dezembro 06, 2015

A GRANDEZA DA GRAÇA DO SACRIFÍCIO PELOS INIMIGOS

Rm. 8: 7 e 8 - "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus."
Deus, em Cristo, é o único caso em que alguém se sacrificou por seus inimigos. Um inimigo é, por natureza, um adversário e opositor ostensivo ou velado. Não se faz inimigo apenas por atos e atitudes, mas por natureza, posição e relação. Por exemplo, muitos entendem intelectualmente que anticristo é um ser maligno que se opõe a Cristo. Entretanto, há outra significação menos usual a qual indica que é anticristo, toda e qualquer pessoa, que pretende ocupar o lugar de Cristo, e não necessariamente, aquele que se lhe opõe. A oposição é consequência do desejo de querer usurpar o lugar de Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos. Neste sentido, todo homem já nasce anticristo! Isto porque todos já nascem portadores da natureza pecaminosa e antagônica ao Filho de Deus por posição e relação.
O texto de abertura mostra com clareza meridiana que a inclinação da carne é inimizade contra Deus. A carne a que alude o texto não é apenas a dimensão físico-biológica do homem. É, sobretudo, o conjunto dos comportamentos morais que se caracteriza pelos desejos, habilidade e competências puramente terrenas, humanas e diabólicas. O apóstolo Tiago traz luz sobre esta questão conforme Tg. 3: 13 a 15 - "Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." Há larga distância entre conhecimento, sabedoria e entendimento. A evidência que alguém possui a sabedoria espiritual, aquela que provém de Deus, é o bem proceder e as consequentes obras de mansidão. Na maioria das vezes os religiosos invertem tal ordem, colocando os comportamentos como causa da sabedoria espiritual. Na verdade, o bom comportamento moral é consequência e não causa de espiritualidade. Então, a sabedoria humana possui três dimensões: é terrena, almática e diabólica. Terrena, porque toma por referência apenas o ponto de vista das realidades deste mundo; almática, porque é consequência dos desejos, habilidades e competências oriundos da alma humana; diabólica, porque todo homem possui a natureza contaminada pelo pecado inoculado pelo Diabo no primeiro Adão.
Por todas estas razões e outras tantas é que o homem se inclina invariavelmente para a inimizade contra Deus. Não se iluda, tal inimizade se dá, tanto por boas obras, como por obras más. Não é uma questão de escolha, mas de natureza inclinada. Do estudo da fitobiologia apreende-se que o vegetal possui duas inclinações: o geotropismo, quando busca o solo para dele se alimentar, e o fototropismo, quando busca a luz solar para com ela realizar a fotossíntese e sintetizar o alimento. Assim são os homens, se inclinam sempre para serem inimigos de Deus, consciente ou inconscientemente. Este é um fato duro de se reconhecer, porque cada um avalia sua relação com o sagrado por meio de comportamentos ritualísticos e religiosos. Estes, todavia, nem sempre são exigidos ou inspirados por Deus. São frutos da concepção humana na busca frenética pela pacificação dos seus medos, dores e angústias almáticos.
Não se pode agradar a Deus estando na carne. Esta sentença é fulminante, porque não dá margem à qualquer recurso. Percebe-se que, "estar na carne", não se limita apenas à esfera do biofísico. É, de fato, ser guiado pelos desejos, vontades e decisões baseadas apenas no que é terreno, almático e diabólico. Por esta razão todos os homens são inimigos naturais de Deus, ainda que sejam bons cidadãos, bons religiosos, ou bons ateus. O texto bíblico afirma que não há ninguém justo, que entenda, e que busca a Deus conforme Rm. 3:10 e 11 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus." Todavia, a própria natureza inimiga de Deus faz que os melhores entre os homens desviem o entendimento de textos desta categoria. O orgulho e a presunção de bondade e retidão ofuscam a verdade bíblica.
O oposto de estar na carne é andar no Espírito, ou seja, é ter sido reconciliado com Deus por meio da inclusão na morte de Cristo e na sua consequente ressurreição. Tudo isto é por fé e não por atos e atitudes como exercício de religião. Andar no Espírito é receber a sabedoria do alto conforme Tg. 3: 17 e 18 - "Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz." Isto não implica em perfeição, mas em reconciliação com Deus que passa a determinar o querer e o efetuar da vontade humana. Cristo, na cruz, mudou o cativeiro dos eleitos e regenerados. Isto foi previsto em Ez. 11: 19 e 20 - " E lhes darei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne, para que andem nos meus estatutos, e guardem as minhas ordenanças e as cumpram; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus." Este ensino é paralelo ao ensino do nascimento do alto que Jesus ministra a Nicodemos em João capítulo 3.
I Pd. 3:18 - "Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito." A morte de Cristo foi inclusiva e substitutiva, visto que na cruz o pecador eleito foi incluído para perder sua natureza inimiga de Deus, e substituído espiritualmente no tempo e no espaço para a vida eterna. Isto é confirmado em Jo. 12:32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." É evidente que, apenas por meio da substituição dos injustos pelo Justo de Deus que as naturezas pecaminosas e inimigas de Deus seriam aniquiladas conforme o registro de Hb. 9:26. Também em Rm. 5: 8 a 12 se vê claramente a relação de inimizade natural do homem contra Deus - "Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação. Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
A grandiosa graça de Deus consiste em que o Justo sacrificou-se pelos injustos, fazendo de Deus em Cristo o único caso em que alguém se oferece em sacrifício pelos inimigos conforme Cl. 1: 21 e 22 - "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis..." Foi esta Graça que levou Jesus, o Cristo a perguntar a Judas Iscariotes na noite da traição: "... a que vieste, amigo?"
Sola Gratia!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

novembro 14, 2015

A SOBERANIA DE DEUS

Rm. 9: 6 a 18 - "Não que a palavra de Deus haja falhado. Porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus; mas os filhos da promessa são contados como descendência. Porque a palavra da promessa é esta: por este tempo virei, e Sara terá um filho. E não somente isso, mas também a Rebeca, que havia concebido de um, de Isaque, nosso pai (pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito: o maior servirá o menor. Como está escrito: amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia. Pois diz a Escritura a Faraó: para isto mesmo te levantei: para em ti mostrar o meu poder, e para que seja anunciado o meu nome em toda a terra. Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece."
Soberania é um substantivo feminino que provém originalmente do latim 'super omnia' e significa 'acima de tudo' ou 'poder supremo.' Soberania implica, obrigatoriamente, em uma natureza de poder acima de qualquer outro poder. É um poder superior derivado de autoridade plena. Por esta razão é atribuído apenas a Deus, porque moralmente nenhum outro ser possui competência para ter poder maior que o d'Ele. Isto é revelado por Deus mesmo em Hb. 6:13 - "Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha outro maior por quem jurar, jurou por si mesmo..."
O homem em seu estado decaído e absolutamente depravado perante Deus recebe como soberania apenas aquilo que lhe é interessante. Neste sentido, relativiza a soberania, tornando-a vazia de significado e sentido. A tendência natural do homem portador da natureza pecaminosa é atribuir a Deus apenas soberania naquilo que lhe convém. Quando colocado sob prova, o homem atribui à sua miséria e ao seu infortúnio à maldade dos outros homens, à ação do Diabo, às intempéries da natureza, à falta de sorte. Jó percebeu, no auge da sua provação que, tanto o bem, como o mal que acontece ao homem estão debaixo da soberania de Deus conforme Jó. 2: 10 - "Mas ele lhe disse: como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal? Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios."
Cena recorrente em igrejas espetaculosas e fora da verdade das Escrituras é atribuir todo e qualquer mal ao Diabo e todo o bem a Deus. Criam uma dicotomia dogmática sem examinar a realidade da natureza humana decaída, produzindo teologia sobre o vácuo. A experiência de Jacó no vau do Jaboque demonstra que, por vezes, Deus aperta o homem para que este se veja tal como é. Jacó lutou com o Anjo do Senhor toda a noite, até que, exausto, confessou quem, de fato, era, a saber, um suplantador. Desta forma, Jacó foi liberado pelo mensageiro que lhe deu uma marca de fragilidade, ferindo-lhe o nervo ciático e mudando-lhe o nome para Israel. É isto mesmo que a soberania de Deus opera no homem: reconhecimento do próprio estado pecaminoso e conhecimento do poder d'Ele para redimi-lo desta condição. Isto é muito lógico, pois se alguém almeja ser perdoado, como pode não confessar que é culpado?
Assim que a mídia noticiou os ataques de 13 de novembro de 2015 em Paris, pelo Estado Islâmico, começaram surgir inumeráveis posts no 'facebook' pedindo orações e rezas pela França e por Paris. Ora, o que adiantaria orar por algo que Deus tinha pleno conhecimento antecipado e permitiu que ocorresse? É ele mesmo quem afirma ter conhecimento dos fatos antes que os mesmos ocorram conforme Is. 46: 9 e 10 - "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade." A este atributo divino dá-se o nome de Onisciência, a saber, Deus sabe todas as coisas antes mesmo que elas aconteçam. Daí o néscio diz: "se sabe, porque não interferiu?" Exatamente, porque é Deus quem preordenou todas as coisas, boas e ruins. Tudo possui um propósito na mente de Deus. Além do que, os conceitos de bom e ruim é puramente relativizado na experiência humana.
O texto que abre esta instância demonstra com clareza meridiana a natureza da soberania de Deus. O Espírito Santo mostra, por instrumentação do apóstolo Paulo, que nem todos os homens são filhos de Deus. Não é o 'status quo' do nascimento de alguém que lhe garante filiação a Deus. Ele mostra que, nem todos os filhos de Abraão são israelitas ou filhos da promessa. São os filhos de Isaque que são contados como filhos da promessa, porque tal fato está fundamentado na soberania de Deus. Não foi Abraão o prometido, mas Isaque, portanto a promessa do advento do Salvador ocorre pela promessa de um filho que seria o cabeça de uma nação - Israel - por meio da qual viria o Redentor. Abraão era já de noventa anos e Sara com mais de sessenta anos. Portanto, do ponto de vista biológico seria muito difícil aos dois ter um filho. Entretanto, Isaque nasceu por causa da promessa e não por força das condições biológicas favoráveis. Desta forma, a descendência de Abraão em Isque se deu pela fé e não pelas circunstâncias. Foi a soberana vontade de Deus que determinou o nascimento de Isaque. Isaque é o tipo das coisas que aos homens são impossíveis, mas a Deus são perfeitamente possíveis. Tal ensino mostra que é pela fé que alguém é feito filho de Deus e não por outros mecanismos.
O texto paulino mostra ainda que a questão da eleição e predestinação não é uma decisão com base no que o homem faz ou deixa de fazer, mas na soberania de Deus. Falando de Jacó e Esaú é dito que eles sequer haviam nascido, ou mesmo praticado o bem ou o mal para que Deus determinasse que Jacó seria o escolhido. É dito ainda que, Deus amou a Jacó e odiou a Esaú. Neste ponto os advogados de Deus partem para a sua defesa dizendo que isto é um absurdo e que Deus ama a todos de igual modo. Todavia, o texto diz claramente que ele amou a Jacó e odiou a Esaú. Alguns tradutores tentam suavizar trocando o termo 'odiou' por 'amou menos' ou 'aborreci'. Todavia o texto grego koinê original diz literalmente que Deus odiou a Esaú. Ora, porque o Deus único e soberano não pode fazer o que quer? Só para satisfazer os melindres de homens dissolutos e decaídos? Jacó em nada era melhor que Esaú, até porque, ambos sequer haviam nascido ou praticado qualquer bem ou mal, quando Deus afirmou sua escolha. Trata-se, portanto, de uma livre e soberana escolha de Deus. A escolha é anterior a qualquer ato de ambos, provando que Deus decide pela soberana vontade e não por aquilo que o homem faz ou deixa de fazer. Não são os atos de justiça própria que leva a Deus a escolher alguém para a vida eterna, mas que tal escolha foi feita antes da fundação do mundo conforme Ef. 1: 3 a 6 - "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado."
No caso do Faraó que governava o Egito por ocasião da libertação do povo de Israel, Deus fez a mesma coisa. Mostra o texto que Deus mesmo levantou aquele faraó para mostrar a sua soberania sobre os povos e nações. Portanto, Deus demonstra misericórdia a quem quer e endurece o coração de quem quer. Caso alguém julgue isso injusto, peça uma audiência com o Altíssimo e o questione, se é que podes! 
Sola Scriptura!

novembro 11, 2015

ESTADO, ECONOMIA E IGREJA

Mc. 12: 14 a 17 - "Aproximando-se, pois, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro, e de ninguém se te dá; porque não olhas à aparência dos homens, mas ensinas segundo a verdade o caminho de Deus; é lícito dar tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos? Mas Jesus, percebendo a hipocrisia deles, respondeu-lhes: por que me experimentais? trazei-me um denário para que eu o veja. E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes Jesus: de quem é esta imagem e inscrição? Responderam-lhe: de César. Disse-lhes Jesus: dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E admiravam-se dele."
Ao longo da história do Cristianismo muitas controvérsias têm surgido. Algumas desaparecem rápido, outras prolongam-se por algum tempo ou por muito tempo. Outras, entretanto, permaneceram até o presente quadrante da História. Em sua maior parte, tais celeumas são levantadas por homens que, não tendo uma mensagem evangélica legítima, sustentam debates e discussões a fim de manter seus ganhos por meio da religião. Grande parte dos embates entre religiosos envolvem textos bíblicos, mas, na essência, nada têm a ver com a verdade bíblica. Não se trata de apurar a verdade que comunica a vivificação ao homem decaído e absolutamente morto para Deus. Trata-se, outrossim, de discussões inócuas a fim de manter as mentes vazias de Deus ocupadas em destilar venenos e antídotos a si mesmos.
Aqui ou ali ressurgem discussões sobre separação entre Estado e Igreja. Discute-se muito sobre a laicidade do Estado e da necessidade de enquadrar as igrejas nas mesmas obrigações fiscais e penais a que as demais instituições estão sujeitas por força de lei. Por esta razão crescem as bancadas católicas, evangélicas e de outros credos nos parlamentos. Mesmo na velha Europa onde questões de fé já não causam mais grande interesse, há diversos partidos cristãos. Caso houvesse uma enquete séria para perquirir políticos destes partidos, o resumo seria desastroso relativamente à verdade bíblica sobre a pessoa de Jesus e seus ensinos dos quase dois mil anos de Cristianismo. São posições políticas sem uma relação com o Cristo. Trata-se, portanto, de oportunismo pelo poder.
O texto que abre esta instância fala por si mesmo, dispensando outros textos paralelos. No tempo em que o Grande Rei andou entre os homens, a liderança política, religiosa e econômica muito se incomodou com suas posturas não engajadas e politicamente incorretas. Sempre que surgia uma oportunidade tentavam colocá-lo em uma cilada. Tal realidade é uma constante ainda hoje quando alguém destoa do sistema vigente e dominante. Os armadores de cilada aparecem para testar e qualificar o diferente. O objetivo é exclui-lo dos seus convívios para afastar qualquer ameaça de desintegração dos seus meios de vida.
Os inquisidores, quase sempre, se aproximam com lisonjas e afagos para ganhar a confiança do inquirido. Desta forma, ao afirmar que Jesus era um mestre, verdadeiro, que não buscava apoiar-se na glória dos homens e ensinava o verdadeiro caminho de Deus pode, por alguns instante, trair as mentes não nascidas de Deus. É uma declaração sedutora, uma vez que induz à ideia que o inquiridor está perfeitamente concordante com a mensagem e a postura do inquirido. Entretanto, é um artifício que visa a introdução do real motivo. Funciona como uma espécie de facilitador ou negociador para testar o tipo de espírito que está no outro. Não há qualquer mentira nas afirmações dos inquiridores de Jesus, o Cristo. De fato, ele é um mestre, verdadeiro, que não olha para a aparência do homem e ensina o verdadeiro caminho de Deus. A questão não está no que Jesus é, mas naquilo que oculta a intencionalidade do inquiridor. Seus interlocutores estavam interessados em expô-lo ao julgamento do Estado e da elite dominante.
Após lançar suas ciladas, partiram para o ataque direto: "... é lícito dar tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos?" Esta questão possui uma dupla armadilha, porque se a resposta fosse afirmativa condenariam Jesus pelas leis religiosas judaicas. Caso fosse negativa condenariam Jesus por insubordinação e rebelião à autoridade de César. Olhando desta forma parecia não ter saída. Todavia, a lógica humana é nula perante a sabedoria de Deus. Assim, Jesus, serenamente, percebeu a hipocrisia deles, pois os conhecia pelo espírito e não apenas pelo exterior. Importante notar que hipocrisia provém do grego 'hupókrisis' que significa 'resposta, ou resposta de oráculo'. Analisando apenas linguisticamente não parece trazer muita luz. Entretanto, considerando que oráculo é a interpretação que o sacerdote, profeta ou pitonisa dá às respostas dos "deuses", fica evidente que se trata de uma dissimulação ou versão do intermediário. Por isto, as respostas dos agentes humanos aos que consultavam seus "deuses" eram sempre enigmáticas e indiretas. Os oráculos são sempre nebulosos por meio de metáforas, parábolas repletas de símbolos e tipos. O homem decaído ama o mistério e o oculto. 
A resposta de Jesus, o Cristo foi pragmática: "... trazei-me um denário para que eu o veja." Ora, o Cristo sabia perfeitamente o que estava cunhado na moeda do império romano. Todavia, pediu um denário para materializar a sua resposta. Então, ele pergunta de quem era a imagem e a inscrição na moeda. Os religiosos, então, responderam: "de César." Desta forma Jesus, os forçou a obter a própria resposta daquilo que perguntaram por astúcia. "É lícito dar a César o que é de César." Ajuntou à sua explicação didática: "... e a Deus o que é de Deus." O objetivo de Jesus, o Cristo é mostrar que a Economia e o Estado pertence à esfera do mundo terreno, mas a esfero do divino o Estado e a Economia não têm alcance, nem autoridade. A moeda representa a economia, os dizeres e a esfinge representam o Estado. Mas a contraposição à economia e ao Estado está a alma humana decaída e carente da graça salvadora de Deus em Cristo.
Desta maneira, o ensino de Jesus, o Cristo pode desdobrar-se na verdade que o domínio espiritual só pode ser impetrado, regido e conduzido por Deus, enquanto o Estado e a Economia são atividades puramente horizontalizadas, momentâneas e efêmeras. Para espanto de muitos, as religiões e seitas ditas cristãs estão mais preocupadas com o reino deste mundo do que com o reino vindouro. Quase todas suas atividades giram em torno do Estado e da Economia, valendo-se de meras declarações acerca de Deus, Escrituras, Jesus, Verdade, etc.
Sola Gratia!

novembro 02, 2015

PAI PRÓDIGO, FILHO VIVIFICADO E IRMÃO LEGALISTA

Lc. 15: 11 a 32 - "Disse-lhe mais: certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai: pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres. Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades. Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada. Caindo, porém, em si, disse: quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados. Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. Disse-lhe o filho: pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se. Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças; e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. Respondeu-lhe este: chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com meus amigos; vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. Replicou-lhe o pai: filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu; era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado."
O texto escriturístico em sua forma original era inteiro, a saber, corrido. Não haviam subdivisões em capítulos, versículos e títulos. A denominada erudição teológica acrescentou tais elementos, imaginando que facilitaria a sua leitura e compreensão. Desta forma deu-se início a uma série de intervenções humanas que em nada pode modificar a revelação de Deus ao homem. Talvez facilite apenas a compreensão intelectual, mas não a revelação espiritual. O problema da falta de conhecimento de Deus está no homem e não nos textos. No contexto que abre este estudo foi colocado o título "a parábola do filho pródigo." Todavia, Jesus não o chamou desta forma. Trata-se de mais uma intervenção dedutiva com base na lógica humana.
Pródigo é um adjetivo que admite dois sentidos: um sentido pejorativo e outro axiologicamente positivo. O sentido negativo afirma que pródigo é o indivíduo que gasta mais do que o necessário e dissipa os seus bens sem pensar no futuro. Este foi o título que, erroneamente, a chamada erudição bíblica deu ao texto da parábola de Jesus, o Cristo. Preferiram enfocar o aspecto de erro e culpa no filho que gastou a herança, enquanto o foco do texto é o amor do pai que tipifica Deus. O outro sentido afirma que pródigo é alguém generoso, liberal, magnânimo, fecundo e produtivo. Enquanto substantivo masculino faz referência ao indivíduo pródigo em qualquer dos sentidos. Portanto, positivamente, o verdadeiro pródigo no texto bíblico é o pai, visto que recebeu o filho com liberalidade e alegria, oferecendo-lhe um banquete e muitos presentes. 
O texto é rico em simbologia e por meio de linguagem figurada indica a relação de Deus com os eleitos e com os não eleitos. Indica as duas formas de relação e de posição dos homens diante de Deus. O pai que recebe o filho perdulário e desregrado que retorna, o faz com amor, liberalidade e alegria. O filho legalista é o que permaneceu com o pai, trabalhando honestamente, economizando e cumprindo regras. O filho mais velho representa aquela classe de pessoas que agem segundo códigos de moralidade, mas sem compreender o que é a graça e a misericórdia. Os que assim procedem são legalistas e se tornam escravos dos preceitos, dos ritos e das regras estabelecidas. No campo espiritual, acreditam que podem ganhar a vida eterna por cumprir normas apenas seguindo-as. Todavia, são pessoas ciumentas, rancorosas e magoadas, porque apresentam-se por meio dos seus méritos e não confiam na graça. São do grupo dos que tentam se aproximar de Deus pelo desempenho da justiça própria e pelos méritos próprios. Tais pessoas são, na essência, como Caim que, apresentou a oferta do próprio esforço e da justiça própria. Caim não entendeu o plano de Deus para a redenção do pecador. Contrariamente Abel entendeu que o projeto de Deus para redimir o pecador era por meio do substituto legal e perfeito. Por esta razão Deus se agradou de Abel e da sua oferta, mas rejeitou a Caim e a sua oferta. O resultado foi o assassinato de Abel por seu irmão Caim, porque este não suportava ser rejeitado. Desta forma eliminou o pecador aceito para tentar ganhar a primazia da adoração a Deus. Assim, são muitos religiosos que, por cumprirem esforços de religião exterior, regra sobre regra, preceito sobre preceito se julgam melhores e mais merecedores da graça de Deus.
O filho que recebeu a herança antecipada e saiu pelo mundo a gastá-la dissolutamente representa o homem que recebeu de Deus o domínio sobre toda a criação, porém descrendo na Palavra de Deus perdeu a primazia. Adão foi o primeiro homem a entrar pelo caminho do esforço próprio e do mérito. Ouviu uma segunda mensagem que o incentivava a ser, como Deus, portador da autonomia. Com a queda do primeiro Adão caiu toda a humanidade conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." O filho magoado da parábola de Jesus, o Cristo é o homem decaído e herdeiro da natureza pecaminosa de Adão. É um legítimo representante do primeiro Adão. O filho que esbanjou os bens é igualmente da raça adâmica, porém recebeu a graça para crer que poderia retornar ao recinto do pai e pedir perdão. Assim, as Escrituras mostram a nítida linha que separa eleitos e não eleitos. Os eleitos recebem a graça para enxergar sua própria natureza pecaminosa e ganham a fé para reconciliar-se com Deus. Os arminianos e legalistas decaem em seus semblantes e se enchem de rancor, ciúmes, vingança e maledicência contra os eleitos de Deus.
Pródigo é o pai nesta parábola, porque mesmo diante do filho dissoluto se mostrou perdoador e misericordioso. O filho gastador, por sua vez, confiou no amor do pai e não em si mesmo. Confessou sua culpa do pecado contra Deus e contra o próprio pai. Aproximou-se do pai sem nenhum mérito ou desempenho de justiça própria. Agiu pelo mesmo princípio de Abel e sua oferta com base na justiça do substituto.
Sola Scriptura!

outubro 07, 2015

A MENSAGEM, O PECADO E A GRAÇA DE DEUS

Gn. 4: 1 a 7 - "Conheceu Adão a Eva, sua mulher; ela concebeu e, tendo dado à luz a Caim, disse: alcancei do Senhor um varão. Tornou a dar à luz um filho, a seu irmão Abel. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. Então o Senhor perguntou a Caim: por que te iraste? e por que está descaído o teu semblante? Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar."
Há duas maneiras de estudar as Escrituras: uma é valendo-se dos recursos didático-teológicos e a outra é recebendo luz espiritual. A maior parte dos erros doutrinários e das grandes heresias surge exatamente, porque os religiosos insistem em interpretar as Escrituras à luz dos seus sistemas de crenças. A Teologia fornece diversas ferramentas para uma pessoa garimpar muitas coisas no texto bíblico. Entretanto, se este esforço não for unido à revelação do Espírito Santo ao espírito do homem, limitar-se-á apenas a uma peça de retórica bem elaborada. Não tem o poder de comunicar a verdade espiritual aos pecadores. Não passará de homilia, de exegese, e  de hermenêutica!
Acerca do episódio registrado no texto que abre esta instância, muito já se falou e se especulou. Alguns comentaristas, por falta de revelação, concluíram que houve deturpação da tradução do hebraico para o latim e, desta para outras línguas. Outros afirmam que alguns textos bíblicos são de difícil interpretação, porque são o reflexo da cultura oriental que é diametralmente oposta à cultura ocidental. Estes comentaristas se esquecem que o texto bíblico, enquanto letra pode até refletir o cenário cultural do escritor, mas há um fundo de inspiração espiritual que só pode ser revelado pelo Espírito Santo. O estilo e a convergência dominante de cada época, cultura e pessoa que escreve apenas refletem o modelo da narrativa, mas não a essência dela. A verdade a ser comunicada pelas Escrituras é espiritual e não intelectual, razão pela qual há um texto aberto e um texto fechado. Por esta razão, o texto grego neotestamentário difere a palavra escrita como sendo 'logos' e a palavra revelativa como sendo 'rhema.' Logos é apenas a letra, mas 'rhema' é o espírito da letra. Enquanto a primeira é o registro das narrativas, a segunda é o poder de Deus que vivifica o pecador morto em delitos e pecados. É aquela comunicação diretamente ao espírito do homem para vivificá-lo e reconciliá-lo com Deus.
O texto e o contexto no qual está a narrativa do assassinato de Abel por seu irmão Caim contém um versículo de difícil elucidação. Trata-se do verso sete, no qual leem-se as seguintes palavras: "porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? E se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar." A mensagem de Deus à Caim ocorre antes do assassinato de Abel. Caim era agricultor e Abel pastor de ovelhas. Ambos se apresentaram diante de Deus para fazer suas ofertas de adoração. Caim ofereceu o fruto do seu árduo labor, ou seja, ofereceu-se a si mesmo. Lavrar a terra retirando as ervas daninhas, plantar, cuidar e colher os frutos é um labor que exige grande esforço e desempenho. Abel, por sua vez, tomou um cordeirinho primogênito em seus ombros e o ofereceu sem muito esforço ou trabalho pesado. Deus se agradou de Abel por sua oferta, mas não se agradou de Caim por sua oferta. Vê-se que Deus se agradara de Abel pelo modo em que este se aproximou d'Ele. Não era uma questão da oferta em si, mas do modo correto do ofertante se apresentar diante de Deus. O modo da oferta explicita o nível de fé do ofertante: oferta dependente da graça de Deus e a oferta dependente do esforço e da justiça própria do ofertante.
A partir da recusa por parte de Deus, Caim alimentou profunda mágoa contra o seu irmão. Caim representa as pessoas as quais não suportam perder o lugar de primazia. Para manter o seu desempenho meritocrático resolveu eliminar o oponente, ainda que se tratasse do seu irmão. Decaiu-se-lhe o semblante, alimentando o rancor contra Abel. Deus, que tudo vê e tudo sabe, alertou Caim, preventivamente, contra seus intentos secretos. O texto em hebraico, língua matricial do velho testamento diz numa tradução literal: "Não é que, se ages bem, elevação, e se não ages bem, à tua porta o pecado dormindo e para ti sua cobiça e tu o dominarás." O que, de fato, o texto revela é que a elevação do semblante de uma pessoa é o reflexo da sua natureza. Desta forma, o agir bem é a exteriorização de uma natureza reconciliada com Deus, enquanto o mau procedimento é a revelação da natureza decaída e irreconciliada. Os pronomes hebraicos, no texto, para "seu" e "ele", por seus modos, não se referem ao pecado, mas a Caim. Era o próprio desejo de Caim que o colocava contra si mesmo. O pecado é apresentado como uma fera que finge dormir à espreita do coração de Caim. Ao alimentar a cobiça de obter exclusividade na adoração de Deus, matando o próprio irmão, tal fera acordaria e o dominaria. A única forma de Caim dominar o pecado seria levantando o semblante, ou seja, buscando a verdadeira adoração a Deus. Tal adoração dar-se-ia apresentando-se por meio do substituto e não por esforço e por justiça própria. Obviamente, isto traria a aceitação de Caim e da sua oferta perfeita, consequentemente, a alegria de espírito.
Abel era detentor da natureza pecaminosa, tanto quanto Caim, entretanto, aquele tinha consciência disso e aproximou-se de Deus por meio do substituto por reconhecer-se indigno. Isto indica que Abel ganhou revelação do significado da redenção por meio dos méritos de Cristo prefigurado no cordeirinho ofertado. Esta é a razão pela qual Deus atentou para Abel e para a sua oferta. O pecado é apresentado no verso sete como sendo uma fera acuada se fingindo de inofensiva. O pecado ataca a sua vítima e a forma dele ser dominado é pelo reconhecimento da culpa e da incompetência do pecador. A graça faz que o pecador transfira a sua culpa para a todo-suficiência e eficiência de Cristo conforme Rm. 7: 18 a 25 - "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado." Esta deveria ter sido a atitude de Caim para elevar-se perante Deus e não cultivar a ira e o ódio em seu coração que o fez cair nas garras da natureza pecaminosa. 
Na expressão indagativa: "... não é certo que serás aceito?" Deus está indicando a Caim a graça que supera o pecado. A forma de dominar o pecado é reconhecendo-se incompetente para oferecer mérito e justiça própria perante Deus. Por isso, Deus agradou-se de Abel e sua oferta, porque ele não tomou por base a si mesmo, mas ofertou-se por meio do substituto inocente, puro e sem culpa do pecado. Caim, contrariamente, ofereceu-se a si mesmo por meio do suor do seu rosto. Por esta razão o apóstolo Paulo doutrina que a salvação é pela graça mediante a fé conforme Ef. 2: 8 e 9 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie." A natureza pecaminosa no homem sempre e invariavelmente busca a gratificação de si mesmo.
Sola Gratia!

outubro 05, 2015

SENDO CONHECIDO E CONHECENDO

Jo. 10: 1 a 5 e 14 e 15 - "Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. Mas o que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre; e as ovelhas ouvem a sua voz; e ele chama pelo nome as suas ovelhas, e as conduz para fora. Depois de conduzir para fora todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz; mas de modo algum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas."
Jesus, o Cristo lançou mão de recursos muito simples para comunicar o ensino da verdade. A linguagem figurada é um recursos universal e fácil de ser entendido. Em um determinado contexto ele se declarou ser a porta estreita pela qual os pecadores eleitos entrariam após terem sido chamados. Em todo o ensino de Cristo há sempre o estabelecimento de posição, relação e reciprocidade. Obviamente, Cristo não é uma porta em sentido literal, mas aquilo que ela representa. A figura da porta estabelece a relação de passagem do reino das trevas para o da luz. A porta indica o acesso à verdade espiritual e à eternidade.
Um forte exemplo de posição, relação e recíproca se acha em Jo. 17: 20 e 21 - "E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste." O contexto é aquele em que Jesus, o Cristo está orando pelas suas ovelhas, visto que se aproxima o seu sacrifício na cruz. Vê-se que a obra de Cristo não é estática no tempo e no espaço. Todo processo de redenção do pecador sempre foi, é e será por meio da inclusão deste na morte e na ressurreição de Cristo. Tal inclusão sempre se dá pela fé que ele é, de fato, o redentor único, eficiente e eficaz para aniquilação do pecado. Também fica evidente que a redenção é por crer na palavra de Deus e não por religião exterior. Finalmente se vê com clareza que o objetivo é a unificação dos eleitos e regenerados com Cristo e com o Pai. O mundo apenas irá crer que realmente Jesus é o redentor divino quando for manifesta a unidade espiritual entre Deus, Cristo e a Igreja.  
No texto que abre esta instância se veem diversas metáforas: a porta, o aprisco, o ladrão e salteador, o pastor, as ovelhas. A porta é Jesus, o Cristo crucificado para aniquilação da natureza pecaminosa dos eleitos. Enquanto ele se identifica como a porta das ovelhas, Jesus se põe na posição do único meio de acesso a Deus. Após a cruz e a ressurreição, Jesus se torna o "Bom Pastor" que conduz e cuida dos eleitos e regenerados, tratando-os e curando-os dos seus atos pecaminosos. O aprisco ou redil é um curral que abriga as ovelhas onde são tratadas. O aprisco representa a Igreja onde os eleitos e regenerados são tratados de seus males almáticos até o retorno do Grande Rei. Aquele que pula a cerca e invade o aprisco é o ladrão e salteador. Esta metáfora se aplica a Satanás e aos seus falsos mestres que rejeitam a única solução para o pecado, a inclusão do pecador na morte de Cristo. A principal indicação de um ladrão e salteador é que ele não tem autoridade e autorização para entrar no redil pela porta. Ele é um estranho cujo interesse é apenas tosquiar emocionalmente e extorquir financeiramente as almas dos que não conhecem a verdade. O porteiro é o mensageiro humano que instrui o rebanho após a ascensão do "Sumo Pastor" conforme I Pd. 5: 2 a 4 - "Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa da glória." O verdadeiro mensageiro abre a porta do redil, ou seja, dá entendimento da verdade por meio do anúncio das Escrituras. É este o sentido de Mt. 16:19 - "...dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na Terra será ligado nos céus, e o que desligares na Terra será desligado nos céus." É a Igreja verdadeira ensinada pela pregação das Escrituras por um pastor segundo o coração de Deus. O que ela comunicar ao mundo é a verdade que liga os pecadores eleitos a Deus. O que ela não anunciar aos pecadores que não conhecem o "Sumo Pastor" os desligará eternamente de Deus.
A principal característica do "Bom Pastor" e das "suas ovelhas" é que eles mantêm uma relação de conhecimento recíproco. O "bom pastor" conhece as suas ovelhas e é conhecido por elas. Ele as conhece pelo nome, indicando intimidade e as conduz para fora do aprisco confirmando o texto de Nm. 27:16 a 18 - "Que o senhor, Deus dos espíritos de toda a carne, ponha um homem sobre a congregação, o qual saia diante deles e entre diante deles, e os faça sair e os faça entrar; para que a congregação do Senhor não seja como ovelhas que não têm pastor. Então disse o Senhor a Moisés: toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe-lhe a mão." Neste texto Josué é um tipo de Jesus, o Cristo na condução do povo de Israel à Canaã. 
O sentido de "depois de conduzir para fora todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem..." é Jesus, o Cristo, saindo de Jerusalém com a cruz e indo até o Gólgota para atrair os pecadores eleitos, a saber, as suas ovelhas. O "Sumo Pastor" conduz as ovelhas, as conhece pelo nome e as atrai a si mesmo. As ovelhas verdadeiras ouvem a voz do "bom pastor" e o seguem porque conhecem a sua voz e confiam nele. Elas não suportam outro pastor, porque não o conhece, não compreendem a sua mensagem e fogem dele. Os eleitos e regenerados identificam uma falsa pregação e um falso mestre nas primeiras palavras ditas por este. O ladrão e salteador é facilmente reconhecido pelas ovelhas do "Sumo Pastor."
O falso pastor, que é ladrão e salteador, e as suas falsas ovelhas se caracterizam apenas por ter uma posição religiosa. Não têm relação e reciprocidade, porque são conduzidas por um processo artificial e em arrepio à verdade das Escrituras. Conhecem apenas religião exterior e experiências almáticas, as quais confundem com espiritualidade. Permanecem sedentas, pobres e perdidas como ovelhas que não têm pastor. Neste sentido se cumpre o que está em Os. 4:6 - "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos." Conhecimento em termos bíblicos nada tem a ver com intelectualidade ou ciência, mas sim, com conhecer a pessoa de Cristo. É neste sentido que ocorre a recíproca: Cristo conhece as suas ovelhas e por elas é conhecido.
Solo Christus!

setembro 20, 2015

SAI DELA, POVO MEU III

Ap. 18:4 - "Ouvi outra voz do céu dizer: sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas."
Está claro que o sistema mundial envolve política, economia e religião. Babilônia é uma metáfora que se utiliza dos conceitos, ideias e práticas de uma antiga civilização berço de mentira, engano e escuridão espiritual. Embora os significados se alteram com a evolução das línguas antigas para línguas modernas, entretanto, não se lhes pode retirar os primeiros significados. Desta forma sabe-se que o substantivo feminino babilônia provém do acadiano 'babil' que significa 'porta dos deuses'. A cidade de Babilônia foi a capital da Suméria e o seu primeiro rei foi Hamurábi cujo governo e administração muito influenciaram as civilizações ocidentais. Dentre os feitos deste rei apontam-se alguns, como, a criação do sistema de tempo com o dia de vinte e quatro horas e a hora de sessenta minutos. O tempo é um componente fundamental para o estabelecimento de muitos outros subsistemas, tais como cálculo matemático, comercial, bancário, financeiro, trabalhista, astronômico, agrícola, arquitetônico, etc. Após a passagem dos hebreus por Babilônia, em seu cativeiro de setenta anos, acrescentaram mais um significado à palavra babilônia como sendo "grande confusão". Isto se deve ao fato de o fundador desta cidade - Ninrode - construía uma torre para finalidades místicas e escusas, portanto, Deus confundiu a língua dos operários para dar fim ao projeto de rivalidade. Na atualidade a palavra babilônia significa: 'cidade grande edificada sem planejamento, confusão, falta de ordem'. 
O significado primitivo de Babilônia - 'porta dos deuses' - traz na essência, a ideia de contato com seres decaídos vindos do mundo espiritual. No passado qualquer ente ou ser não humano era tido como "deus" ou divindade. No início deste blog há quatro estudos sobre tais seres denominados Nephilim. Tais estudos acham-se na aba de janeiro de 2008. Desta forma não há dúvidas que são estes seres decaídos sob a liderança de Satanás que controlam invisivelmente o sistema mundial a fim de estabelecer o seu domínio total sobre a Terra. Este sempre foi o projeto do "deus" deste século cuja função é entenebrecer os entendimentos dos não regenerados conforme II Co. 4: 3 e 4 - "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." E não se iluda, o fato de alguém estar em um sistema de crença, ainda que se intitula como cristão, não significa que seja nascido do alto. Uma das principais características da cegueira religiosa é a falta de aprofundamento na busca da verdade. Esta superficialidade se firma em manter-se preso a um sistema religioso sem testá-lo à luz das Escrituras. Todavia, os seus líderes, sabedores dessa possibilidade produzem muita literatura pretensamente esclarecendo os fundamentos da sua crença. Mostram de modo muito convincente que o seu sistema de crença é o verdadeiro. Por isso, muitos se satisfazem apenas com tais explicações epidérmicas e se acomodam. Por fim, com os anos de banco de igreja recebem uma dose tão elevada de lavagem cerebral que nada mais é capaz de penetrar em suas mentes e tudo que lhes é apresentado é rejeitado como inverídico e herético. Isto é explicado pelo apóstolo Paulo conforme I Tm. 4: 1 a 3 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade." Vê-se que tal processo de cegueira envolve desde práticas dietéticas, passando por moralidade e indo até questões doutrinárias. Invertem completamente os decretos eternos de Deus e torcem suas ordenanças conforme os desejos dos seus corações. 
O texto neotestamentário previne os eleitos e regenerados acerca do comportamento do sistema "Babilônia, a Grande" conforme II Tm. 4: 3 e 4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas." Ora, há grande diversidade de religiões, não apenas as tidas como cristãs, mas em todos os grandes sistemas de crenças. Logo, se todas reclamam a verdade como sendo sua, conclui-se que nenhuma está na verdade, pois a verdade é uma só. O fato é, que, o homem morto espiritualmente para Deus busca apenas gratificação para a alma. Por esta razão é que se sente bem em um sistema onde suas demandas morais, emocionais e legalistas são gratificadas. Tais religiosos são como bombas-relógio, pois as suas naturezas pecaminosas ficam contidas e retidas pelas imposições do sistema preceitual. Assim, eles se tornam subjugados ao jugo religioso, o qual nem eles mesmos creem espiritualmente. Agarram-se a estes expedientes cerimoniais regulados por preceitos a fim de apaziguar suas almas perturbadas pelos reclames das suas naturezas pecaminosas. Não percebem no texto sagrado a diferença entre natureza pecaminosa e atos pecaminosos. Não entendem que aquela é a causa e estes os seus efeitos. Tomam os efeitos como causa e a causa como os efeitos. 
Por esta razão a ordem do anjo é "... sai dela, povo meu..." Este mensageiro está obedecendo a ordem de Deus para que os eleitos abandonem o sistema da "Grande Meretriz" e dependam plenamente da Palavra d'Ele. A ordem é escatológica, entretanto, após a ascensão de Jesus, o Cristo deu-se início à contagem do tempo escatológico. Isto fica claro no texto de I Jo. 2:18 - "Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora." Fica evidente que, mesmo no primeiro século da Era Cristã, já havia dado início à última hora. Muitos imaginam que, quem prega esta verdade está errado, porque encoraja a saída de pessoas das igrejas. Porém, há duas coisas a serem consideradas: primeiro, nem toda agregação de pessoas em um templo físico é uma congregação ou igreja; segundo, a ordem é dada por Deus e não por qualquer homem. Deus é quem conhece tudo profunda e verdadeiramente!
Sai dela, povo meu!!!
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fides!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

setembro 19, 2015

SAI DELA, POVO MEU II

Ap. 18:4 - "Ouvi outra voz do céu dizer: sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas."
Considerando a aparente confusão no trato com os símbolos do estudo anterior se faz necessária uma recapitulação dos mesmos. A dificuldade com alguns textos ocorre devido ao caráter duplo da referência profética. Portanto, um mesmo símbolo pode significar diferentes pessoas por mais de uma vez no tempo, mas o sentido espiritual é sempre o mesmo. Desta forma simplifica-se assim:
a) A mulher vestida de púrpura e de escarlata é o símbolo de uma igreja falsa e satânica. É o oposto da mulher vestida do Sol que simboliza a verdadeira Igreja. É a oposição entre Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo e do outro lado Satanás, o Anticristo e o Falso Profeta. Esta mulher está sentada sobre uma besta escarlate que possui sete cabeças e dez chifres. A besta é uma síntese do governo mundial desde os tempos passados até os últimos tempos, tendo como cabeça deste sistema, o próprio Satanás. O representante humano deste mesmo sistema é o Anticristo apoiado pelo Falso Profeta, a saber, o líder de um grande e poderoso sistema religioso. A mulher declarada como "Babilônia, a Grande" é um sistema eclesial fora da verdade do evangelho puro, porém altamente engajada e aceita pela sociedade.
b) As muitas águas sobre as quais a mulher está assentada é o seu domínio sobre muitos povos, multidões, nações e línguas conforme Ap. 17:15.
c) Prostituição em sentido espiritual é uma referência à adoração de ídolos, sejam eles de barro, de pedra, de metal, como também de pessoas mortas ou vivas. Recai em uma infidelidade à verdade disfarçada por meias verdades.
d) "Mistério: Babilônia" é uma referência àquilo que é hermético, ou seja, é conhecido apenas pelos iniciados. É uma forma de esoterismo religioso e místico. São práticas satânicas que apenas alguns conhecem em determinadas seitas e grupos secretos.
e) A besta é originalmente o Diabo, mas se expressa por um sistema político-econômico-religioso e também por uma pessoa, o Anticristo. 
f) As sete cabeças são sete impérios, sendo cinco já desaparecidos historicamente, mas existentes culturalmente. O sexto império dominava no tempo em que o texto foi revelado. Este sexto império, o Romano, ressurgirá no fim dos tempos formado por nações originalmente de cultura latina. Este sétimo império dará origem ao oitavo domínio ou o reino do Anticristo, o qual é uma das duas bestas de Ap. 13.
g) Os sete montes são outra referência aos sete impérios, sendo cinco já passados e um que ainda ressurgirá no final dos dias. O oitavo reino será o domínio do Diabo em pessoa e emergirá do sétimo domínio.
h) Os dez reis indicam governantes de nações poderosas e influentes que farão aliança com o Anticristo para lhe entregar o governo mundial.
A voz que vem do céu no capítulo dezoito de Apocalipse diz: "... sai dela povo meu..." É uma ordem imperativa aos eleitos e regenerados para sair do sistema político-econômico e religioso organizado e controlado pela falsa igreja denominada "Babilônia, a Grande". O poder religioso sempre esteve apoiado e apoiando-se sobre os governos e a economia. Mudou de localização geográfica ao longo da História, mas seus métodos são sempre os mesmos. Desta forma, o texto dá entender que surgirá uma grande cidade a qual receberá o nome de Babilônia e ocupará novamente o mesmo espaço geográfico da primeira Babilônia no Oriente Médio conforme Zc. 5: 5 a 11 - "Então saiu o anjo, que falava comigo, e me disse: levanta agora os teus olhos, e vê que é isto que sai. Eu perguntei: que é isto? Respondeu ele: isto é uma efa que sai. E disse mais: esta é a iniquidade em toda a Terra. E eis que foi levantada a tampa de chumbo, e uma mulher estava sentada no meio da efa. Prosseguiu o anjo: esta é a impiedade. E ele a lançou dentro da efa, e pôs sobre a boca desta o peso de chumbo. Então levantei os meus olhos e olhei, e eis que vinham avançando duas mulheres com o vento nas suas asas, pois tinham asas como as da cegonha; e levantaram a efa entre a terra e o céu. Perguntei ao anjo que falava comigo: para onde levam elas a efa? Respondeu-me ele: para lhe edificarem uma casa na terra de Sinar; e, quando a casa for preparada, a efa será colocada ali no seu lugar." Efa era um recipiente que servia para medir grãos e coisas a granel. A mulher sentada no meio da efa é uma igreja mundial que está mudando de localização. Terra de Sinar era outro nome para a região da Babilônia, o que hoje, corresponde ao Iraque.
O reino do Anticristo emergirá de uma síntese dos sete impérios já existentes no passado. É como se houvesse um apuramento da cultura mundial nos últimos tempos. Este será o oitavo rei e este tipo já apareceu uma vez com Antíoco Epifânio o qual invadiu Jerusalém e sacrificou um porco no altar do Templo de Salomão para afrontar os judeus. O Anticristo foi previsto em Dn. 8: 9 e 21 - "Ainda de um deles saiu um chifre pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa;  Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei." O bode peludo é uma referência a Alexandre, o Grande da Macedônia que conquistou o mundo civilizado da época. Após a morte prematura de Alexandre o seu império foi dividido entre quatro dos seus generais, cabendo a Antíoco Epifânio o domínio da Palestina, incluindo-se, Israel. Assim, o bode peludo é o império grego-macedônio e o chifre pequeno foi, no passado, Antíoco Epifânio, mas reaparecerá na pessoa do Anticristo. Jesus, o Cristo também afirma que o oitavo rei, a saber, o Anticristo voltará à Terra de Israel no fim dos tempos e fará a mesma coisa que fez Antíoco Epifânio conforme Mt. 24: 15 a 19 - "Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judeia fujam para os montes; quem estiver no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa, e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a sua capa. Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias!" O lugar santo é o Santo dos Santos no Templo de Jerusalém que, pelo tempo do fim será novamente reconstruído. A abominação desoladora será a tomada do templo pelo Anticristo que exigirá adoração como um "deus". Isto é ensinado também em II Ts. 2:4 - "... aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus." Sabe-se que, os judeus religiosos já possuem todo o material e os recursos para a reconstrução do Templo em Jerusalém. A única coisa que os impede, humana e espiritualmente, é a ocupação do local por duas mesquitas muçulmanas no Domo da Rocha.
Por estas razões a ordem de Deus é que o seu povo - eleito e regenerado - saia do ambiente da religião e se volte para a adoração em espírito e em verdade que é o culto racional.
Solo Christus!

setembro 18, 2015

SAI DELA, POVO MEU I

Ap. 18: 4 - "Ouvi outra voz do céu dizer: sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas."
A Bíblia, notadamente o livro de apocalipse é plena de símbolos e tipos. Isto porque a sua linguagem é as vezes literal, e por vezes, figurada. Qualquer afirmação sobre o porquê de as Escrituras serem assim é mera especulação, pois seria uma incursão nas razões de Deus por conta própria. Grande parte dos comentaristas e interpretes dos textos sagrados se aventura neste campo escorregadio. Muitos foram desmascarados ao longo da História por suas afirmações sem revelação do alto.
Sabe-se que as profecias podem apresentar dupla referência, ou seja, tanto podem ocorrer em tempos diferentes, como se referir a pessoas e acontecimentos diferentes, valendo-se dos mesmos símbolos. Entretanto, sabe-se que toda profecia é voltada apenas para cumprir o projeto eterno de Deus em Cristo. Nada nas Escrituras está centralizado em homens, lugares e circunstâncias, sendo estes apenas meios e não fins em si mesmos. Tudo aponta para a obra redentora de Cristo, tanto antes, como durante e depois da sua manifestação visível ao mundo. O papel do Diabo não é, inicialmente, oprimir e destruir a humanidade, ao contrário, o seu objetivo é glorificar e exaltar o homem portador da natureza pecaminosa. Isto se dá por meio da ciência, do conhecimento dos fenômenos e de si mesmo. Isto visa negar a eficiência e a eficácia do propósito supremo e eterno de Deus. Como tal propósito é executado por meio de Cristo, implica que o objetivo maior de Satanás é desacreditar Cristo como a solução definitiva e única para o pecado que gera os atos pecaminosos no homem e o mal moral na humanidade. Por esta razão a literatura universal gira sempre em torno de auto-ajuda e do autoconhecimento humano. Multiplicam-se as pesquisas e os métodos para dar ao homem uma solução própria. A ideia por trás deste projeto paralelo é provar que o homem é o seu próprio Deus e que a obra de Cristo é uma farsa.
O texto que abre esta instância é parte de um contexto maior que provém desde o capítulo dezessete e chega ao capítulo dezoito do livro profético de Apocalipse. Este livro conecta-se às profecias de Daniel e de Ezequiel, bem como, dos textos proféticos de Jesus, o Cristo, especialmente de Mateus capítulo vinte e quatro. Verifica-se que o versículo quatro do capítulo dezoito de Apocalipse contém uma veemente ordem dada por um anjo. A ordem é imperativa e se destina aos eleitos e regenerados a que saiam da "Grande Babilônia". Neste ponto começam as dúvidas, especialmente, para religiosos, os quais possuem apenas conhecimento informativo sobre tais assuntos. O que quer dizer "Grande Babilônia" e "Grande Meretriz"? A antiga Babilônia foi superada pelo tempo, restando apenas ruínas em seu sítio arqueológico. Bem, neste sentido é que entram os símbolos ou a linguagem figurada. Todavia, para compreender bem o sentido e a extensão dos símbolos ter-se-á de recorrer a algumas referências veterotestamentárias e outras referências paralelas neotestamentárias. O paralelismo bíblico ocorre, justamente, porque o texto escriturístico objetiva mostrar uma única verdade: Cristo.
No capítulo dezessete de Apocalipse fala-se da "Grande Meretriz". Uma mulher é sempre símbolo de um sistema religioso. Se a mulher é revestida de luz, tem a Lua sob os pés e está grávida é uma alusão à verdadeira Igreja. Se a mulher é vestida de púrpura e seda, bebe em uma taça, está montada em algum animal e é chamada de meretriz é a falsa igreja. A falsa igreja é sempre atrelada ao sistema político e econômico dominante em cada momento da História. Uma meretriz é um símbolo que indica um comportamento de infidelidade, depravação, prostituição, ou seja, é a mesclagem da verdade à mentira. O texto faz menção à "Grande Meretriz" como sendo "Babilônia, a Grande". Por dupla referência profética sabe-se que, a antiga cidade de Babilônia foi a sede de um vasto sistema político-econômico-militar e religioso dominante por muitos séculos. Desta forma, a alusão a ela no Apocalipse é uma segunda referência a um sistema dominante no mundo pós Cristão. É a continuidade visível do antigo sistema de controle e dominação de todos os tempos, visando ao estabelecimento do reino de Satanás na Terra. Isto se dará, inicialmente, por meio de líderes políticos e religiosos poderosos e dissimulados em regimes populares, modos de produção econômicos e crenças religiosas místicas agradáveis ao egoísmo humano. Na fase mais avançada, Satanás em pessoa assumirá o controle por um curto período de tempo antes da restauração final. Por esta razão é que a sede do sistema é identificada como a "mãe das meretrizes e das abominações da Terra". Por abominação entende-se algo que profana o sagrado por meio da idolatria de coisas e de homens. Desta forma o seu alcance não será apenas um território e um determinado governo ou país, mas o mundo todo. Há uma matriz do sistema satânico instalada no mundo desde a queda do homem. Tal sistema vem se apresentando em diversas fases, sendo a última a mais sofisticada.
A tal igreja associada ao sistema político-econômico está, desde agora, intimamente comprometida no processo de engano, mentira e dominação, pois acha-se "embriagada pelo sangue dos santos e das testemunhas de Jesus", o Cristo. A falsa igreja representada pela mulher está "montada em uma besta com sete cabeças e dez chifres". Acerca da besta é dito que era e não é mais, mas que está para emergir do abismo e caminha para a perdição. Isto implica em que, o tal sistema de crença hibrido com o sistema político-econômico-militar é apoiado e apoia-se na autoridade de sete reinos e dez governantes. Cabeças simbolicamente indicam autoridade e chifres indicam poder. A tal besta é um sistema sediado em uma cidade que foi erguida sobre sete montes. Representam também sete autoridades ou domínios. É declarado que cinco destes impérios poderosos já foram extintos. Neste caso, são eles: Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia e Grécia. Um dos domínios temporais ainda existia no tempo em que João recebeu a revelação do Apocalipse. Neste caso, tratava-se do Império Romano que era a potência dominante de então. Também é revelado que o sétimo reino ou domínio ainda não havia chegado, mas apareceria no tempo de fim e duraria pouco tempo. Isto indica uma reedição do antigo Império Romano formado por nações atuais de origem latina. A própria besta, ou seja, o governo mundial que havia sido extinto e ressurgirá será um oitavo governo ou império que também será destruído na restauração final. Tal sistema, ao que parece, será uma espécie de tratado ou acordo firmado por governantes que estarão no comando do sistema mundial. Os chifres são governantes de dez países poderosos que serão aliados da besta, ou seja, do sistema dominante controlado pelo Anticristo. Estes dez governantes formarão uma aliança e darão total e irrestrito apoio ao governo mundial da besta. É dito que este tratado terá curta duração. Será um tempo de ações muito rápidas e curtas, porém altamente destrutivas.
As águas sobre as quais a cidade-sede do sistema mundial chamada "Babilônia, a Grande" está assentada são povos, multidões, nações e línguas conforme o verso quinze. Também é revelado no texto que os governantes e a besta, ou seja, o Anticristo odiarão a Grande Meretriz e a destruirão quando conseguirem o controle e o domínio mundial. Desta forma, a primeira vítima do sistema satânico será a falsa igreja, porque o Anticristo reivindicará para si o título de "deus". Ela pagará por todo o engano, a mentira e o assassinato de fiéis filhos de Deus. É dito finalmente no último versículo do capítulo dezessete de Apocalipse que a mulher é uma cidade que exerce grande influência e domínio sobre os governantes do mundo por artifícios religiosos místicos conforme Ap. 13. Tal cidade é a sede de um complexo e poderoso sistema que manipula as mentes dos homens. A religião é, de fato, um fértil campo para conseguir tal controle.
Sola Scriptura!

setembro 04, 2015

POSSO TODAS AS COISAS? QUAIS? COMO?

Fl. 4: 6 e 7 - 12 e 13 - "Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.  Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece."
Há uma recorrente tendência entre religiosos em dissimular exaltação a Deus, quando, de fato, exaltam-se a si mesmos. Para tanto, utilizam de expediente digressivo, o qual consiste em declarar porções bíblicas, as quais demonstram poder, santidade, superioridade e vitória, mas vivem, interiormente, dramas incontroláveis. Por vezes, são pessoas que sequer sabem diferenciar Jesus, o homem histórico, do Cristo pré-existente e eterno, porém se apropriam dos textos bíblicos sem qualquer autoridade espiritual. Pessoas que memorizam textos apenas pela beleza poética dos mesmos, ou porque tais textos e contextos expressam suas mazelas, carências e desesperos circunstanciais. Passada a refrega e a ansiedade, não são capazes de, sequer, localizar tais textos nas Escrituras. Também há aqueles que buscam nas Escrituras textos para responder ou atacar seus desafetos em uma espécie de transferência dos desacertos à esfera do sobrenatural. Ainda há aqueles que se utilizam dos textos bíblicos para aconselhar outros, quando nem eles mesmos creem no que estão aconselhando. Muitas vezes estes artifícios fazem parte de um repertório de expertises para ganhar simpatias, aliados e alguma vantagem emocional ou material sobre terceiros. As pessoas que assim agem são portadoras da "Síndrome de Lúcifer", a saber, querem uma espécie de poder supremo para si. Contrariamente, os eleitos e regenerados recebem como certa a verdade seguinte: "quando sou fraco, aí é que sou forte." No reconhecimento e confissão da própria fraqueza dá lugar à manifestação do poder unicamente de Cristo. Isto faz que o regenerado dependa exclusivamente d'Ele e do seu poder.
Acerca dos tais que usam os textos sacros como meros expedientes, as Escrituras afirmam em Is. 29:13 - "Por isso o Senhor disse: pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu coração, e o seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor." Portanto, aproximar-se das coisas relativas a Deus, dizer coisas bonitas acerca d'Ele, em nada consiste em confessá-lo e adorá-lo em espírito e em verdade. Eles estabelecem mandamentos, preceitos e regras conforme seus próprios desejos e atribuem à sua religiosidade um culto a Deus que, de fato, não é real. São apenas dogmas decorados e praticados em forma de rituais ou religião exterior. Aos olhos de Deus, para nada aproveita, pois tudo o que possui centralidade no homem e não em Cristo, não possui valor, senão sociológico. Portanto, é fundamental entender e receber com mansidão o fato que a religião é apenas um artifício humano e não uma ordenança divina. De fato, Deus não fundou nenhuma religião. O apóstolo Tiago esclarece que a verdadeira religião consiste em visitar as viúvas e os órfãos e fazer-lhes caridade conforme Tg. 1: 26 e 27 - "Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo." Primeiramente, vê-se que a religião é um cuidado humano e, secundariamente o falar deve coincidir com a prática humanitária.
O texto de abertura provém de um contexto em que o apóstolo Paulo está expondo as dores, aflições e a glória no serviço do evangelho de Cristo. Fica evidente que, a oração e súplica diante das aflições não é para convencer Deus a ser favorável aos desejos e caprichos humanos, mas para ganhar a paz que ultrapassa todos os limites da compreensão humana. Não se trata de fazer barganha, mas de reconhecer que tudo está no controle de Deus. Acrescenta-se que a paz profunda e espiritual consiste em que os corações dos eleitos e regenerados são guardados em Cristo e não em vitórias materiais como se supõe na religião comum. O texto mostra como Deus prova e aprova os seus eleitos e regenerados, tanto na abundância, como na escassez a fim de que tenham a firme confiança que todas as coisas provêm d'Ele. Desta forma, a pedagogia de Deus consiste em não deixar que a fé dos seus seja apenas apoiada em ter coisas, ou mesmo, que eles não desfaleçam os corações por sofrerem sempre escassez. 
Muitos utilizam apenas o versículo treze do referido texto para se vangloriar de uma vitória que, muitas vezes, nada tem a ver com a dependência plena de Deus. Assim, muitos afirmam: "posso todas as coisas naquele que me fortalece." Entretanto, deixam de considerar tudo o que o apóstolo Paulo fala antes e após o verso treze. Descontextualizam o texto a pretexto de exibir uma vitória que não têm e um poder que não lhes pertence. São, portanto, usurpadores da verdade! Uma visão mais acurada deste verseto, permite ver com clareza meridiana que, o poder sobre todas as coisas reside naquele que fortalece o nascido de Deus e não em si mesmo. Aquele que fortalece é Jesus, o Cristo e não fatos. Deus não tem coisas para dar aos seus, ele tem Cristo, porque Cristo é o tudo de Deus. O poder dos nascidos do alto reside, tanto em ter abundância em Cristo, como ter escassez em Cristo; passar fome em Cristo, ter fartura em Cristo. Cristo é, portanto, aquele que fortalece os nascidos de novo em quaisquer circunstâncias. São os extremos circunstanciais que provam e aprovam os eleitos e regenerados. Aquele que não recebeu a sua inclusão na morte com Cristo, bem como na sua consequente ressurreição juntamente com ele, tende a afastar-se dele tanto em um, quanto no outro extremo. A fé genuína consiste em confiar plena e incondicionalmente em Deus por meio de Cristo sob quaisquer circunstâncias. Os nascidos de Deus não olham as circunstâncias, mas olham para Cristo autor e consumador da fé.
Então, paradoxalmente, quais "todas as coisas" as quais o eleito e regenerado pode? Todas! As boas e as ruins, porque ele é conduzido pelo Espírito e não pela carne. Como eles podem todas estas coisas? Suportando-as da mesma forma em Cristo, pois ele é a vida dos justificados na cruz conforme Gl. 2:19 e 20.
Solo Christus!