domingo, 12 de setembro de 2010

O MISTÉRIO DA INIQUIDADE JÁ OPERA IV


I Co. 5: 9 a 13 - "Já por carta vos escrevi que não vos comunicásseis com os que se prostituem; com isso não me referia à comunicação em geral com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevo que não vos comuniqueis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem sequer comais. Pois, que me importa julgar os que estão de fora? Não julgais vós os que estão de dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai esse iníquo do meio de vós."
O mistério da iniquidade é tão antigo, como antigo é o mundo. Observa-se pelo texto paulino, que a Igreja, já se encontrava infiltrada pelos tais mistérios da iniquidade em Corinto. Vê-se também que a ordem de Paulo é clara: não se trata de separar-se do mundo, ou de não se comunicar com os pecadores não regenerados, trata-se, outrossim, de não agir como os tais pecadores. A oração de Cristo, como o sacerdote eterno, é que os seus não fossem retirados do mundo, mas que fossem libertos do maligno. Percebe-se no texto de abertura, que o problema é com os que se dizem "irmãos", os quais, na verdade, são escravos da iniquidade. Estes são como uma contradição, porque negam a regeneração por meio das suas práticas. Cristo afirma no evangelho de João, capítulo 8, que todo aquele que vive na prática do pecado é escravo do pecado. Estes a que se refere o apóstolo Paulo, não são pecadores sem a iluminação do evangelho, mas são os que, portando a iniquidade permanecem como se nascidos do alto fossem. Não há ponto de conciliação entre o nascimento do alto e a operação da iniquidade.
O mistério da iniquidade esteve, está e estará em ação no sentido em que algumas pessoas que se auto-intitulam cristãs, continuam com suas naturezas pecaminosas dentro das igrejas, sendo aclamadas como grandes virtuoses de Deus. Eles estão cristãos, mas não são cristãos, por que não ganharam a vida de Cristo. Isto se constitui em matéria de mistério iníquo, porque estas tais pessoas estão participando do corpo de Cristo sem ter morrido e ressuscitado com Ele, assim, negam a eficácia da morte e da ressurreição d'Ele em suas vidas conforme II Tm. 3: 5 e 7 - "... tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses... sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade." Na fé cristã genuína, não basta ter aparência! Há muitos casos em que a aparente superficialidade comportamental é apenas para obter a aceitação das outras pessoas e não porque houve, de fato, regeneração. O joio é, em quase tudo, semelhante ao trigo, entretanto, continua joio.
O nascido de Deus não sente prazer na iniquidade, e, portanto, esta não encontra nele permanente morada. O fato de alguém conhecer teologia, seguir regras comportamentais, preceitos cerimoniais e práticas de religião exterior, não o habilita e o promove a regenerado e filho de Deus. Aprender é uma capacidade apenas intelectual, porém poder chegar ao pleno conhecimento da verdade é dom de Deus. Uma coisa é a regeneração comportamental, outra é a regeneração espiritual. Aquela é possível até a um ateu, mas está é obra soberana, misericordiosa e graciosa de Deus. Quando alguém abandona o vício das drogas houve regeneração apenas social, mas quando alguém tem experiência de nascimento do alto houve regeneração espiritual. Não é a mudança moral o fator determinante da experiência espiritual, mas aquela é apenas decorrente desta.
Há uma série de práticas em "igrejas" ditas cristãs que mostram o quanto a religião é uma habilidade puramente humana. Entre elas se pode afirmar que há uma forte tendência à condenação das pessoas que não professam a crença defendida por tais "igrejas". Assim, os membros de uma determinada denominação não recebem e não consideram outros de outras denominações, porque acreditam que somente a sua "igreja" é autêntica. Fecham-se hermeticamente dentro dos limites da sua religião, considerando todas as demais como heréticas. Mal sabem que a heresia existe dentro de todas as religiões, considerando que a diversidade delas é causada por discordâncias nas interpretações das Escrituras. Desta forma consideram a adivinhação de uma cartomante, quiromante, necromante ou vidente como prática diabólica, entretanto se tais práticas forem de uma "irmã fulana de tal" são aceitas como dons e revelações de Deus. Ora, a origem do fenômeno é a mesma, a saber, o poder latente da alma. Deus não se utiliza destes métodos e expedientes para comunicar a verdade ao homem. As Escrituras são a revelação compendiada d'Ele, não sendo necessário mais nada a acrescentar, ou a retirar como fazem nas religiões. Hb. 1:1 - "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho..." O Filho Unigênito de Deus é Cristo, o qual fala, porque é Ele mesmo a Palavra, ou o Logos Eterno. Por ele, dele e para ele convergem todas as coisas no universo.
Há profunda diferença entre cometer erros por contingencialidades e circunstâncias externas, e ser devasso, avarento, idólatra, maldizente, beberrão, ou roubador. Aquele que é assim, o é por princípio e por natureza. Aquele que recai em alguns atos pecaminosos por fraqueza, por interferência de terceiros, porém contra os seus princípios e desejos, não é pecador por hábito. E ainda que o justificado cometa tais atos, Deus o levanta, porque Ele sabe que tais fatos ocorrem por razões contrárias ao espírito do regenerado. Enquanto o não regenerado comete a iniquidade por prazer, o regenerado comete atos pecaminosos, por viver em um meio tentador e contaminado pelo pecado. Os eleitos e regenerados têm arrependimento, os não regenerados têm apenas remorso. É como doutrina, genericamente, o apóstolo Paulo na carta aos Romanos, que, segundo De Vern Fromke: "fui liberto da culpa do pecado, estou sendo liberto da influência do pecado, e serei liberto da presença do pecado." Isto significa que, Cristo é o Cordeiro de Deus que retira o pecado do mundo, a saber, está purificando a natureza pecaminosa dos eleitos, afastando-os das influências externas do pecado, e os libertará definitivamente da presença da iniquidade, quando restaurar todas as coisas na Seu glorioso retorno.
Maranata!

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