julho 20, 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XXI


Rm. 3: 10 a 18 - "Como está escrito: não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos." Esta é uma passagem remissiva ao texto do Salmo 14, deixando clara a extensão e a unicidade das Escrituras. É uma cláusula declaratória com enunciado universal, isto é, possui validação para todos os tempos e pessoas. Assim, as Escrituras mostram que não há nenhum homem justo, não há um homem que tenha entendimento, não há quem busque a Deus naturalmente. Todos estão de fato destituído da natureza de Deus e extraviados e, portanto, são inúteis espiritualmente falando. O bem que importa, ninguém possui natureza para praticá-lo. Suas palavras são apodrecidas como os sepulcros abertos e suas línguas proferem engano sobre engano. Veneno de áspide escorre dos seus lábios, por conta da maledicência e do amargor que cada um leva em sua natureza decaída. São rápidos para praticar crimes contra outros homens, por isso, promovem destruição e miséria. Não conhecem o método da paz, porque ela não é uma acepção meramente intelectiva, mas uma pessoa, a saber, Cristo. Por todos estes títulos, o homem decaído não pode e não quer conhecer a Deus.
Diante destas esplêndidas verdades escriturísticas é recorrente nos círculos religiosos a persistente teologia deformada. Ela insiste em produzir um sistema religioso que satisfaça os desejos dos homens escravisados pelo pecado, porém sem realizar neles uma nova geração. Portanto, sem a geração de uma nova disposição por ação monérgica realizada na cruz, não há como o homem se inclinar para as coisas de Deus. Não por meio de religião, teologia, rituais, obras de justiça, esforços e méritos. Não com este currículo exposto por Paulo em Romanos.
Charles Grandison Finney, aclamado como verdadeira virtuose de Deus na Terra pela comunidade evangélica contemporânea, foi um desses produtores de teologia humanista. Para ele, o homem, mesmo em arrepio às Escrituras, não é depravado por natureza, sendo capaz de cooperar com o Espírito Santo na obra do convencimento, arrependimento e da fé. A ele foi dado o crédito direta ou indiretamente da conversão de cerca de quinhentas mil pessoas. Muitos o denomina de "O Maior Avivalista Americano", ou "O Principal Evangelista do Século XIX." É tido como o iniciador do evangelismo de massa que perdura hoje, especialmente nos meios midiáticos, considerando os seus métodos inovadores para a época, além de um estilo de pregação para grandes plateias. A partir dele aparecem Dwight Moody, John Wilbur Chapman, Billy Sunday e Billy Graham nesta linha de evangelismo de massa.
Poucos empreitam uma crítica a Finney. Entre estes poucos, aponta-se Robert Godfrey, do Seminário Teológico Westminster. Para ele Finney faz que a nefasta teologia de Pelágio pareça ser correta com mais maestria que o próprio Pelágio. Godfrey afirma: "Deus pode ser eliminado inteiramente da teologia de Finney sem que seu caráter seja mudado em essência." Neste sentido o evangelicalismo decorrente da teologia deformada de Finney é um conjunto de prática onde o foco é o homem e não Cristo e a cruz. Warfiel, enquanto historiador, afirma: "não houve, em toda história da igreja, provavelmente um teólogo tão pelagiano, quanto Finney." Também L.G. Parkhurst afirma: "ele tentou ser bíblico em vez de aderir a qualquer sistema ou grupo teológico do seu tempo." Isto o coloca na "via média" entre o velho calvinismo e o famigerado arminianismo. Com isto, Charles Finney não é absolutamente combatido em toda extensão do seu ensino, sendo aceito em todos os seguimentos da igreja contemporânea.
Em sua teologia deformada, Finney nega que a justificação seja pela convergência da lei em Cristo na cruz; nega que a expiação de Cristo seja substitutiva e inclusiva, pois para ele, Cristo não poderia cumprir a justiça retributiva diretamente proporcional ao pecado; para ele a justificação só se realizaria por meio da santificação e não a santificação por meio da justificação em Cristo; ele negava a que o homem tivesse uma natureza pecaminosa, mas que sofreu apenas uma depravação moral; ele defendia que a regeneração depende da vontade ou da decisão humana; e finalmente, ele diz que o homem é portador de "livre arbítrio" para aceitar ou rejeitar a graça de Deus.
Neste sentido, a teologia deformada, traço comum a todas as religiões da atualidade, segue na base da sua crença este mesmo conjunto de crenças puramente intelectuais e não essencialmente bíblica.

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XX


Js. 1: 5 a 9 - "Ninguém te poderá resistir, todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei nem te desampararei. Esforça-te, e tem bom ânimo; porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria. Tão somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares. Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido. Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares." No contexto, e sem o discernimento dado pelo Espírito Santo que nos ensina toda a verdade e nos concede revelação, este texto parece dar suporte à crendice religiosa arminiana que o homem possui "livre arbítrio". Entretanto, vendo pelas lentes da graça divina, percebe-se que se trata de mais um daqueles textos em que Deus está instruindo um dos seus eleitos acerca do que deseja que se faça. O Senhor mesmo está capacitando e dando a graça para que se cumpra tudo quanto Ele ordena. Quando afirma: "esforça-te e tem bom ânimo, não temas, nem te espantes" parece que a questão fica de fato centralizada na decisão humana. Porém, imediatamente tudo se esclarece, pois Deus ajunta: "Não te mandei eu?". Verifica-se que o verbo está no passado e não no futuro. Logo, os eleitos realizam, na verdade, o querer e o efetuar de Deus e não a sua própria vontade. Deste modo não há, nem liberdade, nem arbitramento sem o querer e o efetuar d'Ele.
O ponto fundamental neste texto é a obediência à Palavra de Deus e não a conduta moral de Josué. O procedimento moral e ético é sempre consequência e não causa da ação de Deus na vida do homem. Os religiosos contaminados pela deformação teológica recorrente, sempre invertem esta verdade. Por esta razão é que ocorreu tanto radicalismo por ocasião da reforma cognominada protestante, pois alguns líderes queriam imprimir um comportamento exemplar e diferenciado daquele registrado no seio da igreja dominante. Estavam colocando a questão da fé cristã em bases puramente comportamentais. Neste sentido a reforma já surgiu com a síndrome do defeito adquirido. Deveria ter sido uma reforma da doutrina e do ensino desta.
Ulrico Zuínglio foi o reformador na Suíça e fundador das igrejas reformadas neste país, embora não tenha deixado nenhuma igreja organizada. Porém, suas doutrinas influenciaram as confissões de fé calvinistas. Zuínglio foi apoiado pelo magistrado e pela população de Zurique, levando a mudanças significativas na vida civil e em assuntos de Estado em Zurique. Na França, o grande reformador foi João Calvino, embora não fosse sacerdote e sim um humanista, após ter saído do catolicismo sofre graves perseguições. Fugiu para a Suíça onde escreveu as Institutas de Fé Cristã, documento basilar da fé reformada ainda hoje. Na Escócia, John Knox foi a figura central da reforma. Estudou teologia com João Calvino em Genebra e levou o Parlamento da Escócia a adotar a Reforma em 1560, sendo estabelecido ali o Presbiterianismo. A primeira Igreja Presbiteriana, a "Church of Scotland", foi fundada como resultado disso.
Em 1530, a Confissão de Augsburgo foi apresentada na Dieta imperial de Spira convocada pelo Imperador Carlos V, tendo sido escrita por Felipe Melanchton com o apoio da Liga de Esmalcalda. Os católicos resolveram preparar uma refutação ao documento luterano, a denominada Confutatio Pontificia, a qual foi lida nesta Dieta. O Imperador exigiu que os luteranos admitissem a refutação da Confissão, porém, a reação luterana foi a leitura da Apologia da Confissão de Augsburgo, mas foi rejeitada pelo Imperador. Esta Apologia foi publicada por Felipe Melanchton em Maio de 1531, tornando-se confissão de fé oficial quando foi assinada, juntamente com a Confissão de Augsburgo. Outra Dieta foi convocada antes desta, em Worms na Alemanha, onde Lutero foi convocado a fim de se retratar perante a igreja católica, porém este afirmou as seguintes palavras: "Hier stehe ich. Ich kann nicht anders", isto é, "Aqui estou. Eu não posso renunciar."

julho 19, 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XIX


Fl. 02:13 - "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." Sendo Deus o operador e o operacionalizador, tanto do querer, quanto do efetuar, segundo a Sua soberana vontade, o que resta ao pecador a não ser receber com profunda gratidão o dom de Deus? Desta forma, persiste a pergunta aos religiosos arminianos, onde está o "livre arbítrio"? Esta invencionice gnóstica para justificar a falsa cooperação do homem no processo salvífico é absolutamente anti-bíblica. Resta mais esta indagação à Teologia Deformada ante as inumeráveis provas escriturísticas da ação monérgica de Deus. O caráter reformador do século XVI consistiu e consiste ainda hoje, tão somente em devolver às Escrituras a sua real dimensão. A religião, fruto da mente corrompida pelo pecado original, serviu e serve apenas para deformar a verdade, diluindo-a em mentira, visto que meias verdades são mentiras completas aos olhos de Deus.
A Reforma, erroneamente chamada de Protestante foi o resultado de uma série de motivações de cunho puramente humano e, portanto, já no seu embrião estava repleta de humanismos e interesses político-econômicos. Na Alemanha Marinho Lutero refutava as crenças e os erros católicos, porém cria que a salvação era o resultado de um misto de obras e de fé. Na França, João Calvino defendia que a salvação da alma ocorria pelo trabalho justo e honesto. Essa ideia calvinista, atraiu muitos burgueses e banqueiros para o calvinismo. Muitos trabalhadores também viram nesta nova religião uma forma de ficar em paz com sua religiosidade. O único diferencial de Calvino foi a predestinação, ou seja, Deus escolheu os que são salvos antes da fundação do mundo. Isto pelo menos é compatível com o ensino bíblico. Na Inglaterra, o rei Henrique VIII rompeu com a igreja de Roma, após o Papa se recusar a cancelar o seu casamento com Catarina de Aragão. O rei, então, fundou o Anglicanismo, sagrando-se chefe da igreja, aumentando seu poder e suas posses, uma vez que retirou da Igreja Católica uma grande quantidade de terras. A Reforma na Inglaterra preservou o máximo da crença católica, como por exemplo, o episcopado, a liturgia e os sacramentos. A Igreja da Inglaterra sempre se viu como a 'Ecclesia Anglicanae', isto é, a Igreja Cristã na Inglaterra e não como uma derivação da Igreja de Roma ou do movimento reformista do século XVI. A Reforma Anglicana buscou ser a "Via Média" entre o catolicismo e o protestantismo. Assim, é absurdo chamar o anglicanismo de protestantismo.
Os movimentos reformistas causaram diversos conflitos de interesses e muito derramamento de sangue. Muitas vezes as motivações nada tinham a ver com a verdade, ou mesmo com as Escrituras. Eram oportunismos de ambos os lados e por vezes cinismo frio e calculado. Obviamente que Deus esteve, como sempre está, no comando de todos estes processos, porque Ele tem o Seu "Supremo Propósito" apesar do homem e suas ações equivocadas.
Como Deus já tem os seus eleitos antes dos tempos eternos, Ele age linearmente no tempo, independente das religiões e seus sofismas. Por isso, Ef. 1: 3 a 12 afirma, sem rodeios, esta verdade eterna e imutável: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo."

julho 18, 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XVIII


Jr. 29:3 - "E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração." A questão fulcral entre a Teologia Reformada e a Teologia Deformada é precisamente aquilo que difere o sinergismo do monergismo. Por sinergismo se pode entender a suposta ação do homem decaído em cooperação com o Espírito Santo no processo da revelação para a fé que salva. Por outro lado, o monergismo se circunscreve à esfera da ação única e soberana de Deus no processo de levar o pecador a Cristo, de incluí-lo na cruz, matando a sua natureza pecaminosa, e de trazê-lo de volta juntamente com Este na sua gloriosa ressurreição. Obviamente que, tudo isto, se apropria por fé, visto que é um ato já realizado na eternidade pretérita e também concretizado historicamente em Jesus, o Cristo. É nesse ponto que começam as dificuldades, pois o homem não possui fé para crer que Cristo não morreu apenas para substituí-lo, mas que, também foi para incluí-lo. Ele não consegue por conta própria receber a verdade tal como revelada nas Escrituras, pois está acostumado a receber o alimento pré-mastigado pela Teologia Deformada, a qual se preocupa apenas em arrebanhar adeptos, os quais não sabem discernir o corpo do Senhor, comendo e bebendo para a sua própria condenação.
Buscar e achar ao Senhor é uma tarefa que o homem portador da natureza pecaminosa não consegue em si e por si mesmo. Isto porque, a busca e o encontro só poderão ocorrer quando for de todo o coração. Entretanto, sabe-se que o coração do homem é esclerosado naturalmente a tudo o que se refere à verdade. O pecado original o endureceu e obscureceu. Sabe-se ainda que, quando as Escrituras se referem ao coração, não é ao órgão que bombeia o sangue, mas à alma e ao espírito.
Ez. 36:26 - "E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne." Afinal, quem dá o coração novo é Deus, quem coloca o espírito novo dentro do homem é Deus, quem tira o coração de pedra é Deus, e também, quem coloca um coração de carne é Deus. Assim, em que aspecto o homem pecador realiza algum ato ou alguma atitude que o faz cooperador no processo da salvação? O ensino monergístico é claro em toda extensão das Escrituras. Todavia, os religiosos insistem em tomar os imperativos para reafirmar as suas deformações teológicas sobre a ação sinérgica. Acontece, no entanto, que os imperativos são sempre antecedidos da ação monérgica de Deus. Assim, o imperativo é direcionado aos que Ele mesmo dá a graça para cumprir a Sua vontade. Neste sentido pode-se utilizar como parâmetro a passagem em que Deus faz a promessa e dá a ordem a Abraão, conforme Gn. 12:2 - "E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção." Em que aspecto ou sentido Abraão cooperou em tudo isso? Nada! A expressão "e tu serás uma bênção" é um imperativo no hebraico, porém foi antecedida pela ação monergística de Deus. O ato de ser uma bênção é a consequência de ter recebido de Deus a graça para ser uma grande nação, a bênção e o engrandecimento do nome. 
De acordo com Jr. 17:9, não há espaço no coração do homem para se inclinar a Deus, porque o coração humano, ou seja, a sede da alma e do espírito é enganosa e absolutamente corrupta, de sorte que, nem mesmo o próprio homem o pode conhecer. Assim, como poderia a iniciativa partir deste coração corrompido pelo pecado e repleto de atos pecaminosos? Ter-se-ia de rasgar Rm. 3 todo e outros inúmeros textos.
Enquanto a Teologia Reformada mostra a necessidade de o homem pecador receber por graça mediante a fé a ação de Deus, a Teologia Deformada pretende ingloriamente fazer Deus se curvar à vontade humana decaída e completamente destituída da Sua glória. As Escrituras ensinam fartamente que a mente, a vontade, o querer e toda a inclinação do homem pecador é oposta a Deus, mesmo quando ele afirma ter fé, ou mesmo pratica algum tipo de religião.
No sistema religioso, o qual pertence à mentira, o homem é o foco, no sistema da verdade, no qual, Deus é soberano, misericordioso e gracioso, Cristo e a cruz são o foco. Entretanto, o pecador não pode ver e, muito menos, entrar no reino de Deus se não receber a verdade da sua inclusão na morte com Cristo e, semelhantemente na sua rerreição juntamente com Ele.

TEOLOLGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XVII


Rm. 12:2 - "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." Quando se debruça sobre a tarefa de escrever sobre determinados assuntos deve-se ter o cuidado de não repetir o discurso corrente e os mesmos chavões consagrados. Assim fica registrado que, no fundo, não é correto falar em teologia, e, muito menos, em reforma teológica. De teologia não se deve falar postuladamente, porque se constitui em absurdo o homem propor um tratado acerca de Deus; de reforma teológica, pior ainda, pois a Reforma não tinha por objeto a modificação das Escrituras. Acrescenta-se a tudo isto, o fato que antes da Reforma dita Protestante ocorreu a Pré-Reforma e, depois daquela ocorreu a Contra-Reforma e a Reforma da Reforma ou Reforma Radical. Então, percebe-se que o homem é mestre em querer alterar as coisas até que fique do jeito que lhe agrada.
É fundamental fugir dos clichês batizados e consagrados em ciclos religiosos, tais como os "ismos". O homem possui profunda necessidade de dogmatizar quase tudo, especialmente em matéria de religião. Para ser honesto, nem Pedro Valdo, nem os Anabatistas, nem Lutero, nem Calvino, nem John Knox, nem Wycliffe, nem Jan Hus e nem Zuínglio se auto-intitularam de reformadores. Só se fala em luteranismo, calvinismo e outros 'ismos' muito tempo após os fatos relevantes que estes homens prestaram à história do Cristianismo. Talvez por vício de se querer transferir a glória para os homens é que se faz isso.
Antes do século XVI, os valdenses prepararam todos os cainhos para o advento da Reforma. Pedro Valdo foi convertido ao cristianismo em 1174. Ele procurou uma tradução das Escrituras que fosse mais acessível ao povo simples e sem muitas letras, ou seja, sem muita alteração do homem. A partir daí começou a pregar as Escrituras ao povo ainda que não fosse sacerdote. Renunciou aos seus bens, distribuindo-os aos mais necessitados. Desta forma deu-se início a um movimento que foi depois apelidado de valdenses por conta do seu originador. Os valdenses afirmavam o direito de cada cristão ter um exemplar das Escrituras em sua língua materna, negavam a autoridade suprema da Igreja de Roma, se reuniam em casas de famílias e até mesmo em grutas. Rejeitavam o culto às imagens, reputando-o à idolatria. Paralelamente ocorriam o enfraquecimento das instituições monásticas, o cativeiro do papado de Avingnon, o Grande Cisma, além do fracasso da conciliação dentro da Igreja Católica.
No século XIV, John Wycliffe já vislumbrava algumas questões que favoreciam uma Reforma na Igreja dominante. Para ele a ostentação de riqueza da igreja era incompatível com o espírito da Igreja Primitiva. Também defendia que a Igreja deveria se limitar apenas às questões de cunho espiritual. Apontava para a necessidade de separação entre o Estado e a Igreja, entre outras coisas. Logo após Wycliffe surgiu Jan Hus seguidor das idéias de Wycliffe, que também muito contribuiu para a futura Reforma, dando origem aos denominados Hussitas.
A Reforma dita Protestante, foi um movimento reformista no cristianismo histórico no século XVI, iniciado pelo monge Martinho Lutero por meio da publicação de 95 teses afixadas na porta da Igreja de Wittenberg na Alemanha. Protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, no intuito de melhorá-la e não de destruí-la como se supõe comumente.
Por diferentes interesses, Lutero foi apoiado por alguns governantes e o movimento se fortaleceu rapidamente a partir da Alemanha, passando à Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido e Escandinávia. Depois atingiu também partes do Leste Europeu, como os Países Bálticos e a Hungria.
A resposta da Igreja Católica foi horror e perseguições contra todos os que aderiram ao movimento. Não podendo controlá-lo, realizou a famigerada Contra-Reforma que, nem foi contra e, muito menos, reformou a Reforma como esperavam os romanistas. O Concílio de Trento serviu apenas para aprofundar a crise e dar continuidade nos mesmos erros do catolicismo.
Entretanto, dentro da própria Reforma dita Protestante, ocorreu uma espécie de Reforma da Reforma. Isto ocorria paralelamente, pois alguns grupos queriam uma reforma mais profunda. Foi chamada de Reforma Radical, porque eles queriam total separação entre Igreja e Estado, como também um novo batismo, que em grego, é anabaptizo. Foram logo chamados de Anabatistas!
Neste contexto é que surgem os oportunistas que confundem coisas espirituais com coisas materiais. Thomaz Münzer incitou os camponeses à luta contra a nobreza imperial, propondo uma sociedade sem divisões entre ricos e pobres e sem propriedade privada. Também ocorreram outros confrontos na França, em Flanders, na Inglaterra e a Guerra dos Hussitas no século XV, além de muitos outros conflitos do século XVIII. Desta forma, muito sangue foi derramado sobre a face da Terra em nome de Deus, de Cristo e da verdade.

julho 12, 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XVI


Jr. 7: 8 a 10 - "Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam. Porventura furtareis, e matareis, e adulterareis, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes, e então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: fomos libertados para fazermos todas estas abominações?" Deformar é um verbo transitivo direto que traz as seguintes significações: alterar a forma de; tornar desforme, deturpar, alterar, modificar. Enquanto verbo pronominal significa: perder a forma primitiva; alterar-se, modificar-se.
Todo o processo de deformação teológica começa, porque alguém confia em palavras falsas. Esta tendência em todos os tempos revela uma forte e continuada inclinação do homem religioso em transformar a pureza do evangelho em água suja; transformar o vinho puro em sangria ou ponche diluído. É como diluir o evangelho da verdade ás tradições e racionalizações humanistas. O homem que não tem a experiência de nascimento do alto se cansa rapidamente das verdades bíblicas, porque elas não o importantiza.  Para ele, tudo o que não o torna o centro das atenções e traz gratificação à sua alma contaminada pela natureza pecaminosa, não serve. Ele busca trocá-las pelas idéias e invenções próprias por meio de modismos evangelicalistas. Tais modismos são fórmulas mirabolantes engendradas para encher igrejas, não importando se os "fiéis" são incrédulos sem nenhuma experiência real de regeneração.
Por estas razões Deus inquire por meio do profeta: "Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto que não eram deuses? Todavia o meu povo trocou a sua Glória por aquilo que é de nenhum proveito." Jr. 2.11. Até os ditos pagãos eram mais fiéis aos seus falsos deuses do que o povo dito de Deus. Neste sentido é que Cristo pergunta naquela parábola: "... Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" Mt. 16:26. Não há absolutamente nada que o homem possa fazer ou realizar para resgatar a sua alma do inferno. Esta é uma obra monérgica e soberana de Deus.
Sabe-se que os espelhos côncavos ou convexos deformam as imagens, semelhantemente as palavras falsas acerca de Deus e das Escrituras deformam a teologia. Os deformatas estão interessados em fixar os seus nomes nos anais da história, recebendo a glória dos homens ao invés de receber a glória de Deus. Estes religiosos, cujo velho homem não foi crucificado com Cristo e, por isso, também não ressuscitou juntamente com Ele, não podem suportar a verdade do evangelho. Esta verdade não é uma mera concepção, mas é uma pessoa, a saber, o próprio Cristo, segundo as suas palavras em Jo. 14:6. A natureza da macieira é invariavelmente produzir maçãs, semelhantemente a natureza pecaminosa produzirá invariavelmente atos pecaminosos. De maneira que, estes serão superados pela produção da santidade de Cristo, na medida em que aquela for aniquilada pela justificação n'Ele conforme Hb. 9:26.
II Tm. 4:3 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências." A sã doutrina, isto é, o verdadeiro evangelho não pode ser suportado por quem não recebeu graça para suportá-lo. Não há compatibilidade entre a natureza pecaminosa persistente no homem não regenerado e a sã doutrina. Por isso, amontoam doutores em divindades, mestres, e teólogos conforme os seus próprios desejos acerca do que querem que lhes seja por verdade. No sentido oposto, as Escrituras permanecem incólumes sempre e perpetuamente, porque elas se destinam aos eleitos de Deus, os quais recebem graça para crer conforme a multiforme sabedoria d'Ele. É neste sentido que o Senhor Deus mantém a Sua santa semente que o serve de geração em geração, produzindo a teologia sempre reformada, isto é, a teologia puramente fundamentada na Bíblia.

junho 22, 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XV


Ez. 34: 11 a 20 - "Assim diz o Senhor Deus: eis que eu estou contra os pastores; das suas mãos demandarei as minhas ovelhas, e eles deixarão de apascentar as ovelhas; os pastores não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e não lhes servirão mais de pasto. Porque assim diz o Senhor Deus: eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão. E tirá-las-ei dos povos, e as congregarei dos países, e as trarei à sua própria terra, e as apascentarei nos montes de Israel, junto aos rios, e em todas as habitações da terra. Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu aprisco; ali se deitarão num bom redil, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel. Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor Deus. A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer, e a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com juízo. E quanto a vós, ó ovelhas minhas, assim diz o Senhor Deus: eis que eu julgarei entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e bodes. Acaso não vos basta pastar os bons pastos, senão que pisais o resto de vossos pastos aos vossos pés? E não vos basta beber as águas claras, senão que sujais o resto com os vossos pés?E quanto às minhas ovelhas elas pastarão o que haveis pisado com os vossos pés, e beberão o que haveis sujado com os vossos pés. Por isso o Senhor Deus assim lhes diz: eis que eu, eu mesmo, julgarei entre a ovelha gorda e a ovelha magra."
O grande e significativo diferencial entre a Teologia Reformada e a Teologia Deformada é precisamente as Escrituras. Enquanto a Teologia Reformada prima pela fidedignidade às Escrituras, a Teologia Deformada elabora uma doutrina mesclada de humanismos. Isto fica evidenciado e comprovado pela qualidade das traduções dos códices sagrados. O tradutor sempre tende a optar pela tradução mais próxima ao que se constitui a base da sua crença, e não opta pelo que de fato diz o texto. Sabe-se que a verdade deve ser crida como verdade, pois meias verdades são mentiras. As Escrituras foram compendiadas para serem cridas e não para serem discutidas. Este tem sido o erro fundamental que leva muitos ao engano, ou seja, tomar as Escrituras como mero manual de religião e não como a Palavra de Deus. Entretanto, sabe-se, que, até para crer nas Escrituras o pecador carece da graça e da misericórdia de Deus. O homem decaído em sua natureza contaminada pelo pecado não pode crer, e, mesmo quando demonstra alguma forma de querer, este só lhe acontece, porque é Deus quem opera, tanto o querer, como o efetuar. Somos incapazes de crer, buscar, querer, fazer e entender sem a graça conforme Rm. 3.
No texto que abre este artigo vê-se com clareza meridiana a diferença entre a sã doutrina e a falsa doutrina; entre a teologia estritamente bíblica e a teologia da praxis típica do religioso deformata. É como diz Jó 14:4 - "Quem do imundo tirará o puro? Ninguém." Esta é uma tarefa impossível ao homem, mas o que é impossível ao homem é possível a Deus.
No contexto, vê-se a ação monergística de Deus agindo em favor dos seus eleitos e em detrimento da religião falseada. Pastores que se apascentam a si mesmos são aqueles que guiam os cegos para o abismo e se alimenta do rebanho ao invés de alimentá-lo. Eles sonegam a verdade, porque são faltosos desta mesma verdade. Por isso Cristo afirma que são como cegos guiando cegos.
Porque Deus está a procura das ovelhas fracas, quebradas, magras? Porque esta é a real condição do homem que foi atingido pela graça de Deus. Ele não se fia em si mesmo, mas procura estar na plena dependência do Pai. Elas são apascentadas por Deus e também por Ele são alimentadas. Contrariamente, as ovelhas gordas tipificam o homem que se basta a si mesmo. É o pecador enfatuado em sua justiça própria e reclamante de direitos e bênçãos diante de Deus com base apenas em seus méritos e não nos méritos de Cristo. Não se aproximam de Deus com base no substituto, mas com base em suas justiças próprias adquiridas pela teologia deformada, pela religião humana, visto que Deus não criou nenhum sistema religioso.

junho 12, 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XIV


II Rs. 4: 38 a 41 - "E, voltando Eliseu a Gilgal, havia fome naquela terra, e os filhos dos profetas estavam assentados na sua presença; e disse ao seu servo: põe a panela grande ao lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas. Então um deles saiu ao campo a apanhar ervas, e achou uma parra brava, e colheu dela enchendo a sua capa de colocíntidas; e veio, e as cortou na panela do caldo; porque não as conheciam. Assim deram de comer para os homens. E sucedeu que, comendo eles daquele caldo, clamaram e disseram: homem de Deus, há morte na panela. Não puderam comer. Porém ele disse: trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: dai de comer ao povo. E já não havia mal nenhum na panela." A mensagem é muito clara: o que é impossível ao homem é possível a Deus. A situação descrita mostra que a soberania de Deus se estende a todos igualmente. Não é pelo fato de ser profeta ou filho de profeta que Deus está obrigado a ser favorável e fazer que as benesses estejam asseguradas.
Esta passagem encerra em si mesma uma mensagem bem mais profunda do que uma simples história veterotestamentária para ser contada em classes de escola dominical. Ela mostra de um lado a fome espiritual, e de outro lado, a busca pelo alimento falseado. A tal parra brava é biologicamente conhecida como colocíntida, ou coloquíntida, uma espécie de trepadeira ornamental, da família das cucurbitáceas - Cucurbita pepo -, de flores com corola amarela e monopétala e frutos com manchas amarelas e verde-escuras, de várias formas. Assemelha-se muito aos pepinos comestíveis desses que se vendem nos mercados.
O jovem filho de profeta que saiu ao campo a recolher os falsos pepinos não tinha discernimento entre o verdadeiro e o falso. Ele simplesmente recolheu das iguarias e as cortou na panela do caldo sem critério algum. Esta é uma tipificação do homem que sedento da verdade acolhe qualquer mensagem como se verdadeira fosse.
Constatado que o caldo era venenoso houve clamor e reconhecimento de que a iguaria continha a morte e já não podiam comê-la. Assim, são os religiosos que vivem à cata de verdades e doutrinas para satisfação da sede almática do homem decaído. Tomam qualquer mensagem como verdadeira, por falta do critério da revelação. Nota-se que o falso é sempre fácil de ser achado, geralmente abundante e belo em seu aspecto exterior. As coloquíntidas são muito bonitas, coloridas e sempre à mostra. A falta de critério consiste em que o homem portador da natureza pecaminosa nunca busca a verdade pensando que pode encontrar a mentira. Desconhece que a mentira nunca vem com cara de mentira.
A diferença entre a teologia deformada e a teologia reformada é precisamente a mesma: a primeira é fácil de ser encontrada e de aspecto atraente, a segunda, entretanto, é escassa, feia em sua apresentação e repulsiva em seu conteúdo. A primeira só se deixa descobrir depois que foi experimentada, a segunda se põe à mostra desde o início.
O critério essencial para diferir entre o falso e o verdadeiro é a centralidade. Estando a centralidade no homem e seus pressupostos, é falso. Estando nas Escrituras e seu conteúdo, é verdadeiro. Tudo o que retira o foco da cruz é falso, pois desfoca a solução de Deus para o pecado. A morte compartilhada na cruz é a única forma de reconciliar-se com Deus. Todavia, esta é uma obra monérgica e jamais sinérgica.
Os pomares repletos de colocíntidas são as livrarias evangélicas e os púlpitos cujo centro não é Cristo e, muito menos, a cruz. Não basta mencionar o nome de Jesus! É necessário que Cristo seja visível, pois quem não nascer do alto, não vê e não entra no reino dos céus. Isto foi dito a um príncipe de Israel, quando da sua inusitada visita noturna ao Mestre da Galiléia. Há muitos pepinos bravos no rádio, na televisão e na enxurrada de literatura que apresenta autoajuda ao invés de Cristo e sua cruz inclusiva. Haja vista neste acervo da mentira e da vaidade o fato que muitos pregadores contradizem uns aos outros. Todos pleiteiam o serem donos da verdade, enquanto esta está distante de todos, porque distantes da cruz.
A atitude do profeta Eliseu foi de atirar à panela do sinistro caldo, um punhado de farinha. A farinha, ou flor de farinha de trigo, representa o pão que desceu do céu, a saber Cristo. A panela com o caldo representa o homem portador da natureza pecaminosa. Então, o caldo que antes era venenoso, agora se tornara comestível. Isto evidencia que tudo o que o homem busca por conta própria é falso por sua própria natureza e essencialidade. Todavia, Cristo pode tornar o falso em verdadeiro, desde que Ele seja recebido como a verdade, o caminho e a vida. É necessário aniquilar a natureza pecaminosa e a culpa do pecado que matou o homem para Deus conforme Hb. 9:26 - "... 
doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
"
Os deformatas sempre oferecerão seus pepinos venenosos aos que buscam encontrar apenas solução imediata para seus dramas horizontais. Enquanto o pecador não se rende incondicionalmente ante a potente mão de Deus, pepinos bravos ou colocíntidas é o que encontrará.

junho 07, 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XIII


Jr. 23: 28 - "O profeta que tem um sonho conte o sonho; e aquele que tem a minha palavra, fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor." Há um conceito doutrinário neotestamentário que diz: "seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna." Cristo quando afirmou isto, segundo o registro de Mateus estava confirmando a seriedade da Palavra de Deus. Obviamente que o Mestre não estava em dúvidas em relação à seriedade dela; para Ele isto não se constituía em matéria de dúvida. Tinha Ele, em mente, a leviandade e a superficialidade do homem decaído, quando este toma da sua própria palavra, para dela, fazer como que sendo a de Deus. Os religiosos sempre conduzem a discussão da verdade para a centralidade daquilo que ele mesmo concebe e não para centralidade do que afirmam reiteradamente as Escrituras. É como em um jogo de faz de conta: usam das Escrituras apenas para aparentemente legitimar os seus próprios pensamentos obscurecidos pela natureza pecaminosa. Isto se dá, porque as mentes que não foram reconciliadas estão cegas pelo "deus deste século" e não podem receber a revelação de Cristo nas Escrituras. Quando alguém se levanta para ler, comentar, interpretar e pregar sobre as Escrituras e não consegue ver Cristo desenhado nelas, pode desistir.
Deus está dizendo claramente por intermediação do profeta Jeremias que, o profeta pode ter um sonho, entretanto, deve contá-lo apenas como sonho e não como revelação divina. Entretanto, se o profeta tiver a Palavra de Deus contá-la-á invariavelmente como é e não como quer que ela seja. Deus está estabelecendo um paradigma entre a palha que é leve, pouco substanciosa, frágil e facilmente destruída pelo fogo e o trigo que é substância perene, dotado de força e vida que pode produzir muitas outras vidas. Enquanto a palha é produto que termina em si mesma por não ser portadora da capacidade de gerar nova vida, o trigo é algo que se renova perpetuamente. A palha perece, o trigo permanece; a palha fenece, o trigo alimenta; a palha é levada pelo vento, o trigo multiplica-se e enraíza-se e se espalha.
O que a teologia reformada faz é exatamente tomar das Escrituras como trigo para alimentar-se da verdade que procede da boca de Deus. Contrariamente, a teologia deformada toma da palha para dar aparência de agradabilidade aos que perecem no pecado. Enquanto a teologia reformada desagrada por comunicar a verdade de Deus, a teologia deformada agrada aos ouvidos enfermos pela natureza pecaminosa, por cogitar dos interesses humanos. A teologia reformada oferece Deus, a teologia deformada oferece sonho. A teologia reformada oferece a palavra da verdade que produz vida, a teologia deformada oferece satisfação pessoal que produz carnalidade, vaidade e mentira agradável aos ouvidos da cobra surda.
Não são todos que têm e detêm a palavra da verdade. Estes são apenas os que receberam graça para tal. O texto mostra que só poderá falar com verdade, aquele que tem a palavra de Deus. Isto cria profunda distinção entre aquele que prega a palha e o que prega a verdade. Entre o que prega sonhos e o que prega vida divina, abundante e perpétua.
Assim, de fato, o que passa do sim e do não é procedente do maligno, pois na palavra da verdade ou é sim, ou é não. Ela não se dissimula para agradar ao pecador, mas cumpre o seu desiderato, qual seja, anunciar as boas novas, ou o evangelho da verdade. Este evangelho é Cristo, e este, crucificado, atraindo os pecadores a Ele para trazê-los reconciliados com Deus na ressurreição.
Os que foram eleitos antes dos tempos eternos e preordenados para vida ouvirão a palavra da verdade, ainda que esta lhes seja desagradável à prima facie. Entretanto, os que não foram inscritos no livro da vida do Cordeiro, ouvirão invariavelmente as fábulas tecidas nas fibras das palhas e dos sonhos produzidos pela alma no pecado. Deus não está nisto, mas sim o maligno!
A Cristo, pois, a honra, a glória e a majestade eternamente.

maio 10, 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XII


Judas 3 e 4 - "Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo." Aqueles que estão submetidos à soberania de Deus não são donos de si mesmos. Judas, procurando escrever sobre salvação, acabou escrevendo sobre a fé. Vê-se pelo texto, que a fé realmente é dom de Deus e não uma virtude humana. 
O texto, sem prejuízo do seu contexto, mostra que até mesmo os que se introduzem no seio da Igreja para o erro, o são pela ação de Deus. Embora os religiosos insistam em categorizar o bem como sendo originado de Deus e o mal, do Diabo, as Escrituras mostram sem rodeios que tudo procede de Deus. O que conta para Deus é a realização plena do seu "supremo propósito" e não a satisfação de sistemas religiosos humanos. A primeira vista isto parece forte demais para ser recebido, entretanto, ao eleito de Deus cabe apenas uma alternativa, crer na Palavra d'Ele. Não são nossos gostos que determinam a vontade de Deus, mas ela é soberana até mesmo sobre o que desejamos ou queremos. Is. 54:16 - "Eis que eu criei o ferreiro, que assopra o fogo de brasas, e que produz a ferramenta para a sua obra; também criei o assolador, para destruir." Tudo está absolutamente sob o controle de Deus.
A primeira característica dos deformatas da verdade única e soberana de Deus é a dissolução da graça. Diluir é um verbo que indica o enfraquecimento ou o esmaecimento de algo por adulteração. No passado quando o leite era distribuído diretamente pelos produtores aos consumidores havia a prática de misturar a ele um pouco de urina da vaca ou mesmo água para fazê-lo render. A urina da vaca possui pH mais ou menos compatível com o pH do leite. Desta forma rendia-se a produção e ganhava-se mais, todavia, a aparência do leite permanecia basicamente inalterada. Uma coisa pode ter, na superfície, uma aparência aceitável, mas na profundidade, uma essência heterogênea e refutável. Este é o problema dos que foram escritos nos livros eternos para trazer a teologia deformada ao mundo. Eles são como joio que cresce no meio dos trigais, semelhantes na aparência e opostos na essência. As Escrituras não podem ser diluídas, mas a teologia sim, porque é uma produção humana. A verdade é, por natureza, inatacável, a mentira é diluível, e maleável, posto ser originada na vontade humana deformada pela natureza pecaminosa.
A finalidade última da diluição da graça de Deus em mentira é a negação da soberania d'Ele e da justiça de Cristo contra o pecado na cruz. Sendo Cristo a única e definitiva solução contra a natureza pecaminosa do homem, o papel da deformação teológica é negá-Lo. Negando-o, imagina-se que se possa embotar a verdade e evitar que os pecadores sejam atingidos pela salvação eterna. Todavia, nada e ninguém pode impedir a ação monérgica de Deus. Aos que Ele conheceu de antemão, a estes predestinou, aos que predestinou, a estes chamou, aos que chamou, a estes justificou em Cristo por meio da Sua morte de cruz, e aos que justificou na morte de Cristo, a estes glorificou. Assim, os que se achavam destituídos da glória de Deus por conta do pecado, agora foram restituídos a ela por meio da salvação estritamente monérgica de Deus em Cristo.
Nada, e ninguém pode dissuadir a vontade de Deus, porque ela é soberana eternamente.