agosto 24, 2013

MAIS SÃO OS QUE ESTÃO CONOSCO QUE OS QUE ESTÃO COM ELES

II Rs. 6: 12 a 18 - "Ora, o rei da Síria fazia guerra a Israel; e teve conselho com os seus servos, dizendo: em tal e tal lugar estará o meu acampamento. E o homem de Deus mandou dizer ao rei de Israel: guarda-te de passares por tal lugar porque os sírios estão descendo ali. Pelo que o rei de Israel enviou àquele lugar, de que o homem de Deus lhe falara, e de que o tinha avisado, e assim se salvou. Isso aconteceu não uma só vez, nem duas. Turbou-se por causa disto o coração do rei da Síria que chamou os seus servos, e lhes disse: não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de Israel? Respondeu um dos seus servos: não é assim, ó rei meu senhor, mas o profeta Eliseu que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que falas na tua câmara de dormir. E ele disse: ide e vede onde ele está, para que eu envie e mande trazê-lo. E foi-lhe dito; Eis que está em Dotã. Então enviou para lá cavalos, e carros, e um grande exército, os quais vieram de noite e cercaram a cidade. Tendo o moço do homem de Deus se levantado muito cedo, saiu, e eis que um exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros. Então o moço disse ao homem de Deus: ai, meu senhor! que faremos? Respondeu ele: não temas; porque os que estão conosco são mais do que os que estão com eles. E Eliseu orou, e disse: ó senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu. Quando os sírios desceram a ele, Eliseu orou ao Senhor, e disse: fere de cegueira esta gente, peço-te. E o Senhor os feriu de cegueira, conforme o pedido de Eliseu."
A verdadeira fé foge total e absolutamente aos padrões sensoriais do homem comum. A fé genuína crê sem necessitar ver e independe das circunstâncias, exatamente, porque nela se vê o invisível e possibilita o impossível conforme Rm. 4:17 - "... como está escrito: por pai de muitas nações te constituí perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem."  Na fé verdadeira o homem vê com os olhos de Deus e crê com a fé d'Ele. É Deus quem traz à vida o que está morto e chama à existência aquilo que não existe como sendo real e presente. Por esta razão é errado falar que se tem fé em Deus. O correto é ter a fé de Deus dentro de si, ou seja, crer como Deus ou pela fé de Deus. Esta fé não é um estado de alma, um ânimo e um esforço da mente. Ela é a vida de Cristo nos nascidos de novo, porque o reino de Deus está entre e dentro dos eleitos e regenerados.
A falsa fé, a saber, as expectativas e esperanças puramente humanas seguem o padrão sensorial. Esta fé é o subproduto da ação almática, ou seja, é apenas a expressão daquilo que o homem sente e deseja que se realize em sua alma. Muitos transitam por estes caminhos com base apenas nos poderes latentes da alma. Tais poderes são produzidos pela força da mente em comunicação com a alma que, contaminada pela natureza pecaminosa, pretende ocupar o lugar do espírito que está 'morto' para Deus. Quando o homem ainda estava sem a culpa do pecado, o seu espírito era ligado ao Espírito Santo e em volta do seu corpo havia uma espécie de glória divina que o revestia e capacitava a discernir tudo. Entretanto, com o advento do pecado esta glória foi destituída conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." A alma que é uma das três partes de que se constitui o homem formado por Deus, assumiu o controle das decisões, volições e desejos. Por esta razão muitos religiosos assumem que certas manifestações são de origem divina, enquanto as mesmas têm a sua origem na alma do próprio homem. Imaginam que estão diante de milagres e de bênçãos originados em Deus, entretanto, estão diante de algo produzido pela natureza pecaminosa e, Deus, não tem parte nisto. Esta é a ilusão que cega os pecadores religiosos conforme II Co. 4:4 - "...nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." O "deus" deste século é Satanás, pois ele não pode ser "deus" eterno e infinito. Por esta razão Jesus ensina que se a luz que há no homem é a sua luz própria, quão grandes trevas são. O que para o homem decaído parece ser luz e revelação, para Deus é escuridão e ignorância da verdade. 
O texto de abertura provém do contexto em que o rei da Síria tentava conquistar o reino de Israel. Acontece, no entanto que, todas as vezes em que organizava uma campanha e enviava suas tropas, o rei de Israel era avisado e conseguia escapar da emboscada. Incomodado, o rei da Síria perguntou quem dentre o seu exército estava passando informações ao rei de Israel. Então foi informado que não havia traidor, mas que um certo profeta judeu antevia os seus movimentos e avisava ao rei de Israel. Diante de tal revelação o rei da Síria mandou um grande exército e muitos carros de guerra para capturar o profeta Eliseu. Cercou a cidade de Dotã, onde o profeta se achava, com seus exércitos durante a noite. Ao se levantar bem cedo o pajem, ou seja, o ajudante do profeta viu as tropas sírias sitiando a cidade. O moço correu atordoado para avisar ao profeta que a cidade estava cercada. A reação do rapaz foi a de todo homem que não tem os olhos espirituais abertos: "o que faremos?" Em termos simplificados o profeta lhe disse: 'não faremos nada, pois os exércitos de Deus são bem mais numerosos e estão ao nosso redor com cavalos e carruagens de fogo.' É este nível de fé que não se vê nos círculos religiosos de hoje.
A falsa fé conduz sempre o homem que não nasceu do alto a operar resultados em seus próprios esforços. O homem nascido de Deus não realiza nada, mas crê que os exércitos de Deus estão ao seu redor, ainda que não sejam vistos pelos olhos carnais. Isto porque só se vê bem com os olhos espirituais conforme I Co. 2:14 - "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." É nesta angústia que muitos religiosos sinceros não conseguem ver o que Deus faz, porque esperam ver sinais em si mesmos das melhoras espirituais. Ora, em matéria de fé, ou se crê, ou não se crê. Não há sinais para provar a fé, fosse assim seria apenas ciência e não fé. Ciência é aquilo que exige comprovação do fenômeno por experiência visível, sensível e comprovável. A fé se fundamenta no crer para ver e não no ver para crer como se vê por aí.
O profeta Eliseu orou ao Senhor Deus e fez dois pedidos: que os exércitos assírios perdessem a visão da realidade. E que o rapaz, seu auxiliar, tivesse os olhos do espírito abertos para ver o quão poderosos são os exércitos celestiais que Deus põe ao redor dos seus filhos. 
Sola Fides!!!

agosto 12, 2013

QUANDO GANHAR É PERDER E PERDER É GANHAR

Mc. 8: 34 a 38 - "E chamando a si a multidão com os discípulos, disse-lhes: se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salvá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que daria o homem em troca da sua vida? Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também dele se envergonhará o Filho do homem quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos."
Vive-se em um quadrante de tempo no qual as pessoas e as coisas são mensuradas pelo que delas se pode ganhar. O prestígio de uma pessoa passa, obrigatoriamente, pelo seu sucesso financeiro, pelo que ganhou e quanto vale a sua fortuna. Por esta razão se veem constantemente nos jornais, revistas e redes sociais os rankings de riqueza e poder. As coisas e bens são invariavelmente avaliados conforme o seu valor venal. Por isso o mundo busca desesperadamente por coisas, fama e sucesso. Desenvolve-se uma falsa consciência que o homem será aceito, considerado e consultado apenas pelo que tem. De certa forma é assim mesmo que funciona, porque este comportamento é almejado tanto pelos que têm coisas e riquezas, como pelos que as desejam ter. Um ambiciona o que o outro tem e nunca o que não tem. Neste sentido, a desonestidade, a ganância e a egolatria não são privilégios de algumas poucas pessoas, mas de todas, ainda que em graus diferenciados. Até mesmo aqueles que se dedicam ao altruísmo ou fazem votos de pobreza e desprendimento, não o fazem porque são bons e humildes. Nenhum homem é naturalmente humilde, no máximo, alguns homens são humilhados pelos desígnios de Deus para a sua própria salvação e aperfeiçoamento. Jó foi um dos poucos homens elogiados diretamente por Deus conforme Jó 1:8 - "Disse o Senhor a Satanás: notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há na Terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal?" Entretanto, quando Deus permitiu que o Acusador retirasse todas as riquezas, os filhos e colocasse feridas e chagas no corpo, Jó mostrou que não era humilde e perfeito. Reivindicou a justiça como um pressuposto seu conforme Jó. 27:6 - "À minha justiça me apegarei e não a largarei; o meu coração não reprova dia algum da minha vida." Em outro contexto Jó acusa Deus de ter uma questão pessoal contra ele conforme  33:10 - "Eis que Deus procura motivos de inimizade contra mim, e me considera como o seu inimigo." Após Jó ter sido tratado pela Graça do Altíssimo e humilhado em sua soberba é que reconheceu o seu estado e se arrependeu conforme Jó. 42: 5 e 6 - "Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te veem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza." Jó possuía, como muitos hoje, uma religião apenas de segunda mão.
Muitas pessoas imaginam, erroneamente, que ter uma religião, frequentar alguma igreja e praticar caridade ou ser ético e moralmente correto é o sinônimo de  uma relação aprovada por Deus. Entretanto, pode ser apenas o resultado do processo sinérgico no próprio homem e não da ação monérgica d'Ele. Tais coisas fora da reconciliação com Deus por meio da inclusão na morte de Cristo e da sua consequente ressurreição, nada adiantam para a salvação. A salvação não é um livramento de coisas ruins e condições imorais, mas o livramento de si mesmo. Para livrar o homem do que ele é, e não apenas do que ele faz, é que Cristo veio para morrer e ressuscitar. Sem esta verdade, nada vale ser reto, íntegro, temente e desviar-se do que é mal. São atitudes que podem ter diversas motivações, mas todas originadas no esforço próprio do homem decaído. É necessário que a redenção seja executada por um Redentor predestinado, puro e santo, pois só assim tem autoridade para aniquilação do pecado, ou seja, da culpa que separa o pecador de Deus. O homem comete pecados porque é pecador e não apenas é pecador porque comete pecados.
A forma para alguém ser vivificado para a vida eterna é dada por Cristo no texto de abertura. Ele afirma que, se alguém foi despertado em seu querer para segui-lo até a cruz deve negar-se a si mesmo. O negar-se a si mesmo é exatamente o reconhecimento de que todas as virtudes e qualidades humanas não qualificam o pecador para a vida eterna. O negar-se a si mesmo é a transferência da sua vida almática para o substituto perfeito que é Cristo, e, este, crucificado. Tomar a cruz é assumir que a morte de Cristo na cruz não foi um ato solitário, mas compartilhado, pois ele mesmo não tinha pecado. A morte de Cristo foi para habilitar e incluir a morte do homem em sua morte para matar a natureza pecaminosa e trazê-lo de volta à vida na ressurreição ao terceiro dia. Entretanto, tudo isto se apropria pela fé e, esta, é dom de Deus.
De acordo com o original no texto de abertura, o vocábulo 'vida', se refere à vida da alma, pois foi utilizada a palavra grega 'psiken', então, o que necessita de salvação é a alma do homem e não o seu espírito. O espírito do homem foi nele colocado por Deus e a Ele retorna com a morte, porque apenas foi destituído da glória d'Ele. O corpo é deteriorado no pó da terra e só será restaurado incorruptível na restauração final. Assim, quem procura gratificar a vida da alma que é a sede das decisões, desejos e emoções estará perdendo a própria vida para sempre. Mas, quem abre mão de buscar a perfeição e a salvação por meio dos esforços baseados na justiça própria e nos méritos, encontrará a vida eterna oferecida por Cristo na sua morte de cruza. Ganha a vida de Cristo, pela justiça de Cristo, na morte com Cristo.
Sola Gratia!

agosto 04, 2013

AS FRAQUEZAS, OS FRACOS E O FORTE

II Co. 12: 7 a 10 - "E, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte demais; acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte."
Na atualidade se veem nas redes sociais e na internet, em geral, diversas e diferentes manifestações de caráter religioso. Na maior parte das tais mensagens se vê claramente uma espécie de triunfalismo retumbante, ou seja, decretação de poder e de triunfo sobre supostos inimigos e possíveis derrotas. Usam textos bíblicos como uma espécie de mantra contra a má sorte, contra os males visíveis e invisíveis. Evocam frases de efeitos, versículos, citações retiradas de livros de autoajuda e até mesmo estrofes de músicas chamadas "gospel". Demonstra-se uma incrível necessidade de se autoafirmar ou de vencer adversários, invejas, demônios e inimigos que sequer existem experimentalmente. Agem na suposição que há alguém em algum lugar conspirando contra eles, e, portanto, entram com um 'habeas corpus preventivo' perante Deus. Criam uma espécie de teologia forense preventiva contra forças supostamente contrárias e para salvaguardar seus direitos. Entretanto, desconhecem que a natureza pecaminosa só possui um direito: morrer na cruz com Cristo.
Verifica-se na religião, subproduto da ação sinérgica do homem em busca de um 'deus' qualquer, uma profunda manifestação de poder humano. Evocam-se forças e poderes sob pretexto de direitos adquiridos mediante o esforço por meio de obras de justiça, méritos conseguidos por suposta fidelidade e exigências das promessas bíblicas. Tais religiosos não conhecem o poder de Deus e a sua eterna justiça. Eles seguem um esquema próprio na idealização do que desejam que Deus seja para os seus desejos e vontades paparicados pela religião do ver para crer. Este emaranhado de coisas emerge em meio às diversas teologias modernas: Teologia Relacional, Teologia da Libertação, Teologia da Determinação, Teísmo Aberto, entre outras. 
Muitas das buscas e rezas destes religiosos acontecem positivamente, porque são produzidas pelos poderes latentes da alma. Deus não opera neste nível de fé experimental e sensorial. A operação d'Ele é pelo seu Espírito sobre o espírito dos eleitos e regenerados conforme I Co. 2: 14 a 16 - "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido. Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." O homem natural é o homem não regenerado e isto nada tem a ver com religião, mas com novo nascimento. O homem espiritual é aquele que foi convertido nos termos das Escrituras e não no formato religioso. Quando alguém diz que "se converteu", isto significa apenas que a pessoa passou de uma religião para outra. Quando alguém crê que foi convertido, isto significa que o Espírito Santo operou nesta pessoa a vivificação para crer por meio da graça mediante a fé. É uma ação absolutamente monérgica, a saber, que partiu da soberana vontade de Deus. O texto de I Coríntios 2 mostra que o homem natural não aceita o que provém de Deus, porque a sua natureza pecaminosa é oposta a Ele. Tudo o que provém de Deus produz dois discernimentos: no regenerado é discernido espiritualmente, no homem natural é discernido como loucura. Os nascidos de Deus respondem positivamente às coisas espirituais, porque os seus espíritos foram reconciliados com Deus. Este é o mistério que esteve oculto ao longo dos tempos conforme Cl. 1: 26 e 27 - "... o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória."
O apóstolo Paulo fala das suas fraquezas com absoluta naturalidade e resignação, porque nele operava agora uma outra disposição antagônica àquela anterior à sua conversão. Na sua experiência arrebatadora viu e ouviu coisas indescritíveis as quais não ousavam pronunciar. Desta forma, para que não se exaltasse em soberba, Deus lhe permitiu alguma experiência desagradável na carne. Tal incômodo foi objeto de oração por três vezes, mas a resposta de Deus foi que ele deveria ser apoiado apenas pela graça. Deus disse a Paulo que o poder d'Ele se aperfeiçoava na sua fraqueza. Isto faz todo o sentido, pois o homem não pode competir com Deus em poder e glória, sendo apenas obra das suas mãos. Em um homem regenerado não há triunfalismos, mas apenas a glorificação do poder Cristo nele. Por esta razão em outro contexto Paulo afirma: "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte." O homem, ainda que regenerado, é apenas um vaso de barro. A excelência e o tesouro é Cristo nele, a esperança da glória. Os verdadeiros cristãos vivem neste mundo em muitas fraquezas, para que a semente que serve a Deus de geração em geração não seja sufocada e destruída. O forte é Cristo e não os seus irmãos gerados em sua morte e filhos de Deus por adoção. 
Estes rompantes de triunfalismo religiosos estão a serviço de outro que não Cristo. Servem aos apetites de poder, fama e sucesso do homem natural que, por ser religioso, reivindica tais poderes para si a qualquer custo. Acabam se transformando em pasto aos "... principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes.
Sola Scriptura!

julho 31, 2013

A FÉ, AS OBRAS E A JUSTIFICAÇÃO

Tg. 2: 17 a 26 - "Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem. Mas queres saber, ó homem insensato, que a fé sem as obras é inútil? Porventura não foi pelas obras que nosso pai Abraão foi justificado quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque? Vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E se cumpriu a escritura que diz: e creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé. E de igual modo não foi a meretriz Raabe também justificada pelas obras, quando acolheu os espias, e os fez sair por outro caminho? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta."
No mundo persistem dois sistemas: o da verdade e o da mentira. Ambos se assemelham em quase tudo, mas há um ponto que é o divisor de águas entre os dois: a justificação do pecador. O sistema da mentira afirma que o homem pecador é justificado por suas obras de justiça e que há uma possibilidade deste resistir a graça de Deus e optar por não receber a justificação ofertada em Cristo. O sistema da verdade afirma que a salvação é um ato monérgico e soberano de Deus, que o pecador não pode oferecer qualquer resistência à graça e que ele não possui "livre arbítrio" algum, porque está debaixo do pecado. As duas correntes da teologia histórica que sustentam ambos os sistemas é o Arminianismo e o Calvinismo. Entretanto, nem Tiago Armínio, nem João Calvino criou estes termos. Eles resultam das controvérsias geradas por seus seguidores ao longo do tempo.
O apóstolo Tiago, o qual acreditam ser um dos irmãos carnal de Jesus, o Cristo, apresenta em sua breve epístola uma análise muito interessante sobre fé, obras e justificação. Entretanto, a maioria dos cristãos lê as Escrituras apenas como um manual de religião, mas não como a Palavra de Deus. Por esta razão, cada segmento realiza e elabora a teologia que mais lhe agrada e confirma a base da sua crença. Por estas razões é que há tantas religiões e seitas no mundo, sendo cada uma mais distante da verdade que a outra. A verdade não é uma concepção, mas é uma pessoa, a saber, Cristo conforme Jo. 4:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Observe-se que, na gramática do texto foram utilizados artigos definidos. Isto implica em que não há uma diversidade de caminhos, verdades e vidas. Há apenas um caminho, uma verdade e uma vida. Desta maneira Jesus, o Cristo, não tem alguma verdade, algum caminho e alguma vida para distribuir, mas ele mesmo é o caminho, a verdade e a vida. E, por assim ser, ninguém poderá chegar à presença de Deus por conta própria ou com base em suas justiças e méritos como caminhos alternativos.
O apóstolo Tiago, no capítulo dois da sua missiva afirma que, "assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma." Ora, ele simplesmente está dizendo que não há uma consequência sem uma causa, como também não há uma causa sem uma consequência. Ele prossegui demonstrando que apresentar apenas a fé, sem o seu consequente resultado, é o mesmo que afirmar que Deus é um só, o que é o óbvio até para os demônios. A realidade de Deus único e soberano é tão incontestável, que, até os demônios também o afirma, temendo e tremendo. Portanto, a fé sem os resultados ou sem as consequentes obras é nula. 
Tiago especifica em sua homilia, dizendo que a fé que Deus concedeu a Abraão, o levou a realizar a obra concreta de obediência à ordem de Deus para sacrificar o seu único filho. Abraão tinha tudo para negar-se a esta obra, mas a fé o fez ver que, o mesmo Deus que lhe concedeu um filho na velhice, prometendo-lhe uma herança numerosa e abençoadora, iria manter a sua palavra, independentemente de Isaque ser sacrificado ou não. Assim, o que justificou a Abraão foi a concretização da sua obra de fé e não apenas a fé que recebeu. A sua atitude em obedecer e levar o filho para o sacrifício aperfeiçoou a fé recebida, tornando-se uma obra da fé e não uma fé na obra. Esta atitude lhe foi imputada por justiça, ou seja, foi justificado pela fé que o levou a ação.
Raabe era uma prostituta que habitava a cidade de Jericó. Quando Josué e Calebe conduziu o povo de Israel até a entrada na Terra Prometida, eles enviaram dez espias para avaliar estrategicamente a terra. Dos dez espias, apenas dois deram um relatório favorável. Eles viram que, a despeito das circunstâncias serem bastante desfavoráveis, era perfeitamente possível conquistar a terra. Ao saber da entrada dos hebreus em Canaã, o rei de Jericó enviou as tropas para prendê-los. A meretriz Raabe que, inclusive faz parte da genealogia de Jesus, os abrigou em sua casa. Quando os guardas chegaram ela os escondeu no terraço e disse que os mesmos não estavam ali. Após a saída dos guardas, ela os dispensou por outro caminho e, assim, eles foram salvos da morte. Ora, o que havia de honra na obra de Raabe? Nada! Ela poderia ter honrado o rei de Jericó como uma patriota, entregando os espias a serviço dos invasores israelitas. Ela mentiu ao rei e traiu o seu povo. O que há de honrado nesta obra? Nada! O apóstolo Tiago afirma que estas obras de Raabe a justificaram. O que Tiago está demonstrando é que, ao deixar fugir os espias isto foi imputado à Raabe como justiça. Raabe creu no relato dos espias sobre como foram libertos de Faraó, rei do Egito. Ela creu que Deus os libertou, abriu o mar vermelho, os sustentou com alimentos, roupas, sapatos, água e proteção contra inimigos por quarenta anos no deserto. Também disseram àquela mulher em tudo desonrada que, Deus lhes prometeu a terra de Canaã e que eles iriam conquistar Jericó pelo poder de Deus. Ora, então não foi a desonra, a mentira e a traição de Raabe que a justificou, mas a sua atitude movida pela fé que Deus certamente iria cumprir a sua promessa ao povo de Israel. Raabe não tinha nenhuma razão para crer no poder de um povo perambulando pelo deserto. Ela poderia confiar plenamente na superioridade dos exércitos de Jericó e nas potentes muralhas que cercavam a cidade. Entretanto, ela creu que, de alguma maneira tudo isso seria dominado pelo poder de Deus. Tudo quanto Raabe fez não redundou em boas obras, mas as suas obras foram a expressão da fé em Deus. Logo, o que conta para a justificação não é o conceito de certo ou errado, de bem e mal, mas creditar a obra à fé recebida por graça da parte de Deus. 
O que o cristão nascido do alto deve confiar é que as obras da carne não tem qualquer valor perante Deus. As obras podem ser boas ou más, mas se não resultam da fé, de nada adiantam espiritualmente. Na verdade, quem afirma que somente as boas obras salvam, tal religioso nunca foi conhecido por Cristo conforme Mt. 7:19 a 23 - "Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." Profetizar, expulsar demônios e curar em nome de Jesus são todas boas obras, porém foram taxadas de iniquidades por Jesus, o Cristo. Foram apenas obras da carne e não obras da fé.
Sola Fide!

julho 27, 2013

A CRUZ, OS CRUCIFICADOS E A MORTE EM CRISTO

Gl. 2: 20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim."
A crucificação foi uma prática dos dominadores romanos instalada poucos anos antes do nascimento de Jesus, o Cristo. Era, segundo o senso de juízo dos romanos, o pior castigo imposto a uma pessoa. Portanto, jamais praticado contra quem tivesse a cidadania romana. A palavra grega neotestamentária para cruz é 'staurós' [σταυρός], a qual significa; 'estaca reta' ou 'madeiro para tortura'. Segundo descrições bíblicas e extrabíblicas, o condenado carregava do local da condenação até o local da execução apenas a parte horizontal ou o braço da cruz. No local era perfurado um buraco no chão onde a estaca principal era fixada após a colocação do braço. Então, o condenado era pregado ou amarrado à cruz e levantado verticalmente, sofrendo uma morte lenta e cruel que durava horas ou até mesmo dias. O peso do corpo exercendo fortes pressões nos braços e pernas pregados, causa dores indescritíveis.
A Escritura afirma que o Salvador ou o Messias seria levantado em um madeiro conforme Dt. 21:23b - "...porquanto aquele que é pendurado é maldito de Deus." Isto é confirmado em Gl. 3:13 - "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro." 
No dia da crucificação de Jesus, o Cristo havia mais dois crucificados: um à sua direita e outro à sua esquerda. Dos dois, apenas um reconheceu que merecia estar naquela situação, pediu misericórdia e reconheceu a divindade de Cristo. O outro, não só não se via como merecedor do castigo, como também afrontava Jesus, negando-lhe a divindade. Tal cena é uma tipificação da humanidade: os desgraçados que recebem a graça e os não eleitos que permanecem desgraçados por incredulidade. O malfeitor que se humilhou representa o lado da humanidade que recebe a graça para a vida eterna. O malfeitor que permaneceu sem compreender a sua própria condição representa o lado da humanidade que perecerá em seus delitos e pecados. Verifica-se que ambos eram malfeitores, pois há sempre uma visão maniqueísta que divide a humanidade entre bons e maus. De fato, todos os homens são em suas naturezas maus, sendo o diferencial a misericórdia e a graça de Deus.
Acerca de Jesus, o Cristo foi dito que ele é o Cordeiro de Deus que foi imolado desde a fundação do mundo conforme Ap. 13:8b - "...esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." Desde o Éden há sinais deste sacrifício como imagens que apontavam para o sacrifício do Filho de Deus. Quando o próprio Deus providenciou peles de animais para cobrir a nudez do homem houve sacrifício. Igualmente, depois, quando Abel ofereceu o sacrifício de um cordeiro a Deus estabeleceu a fé no substituto perfeito. Por esta razão é perda de tempo discutir quem matou Jesus, pois este acordo transcende a própria história do homem na Terra. Os romanos, os judeus e todo o processo grotesco que envolveu o julgamento de Jesus, o Cristo foram apenas meios de cumprimento das Escrituras. 
Rm. 16:25c - "...conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos." O mistério guardado ao longo dos tempos era a morte substitutiva e inclusiva de Cristo. Além dos dois malfeitores que foram executados fisicamente no mesmo dia ao lado de Cristo, todos os eleitos e preordenados para a vida eterna também foram crucificados. A este processo o apóstolo Paulo chama de batismo na morte de Cristo conforme Rm. 6:3 a 6 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado." Assim, Cristo não morreu sozinho naquela cruz, pois todos os eleitos foram incluídos em sua morte. A morte de Jesus, o Cristo não seria necessária se o pecador pudesse aniquilar o seu pecado original. Logo, todos os pecadores eleitos e predestinados foram atraídos em sua morte para destruição do corpo do pecado conforme Jo. 12:32 e 33 -"E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Este é um processo definido antes mesmo que o mundo existisse. Deus decidiu redimir os eleitos, criou todos os meios para executar o seu projeto e o executou concretamente quando aprove a ele executá-lo conforme Rm. 8: 29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou."
Nestes termos, a redenção do pecador é um ato estritamente monérgico, ou seja, depende exclusivamente da vontade soberana de Deus que leva os que conheceu antes dos tempos eternos até Cristo para que sejam incluídos em sua morte conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Vê-se, pelo texto, que não é uma questão de querer do pecador, mas de não poder ir até Jesus, o Cristo, por conta própria. O homem natural não tem o poder de ir até a verdade. Pode até ter capacidade e inclinação para procurar religião, mas não de ir a Cristo. É Deus quem conduz os pecadores eleitos para serem atraídos à cruz. Eles são despertados pela pregação do evangelho que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. 
Sola Scriptura!

julho 26, 2013

A LUZ, O HOMEM E AS TREVAS

Mt. 6: 22 e 23 - "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!"
Luz é um substantivo feminino que traz diversas significações. A luz enquanto fenômeno óptico é o único que não é poluído por nenhum outro fenômeno. Entretanto, neste estudo interessam os sentidos figurativos da luz aplicáveis à Teologia Bíblica. No texto acima a palavra grega para luz é 'phôs', enquanto trevas é 'skótos'. O termo 'phôs' em grego koinê é a figura da verdade e o conhecimento dela, juntamente com a pureza espiritual que lhe é por consequência. Refere-se, no homem, à verdade salvífica centrada em Cristo, revelada e dada aos pecadores por graça e misericórdia. O outro termo grego, 'skótos' é o oposto de luz, ou seja, é a ausência da verdade e do conhecimento dela. São trevas como referência à obscuridade espiritual e à falta do conhecimento de Cristo. É uma referência apenas ao conhecimento intelectual do homem. É a sabedoria terrena, almática e diabólica conforme o registro de Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." Lembrando-se que animal provém de 'anima' que quer dizer alma.
O texto de abertura é parte de um contexto em que Cristo doutrina os seus discípulos, mostrando que o verdadeiro conhecimento não consiste em coisas, bens e riquezas materiais. Indica que a verdadeira luz é a luz que há em Cristo. A ausência da vida de Cristo no homem o faz tenebroso, a saber, desenvolve uma vida fora do conhecimento verdadeiro e eterno.
Sl. 139: 11 e 12 - "Se eu disser: ocultem-me as trevas; torne-se em noite a luz que me circunda; nem ainda as trevas são escuras para ti, mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa." O homem pode se ocultar nas trevas de outro homem, mas jamais poderá ocultar-se de Deus, porque Ele é luz, e, na presença da luz, não pode haver trevas. I Jo. 1:5 - "E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas." Deus é luz! Ele não apenas possui luz, mas é luz. Portanto, ainda que o homem tenha o mais alto nível de conhecimento científico, intelectivo, filosófico e teológico, se estas luzes forem fora de Cristo, estará em trevas diante de Deus. Há nos círculos religiosos grande confusão entre conhecimento de fatos e conhecimento de Deus. Ao homem de nada adianta ter conhecimento acerca de Deus, de Cristo e das Escrituras. O que conta é ganhar a luz de Deus, a saber, conhecer a própria luz d'Ele. O que importa é conhecê-lo, porque ele mesmo é a luz conforme Jo. 1:4 e 5 - "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela." João mostra neste texto que Cristo é a vida e que a vida é a luz, então, quem conhece Cristo, conhece, não uma pessoa apenas, mas recebe o seu próprio conhecimento. A luz resplandece nas trevas e não as trevas obscurecem a luz, como se vê nas religiões humanistas e gnósticas predominantes no mundo. 
II Co. 4: 3 a 6 - "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Pois não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse: das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo." A verdadeira luz que é Cristo se manifesta por meio do evangelho que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Sem Cristo, o homem permanece em trevas, continua perecendo e é incrédulo. O "deus" deste século é Satanás e o seu sistema que domina o mundo e as mentes dos que vivem nas trevas. Isto não quer dizer que estas pessoas vivem praticando o mal e a maldade todos os dias e contra todos os outros homens. Significa apenas que não têm o conhecimento de Deus em Cristo, porque o pecado criou uma falsa autonomia apostatada da verdade de Deus. A luz de Cristo é comunicada aos homens por meio do evangelho, neste caso, a luz brilha nas trevas dissipando-as e iluminando o espírito e a alma do homem que foi eleito e predestinado para isto. Então, os eleitos e regenerados recebem a luz de Deus por meio da face de Cristo. Neste ponto a luz própria deles é substituída pela luz de Cristo e os mesmos são transportados das trevas para a maravilhosa luz conforme I Pd. 2: 9 - "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz."
Sola Gratia!

julho 25, 2013

O CAMELO, O FUNDO DA AGULHA E AS POSSIBILIDADES

Mc. 10: 17 a 27 - "Ora, ao sair para se pôr a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele e lhe perguntou: bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: por que me chamas bom? ninguém é bom, senão um que é Deus. Sabes os mandamentos: não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; a ninguém defraudarás; honra a teu pai e a tua mãe. Ele, porém, lhe replicou: Mestre, tudo isso tenho guardado desde a minha juventude. E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: uma coisa te falta; vai vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitos bens. Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! E os discípulos se maravilharam destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus. Com isso eles ficaram sobremaneira maravilhados, dizendo entre si: quem pode, então, ser salvo? Jesus, fixando os olhos neles, respondeu: para os homens é impossível, mas não para Deus; porque para Deus tudo é possível."
A agulha é um dos menores objetos usados pelo homem há milênios. É um instrumento de trabalho utilizado para perfurar superfícies e costurar tecidos. A agulha caracteriza-se por ser uma pequena haste, geralmente metálica, afilada em uma das extremidades, possuindo um orifício na outra extremidade por onde passa a linha. É útil para a costura, a qual consiste em unir peças de tecidos e confeccionar roupas em geral. 
O camelo é um animal da ordem artiodactyla, ungulado, isto é, com dois dedos de apoio nas patas. Há duas espécies de camelos: o dromedário que possui apenas uma corcova no dorso e o bactriano com duas corcovas. É um animal grande, forte e resistente, pois é nativo das áreas desérticas da Ásia e do Norte da África. Um camelo adulto possui 1,85 m de altura e 2,15 m de comprimento e vive entre 40 e 50 anos. 
Possível é um adjetivo de dois gêneros, que significa: 'que pode ser, acontecer ou praticar-se'. Também é um substantivo masculino, significando: 'aquilo que é possível ou factível'. Filosoficamente, possibilidade é o que não implica em contradição, o que satisfaz as condições gerais da experiência empírica e o que não contraria nenhuma norma moral. A possibilidade é, portanto, um substantivo feminino com o sentido daquilo que é possível. A impossibilidade é o antônimo da possibilidade. Ao homem, como ser limitado pelo tempo e pelo espaço, bem como por questões de consciência e moralidade, há muitas possibilidades, como também muitas impossibilidades.
O texto de abertura mostra uma cena em que um homem procura Jesus, o Cristo e se coloca ajoelhado diante dele, declarando a seguinte indagação: "bom Mestre, o que hei de fazer para herdar a vida eterna." Ao que Jesus lhe refutou, dizendo que ninguém é bom, senão Deus. Esta resposta faz grande sentido, na medida em que, o homem natural sempre procura Deus por meio de artifícios de agradabilidade e bajulação. Visa, com isto, uma espécie de sedução pela qual espera receber o que deseja. Deus, no entanto, não se deixa impressionar ou comover por tal comportamento, porque este resulta da sensorialidade almática e enganosa. Também acrescenta-se que na pergunta do homem há uma armadilha, pois herança é um direito garantido por nascimento e não por esforço. A vida eterna só é possível aos que são feitos filhos de Deus, a saber, os que creem no nome de Jesus, o Cristo conforme Jo. 1: 12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." O texto retromencionado mostra que tornar-se filho de Deus é algo externo ao homem, ou seja, compete apenas a Deus. Não depende da linhagem genealógica, nem da ação da natureza almática, nem da geração biológica. É um ato soberano da vontade de Deus, cabendo ao homem pecador apenas receber a graça mediante a fé. Tanto a graça, quanto a fé são absolutamente abstratas e dons de Deus. Jesus, o Cristo perscrutou o íntimo daquele homem e jogou o cumprimento da lei como forma de demonstrar a impossibilidade de o homem herdar a vida eterna por esforço próprio. Embora o homem da cena tenha dito que cumpria os mandamentos desde a infância, sabe-se que estava apenas na suposição ou presunção, pois ninguém cumpre todos os mandamentos. Isto ficou evidente, quando em um segundo momento, Jesus lhe disse para vender tudo quanto possuía e que desse o produto da venda aos pobres. O homem imediatamente entrou em profundo pesar, porque não estava disposto a perder o que possuía. Logo, isto demonstra que ele não cumpria o primeiro mandamento que exige que se ame a Deus acima de qualquer e de todas as coisas.
Os discípulos, atônitos, ante aquela cena de confrontação entre o pecador e o Salvador, disseram: "....quem pode, então ser salvo?". Cristo, porém, lhes disse: "para os homens é impossível, mas não para Deus; porque para Deus tudo é possível." Jesus, usa a figura do camelo passando pelo orifício de uma agulha para magnificar a impossibilidade humana e a possibilidade divina. Ainda que alguns não tenham entendido e afirmam que o fundo da agulha era um buraco nas muralhas de Jerusalém, mas o ensino é claro.
Sola Fides!

julho 24, 2013

O SALVADOR, A SALVAÇÃO E OS SALVOS

Is. 45: 5 a 12 - "Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cinjo, ainda que tu não me conheças. Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas. Destilai vós, céus, dessas alturas a justiça, e chovam-na as nuvens; abra-se a Terra, e produza a salvação e ao mesmo tempo faça nascer a justiça; eu, o Senhor, as criei: ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: que fazes? ou dirá a tua obra: não tens mãos? Ai daquele que diz ao pai: que é o que geras? e à mulher: que dás tu à luz? Assim diz o Senhor, o Santo de Israel, aquele que o formou: perguntai-me as coisas futuras; demandai-me acerca de meus filhos, e acerca da obra das minhas mãos. Eu é que fiz a Terra, e nela criei o homem; as minhas mãos estenderam os céus, e a todo o seu exército dei as minhas ordens."
Etimologicamente 'salvação' provém do grego koinê 'soteria' e do latim 'salvare'. Tomando, primeiramente, o termo grego salvação significa cura, redenção, remédio e resgate. No latim, o mesmo termo, tal como está grafado acima significa apenas salvar. Genericamente salvação é um substantivo que indica libertação de uma condição ou estado indesejável. Em teologia, a salvação se refere apenas à libertação da alma da condenação eterna pelo pecado original. Em quase todas as crenças e religiões há ostensiva ou veladamente a ideia de salvação. Isto é resultante da consciência de pecado, juízo e justiça que há no homem. À medida em que o homem vai se deparando com o seu próprio mal moral ou com o mal moral dos outros e da sociedade, ele sente algo indesejável em sua natureza. Esta situação é denominada de culpa e precisa ser extirpada em sua origem pecaminosa.
Então, pode-se afirmar com plena segurança que, no ensino cristão puro há o salvador, a alma condenada e o meio para salvá-la. O salvador é o Filho Unigênito de Deus, a saber, Cristo que se fez homem histórico em Jesus conforme Jo. 1:14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." O termo "verbo" é a versão da palavra "logos" com o sentido de Palavra de Deus, ou mesmo, o princípio vital e ativo de Deus. Desta forma, o verbo divino que sempre existiu junto ao Pai, se encarnou no homem Jesus e veio habitar na humanidade, para, em tudo ser experimentado como os homens. Embora, Jesus, o Cristo não tivesse o pecado, Deus o fez pecado, para salvação de pecadores conforme II Co. 5:21 -"Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." A este processo dá-se o nome de redenção, justificação ou salvação. Vê-se que o texto possui implícita a ideia de inclusão do pecador na morte de Cristo, onde faz menção a "...para que n'Ele...". Esta verdade faz todo o sentido, na medida em que, se há o salvador é porque há o pecador. Sendo o homem pecador, não apenas porque comete pecados, mas porque possui a natureza pecaminosa, logo, necessita do salvador. O pecador não pode jamais ser o salvador de si mesmo e às suas próprias expensas. Caso o pecador pudesse promover a sua própria redenção, dar-se-ia que o salvador seria absolutamente dispensável, para não dizer, absurdo.
A salvação, portanto, é um ato estritamente monérgico, a saber, depende única e exclusivamente da soberana vontade de Deus. Embora em quase todas as crenças se desenvolve uma noção universalista e sinérgica, as Escrituras, por sua vez ensinam que a salvação não é para todos. O uso da palavra todos só pode ser compreendido no contexto em que aparece. Quando se refere à salvação, invariavelmente, se refere a homens de todas as tribos e nações e não a todos os homens. Até porque, caso Deus tivesse decidido salvar a todos, certamente Ele o faria, pois nada e ninguém pode contradizê-lo em sua vontade soberana. Tal mente universalista coaduna com o pensamento do homem decaído, no afã de reencontrar a porta do Paraíso perdido. Isto se dá por meio dos ensinos e doutrinas humanistas baseadas no gnosticismo. Para tanto, produziram uma doutrina esdrúxula chamada de "livre arbítrio" que, nem é livre, e, muito menos, pode arbitrar qualquer coisa. Genericamente as pessoas confundem escolhas naturais dadas ao homem para a sua sobrevivência, com escolhas espirituais para a sua salvação. Esta última compete exclusivamente a Deus conforme Jn. 2: 9 - "Ao Senhor pertence a salvação." Em nenhum contexto das Escrituras acha-se que a salvação pertence ao homem. É Deus que conduz o pecado até Cristo para a salvação conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Trata-se, portanto, de uma cláusula pétrea e excludente, pois se ninguém pode ir a Jesus, o Cristo, logo, só os que Deus vivifica para tanto irão. Não é uma questão de "livre arbítrio", mas de graça. Não é uma questão de querer, mas de poder, no sentido de não ter a capacidade para ver a salvação por si mesmo. A salvação só passa a ser perceptível como um caminho quando ocorre a desobstrução dos ouvidos conforme Sl. 40:6 - "Sacrifício e oferta não desejas; abriste-me os ouvidos; holocausto e oferta de expiação pelo pecado não reclamaste." Vê-se, inclusive, que não são por ofertas e sacrifícios que Deus se apieda do homem, mas por Ele mesmo abrir os seus ouvidos. 
Os salvos, portanto, são aqueles os quais foram eleitos e regenerados nos termos de Rm. 8: 29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou." Àqueles que Deus conheceu com afeição antes dos tempos eternos, ele os predestinou, chamou, justificou e glorificou. Observa-se que os verbos estão todos no passado, logo, elimina-se qualquer possibilidade de "livre arbítrio". O objetivo da eleição, predestinação e dos meios para salvar é tornar os eleitos conforme à semelhança de Cristo que agora é, não apenas, o Filho Unigênito, mas também o Filho Primogênito, a saber, o primeiro de uma família de filhos gerados de novo ou regenerados.
Sola Gratia!

julho 07, 2013

O PODER DA MORTE EM CRISTO E A VIDA RESSURRETA

Cl. 3: 3 e 4 - "... porque morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória."
Atualmente, quase tudo no Cristianismo não está relacionado a Cristo, logo, estas crenças, religiões e seitas não pertencem ao Cristianismo, mas a um tipo de cristianismo nominal e puramente conceitual. É paradoxal dizer-se cristão e negar a Cristo por natureza, atos e confissão. Há profunda diferença entre declarar-se cristão e confessar a Cristo. É como se alguém plantasse uma laranjeira, esperando dela colher, no futuro, abacates. É como pintar um urubu de amarelo, colocar alpistes para ele comer e dizer-lhe: canta meu canário! Alguns imaginam que o cristianismo se resume em fazer caridade apenas. O amor caritativo é um dos mais sublimes em uma pessoa, mas ainda não é a essência do Cristianismo. Outros imaginam que cristianismo é um conjunto de regras rígidas para corrigir e reformar o homem. Um homem correto, íntegro, temente e que evita o mal é uma das melhores coisas para a sociedade, mas não representa toda abrangência do Cristianismo. Ainda outros imaginam que o cristianismo é cumprir ritos e prescrições dogmáticas herdadas por tradição. Executar preceitos, ritos e regras é algo que disciplina o homem e o faz ter alguma ocupação, mas não responde pela amplitude do Cristianismo. Na verdade, o Cristianismo é o próprio Cristo conforme Rm. 11:36 - "Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." Tudo se origina e converge para Cristo, inclusive toda a glória por toda a eternidade. Esta fé genuína não é conseguida por herança, por esforço, por cumprir preceito sobre preceito e regra sobre regra, por sacrifício de si mesmo, por méritos, por justiça própria. Fé é dom de Deus e não habilidade ou virtude humana. Por isto, para quem não ganha a fé, o cristianismo é apenas um fato histórico ridicularizado pelas religiões ao longo da história. Há, atualmente, a peremptória afirmação que o mundo entrou na Era Pós-cristã. O fato é que, para quem não experimentou o novo nascimento, sempre foi e será uma Era Pós-cristã. Tal experiência nada tem a ver com religião institucionalizada, mas com a eleição da graça.
A primeira exigência da graça da eleição é a fé que, de fato, o pecador morre em Cristo, a saber, que é incluído em sua morte na cruz. A expressão do texto que abre este estudo diz: "... porque morrestes...". Observa-se que é utilizado o termo 'porque' como consequência e não como causa. A morte inclusiva do pecador eleito em Cristo é incompreensível antes de ganhar a graça da fé. O que ainda tem os olhos cobertos por escamas e os ouvidos obstruídos por cera da incredulidade, não concebe esta verdade, porque ela foge à lógica limitada do homem e é discernida apenas espiritualmente. A primeira objeção é que, um indivíduo anterior ou posterior ao evento da crucificação, não poderia ter sido incluído na morte de Cristo. Alega-se que, apenas um dos malfeitores crucificado ao lado d'Ele participou de tal evento, e, tendo confessado e crido foi salvo. Entretanto, a morte de Cristo foi eficiente e suficiente de uma vez para sempre na aniquilação do pecado de todos os eleitos conforme Hb. 9:26 a 28 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." Então, a execução da justiça de Deus contra o pecado foi validada para todos os eleitos em todos os tempos e lugares. Acrescenta-se que Deus não está limitado no tempo e no espaço.
A inclusão do pecador é mostrada com clareza meridiana em Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus, o Cristo foi levantado da Terra três vezes: na crucificação, na ressurreição e na assunção ao céu. Todas estas realidades são interdependentes e consequentes uma da outra. No texto anterior é demonstrado que ele se referiu à sua morte de cruz. Estes todos que ele atraiu a si em sua morte, não são todos os homens, mas os todos eleitos e arrolados para a vida. É o sentido de homens de todos povos, tribos e nações. O pensamento universalista reinante nas igrejas institucionais acomodam o "todos" a todos os homens. Entretanto, isto não é confirmado pela realidade espiritual dos homens no tempo e no espaço. Além do que, se Deus intencionasse salvar todos os homens, certamente todos seriam salvos, porque a sua Palavra não retorna sem executar a sua destinação. Assim, há um 'todos' que não são todos dos homens, mas os 'todos' eleitos e predestinados conforme Rm. 8: 29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou." Ora, "os que..." são uma categoria específica e não universal. Igualmente "... entre muitos irmãos" não são todos os homens que se tornariam irmãos de Cristo.
Desta forma o ensino da inclusão da morte do homem, na morte de Cristo, a saber, a aniquilação da culpa do pecado pela inclusão na cruz com Cristo é uma questão de fé. O processo denominado de 'novo nascimento' se constitui da morte inclusiva, da morte substitutiva e da ressurreição para a vida. A morte inclusiva é a que acaba de ser demonstrada. A morte inclusiva se dá na pessoa de Cristo, o Filho Unigênito e agora Primogênito de Deus. A morte substitutiva se dá na pessoa do homem histórico Jesus. Enquanto o Cristo eterno substitui o pecador espiritualmente, o homem histórico Jesus substitui o pecador fisicamente na cruz. Quando o pecador é vivificado para receber a graça da fé, automaticamente recebe esta verdade apenas por fé. Visto que o pecador não tem inclinação para Deus o suficiente para promover sua própria redenção e, também, não estava fisicamente presente na crucificação, ele foi incluído e substituído por Jesus, o Cristo. Ao ressuscitar dentre os mortos o pecador regenerado ganha a vida de Cristo que, nele fica oculta até a manifestação d'Ele no fim dos tempos. 
O que se chama de vida ressurrecta é a fé que conduz o pecador eleito e regenerado a confessar que a vida de Cristo está escondida nele, porque morreu e ressuscitou com Ele conforme Ef. 2:6 - "... e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus..." Ora, alguém só ressuscita juntamente com alguém se morreu juntamente com esse alguém. Assim a morte e a ressurreição de Cristo foram compartilhadas com os eleitos de Deus.
Solo Christus!!!

julho 06, 2013

ASAS DA ALVA


UMA DAS MAIS BELAS E TOCANTES MELODIAS QUE SE PODE OUVIR
É UMA INTERPRETAÇÃO DO SALMO 139 PELO GRUPO PRISMA