eu o sou; e vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu. Então o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: para que precisamos ainda de testemunhas? Acabais de ouvir a blasfêmia; que vos parece? E todos o condenaram como réu de morte."
É fundamental entender que o Velho Testamento é o texto das Escrituras escrito em hebraico. O Novo Testamento foi escrito em grego koiné, isto é, o grego popular resultante da disseminação do helenismo na expansão do Império Greco-Macedônio para o Oriente. Tudo foi determinado na sabedoria divina para que houvesse o domínio do Império Romano ou a "pax romana", garantindo a expansão do evangelho além das fronteiras de Israel. Também a disseminação do gênio da língua grega para a pregação do evangelho. Os néscios não conseguem alcançar estes fatos como partes da economia divina, porque tentam trazer os planos de Deus para a compreensão horizontal e pobre do homem decaído. Ora, Deus usa seus métodos para cumprir o "supremo propósito". Estes impérios dominantes e outros já passados nesta época foram fartamente anunciados por meio dos profetas. Neste sentido é necessário entender o que Deus afirma de si mesmo conforme Is. 46: 9 e 10 - "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade." 
Neste ponto debruçar-se-á sobre o retorno do Grande Rei ao mundo uma outra vez. É necessário tratar de alguns aspectos escatológicos para que se possa entender melhor quando se escrever sobre o Apocalipse futuramente. No texto grego koiné do Novo Testamento há cinco termos para expressar o retorno de Cristo, o Grande Rei. São eles:
a) "Optomai" que significa aparecer conforme Hb. 9:26 - "Aparecerá segunda vez, sem precado, aos que o aguardam para a salvação." Vê-se, que, primeiramente o Cristo não mais atrairá o pecado dos homens a si nesta sua manifestação, além do que, aparecerá para os que o aguardam e não para todos os homens.
b) "Ercomai" que significa vir conforme Jo. 14:3 - "E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também." Também surge em At. 1:11, II Ts. 1:10, Jd. 14 e Ap. 1:7
c) "Epiphanos" que significa aparecer ou manifestar conforme I Tm. 6:15 - "... que guardes o mandato imaculado, irrepreensível, até à manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo." Aparece também em II Tm. 1:10, 4:1 e 4:8.
d) "Apokalypsis" que significa desvendamento, revelação, aparecimento e vinda, respectivamente. Pode ser lido em I Pd. 1:13 - "Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo." Aparece ainda em I Pd. 1:7 I Co. 1:7 e Ap. 1:1
e) "Parousia" que significa presença ou vinda visível conforme I Co. 15:23 - "Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo, na sua vinda." Aparece ainda em I Ts. 2:19, 4: 15, 5:23, II Ts. 2:1, II Ts. 2:8 e Tg. 5:7 e 8.
Tais diferenças de vocábulos se fazem necessárias de acordo com o contexto e as circunstâncias da manifestação de Cristo. Em um texto pode significar apenas a revelação espiritual, ou seja, no espírito do regenerado, trazendo-lhe entendimento e conforto. Em outro contexto pode significar a manifestação invisível ao mundo no arrebatamento da Igreja antes da Grande Tribulação. E ainda em outro contexto a manifestação visível aos olhos de todas as nações da Terra. Portanto, é necessário receber a graça do Altíssimo para compreensão e revelação das Escrituras. Muitos sabem muito sobre bíblia e religião, mas não têm revelação espiritual alguma. São meros intelectuais das Escrituras. Não basta conhecer as Escrituras intelectualmente, saber textos decorados e recitá-los, ter títulos religiosos pomposos, cursos nas melhores faculdades teológicas e seminários. Falar de Deus, de Jesus, da Bíblia e de religião não assegura nenhuma garantia de verdade e redenção. Esta só se recebe por graça e misericórdia mediante a fé pela inclusão do pecador na morte de Cristo. Os que recebem tal bênção têm os seus nomes escritos no livro da vida antes da fundação do mundo conforme Ef. 1: 3 a 13 - "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado; em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça, que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência, fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra, nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade, com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo; no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa..."
Na sequência tratar-se-á do arrebatamento da Igreja nos termos estritamente bíblicos. Estes estudos não estão atrelados a nenhuma corrente de pensamento teológico humanista, gnóstico ou religioso institucional. Portanto, não perca seu tempo discutindo, rebatendo, contestando ou fazendo comentários sobre teorias humanas acerca das Escrituras. Tais comentários sequer serão respondidos.
Sola Gratia!

SOBRE O FIM DOS TEMPOS XIV

Ez. 39: 1 a 12 - "Tu, pois, ó filho do homem, profetiza contra Gogue, e dize: assim diz o Senhor Deus: eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e Tubal; e te farei virar e, conduzindo-te, far-te-ei subir do extremo norte, e te trarei aos montes de Israel. Com um golpe tirarei da tua mão esquerda o teu arco, e farei cair da tua mão direita as tuas flechas. Nos montes de Israel cairás, tu e todas as tuas tropas, e os povos que estão contigo; e às aves de rapina de toda espécie e aos animais do campo te darei, para que te devorem. Sobre a face do campo cairás; porque eu falei, diz o Senhor Deus. E enviarei um fogo sobre Magogue, e entre os que habitam seguros nas ilhas; e saberão que eu sou o Senhor. E farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo Israel, e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel. Eis que isso vem, e se cumprirá, diz o Senhor Deus; este é o dia de que tenho falado. E os habitantes das cidades de Israel sairão, e com as armas acenderão o fogo, e queimarão os escudos e os paveses, os arcos e as flechas, os bastões de mão e as lanças; acenderão o fogo com tudo isso por sete anos; e não trarão lenha do campo, nem a cortarão dos bosques, mas com as armas acenderão o fogo; e roubarão aos que os roubaram, e despojarão aos que os despojaram, diz o Senhor Deus. Naquele dia, darei a Gogue como lugar de sepultura em Israel, o vale dos que passam ao oriente do mar, o qual fará parar os que por ele passarem; e ali sepultarão a Gogue, e a toda a sua multidão, e lhe chamarão o Vale de Hamom-Gogue. E a casa de Israel levará sete meses em sepultá-los, para purificar a terra."
Deus novamente desperta o espírito do profeta Ezequiel e lhe ordena que profetize contra Gog que é o Anticristo no comando de povos e nações do extremo norte representadas por Meseque e Tubal. Alguns tradutores  pegaram a palavra "chefe", que, em hebraico é 'rosh' e traduziram-na como nome próprio. Por esta razão alguns intérpretes das Escrituras afirmam que tal palavra significa Rússia. Porém, esta palavra não é um nome próprio, mas um substantivo comum, significando 'cabeçacomandante, principal, chefe'. O vocábulo 'rosh' e suas derivadas ocorrem 756 vezes no velho testamento e em nenhuma delas significa Rússia ou se refere a um nome próprio de país ou nação. A palavra Rússia provém da língua finlandesa 'Rossíya' e significa 'remadores', enquanto 'rosh' é vocábulo hebraico e faz referência a uma posição ou cargo de uma pessoa ou mesmo superioridade de uma mercadoria. No verso 22 do capítulo 27 do livro de Ezequiel é utilizado o vocábulo 'rosh' como "os mais finos", ou seja, principais ou melhores tecidos.
No capítulo trinta e nove de Ezequiel novamente Deus mostra como o Anticristo comandará o seu império contra Israel. Este império é subdividido estrategicamente em torno do Oriente Médio em três esferas de poder militar: Meseque e Tubal representando os povos do extremo norte e centro norte da Eurásia; Pérsia, Etiópia e Líbia, representando povos e nações do norte da África e da Ásia Ocidental; Gômer, Togarma e suas tropas, representando os povos e nações da Europa Ocidental e Oriental. Mostra também como Deus executará a sua justiça contra este império aos olhos de todas as nações da Terra e aos olhos dos judeus. Tal execução será algo tão sobrenatural que o mundo não terá mais nenhuma dúvida de quem é Deus e os judeus finalmente reconhecerão Jesus, o Cristo como o verdadeiro Messias da promessa ao qual rejeitaram no passado. Vê-se  pelo texto que é o próprio Deus que incitará Gog contra Israel para nele reivindicar a sua santidade perante o mundo todo.
O capítulo trinta e nove mostra, de fato, a derrota das forças comandadas pelo Anticristo ou a Besta. Ao que tudo indica será uma intervenção divina, pois Israel estará absolutamente cercado e sem a menor condições de defesa. Esta é uma convergência proposital da parte de Deus para mostrar que é quando o homem não tem qualquer condição própria que Deus atua. Será uma derrota tão completa que os judeus levarão sete meses para enterrar os mortos. As aves de rapina e os animais selvagens se alimentarão das carnes dos soldados mortos até se fartarem. Pesquisadores e biólogos israelenses já detectaram um fenômeno um tanto anômalo na região centro-norte de Israel: uma espécie de urubus está pondo de dois a três ovos por dia. Estas aves de rapina, ou seja, que se alimenta de carne está se multiplicando vertiginosamente no vale de Jeesrel. Os israelenses pegarão as armas dos invasores para usar como fonte de energia. Aquela região passará a chamar-se o "Vale das Forças de Gogue" ou "Hamon-Gogue", como também haverá uma cidade que será chamada "Forças" ou "Hamona".
Esta mudança de paradigmas no mundo e em Israel  é para cumprir as promessas de Deus a Abraão. Ele mudará a sorte da casa de Jacó pela última vez e para sempre. Obviamente que Israel neste sentido significa tanto a nação dos judeus, como também a igreja verdadeira comumente chamada no novo testamente de "o Israel de Deus". Aqui se aplica o símbolo da oliveira enxertada do apóstolo Paulo conforme Rm. 11: 17 e 24 - "E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado no lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira (...) Pois se tu foste cortado do natural zambujeiro, e contra a natureza enxertado em oliveira legítima, quanto mais não serão enxertados na sua própria oliveira esses que são ramos naturais!". A oliveira verdadeira é a casa de Israel, enquanto o zambujeiro natural são os povos não judeus que foram eleitos e regenerados, ou seja, a Igreja. Paulo está mostrando que a redenção é tanto para judeus como para não judeus. Cristo é a oliveira verdadeira e a Igreja os ramos nela enxertados.
Ora, mais uma vez são desafiados os intérpretes que dão às profecias uma visão pretérita. Em que época ocorreu uma invasão como a descrita no capítulo trinta e nove? Quando foi que Israel realizou estas tarefas todas descritas no texto? Em que época as nações e povos da Terra se convenceram da realidade suprema e absoluta de Deus?
Sola Scriptura!

março 12, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS XIII

Ez. 38: 14 a 23 - "Portanto, profetiza, ó filho do homem, e dize a Gogue: assim diz o Senhor Deus: acaso naquele dia, quando o meu povo Israel habitar seguro, não o saberás tu? Virás, pois, do teu lugar, lá do extremo norte, tu e muitos povos contigo, montados todos a cavalo, uma grande companhia e um exército numeroso; e subirás contra o meu povo Israel, como uma nuvem, para cobrir a terra. Nos últimos dias hei de trazer-te contra a minha terra, para que as nações me conheçam a mim, quando eu tiver vindicado a minha santidade em ti, ó Gogue, diante dos seus olhos. Assim diz o Senhor Deus: não és tu aquele de quem eu disse nos dias antigos, por intermédio de meus servos, os profetas de Israel, os quais naqueles dias profetizaram largos anos, que te traria contra eles? Naquele dia, porém, quando vier Gogue contra a terra de Israel, diz o Senhor Deus, a minha indignação subirá às minhas narinas. Pois no meu zelo, no ardor da minha ira falei: certamente naquele dia haverá um grande tremor na terra de Israel; de tal sorte que tremerão diante da minha face os peixes do mar, as aves do céu, os animais do campo, e todos os répteis que se arrastam sobre a terra, bem como todos os homens que estão sobre a face da terra; e os montes serão deitados abaixo, e os precipícios se desfarão, e todos os muros desabarão por terra. E chamarei contra ele a espada sobre todos os meus montes, diz o Senhor Deus; a espada de cada um se voltará contra seu irmão. Contenderei com ele também por meio da peste e do sangue; farei chover sobre ele e as suas tropas, e sobre os muitos povos que estão com ele, uma chuva inundante, grandes pedras de saraiva, fogo e enxofre. Assim eu me engrandecerei e me santificarei, e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o Senhor."
A teologia humana e suas diversas e diferentes vertentes acabou por anular a pureza e a simplicidade da mensagem de Deus. Desta forma, as correntes de interpretação se lançam umas contra as outras impedindo que as Escrituras sejam conhecidas com mais acuidade. A religião cria no homem, que não nasceu do alto, uma espécie de fogueira das vaidades que, por fim, se transforma em soberba e arrogância religiosa. Isto é tudo o que Satanás deseja realizar nas igrejas institucionais para que o evangelho não seja conhecido.
Os teólogos denominados preteristas afirmam que tais profecias já se cumpriram no passado. Outros afirmam que todas estas referências são apenas simbólicas. Outros ainda lançam dúvidas quanto a autenticidade dos códices e registros, alegando manipulações e adulterações nos textos. É sabido que há graves problemas nas traduções a partir dos códices, porque cada tradutor por mais bem intencionado que seja, traduz seguindo a orientação da sua base ou do seu sistema de crença. Isto contamina todo o processo de tradução das Escrituras. Todavia, os códices permanecem os mesmos, não se alteram. O problema é com os tradutores religiosos e tendenciosos. Há diversos códices, porém os que mais mantêm a originalidade e que se mantiveram fieis ao longo dos tempos são: Codex Sinaiticus, Codex Vaticanus, Codex Aleppo e Codex Alexandrinus. O Novo Testamento tem no Textus Receptus o original mais fiel e bem guardado ao longo da história. 
Já foi dito que Gog ou Gogue é uma tipificação do Anticristo ou da Besta que subirá do mar conforme o texto de Apocalipse 13. Sabendo-se que o mar na simbologia apocalíptica representa os povos e nações em estado de agitação. Esta segunda parte de Ezequiel capítulo trinta e oito é uma referência ao Anticristo que reunirá suas forças aliadas para investir contra Israel. Vê-se pelo texto que é Deus quem o trará aos montes da Judeia e da Samária em Israel. O propósito de Deus é triplo: reivindicar a sua santidade perante Satanás e seus representantes terrestres, se revelar aos povos e nações e levar Israel ao reconhecimento de Jesus, o Cristo como o Messias da promessa.
Os que advogam que tal invasão já foi realizada pelos assírios deixam de considerar diversas coisas. Primeiramente a antiga Assíria não se situava no extremo norte, mas apenas ao norte-nordeste de Israel. Secundariamente, quando o rei da assíria invadiu Israel não houve terremoto, não ocorreu chuva de saraiva, ou seja, queda de meteoritos, não houve chuva de fogo e enxofre, muito menos ocorreu peste e sangue entre as tropas assírias. O próprio texto joga uma pá de cal sobre estas interpretações, pois afirma: "Nos últimos dias hei de trazer-te contra a minha terra, para que as nações me conheçam a mim." Portanto, situa os fatos no tempo do fim e não no passado histórico. 
Outros desavisados dizem que esta batalha descrita não poderá ser a do fim dos tempos, porque fala-se em luta com o uso de espadas e cavalos. Todavia, a espada era a principal arma do tempo de Ezequiel e Deus utilizou o termo espada para indicar conflito e luta entre soldados e não que estas serão usadas. Igualmente se refere aos cavalos, porque naquele tempo os cavalos eram meios de transporte para a guerra. Finalmente, nas guerras por que passou o antigo reino de Israel, não houve manifestação alguma da glória de Deus ao povos e nações. Ao contrário, saíram vitoriosos sobre Israel, levando o povo cativo para Babilônia, para a Assíria e para a Grande Diáspora que durou até 1948. Então não há qualquer elemento hermenêutico ou exegético que sustente tais interpretações esdrúxulas de preteristas e assemelhados.
Na verdade o Anticristo reunirá em torno de si uma grande confederação de nações e os povos do extremo norte da Europa terão papel fundamental nesta invasão. É sabido que Jerusalém é o centro geodésico do planeta Terra, e, que, traçando-se uma linha reta a partir deste ponto, a cidade de Moscou, capital da Rússia fica exatamente no extremo norte de Israel. Isto é confirmado pelas Escrituras em Ez. 5:5 - "Assim diz o Senhor Deus: esta é Jerusalém; coloquei-a no meio das nações, estando os países ao seu redor."
O mundo deveria ficar muito preocupado com o silêncio de Deus nestes últimos séculos, pois quando Ele silencia é porque está aguardando a taça da sua ira se encher. A vindicação da sua santidade e da sua soberania será avassaladora quando Ele se manifestar. O texto de abertura termina afirmando que Deus se dará a conhecer aos olhos de muitas nações e, então, saberão que Ele é Deus.
Sola Scriptura!

março 06, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS XII

Ez. 38: 1 a 9 - "Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:  Filho do homem, dirige o teu rosto para Gog, terra de Magog, príncipe e chefe de Meseque e Tubal, e profetiza contra ele, e dize: assim diz o Senhor Deus: eis que eu sou contra ti, ó Gog, príncipe e chefe de Meseque e Tubal; e te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos eles vestidos de armadura completa, uma grande companhia, com pavês e com escudo, manejando todos a espada; Pérsia, Cuxe, e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gomer, e todas as suas tropas; a casa de Togarma no extremo norte, e todas as suas tropas; sim, muitos povos contigo. Prepara-te, sim, dispõe-te, tu e todas as tuas companhias que se reuniram a ti, e serve-lhes tu de guarda. Depois de muitos dias serás visitado. Nos últimos anos virás à terra que é restaurada da guerra, e onde foi o povo congregado dentre muitos povos aos montes de Israel, que haviam estado desertos por longo tempo; mas aquela terra foi tirada dentre os povos, e todos os seus moradores estão agora seguros. Então subirás, virás como uma tempestade, far-te-ás como uma nuvem para cobrir a terra, tu e todas as tuas tropas, e muitos povos contigo."
No tocante às profecias bíblicas surgem sempre a dúvida e o ceticismo em relação à veracidade e cumprimento destas. É típico do homem querer respostas para tudo, até mesmo para perguntas que jamais serão feitas. Entretanto, só admite como válido aquilo que lhe interessa para atingir seus objetivos puramente terrenos e horizontalizados. Deus, entretanto, não tem nenhum compromisso com as expectativas humanas, porque o seu "supremo propósito" já foi preordenado antes dos tempos eternos. Ele o cumprirá, gostando ou não os homens conforme Jr. 1:12 - "Então me disse o Senhor: viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir."
Nesta mesma linha de entendimento é notório que os judeus tenham rejeitado Jesus, o Cristo como o seu Messias ansiosamente aguardado por milênios. E por que rejeitaram Aquele por quem esperaram por tantos séculos? Porque as profecias pintavam dois retratos d'Ele: o Cristo vitorioso e que restabeleceria o reino de Israel; e o Cristo sofredor que padeceria e seria entregue à morte. Os judeus fixaram os olhos apenas no Messias vitorioso, porque esta era a sua expectativa terrena, ou seja, desejavam se livrar do domínio do império romano e voltar aos tempos de glória de Salomão e Davi. Eles davam ênfase literal às profecias que apresentavam o Salvador vitorioso, porém davam ênfase simbólica ao Salvador sofredor. Por isto Jesus, o Cristo responde aos discípulos da seguinte maneira em At. 1: 6 e 7 - "Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é nesse tempo que restauras o reino a Israel? Respondeu-lhes: a vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade." Portanto, fixar datas para os acontecimentos proféticos não é da competência humana.
Relativamente às profecias de Ezequiel dar-se-á ênfase aos capítulos 38 e 39, porque retratam com mais clareza as batalhas finais das nações umas contra as outras, e de todas contra Israel. Tudo isto será para o engradecimento do nome de Deus e para o emudecimento dos povos e nações chafurdados em sua arrogância pecaminosa conforme Ez. 38:16 - "Nos últimos dias hei de trazer-te contra a minha terra, para que as nações me conheçam a mim, quando eu tiver vindicado a minha santidade em ti, ó Gogue, diante dos seus olhos." Verifique que é Deus e não o Diabo que fará os povos e nações marcharem contra Israel. É notório que seja assim, porque a tendência do homem legalista e religioso é querer advogar em favor de Deus. Todavia, ele não necessita de advogados e defensores públicos, posto que é soberano, justo  e perfeito em todas as suas ações. 
Inicialmente é necessário esclarecer, que, na profecia é comum referir-se a um povo ou lugar, valendo-se dos nomes dos seus ancestrais primitivos. Estes nomes que aprecem nos textos em tela não coincidem com os nomes das atuais etnias que habitam nas regiões correspondentes. Todavia, isto não muda em nada a verdade e a autenticidade da Palavra de Deus. Desta forma pode-se dizer que Gog ou Gogue é o nome que Ezequiel atribuiu ao anticristo da perspectiva dele há mais de 2.500 anos atrás. Assim, Gog é o nome que se dá a Satanás quando assume a forma humana. Ezequiel viu o domínio do anticristo em três dimensões físico-geográfica: 
a) Meseque e Tubal; 
b) Pérsia, Etiópia (Cuxe) e Líbia (Pute); 
c) Gômer, Togarma e suas tropas. Magogue ou Magog é o nome do domínio geográfico do governo do Anticristo e não o nome de uma pessoa. Gog ou Gogue é o nome atribuído a Satanás, quando personificado em um homem, como é o caso do anticristo. 
Após o dilúvio os netos de Noé partiram em rumos diferentes e povoaram diferentes porções da Terra conforme Gn. 10: 1 a 3 - "Estas, pois, são as gerações dos filhos de Noé: Sem, Cão e Jafé, aos quais nasceram filhos depois do dilúvio. Os filhos de Jafé: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras. Os filhos de Gomer: Asquenaz, Rifate e Togarma." Desta forma Meseque e Tubal se fixaram entre os Mares Cáspio e Negro na Eurásia e as montanhas do Cáucaso. Estes povos envolvem diversos países que se tornaram independentes da ex URSS, como também a Rússia atual. Estes países serão como exércitos aliados ou de aluguel do anticristo conforme Ap. 17:17 - "Porque Deus lhes pôs nos corações o executarem o intento dele, chegarem a um acordo, e entregarem à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus." Acrescenta-se que Meseque é o nome dos antigos Mosquis, e que dá origem ao nome da capital da Rússia, Moscou. Tubal é o nome de um ancestral de povos que habitaram partes da atual Rússia e da Europa Oriental  e também o nome de um rio dessa região, o rio Tobolsky.
A Pérsia é atualmente o Irã sob o comando de governos muçulmanos que tentam incansavelmente construir armas nucleares e têm como aliados a Rússia e a China. A Etiópia, à época, conhecida como Cuxe possui, na atualidade, estreitíssimas relações históricas com Israel. Lá vivem milhares de "falachas", ou seja, descendentes judeus do rei Salomão. Milhares de "falachim" já migraram para Israel, mas inda há muitos por lá. Estes serão forçados a fugir todos para Israel e a Etiópia fará aliança com o anticristo conforme Dn. 11:43 - "Apoderar-se-á dos tesouros de ouro e de prata, e de todas as coisas preciosas do Egito; os líbios e os etíopes o seguirão." A Líbia chamada no tempo da profecia de Pute é um país de cultura islâmica no norte da África. Passou por grandes turbulências desde 2011 com uma revolução civil sangrenta. Agora ruma a um processo de democratização nos moldes globalizados e a sua tendência será aliar-se ao anticristo conforme Jr. 46: 8 a 10 - "O Egito é que vem subindo como o Nilo, e como rios cujas águas se agitam; e ele diz: subirei, cobrirei a terra; destruirei a cidade e os que nela habitam. Subi, ó cavalos; e estrondeai, ó carros; e saiam valentes: Cuxe e Pute, que manejam o escudo, e os de Lude, que manejam e entesam o arco. Porque aquele dia é o dia do Senhor Deus dos exércitos, dia de vingança para ele se vingar dos seus adversários. A espada devorará, e se fartará, e se embriagará com o sangue deles; pois o Senhor Deus dos exércitos tem um sacrifício na terra do norte junto ao rio Eufrates."
Gômer foi um ancestral primitivo que se fixou no que é hoje a Turquia, sendo que seus descendentes povoaram grande parte da Europa, especialmente a Alemanha. Por isso, Ezequiel se refere a ele e aos seus muitos povos, ou seja, seus descendentes étnicos arianos se unirão no fim dos tempos. Togarma é a Armênia e grande parte do que é hoje a região do Mar Mediterrâneo chegando até a Espanha atual, a qual era chamada de Tarsis. 
O texto de abertura indica claramente que o próprio Deus atrairá estes povos e nações para um confronto final e o palco será a terra santa de Israel. Ali Deus reivindicará a sua santidade, se fará conhecido de todas as nações e derrotará moralmente Satanás na pessoa de Gog ou Gogue. Vê-se que Israel estará absolutamente desprotegido e sem o apoio de quem quer que seja. Isto será assim para que a ação sobrenatural fique evidente e sem contraditório.
Estas nações mencionadas nas Escrituras são referenciadas por historiadores antigos, dentre eles Josefo, Plínio e Salústio. Entretanto, ao que crê, basta o que diz a Palavra de Deus que é uma fonte de história também. 
Sola Scriptura!

março 04, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS XI

Dn. 11:1 e 4 - "Eu, pois, no primeiro ano de Dario, medo, levantei-me para o animar e fortalecer. E agora te declararei a verdade: eis que ainda se levantarão três reis na Pérsia, e o quarto será muito mais rico do que todos eles; e tendo-se tornado forte por meio das suas riquezas, agitará todos contra o reino da Grécia. Depois se levantará um rei poderoso, que reinará com grande domínio, e fará o que lhe aprouver. Mas, estando ele em pé, o seu reino será quebrado, e será repartido para os quatro ventos do céu; porém não para os seus descendentes, nem tampouco segundo o poder com que reinou; porque o seu reino será arrancado, e passará a outros que não eles."
O capítulo onze do livro de Daniel fala sobre diversos governos que surgiriam, das guerras entre eles e das intenções destes sobre Israel. A visão se dá ainda no período do cativeiro dos judeus na Babilônia, pois se insere no primeiro ano do rei Dario, o medo. Daniel fala ao rei sobre o surgimento de três reis depois dele: referia-se a Cambises, Dario II e Smerdis, tendo este último recebido o título de Artaxerxes, ou seja, Xá ou Rei. Fala-se, ainda, de um quarto rei rico e poderoso, no caso, Xerxes que tentou invadir a Grécia, porém foi derrotado e toda a sua frota destruída. 
Na sequência, Daniel passa a falar sobre um rei poderoso que veio a ser Alexandre Magno da Macedônia. Alexandre conseguiu um arranjo político que unificou a Grécia e se fortaleceu o bastante para iniciar uma série de conquistas para o Oriente. Este foi o período denominado de helenização do oriente. Porém, a visão de Daniel indica que Alexandre não iria permanecer e que o seu reino extenso seria repartido entre quatro pessoas que não eram seus descendentes. Isto ocorreu, quando, aos trinta e dois anos, Alexandre Magno morreu e o seu império foi dividido entre quatro dos seus generais: Ptolomeu I (Egito), Celeucos I (Síria), Lisímaco (Trácia) e Felipe III (Grécia). Isto é indicado também no capítulo 7, verso 6 do livro de Daniel.
No capítulo onze fala-se em destaque do rei do norte, a dinastia selêucida na Síria e do rei do sul, a dinastia ptolomaica no Egito. Eles fazem alianças por meio de casamentos com o objetivo de dominar Israel. Entretanto, esta aliança não durou e não vingou segundo a vontade dos generais. Após muitas guerras e combates entre estes generais herdeiros de Alexandre Magno, o império enfraqueceu e foi derrotado pelos romanos.
Os judeus, querendo se livrar dos dominadores e criar um reino messiânico em Israel, se levantaram contra Antíoco, o Grande. Quiseram, na verdade, apressar o tempo do fim e trazer o reino eterno e pacífico do Messias. Todavia, causaram a fúria de Antíoco IV Epifânio que invadiu Israel e entrou em Jerusalém, onde sacrificou um porco no altar do Templo de Salomão. A isto o profeta Daniel chamou de "abominação desoladora" conforme Dn. 11: 31 - "E estarão ao lado dele forças que profanarão o santuário, isto é, a fortaleza, e tirarão o holocausto contínuo, estabelecendo a abominação desoladora."   Também repetido em Dn. 12:11 - "E desde o tempo em que o holocausto contínuo for tirado, e estabelecida a abominação desoladora, haverá mil duzentos e noventa dias.
Este último texto uma referência ao tempo do fim, quando esta profanação se repetirá pelas mãos do anticristo. Nos versos 36 a 45 faz-se um retrato do anticristo pelo princípio da dupla referência, ou seja, o que fez Antíoco Epifânio contra Israel, fará também o anticristo no fim dos tempos, quando assentar-se no Templo de Salomão, que será reconstruído, e exigirá culto de adoração a si mesmo como um deus. No verso 37 há uma indicação de que o anticristo será de origem judaica, pois fala-se que ele rejeitará o Deus dos seus pais, considerando como referência o profeta Daniel. O anticristo entrará na Palestina conforme o verso 41. Neste tempo, os poderes passarão dos homens para as potestades sobrenaturais de Satanás, pois haverá a Besta que subiu da terra, a Besta que subiu do mar e o Dragão. Esta é uma simulação da triunidade de Deus para enganar os homens. A terra, neste caso, indica um lugar que ainda manterá estabilidade e autoridade sobre muitos povos. O mar, na interpretação bíblica representa sempre os povos e nações em estado de agitação. O dragão é sempre retratado na Bíblia como Satanás.
II Ts. 2:4 - "... aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus." Esta é uma das descrições do anticristo e de como se comportará no tempo de fim, a saber, na septuagésima semana da profecia de Daniel. Isto está registrado em Dn. 7:25 - "Proferirá palavras contra o Altíssimo, e consumirá os santos do Altíssimo; cuidará em mudar os tempos e a lei; os santos lhe serão entregues na mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo."
Sola Fide!

fevereiro 26, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS X

II Ts. 2: 1 a 10 - "Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, rogamos-vos, irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus. Não vos lembrais de que eu vos dizia estas coisas quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém para que a seu próprio tempo seja revelado. Pois o mistério da iniquidade já opera; somente há um que agora o detém até que seja posto fora; e então será revelado esse iníquo, a quem o Senhor Jesus matará como o sopro de sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda; a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira."
Esta série de estudos não obedece à lógica cronológica ou da sistematização de acontecimentos. O objetivo é reunir informações e rememorar as profecias bíblicas para despertar os eleitos e regenerados à visão espiritual. Não se pretende, outrossim, causar agitação no coração dos eleitos, até porque, eles são guardados no descanso gracioso do Abba. Não se trata também de um tratado teológico nos termos da hermenêutica e da mais apurada exegese, pois estes artifícios em nada têm cooperado para a revelação da verdade. As técnicas de interpretação e exposição bíblica desenvolvidas pela erudição teológica produziram como resultado homens inchados de orgulho religioso denominacional cujas ideias não são concordantes, mas discordantes entre si. O objetivo maior destes textos não é vender esta ou aquela ideia para angariar pessoas e recursos a fim de sustentar uma posição dogmática ou religiosa. Eles são destinados aos que desejam refletir sobre as veredas antigas das Escrituras.
Nesta instância tratar-se-á um pouco da figura do anticristo e suas ações na construção do reino de Satanás no mundo. O termo anticristo só aparece no novo testamento, especificamente nos textos do apóstolo João. Nestes textos o significado é sempre "aquele que se opõe ou nega a Cristo". Desta forma, João trata de qualquer pessoa que nega a Cristo como o Filho de Deus. Entretanto, o apóstolo amado admite que haverá um anticristo específico que surgirá no fim dos tempos e cujo objetivo será, não apenas, negar a Cristo, mas se opor a tudo o que se refere a Deus e tentará se apresentar como o verdadeiro Salvador para o mundo. O nome deste anticristo não é revelado porque ele é envolto em uma névoa de mistérios diabólicos. Por esta razão é que muitos escritores bíblicos o retratam das seguintes formas: "o chifre pequeno" - Dn. 7:8 e 8:9; "homem vil" - Dn. 11:21; "o assírio" - Is. 10:5; "o caldeu" - Hc. 1:6; "Gogue e magogue" - Ez. 38; "o homem do pecado, filho da perdição, homem da iniquidade" - II Ts. 2:3; "a besta que emerge do mar" - Ap. 13:1. O fato de a identidade do anticristo não ser revelada se constitui em grande mistério, sendo parte de um plano, pois tal revelação é para o tempo final. 
A revelação do anticristo só se dará após um intenso período de apostasia, ou seja, fase em que as igrejas e as religiões humanistas estarão absolutamente de costas para a verdade. Os apostatados, geralmente, não abandonam as igrejas, mas sim a fé e a verdade. Este é um fato relevante e que carece de constante avaliação espiritual por parte dos eleitos. Neste caso vale o conselho bíblico de I Jo. 4:1 - "Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos veem de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo." A prova exigida neste texto é colocada no verso seguinte e diz que os espíritos que pregam e defendem a fé devem confessar que Jesus, o Cristo veio em carne. Aparentemente esta exigência parece medíocre, pois ele viveu entre os homens, comia, bebia, fazia todas as necessidades fisiológicas à semelhança de qualquer outro ser humano. Entretanto, a questão aí é bem mais profunda que se possa imaginar. De fato, a eficácia do plano de Deus consiste em que Ele enviou o seu Filho em forma humana para assumir o pecado dos eleitos e morrer para aniquilá-lo. Se o salvador for concebido como um ser supranatural ou sobrenatural enquanto esteve tabernaculado em Jesus, o plano de Deus seria uma farsa. Há religiões místicas e espiritistas que pregam que Jesus era uma emanação de energia materializada em forma humana e que ele não sofreu as dores da crucificação. Eis aí o espírito do anticristo operando no mundo e nas religiões. Esta crença desqualifica completamente o projeto de Deus para o mundo. Verifica-se no texto de abertura que os sinais e prodígios do anticristo serão aceitos e admirados apenas pelos que perecem, pois aos eleitos e regenerados é impossível prosperar o engano. Também fica claro que a eles, os incrédulos, Deus envia a operação do erro para que creiam na mentira. Suas naturezas pecaminosas são inclinadas à mentira e jamais à verdade.
O espírito do anticristo, a saber, a sua metodologia operacional já está posta no mundo há muito tempo, porque muitos anticristos se têm manifestado ao longo da história. Entretanto, há um que impede a revelação da sua identidade como homem e servo de Satanás, a saber, o Espírito de Cristo que opera nos eleitos e regenerados. Quando a medida da misericórdia e da graça de Deus se completar, e a Igreja verdadeira for arrebatada, o 'filho da perdição' se manifestará visível e operacionalmente ao mundo. A principal evidência deste indivíduo será a operação por meio de sinais e prodígios da mentira. Tudo nele será com base no que se pode ver, sentir e tocar. Ao contrário, a fé é confiança plena no que não se pode ver e no que ainda não chegou visivelmente aos olhos humanos, a saber, o reino eterno de Cristo. Desta forma a maior parte das igrejas institucionais se enquadram no espírito do anticristo e não no evangelho da verdade, pois suas mensagens são, em geral, no que se pode ver e sentir. São igrejas cujo evangelho é baseado na sensorialidade e na sensualidade. Os primeiros a devotar fé, confiança e esperança no anticristo serão religiosos pertencentes às igrejas e seitas ditas cristãs. As Escrituras deixam isto claro no registro de I Pd. 4:17 - "Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?"
Sola Scriptura"

fevereiro 25, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS IX

Dn. 7: 10 a 14 - "Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; o seu vestido era branco como a neve, e o cabelo da sua cabeça como lã puríssima; o seu trono era de chamas de fogo, e as rodas dele eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades assistiam diante dele. Assentou-se para o juízo, e os livros foram abertos. Então estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que o chifre proferia; estive olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo destruído; pois ele foi entregue para ser queimado pelo fogo. Quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia foi-lhes concedida prolongação de vida por um prazo e mais um tempo. Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído."
Esta é a segunda parte da profecia de Daniel recebida enquanto o povo judeu estava cativo na Babilônia. Na primeira parte ele descreve, simbolicamente, as quatro nações mais poderosas e como elas se sucederiam e o que fariam na Terra. Nesta parte a visão é transferida para o juízo final e a posse do reino eterno de Cristo e seus santificados
Estes tronos que Daniel vê em sua visão espiritual são mencionados em diversas passgens que tratam da execução do juízo de Deus sobre a Terra. Esta visão é repetida por João em Ap. 4: 4 a 6 - "Havia também ao redor do trono vinte e quatro tronos; e sobre os tronos vi assentados vinte e quatro anciãos, vestidos de branco, que tinham nas suas cabeças coroas de ouro. E do trono saíam relâmpagos, e vozes, e trovões; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus; também havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal; e ao redor do trono, um ao meio de cada lado, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás." Estes vinte e quatro anciãos são os doze patriarcas das tribos de Israel e os doze apóstolos de Cristo, representando a antiga e a nova aliança, da lei e da graça, respectivamente.
Os livros a que alude Daniel em sua visão foram também mencionados em Ap. 20:12 - "E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras."  São dois tipos de livros: o livro dos registros perpétuos de tudo quanto os homens fizeram durante a existência e o livro da vida que é onde estão os nomes dos eleitos e regenerados em Cristo.
Daniel descreve Deus como um "ancião de dias", e, esta expressão, bem como a sua descrição indicam, simbolicamente, que Ele é o senhor do tempo. O trono de Deus, por sua descrição, é também uma carruagem de batalha. O fogo sempre indica ou simboliza juízo e não poder como pretendem alguns ignorantes das Escrituras. Há grupos religiosos que clamam pelo fogo e não sabem que estão clamando por juízos sobre suas próprias cabeças. 
Deus, então, abre os livros e inicia o julgamento final e o último império poderoso que dominará a Terra, o do Anticristo, é uma revivificação do império romano, mas que será destruído conforme o verso 11 - "Então estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que o chifre proferia; estive olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo destruído; pois ele foi entregue para ser queimado pelo fogo."  Os outros reinos ou nações se prolongaram por algum tempo, mas sem grandes domínios. Isto quer dizer que etnias oriundas dos babilônios, caldeu, medos, persas e gregos continuarão existindo conforme o verso 12 - "Quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia foi-lhes concedida prolongação de vida por um prazo e mais um tempo."
Finalmente o reino é entregue ao Grande Rei, o Filho Unigênito e Primogênito de Deus e aos que foram santificados n'Ele conforme o versos 13 e 14 - "Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído." Jesus, o Cristo, no momento em que ascendeu ao Céu afirmou que viria sobre as núvens e todo olho o veria. A expressão "filho do homem" é largamente utilizada nas Escrituras e faz referência a Cristo, porque Ele é Deus-homem e homem-Deus conforme já foi dito em outro estudo.
Daniel recebeu todas estas revelações e ficou bastante curioso para entendê-las intelectualmente, mas isto não lhe foi totalmente permitido. Apenas lhe foi explicado que os quatro animais seriam grandes nações que se levantariam da Terra ao longo da história. A ele foi dado conhecer apenas alguns aspectos sobre o quarto animal, a saber, o reino que se levantará poderoso no fim dos tempos conforme os versos 23 a 26 - "Assim me disse ele: o quarto animal será um quarto reino na Terra, o qual será diferente de todos os reinos; devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. Quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. Proferirá palavras contra o Altíssimo, e consumirá os santos do Altíssimo; cuidará em mudar os tempos e a lei; os santos lhe serão entregues na mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo. Mas o tribunal se assentará em juízo, e lhe tirará o domínio, para o destruir e para o desfazer até o fim." Alguns interpretes acreditam que estes reinos ou governos surgirão da União Européia, pois lá é o cenário onde aparecem nações de origem latina, ou seja, do império romano. Veja que os santificados serão entregues ao tormento da Besta por três anos e meio. Este é o sentido exato de "um tempo, dois tempos e metade de um tempo", pois 1 + 2 + 1/2 = 3,5 anos. Esta é a segunda metade da septuagésima semana da profecia de Daniel capitulo 9. 
Finalmente é revelado a Daniel que o reino eterno de Cristo e dos seus santificados será instalado conforme os versos 18, 22 e 27 - "Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, sim, para todo o sempre. Até que veio o ancião de dias, e foi executado o juízo a favor dos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino. O reino, e o domínio, e a grandeza dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo. O seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão."
Sola Scriptura!

fevereiro 24, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS VIII

Dn. 7: 1 a 8 - "No primeiro ano de Belsazar, rei de Babilônia, teve Daniel, na sua cama, um sonho e visões da sua cabeça. Então escreveu o sonho, e relatou a suma das coisas. Falou Daniel, e disse: eu estava olhando, numa visão noturna, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o Mar Grande. E quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, subiam do mar. O primeiro era como leão, e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, e foi levantado da Terra, e posto em dois pés como um homem; e foi-lhe dado um coração de homem. Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: levanta-te, devora muita carne. Depois disto, continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças; e foi-lhe dado domínio. Depois disto, eu continuava olhando, em visões noturnas, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres. Eu considerava os chifres, e eis que entre eles subiu outro chifre, pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas."
Neste capítulo o profeta Daniel vê as visões de Deus acerca das grandes potências que se levantariam na Terra e as funções de cada uma delas no processo histórico. Fica claro que os reis e poderosos se levantam e desaparecem porque Deus assim o determina. 
A profecia utiliza tipos e símbolos, como também a linguagem utilizada pode ser literal ou figurada. Assim, estes animais, os ventos, o mar, os chifres e tudo o mais são apenas símbolos de pessoas, poderes e reinos. Um tipo deve sempre interpretado com base nas características semelhantes, ou seja, um tipo deve ser semelhante ao seu antítipo, pelo menos em alguns aspectos. O tipo só se registra uma vez e não é compreendido enquanto o seu antítipo não se manifesta. Adão é um tipo e Jesus, o Cristo o seu antítipo. Todavia, esta relação só ficou clara quando Jesus, o Cristo veio e cumpriu o seu papel no projeto supremo de Deus. Assim como no primeiro Adão a raça humana conheceu o pecado, no segundo Adão o homem conhece a graça e a salvação. No primeiro Adão, o homem morreu para Deus, mas em Jesus, o Cristo a raça adâmica morre para o pecado
O símbolo tem o seu significado independente de qualquer relação de semelhança com aquilo que simboliza. O cumprimento de um símbolo pode se dar diversas vezes e em diferentes momentos da história. Também os símbolos podem ser entendidos antes mesmo de seu cumprimento concreto. Jesus fala do fermento como um símbolo do mal em um momento, mas como o símbolo do reino dos céus em outro momento. A boa semente na parábola do semeador, representa os filhos de Deus.
A linguagem literal é dividida em dois subtipos: a que se refere a coisas ou pessoas na Terra e a que se refere a coisas ou pessoas no reino dos céus. Uma das dificuldades na interpretação da linguagem profética é que, mesmo sendo literal, os profetas descreviam os eventos com base em objetos familiares do seu tempo. Os cavaleiros do Apocalipse não são símbolos, mas João viu no céu algo que se locomovia e o que havia como meio de locmoção no seu tempo eram cavalos. Na linguagem simbólica a ação é sempre literal, apenas o sujeito da ação que é simbólico. Assim, deve-se descobrir o sentido dombolo e depois aplicá-lo à uma ação literal. Também os números possuem grande significação nas Escrituras, por exemplo, um está sempre relacionado a Deus; três às três pessoas da Triunidade divina; quatro está relacionado a tudo o que se refere à Terra; seis está relacionado a Satanás e ao mal conforme Dn. 3:1 e Ap. 13:18. Sete é número de totalidade e não da perfeição como já se falou por aí; oito é o número relacionado a Jesus, o Cristo; dez é número indefinido ou para arredondamento; doze é o número dos redimidos. 
Bem, agora pode-se concluir indicando que estes animais das visões de Daniel são nações que se levantariam sobre a face da Terra. Os quatro ventos representam o poder de Deus sobre a Terra. O mar grande representa a agitação política e social das nações da Terra. Os quatro animais são os símbolos das quatro nações do capítulo 2 da profecia de Daniel. No capítulo 2 a visão era de uma estátua que representava as quatro nações poderosas da Terra e fala também de uma Rocha que se soltou sozinha e destruiu a estátua. No capítulo 7 se vê a mesma coisa, porém agora são animais terrestres e um ser poderoso que vem do céu e destrói os animais.
O leão é o símbolo de Babilônia formado pelo corpo de leão e a cabeça de ser humano com asas de águia. Foi-lhe arrancadas as asas e colocado um coração de homem, indicando que o seu poder seria retirado e que pereceria. Diversos achados arqueológicos confirmam esta figuara nas ruínas da antiga civilização babilônica. O urso é o reino ou império Medo-Persa formado por dois povos, sendo a eleite procedente de um dos lados, a saber da Media. As três costelas entre os dentes significam os povos que este império devorou. O leopardo representa o Império Grego dominado por Alexandre, o grande. Entretanto, as quatro asas representam a divisão deste império entre seu quatro generais, após a morte prematura de Alexandre, formando quatro dinastias distintas. O quarto animal representa o Império Romano: terrível, espantoso e forte. Os romanos dominaram quase todo o mundo conhecido de então pelo poder das armas confeccionadas por ferro temperado. 
Chifres em profecia sempre indicam poder, por isto, os dez chifres da visão de Daniel representam dez reis ou governos conforme o verso 24, dos quais três são depostos e um novo chifre surge com olhos e boca que proferirá grandes coisas. Isto significa o surgimento do Anticristo oriundo do império romano que ressurgirá no fim dos tempos conforme Dn. 9:26. Este quarto animal teve aplicação no antigo Império Romano e terá aplicação no surgimento e fortalecimento de dez nações modernas de origem deste antigo império, e, do meio delas surgirá a Besta ou o Anticristo representado pelo chifre pequeno diante do qual são arrancados três dos dez chifres. Isto poderá indicar processos de unificações entre países europeus. Sobre as coisas que proferirá e o que realizará para impor o domínio mundial está registrado em Ap. 13.
Soli Deo Gloria!