segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS I

Mt. 24: 1 a 3 - "Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrar os edifícios do templo. Mas ele lhes disse: não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo."
A ansiedade pela preservação e prolongamento da vida na Terra, como também com o futuro sempre levou o homem à cata de profetas, adivinhos, prognosticadores, encantadores, interpretadores de sinais dos astros e da natureza em geral. Isto é determinado, por um lado, pelo medo sobre o destino eterno após a morte e, por outro lado, com a insegurança quanto ao sucesso, prestígio e poder. Todos querem uma garantia que se darão bem nesta vida e, de sobra, na outra vida também. Há pessoas que buscam tal suposto conhecimento, mesmo sem ter a mínima confiança no processo. A incerteza e a insegurança sobre a vida e o além faz que o mais cético deposite algum tipo de "fé almática" na possibilidade de obter alguma resposta aos seus diversos dramas e ansiedades.
Os discípulos de Jesus, o Cristo não fugiram a esta regra. Ao ver que o Mestre saía do templo foram mostrá-lo a grandeza das estruturas arquitetônicas dos prédios que compunham o conjunto. Jesus, entretanto, e sem dar grande relevância ao que se lhe mostrava, disse: olha, tudo isto que vocês tanto admiram, não ficará em pé, não é permanente. Tudo se reduzirá a um amontoado de pedras. Cristo estava rejeitando a confiança que se deposita em coisas e chamando a atenção para a necessidade de um templo onde Ele seja, de fato, adorado. Aquelas estruturas simbolizavam apenas a religião e o seu esforço em produzir um "deus" manipulável e assemelhável ao homem. Contrariamente, o verdadeiro Deus quer elevar o homem à semelhança do seu Filho Unigênito e Primogênito. Não é o homem que faz Deus se inclinar para suas carências, mas Deus se inclina ao homem necessitado e contrito de coração. A ação é sempre monérgica!
Jesus e os seus discípulos se retiraram para o Monte das Oliveiras para passar a noite, o qual situava-se nas cercanias de Jerusalém. Ali, e em um ambiente mais isolado e tranquilo os discípulos se aproximaram d'Ele para indagar sobre as questões levantadas pelo Mestre acerca dos acontecimentos futuros relativos à Jerusalém e dos tempos finais desta era. O texto traduzido, diz: "... quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo." Esta é a tradução mais comum em língua portuguesa quase sempre derivada da tradução do padre João Ferreira de Almeida. Esta tradução possui grosseiros erros ou mesmo tentativas de facilitar a compreensão intelectual das Escrituras por parte de pessoas sem muitas letras. Entretanto, toda vez que o homem tenta mudar o real sentido das Escrituras para levar o povo à compreensão, acaba por afastar ainda mais a verdade dos homens. Deus não precisa de auxílio para chamar, justificar e glorificar aos que dantes conheceu e predestinou para a vida eterna. A fé não é produzida pelo conhecimento intelectual, mas pela revelação da verdade por ação do Espírito Santo. Há inumeráveis ateus que conhecem mais a Bíblia que muitos líderes religiosos inescrupulosos e pregadores do enganos por aí.
As palavras utilizadas no texto original na parte da indagação sobre os sinais e o fim dos tempos está literalmente assim: "kai tí tò semeîon tês sês parousías kaí sinteleías toû aiônos." Uma coisa é fazer a leitura tal como está no texto grego do evangelho e outra coisa é pretender dar a ele um sentido facilitado, simplificado ou reduzido. Versar os textos originais para o contexto da língua atual para a qual esta sendo feita a tradução é necessário, mas alterá-lo para melhorar a sua compreensão é errado. Então, o correto neste texto seria: "diz-nos quando ocorrerão estes sinais e que sinal haverá da tua manifestação visível e do término da era atual." O texto de modo nenhum autoriza à tradução como sendo "fim do mundo." A palavra grega 'aiônos' pode ser: 'ciclo, era, período, época, eternidade, completude, acabamento'. Pelas preposições, declinações e verbos utilizados no contexto geral pode-se dizer que os discípulos estavam interessados em saber três coisas: a) que sinais ocorreriam antes da destruição de Jerusalém; b) quando ocorreria a manifestação visível de Cristo ao mundo; e, c) que sinais haveria do fim da era cristã ou da atual era. Os judeus viam a história com base em eras ou ciclos controlados por Deus.
O que o texto afirma é que sinais seriam dados sobre a completude da obra de Cristo em sua etapa de julgamentos e de restauração final do mundo. A prova cabal que era isto se vê claramente nas explicações que Ele passou a dar aos discípulos em função das perguntas iniciais. Não se vê em nenhum momento indicação do fim do mundo, mas são dados uma série de conselhos sobre como os eleitos vão passar por este período de juízos, o que acontecerá na natureza e nas nações. Mostra como será o comportamento do mundo durante esta fase e como este será julgado pelo poder do Grande Rei. Nem mais, nem menos.
Os alarmistas e pregadores do evangelho terrorista lançam mão destes textos para atrair as pessoas às suas religiões, acreditando que as tais serão salvas por se filiarem às tais igrejas humanas. Ora, este não é o ensino de Cristo! Também algumas seitas espiritistas torcem, distorcem e contorcem estes textos para justificar suas doutrinas de purificação da Terra, depuração dos espíritos e transmigração de almas de um mundo para outro dentro de uma espécie de evolucionismo sobrenatural. Também isto é perda de tempo e segue apenas uma lógica desesperada do homem para fazer-se o seu próprio "deus". 
Sola Scriptura!

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