setembro 26, 2021

RESITI AO DIABO E ELE FUGIRÁ DE VÓS

 

Tg. 4: 1 a 10 - "Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou pensais que em vão diz a escritura: o Espírito que ele fez habitar em nós anseia por nós até o ciúme? Todavia, dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes. Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos para Deus, e ele se chegará para vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de espírito vacilante, purificai os corações. Senti as vossas misérias, lamentai e chorai; torne-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará."
No capítulo quatro, verso seis do livro do profeta Oséias diz: "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos." Sabe-se por outros estudos que, conhecimento em termos escriturísticos, não é uma alusão ao conhecimento intelectual. Trata-se, entretanto, do conhecimento da natureza de Deus. Percebe-se com meridiana clareza, na sociedade contemporânea, um grande avanço no conhecimento intelectual e científico, porém, uma enorme regressão moral e espiritual. Tal situação leva à destruição qualquer pessoa por mais ou menos douto que seja.
O apóstolo Tiago inicia o texto indagando qual a origem das guerras e desentendimentos entre o povo. Por se tratar de uma pergunta retórica, ele mesmo dá as respostas: proveem dos prazeres, das cobiças, as quais levam aos homecídios e as invejas levam aos conflitos verbais ou físicos. 
O apóstolo também demonstra que os contenciosos não alcançam o que desejam, porque querem obter pelo mérito e justiça própria esmagando o direito dos outros. O texto mostra que se deve obter o que deseja pedindo àquele que tudo pode. Indica que, mesmo quando pedem, pedem apenas para autosatisfação e para ostentação. Estes usos dos bens possuídos exterioriza o quanto algumas pessoas necessitam o ter para se distuinguir daqueles que não têm. Isto provém do vazio da alma não regenerada, a qual tenta preenchê-lo com coisas. 
O texto prossegue demonstrando que tais atitudes são conforme a natureza dos infiéis, porque não vivem na dependência da graça do Altíssimo, mas sim com base naquilo que têm ou podem obter. Quando invertem a ordem das coisas acabam por declarar o amor ao mundo, ou seja, colocar suas esperanças e alegrias naquilo que se pode obter do mundo. Entretanto, em I Jo. 5:19 diz: "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." ora, assim sendo, quando se ama o mundo, isto é, deposita-se toda a esperança e a confiança naquilo que é obtido do mundo sem ser purificado por Deus, anda-se na conformidade do amor ao mundo que, aliás, está sob o controle provisório do Diabo. Logo, quem assim vive, não poderá nunca resistir ao Diabo. A resistência não é o resultado de algum esforço ou despenho dos eleitos, mas é proveniente da vida de Cristo que neles habita.
O texto ensina que é necessário ser fiel para estar em sintonia com a natureza santa de Deus. Os que são d'Ele recebem qualquer coisa com graça e gratidão, porque suas naturezas estão inclinadas para Ele. Por que o Espírito Santo que foi enviado aos nascidos do alto, ama com zelo e tem ciúmes dos filhos de Deus. Estes ciúmes são responsáveis pela disciplina de Deus sobre seus filhos conforme Hb. 12:6 - "... pois o Senhor corrige ao que ama, e açoita a todo o que recebe por filho." O homem impõe disciplina por vingança, Deus por amor.
Desta forma, a úncia maneira de resistir ao Diabo é recebendo o espírito de adoção, pelo qual se pode clamar, Abba, que, traduzido é papai, paizinho, conforme Rm. 8:15 - "Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!" A alegria e a esperança colocada na obtenção de coisas procedentes do mundo indica a qual espírito o homem está subordinado: de escravidão ou de adoção. Nenhum homem é filho natural de Deus. Apenas Cristo é o Filho Unigênito, e, depois da sua morte e ressurreição passou a ser também Primogênito dentre os mortos. Os demais homens eleitos e regenerados são filhos por adoção conforme Jo. 1:12 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus."
Portanto, a resistência ao Diabo não se faz com bravatas em nome de Jesus, com rituais exorcizantes, com orações escandalosas e gritarias, e, muito menos, com fidelidade à uma religião. Tal resistência não é do homem, mas do Espírito de Cristo que nele habita. Em I Jo. 5:18 mostra quem é o que não permite ao Diabo tocar nos nascidos de novo: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca."
Na experiência do novo nascimento, sua nova natureza purificada se torna intocável, conforme I Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Estar em Cristo é ter recebido a graça para crer que você foi incluído em sua morte e também em sua ressurreição. O ser uma nova criatura é ter sido gerado de novo, tendo a sua velha natureza e morta para Deus, incluída na morte com Cristo e recebendo a vida eterna, na ressurreição juntamente com Ele. Todo este processo se apropria pela fé. Não há qualquer envolvimento de esforço e desempenho com base no mérito e na justiça própria. O padrão de justiça do homem não pode substituir o padrão da Justiça de Deus em Cristo.
A sua nova natureza o levará a se humilhar e reconhecer quem realmente você é. Fará você ver  e entrar no Reino de Deus por antecipação conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus."
Sola Scriptura.
Sola Gratia.
Sola Fide.
Solus Christus.
Soli Deo Gloria.

maio 20, 2021

EM QUAL ADÃO VOCÊ ESTÁ?

 

I Co. 15:22 - "Pois como em Adão todos morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados."
Adão é o nome do ancestral comum da humanidade. A palavra hebraica para o nome do "cabeça federal de raça" é [אדם], que, transliterado é 'Adam'. Este substantivo próprio é proveniente da locução substantiva [אדמה] 'Adamah', a qual, significa 'terra cor de sangue." Contextualizando, o nome próprio Adão pode ser entendido como 'barro ou terra vermelha'. Isto indica que o primeiro homem foi feito do pó da terra e que tinha a tez corada ou avermelhada. Os nomes na antiguidade oriental, especialmente entre os semitas, possuíam significados intrínsecos às características externas do nomeado.
A expressão "cabeça federal de raça" não consta, ipsis literis, do texto bíblico, tanto quanto as palavras "trindade", "onisciência" ou "encarnado". Todavia, são implícitas no contexto de alguns textos. Adão foi estabelecido no Éden como o representante de todos os homens, visto que, todos eles estavam nele. Disto depreende que, Adão, não apenas, era o representante de si próprio, como também de toda a humanidade. Não era apenas um espécime biológico, mas também um ser moralmente responsável por trazer à existência toda a raça humana. Responsivo é alguém que é capaz de responder a uma ordem moral. Portanto, Adão trazia em si a responsividade perante Deus e perante a futura humanidade. O que acontecesse com ele, aconteceria a todos os homens por transmissão hereditária.
Adão e Cristo foram os dois únicos 'cabeças federais de raça'. Ambos representavam, legalmente, diante de Deus muitas outras pessoas. Adão representante inicial, responde por todos os homens dele vindos à luz da vida almática. Cristo, o último Adão, representante de todos aqueles a quem Deus lho confiou conforme Jo. 6:29 - "E a vontade do que me enviou é esta: que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia." Vê-se que é 'nenhum de todos aqueles...' e não todos os homens. Também a expressão: "que eu o ressuscite..." indica que é uma questão pessoal e não universal como pretendem os religiosos sem revelação.
Desta forma, no Éden, Adão era o representante legal de toda a sua posteridade; quando ele pecou, todos, que nele estavam, foram considerados pecadores; quando ele morreu espiritualmente, todos morreram nele. O apóstolo Paulo doutrina isto claramente em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." Neste sentido, é importante que se entenda o seguinte: o homem é pecador por natureza e não apenas porque comete pecados. Os atos pecaminosos são a consequência da prevalência da natureza pecaminosa herdada de Adão.
A economia divina presciente já havia providenciado a solução para a aniquilação do pecado no homem conforme II Tm. 1: 9 e 10 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho..." Vê-se que a provisão de Deus ocorreu "antes dos tempos eternos" e não após a queda no Éden. Também, a redenção é pelo evangelho e não por obras. Isto porque a fé vem pelo ouvir e o ouvir da palavra de Cristo.
Cristo é o último Adão, significando que ele encarnaria na raça adâmica para resgatá-la de si mesma. Também que ele morreria para matar a raça adâmica nos eleitos e regenerados. Este é o segredo guardado em oculto nos séculos conforme Ef. 3: 8 e 9 - "...as riquezas inescrutáveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus..."
Como o último Adão, Cristo se constituiu o último cabeça federal de raça daqueles que foram preordenados antes da fundação do mundo para serem conformados à semelhança d'Ele mesmo conforme Ef. 1:4 a 6 = "...como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado." O texto diz: "nos elegeu nele", significando que fomos escolhidos na pessoa de Cristo. Portanto, a inclusão do pecador eleito na morte e na ressurreição com Cristo é o segredo de Deus guardado em oculto por bilhões de anos.
O primeiro Adão era homem, mas o último Adão se fez homem, ainda que pré-existente como Deus. Cristo não tinha pecado, porque a natureza pecaminosa se transmite pelo DNA mitocondrial do homem. Como Jesus, o Cristo não foi gerado por meio da fecundação natural, logo, não trouxe a natureza pecaminosa. 
I Co. 15: 45 a 49 - "Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o animal; depois o espiritual. O primeiro homem, sendo da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial."
Em Adão o homem se torna apenas alma vivente, visto que o espírito está separado ou morto para Deus, por causa da natureza pecaminosa. Em Cristo, o homem é vivificado, isto é, tem o seu espírito reconciliado com Deus. Tal vivificação não é o resultado do desempenho por obras de justiça própria, mas por meio dos méritos de Jesus, o Cristo que nos apresenta diante de Deus irrepreensíveis, ainda que tenhamos cometido qualquer ato pecaminoso.
O primeiro Adão é animal, ou seja, movido apenas pela alma. É feito do pó da terra, portanto, terreno em todos os sentidos. Assim, todos os descendentes do primeiro Adão são exatamente como ele: decaídos e totalmente depravados. O segundo Adão transporta os pecadores eleitos e regenerados absolutamente semelhante a ele: justificados e irrepreensíveis diante de Deus. 
Em qual Adão você está? No primeiro ou no último?
Solo Christus.
Soli Deo Gloria.
Sola Scriptura.

abril 06, 2021

A ORAÇÃO BÍBLICA x A ORAÇÃO MÍSTICA III

 
Mt. 7: 7 a 12 - "Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem? Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas."
Há bases bíblicas para afirmar que existem uns dez tipos ou formas de orações. Serão apenas mencionadas ou listadas aqui sem entrar em pormenores:
  • Clamor
  • Súplica
  • Adoração
  • Ininterrupta
  • Ação de Graças
  • Dedicação
  • Cura
  • Libertação
  • Intercessão
  • Confissão
Partindo-se do fato que orar é falar, dizer ou conversar com alguém, em todos estes tipos supramencionados, o orador está se dirigindo a Deus. É como quando você expõe um fato, uma queixa, um pedido, uma confissão ou uma gratidão a uma pessoa específica. Não é necessário o orador assumir uma postura caricata. Não é pela gesticulação, expressão do rosto, elevação do tom da voz, pelas lágrimas ou outra coisa qualquer, que Deus se inclinará para ouvi-lo. Ainda que nenhuma destas atitudes ou todas elas ocorram no momento de oração, Deus estará, invariavelmente, ouvindo-o. Entretanto, quanto à resposta d'Ele, será sempre uma decisão com base apenas em sua exclusiva e soberana vontade. É ele quem tem a visão do todo, e, portanto, sabe o que convém a cada um. A visão do homem é parcial e circunstanciada pela necessidade condicionada pela emoção. Caso Deus atendesse todas as orações, tal como encaminhadas, talvez não houvesse mais homens vivos no mundo.
I Tm. 2:1 - "Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda a piedade e honestidade." Eis aí uma menção, quanto a alguns modos e razões para se dirigir a Deus. Observa-se que, o apóstolo Paulo, comunicando-se ao seu discípulo Timóteo, exorta-o a levar os crentes a suplicar, orar, interceder e render graças por todos os homens, pelas autoridades político-administrativas. O objetivo é para que Deus os controle, e, como consequência os crentes obtenham vida tranquila e sossegada. Ressaltando-se, a estes, que sejam piedosos e honestos. Raramente algum religioso ora destas maneiras e para tais finalidades. No geral, a maioria dos que oram, o fazem para seu próprio benefício e para satisfação dos seus próprios egos. 
Tg. 4: 3 e 4 - "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." O texto acima mostra, claramente, o porquê de os homens não receberem o que pedem. Pedir mal, neste caso, é pedir apenas para benefício próprio. Pedem para angariar benefícios materiais e obter ganhos de bens deste mundo e não do mundo vindouro que é eterno. Os nascidos de Deus, raramente, pedem algo a ele. Por suas naturezas conduzidas pelo Espírito Santo, mais agradecem do que pedem.
Hb. 4:16 - "Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno." Esta é a real finalidade das orações dos eleitos e regenerados: ganhar misericórdia e achar a graça. O momento da resposta de Deus é de acordo com a oportunidade proporcionada por Ele e não ao bel prazer do suplicante. Os nascidos do alto, possuem um modo específico de se achegar diante do trono de Deus: confiadamente. A confiança é a expressão concreta da fé. Quem não ganhou a fé nos termos de Hb. 11:1 chega abusivamente, dando ordens e exigindo de Deus aquilo a que não têm direito. Ninguém é ouvido por Deus, porque merece, mas sempre é pela graça e a misericórdia d'Ele. Segundo Philip Yancey, graça é "Deus fazendo tudo por quem nada merece" e misericórdia é "Deus não dando ao pecador aquilo que, de fato, ele merece."
O religioso jamais poderá entender, porque não pode crer, que Deus não vê o homem pecador. Ele os vê apenas por meio de Cristo. Por esta razão é que Cristo veio ao mundo, a saber, para tornar os pecadores eleitos e regenerados aceitáveis perante Deus. Sem revestir-se da justiça de Cristo, nenhum homem verá a Deus conforme Hb. 12:15.
Cl. 3: 1 a 3 - "Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus." Estas esplendentes realidades descritas acima tornam-se concretas quando o pecador crê na sua inclusão na morte de Cristo, e, consequentemente, na sua ressurreição, juntamente com ele. A consequência do novo nascimento é a busca pelas coisas que são de cima e não nos interesses puramente terrenos. A razão desta metanóia é o fato de terem morrido com Cristo e com ele ter ressuscitado. Por estas duas razões suas vidas estão ocultadas em Cristo, e, este, está assentado à direita de Deus. Onde ele está, também estão os seus justificados. 
Sola Gratia!

fevereiro 07, 2021

A ORAÇÃO BÍBLICA x A ORAÇÃO MÍSTICA II

 

Mt. 7: 7 a 12 - "Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem? Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas."
No tocante à oração, enquanto diálogo entre criatura e Criador, há, aparentemente, algumas contradições. Pois, enquanto em um texto diz que não se deve usar de vãs repetições, porque Deus conhece todas as necessidades antes de os homens pedi-las, outro texto diz que se deve insistir até que Deus responda. Todavia, as Escrituras não se contradizem. Tais contradições são devidas a falta de alcance espiritual da maioria dos homens, visto que não têm o espírito vivificado em Cristo. Quanto a ordem para pedir é dada aos que pedem conforme a vontade de Deus, enquanto a crítica aos que pedem repetitivamente se deve àqueles que não conseguem crer, e, portanto, repetem seus pedidos para tentar forçar uma resposta.
A maioria dos religiosos não crê que Deus os ouve, e, portanto, não obtêm as respostas que buscam. E, quando a resposta é o silêncio por longo tempo ou um não, tais pessoas revelam sua real natureza, ou seja, incredulidade. Como consequência disto debocham e põem em dúvidas a existência, o amor e a bondade de Deus. A incredulidade é parte integrante da natureza humana e se torna evidente ou revelada, quando seus desejos não são sancionados por Deus.
Quando alguém se apresenta perante o trono de Deus em oração, ele a recebe, invariavelmente, por meio da advocacia de Cristo, ou como filho por adoção por meio de Cristo. Portanto, seja alguém reconciliado ou irreconciliado, será representado ou apresentado por meio de Cristo. Deus é Espírito e só se comunica com aqueles que tiveram seus espíritos reconciliados, isto é, cuja natureza pecaminosa foi aniquilada na inclusão na morte e na ressurreição com Cristo conforme Cl. 1: 21 a 23 - "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro." É por esta razão que as Escrituras afirmam em Jo. 4:24 - "Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." Desta forma é necessário que o espírito morto para Deus seja vivificado em Cristo cf. Ef. 2:1; e a verdade que liberta verdadeiramente em Cristo seja inserida nos eleitos e regenerados cf. Jo. 8:36.
Assim como existe uma Graça abrangente a qual Deus dispensa sobre qualquer criatura, igualmente há uma oração universal, a qual qualquer homem pode fazer em circunstâncias adversas da vida. Entretanto, a oração dos justificados, a qual possui uma aproximação real com o trono de Deus conforme Tg. 5:16 - "Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação." Este ato de confissão dos pecados, nada tem a ver com a prática do confessionário de uma determinada religião nominal. Esta confissão é o pedido de perdão quando os eleitos e regenerados estão em conflito ou em falta uns com os outros. É necessário, primeiramente, se reconciliarem entre si, pois, do contrário, suas orações não chegarão ao trono de Deus. Isto é ensinado em Mt.5:23 e 24 - "Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta."
O texto que abre esta instância autoriza de modo imperativo o eleito e regenerado a pedir, buscar e bater perante o trono de Deus. Porém, o maior problema do homem é imaginar que, por esta razão, poderá solicitar qualquer coisa, porque está prometido. A oração que Deus responde é aquela segundo a sua vontade e não segundo a vontade do homem conforme I Jo. 5:14 - "E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve." Imagine que, caso Deus respondesse sem qualquer critério espiritual, provavelmente já não haveria ninguém vivo na Terra. Nas guerras se vê muito o representante da mesma religião abençoando as armas dos dois lados em conflito. Neste caso, as guerras teriam de dar sempre empate, não?
Por fim, a razão maior pela qual as orações não são respondidas de acordo com o desejo do suplicante é que estas contêm desejos apenas pessoais e egoístas conforme Tg. 4: 1 a 3 - "Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." Deus dispensa o seu favor para alimentar o homem decaído e contaminado pela natureza pecaminosa. Seria absolutamente contraditório com a sua santidade e justiça.
A primeira regra para que a oração seja respondida de acordo com a vontade de Deus está no versículo final do texto de abertura: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas."
Jesus, o Cristo é o advogado que representa os eleitos e regenerados em suas necessidades conforme Hb. 4:16 - "Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno." Vê-se que o socorro é no momento oportuno, não segundo a perspectiva de oportunidade do homem, mas da graça e da misericórdia de Deus. 
Sola Sciptura!

fevereiro 03, 2021

A ORAÇÃO BÍBLICA x A ORAÇÃO MÍSTICA I

 

Mt. 6: 1 a 8 - "Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes."
O verbo orar provém do latim 'orare', significando sempre proferir ou dirigir um discurso a alguém. Este verbo possui conotação espiritual apenas quando observa-se a sua transitividade.
Orar, enquanto verbo intransitivo, implica em fazer oração, discursar em público e falar em tom oratório. Porém, como verbo transitivo indireto significa dirigir oração ou suplicar em oração. Quando o verbo orar for transitivo direto, implica em pedir, suplicar, rogar e fazer prece. Finalmente, como verbo transitivo direto e indireto traz também o significado de pedir, suplicar e rogar. Desta forma vê-se que orar é sempre uma ação de uma ou mais pessoas dirigida a uma ou diversas pessoas. Lembrando-se que Deus é um ser pessoal e não uma energia cósmica ou uma ideia metafísica.
A maioria dos religiosos faz orações seguindo modelos apreendidos da religião a que pertencem ou por imitação de terceiros. Percebem-se tais modelos quando, ao orar, fecha os olhos, entrelaçam-se os dedos das mãos, levantam as mãos ao alto ou as coloca abertas em forma de receptáculo diante de si. Muitas pessoas, ao orar, entram em verdadeiras catarses, imaginando que, pelo muito esforçar-se, convencerão a Deus. Porém, as Escrituras não estabelecem qualquer formato, modelo ou layout de oração em termos de postura física. Ao contrário, diz que deve ser feita em secreto, pois Deus que está em secreto a ouvirá conforme Mt. 6:6 - "Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará." 
Jesus, quando orava erguia os olhos ao céu e falava com o Pai de forma muito simples, direta e confiante. Um desses registros está em Mt. 14:19 - "... tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou." No velho testamento acha-se um profeta orando de olhos abertos conforme Nm. 24:15 - "... fala Balaão, filho de Beor; fala o homem que tem os olhos abertos." Então, orar não é um exercício mental, meditativo ou psicológico originado da astúcia almática do homem. O texto bíblico afirma três coisas importantes: a) Deus não ouve a pecadores conforme Jo. 9:31 - "...sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém for temente a Deus, e fizer a sua vontade, a esse ele ouve." b) quem intercede interpretando a oração é o Espírito Santo conforme Rm. 8:26 - "Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis." E, c) Não sabemos orar conforme Lc. 11: 1 - "... Senhor, ensina-nos a orar..."
O texto que abre esta instância inicia-se dizendo que, aqueles que são eleitos e regenerados devem guardar-se de fazer boas obras diante dos homens para chamar-lhes atenção sobre si próprios. A oração é uma dessas boas obras! Em muitos casos o religioso se propõe a orar por alguém para demonstra alto nível de amizade ou consideração à outra pessoa. Em muitos casos julga que, se houver uma resposta positiva, ganhará pontos ou méritos aos olhos de outras pessoas ou perante o sistema religioso ao qual é servo. Isto poderá render-lhe fama, prestígio e privilégios. Sabe-se disto, pela forma e o conteúdo da oração do que assim procede. Não se trata de julgar aquele que ora, porém, o texto de abertura indica o caminho: "E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens." Orar movido pelo Espírito de Deus é uma coisa, orar para satisfazer preceitos, ritos e crendices é outra coisa.
O mesmo texto de abertura encerra dizendo uma verdade que muitos não conseguem compreender: as vãs repetições! A maioria entende, por conta própria, que tal erro se aplica às outras religiões as quais fazem rezas ou mantras repetitivas. Entretanto, o sentido vai muito além disto, pois, quando alguém se dirige a Deus em oração, seja para si próprio, seja para outra pessoa, basta uma única vez. O contrário disso é falta de confiança. A confiança é o resultado da pessoa que recebeu graça para crer na Soberania, Onipotência, Onipresença e Onisciência de Deus. Enquanto esta confiança não se manifesta no coração é porque ainda não ganhou fé que possa ser imputada por justiça ao molde de Abraão.
Sola Scriptura!

janeiro 29, 2021

PORQUANTO OS DIAS SÃO MAUS

 

Ef. 5: 1 a 16 - "Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Mas a prostituição, e toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos, nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm; mas antes ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto não sejais participantes com eles; pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (pois o fruto da luz está em toda a bondade, e justiça e verdade),  provando o que é agradável ao Senhor; e não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as; porque as coisas feitas por eles em oculto, até o dizê-las é vergonhoso. Mas todas estas coisas, sendo condenadas, se manifestam pela luz, pois tudo o que se manifesta é luz. Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus."
Existe uma diferença lexicográfica entre mal e mau. O primeiro termo é um substantivo masculino que indica aquilo que é nocivo, prejudicial, maléfico ou que prejudica ou fere; o segundo termo é um adjetivo o qual qualifica aquilo que causa mal, prejuízo ou moléstia. É quase imperceptível a diferença entre mal e mau, salvo, pela função gramatical de cada um. Entretanto, mais relevante do que a semântica dos dois tropos é a sua significação espiritual. Isto porque determina consequências eternas. 
A sociedade, desde tempos imemoriais, reputa o bem a Deus e o mal ao Diabo. Esta ideia fixa foi inoculada pela igreja no afã de prender ou sujeitar as pessoas sob o seu controle e falsa proteção. Nem sempre o que reputa-se como o bem é o bem e o que reputa-se como o mal é o mal. É como aquele adágio popular que diz: "há males que veem para bem." Inversamente, pode-se dizer: "há bem que vem para mal." Ainda hoje há aqueles os quais afirmam, categoricamente que, se alguém se afasta de uma igreja institucional, perde a comunhão com Deus. Não discernem estes cegos espirituais que existe profunda diferença entre a Igreja fundada sobre a Rocha Eterna e as igrejas fundadas por homens torpes e gananciosos. As Escrituras afirmam que Deus não induz ninguém ao mal conforme Tg. 1: 13 - "Ninguém, sendo tentado, diga: sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta." Assim, a tentação não provém de Deus, mas do próprio homem. O apóstolo Tiago explica, no contexto, a fonte da tentação que produz o mal no homem conforme Tg. 1:14 - "Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência." Então, fica evidente que são os desejos do coração do homem que o induz e conduz ao mal. Este mal é o que determina aquilo que é mau. O mal foi inoculado no homem quando este escolheu livremente entre ouvir a palavra de Deus ou ouvir a palavra do Diabo conforme Gn. 2: 16 e 17 - "Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Esta foi, portanto, a pregação de Deus. A prédica do Diabo afirma o seguinte, conforme Gn. 3: 4 e 5 - "Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." A diferença, portanto, está entre "certamente morrerás" e "certamente não morrereis." A palavra de Deus é uma sentença terminativa, enquanto a fala do Diabo é uma afirmação negativa. O propósito de Satanás era anular a palavra de Deus por meio de uma ilusão de autodeterminação do homem. Tal falsa autonomia provocaria a ruptura da comunhão entre Criador e criatura.
O texto que abre esta instância inicia-se imperativamente, dizendo que o cristão deve ser imitador de Deus como filhos amados por ele. E a consequência disto é andar em amor, semelhantemente, Cristo andou. Entretanto, este ensino não é para todos os homens, porquanto, todos pecaram e demitidos estão da glória de Deus conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Pecar, neste texto, não é uma referência ao cometimento de atos falhos, erros e deslizes morais. É, antes, ser controlado por uma natureza desligada de Deus e influenciada pelo Diabo. Isto é demonstrado por Deus antes do dilúvio conforme Gn. 6:5 - "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente." Veja, era toda a imaginação dos pensamento do coração e não apenas por algumas vezes ou momentaneamente. 
Desta forma, cometer atos pecaminosos é uma consequência da natureza pecaminosa. Portanto, o homem é pecador por natureza e não por atos primeiramente. Implica em que, o homem comete atos pecaminosos, porque possui uma natureza pecaminosa. É como a relação de causa e consequência. Enquanto esta fonte pecaminosa não é crucificada com Cristo e ressuscitada juntamente com ele, o homem não tem a sua situação espiritual alterada. O religioso sempre inverte tais ensinos bíblicos, porque não teve a sua mente renovada em Cristo conforme Rm. 12:2 - "E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." A não conformidade, isto é, tomar a fôrma deste mundo, não é um ato de livre escolha ou de justiça própria. É, antes, a ação da morte, na morte de Cristo conforme Gl. 2:20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Estar crucificado com Cristo não é uma metáfora utilizada por Paulo, mas é um ato de fé concedido pela graça. Isto implica em que o nascido de Deus crê que foi crucificado com Cristo e que com ele ressuscitou. É um ato de fé e a fé não é virtude humana, mas um dom de Deus.
O texto de base afirma que, por todos os atos e atitudes de maldade é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Isto porque há duas filiações no mundo: ou você é feito filho de Deus, ou você é filho da desobediência que provém do Diabo. Não quer dizer que aqueles são gente boa e estes gente má. Ambos nasceram sob a mesma natureza. A diferença é a eleição da graça para nascer de novo conforme Rm. 11: 5 e 6 - "Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça. Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça." Resumindo: a salvação é concessão de Deus e não mérito humano.
O texto de abertura termina dizendo que os dias são maus. Entretanto, as pessoas sempre julgam que tal maldade é sempre a dos outros. Não, não é. É de todos, porque todos são portadores da natureza pecaminosa onde reside o mal, e, consequentemente, o que é mau. O fato de alguém não praticar este ou aquele ato de maldade, não significa que não tenha natureza para tanto. O diferencial é quando esta natureza foi retirada na morte com Cristo e em sua consequente ressurreição. O nascido de Deus será tratado e aperfeiçoado em Cristo até o dia final. Nele, não há mais o império do mal, ainda que tenha capacidade para isto.
Por fim, Deus resolveu não mais ferir a Terra, por causa dos seus eleitos e regenerados conforme Gn. 8:11 - "Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: não tornarei mais a amaldiçoar a Terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer." A mudança de mente de Deus foi em função de alguns voltarem a adorá-lo e esperar no redentor que é Cristo.
Sola Gratia!

junho 15, 2020

LIVRE-ARBÍTRIO, UM FALSO "DEUS" ENTRONIZADO NO FALSO CRISTIANISMO

Jo. 8: 31 a 34 - "Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: sereis livres? Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
'Livre-arbítrio' ou 'livre-alvedrio' em Filosofia é a possibilidade de o homem decidir e escolher em função da própria vontade isenta de qualquer condicionamento, necessidade, motivo ou causa determinante. Bem, neste caso, esta possibilidade só se aplica a Deus, porque só ele é onipotente, onisciente e onipresente. Implica em que apenas Deus se basta a si mesmo. Ele não sofre qualquer motivo condicionante ou causa determinante externa à  sua vontade. Deus é Soberano, portanto, nada, nem ninguém além d'Ele próprio pode determinar ou gerar uma necessidade que o determine fazer ou deixar de fazer algo. 
Discutiu-se à exaustão o livre-arbítrio nas décadas de 1950 e 1960, pelos existencialistas. Após esta época, o Existencialismo entrou em crise, visto que seus pensadores se depararam com o mal moral na sociedade. Não acharam uma saída para justificar o livre-arbítrio ou livre-alvedrio. Esta realidade está posta no Mito de Sísifo de Albert Camus. Esta é uma questão de natureza dada ao homem. Não é possível fazer escolhas absolutamente livres. Quando não se pode escolher livremente, também não se pode julgar ou arbitrar livremente. Logo, ninguém é absolutamente livre ou autônomo. Toda escolha é condicionada a uma necessidade determinante.
A doutrina do livre-arbítrio procede de um ensino muito antigo e anterior ao próprio Cristianismo. Trata-se do Gnosticismo, a saber, a crença que a gnose é capaz de estabelecer, no homem, a capacidade de decidir e escolher autonomamente. O objetivo dessa doutrina era e ainda é afirmar que o homem é o seu próprio 'deus'. Já no primeiro século da Era Cristã, tal doutrina penetrou na Igreja Primitiva por meio do Helenismo. Nos escritos do apóstolo Paulo percebe-se que ele combateu este ensino disseminado pelos cínicos, epicureus, céticos, ecléticos, estoicos, hedonistas, cerintianistas e arianistas.
O Cinismo foi fundado por Antístenes, discípulo de Sócrates, em Atenas por volta de 400 a. C. A essência desta escola filosófica foi o desprezo àquilo que a sociedade dominante considera valor e valorização da simplicidade do viver. Diógenes foi a expressão máxima do cinismo. Atribui-se a ele a seguinte máxima: “faço festa aos que me dão alguma coisa, lato contra os que não me dão nada e mordo os celerados.”
O Epicurismo foi fundado por Epicuro que viveu entre 341 e 271 a. C. Esta escola ensinava a busca do prazer, porém como uma fuga da dor e não como entrega às paixões. Para os epicureus, a busca pelo prazer é uma virtude, pois viam a dor como o mal. O prazer, neste caso, ocorre quando o homem supera as paixões. Ou seja, o importante é se sentir bem e feliz. Acaso não é este o modo de pensar de diversas pessoas ainda hoje?
O Ceticismo foi fundado por Pirro no século IV a. C. Tal escola ensinava que a sabedoria consiste em buscar o conhecimento e não a verdade. Para os céticos as coisas “são igualmente sem diferença, sem estabilidade, indiscriminadas; logo nem nossas sensações nem nossas opiniões são verdadeiras ou falsas.” Este pensamento persistiu até o século VII d. C. E, de certa forma, ainda é bastante persistente na natureza humana.
O Ecletismo não teve um fundador específico, mas aglutinava um conjunto de pensadores na Grécia Antiga. Os ecléticos opunham-se aos céticos e afirmavam que a verdade não se limita a um sistema filosófico apenas. Para os ecléticos o desacordo dos filósofos deve-se ao fato que, não podendo a fraca mente humana abarcar toda a verdade com um só olhar, um filósofo limita a sua investigação a um aspecto e outro filósofo a outro aspecto. Assim, estudando aspectos diferentes da realidade é natural que cheguem a conclusões diferentes. Por isso, para se chegar a uma compreensão adequada das coisas, não se deve confiar em um só filósofo, mas é necessário reunir as conclusões das pesquisas dos melhores entre eles.
O Estoicismo foi fundado por Zenão de Cicio, o qual viveu entre 335 a 264 a. C. Esta escola caracterizou-se por pregar grande austeridade no modo de viver. Para os estoicos a vida de um homem sábio deve ser pautada por uma ética de imperturbabilidade, anulação das paixões e resignação diante do destino. Exerceu grande influência na ética cristã por muitos séculos. 
O Cerintianismo fundado por Cerinto, um gnóstico judeu do 1º século d. C. foi apontado pelos cristãos primitivos como sendo uma heresia. Ele negava a divindade de Cristo, e, também, que Deus fosse o criador do mundo físico. Cerinto ensinou numa época em que a relação do Cristianismo com o Judaísmo e com a Filosofia grega não estavam ainda muito claras.
O Arianismo foi fundado pelo bispo Ário presbítero de Antioquia. O arianismo era antitrinitariano, ou seja, negava que Deus fosse três pessoas distintas e negava a divindade de Cristo. Santo Atanásio combateu o arianismo como heresia, tendo sido o único até que se provou estar com a verdade. Atanásio usou o seguinte argumento: "Deus só é o pai, porque é o pai do Filho." Parece simplista, mas é altamente lógico, visto que todos os outros homens são apenas criaturas de Deus e não filhos.
O elemento Gnóstico de todas estas escolas filosóficas consiste em que o homem deve buscar e crer que pode estabelecer padrões comportamentais ou morais em busca da verdade. Entende-se verdade, do ponto de vista filosófico, como encontrar a felicidade e o bem-estar. Não a redenção da natureza contaminada pelo pecado e seus consequentes atos pecaminosos. De todos estes pensamentos, conclui-se que o 'modus vivendi' e o 'modus operandi' da sociedade moderna apresenta um pouco de cada um deles. Tais ideias gnósticas foram sendo incorporadas lenta e gradativamente em diversos setores da vida, chegando até os púlpitos das igrejas cristãs nominais da atualidade. 
O texto que abre este estudo é uma resposta ao livre arbítrio como uma crença ou crendice desprovida de fundamentos espirituais. Ao dizer aos líderes religiosos que "todo aquele que comete pecado é escravo do pecado", Jesus, o Cristo colocou todos debaixo da impossibilidade de fazer escolhas livres. Quem é escravo da natureza pecaminosa não é livre, se não é livre, não pode fazer escolhas livres. O que a maioria das pessoas confunde é que, escolhas naturais ou mecânicas que o homem pode fazer, não são escolhas espirituais. São escolhas apenas funcionais. Estas são apenas mecanismos funcionais para protegê-lo e garantir-lhe sobrevivência no mundo contaminado pelo mal. A alma decaída ilude o homem sobre ter autonomia para escolher, inclusive, escolher rejeitar a graça de Deus. Ora, quando alguém rejeita a Graça e a Misericórdia de Deus é porque não pode recebê-las. Não pode receber, porque está morto espiritualmente e não porque decidiu não recebê-las. Isto é confirmado em Rm. 3: 10 e 11. A gravura ilustrativa desta página mostra uma vaca sendo conduzida ao matadouro. Ela pode escolher entre a entrada à sua direita ou à sua esquerda, porém, ambas conduzem-na para o abatedouro. Por exemplo, qual o nível de escolha do homem sobre a certeza da morte? 
Diante do exposto, algum legalista poderia dizer: mas a Bíblia fala sobre livre arbítrio. Não, na verdade, não fala. São os exegetas de meia boca que tomam dos textos bíblicos e os transformam nesta falsa doutrina. Os tais citam, por exemplo, Dt. 30:19 - "O céu e a Terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência." O texto faz referência ao povo de Israel, quando retornava do cativeiro de 430 anos no Egito. Logo, não se trata de um texto soteriológico, mas de um texto histórico de Israel na "terra prometida." Este é o perigo de usar textos históricos como espirituais e vice-versa. A própria História de Israel mostra que, na maior parte das vezes, o povo escolheu o erro e a destruição. Não se trata de escolha espiritual, mas de escolhas naturais, morais e de sobrevivência no mundo. E, até estas escolhas, são sempre condicionadas pelas necessidades e pelos determinantes da natureza decaída e pecaminosa.
O desejo que foi inoculado no homem por Satanás persiste em sua alma até que este seja justificado em Cristo. O fundamento está em Gn. 3: 4 e 5 - "Disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Esta é, pois, a origem do livre arbítrio, uma ilusão colocada no coração do homem que o levou à corrupção, decadência e ruína. Foi para reconciliá-lo e justificá-lo que Jesus, o Cristo se tornou homem, morreu e ressuscitou. Enquanto o portador da natureza decaída não crer que foi incluído na morte de Cristo, não possui qualquer compreensão do que seja o livre-arbítrio. Possui, apenas a ilusão de que pode fazer escolhas livres. Tais escolhas, são, de fato, o que se chama de servo-arbítrio, porque são condicionadas à natureza escravizada pelo pecado. Por esta razão Cristo disse aos iludidos com a falsa autonomia: "... conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."
Sola Gratia!

junho 11, 2020

SEM REVELAÇÃO NÃO HÁ CONHECIMENTO DE DEUS

Mt. 16: 13 a 17 - "Tendo Jesus chegado às regiões de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles: uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus."
Revelação é um substantivo feminino que traz as seguintes significações: 1. Ato ou efeito de revelar(-se). 2. Entre os cristãos, ação divina que comunica aos homens os desígnios de Deus e a verdade que estes envolvem, sobretudo através da palavra consignada nos livros sagrados. 3. A doutrina religiosa revelada, por oposição àquela a que se chega pela razão apenas.  
É necessário esclarecer que há diversas acepções para o substantivo revelação. Entretanto, a que importa neste estudo, é aquela que se relaciona ao desvendamento das Escrituras ao espírito humano. Revelação, no sentido aqui tratado, não é apenas o saber ou o conhecimento cognitivo acerca dos textos sacros. Trata-se de um conhecimento dado pelo Espírito Santo conforme Jo. 16:13. Logo, nada tem a ver com conhecimento hermético, ou seja, hermetismo ou hermeticismo que é o estudo e a prática da filosofia ocultista e da magia associados a escritos atribuídos a Hermes Trismegisto. Este tal Hermes Trimegisto é uma falsa deidade sincrética que combina aspectos do 'deus' grego Hermes e do 'deus' egípcio Thoth. De fato, tal divindade nunca existiu, sendo apenas um homem que se auto-proclamava 'deus'.
O simples saber acerca da existência de Deus, de religião, de Jesus, o Cristo, da Bíblia ou de qualquer misticismo, nada tem a ver com revelação espiritual. O mero saber acerca das realidades espirituais não torna uma pessoa espiritualizada e espiritual. No máximo, a torna espiritista, a saber, praticante de cultos ou crenças em espíritos. As Escrituras não tratam dessa natureza de crença, porque não são ensinos procedentes de Deus. 
Então a quem é destinada a verdadeira revelação? A natureza da verdadeira revelação é dada àqueles cujos espíritos, antes mortos para Deus, agora foram vivificados por meio da inclusão da sua morte, na morte de Cristo. Isto é doutrinado em Ef. 2: 5 e 6 - "... estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus ..." Este processo é denominado, no Novo Testamento, de "novo nascimento." Isto está ensinado em diversas partes das Escrituras, como por exemplo, em I Co. 15:22 - "Pois como em Adão todos morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados." Obviamente que os 'todos" vivificados em Cristo, não são todos os homens. São aqueles todos conhecidos de antemão, predestinados, chamados, justificados e glorificados conforme Rm. 8: 29 e 30.
A revelação é, antes de tudo, uma ação monérgica, ou seja, ação direta e irrevogável de Deus. Um dos casos que retrata a verdadeira revelação é citado no texto que abre este estudo. Verifica-se no referido texto que, após a interrogação de Jesus, os discípulos responderam de acordo com o que haviam ouvido: "... uns dizem que és João, o batista, outros Elias, outros Jeremias ou mesmo algum dos profetas." Vê-se que se trata de um saber difuso e conseguido por meio meio do senso comum ou pela mão de terceiros. Não havia a revelação única e de origem divina. Eram apenas opiniões de acordo com as percepções humanas e a lógica do senso comum. 
Observa-se que Pedro confessou exatamente quem era Jesus, porque isto não foi o resultado da sua concepção ou percepção almática. Foi-lhe dado como revelação espiritual. Quem diz isto é o próprio Jesus, o Cristo: "Disse-lhe Jesus: bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus." A revelação almática, ou seja, da carne e do sangue é aquela elaborada segundo a percepção da alma, dos conhecimentos analíticos e comparativos do próprio homem. É um saber intuitivo e fundamentado na lógica material ou percebida pelo intelecto humano. 
Jo. 17:26 - "... e eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer ainda; para que haja neles aquele amor com que me amaste, e também eu neles esteja." Neste texto, Jesus, o Cristo afirma que ele fez os discípulos conhecer o nome de Deus. Não se trata aqui de um conhecimento intelectual do nome próprio de Deus, mas do conhecimento do ser d'Ele. Não é como Deus se chama, mas de quem ele é. É este conhecimento que liberta conforme Jo. 8:32 - "e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." Não se trata apenas de uma libertação de erros, fraquezas e delitos praticados pelo homem, mas a libertação de quem o homem é sem a vida de Cristo. Sem Cristo, o homem é decaído, ou seja, morto para Deus.
Ap. 1:1 - "Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João." Neste contexto, não se trata apenas de uma sequência acerca de eventos que aconteciam, e iriam acontecer, mas da revelação da pessoa de Jesus, o Cristo. Ao ler todo o capítulo 1 de Apocalipse fica muito claro que se trata da demonstração de quem é ele. Deus mostrou a Cristo o que ele é, o que fez, e o que faria e, este, mostrou aos seus servos, por meio do anjo que as notificou a João, que as escreveu para registro às novas gerações.
Em alguns segmentos do cristianismo nominal ou histórico há algumas pessoas que se autodenominam profetas. Reivindicam para si determinados dons espirituais. Entretanto, sempre buscam ou se autoproclamam portadoras apenas dos dons que lhes confere notoriedade. Nenhum tem o dom de cuidar dos necessitados. O pior, neste caso, é o fato de estas pessoas enganadas se posicionarem como os portadores de um conhecimento esotérico. É como se apenas eles fossem os iluminados aos quais Deus faz alguma revelação exclusiva. Ora, toda a revelação de Deus já foi compendiada. Isto está doutrinado claramente em Hb. 1:1 - "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo."
Sola Scriptura!

maio 31, 2020

LUZ OU TREVAS?

Mt. 6: 22 e 23 - "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!"
O senso comum leva a maioria das pessoas ao entendimento de que luz é algo místico. Concluem estas mesmas pessoas que alguns são portadores desse tipo de luz, a saber poder sobrenatural. Imagina-se, erroneamente, que se trata de um dom concedido pelas forças do além a seres especiais. Esta visão foi imposta pela cultura e doutrina gnóstica, a qual se infiltrou no cristianismo histórico desde o primeiro século da era comum. Que algumas pessoas possuem certas habilidades é verdade, porém, são apenas poderes latentes da alma. Nada a ver com Deus ou qualquer outro ser do mundo espiritual.
No entanto, já foi dito que luz, é, em sentido denotativo, um fenômeno físico da esfera da óptica; e, no sentido conotativo, é conhecimento da esfera espiritual e apenas concernente a Deus. Aparece, tanto no velho, quanto no novo testamento, significando o conhecimento de Deus e do seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos. Conhecer Deus é um processo posterior a experiência do novo nascimento. Antes dessa experiência, o que ocorre é apenas uma espécie de saberes ou informações acerca de Deus, Jesus, Bíblia, Religião etc. Saber acerca de algo ou alguém não significa o real conhecimento destes. No Novo Testamento há duas palavras distintas para 'saber' e para 'conhecer'. Saber é [εἰδέναι] que transliterado para caracteres latinos é 'eidenai'. Enquanto, conhecer é [γινώσκειν] que transliterado grafa-se 'gnoskein.' Por exemplo, em Mt. 26:70, Pedro, ao ser questionado sobre pertencer ao grupo de Jesus disse: "... não sei o que dizes." Neste caso, Pedro utilizou-se do verbo saber, no sentido de não ter informações ou saber nada sobre Jesus, o Cristo. Por outro lado, quando Jesus foi confrontado pelos religiosos em Jo. 5:42, Jesus disse-lhes: "... mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus." 
Grande parte das pessoas é levada para o seio de uma ou outra crença por razões emocionais ou pressionada pelas circunstâncias da vida. Por esta razão tem apenas um saber informativo e superficial sobre questões espirituais. Com o tempo estas pessoas começam a sentir-se de uma das duas formas: a) acomodadas, porque não querem sair da zona de conforto, tradições familiares, relações sociais e aceitação pessoal; b) incomodadas, inquietas e insatisfeitas, porque não veem qualquer progresso em suas vidas. Não vivenciam aquilo que leem nas Escrituras. Seus erros, fraquezas e deslizes as confrontam com o padrão bíblico de espiritualidade e verdade. Em ambos os casos tal pessoa é apenas um religioso que, por vezes, torna-se cínico e legalista; por vezes, torna-se faccioso, crítico e juiz dos outros. Neste ponto, tais religiosos, ficam pulando de crença em crença em busca de paz e solução de seus dramas almáticos.
O texto que abre esta instância de estudos é o mesmo registrado no evangelho de Lucas do estudo anterior. A diferença é que Mateus captou um pouco mais o que Jesus ensinava. O ensino é que, se a pessoa é nascida de novo e vê pelas lentes da verdade, tanto faz para as circunstâncias estarem boas ou ruins. Tudo estará sendo visto pela ótica da vida de Cristo que nela está. Por outro lado, se a pessoa não é nascida do alto, tudo o que ela percebe, vê e sente será tenebroso, ruim e desagradável. Estará sendo guiada apenas pela luz própria.
Jesus, o Cristo termina o seu ensino afirmando que, se a pessoa subsiste apenas com a sua luz, está de fato em grandes trevas. Ora, isto se dá pelo fato de a luz própria do homem não tem qualquer relação com a luz procedente de Deus. A natureza pecaminosa desliga o homem natural de Deus. Tal pessoa é conduzida pela alma, e, portanto, age pela luz almática. Por esta razão se tornam altamente sensíveis às circunstâncias. Esta é a razão de tantas pessoas serem bipolares, infelizes e chatas. Elas mesmas não se suportam, consequentemente, não suportam mais ninguém. Não fossem as amarras da lei e os contra-pesos da sociedade, a humanidade já teria praticado auto-extinção.
Jo. 1: 1 a 5 - "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela." Este texto explica e esclarece a origem da luz verdadeira que não é um fenômeno físico, nem uma sensação mística, mas uma pessoa. O verbo é uma referência à Cristo como o verbalizador ou a palavra de Deus que se comunica com a humanidade. Vê-se que o Verbo é o próprio Deus. A vida de Cristo é eterna e perfeita, portanto é luz, a saber, conhecimento puro, pleno e perfeito de Deus. Cristo se encarnou no homem histórico Jesus para que a Palavra de Deus fosse comunicada ao homem decaído e morto para Ele. 
Jo. 9: 4 e 5 - "Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo." O ensino é literal. Cristo é a própria luz, ou seja, ele mesmo é o conhecimento que alguém pode obter de Deus. 
Desta forma, o texto de abertura termina dizendo: "se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!" A mensagem é que, se você é guiado por seu próprio entendimento sobre a verdade, você está nas trevas, porque o homem natural possui apenas o saber e não o conhecimento de Deus. Então, o Cristo maximiza, dizendo que, neste caso, são grandes trevas.
Sola Scriptura!

maio 29, 2020

QUE LUZ HÁ EM TI?

Lc. 11: 33 a 36 - "Ninguém, depois de acender uma candeia, a põe em lugar oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz. A candeia do corpo são os olhos. Quando, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, quando forem maus, o teu corpo será tenebroso. Vê, então, que a luz que há em ti não sejam trevas. Se, pois, todo o teu corpo estiver iluminado, sem ter parte alguma em trevas, será inteiramente luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplendor." 
Luz é um fenômeno físico do campo da óptica, enquanto fenômeno natural ou artificial. É o único fenômeno que não pode ser poluído por qualquer outro fenômeno. Hoje sabe-se que a luz possui comportamento duplo: é onda e é partícula. A luz é, portanto, um fenômeno eletromagnético e se propaga no espaço, segundo a física einsteniana, a 300.000 km/s. A frequência da luz visível, a olho nu, é chamada de espectro. Nosso olho possui a capacidade de enxergar a luz apenas no intervalo de 4,0 a 7,5 Hz de frequência. Fora desse intervalo prevalecem as frequências ultravioleta e infravermelha. Quando um bebê nasce, basicamente, não enxerga nitidamente. As células fotoelétricas dos seus olhos necessitam da luz para serem estimuladas e permitir a visão.
Entretanto, não é o fenômeno luminoso natural que nos importa neste estudo. Na Bíblia, quase sempre, a palavra luz significa conhecimento e não fenômeno óptico. A palavra neotestamentária para luz é [φῶς] que transliterado grafa-se 'fôs'. Tanto no grego, quanto no hebraico veterotestamentário, a palavra luz significa conhecimento. Claro! Quando o contexto não denota luz como fenômeno natural ou óptico. Acrescenta-se que, o sentido de conhecimento em termos bíblicos, não se refere ao conhecimento intelectual ou científico. Trata-se de um conhecimento na esfera espiritual. Também, as Escrituras diferenciam o simples saber do conhecimento. São questão distintas, sendo aquele apenas superficial e informacional, e, este, profundo e significativo.
No texto que abre este estudo, Jesus, o Cristo aborda, tanto o sentido denotativo enquanto óptico, quanto o sentido conotativo da luz enquanto conhecimento. Quando se refere ao fato de alguém acender uma candeia e colocá-la escondida debaixo de um alqueire, está falando de luz como elemento de iluminação de um ambiente. Ele se utiliza da comparação para mostrar que ninguém, uma vez iluminado pelo verdadeiro conhecimento oculta-o. Depois o Mestre discorre sobre a forma em que o homem estabelece ou não os seus juízos sobre a realidade. Logo, é pelo que se vê que se faz o juízo do conhecimento ou da ignorância. Quando se vê pela luz do conhecimento verdadeiro, o seu discernimento será bom; quando se vê pela luz da ignorância, seu discernimento e atos serão maus. E qual é o conhecimento verdadeiro? Cristo responde em Jo. 8:32 - "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." A verdade não é um conceptismo filosófico ou epistemológico, mas uma pessoa, a saber, o próprio Cristo. Ele mesmo é a luz verdadeira que alumia a todo homem conforme Jo. 1:9 - "Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo." Este é o registro do apóstolo João, mostrando que João, o batista estava anunciando a chegada de Cristo.
Entretanto, o Mestre levanta um questionamento: "vê, então, que a luz que há em ti, não sejam trevas." O que ele está inquirindo é: você tem luz própria ou luz espiritual? A luz que guia o seu discernimento e juízos são originadas do conhecimento verdadeiro, ou da luz natural do homem? Não é necessária qualquer extrapolação para verificar este ensino, pois ele mesmo diz que, "... se todo o teu corpo estiver iluminado..." Estar iluminado implica que a luz não é própria, mas vem do alto. É como a candeia colocada no ponto mais alto da casa para iluminar todo o ambiente. Então, é possível que o homem utilize da sua própria sabedoria como se fosse conhecimento verdadeiro. Porém, o apóstolo Tiago esclarece que a sabedoria humana é três coisas: terrena, almática e diabólica conforme Tg. 3: 13 a 15 - "Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." É o mesmo ensino de Jesus, o Cristo. O homem que recebe a luz do alto tem o procedimento típico de quem é iluminado. Já o que anda por sua própria luz, tem como resultado um procedimento tenebroso e voltado para si. Ele termina mostrando a diferença entre agir pela sabedoria que do alto vem e a sabedoria terrena, animal e diabólica. Lembre-se que a palavra 'animal' no texto grego é 'psikê', a saber, alma. Então, fica evidente que, aqueles que são guiados pelo espírito iluminado por Deus têm a sabedoria do alto; aqueles, no entanto, que se guiam por suas almas, têm a sabedoria diabólica. Ora, considerando que todo homem herdou a contaminação do pecado, logo, todos são espiritualmente mortos para Deus. Vivem e sobrevivem da sua própria luz que, segundo Jesus, o Cristo, são trevas.
Muitas pessoas são bem dotadas de conhecimento intelectual, têm habilidades para os negócios, são bem-sucedidas financeiramente, são bem relacionadas socialmente. Estas pessoas, geralmente, creditam tais coisas a uma luz própria ou um poder especial que possuem. Entretanto, e a despeito de todo o bem que tais coisas proporcionam social e materialmente a qualquer pessoa, o fato é que são obtidas pelas trevas, ou seja, a luz que há no próprio homem. Tais vitórias e progressos não servem como padrão meritocrático e justificador do homem decaído e morto para Deus. Em muitos casos, por questões culturais, algumas pessoas atribuem tais vitórias a Deus. Porém, o fazem por uma questão de costume ou religiosidade. 
Finalmente, pergunta-se: e a luz que há em ti, é procedente de quem?
Sola Gratia!