sábado, 27 de junho de 2015

OBSCURANTISMO E DESCONSTRUÇÃO DE DEUS III

Rm. 1: 18 a 25 - "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém."
Há uma constante tentativa de desconstrução de Deus por parte do homem. Incrivelmente, grande parte desse processo se dá no seio das religiões e crenças em geral. Nem sempre é um processo consciente, porque tal processo é inspirado por forças sobrenaturais. Não se trata da velha estratégia de transferir a culpa para Satanás, mas porque, de fato, é o papel dele fazer isso. Visto que ele é o arqui-inimigo de Deus e, porque, não pode crer resta-lhe desconstruir Deus para provar que sua tese é a verdadeira. Jesus, o Cristo concede luz sobre este ensino em Mt. 13: 24 a 26 - "Propôs-lhes outra parábola, dizendo: o reino dos céus é semelhante ao homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. Quando, porém, a erva cresceu e começou a espigar, então apareceu também o joio." O reino dos céus é o reino de Deus, implicando em pleno e total domínio sobre os céus e sobra a Terra e tudo que neles há. O homem que semeou a boa semente é Cristo, o Filho Unigênito de Deus que trouxe a mensagem da cruz como única solução para aniquilar o pecado. Entretanto, enquanto há uma verdade sendo disseminada e pregada, também há uma falsa mensagem sendo ensinada e divulgada em paralelo. As duas verdades crescem juntas, porém, ao final, elas se divergem e se diferenciam total e absolutamente. Uma conduz ao reino dos céus, isto é, ao domínio soberano que provém de Deus, a outra conduz à perdição eterna, a saber, a segunda morte.
Neste sentido, o que muita gente bem intencionada não sabe é fazer a distinção entre o joio e o trigo. Ambos são de uma mesma família de gramíneas e se assemelham em tudo, exceto na espiga. Vê-se que o que faz a diferença não é a planta em si, mas o que ela produz como resultado final. O grão de trigo é a matéria prima da qual se faz o pão que alimenta o homem. O grão do joio não presta para produzir nada que alimenta ou que dá a vida. Por analogia, não é o fato de uma religião, seita ou crendice apregoar a paz, o amor e a harmonia que ela procede de Deus. O joio cresce junto ao trigo sem lhe causar nenhum mal, em harmonia, portanto. O mal só se apresenta no momento final, quando serão apuradas as consequências. 
O texto de abertura mostra que a ira de Deus procede dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. O que realmente isso quer dizer? Quer dizer que Deus entrega o ímpio à sua própria sorte até a destruição. Isto é dito na sequência do texto de Rm. 1. Também, a ira de Deus é a sentença condenatória para o dia do juízo final. Impiedade é um substantivo feminino que significa falta de consideração ou desprezo por Deus. É uma palavra cuja função se aplica apenas a seres humanos. Muitos imaginam, em suas mentes obscurecidas pelo "deus" deste século, que ao pertencer a uma ou outra crença está isento de tal impiedade. Entretanto, há maior risco de alguém ser ímpio dentro de um sistema religioso que fora dele. Muitas vezes uma pessoa ateia fere menos a Deus que uma religiosa. Isto porque, pelo menos, o ateu é mais honesto em declarar sua posição e relação no tocante a Deus. Deter a verdade em injustiça é exatamente praticar e disseminar uma crença que não encontra respaldo na verdade. A verdade é uma só e é uma pessoa e não uma concepção filosófica, científica ou um dogma religioso. A verdade é o próprio Cristo conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Neste texto, Jesus se declara o conteúdo e o continente, tornando um com a verdade. Também se confessa como o único caminho possível à redenção do pecador. Igualmente mostra que é o único que concede a verdadeira vida, ou seja, a vida eterna.
A injustiça colocada no lugar da verdade ocorre quando o homem substitui a solução de Deus para o pecado, colocando seus méritos e justiça própria no lugar de Cristo, e este crucificado. A execução da justiça de Deus contra a injustiça do pecado se deu naquela cruz. É na cruz que o pecado do homem, o qual o separa de Deus e o torna morto espiritualmente é destruído conforme Hb. 9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Acontece que ao deter a verdade, que é Cristo, em injustiça, o pecado do homem não pode ser aniquilado. Neste caso, pratica-se uma religião de esforços e sacrifícios de tolos e a tal para nada aproveita espiritualmente. Morrerão todos em seus delitos e pecados conforme Jo. 8:24 - "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados." A expressão: "... eu sou" equivale à pessoalidade de Deus. Foi a mesma expressão dita a Moisés quando fora enviado a libertar o povo hebreu da escravidão no Egito. Portanto, substituir a verdade pela religião, crença ou práticas de justiça própria consiste em deter a verdade, que é Cristo, em injustiça. Isto consiste na impiedade aludida no texto que abre este estudo.
Sola Scriptura!

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