domingo, 30 de outubro de 2011

ESCATOLOGIA XIX

Dn. 2: 20 a 22 - "Disse Daniel: seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque são dele a sabedoria e a força. Ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; é ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz."
O texto de abertura mostra que Deus é absolutamente soberano. A sabedoria e a força presumidas no homem, tem, na verdade, a origem n'Ele. É Ele quem leva ao trono os reis, como também os retira de lá. Ele determina as estações e os tempos em que cada evento acontece no universo. É Ele quem revela o que é invisível e imperceptível, o que é profundo e o oculto à mente humana. Por isso, em outro artigo se disse que o homem natural percebe com relativo entendimento as coisas, mas a revelação espiritual é dada apenas por Deus aos eleitos. Neste sentido, não se pretendeu estabelecer que os eleitos e regenerados sejam superiores aos homens naturais. A única distinção está na misericórdia e na graça do Altíssimo em conceder aos que Ele deseja, o conhecimento espiritual.
Pelas razões já expostas far-se-á um apanhado sobre determinados aspectos da escatologia que, ao longo dos tempos, tiveram percepções puramente humanas, por uns, e conhecimento revelado por outros.
A palavra escatologia tem sua origem no grego koinê, sendo proveniente de dois termos: 'eschatos' [εσχατος] = último, derradeiro e 'logueia' [λόγεια] = estudo, tratado, descrição. Trata-se, portanto, de um conhecimento elaborado a partir das revelações escriturísticas sobre as coisas do tempo final, ou do fim de uma era, época, ou sistema. Não se refere ao 'fim do mundo', como se afirma por aí sem critério algum. É, por assim dizer, uma doutrina que trata de eventos preordenados por Deus antes dos tempos eternos conforme Rm. 16:25b - "...conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos..."
Os textos escatológicos não fazem referência ao "fim do mundo", mas sim ao fim de uma era 'aión' [αιών]. Mt. 24:3 - "E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?" Esta é uma das traduções errôneas da expressão 'syntéleia aión', que, em suma, quer dizer fim de uma época, era, sistema, ou período. A diferença consiste nas palavras 'aión' e 'kosmos', pois enquanto a primeira refere-se a uma era, a última faz referência à totalidade do mundo terreno. Também as palavras 'syntéleia' e 'telos' são, respectivamente, fim de um ciclo, e fim completo.
Desta forma as traduções mais próximas do texto original são aquelas que fazem referência ao fim de um tempo determinado. Pode-se falar em plenitude do tempo, consumação dos séculos, fim da era, fim desta época, conclusão desta época.
Na tradição judaica o fim de um ciclo é denominado de 'acharit hayamim' ou "fim dos dias". Segundo a crença do judaísmo alguns eventos indicam o fim desta fase da história da humanidade:
  1. Retorno maciço dos judeus à terra de Israel.
  2. Derrota final dos inimigos de Israel no vale do Meggido.
  3. Reconstrução do Templo de Salomão - Terceiro Templo - em Jerusalém e a restauração dos sacrifícios e serviços sacerdotais.
  4. Ressurreição dos mortos.
  5. Instalação do reino do Messias e restauração do Reino de Israel às suas fronteiras primitivas das doze tribos, com o julgamento e destruição de Gogue rei de Magogue.
Enfim, todas as religiões contemplam direta, ou indiretamente alguma forma de fim de uma era injusta, conflitos entre povos e nações, juízo final, e distinção da salvação dos justos e de condenação de injustos. Todas estas percepções são resultantes do início dos tempos quando o conhecimento profético foi passado a um reduzido número de pessoas, em um espaço geográfico bastante reduzido e de modo oral. Com o tempo os grupos humanos - etnias - foram se multiplicando e se espalhando ao longo dos continentes. As antigas tradições orais foram sendo alteradas e cada um criou o seu próprio sistema escatológico. No livro "O Fator Melquisedeque" é abordado este aspectos da convergência de certas verdades sobre a tradição original chamada Toledoth.
Gloria in excelsis Deo!

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