agosto 23, 2011

ESCATOLOGIA V


Is. 46: 9 e 10 - "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade."
A palavra profecia provém do grego 'prophetéia' que quer dizer: 'predição, profecia, dom da profecia, explicação dos livros sagrados pela inspiração do Espírito Santo'. As duas primeiras significações são de origem pagã, ou seja, era como os povos antigos viam aqueles que lhes traziam vaticínios, oráculos, predições e adivinhações. As expressões 'dom da profecia' e 'explicação dos livros sagrados pela inspiração do Espírito Santo' são de origem cristã. O cristianismo apropriou-se da palavra, porém deu-lhe um sentido diferenciado do comum. Primeiramente reconhece que a profecia é um dom divino e não uma capacidade humana; secundariamente atribui a ela uma função explicativa e não adivinhatória como se vê comumente nos dias de hoje. A verdadeira profecia neotestamentária é o anúncio do evangelho da redenção e não a apresentação de um Deus alcoviteiro e maniqueísta que vive a bisbilhotar e expor as vidas dos pecadores. Ao contrário, este papel de expor e acusar os homens é de Satanás!
Sobre profecia existem algumas posições teológicas, ainda que não essencialmente na teologia bíblica, mas em interpretações livres:
I. Pré-milenistas: creem na existência de um milênio terrestre, literal, como definido, e acreditam que o arrebatamento da Igreja ocorrerá antes do milênio.
II. Pós-milenistas: creem na existência de um milênio literal, resultando da pregação do Evangelho e da salvação de um grande número de pessoas, com a volta de Cristo a Terra no fim dos tempos.
III. Amilenistas: negam a existência de um milênio literal e veem as promessas milenistas como tendo sido cumpridas em um reino espiritual. Alguns defensores desta posição dizem que este é o reinado de Cristo sobre a Sua Igreja aqui na Terra, e outros que é o reino de Deus sobre os santos nos céus. Eles simplesmente espiritualizam o milênio, acabando por reduzi-lo a uma mera especulação.
IV. Pré-tribulacionistas: asseguram que o arrebatamento da Igreja será não somente pré-milenar, mas também pré-tribulacional, isto é, ocorrerá antes do começo da Grande Tribulação, significando que a Igreja não passará por este período de grande sofrimento na Terra.
V. Pós-tribulacionistas: concordam com a visão pré-tribulacionista que o arrebatamento será antes do milênio, porém asseguram que ocorrerá após a Grande Tribulação, significando que a Igreja estará na Terra durante este período de sete anos.
VI. Midi-tribulacionistas: concordam que o arrebatamento será pré-milenar, porém asseguram que ocorrerá na metade da Grande Tribulação, significando que a Igreja não experimentará a última metade deste período quando o sofrimento será mais severo e extremo para os que crerem à verdade.
Jr. 23: 25 a 28 - "Tenho ouvido o que dizem esses profetas que profetizam mentiras em meu nome, dizendo: sonhei, sonhei. Até quando se achará isso no coração dos profetas que profetizam mentiras, e que profetizam do engano do seu próprio coração? Os quais cuidam fazer com que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus sonhos que cada um conta ao seu próximo, assim como seus pais se esqueceram do meu nome por causa de Baal. O profeta que tem um sonho conte o sonho; e aquele que tem a minha palavra, fale fielmente a minha palavra. Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor." Pelo texto se pode apreender que há profetas que afirmam mentiras em nome de Deus. Também se pode perceber que muitos têm sonhos e os tomam como revelações divinas. Entretanto é revelado que tais afirmações são o resultado de uma conjectura do coração do homem e não uma revelação divina. E, finalmente, é revelado no texto que tais procedimentos fraudulentos e enganosos desviam o povo da verdade, levando o homem a se apegar às predições e se esquecer de Deus. Assim, a profecia se torna em um mecanismo cujo foco inicia-se e termina no próprio homem. Então, Deus mostra que cada um pode contar o seu sonho apenas com um sonho e não como uma revelação. Mostra que sonhos e pregação do Evangelho são coisas absolutamente distintas.
Da lucem, Domine!

agosto 14, 2011

ESCATOLOGIA IV


Is. 46: 9 e 10 - "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade."
Sempre houve, porém agora mais do que nunca, uma forte tendência humana ao sobrenatural. Verifica-se, inclusive, que a literatura mais vendida é exatamente aquela que lida na esfera mística. Considerando o valor literário, algumas obras de determinados autores são puro lixo, entretanto, elas atuam sobre ideário popular e sobre o inconsciente coletivo relacionado ao místico e ao sobrenatural, vendendo, por isso, milhões de cópias. Atualmente, cerca de 80% a 90% da literatura comercializada como sendo cristã, nada tem do verdadeiro evangelho, senão de um cristianismo apenas nominal e histórico. Entretanto, vende porque promete resolver as dores e os dramas das pessoas em busca de um 'deus quebra-galho'. Tais pessoas buscam respostas de Deus para seus problemas materiais, e não a solução de Deus aos seus estados espirituais decaídos e mortos. Segundo o ensino do evangelho, é legítima a busca pela misericórdia e a graça de Deus, tanto no sofrimento, como na alegria, porém pelos canais escriturísticos. O que passa disso é misticismo, ocultismo, barganhismo e golpismo religioso. Tais livros, mais se assemelham a manuais de auto-ajuda, ou de encantamentos do que de ensino sério e fundamentado na verdade. É a busca pelo endeusamento do homem sem Deus e sem a verdade.
A busca por profetas e suas predições é um frenesi nos arraiais religiosos deste tempo. Entretanto, confundem profecias no sentido em que são ensinadas nas Escrituras, com adivinhações e prognósticos favoráveis aos interesses humanistas. É deste misto de desespero dos homens e da desonestidade religiosa de seitas e religiões, que surgem as maiores distorções as quais levam milhões de pessoas a viver uma ilusão de espiritualidade que nunca existiu, e, tão pouco existirá.
I Co. 14: 2 - "Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação." O texto nos mostra que a profecia, enquanto ensino da Palavra, deve ter apenas três finalidade: edificar, exortar e consolar. No nosso tempo, muitas profecias desedificam, confundem, ofendem e causam desespero. Muitos destes "profetas" ambulantes são alcoviteiros que tentam resolver os problemas amorosos, financeiros e emocionais das pessoas, sendo eles mesmos desajustados. Ora, acaso, ciganas, cartomantes, necromantes, taromantes e assemelhados, não fazem o mesmo? Nem por isso, o mundo e a humanidade melhoram!
Em todas as passagens a que Paulo alude ao falar em línguas, o faz por meio das palavras gregas lalõn glossé, implicando, gramaticalmente, que as tais línguas eram conhecidas e faladas naquela época. Não existe um único texto nas Escrituras que sustenta alguém falando em línguas de anjos ou em línguas estranhas. Tudo não passa de uma interpretação forçada de I Co. 13:1 - "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos." A expressão "ainda que eu falasse..." mostra apenas uma possibilidade hipotética, mas não de realidade concreta. Não é uma sentença afirmativa de que alguém fale em todas as línguas humanas e ainda em línguas angelicais, mas é uma suposição de que ainda que alguém assim pudesse falar, isto não seria superior ao amor. E o verbo falar na forma e no modo em que foi conjugado coloca termo a esta verdade como uma mera impossibilidade. Equivale a "se eu falasse"! E não "que eu fale!"
A profecia, de acordo com a Bíblia, em qualquer sentido que se queira entendê-la é:

  • Toda a história humana conhecida, registrada e controlada pela onisciência de Deus.
  • A visão da história do homem conforme a cronologia estabelecida por Deus.
  • O desenrolar dos fatos humanos segundo a visão de Deus e não do homem.
A profecia enquanto revelação direta de Deus ou por meio da Sua Palavra faz referência apenas a três finalidades:

  1.  Predizer eventos futuros conforme Ap. 1:3 e 22:7 a 10.
  2.  Revelar fatos ocultos quanto ao presente conforme Lc. 1: 67 a 79 e At. 13:6 a 12.
  3. Ministrar instrução, consolo e exortação conforme o livro do profeta Amós e os textos seguintes: At. 15:32 e I Co. 14: 3, 4 e 31.
A profecia pode ser distribuída na Bíblia da seguinte maneira:

  •  Em Daniel: refere-se às nações, reinos e impérios históricos.
  •  Em Ezequiel: refere-se ao povo judeu como nação escolhida por Deus para trazer o Salvador.
  •  No Sermão Profético de Jesus: refere-se ao Reino Eterno instalado por Deus.
  • No Apocalipse: refere-se à Igreja verdadeira como a noiva que está sendo preparada para a união eterna com Cristo.
Devemos saber que Deus não concede o dom da profecia para que fique oculta. Também não pretende que algumas pessoas tenham acesso à Sua mensagem, como se fossem melhores e mais espirituais que os outros. Ele proclama a sua Palavra para que ela seja crida, conhecida e entendida. Significa que as passagens proféticas precisam ser estudadas da mesma forma que as outras passagens das Escrituras o são. A linguagem figurada é perfeitamente reconhecível e compreensível. As metáforas servem para avivar e realçar a verdade contida na Palavra e não para embaralhá-la como supõem alguns. A figura é compreendida simbolicamente, todavia sempre faz referência a alguma coisa literal. A profecia bíblica nunca deve ser vista como algo ininterrupto ou contínuo, poisgrandes intervalos separando os eventos do cumprimento destes. Os espaços entre os eventos e o cumprimento dos mesmos, não são considerados, porque Deus não está limitado ao tempo da forma que o homem o está. É como se tivéssemos diante de nós vales e montes se sucedendo. O profeta os eventos como nós vemos os picos passando por cima dos vales. Outro aspecto importante na interpretação da profecia Bíblica é o cumprimento duplo da mesma. Isto implica dizer que uma mesma passagem profética pode se cumprir em momentos diferentes. Pode ter cumprimento parcial em um momento anterior e cumprimento completo em um último momento. São protótipos de tipos futuros que se levantam para indicar a verdade de Deus. Esta é a chamadalei da dupla referência profética”.
Da lucem, Domine!

agosto 08, 2011

ESCATOLOGIA III


Is. 46: 9 e 10 - "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade."
A Escatologia é uma doutrina bíblica e não um dogma religioso fanatizado ou uma arma aterrorizante a fim de levar pessoas para uma igreja ou seita. Esta doutrina só tem sentido para quem crê, porém, crer não é uma virtude humana, mas um dom recebido de Deus. São as Escrituras mesmas que declaram o seguinte: II Ts. 3: 2b - "... porque a fé não é de todos." No contexto em que aparece esta expressão é mostrado que a verdade cristã não é de todos. Portanto, fé não é um exercício de religião exterior, mas um dom divino. Isto acontece, porque em alguns textos o cristianismo é tido como uma categoria de fé. Contrapondo-se à fé bíblica há outra categoria de fé puramente humana, mas reduz-se a uma mera expectativa, ou mesmo numa simples esperança natural. A fé que procede de Deus é uma certeza conforme Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a certeza das coisas que não se vêem." A palavra 'certeza' no texto grego original é 'substância', ou seja, é algo firme, concreto e real, não apenas uma suposição, uma sugestão, ou ainda, uma auto-sugestão. Olhando o inteiro teor do texto retromencionado, vê-se claramente que a fé verdadeira é absolutamente ilógica do ponto de vista das habilidades e competências humanas. Nenhum homem natural é capaz de crer da forma apresentada no conteúdo do referido texto. Tal nível de fé não depende de uma experiência sensorial, mas apenas de confiar no que dizem as Escrituras. É o crer para ver, e não o ver para crer de muitos religiosos.
Não se pode falar em Escatologia sem primeiro proceder à leitura do texto de Mt. 24:36- "Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai." Os discípulos interpelaram a Cristo sobre o tempo do fim, mas do fim de uma era e não do fim do mundo como se diz nas religiões sensacionalistas e maniqueístas. Cristo deixou claro que, nem Ele, nem os anjos fieis sabiam do dia e da hora de tais fatos finais. Entretanto, deu ao longo do capítulo, diversas pistas de quando esse tempo estaria próximo. Por exemplo: muito engano religioso, guerras e rumores de guerras, fome e terremotos em diversos lugares, perseguições, prisões e assassinatos de cristãos por causa da pregação do evangelho, escândalos, traições e ódio, falsos profetas, engano em outras esferas, iniquidade, desamor e pregação em massa do evangelho. Ora, muitos destes sinais estão em franco processo de ocorrência, ainda que de forma suave e discreta. A tendência é acelerar e convergir para o tempo previsto na profecia.
Também Cristo adianta o expediente dizendo que haverá enormes dificuldades para os eleitos e regenerados. Muitas dificuldades para quem tiver crianças, profanação de lugares sagrados, tribulações de toda natureza. Afirma que os dias serão abreviados por causa dos escolhidos.
Aparecerá alguém afirmando ser o Cristo, fazendo grandes sinais e prodígios bastante convincentes. Isto prova que sinais, maravilhas e prodígios não devem ser tomados como a base da verdadeira fé, pois o Diabo também os realiza. Depois desta fase de simulação da vinda de Cristo, ou seja, de um falso retorno, ocorrerão diversos fenômenos nos espaço: o Sol escurecerá e a Lua perderá o seu brilho. As estrelas cairão e o equilíbrio dinâmico do universo será profundamente abalado. Já se sabe que estão se deslocando grandes corpos no espaço em direção a Terra. Geralmente são asteroides, meteoros e meteoritos que poderão atingir a superfície terrestre, ou mesmo, causar certos desequilíbrios em seu campo gravitacional.
Finalmente, o Senhor Jesus, o Cristo afirma que a vinda d'Ele será de forma surpreendente, porém, não visível neste primeiro momento de resgate da Igreja que estiver sofrendo as perseguições do sistema comandado pelo iníquo. Na sua 'parousia', sim, será visível ao mundo todo, porém será para exercer o juízo e a justiça. A ordem é para vigiar e orar e estar preparado.
Solo Christus!

agosto 03, 2011

ESCATOLOGIA II


Is. 46: 9 e 10 - "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade."
Escatologia é um procedimento divino realizado com base na palavra profética. Profecia no sentido puramente bíblico é uma comunicação da parte de Deus e dirigida ao homem por meio de um ser sobrenatural ou por pessoas autorizadas a falar o conteúdo e o teor da referida comunicação. Antes de Cristo, e durante o período de transição entre a velha e a nova aliança, Deus falou por diversas maneiras, mas agora após a revelação ter sido compendiada, Ele fala por meio de Cristo que é o Verbo revelado nas Escrituras. Isto fica claro em Hb. 1:1 e 2 - "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo." Por esta razão, todos os que se atrevem a fazer predições, em nome de Deus, não passam de meros adivinhadores como qualquer outro de qualquer crença.
Biblicamente não se pode confundir profecia com adivinhação, como se vê em muitas práticas religiosas deste tempo. A maneira de esclarecer se a profecia é de Deus, ou do homem é colocada em Dt. 18: 21 e 22 - "E, se disseres no teu coração: como conheceremos qual seja a palavra que o Senhor falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás." Pelo contexto anterior deste texto fica muito evidente que é Deus quem coloca as palavras na boca do profeta e não o profeta quem as coloca na boca de Deus como se nos dias atuais; também é Deus quem suscita os profetas e não os profetas quem suscitam-no como se nestes tempos; também acrescenta-se que o verdadeiro profeta fala do que ordena Deus e jamais o que quer a sua vontade. Logo, o que difere a verdade da mentira é em quem a profecia se originou. As ações procedentes de Deus são firmes, irretocáveis, fieis, verdadeiras, independentemente de serem agradáveis ou desagradáveis.
I Ts. 5: 20 e 21 - "... não desprezeis as profecias, mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom." Vê-se que o conselho do apóstolo Paulo é que não se deve desprezar ou abandonar as profecias, mas colocá-las à prova e reter apenas o que tem procedência nas Escrituras. O texto não está falando de previsões do futuro, ou adivinhações, mas de usar as Escrituras para ministrar fé e esperança aos corações dos eleitos e regenerados. O estímulo por meio da profecia mantém os eleitos firmes como está registrado em Dt. 31:7 - "Sê forte e corajoso, porque tu entrarás com este povo na terra que o Senhor, com juramento, prometeu a teus pais lhes daria; e tu os farás herdá-la." Foi dito a Josué para que fosse forte e corajoso, não com base em suas próprias forças, mas porque o Senhor havia jurado que o povo entraria na terra prometida.
Atualmente, muitos andam quilômetros atrás de "profetas" para resolver seus dilemas puramente horizontais. São enganados e enganam-se, porque tais predições nada têm a ver com a profecia bíblica e, muito menos, com Deus. O fato deste ou daquele "profeta" acertar uma ou outra coisa da vida pessoal, ou dos fatos da vida de alguém, não o habilita como mensageiro de Deus, porque o Diabo faz isto muito bem, além de curar e exaltar o homem para que ele não veja o seu próprio pecado e a cruz onde este é aniquilado. O Diabo é mestre destas coisas, porque ele conhece o coração pecaminoso do homem e sabe que é disto que ele gosta e quer. Então, utiliza-se do expediente das previsões para afastá-lo do verdadeiro evangelho.
É sabido que os eleitos e regenerados são sempre objeto do amor e dos cuidados do Eterno por meio de Cristo. Ele mesmo afirma que não executa nenhuma decisão sem antes comunicar profeticamente aos seus eleitos conforme Am. 3:7 - "Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." Todos os nascidos do alto são profetas do Altíssimo no sentido em que estão autorizado a anunciar o segredo d'Ele escondido nos séculos passados, mas finalmente revelado em Cristo conforme Cl. 1:26 e 27 - "... o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória." E a maior e mais perfeita profecia que alguém recebe para pregar é esta: a vida de Cristo nos eleitos e regenerados.
Entretanto, os que não nasceram do alto continuarão seguindo as suas almas contaminadas pela natureza pecaminosa e não regenerada pela inclusão na morte de Cristo. Isto fica bem claro em Ap. 22:11 - "Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda."
Esta é uma profecia para o nosso tempo, pois os que nasceram de novo são embranquecidos pelo lavar regenerador de Cristo; porém os que permanecem em suas vidas almáticas, permanecem nas suas justiças próprias e sistemas religiosos da mentira.
Da lucem, Domine!

agosto 02, 2011

ESCATOLOGIA I


Is. 46: 9 e 10 "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade."
Escatologia é uma doutrina estritamente bíblica que se ocupa da interpretação e do ensino das coisas finais as quais apontam e antecedem a restauração da ordem no universo. Cuida, portanto, do destino final dos homens e do mundo por meio das profecias escriturísticas antigas e dos textos neotestamentários, especialmente os apocalípticos. Desta forma, todo o conteúdo das Escrituras, em toda sua extensão a Escatologia é retratada. Entretanto, muitas predições já se cumpriram, outras estão se cumprindo, e ainda outras, se cumprirão. Todavia, este é um assunto que só é alcançado espiritualmente pelos que recebem a fé para crer nas Escrituras como Palavra de Deus, e não como manual de religião. Fora disto, tal assunto se torna mera especulação, conhecimento puramente intelectivo e mecanismo de coação das pessoas para que procurem e se submetam às religiões.
De fato, os acontecimentos ocorrem esparsos, isto é, em intervalos irregulares de tempos. Por esta razão, as pessoas comuns não se dão conta que as predições de Cristo, dos profetas, e dos mensageiros celestiais se cumprem à risca. Todavia, quando os acontecimentos são reunidos em uma sequência cronológica, vê-se que os fatos são muitos, constantes e se aceleram rapidamente.
Nesta esfera de doutrina bíblica há duas tendências: uma leva as pessoas a buscar apenas o entendimento intelectual, porque têm medo ou curiosidade; a outra move os eleitos e regenerados a considerar tais predições para a sua alegria espiritual e renovo das esperanças e da fé que receberam por Graça. Então, tal assunto pode provocar sofrimento em uns, e descanso em outros. Tudo depende a que domínio o indivíduo pertence: se da luz ou das trevas.
O texto que abre este estudo mostra e apela à lembrança dos que conhecem a ação de Deus desde a antiguidade. Afirma que ele, e somente ele, é Deus, não havendo a possibilidade de outro 'deus' existir. Tal assertiva se comprova historicamente, porque nenhum dos supostos 'deuses' dos povos e nações realizou obras semelhantes às do Deus verdadeiro e único que se revelou ao homem. A diferença das crenças e superstições dos homens reside no fato, que, no ensino da verdade, a ação é absolutamente monérgica, enquanto nas crendices religiosas a ação é invariavelmente sinérgica. O texto supracitado mostra, ainda, que o Deus único e verdadeiro conhece e anuncia o fim desde o início, e que executa toda a Sua vontade, independentemente do homem e seus pressupostos. Isto implica no seu atributo de presciência e onisciência!
Um dos maiores erros humanos, ainda que por ateus ou crédulos é não conhecer, e mesmo conhecendo, não crer na soberania de Deus. Um ser soberano é absoluto e todos os seus atos são igualmente absolutos. O homem, na sua incredulidade, sempre imagina que pode ludibriar Deus e contornar os seus "decretos eternos" numa espécie de manobra estratégica a fim de ganhar dividendos com isso. Ora, ele não se ilude e não partilha com a criatura absolutamente decaída e depravada conforme Rm. 3: 10 a 18 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios; a sua boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Nos seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante dos seus olhos." O apóstolo Paulo está fazendo, neste texto, uma citação do Salmo 14. Neste ponto você examina a sua consciência e procura logo se esquivar do conteúdo deste texto, porque a sua justiça própria toma como parâmetro as virtudes humanas, os valores morais aceitos e consagrados pela sociedade. Entretanto, mesmo as suas bondades, justiças próprias e bons antecedentes estão circunvalados pela natureza pecaminosa herdada de Adão. Portanto, mesmo quem não comete uma ou outra falha apontada pelo texto bíblico, possui em si a possibilidade de cometê-las a qualquer momento e sob quaisquer circunstâncias. E ainda que viva uma vida inteira sem cometer determinados pecados e delitos, a natureza separada e morta para Deus continua habitando o seu interior. É esta natureza contaminada que precisa ser regenerada por meio de Cristo. Muitos não cometem determinados deslizes, porque têm medo de serem apanhados pelo sistema judicial e temem sofrer execração pública; temem a perda do prestígio social e da pressuposta moral para com os amigos e familiares. O homem é um ser que vive quase sempre de aparências, numa espécie de jogo de dissimulações para sobreviver a si mesmo.
Escatologia é a análise dos procedimentos de Deus ao longo da História com vistas aos fatos do tempo do fim de todas as coisas e da restauração final da ordem no universo.
Sola Scriptura!

agosto 01, 2011

DEUS... NÃO É O NOME DE DEUS V


Ex. 3: 13 e 14 - "Então disse Moisés a Deus: eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: o Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós."
Sabe-se que o próprio Deus se identifica como sendo Aquele que é eternamente, pois a expressão do texto que abre este artigo, "EU SOU O QUE SOU", no hebraico do Velho Testamento é 'Ehiéh asher ehiéh'. Na versão do Velho Testamento, por Jerônimo, do hebraico para o grego na Bíblia Septuaginta traduziu-se a mesma expressão como sendo 'Ego eimi hô on', o que mantém a mesma ideia de um Deus eterno, imutável no tempo e no espaço. A tradução de um rabino chamado Isaac Leeser diz: "Eu serei o que eu for", indicando que Deus pode ser o que quiser. No verso 14 do mesmo texto de abertura, ele verteu como "EU SEREI", sendo que o verbo hebraico no futuro dá a significação de uma espécie de continuidade e imutabiliade. Ainda segundo Joseph Bryant Rotherham, o verbo hebraico 'hayah' do qual deriva a expressão do verso 13, não é uma referência ao Ser ontológico de Deus, mas ao que ele pretende ser para quem quiser e no tempo em que desejar ser. O verbo 'hayah' significa "tornar-se" e não "ser" em essência. Assim, para este erudito, o que Deus disse foi: "Tornar-me-ei o que eu quiser" e, ainda a Moisés: "Tornar-me-ei enviou-me a vós"
Por todas estas razões entende-se que o nome sagrado de Deus é, na verdade, um verbo e expressa o que Deus é. É a forma causativa e indefinida do verbo hebraico 'hawah', incorporando o propósito d'Ele que não é expresso. Daí provém o tetragrama 'YHVH' ou 'YHWH', de onde provém 'Yavé', 'Yehovah' ou 'Yaweh', que, em português tornou-se Jeová.
Portanto, a proibição do nome de Deus no Velho Testamento é sobre a forma do seu uso e não sobre o ato pronunciá-lo em si. Porque ao utilizar o nome de alguém numa citação verbal ou documento implica em idoneidade testemunhal e fé pública. Logo, não se deve invocar o nome de Deus apenas para dar segurança em negócios ou propósitos humanos desleais, como se Deus estivesse chancelando tal negócio escuso. Também é fundamental dizer que as Escrituras fazem separação entre 'Elohim' e 'Yaweh'. Quando em um versículo se utiliza para Deus a palavra 'Elohim' está se referindo ao Deus criador, ou Deus Pai; enquanto, quando se refere a 'Yaveh' está se referindo ao Deus salvador, ou redentor. São referências distintas em suas funções às pessoas do Pai e do Filho Cristo. Nas traduções para o português ficou assim: quando aparece 'Elohim' traduz-se como Deus; quando aparece 'Yaweh' traduz-se como Senhor. Quanto á terceira pessoa da Triunidade Divina é denominado em hebraico 'Huach haKodesh', 'Sopro ou Vento Santo', ou ainda traduzido para a língua portuguesa como Espírito Santo.
Nesta serie de textos acerca do nome de Deus pretendeu-se mostrar que há muita controvérsia desnecessária sobre as coisar concernentes a Deus. Por esta razão é que muita gente, especialmente os jovens não têm mais ânimo para buscar entendimento sobre tais assuntos. As religiões com suas disputas puramente humanas, denigrem o nome de Deus, banaliza a fé e mercantiliza a igreja. Entretanto, as Escrituras afirmam categoricamente o seguinte: "Vós sois as minhas testemunhas, do Senhor, e o meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais e entendais que eu sou o mesmo; antes de mim Deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador." Is. 43: 10 e 11. O mesmo acontece em referência a Jesus, o Cristo em Hb. 13:8 - "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente."
Na verdade, quem carece de ser mudado é o homem decaído a fim de que possa experimentar a Graça e a Misericórdia de um Deus que não muda, mas é sempre o que quer, com quem quer, onde quer e para o que quer.
Da lucem, Domine!

julho 31, 2011

DEUS... NÃO É O NOME DE DEUS IV

Ex. 3: 13 e 14 - "Então disse Moisés a Deus: eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: o Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós."
Como o substantivo "Deus" não é o nome de Deus, e não interessam denominações criadas pela percepção humana sobre Ele, deve-se buscar o que Ele mesmo revela de si nas Escrituras. O texto de abertura mostra que Ele se auto-denomina de "EU SOU", indicando que não é o Seu nome próprio que importa, mas o que Ele de fato é. As pessoas se apegam muito aos adjetivos pomposos, porque estes dão a aparência de poder e controle. Entretanto, não adianta conhecer os qualificativos e predicativos de algo ou de alguém, sem conhecer a coisa em si, ou a pessoa de quem se fala.
Em substituição ao tetragrama que forma o nome de Deus na língua original das Escrituras, surgiram diversas referências a Ele, dentre tantas destacam-se as seguintes:
Aará - meu pastor.
El Cana - Deus zeloso.
Adonai - Senhor.
El Deot - Deus da sabedoria.
El Elyon - Deus do pacto ou aliança.
Attiq Yomin - Antigo de Dias.
El Ne'eman - Deus da graça.
El Olam - Deus Eterno.
Adon Hakavod - Senhor da Glória.
El Rói - Deus que vê.
El Shadai - Deus que amamenta ou sustenta.
El Sale'i - Deus é a minha rocha.
Elohim - Deus Criador.
Gibbor - Deus poderoso.
HaShem - o Nome.
Rofecha - que cura.
Tsavaot - o Senhor dos Exércitos.
Kadosh Israel - o Santo de Israel.
Vê-se que são títulos em conformidade com os poderes e virtudes de Deus, porém desejados e invocados pelo homem, pelo íntimo desejo de contar com uma força, proteção, cura, auxílio. Entretanto, a primeira vontade de Deus é uma só conforme Jo. 17:3 - "E a vontade de Deus é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste." Todas as demais vontades d'Ele decorrem desta, pois sem conhecê-Lo, ninguém poderá ser santificado, render graças, pregar o evangelho, ser obediente, realizar as obras de Deus, etc. Tal conhecimento experimental e não intelectivo só se dá por meio da inclusão na morte de Cristo, e na consequente ressurreição juntamente com Ele. Tudo isto se apropria tão-somente pela fé, e esta é dom de Deus.
Deus disse a Moisés: "Eu Sou o que Sou". Esta expressão em hebraico é o uso do verbo ser numa forma que reduz o presente, o passado e o futuro, indicando a natureza eterna e imutável de Deus. Transliterado produz o tetragrama "Yhvh", Yavé, ou Jeová como foi traduzido na língua portuguesa. A expressão "EU SOU" no verso 14 de Êxodo 3 está no futuro, porém no hebraico o futuro é utilizado para expressar um estado contínuo ou permanente, isto é, que é e que sempre será. Então, a expressão "Eu Sou o que Sou" deve ser traduzida de modo mais próximo ao original como sendo "Eu Sempre Serei o que Sou". Portanto, o anagrama resultante desta expressão hebraica é "Yhvh", expressando que Deus é imutável, é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Os seus decretos eternos não podem ser afetados pelo tempo, pelo espaço, e, muito menos, pelas circunstâncias. Suas promessas são fieis e verdadeiras infalivelmente. A maior dificuldade não é Deus cumprir os seus desígnios, mas o homem decaído crer incondicionalmente nisto.
Por medo de as pessoas utilizarem o nome de Deus levianamente, os copistas ou escribas substituíram o tetragrama "Yhvh" por Senhor. Por esta razão os judeus nunca escrevem ou pronunciam o verbo ser, porque este coincide com o tetragrama do nome de Deus. Este nome aparece quase sete mil vezes nas Escrituras.
Da lucem, Domine!

julho 30, 2011

DEUS... NÃO É O NOME DE DEUS III

Ex. 3: 13 e 14 - "Então disse Moisés a Deus: eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: o Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós."
O homem tem a tendência à banalização de quase tudo e as religiões prestam-se ao desserviço de fazê-lo em relação a Deus, pelo menos do ponto de vista da concepção humana de quem seja Ele. É fato que nenhuma religião foi fundada por Deus, enquanto instituição. O próprio termo 'cristão' foi utilizado pela primeira vez quase no final do primeiro século em Antioquia conforme o registro de At. 11:26b - "...e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos." Assim, nascia a ideia de cristianismo, ou seja, um grupo de pessoas que seguiam a Cristo. Desta forma foram homens que deram início a um movimento que recebeu a denominação de cristianismo, e não o Senhor Jesus, o Cristo. Logo, Cristão é aquele que segue a Cristo, e não apenas uma denominação religiosa, ou mesmo alguém que se declara religioso. Em se tratando da verdade não é o bastante declarar-se, mas antes, é imperativo confessar-se. A diferença é que declarar é um mero assentimento emocional ou intelectivo, enquanto confessar é afirmar com fé. Declarar é, enquanto verbo pronominal, apenas revelar-se partidário ou entusiasta de uma causa, organização, pessoa ou grupo. Já confessar é revelar, declarar, contar ou reconhecer, como verdade, algo ou alguém ainda que em prejuízo próprio e sem nenhuma garantia de vantagem.
Outro aspecto banalizado ao longo da história, especialmente, nos tempos atuais é a Igreja. Esta palavra provém de um termo grego que tem sua origem na instituição política. A 'ekklésia' era a reunião dos representantes da 'polis' grega para deliberar sobre assuntos do interesse público. O termo traz significação de alguém ou de um grupo que foi convocado para se retirar do lugar comum e se dedicar a uma causa pública. Provém da preposição 'ek' (para fora) + e do verbo 'kaleo' = (chamar). Desta forma o termo foi tomado emprestado pela fé cristã como aqueles que foram eleitos e regenerados para viver no mundo, porém fora do controle do mundo e seus pressupostos conforme Jo.17: 14 a 16 - "Eu lhes dei a tua palavra; e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo." Esta é, portanto, a posição e a relação do regenerado no mundo e com o mundo. O que se vê hoje são cristãos cada vez mais engajados com o mundo, acreditando que podem mudá-lo. Ora, as Escrituras afirmam categoricamente que o mundo vai de mal a pior até o desfecho final. O Diabo é quem se preocupa em recuperar o mundo e exaltar o homem no pecado para manter o seu reino fictício. Desta maneira muitos crentes estão dando grande ajuda a ele neste processo e nesta empreitada. Querem um paraíso na Terra sem cruz e sem morte da natureza pecaminosa na cruz.
Jesus se refere à Igreja uma única vez, em Jo. 16, entretanto, o faz no seu sentido geral e abrangente. Não se refere à Igreja como uma denominação religiosa circunvalada entre quatro paredes, mas como um grupo de fiéis regenerados ao longo do tempo e em todos os lugares. Então, a verdadeira Igreja não tem nome, não tem dono humano, não tem dogmas e doutrinas de homens, liderança política e burocrática. É formada por pessoas simples que, mesmo depois de terem os seus pecados destruídos na cruz, continuam se reconhecendo absolutamente dependentes da misericórdia e da graça de Abba.
Semelhantemente o mesmo ocorre em relação ao nome de Deus. São tantas maneiras e formas de se referir a Ele, que tornou-se banalizado. É recorrente o fato de muitas pessoas responderem acerca de projetos executados ou a executar com um uníssono "graças a Deus". Muitas dessas pessoas sequer sabem quem é Deus e o seu projeto de redenção verdadeiro. Seguem uma tradição repetitiva de afirmar o que ouviram desde criança, sem nenhuma comprovação ou experiência real com Ele.
Da lucem, Donine!

julho 29, 2011

DEUS... NÃO É O NOME DE DEUS II

Ex. 3: 13 e 14 - "Então disse Moisés a Deus: eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: o Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós."
A origem da palavra "deus" remonta aos primevos dos tempos e encontra fundamento em cultos denominados como pagãos. Com o tempo a palavra adquiriu significação exclusiva no Cristianismo Nominal, passando a ser grafada com inicial maiúscula para diferenciar dos outros sentidos aplicáveis. Assim, em sua forma capitalizada é reconhecida como referência ao Deus dos cristãos, mas em sua forma diminutiva pode significar qualquer divindade ou deidade em geral. Logo, "Deus" é uma forma substantiva nas religiões monoteístas, enquanto "deuses" é uma forma generalizada nas religiões politeístas.
A forma mais antiga é extraída do códice cristão Argenteus do século VI, originado na língua proto-indo-europeia do termo 'ghu-to-m', dando origem à raiz proto-germânica 'gudan', de onde surge "God" na língua inglesa, "Gott" no alemão moderno. A raiz 'ghau' significa "invocar", ou "chamar". Também postula-se que a palavra 'deus' provém do indo-europeu 'deiwos' que significa "resplandescente", "luminoso". Na concepção meso-oriental, portanto, era uma referência aos celestes, tais como o Sol, a Lua, e as Estrelas, contrapondo-se aos terrestre e humanos. Ainda resta uma outra explicação que atribui a palavra 'deus' à escrita indu chamada sânscrito, tendo se originado de 'dyau' que significa "dia". Esta palavra tem a sua correspondente no grego clássico 'theos' que significa aquilo que brilha, a própria luz, ou espírito.
Entre os judeus não se pronuncia o nome de Deus, mas são utilizados certos adjetivos, tais como: El Shadai, Adonai, Hashamayim, El Elyon, Eterno, que o identificam. A própria palavra "DEUS" é grafada da seguinte maneira "D'us" para evitar coincidências com divindades pagãs. Mesmo no hebraico moderno não se escreve e não se pronuncia o verbo ser, porque este coincide com o anagrama do nome de Deus. O sumo sacerdote na antiga aliança entrava uma vez por ano no Santo dos Santos, um compartimento do Templo de Jerusalém, para oferecer sacrifícios pelos pecados. Era a única vez em que o nome de Deus era pronunciado. Documentos extra-bíblicos dizem que, se o sumo sacerdote não tivesse se preparado adequadamente, morria ao pronunciar o nome de Deus. Por isso, ao entrar no Santo dos Santos era-lhe amarrada ao tornozelo uma corda, e no seu vestuário eram colocados diversos guizos, pois se ele não fizesse barulho, movimentos, ou demorasse mais do que o devido, os outros sacerdotes puxavam a corda para retirar o seu cadáver de lá.
O latim é de origem indo-europeia, tanto quanto o alemão, balto-eslavo, o armênio, o hitita, o sânscrito, o celta e o persa. Das línguas neolatinas, o português foi a única que manteve a palavra "deus" inalterada, sendo esta proveniente de 'divos', ou 'deus'.
Na verdade tudo começa quando Jerônimo traduziu o Velho Testamento hebraico para o latim popular, a chamada, Septuaginta. Ele traduziu a palavra 'Elohim' como sendo 'Deus'. Todavia, não pode haver correspondência nestas palavras, pois "Deus" provém das línguas proto-indo-europeias, especialmente evoluídas para 'Dyeus' que era o "deus" principal do culto babilônico. Desta mesma palavra provém as cognatas "Zeus" na Grécia antiga, e "Júpiter" em Roma antiga. Logo, esta foi a forma do culto pagão e politeísta de Roma conciliar-se, ou harmonizar-se com o Cristianismo falsamente aderido pelo Imperador Constantino após o Concílio de Nicéia em 405 d. C. Desta forma os cristãos religiosos, ao pronunciar a palavra "Deus" está, na verdade, invocando, pronunciando e exaltando uma divindade pagã, líder do panteão dos deuses das culturas indo-europeias antigas. É a permanência da "Grande Babilônia" mãe das abominações e mentiras até os dias de hoje.
Da lucem, Domine!

DEUS... NÃO É O NOME DE DEUS I

Ex. 3: 13 e 14 - "Então disse Moisés a Deus: eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: o Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós."
A cultura popular possui, no Brasil, seus matizes muito bem enraizados. É recorrente, no dizer dos mais velhos, quando alguém mais jovem pronuncia a palavra "Deus", certa recriminação no sentido de não se pronunciar o nome de Deus em vão. A razão disto é a transmissão oral dos conceitos adquiridos ao longo dos tempos, porém perdidos em sua essência original por falta de sistematização. A razão para tal assertiva está em Ex. 20:7 - "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão." Entretanto, nesta passagem veterotestamentária, não está em discussão a simples pronúncia da palavra "Deus". O que o texto em seu sentido original hebraico ensina é que não se deve lançar mão de uma postura religiosa hipócrita, ou seja, não dizer-se crente para encobrir a real natureza pecaminosa latente e ostensiva. Não pregar espiritualidade com base na moralidade decaída e contraditória. Implica, finalmente, na postulação de uma teologia por quem não conhece a verdade e vive fora da natureza regenerada. Nisto consiste a vaidade de se tomar o discurso de uma fé inexistente. Hoje muitos vivem na suposição de uma fé que não conhecem.
Deus é um substantivo concreto designativo de um ser ou ente infinito, eterno, sobrenatural e existente por si só; causa necessária e fim último de todas as coisas e realidades! É a causa determinante de tudo, e para a qual tudo converge. Este é o conceito mais amplo aplicado à palavra Deus. Nas religiões primitivas é a designação dada às forças ocultas, aos espíritos mais ou menos personalizados; nas religiões politeístas, especialmente nas mais antigas se refere a uma divindade superior aos homens e aos gênios à qual se atribui influência nos destinos do universo; nas religiões monoteístas, sobretudo no cristianismo, ser supremo, criador do universo. Assim, vê-se claramente que tal substantivo concreto não é nome próprio, mas apenas o que define uma categoria de ser, ou ente imaginário ou real para a fé de um grupo ou para um indivíduo.
Desta forma a palavra Deus recai na esfera das generalidades e pode ser entendida apenas como um ser ou ente supostamente sobrenatural, um ídolo, uma pessoa de grande influência e poder. Há, portanto, a necessidade inclusive de se fazer desambiguação do termo, pois pode até mesmo ser aplicado a uma pessoa humana, ou ao Diabo conforme II Co. 4:4 - "...os quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.". Assim, ao longo da história a ideia, ou a concepção de Deus varia muito de lugar para lugar, de crença para crença e de circunstância para circunstância.
Acerca da origem da palavra Deus e das suas implicações há muitas controvérsias e até mesmo quem a evite por julgá-la inadequada espiritualmente. O fato é que não há nenhuma condenação para quem pronuncie a palavra Deus nas Escrituras.
Da lucem, Domine!