março 29, 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA III


Am. 3: 2 a 7 - "De todas as famílias da Terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniquidades. Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? Rugirá o leão no bosque, sem que tenha presa? Levantará o leãozinho no seu covil a sua voz, se nada tiver apanhado? Cairá a ave no laço em terra, se não houver armadilha para ela? Levantar-se-á da terra o laço, sem que tenha apanhado alguma coisa? Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito? Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." Do texto, sem prejuízo do seu contexto, se pode entender que Deus escolhe a quem quer conhecer com afetuosa graça, e, por conta disto, Ele pune os seus escolhidos para o aperfeiçoamento deles mesmos. Também, fica evidente que o mal que sucede aos eleitos, provém invariavelmente de Deus. Todavia, a conotação de que é o mal procede sempre do homem e não d'Ele. O que o homem reputa por mal, aos olhos de Deus é o bem, pois a Ele interessa formar um povo eleito para conviver com Ele eternamente. Por parábola, Deus está mostrando a lei das causas e dos efeitos. Assim, por não concordância de natureza, ou seja, Deus não concorda com a natureza pecaminosa no homem, então, não há compatibilidade, e duas naturezas discordantes, não andam juntas.
O texto mostra que a ação monérgica de Deus é que revela a Sua soberana vontade e os seus decretos eternos aos seus profetas, isto é, pregadores da Sua Palavra. Deus não revela a Sua vontade por causa do homem, mas por causa da Sua fidelidade a Si mesmo e para fazer entender a Sua Palavra. O religioso sempre tenta arrastar para si algum mérito nestas situações. Imaginam que Deus os escolhe para esta ou aquela função, cargo, missão ou posição por conta de suas excelsas qualidades. Entretanto, Deus age em função do que Ele é, pelo que é e para o que quer. Seu supremo propósito jamais é frustrado ou melhorado por causa do homem conforme Ml. 3:6 - "Pois eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos."
Há no meio do cristianismo nominal uma profunda reivindicação por uma posição mais próxima a Deus, ou mais privilegiada em relação a Ele, pelo fato de julgarem mais merecedores ou mais dignos do que os outros reputados como incrédulos. Entretanto, onde se vê maior incredulidade é no meio religioso, precisamente, porque trocam a verdade pela religião, o conteúdo pelo continente e o essencial pelo assessório. Na verdade, e a bem dela, há de se dizer que comparativamente Deus é mais severo com os seus do que com os que estão entregues às suas próprias naturezas pecaminosas não regeneradas. O fato de os eleitos terem nascido do alto, não os torna em nada melhores do que qualquer outra criatura. Mas, os torna apresentáveis diante de Deus por meio de Cristo, no qual estão sendo aperfeiçoados para o dia do encontro eterno. Nem mais, nem menos do que isto!
Ao longo da história, Deus tem levantado a brasa e o ferreiro. Até mesmo o assolador não assola absolutamente nada se d'Ele não receber ordem. Desta forma, os pregadores que vomitam suas abominações, o fazem porque Deus os manda, para que joio seja percebido como joio, e trigo, como trigo. A linha tênue entre um e outro só se percebe pelos ouvidos refinados por Cristo. Uma vez abertos os ouvidos, se pode ouvir com clareza o que é e o que não é o evangelho da verdade. A mentira para os que estão na mentira, a verdade para os que estão no evangelho da verdade. Da mesma forma que a mentira possui os mentirosos, a verdade possui os verdadeiros, porque foram feitos verdade em Cristo. Não são os eleitos de Deus que possuem a verdade, ela que os possui por misericórdia e graça.
Charles Grandison Finney nasceu em Warren, a 24 de Agosto de 1792 e morreu em Oberlin, a 16 de Agosto de 1875. Finney foi um pregador, professor, teólogo, abolicionista, advogado, maçom e avivalista nos Estados Unidos. Foi um dos líderes do Segundo Grande Despertar "Second Great Awakening". Introduziu várias inovações temerárias para a época, no ministério religioso, tais como a censura pública e nominal de pessoas durante o sermão, apelo aos ouvintes para "aceitarem" a Jesus, a permissão da manifestação de mulheres em cultos para ambos os gêneros e outros. Era também famoso por realizar seus sermões de improviso.
A despeito de todas as suas credenciais e tudo o quanto realizou para o "evangelho", Finney era um arminiano e a sua mensagem de nada aproveitou à implantação do reino dos céus. Bibliografias afirmam, que, dos seus sermões e dos "conversos" neles, quase ninguém permaneceu. Este é o sentido da brasa e do ferreiro de Is. 54:16 - "Eis que eu criei o ferreiro, que assopra o fogo de brasas, e que produz a ferramenta para a sua obra; também criei o assolador, para destruir."
Ele foi doutrinado na Teologia Reformada, mas logo se rebelou contra o seu pastor e impôs a sua própria teologia, conforme lhe convinha crer, ainda que em arrepio às Escrituras. Desta forma passou da Teologia Reformada à Teologia Deformada sem tosquenejar. Não há erro algum em andar por conta própria e pregar a verdade segundo as Escrituras, mas há erro, quando se opta por uma mensagem anti bíblica.
Acerca das idéias e feitos de Charles G. Finney será dada sequência em outro artigo.

março 22, 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA II

I Co. 2:16 - "Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." O homem em seu estado decaído, ainda que religioso, reivindica para si, consciente ou inconscientemente, por atos ou por ideias, o quer instruir Deus. Entretanto, em nenhuma instância das Escrituras há qualquer apoio a esta prática arrogante e soberba. Ninguém conhece a mente de Deus, salvo aqueles a quem Ele interessa revelar sobre Si mesmo e sobre a verdade. Deus só se dá a conhecer por meio de Cristo, portanto, os que têm a mente d'Ele são conhecidos e conhecem ao Senhor. Por todos os títulos é que a Teologia Deformada em qualquer das suas matizes esvazia-se de conteúdo e significação. Torna-se uma tentativa inglória da criatura em querer conhecer a mente do Criador por si, de si e para si mesma.
Nesta sequência de erros, aparecem os exegetas com suas hermenêuticas esdrúxulas tentando justificar Deus, ante as acusações dos materialistas de todo gênero. Entretanto, Deus não necessita de absolutamente nada que se origina no homem, pois Ele se basta a Si mesmo. O que Ele deseja é apenas uma coisa, a saber, que os eleitos conheçam ao Seu Filho Unigênito e Primogênito.
Augustinho de Hipona adotou o conceito de Teologia Natural da obra "Antiquitates Rerum Humanarum et Divinarum", de Terêncio Varrão, como única Teologia aceitável dentre as três apresentadas por este, a saber, a mítica, a política e a natural. Acima desta, colocou a Teologia Sobrenatural "Theologia Supernaturalis", com base da revelação, e, portanto, considerada superior. A Teologia Sobrenatural, foi considerada fora do campo de ação da Filosofia, não estando subordinada a ela, mas acima dela, que foi considerada como uma serva "Ancilla Theologiae", a qual ajudaria a primeira na compreensão de Deus. Veja que, mesmo um homem cuja vida foi fortemente visitada pela graça de Deus, não possuía muita segurança com relação ao objeto da Teologia.
Teodiceia é um termo empregado como sinônimo de Teologia Natural, tendo sido criado no século XVIII por Leibnitz, numa de suas obras chamada "Ensaio de Teodiceia Sobre a Bondade de Deus, A Liberdade do Ser Humano e a Origem do Mal". Leibnitz utilizou este conceito para referir-se à investigação cujo fim seja explicar a existência do mal e justificar a bondade de Deus. Neste sentido, constitui-se numa tentativa de justificar Deus e não em Teologia Bíblica. O ensino de Leibnitz possui forte influência do Maniqueísmo, ou seja, o confronto entre o bem e o mal. 
Na tradição cristã de cunho agostiniano, a Teologia é organizada segundo os dados da revelação e da experiência humana. Tais dados são organizados, tendo sido reconhecido como Teologia Sistemática ou Teologia Dogmática. Também é uma inglória tentativa de sistematizar o conhecimento de Deus pela criatura. Nenhum homem, por mais culto e piedoso que seja, não pode resumir Deus a um amontoado de considerações, conceitos, ideias, preceitos, regras, dogmas e princípio. Os eleitos e regenerados terão toda a eternidade para conhecer e prosseguir conhecendo a Deus.
Em todos estes casos verifica-se uma profunda deformação do que se pode conhecer acerca de Deus, porque parte do homem e não de d'Ele. É precisamente neste sentido que se fala em "Teologia Deformada". A deformação consiste em o homem decaído e absolutamente depravado tentar explicar Deus Santo, Justo e Perfeito a partir de suas próprias concepções.
Por todas estas razões é que a Teologia Deformada se deforma cada vez mais em sua busca por definições e objeto que satisfaça a alma humana contaminada pela natureza pecaminosa. Por isso, se fala em Teologia Contemporânea, Teologia Moral, Teologia Gnóstica, Teologia da Libertação, Teologia Cristã, Teologia Espiritual, Teologia da Prosperidade, Teologia Prática e Teologia Liberal, Teologia Relacional, Teologia do Processo, Teologia da Determinação. Em todas elas Deus não está, porque Ele é acima das ponderações e conjecturas humanas. 
Deus não está em nenhuma dessas teologias humanistas e dissociadas da Sua Glória, pois a Ele interessa apenas que se conheça e reconheça o Seu Filho Unigênito como único e todo-suficiente redentor.


TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA I

Dt. 29:29 - "As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei." Com estas palavras Moisés, o legislador de Israel abre um discurso de cunho teológico. Fica evidente que aos eleitos de Deus cabe tão somente depender da revelação que Ele dá aos seus santificados. Contrariamente, as coisas que não são reveladas pelo Eterno não devem ser objeto de especulação, pois estão na esfera do que compete apenas a Ele. Este texto nunca é levado em consideração por aqueles que estão à cata de fábulas e mitos do passado. Procuram em descobertas arqueológicas algo que possa ser utilizado contra as Escrituras. Estão sempre levantando dúvidas sobre a veracidade de Palavra de Deus.
Há no mundo apenas dois sistemas: o da verdade e o da mentira. O primeiro procede de Deus e da Sua misericórdia e graça aos que a Ele agrada revelar-se; O segundo procede do próprio homem na inglória tarefa de querer ser como um deus. Neste sentido, a verdade é algo que vem do alto, enquanto a mentira provém do homem e se destina a ele mesmo numa propositura de encontrar por si só o caminho de volta ao Paraíso perdido no Éden. Com isto alimentam suas próprias naturezas contaminadas e mortas para Deus.
Teologia, do grego θεóς, transliterado para 'theos', isto é, "Deus" + λóγος, 'logos', isto é, "palavra", por extensão de sentido, "estudo", "tratado", "tese", no sentido literal, é o estudo de Deus. Percebe-se de imediato que falar em Teologia é por si só uma grande presunção humana, pois qual criatura pode se atrever a estudar o seu Criador? Se uma mente pudesse conceber e estudar Deus, tal mente seria equiparada a Ele em conhecimento e em poder. Nisto consiste a audácia produzida pela mente humana por meio da natureza pecaminosa residente e persistente no homem decaído.
Como toda ciência humana, a teologia postula-se por meio de um objeto de estudo, que, no caso, é Deus. Como não é possível estudar diretamente um objeto que não se vê e não se toca, estuda-se Deus a partir da sua própria revelação e das suas representações nos diferentes sistemas culturais. Assim, a Teologia Reformada pauta-se pelo estudo por meio do que Deus revela de Si mesmo nas Escrituras, enquanto a Teologia Deformada pauta-se pela percepção do próprio homem acerca do que concebe como sendo Deus. Logo, tratar acerca de Deus, não quer necessariamente dizer que se conheça a Ele em sua profundidade e extensão. Tal tarefa é impossível sem a revelação d'Ele mesmo.
O termo Teologia foi usado pela primeira vez pelo filósofo Platão, no diálogo denominado "A República", referindo-se à compreensão da natureza divina de forma racional, em oposição à compreensão literária típica da poesia dos rapsodos. Posteriormente, o filósofo Aristóteles empregou o termo em numerosas ocasiões, com dois significados: a) Teologia como parte integrante da Filosofia, também chamada filosofia das coisas primeiras ou ciência dos primeiros princípios. Mais tarde esta Teologia foi cognominada de Metafísica por seus seguidores; b) Teologia como manifestação do pensamento mítico anterior à Filosofia, possuindo conotação pejorativa, referindo-se aos pensadores antigos não filósofos, como Hesíodo e Ferécides.
Destarte, existem muitas Teologias neste mundo, influenciadas pelas mais diversas religiões humanas. Logo, existe a Teologia Budista, a Teologia Islâmica, a Teologia Católica, a Teologia Mórmon, a Teologia Evangélica Tradicional, a Teologia Pentecostal, a Teologia Hindu entre tantas outras. Neste sentido, ao invés de a Teologia influenciar a religião do homem, a religião humana influencia a Teologia, constituindo-se assim em matéria absurda e em mentira religiosa.

fevereiro 22, 2009

O "EVANGELHO" TRIUNFALISTA x O EVANGELHO DO REINO V

II Ts. 2: 7 a 12 - "Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, a com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade." Imagine, que, se no primeiro século da era cristã, o mistério da injustiça já operava, quanto mais agora recuados dois mil anos no tempo. O que detém tal mistério é o Espírito Santo que opera por meio dos eleitos de Deus no cumprimento de anunciar o evangelho a toda criatura. Assim, quando a Igreja, Corpo Vivo de Cristo, for retirada, certamente o servo de Satanás ganhará espaço bem mais amplo para culminar com a sua derrota eterna diante da glória e do esplendor do Grande Rei. Observa-se, no texto, que é Deus mesmo que lhes envia a operação do erro, e também a incredulidade é para os que perecem, ou seja, que estão mortos para Deus. A mentira no sentido bíblico é tudo o que é oposto ao evangelho de Cristo. 
O triunfalismo evangélico consiste em que o religioso deseja tomar o lugar do Espírito Santo, cuja função é convencer o homem decaído, do pecado, da justiça e do juízo conforme o evangelho de João. Mostram um Deus solucionador de problemas, vendem um Cristo quebra-galhos e proclamam um evangelho de segunda mão e sem a cruz e a morte. Estes evangelicalistas parecem ter Deus e o Diabo sob controle, manipulando, ora um, ora o outro. O poder, os sinais e os prodígios destes falsos ministros, são operados e operacionalizados segundo a eficácia de Satanás. Tais ministrações estão desvirtuadas da verdade, justamente, porque o foco e a centralidade delas é o homem decaído e destituído da glória de Deus. É o pecador ministrando a si mesmo o que deseja que Deus realize em seu favor. Querem a dádiva d'Ele, mas não podem receber o doador, a saber o Seu Filho Unigênito. Não podem ir até Cristo para receberem vida, e vida abundante, porque a questão não é de querer, mas de receber graça para tanto conforme Jo. 5: 39 e 40 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida!"
O triunfalismo religioso está no campo do mistério operado com base em poder, sinais e prodígios. Justamente os elementos que mais impressionam e satisfazem a vida almática e pecaminosa. É neste sentido que se enquadra no "engano da injustiça", porque a verdadeira justiça foi realizada e concretizada na destruição da natureza pecaminosa na cruz, em Cristo conforme Rm. 6 e textos paralelos.
Apregoam o triunfo material, mas desconhecem o triunfo da cruz, onde Cristo triunfou para sempre sobre Satanás, esmagando-lhe a cabeça. Anunciam um evangelho capenga e pela metade, pois buscam apenas locupletar-se, usurpando o poder de Deus para satisfação dos seus anseios, fobias, carências e caprichos. Desconhecem, que, para serem aceitos por Deus é necessário morrer conforme Jo. 12:24 - "Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto."
O religioso, em geral, por mais bem intencionado que seja, desconhece o verdadeiro evangelho do reino, precisamente porque parte de pressupostos teológicos equivocados. Uma doutrina pode ser teologicamente correta, mas se não for resultante da misericórdia e da graça de Deus, jamais será vivificada na mente e no coração do pecador. A mera compreensão intelectual das Escrituras, não autoriza ministrações triunfalistas, porque o triunfo pertence apenas a Cristo. Acrescenta-se exaustivamente que em todas as Escrituras, Deus sempre atua com minorias, com improváveis, com mendigos espirituais, com incompetentes morais e estropiados de todo gênero. É Ele, e somente Ele, quem pode levar o pecador a Jesus. Ninguém pode de si mesmo aceitar ou deixar de aceitar a Cristo isto seria negação do que está em Rm. 3 e 4. É Ele quem aceita o pecador, sem méritos e sem justiça própria, exatamente para que se cumpra o evangelho do reino conforme Fl. 3:9 - "E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé." A chave desta palavra é "achados n'Ele..." É em Cristo, por inclusão na Sua morte de cruz e não no pecador contaminado e totalmente depravado aos olhos de Deus. A justiça que é válida é a que provém da fé, porque esta é dom de Deus.

fevereiro 15, 2009

O "EVANGELHO" TRIUNFALISTA x O EVANGELHO DO REINO IV

Gl. 4:13 - "E vós sabeis que primeiro vos anunciei o evangelho estando em fraqueza da carne ..." O que diferencia substancialmente o "Evangelho" Triunfalista do Evangelho do Reino é a forma em que ambos são anunciados. Enquanto o "evangelho" triunfalista é um mero evangelicalismo, ou seja, um movimento resultante de esforços centrados no homem, o evangelho do reino é anunciado na fraqueza do mensageiro. A carne a que alude o texto não é apenas a dimensão física do corpo, mas o conjunto dos desejos, inclinações e vontades da alma humana decaída. Então, Deus usa o homem cuja carnalidade está enfraquecida para que o seu espírito possa receber graça e revelação do alto. Contrariamente o "evangelho" triunfalista é anunciado em um suposto poder dos pregadores. Eles se ufanam de poder controlar Deus em uma mão e o Diabo na outra mão. É o evangelho da força da carne e não da fraqueza da carne. Este falso evangelho só apresenta os ganhos e as vantagens que alguém pode obter de Deus. Não mostra ao homem decaído exatamente o que ele é e a necessidade da mortificação da sua carnalidade. Por isto, este "evangelho" triunfalista obtém muitos adeptos e seguidores. Por esta razão é que Jesus, o Cristo afirma que largo é o caminho do mal e muito andarão nele. Os cegos espiritualmente imaginam que o caminho do mal é algo relacionado às práticas errôneas, o mal é uma forma de se referir às ideias do Maligno. Não há nada mais maligno que perverter a verdade em mentira e adorar mais a criatura que ao Criador. 
Basta ler as Escrituras pelas lentes de Cristo para perceber que Deus sempre trabalhou com as minorias, com os incompetentes, exatamente para que fique claro que a ação graciosa da redenção é obra da exclusiva soberania d'Ele. Por esta razão é que Paulo doutrina com clareza meridiana em Ef. 2:8 e 9 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie." Primeiramente a graça é que salva e a fé é o meio para obter salvação. Secundariamente, nada do que concerne à salvação procede do homem, e nem poderia ser, visto que, se o mesmo carece de salvação, como poderia ser o próprio promotor dela? Também as Escrituras declaram em outra instância que Deus não concede a Sua glória a outrem, logo, tanto a graça, como a fé, não podem originar-se no homem dominado pela natureza pecaminosa, pois isto seria admitir que há glória no pecado. As obras dos homens não têm validade alguma para o efeito da salvação, têm-na apenas para o sucesso e para as realizações terrenas.
II Co. 11:4 - "Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis." O "Evangelho" Triunfalista ostenta pregação e doutrina que apresentam outro Jesus, outro Espírito e outro evangelho que não constam das Escrituras. É uma apologia à vitória de homens cujas naturezas pecaminosas não foram destruídas na cruz. Querem receber toda sorte de bênçãos, mas não abrem mão das suas vidas almáticas contaminadas pela pecaminosidade herdada de Adão. Por esta razão é que há brigas, dissenções, maledicências, disputas e competições dentro das igrejas e entre denominações religiosas. Pregam apenas os benefícios anunciados pelas Escrituras, mas não recebem o sacrifício de Cristo como inclusivo e substitutivo ao mesmo tempo. Sabe-se que toda verdade pela metade é uma mentira completa. Deus não atua no universo pela metade, mas Suas decisões são anteriores à própria fundação do mundo, portanto, antes dos tempos eternos. Deus vê o fim desde o começo e o começo desde o fim conforme Is. 46:10 - "Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade." A questão fulcral é que a vontade de Deus é soberana. Entretanto, o homem não regenerado não pode conhecer o que é de fato soberania, pois a sua alma contaminada pela natureza pecaminosa presume ter autonomia, livre agência ou livre arbítrio. Confundem escolhas puramente morais e operacionais com liberdade espiritual.

O "EVANGELHO" TRIUNFALISTA x O EVANGELHO DO REINO III

II Tm. 3: 1 a 7 - "Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade." De todas as características apontadas por Paulo nos religiosos dos últimos tempos, a que mais chama atenção é que eles teriam aparência de piedade, porém negariam a eficácia dela. De fato, este é o cenário real que se vê nestes dias. Parecer o que não é tornou-se a marca da religião. Isto é explicado no texto, pois aprendem sobre Deus, sobre Cristo e o evangelho, mas não receberam a graça de ser uma nova criatura. Aprender algo sobre o evangelho é possível a qualquer homem, porém, nem sempre este pode chegar ao conhecimento da verdade por si mesmo.
Viver de aparência é uma arte desenvolvida pelo homem logo após a sua queda conforme Gn. 3: 7 e 8 - "Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim." Cozer folhas e fazer aventais para si é uma habilidade muito constante no homem portador da natureza pecaminosa. Isto significa a busca por uma solução própria e não na dependência da graça de Deus. O homem decaído procura fazer a sua própria verdade por meio da religião a qual serve, como se isto lhe pudesse cobrir a nudez, a cegueira e a pobreza espiritual consoante o que foi dito à Igreja de Laodicéia. Outra atitude sintomática do religioso incrédulo é se esconder quando ouve a voz de Deus por meio do verdadeiro evangelho. Esconde-se entre os arbustos da religião, elaborando doutrinas triunfalistas, porém em arrepio às Escrituras. Reivindicam um poder que não alcançam e não possuem, porque Deus não se associa à natureza pecaminosa. Antes ela deve ser destruída na cruz!
O evangelho do reino se compõe de três elementos fundamentais: a) o mistério de sua doutrina, isto é, em quem se deve crer; b) a santidade dos seus mandamentos, ou seja, como se deve viver; c) a pureza da adoração e do culto que se deve a Deus por instrumentalidade da fé dada aos eleitos. Isto porque, o homem pode professar a verdade e não obedecê-la de acordo com Tt. 1:16 - "Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra." Sabendo-se que as boas obras são de Deus e não dos homens, as tais só poderão se executadas por misericórdia e graça d'Ele mesmo. As boas obras foram feitas de antemão para que os eleitos e regenerados andasse nelas conforme Ef. 2:10 - "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Vê-se que os regenerados, a saber, gerados em Cristo, o foram para as boas obras. As boas obras são de Deus e ele as preparou de antemão para que os seus eleitos andem nelas. A religião institucionalizada faz exatamente o contrário.
Existe uma obediência humana dependente dos freios e contrapesos impostos pela cultura e pela moralidade predominante em uma sociedade. Porém há uma obediência que depende da graça de Deus. Esta obediência é devida a fé conforme Rm. 1:5 e 6 - "Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo." A fé, neste caso, vem como consequência da graça, mas os religiosos insistem em realizar isso de modo oposto, produzindo eles mesmos a sua fé. A fé verdadeira é essencialmente obediente ao que o evangelho do reino prescreve, porque produzida e realizada pela própria ação monérgica de Deus. O importante é pertencer a Jesus, o Cristo para ganhar a Sua vida e, com isso, receber a graça para obedecer a fé. A religião pretende fazer os seus seguidores serem obedientes às regras, normas e preceitos, mas não à fé.

O "EVANGELHO" TRIUNFALISTA x O EVANGELHO DO REINO II

II Tm. 4:3 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos..." Este tempo começou imediatamente após a ascenção de Cristo à dextra do Pai. Entretanto, nunca esta rejeição à verdadeira doutrina tomou corpo com tanto rapidez e intrepidez, como nos dias que transcorrem. Os líderes, as pessoas comuns, os que escrevem perderam completamente o temor. Ensinam, pregam, falam, cantam e decantam em verso e prosa as suas abominações religiosas como se grandes coisas fossem. Importa-lhes é que o ensino seja agradável e que ajunte o máximo de incautos possíveis a fim de que seja conferido ao grupo, ao líder, ou à denominação um altíssimo grau de aprovação e aceitação. As Escrituras ensinam fartamente que o engano prospera mais do que a verdade e que largo é o caminho do mal e muitos andarão nele. Não é a expressão numérica, o ativismo e a aceitação que comprovam a aprovação de Deus. Ao contrário, ao percorrer os textos escriturísticos verifica-se, entre outras coisas, que Deus sempre trabalhou com as minorias, com os combalidos e desvalidos neste mundo. Mesmo os homens de grande vulto que foram objeto da misericórdia e da graça divinas foram humilhados até confessarem o que de fato eram perante a face do Altíssimo.
Mc. 8:35 - "Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará." O evangelho da verdade demonstra um balancete contábil esdrúxulo, pois para ganhar perde-se, e ao perder ganha-se. Esta é, portanto, a metodologia de Deus, por força do contraste entre a Sua santidade e a abominação pecaminosa no homem. Não há como salvar o homem sem destruir o corpo do seu pecado conforme Rm. 6:6 - "Sabendo isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado." O homem adâmico e portador da natureza pecaminosa foi incluído na cruz juntamente com Cristo, pela fé, para que a sua natureza pecaminosa fosse destruída completamente aos olhos de Deus. Esta verdade, quando crida por fé, cria uma nova disposição na nova criatura, produzindo um homem regenerado conforme o texto de II Co. 5:17 a 19 - "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação."
O "evangelho" triunfalista é subproduto do ativismo humano não regenerado por amor de Cristo e do Seu evangelho da verdade. Tal pseudo-evangelho parte de um foco centrado no homem e não na cruz. É um evangelho, quando muito, resultante de elaborações teológicas. É fruto das injunções e elaborações do intelecto humano contaminado pelo pecado, o qual inclina a criatura a tomar invariavelmente o seu 'eu' como ponto de partida e foco do evangelho. Imaginando prestar um grande serviço a Deus, acaba por afastar-se cada vez mais d'Ele. É como diz A. W. Tozzer: "... os cristãos correm o risco de estar com a Palavra de Deus nas mãos, mas sem o Deus da Palavra." Eles ajuntam doutores segundo os seus pontos de vista do evangelho como se isto pudesse legitimar a sã doutrina. Deus não está nisto, pois onde está o desejo humano está o pecado como elemento motivador. Deus não tem parte na vontade decaída e depravada do homem, salvo, quando quer conceder graça e misericórdia.
Ap. 3: 14 a 17 - "E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu." A igreja de Laodicéia está viva e ativa no tempo atual, e, portanto, o alerta do Senhor Jesus é o mesmo a ela ainda hoje.

fevereiro 09, 2009

O "EVANGELHO" TRIUNFALISTA x O EVANGELHO DO REINO I

Mc. 1: 1, 14 e 15 - "Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus... E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, E dizendo: o tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho." A palavra "princípio" que abre a sentença introdutória do Evangelho segundo Marcos, em grego neotestamentário é 'arkhê', isto é, um início que é anterior a qualquer coisa ou fato. Isto quer dizer que o evangelho de Jesus, o Cristo é um acordo eterno e não um mero registro escrito pelo homem. Ele não se principiou apenas nas palavras pronunciadas por Cristo ao longo de Sua existência terrena. É o resultado de um acordo efetivado antes dos tempos eternos conforme I Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
O evangelho é de Cristo, e, este, é o Filho Unigênito de Deus. A questão teleológica do evangelho é que ele visa consolidar definitivamente o reino de Deus. Percebe-se, portanto, que toda ação do evangelho é monérgica, ou seja, é da exclusiva competência de Deus. De fato, não poderia mesmo ser diferente, visto que o homem absolutamente decaído e depravado, não teria como dar início, agir e consolidar algo anterior ao próprio universo. Sendo a noção de tempo embaraçosa ao mais culto dos homens, quanto mais complexo é imaginar que algo fora realizada antes do próprio tempo? Acontece que são categorias diferenciadas de tempos: há um tempo puramente cronológico 'kronos' em decorrência da relativização provocada pelo espaço e pela matéria. Entretanto, há uma categoria de tempo autônomo - o tempo 'kairós' - qual seja, um evento preestabelecido independentemente das variáveis: movimento, matéria e espaço. Este é o tempo de Deus!
A maior parte dos religiosos não têm discernimento de que o evangelho é de Cristo e objetiva a validação do reino de Deus. Eles imaginam que Deus está ao seu dispor para construir um reino de benesses aqui mesmo no mundo, e, tudo isto, sem a destruição da natureza pecaminosa. Baseiam e fundamentam suas crendices em um evangelicalismo triunfalista e horizontalizado, no qual Deus é uma espécie de gênio da lâmpada de Aladin. Isto satisfaz plenamente aos anseios e projetos de Satanás em estabelecer o seu reino neste mundo. Não se faz uma omelete com três ovos, estando um deles estragado e dois bons, sem que toda ela se estrague. É esta a questão fulcral da religião triunfalista: querem o triunfo prometido aos eleitos, porém sem perder o lucro de uma vida bastarda e abastada e sem a inclusão na morte com Cristo. Querem a doação, mas não querem o doador. Coitados morrerão em seus pecados conforme Jo. 8:24 - "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados." A expressão "eu sou" neste texto quer dizer, que, Cristo é Deus. Assim, enquanto o homem pecador não recebe a graça para crer n'Ele como Deus, suas crenças, méritos e justiças próprias não valem absolutamente nada espiritualmente.
O texto de Paulo a Timóteo, mostra que não é pelas obras, mas pela soberana vontade de Deus expressa em sua salvação, seu chamamento santo pela graça concedida apenas em Cristo. Foi segundo o próprio propósito de Deus e não por qualquer justiça ou mérito do homem. Além do mais, tudo isto foi decidido e concretizado antes dos tempos eternos.
A percepção do verdadeiro evangelho não pode ser primeiramente pelo intelecto, mas pela revelação nas Escrituras, e, esta é da competente e suficiente soberania divina por meio do Espírito Santo.

fevereiro 02, 2009

A VERDADEIRA PÁSCOA V

Mc. 14:1, 12, 14 e 16 - "Ora, dali a dois dias era a páscoa e a festa dos pães ázimos; e os principais sacerdotes e os escribas andavam buscando como prender Jesus a traição, para o matarem. Ora, no primeiro dia dos pães ázimos, quando imolavam a páscoa, disseram-lhe seus discípulos: aonde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a páscoa? ... e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: o Mestre manda perguntar: onde está o meu aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? Partindo, pois, os discípulos, foram à cidade, onde acharam tudo como ele lhes dissera, e prepararam a páscoa..." O texto mostra a intersecção entre a Páscoa simbólica e a Vera Páscoa, ou seja, entre o símbolo e a realização concreta dele. Jesus comemorando a Páscoa dos judeus, a qual indicava-o como a verdadeira Páscoa. Era Ele mesmo o Cordeiro Pascal a ser imolado para aniquilar o pecado de muitos conforme Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Assim, se cumpria o que João, o batista dissera acerca de Cristo em Jo. 1:29 - "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." É fundamental aperceber-se que os textos falam de Jesus aniquilando e retirando o pecado do mundo. Não é uma referência aos atos pecaminosos, mas à natureza pecaminosa. Necessário é este esclarecimento, porque os religiosos, não podendo receber graça para ver e entrar no reino de Deus, preferem acusar os eleitos de pregar impecabilidade. Todavia, sabe-se que, se Cristo não foi o suficiente para aniquilar e retirar o pecado do homem, ter-se-á de reconhecer que o Diabo é mais eficiente em mantê-lo no coração do pecador. Neste caso o Salvador não teria poder de salvar, sendo, portanto, uma peça teatral de mau gosto. As Escrituras não podem ser anuladas e não há como forcejar uma exegese para mudar os textos, visto serem eles literais.
Resta a Satanás apenas a diluição da verdade à mentira nos círculos religiosos que estão a seu serviço. No caso da Páscoa, pode-se afirmar que está completamente desfigurada de sentido e significação. É exatamente este ponto que interessa às forças do mal, produzir na mentalidade humana a noção generalista, simplória e imunizada em relação à verdade.
A Páscoa praticada hoje por cristãos nominais nada tem a ver com a Vera Páscoa. Há profunda influência mística e mítica na comemoração da Páscoa. Os termos "Easter", ou Ishtar e "Ostern", em inglês e alemão, respectivamente, não têm qualquer relação etimológica com a "Pessach", que é Páscoa em hebraico. As hipóteses mais aceitas relacionam os vocábulos com o "Eostremonat", nome de um antigo mês germânico, ou de "Eostre", uma deusa germânica relacionada à Primavera que era homenageada todos os anos, no mês de "Eostremonat", de acordo com o historiador inglês do século VII, chamado Beda.
Muitos dos atuais símbolos ligados à Páscoa, especialmente os ovos de chocolate, ovos coloridos e o coelho da páscoa são resquícios das festividade de Primavera em honra a deusa Eostre que, depois, foram assimilados pelas celebrações cristãs da Páscoa, após a "cristianização" dos pagãos germânicos. Também, persas, romanos, judeus e armênios tinham o hábito de oferecer e receber ovos coloridos por esta época. Então, vê-se claramente uma associação entre o paganismo e a celebração da Páscoa profanada pela cultura humana.
O culto à deusa Ishtar tinha alguns rituais de orgia sexual, uma vez que era a deusa da fertilidade, outros rituais tinham a ver com libações e outras ofertas corporais. É deste nome que deriva a deusa Eostre dos germânicos, como também o nome do mês Eostremonat.
Um ritual importante ocorria no Equinócio da Primavera, onde os participantes pintavam e decoravam ovos, símbolo da fertilidade, e os escondiam, enterrando-os em tocas nos campos. Este ritual foi adaptado pelo catolicismo no princípio do 1º milênio depois de Cristo, fundindo-o a outra festa popular chamada Páscoa. Mesmo assim, o ritual da decoração dos ovos de Páscoa mantém-se um pouco por todo o mundo nesta festa, quando ocorre o Equinócio da Primavera. Até mesmo entre religiosos ditos evangélicos, estas práticas já estão assimiladas, apassivadas e aceitas sem a menor resistência.
Este é o processo de diluição da graça em esforço, da verdade em mentira e das Escrituras em lendas.

fevereiro 01, 2009

A VERDADEIRA PÁSCOA IV

Atualmente, para os judeus, a Páscoa é apenas um memorial recomendado por Moisés em Ex. 12:14 - "Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma festa em honra do Senhor: fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua." Para os cristãos se tornou algo muito difuso, porque cada segmento da dita cristandade realiza de uma forma diferenciada. O que prevalece é uma grande confusão entre a simbologia e a real significação dela. Grosso modo aceita-se que ela é uma comemoração pela libertação que Cristo proporciona ao pecador por meio de sua morte sacrificial. Entretanto, isto é apenas uma espécie de retórica teológica. Não se aprofundam no real significado desta libertação sacrificial. Veem-na mais como um emblema.
Jesus, o Cristo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus que foi imolado para salvação e libertação de pecadores. Para isso Deus designou a Sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a Antiga Aliança, no sangue do cordeiro imolado, e a Nova Aliança, no sangue do próprio Jesus crucificado.
A data da Páscoa cristã foi fixada no primeiro "Concílio de Nicéia", no ano de 325 d. C.
Assim, a Páscoa cristã é comemorada, segundo o costume desde a Idade Média e na Europa, no primeiro Domingo após a primeira Lua cheia da Primavera, sendo no Hemisfério Sul, no Outono. Por isto, a data poderá ocorrer entre os dias 22 de Março e 25 de Abril. Acontece que este processo de fixação da data faz coincidir com algumas festividades pagãs do início da Primavera. Por esta razão, as igrejas orientais fixaram data diferente, sendo a mesma a da Páscoa judaica, que segundo eles, é a data da morte de Cristo. Assim, se pode ver que não há consenso acerca das datas, quanto mais do real significado.
Hoje, no Ocidente, em especial na América a Páscoa virou uma data puramente mercantil, ou seja, o que importa não é o significado que a sua memória deveria evocar, mas o quanto o comércio vai faturar. Os pais se preocupam em comprar guloseimas para os filhos, sem lhes explicar o que é a Páscoa. Não explicam, porque não sabem, e não sabem, porque não receberam o ensino dos seus pais, e assim sucessivamente. Enquanto o cristianismo nominal associa a Páscoa apenas à ressurreição de Cristo, o verdadeiro sentido dela deve estar associado primeiramente à Sua morte sacrificial, pois sem esta, não haveria ressurreição. Assim, a memória da justiça de Deus contra o pecado fica desfigurada e gradativamente desconfigurada. Chegará o tempo em que se apagará totalmente da memória dos mais penitentes "cristãos". E assim, as Escrituras se cumprem nas palavras do Grande Rei conforme o que está registrado em Lc. 18:8 - "...Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?"